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MS DANCE FEST

Após acidente, bailarino Kleiton Medina retorna aos palcos e transforma desafio em dança

Performance de Kleiton Medina, ao lado de outros dançarinos do grupo Funk-se e convidados, abriu a batalha de danças urbanas do MS Dance Fest 2025 na Praça do Rádio Clube

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A abertura da batalha de danças urbanas da 12ª edição do MS Dance Fest surpreendeu o público e foi um ato de resistência, afeto e consciência coletiva.

Entre os bailarinos do grupo Funk-se, um retorno sensibilizou o público com potência silenciosa: o de Kleiton Medina, integrante há mais de uma década e figura fundamental na organização do evento.Ele voltou ao palco após sofrer um grave acidente de trânsito – que quase encerrou sua trajetória como artista – e dançou em uma cadeira de rodas.

A apresentação ocorreu na noite de sábado. No camarim, após a apresentação, Kleiton relembrou o acidente de trânsito que o trouxe até aqui, ressignificando o desafio em dança. “Isso foi há quatro meses. Terminei um trabalho de dança e pedi uma moto de aplicativo.

No caminho para casa, um carro, conduzido por um motorista embriagado, avançou o sinal vermelho, no centro da cidade, e atingiu violentamente a motocicleta. Foi tudo muito rápido. Três segundos e eu já estava no chão”, conta o dançarino.

Mesmo com cirurgias e lesões, o jovem surpreendeu a equipe médica, ao permanecer apenas quatro dias internado e mostrar evolução acima do esperado.

“Sou muito ativo, sempre trabalhei com o corpo. Paralisar de repente foi difícil, mexeu com meu psicológico, mas parte da recuperação eu devo à dança, pelo meu condicionamento físico. Foi ela também que me puxou de volta e evitou uma depressão. E no MS Dance Fest senti que ainda posso me expressar, independentemente da condição física”, diz Kleiton.

Mas nem tudo foi fácil. Isso porque, até chegar ao palco do festival, Kleiton recordava o dilema de voltar ou não a dançar, considerando que a data para o evento aumentava a cada dia, enquanto a cadeira de rodas e a muleta eram corpos estranhos para um corpo até então livre.
 

“Eu resisti por meses. Achava que não estava bem para estar ali. A cadeira era estranha para o meu corpo, sabe? Eu sempre dancei em pé. Mas, com o passar do tempo e vendo os ensaios do grupo, entendi que dançar não é só sobre as pernas. Aí pensei: ‘Se a dança sempre foi minha forma de expressar, por que não agora?’”, reflete.
 

Nos ensaios finais, a emoção veio antes do movimento. “Antes mesmo de decidir me apresentar, chorava vendo os ensaios do Funk-se. Os colegas me incentivaram a dançar, mas o medo me paralisava. Eu me perguntava: ‘Por que não estou ali também?’ Foi quando falei que queria ensaiar, quis entregar minha verdade. Senti o acolhimento do público e fiz o meu máximo”, diz o dançarino.

Além de testar os seus limites, o acidente fortaleceu laços. Sem celular na hora da colisão, o primeiro nome que surgiu em sua memória foi o de um amigo da dança e, em seguida, do diretor Edson Clair, do grupo Funk-se, do qual ele faz parte.

“Acho que o acidente fortaleceu os vínculos. O celular sumiu com o impacto da batida, e o primeiro número que lembrei foi do Ennio. Preciso lembrar também do Clair. Eles foram maravilhosos, não que minha família e outros amigos fossem menos importantes, não é isso.

Porém, os dois ficaram comigo no hospital de madrugada. Isso me emocionou”, afirma Kleiton. O dançarino também agradece. “Sou grato à minha família e ao meu amigo Jonas, ele que cuidou de mim em casa, sem pedir nada em troca”, reconhece.

