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Diálogo

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FRANÇOIS GUIZOT - ESCRITOR FRANCÊS

Quando a política penetra no recinto dos tribunais, a justiça se retira por alguma porta”

Felpuda

Alguns sonhadores que pensam em disputar mandatos “top de linha” terão o freio de mão puxado não por uma questão propriamente política, mas por certos malfeitos do passado. Essa história de que o povo tem memória curta é subestimar o distinto eleitorado. Dessa forma, determinadas siglas estão quietas diante do entusiasmo de certa galera, mas na hora das batidas do martelo, é que começarão o choro e o ranger de dentes. Afinal, lideranças não vão querer passar a campanha eleitoral explicando o inexplicável. Portanto...

Em novembro, foi lançado o “Anthology 4” dos Beatles, com versão inédita da música “I’ve Just Seen a Face”. Além desta recém-descoberta canção, “Anthology 4” também traz versões inéditas de “In My Life”, “Nowhere Man”, “If I Fell”, um ensaio nunca lançado da performance de “All You Need Is Love” para a BBC e novas mixagens de 2025 para as faixas “Free as a Bird” e “Real Love”, originalmente lançadas nos anos 1990. “I’ve Just Seen a Face (Take 3)” começa com o áudio bruto dos Beatles em estúdio, com John Lennon brincando que “Lonnie” – presumivelmente o cantor escocês de skiffle Lonnie Donegan, que influenciou a banda – “vai se arrepender de não cantar essa”. Os quatro volumes do Anthology também foram reunidos numa coleção completa – um box set com 12 LPs em vinil e outro com 8 CDs –, além de versões digitais.

Dione Hashioka e Roberto Hashioka. Ela recebeu o troféu “Mulher Destaque”, e ele o troféu Governador Pedro Pedrossian “Político Destaque”

 

Vitor Souza

Espaço

Alguns políticos têm dito que o ex-deputado estadual Capitão Contar, se não conseguir uma das vagas para sair ao Senado pelo PL, poderá começar a rever seus projetos políticos. Depois de um mandato de deputado estadual, deixou o legislativo de lado e mirou o posto mais alto do Executivo, disputando o governo do Estado, não tendo sucesso. Nas eleições municipais preferiu não encarar o jogo, aguardando o próximo ano.

Caminhos

Em 2026, o Capitão Contar tentará se viabilizar para ser o escolhido, visando tentar se eleger para o Senado. Se não conseguir ser o “ungido”, porque há ainda outros pré-candidatos competitivos, ainda lhe restará os caminhos da Câmara dos Deputados ou da Assembleia Legislativa de MS. Como as lideranças estão queimando a pestana para abrigar os muitos interessados em poucas vagas, aí será outra história. A conferir.

Pausa

Na segunda-feira, o governador Riedel deixará o comando de Mato Grosso do Sul nas mãos do vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha. Ele foi autorizado pela Assembleia Legislativa a se licenciar do cargo até o dia 16 de janeiro de 2026, quando se ausentará do Estado.

ANIVERSARIANTES

Quarta-feira (24)

Lucimar Lacerda de Melo,
Beatriz Medeiros Navarro Santos, 
Cristiano Paim Gasparetti,
Dr. Nicanor de Araújo Lima,
Dr. Wellington Moreira Mello, 
Lara Marília Chaves,
Thiago Dias de Lessonier, 
Adão Dias Vieira,
Delfino José dos Santos,
Jorge Arlindo Aguirre,
Márcia Eliza Serrou do Amaral,
Tarcila Helena Santos do Nascimento,
Adonis Camilo Froener,
Cleuza Mara Franco dos Santos,
Gilberto Vital,
João Rafael Deiss,
Abdias Pacheco Santos,
Maria Vanda Gomes Cardoso,
Leoncio Elidio dos Santos Junior,
Márcio Luiz Bandeira de Melo,
Cláudio Rocha Barcellos,
Natalina Gonçalves da Silva,
Wilma de Moraes Souza,
Dóris Ricartes da Silva,  
Ana Maria Rebelato,
Carla Guttierrez Jacob,  
Tânia Mara Teixeira Roncatti, 
Sônia Maria Abuhassan, 
Marlene Capiberibe,
Pedro Messias Lacerda,
Veronique Claude Loubet Cortada,
Vanda Ferreira Machado,
Ana Cristina Thiers,
Dr. Marcos Camilo Falcão,
Elvira de Paula Eduardo,
João de Souza Neto,
Luiz Antonio Prado,
Maria Amélia Santos Duarte,
Alayde Cardoso Gonçalves,
Aurélio Pires Azambuja,
Ítalo Francisco Stefanini,
Cleonice Costa Ferreira,
Andréa Netto Braga,
Valdemar Pinto Costa,
Ivonete Mendonça Borba,
Élcio Padovan Correia,
Osmar Soares Fuzário,
Eva Muta de Queiróz,
Adão Ortega,
Danilo Silva de Moraes,
José Cesar Boeira Lourenço,
Sebastião Felix da Silva,
Sérgio Oshiro, 
José Luiz Cardoso,
Margarete Pereira de Castro Bertelli,  
Marcelo Ferreira Mello,
Rubens Nogueira da Rosa,
Elizete Lanza,
Maria Eva Maldonado Duarte,
Natalia Ferreira de Paula,
Rubens de Andrade Ferreira,
Maria Ignacio Afonso,
Luzia Belarmino,
Denise Orro de Lima,
Ilma de Fátima dos Santos Fernandes, 
Telso Marques de Oliveira,
Edson Natalício Vera,
Fernando Milan Amici, 
Raul Enrique Rojas Fernandez,
Danielle Almirão Caldeira Franco,
Thiago Antonio da Costa Vieira,
Adriano Rui da Silva,
Renata Tiveron de Assis Berriel,
Milene Barbosa Carvalho,
Ana Elisa Herbas,
Dirceu Bianchet,
Israel Rafael Espíndola,
Natália Pompeu Monteiro Padial.

