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As 10 músicas que Marcaram o Ano: compilação dos hits mais tocados nas plataformas de streaming

A presença de Bruno Mars na terceira posição, com "APT.", ao lado da estrela do K-Pop ROSÉ, reforça o seu estatuto de "Rei Midas" do pop contemporâneo

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À medida que o ano se encerra, as plataformas de streaming musical, como o Spotify e a Apple Music, deixam de ser meros repositórios de canções para se consolidarem como o principal barômetro da cultura pop global.

A divulgação dos rankings anuais não é apenas uma lista de sucessos; é um retrato sociológico, uma análise de tendências e um mapa das emoções que ressoaram em milhões de ouvintes ao redor do planeta.

Em 2025, a compilação dos hits mais tocados revela um cenário vibrante, marcado por colaborações inesperadas, o poder duradouro de ícones pop e a ascensão de novos fenômenos.

A lista das 10 músicas mais tocadas globalmente no Spotify em 2025, conforme o Wrapped anual, é um testemunho da diversidade e da velocidade com que o consumo musical se transforma.

 

O triunfo da colaboração e a reafirmação de ícones

No topo da lista, a colaboração “Die With A Smile”, de Lady Gaga e Bruno Mars, não apenas conquistou o primeiro lugar, mas também simbolizou uma tendência crucial: a união de forças entre artistas de calibre global para criar um evento musical.

A faixa, com sua sonoridade soul-pop clássica e atemporal, provou que a qualidade melódica e a performance vocal ainda são pilares inabaláveis do sucesso, mesmo na era do streaming efêmero.

A presença de Bruno Mars na terceira posição, com “APT.”, ao lado da estrela do K-Pop ROSÉ, reforça o seu estatuto de "Rei Midas" do pop contemporâneo. A música, que habilmente mescla a produção polida de Mars com o apelo global do K-Pop, é um marco na crescente hibridização de gêneros e culturas no mainstream.

Em segundo lugar, “BIRDS OF A FEATHER”, de Billie Eilish, demonstra a força de uma artista que, aos 23 anos, já define a estética de uma geração.

A canção, que equilibra a melancolia característica de Eilish com uma produção mais arejada, ressoou profundamente com um público que valoriza a autenticidade e a vulnerabilidade lírica. A artista ainda garantiu a décima posição com “WILDFLOWER”, um feito que atesta sua dominância criativa em 2025.

O novo cenário e a força dos nichos

A lista de 2025 também destaca a ascensão de novos nomes e a diversificação de fontes de sucesso. Alex Warren, na quarta posição com “Ordinary”, é um exemplo claro de como a influência das redes sociais pode catapultar um artista para o ranking global, muitas vezes contornando os canais tradicionais da indústria.

O hip-hop e o reggaeton mantiveram sua relevância. Bad Bunny, embora tenha tido seu álbum como o mais tocado, emplacou a faixa “DtMF” na quinta posição, garantindo que o espanhol continue a ser uma das línguas mais ouvidas no mundo. Já Kendrick Lamar, com “luther (with sza)”, na oitava posição, reafirma que o hip-hop lírico e de alto conceito ainda tem um lugar de destaque, mesmo em meio a tendências mais dançantes.

Um ponto de inflexão notável é a sétima posição, ocupada por “Golden”, uma faixa do elenco de KPop Demon Hunters. Este sucesso sublinha a crescente importância de projetos multimídia e trilhas sonoras que transcendem o cinema e a televisão, criando hits orgânicos que se desprendem de suas origens visuais.

Conclusão: a música como espelho do mundo

A lista das 10 músicas mais tocadas de 2025 é mais do que um ranking de popularidade; é um espelho da conectividade global. Ela celebra a capacidade da música de quebrar barreiras linguísticas e geográficas, unindo o soul americano ao K-Pop coreano, o reggaeton porto-riquenho ao bedroom pop californiano.

O sucesso em 2025 exigiu uma combinação de fatores: a credibilidade de ícones como Gaga e Mars, a vulnerabilidade de artistas como Eilish e Abrams, e a agilidade de novos talentos como Alex Warren.