FAMÍLIA DE VIDA

Diretor do grupo Funk-se e idealizador do MS Dance Fest, Edson Clair acompanhou todo o processo de reabilitação de Kleiton e foi determinante para sua participação no evento, não apenas nos bastidores.
“Sabia que ele estava abalado e precisava se sentir parte.

Disse para ele: ‘Quero você trabalhando no festival com a gente o tempo todo’. Ele esteve nos bastidores, e vê-lo no palco se expressando foi emocionante. Ele está há 12 anos conosco. É família”, emociona-se Clair.

A coreografia apresentada na terceira noite do festival contou com colegas do Funk-se e convidados como Lavínia de Lucca, da Casa Sherman, Vitor Locking, Henrique Lima e Vini Gomes.

“Quando a participação dele surgiu, entendemos que não era só estética. Era mensagem. Acessibilidade não é adaptação técnica, é presença. E Kleiton provou isso”, diz o diretor do Funk-se.

Outro diferencial no palco foi o seu conhecimento em Libras. É que ele estuda língua de sinais há um ano e meio. “Libras é uma forma de se expressar. Uso muito os braços para dançar. Na cadeira, senti que meu corpo continuava potente. A dança e a língua de sinais me ajudaram a improvisar e continuar dizendo o que precisava”, afirma Kleiton.

A experiência também trouxe reflexões sobre acessibilidade urbana. “Com as limitações, senti no corpo aquilo que a gente sempre trabalha nas artes, a questão da exclusão e o quanto o espaço pode não ser democrático. As calçadas, o acesso é luta diária. Devemos olhar para isso com consciência, porque existem muitos corpos além do padrão”, defende o dançarino.

RECOMEÇO

Quanto ao acidente, Kleiton se recorda que o motorista que o causou, além de embriagado, fugiu sem prestar socorro.

“Muita gente diz ‘eu bebo, mas me controlo’. Não se trata só de você. No trânsito, estamos em sociedade. Um descuido muda vidas. Poderia ter tirado a minha e a do piloto, que está em recuperação usando gaiola e quase perdeu a perna”, alerta.

Hoje, Kleiton encara a dança como renascimento. Voltar ao palco foi uma afirmação de existência. “Ali, dançar era dizer que eu ainda estou aqui. Independentemente da condição, todo mundo pode dançar. Às vezes, a arte é o que resta quando tudo para”, observa o integrante do Funk-se.

A performance emocionou o público e deu ao festival uma mensagem potente de resistência, inclusão e verdade.

“O que importa é expressar minha verdade, mesmo com adversidades e esse universo novo que é a cadeira para mim. Embora, no meu caso, ela seja temporária, estava inteiro no palco e com pessoas que confio. A dança não conhece limites”, afirma.

A história de Kleiton Medina é um convite à empatia, ao cuidado com o outro no dia a dia e ao reconhecimento dos corpos que resistem. E uma prova de que, quando a arte se move, até a dor dança.

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Altos da Afonso Pena ganha nova feira a partir desta sexta-feira

Primeira edição contará com mais de 20 feirantes e música ao vivo

29/01/2026 17h30

Divulgação

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Será inaugurada nesta sexta-feira (30) a Feirinha da Casa Hub, uma feira livre criada para valorizar a cultura local e atender à demanda de uma nova feira em um dos principais pontos turísticos de Campo Grande: os Altos da Afonso Pena.

Idealizada pela HUB Incorporações, a feira acontece na Casa HUB, das 17h às 22h, com entrada gratuita e uma programação pensada para toda a família.

Atualmente, Campo Grande possui 63 feiras livres, distribuídas por todas as regiões da cidade, segundo levantamento do Sisgra (Sistema Municipal de Indicadores de Campo Grande). A ideia da Feirinha da Casa Hub surgiu a partir da percepção dos sócios proprietários Jordano Prado e Pedro Naciff sobre essa forte relação dos campo-grandenses com as feiras.