Quinta-feira (25)

Dr. Marcos Rogério Mistro Piccinin,
Maria Cristina Abrão Nachif, 
Mikael Moraes da Silva,
Dr. João Carlos Barbosa Florence,
Dr. Frederico Luiz de Freitas,
Dra. Marlene Schneider Pereira,  
Albina Aguirre,
Silvia Loureiro Ricardo,
Ariovaldo Batista de Araujo,
Mário Natálio Oliveira Pavon,
Nélio Gonçalves da Silva,
Darci Ribeiro Soares,
Ligia Aparecida Higa Cândido,
Renan Barbosa Contar,
Cristiano Gionco, 
Emerson Chesma Sepol Acchor,
Manoel Lobo de Brito,
Adriano Fábio Franchini,
Francisco Ishibashi,
Gilma Silveira de Magalhães, 
Levy Arnos Monteiro,
Lianice Marques Romeiro,
Antônio Zozival Milfont Sobreira,
Delfina Recalde,  
Denize Demirdjian Sampaio Jorge,  
Maria Inês Martinusso, 
Natalina da Rocha Vieira,
Cíntia Cristina Zurutuza,
Messias Fernandes,
Evandro Rodrigues Pereira,
Miguel Assis Saueia,
Evelyn de Arruda Baeta Tetsuya,
Paulo Cesar dos Reis,
Luiz Bezerra dos Santos,
Francisco Ferreira da Costa, 
Sildo Francisco Flutuoso Júnior,
Natalina Monteiro,
Josué Pires Hildebrand,
Márcio Natalício Garcia de Brito,
Victor Guimarães Sales, 
Lucrécia Leite, 
Maria de Melo Netto,
Hercília dos Santos,
Miguel de Souza,
Anderson Antônio de Menezes,
Noé Nogueira Filho,
Erço Carlos Gomes,
Lucindo Zamboni,
Natalício Alves de Oliveira,
Vanda Conceição Ferreira,
Dr. Natal Silveira de Carvalho, 
Eléa Rocha Bertoli,  
Nelson Ossamo Todokoro,
Julieta Leiko Nakaya Mori,
Noely Goncalves Vieira Woitschach,
Carla de Moraes Rêgo Mandetta,
Jerônimo Mazurkevicz,
Viviane Miwako Inoue, 
Natalício Soares da Silva,
Andrea Barbosa Franco,
Francisco Chargas Cavalcante,
Ivanice França,
Luzia Alves de Moraes,
Waldenir Borges,
Zueli Farias da Silva,
Gilma Lino de Almeida,
Eloir de Jesus Oliveira Rebechi,
Lileia Santos,
Milze Ferreira de Paula Dantas,
Eliane Maria Santos Ormond, 
Manoel Joaquim de Lima,
Adriana Maria Bataglin Rodrigues.