O streaming não apenas democratizou o acesso à música, mas também revelou um público global sofisticado, que consome hits de superstars com a mesma voracidade com que descobre joias de nicho. O ano de 2025 será lembrado como o ano em que a música provou, mais uma vez, ser a linguagem universal mais poderosa.

Saúde

Tendências fitness: do incentivo ao risco

Especialistas analisam como tendências da internet podem motivar hábitos saudáveis, mas alertam para a necessidade de acompanhamento profissional e cuidado com as expectativas irreais

26/01/2026 14h30

Reprodução/Freepik

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Nos últimos anos, especialmente no período pós-pandemia, a busca por hábitos saudáveis ganhou força impulsionada pelo acesso à informação e pela influência das redes sociais. Tendências como canetas emagrecedoras, receitas fitness virais no TikTok e exercícios da moda viralizam e atraem milhares de pessoas. Mas será que essas novidades funcionam como um pontapé inicial para uma vida saudável duradoura, ou podem gerar frustrações e riscos à saúde?

De acordo com pesquisa da Abbott realizada em 2021, 65% dos brasileiros avaliaram positivamente sua saúde após a pandemia, e a maioria pretende manter hábitos adquiridos, como alimentação caseira e redução no consumo de industrializados.

Estudos nos EUA mostram que usuários das canetas emagrecedoras cortam a ingestão calórica diária em até 40%. E o corte começa pelo supérfluo: salgadinhos, doces, biscoitos e bebidas alcoólicas.

Numa projeção de adoção mais agressiva do tratamento no Brasil, gigantes como Ambev (cervejas), M. Dias Branco (massas) e Camil (cereais) projetam uma queda de até 2% no lucro líquido em 2027.

Impulso inicial

Para a nutricionista Camila Vargas, as tendências fitness podem ser um ponto de partida positivo. "Despertam curiosidade, aumentam o interesse pelo autocuidado e ajudam muitas pessoas a darem o primeiro passo", diz.

O personal trainer Alexandre Comyama Saldanha concorda: "Quando um influenciador que a pessoa admira faz uma dieta, faz uma atividade física e ainda aposta, mesmo com outros trabalhos, com outras coisas para fazer, ele mostra que é possível todo mundo fazer, todo mundo se preocupar um pouco com a saúde e tomar um tempo do dia para isso".

A nutricionista Aline Macedo observa que a pandemia funcionou como um "divisor de águas" na conscientização sobre prevenção e qualidade de vida. No entanto, ela alerta que as redes sociais também trazem distorções. "Muitas vezes há desinformação e uma aceleração para ter para ontem o corpo e a saúde que aos 30 e aos 20 anos a pessoa não teve".

Riscos das expectativas irreais

O uso sem orientação de canetas emagrecedoras e a busca por resultados rápidos preocupam os especialistas. Alexandre relata casos de pessoas que perdem peso de forma irregular e prejudicial: "Perde 15 [quilos] em dois meses […] Houve muita perda de massa muscular, deixando a pessoa não só magra, mas como flácida. Dos 15 kg, às vezes ela perdeu 8 kg de gordura, mas 7 kg de músculo. Na balança não faz sentido, não tem vantagem em fazer isso, você se torna menos saudável. Apesar de ter perdido gordura, pode gerar outros problemas musculares ou tendinosos".

O personal destaca ainda impactos na autoestima. "A pessoa achau que vai ficar de uma forma e fica de outra, por perda excessiva. O rosto muda, os olhos afundam, a boca muda, quem tem botox em excesso no rosto vai ficar mais protuso, mais aparente. Isso também serve para outras próteses. Então se vai fazer administração de canetas emagrecedoras, tem que ser muito bem administrada a dose, o psicológico e a alimentação. E não é para tomar sem treino de musculação, porque vai ficar flácido, vai cair tudo".

Camila Vargas reforça que "essa perda de peso rápido não é considerado saudável". "É importante lembrar que grande parte do que circula na internet não mostra o processo real, não considera diferenças individuais e, muitas vezes, não tem embasamento científico. Saúde não é linear, nem imediata. Mudanças sustentáveis acontecem com tempo, constância e orientação adequada", reforça.