Para Pedro, o público encontrará muito mais do que compras e gastronomia. “Os visitantes viverão uma experiência completa, com o melhor da gastronomia, cultura, espaço kids e ainda a possibilidade de visitar o espaço dos decorados do empreendimento Bueno Parque dos Poderes, o lançamento da Hub Incorporações, no Jardim Veraneio. Tudo está sendo preparado com muito carinho, aliando tradição e modernidade”, explica.

Primeira edição

Com pelo menos 20 comerciantes, a Feirinha da Casa Hub terá música ao vivo, espaço kids e uma curadoria que une tradição e inovação.

Entre os nomes confirmados estão as influenciadoras Nádia Ayumi Arakaki e Bruna Gasparini, criadoras do perfil Comer em CG, que há nove anos compartilham dicas gastronômicas e valorizam a produção local. 

“É muito importante uma feira como esta, para fortalecer ainda mais a cultura e dar visibilidade a pequenos empreendedores, movimentando assim a gastronomia. É nas feiras que conhecemos quem está por trás dos produtos e isso só enriquece nossa cidade”, afirma Nádia.

A programação gastronômica é diversa e promete agradar todos os paladares, com opções como sobá, espetinho, quitutes da fazenda, cookies, panquecas, tortas, cones recheados, manga temperada, pastel, massas artesanais, algodão doce, burgers e cerveja artesanal.

Além da gastronomia, o público encontrará velas aromáticas, maquiagens, acessórios e até mesmo um sebo itinerante.

A trilha sonora do evento fica por conta de Paulo Prado e Luiz Acosta, que levam ao palco um repertório recheado de sucessos nacionais e internacionais, garantindo um clima leve e acolhedor para o público.

A entrada é gratuita e os produtos serão comercializados conforme os valores praticados pelos feirantes convidados.

A primeira edição será o termômetro que avaliará a recepção da feira pelo público. No entanto, a ideia é que o evento tenha recorrência mensal.

Serviço

Feirinha da Casa Hub
Data: 30 de janeiro de 2026 (sexta-feira)
Horário: das 17h às 22h
Local: Avenida Afonso Pena, 2842 – Campo Grande/MS
Informações: @hubincorporacoes

SAÚDE

Especialista comenta benefícios dos exercícios físicos matinais

A prática de exercícios físicos matinais proporciona bom humor e aumenta a produtividade pessoal ao longo de todo o dia, melhora o ânimo, a concentração e a qualidade da rotina

29/01/2026 10h00

Começar o dia em movimento pode ser o primeiro passo para dias mais produtivos e equilibrados

Começar o dia em movimento pode ser o primeiro passo para dias mais produtivos e equilibrados Divulgação

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Para quem busca mais disposição, foco e equilíbrio emocional ao longo do dia, a prática de exercícios físicos logo pela manhã pode ser uma aliada decisiva. Além de ajudar a organizar a rotina, o movimento nas primeiras horas do dia provoca respostas no corpo e no cérebro que impactam diretamente o humor, a concentração e a produtividade.

Segundo o preparador físico e professor Marcelo Carneiro, o exercício matinal influencia de forma significativa o funcionamento do organismo. “Do ponto de vista fisiológico, a atividade física pela manhã ativa o sistema nervoso central, estimula a circulação sanguínea e aumenta a oxigenação cerebral. Isso favorece maior estado de alerta, disposição e sensação de energia ao longo do dia”, explica Marcelo Carneiro, que é coordenador do curso de Educação Física da Faculdade Estácio.

Esse estímulo desencadeia a liberação de hormônios e neurotransmissores fundamentais para o bem-estar, como endorfina, dopamina e serotonina, que atuam na melhora do humor, na redução da ansiedade e no controle emocional.

Também entram em ação a adrenalina e a noradrenalina, responsáveis por aumentar a atenção e a prontidão motora, além do cortisol, que, naturalmente mais elevado pela manhã, quando associado ao exercício de forma equilibrada, contribui para o estado de alerta. “Além dos efeitos fisiológicos, iniciar o dia com uma prática corporal gera sensação de conquista e organização, o que reflete positivamente na motivação diária”, acrescenta o professor.