*Colaborou Tatyane Gameiro

TRATAMENTO MEDICINAL

Evento sobre cannabis medicinal reúne especialistas na UFMS

Projeto itinerante da Divina Flor em parceria com a Universidade Federal de Matro Grosso do Sul, "Divina na Estada" promove atualização científica sobre prescrição, pesquisas e regulamentação no estado

05/03/2026 17h43

Thiago Dragão

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Com o objetivo de ampliar o debate científico e a qualificação profissional sobre o uso terapêutico da cannabis, a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) recebe, nesta sexta-feira (6), o projeto “Divina na Estrada – Cannabis Medicinal na Prática Clínica: Bases Científicas e Aplicações Terapêuticas”. O encontro será realizado das 8h às 17h, no Anfiteatro Multiuso 1, na Cidade Universitária, em Campo Grande.

A iniciativa é promovida pela Associação Divina Flor em parceria com a UFMS e marca o fortalecimento da colaboração entre a entidade e a universidade para o desenvolvimento de pesquisas e ações de extensão voltadas à cannabis medicinal. O projeto possui caráter itinerante e deve percorrer, ao longo do ano, municípios de Mato Grosso do Sul que possuem câmpus da universidade, levando capacitação técnica a profissionais da saúde, estudantes, pesquisadores, pacientes e demais interessados.

De acordo com a diretora da Associação Divina Flor, Fátima Carvalho, o crescimento da busca por tratamentos à base de cannabis no Brasil tem aumentado a demanda por atualização científica entre profissionais da saúde. Ainda assim, o tema segue cercado por lacunas de informação.

“Com o aumento da procura por terapias à base de cannabis, médicos e outros profissionais têm buscado compreender melhor o sistema endocanabinoide, as indicações clínicas e os aspectos regulatórios. Em Mato Grosso do Sul ainda existem muitas dúvidas sobre legislação e produção nacional de preparados, o que impacta diretamente o acesso dos pacientes a tratamentos seguros e baseados em evidências. Por isso queremos levar essa capacitação para diferentes regiões do Estado”, explica.

Além da formação clínica, o evento também está ligado a pesquisas desenvolvidas na UFMS que investigam o conteúdo de fitocanabinoides — substâncias presentes na Cannabis sativa — e analisam, em laboratório, as atividades biológicas de óleos e resíduos provenientes do processamento da planta para uso medicinal. O objetivo é ampliar o conhecimento científico sobre a composição química, qualidade e possíveis aplicações terapêuticas desses produtos.

PROGRAMAÇÃO MULTIDISCIPLINAR

A programação reúne especialistas de diferentes áreas do conhecimento, incluindo pesquisadores, médicos e profissionais que atuam diretamente com a temática da cannabis medicinal.

A diretora da Divina Flor, Fátima Carvalho, apresenta o trabalho desenvolvido pelo Núcleo de Saúde e Qualidade de Vida da associação. Já a química responsável da entidade, Talita Vilalva Freire, aborda aspectos técnicos relacionados ao cultivo, às análises laboratoriais, ao controle de qualidade e à produção nacional de preparados à base da planta.

A professora Nídia Yoshida, do Instituto de Química da UFMS, discute o cenário atual das pesquisas científicas sobre cannabis medicinal no Brasil. Segundo a pesquisadora, levar o debate para o ambiente universitário é fundamental para ampliar o conhecimento e reduzir desinformações sobre o tema.

“O principal objetivo do evento é apresentar e discutir as pesquisas científicas mais recentes sobre o uso terapêutico da cannabis em diferentes enfermidades, integrando evidências químicas, biológicas, clínicas e regulatórias. Diante do crescimento do interesse social e científico sobre o assunto, é essencial qualificar o debate com base em dados consistentes”, afirma.

Também participam da programação os médicos da família e prescritores Bárbara Rosa e José Ikeda Neto, que irão abordar o funcionamento do sistema endocanabinoide e as aplicações clínicas da cannabis em tratamentos de saúde.

As indicações terapêuticas na medicina humana e veterinária serão discutidas pelas professoras Cláudia Du Bocage, da Faculdade de Medicina da UFMS, e Bruna Fernanda Firmo, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia.

O coordenador jurídico da Divina Flor, Felipe Nechar, apresenta ainda um panorama sobre o papel das associações de pacientes no avanço da regulamentação da cannabis medicinal no Brasil, destacando o protagonismo dessas organizações na ampliação do acesso aos tratamentos.

ACESSO À INFORMAÇÃO

Para os organizadores, o projeto “Divina na Estrada” busca fortalecer o diálogo entre universidade e sociedade ao integrar pesquisa científica, prática clínica e as demandas reais da população que utiliza ou busca terapias com cannabis medicinal.