Aline Macedo critica o uso indiscriminado das canetas. "Então, a caneta veio com um foco de tratamento, um emagrecimento, uma melhora de várias alterações metabólicas, mas hoje ela está sendo usada de maneira mais indiscriminada. As pessoas estão se automedicando, restringindo a comida, querem aplicar doses a ponto de não sentirem fome. Mas nenhum medicamento emagrecedor vem para tirar a fome e sim para controlar, trabalhar no eixo hormonal para fazer uma digestão um pouco mais lenta, para fazer uma resposta insulínica melhor e, assim, a pessoa comer certo, exercitar e ter um peso reduzido de maneira progressiva", explica a nutricionista.

Performance ou bem-estar?

Para a maioria dos entrevistados pela Abbott, o conceito de saúde está diretamente ligado ao estilo de vida e a não ficar doente. Entre os aspectos apontados como os mais importantes para se ter uma boa saúde estão: alimentar-se de maneira saudável (52%), envelhecer com disposição (41%), dormir bem (40%), não depender de remédios (37%) e estar com a imunidade alta (37%).

Embora a performance ainda motive parte do público, o bem-estar tem ganhado espaço. "Hoje, observa-se uma busca cada vez maior por bem-estar, embora a performance ainda esteja presente como motivação para parte das pessoas. Muitos começam pelo objetivo estético ou de desempenho, mas ao longo do processo passam a valorizar mais qualidade de vida, saúde mental, disposição e equilíbrio", diz Camila.

Aline confirma: "Como nós observamos em Campo Grande, as pessoas estão cada vez mais tendo a consciência do autocuidado e das práticas de atividade física. Então nós temos um público, sim, que está procurando por performance, mas a grande maioria busca prevenção, saúde e bem-estar".

Alexandre também observa que a balança pende para o bem-estar, mas nota que "hoje em dia muita gente treina por alto rendimento".

Acompanhamento

As tendências fitness e produtos como canetas emagrecedoras podem, de fato, servir como incentivo para o início de uma jornada de saúde. No entanto, sem filtro, orientação adequada e paciência, o risco de frustração, transtornos e prejuízos à saúde é real.

Os especialistas são unânimes em destacar a importância do acompanhamento profissional. "Ajudam a transformar a motivação inicial em resultados seguros, eficazes e duradouros", afirma Camila.

Alexandre explica que o profissional “entrega mastigado” o caminho, evitando erros comuns. "A gente mostra os melhores caminhos administrativos de dosagem de exercício, o que fazer, o que comer, o que tomar, o que parar de fazer, o que melhorar... Então a gente guia, da melhor forma, para a pessoa chegar no seu objetivo".

E Aline defende uma visão integral. "Quando nós temos um acompanhamento individualizado, esse profissional te olha como um todo, corpo, mente, espírito, seus exames laboratoriais, seus sinais e sintomas, seu hábito de vida, sua cultura, e ele consegue encaixar algo adequado e o processo específico para você".
 

ALIMENTAÇÃO & SAÚDE

No Dia da Gula, saiba diferenciar o que é fome e o que é compulsão

Mais do que se fartar, cabe o alerta sobre hábitos alimentares e saber diferenciar fome, gula e compulsão alimentar; especialistas explicam o papel do alimento no organismo, chamando atenção, além da função nutritiva, para aspectos psicológicos

26/01/2026 10h00

No Brasil, 31% da população adulta é obesa e 68% têm excesso de  peso, segundo o Atlas Mundial da Obesidade 2025

No Brasil, 31% da população adulta é obesa e 68% têm excesso de peso, segundo o Atlas Mundial da Obesidade 2025 Reprodução/Internet

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Quem nunca comeu além da conta “só porque deu vontade”? Um doce depois de um dia estressante, um salgado fora de hora ou aquele belisco automático quando surge o tédio e a ansiedade ou como forma de recompensa para uma situação difícil.

Esses episódios pontuais são comuns e até podem ser inofensivos, se esporádicos. O alerta surge quando esse comportamento deixa de ser exceção.