MAIS FOCO

Do ponto de vista cognitivo, o exercício pela manhã favorece a ativação do córtex pré-frontal, área do cérebro relacionada à atenção, ao planejamento e à tomada de decisão. De acordo com Marcelo Carneiro, esse processo ajuda a explicar por quê muitas pessoas relatam maior capacidade de concentração e rendimento intelectual após o treino matinal. “A prática regular tende a organizar a rotina e a melhorar o desempenho nas tarefas que exigem foco e raciocínio”, afirma.

Embora não exista um horário único ideal para todos, o educador ressalta que a manhã costuma ser estratégica para quem tem dificuldade de manter a regularidade. “O mais importante é a constância. Os benefícios físicos e mentais aparecem quando o exercício se torna hábito, independentemente do horário”, reforça.

Começar o dia em movimento pode ser o primeiro passo para dias mais produtivos e equilibrados“Escutar o corpo é indispensável. Dor não é sinônimo de evolução”

15 A 30 MIN

Mesmo com rotinas intensas, é possível colher os benefícios do exercício matinal. Segundo o professor, de 15 a 30 minutos de atividade física bem estruturada já são suficientes para promover ganhos fisiológicos e mentais. Caminhada rápida, corrida leve, treinos funcionais, exercícios com o peso do corpo, mobilidade articular e atividades aeróbias moderadas são algumas das opções mais indicadas para esse período do dia.

Nesse sentido, dados de pesquisa realizada em 2025 pelo Datafolha ajudam a contextualizar o cenário: a falta de tempo é apontada como o principal motivo para não praticar atividade física, mencionada por quase metade dos entrevistados. Ainda assim, o levantamento mostra que mais da metade dos brasileiros afirma praticar algum tipo de exercício, sobretudo modalidades simples e acessíveis.

A caminhada lidera as preferências, seguida por atividades como musculação e futebol, e a maioria das pessoas relata optar por exercícios ao ar livre. O recorte reforça que a prática não precisa ser complexa nem longa para acontecer, e que o exercício matinal pode, justamente, responder à principal queixa de quem não consegue se movimentar ao longo do dia.

Começar o dia em movimento pode ser o primeiro passo para dias mais produtivos e equilibradosUma pesquisa de 2025 mostra que mais da metade dos brasileiros afirma praticar algum tipo de exercício, sobretudo modalidades simples e acessíveis

ESCUTAR O CORPO

Apesar de ser seguro para a maioria das pessoas, o exercício pela manhã exige atenção em alguns casos. Marcelo Carneiro alerta que indivíduos com doenças cardiovasculares, hipertensão não controlada, arritmias, diabetes, em função do risco de hipoglicemia em jejum, além de pessoas com dores articulares ou histórico de lesões, devem buscar orientação profissional. Iniciantes sedentários também precisam respeitar progressões adequadas.

“O acompanhamento de um profissional de educação física é fundamental para ajustar intensidade, volume e tipo de exercício com segurança”, orienta.

Para que a prática matinal se mantenha ao longo do tempo, a recomendação é começar com metas realistas, priorizar a regularidade, preparar roupas e materiais na noite anterior, respeitar o aquecimento, essencial por conta da rigidez muscular matinal, e variar os estímulos. “Escutar o corpo é indispensável. Dor não é sinônimo de evolução”, destaca o professor.

Do ponto de vista pedagógico, criar significado para a prática é decisivo. “Quando o exercício está associado à saúde, ao bem-estar, à autonomia e à qualidade de vida, ele deixa de ser obrigação e passa a fazer parte do cotidiano”, conclui o coordenador. Em um cenário em que a falta de tempo ainda é um desafio, começar o dia em movimento pode ser o primeiro passo para dias mais produtivos e equilibrados.

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