Nesse contexto, as universidades públicas desempenham papel estratégico na produção de conhecimento qualificado e na orientação técnica da sociedade e de órgãos reguladores, contribuindo para decisões fundamentadas em evidências científicas e responsabilidade social.

A iniciativa também destaca a importância das associações de pacientes na disseminação de informação de qualidade, na redução de estigmas históricos associados à planta e na construção de políticas públicas baseadas em dados científicos.

Ao ampliar o debate sobre os potenciais usos terapêuticos da cannabis, o projeto pretende estimular uma compreensão mais ampla sobre o tema e fortalecer a formação de uma comunidade mais informada, crítica e preparada para discutir os impactos da cannabis medicinal na saúde pública.

O “Divina na Estrada” integra uma agenda estadual que deverá percorrer diferentes municípios sul-mato-grossenses ao longo de 2026.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA

8h – 8h30 – RECEPÇÃO
8h30 – 8h45 – ABERTURA
8h45 – 9h – Fátima Carvalho – Diretora da Associação Divina Flor: “O trabalho da Divina Flor no Núcleo de Saúde e Qualidade de Vida.” 
9h - 10h30 - Dra. Talita Vilalva Freire – Química responsável Associação Divina Flor: “Laboratório e Cultivo: Bases Técnicas, Controle de Qualidade e Produção Nacional”;
10h30 – 10h45 - INTERVALO CAFÉ
10h45 – 11h30 – Profa. Nídia Yoshida – Instituto de Química – INQUI/UFMS/Campo Grande: “Pesquisa com Cannabis Medicinal no Brasil: Perspectivas, Desafios e a Contribuição das Instituições de Ensino e Pesquisa”
11h30 - 13h – ALMOÇO
13h - 13h45 – Dra. Dra. Bárbara Rosa – Médica da Família e prescritora / Dr. José Ikeda Neto - Médico da Família e prescritor: “Introdução ao Sistema Endocanabinoide e aplicações clínicas da cannabis”;
13h45 - 14h15 – Profa. Cláudia Du Bocage - Faculdade de Medicina – FAMED/ UFMS/Campo Grande: “Aspectos relacionados à utilização de cannabis medicinal por pacientes da Associação Divina Flor, Campo Grande – MS”
14h15 – 15h15 – Profa. Bruna Fernanda Firmo – Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia – FAMEZ/UFMS/Campo Grande: “Terapia canabinoide na Medicina Veterinária: indicações terapêuticas”
15h15 - 15h30 - INTERVALO CAFÉ
15h30 – 16h30 – Dr. Felipe Nechar – Coordenador Jurídico Divina Flor: "O Protagonismo das Associações de pacientes na regulamentação da Cannabis no Brasil"   
 

ARTE

Exposição reúne artistas mulheres e propõe reflexão sobre a alta de feminicídios no Estado

Exposição reúne 14 artistas mulheres no Museu da Imagem e do Som e propõe reflexão urgente sobre a alta de feminicídios em Mato Grosso do Sul e no Brasil

05/03/2026 10h00

Divulgação

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Está aberta ao público, no Museu da Imagem e do Som (MIS), a exposição “O Grito que Ecoa”, mostra que coloca o feminicídio e as múltiplas violências contra mulheres no centro do debate artístico e social.

Com curadoria de Sara Welter (Syunoi), a exposição reúne obras de 14 artistas mulheres e articula pintura, arte têxtil, objetos, instalação, performance, música e poesia em um percurso que tensiona delicadeza e brutalidade, intimidade e política.

Participam da mostra Bejona, Marcia Lobo Crochê, Vitória Lorrayne, Syunoi, Veryruim, Letícia Maidana, Terrorzinho, Kami, Sabrina Lima, Thalya Veron e Maíra Espíndola, entre outras integrantes do coletivo.

A proposta é transformar experiências de silenciamento e apagamento em presença, linguagem e ocupação simbólica do espaço institucional.

Em um estado que registra índices alarmantes de violência contra mulheres, a exposição assume a arte como gesto de denúncia, memória e resistência.

“O Grito que Ecoa” foi contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc, com apoio da Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande (Fundac). Para Sara Welter, o financiamento público é essencial para viabilizar projetos dessa natureza.

“Com esses financiamentos muitos artistas têm portas abertas para fazer com que suas ideias saiam do papel e se tornem palpáveis. Essa exposição é uma dessas ideias que se tornou real. Conseguimos garantir infraestrutura adequada, produzir obras inéditas e desenvolver todas as etapas do projeto com qualidade”, afirma Sara.

ARTE QUE GRITA

Segundo a curadora, a ideia da mostra surgiu a partir de discussões com o Coletivo Dorcelina Folador.

“Observando que essa temática percorre desde o próprio coletivo, visto que Dorcelina Folador foi vítima de feminicídio em Mundo Novo, e vendo a necessidade de falarmos sobre isso e toda a repercussão com as tantas vítimas no Brasil e em Mato Grosso do Sul, chegamos à conclusão de que era necessário e urgente produzir essa exposição”, afirma.

Criado em 2020, o Coletivo Dorcelina Folador tem como objetivo romper padrões patriarcais e fortalecer a produção artística feminina. A história do grupo se constrói a partir da união de artistas mulheres que utilizam a arte para contar suas vivências e reivindicar espaços.

Atualmente, o coletivo reúne mais de dez artistas de MS, entre elas Bejona, Erika Pedraza, Leticia Maidana, Marcia Lobo Crochê, Thalya Veron, Veryruim, Terrorzinho, Maíra Espíndola, Cecilia Hanna, Sabrina Lima, Sara Welter (Syunoi), Thalita Nogueira, Suellen Rocha, Ester Rohr, Da Mata, Ana Deluck, Vitória Queiroz, Vitória Lorrayne e Kami.

A exposição integra a primeira etapa do projeto Nós Dissemos: Circuito de Arte Dorcelina Folador, que prevê ainda outras duas mostras em diferentes espaços culturais da cidade.

“A Via Crucis do Corpo”

“A Via Crucis do Corpo”, de Sara Welter - Foto: Divulgação

Entre as obras inéditas está “A Via Crucis do Corpo”, assinada por Sara Welter especialmente para a exposição. Produzida com nanquim, carvão e pastel seco, a obra representa o corpo feminino de forma ambígua e fantasmagórica.

“Esse corpo aparece em duas formas opostas, ora pendurado pela mão, ora pendurado pelo pé. As linhas se enrolam pelo corpo da figura, trazendo referência desde shibari até mesmo como cortes. Esse corpo sem cabeça, com sua face ocultada, é dilacerado, machucado e violentado. O que resta é apenas a impressão do crime no tecido”, explica a curadora.

A obra sintetiza o conceito da mostra: tornar visível aquilo que muitas vezes é reduzido a estatísticas e transformar o trauma em linguagem.

NÚMEROS

O Brasil registrou 6.904 vítimas de casos consumados e tentados de feminicídio em 2025, um aumento de 34% em relação a 2024, quando houve 5.150 vítimas. Foram 4.755 tentativas e 2.149 assassinatos, totalizando quase seis (5,89) mulheres mortas por dia no País.

Os números são do Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem/UEL).

O levantamento aponta que 75% dos casos ocorreram no âmbito íntimo – quando o agressor faz ou fez parte do círculo de intimidade da vítima, como companheiros, ex-companheiros ou pais de seus filhos.

A maioria das mulheres foi morta ou agredida em casa (38%) ou na residência do casal (21%). A faixa etária predominante das vítimas é de 25 a 34 anos (30%), com mediana de 33 anos. Ao menos 22% das vítimas já haviam denunciado o agressor antes do feminicídio.

O relatório revela ainda que 69% das vítimas, com dados conhecidos, tinham filhos ou dependentes. Ao todo, 101 mulheres estavam grávidas no momento da violência, e 1.653 crianças foram deixadas órfãs.

A idade média dos agressores é de 36 anos. Em 94% dos casos, o crime foi cometido por uma única pessoa, e quase metade (48%) envolveu arma branca, como faca ou canivete.

Em Mato Grosso do Sul, os dados do Monitor da Violência Contra a Mulher reforçam o cenário preocupante. Em 2025, o Estado registrou 39 vítimas de feminicídio e 22.087 casos de violência doméstica – número superior ao de 2024, quando foram contabilizados 21.151 casos de violência doméstica e 35 feminicídios.

Neste ano, até o momento, quatro mulheres já foram vítimas de feminicídio e 3.688 casos de violência doméstica foram registrados no Estado.

Os gráficos históricos indicam oscilações ao longo dos últimos anos, mas mantêm patamares elevados tanto em feminicídios quanto em ocorrências de violência doméstica, evidenciando a persistência estrutural do problema.

>> Serviço

A exposição “O Grito que Ecoa”

Segue em cartaz até o dia 6 no Museu da Imagem e do Som (MIS), localizado no 3º andar do Memorial da Cultura e da Cidadania, que fica na Avenida Fernando Corrêa da Costa, nº 559, no Centro, em Campo Grande.

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