É justamente essa reflexão que ganha mais sentido hoje, no Dia da Gula (26 de janeiro). A data não foi criada para incentivar exageros, mas para conscientizar sobre a relação entre emoções, comportamento alimentar e saúde, ajudando a diferenciar manifestações como fome física, gula, fome emocional e compulsão alimentar.

Em um cenário em que a obesidade avança no Brasil, com 31% da população adulta vivendo com a condição e 68% apresentando excesso de peso, segundo o Atlas Mundial da Obesidade 2025, entender nossa relação com a comida se torna fundamental. Afinal, quando estamos diante da fome real, da gula ou de um transtorno alimentar?

A nutricionista Lucila Santinon afirma que a gula está ligada ao desejo intenso de comer, muitas vezes, sem relação com a fome real.

“E também tem motivação diferente da compulsão alimentar, que é um transtorno caracterizado por episódios recorrentes de ingestão de grandes quantidades de comida em um curto espaço de tempo mesmo sem fome, acompanhando a sensação de perda de controle e muitas vezes associados a fatores emocionais”, explica a especialista.

Ela comenta que a gula acontece quando a pessoa come ou bebe de forma exagerada, bem além do necessário, mas de maneira eventual.

“Exceder ao se deliciar com um prato de doce ou salgado é gula, mas, quando a situação se torna recorrente e deixa de ser um deleite, passando a ser uma fonte de sofrimento, é sinal de que necessita de ajuda profissional. Esse comportamento pode ser um gatilho para desenvolvimento de transtornos alimentares”, observa Lucila.

Fome emocional

Distinguir a fome fisiológica da gula e da compulsão alimentar nem sempre é simples. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a fome é um sinal fisiológico do corpo que indica a necessidade de alimento para obtenção de energia e nutrientes, podendo se manifestar por sintomas como fraqueza, dores abdominais ou queda de concentração.

Segundo a nutricionista Ana Beatriz Guiesser, nem toda fome está ligada a uma necessidade biológica.

“A fome emocional, por exemplo, nos leva a buscar alimentos mais calóricos, como doces e frituras, funcionando como um mecanismo de recompensa para o cérebro. Em momentos de tristeza, estresse ou ansiedade, é comum recorrer a esses alimentos”, afirma Ana Beatriz.

A fome emocional, quando o alimento passa a cumprir uma função de conforto, posiciona-se, segundo especialistas, entre a gula frequente e a compulsão alimentar.

Do ponto de vista fisiológico, esse comportamento envolve alterações hormonais importantes que podem levar a episódios de gula e servirem como gatilho para a compulsão alimentar, que, segundo dados da OMS, afeta cerca de 4,7% da população brasileira.

A compulsão alimentar costuma surgir em momentos de exaustão emocional, estresse e ansiedade, quando o cérebro passa a buscar alívio imediato em alimentos altamente palatáveis, como doces e gorduras.

Outro mecanismo envolvido é a dopamina, neurotransmissor ligado à recompensa.

“Ela é liberada em maior quantidade durante experiências agradáveis, como comer uma das suas comidas prediletas. Essa comida gera um conforto que aumenta subitamente a dopamina no organismo, e sempre queremos repetir essa experiência, principalmente quando sentimos algum tipo de mal-estar”, acrescenta a nutricionista Lucila Santinon.

Fome social

Outro tipo frequente é a fome social, influenciada pelo ambiente. “Em festas, encontros com amigos ou reuniões, muitas vezes comemos por impulso, mesmo sem fome, o que pode levar aos excessos. O primeiro passo para mudar esse padrão é reconhecer os diferentes tipos de fome e observar o próprio comportamento”, orienta Ana Beatriz Guiesser.

Uma estratégia importante é priorizar alimentos nutricionalmente mais completos, o que contribui para maior saciedade e redução do consumo exagerado. A regra de ouro é optar por alimentos naturais ou minimamente processados.

Vale lembrar que, segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira do Ministério da Saúde, a alimentação vai além da ingestão de nutrientes: envolve a forma de preparo, a combinação dos alimentos, o modo de comer e também aspectos culturais e sociais, todos determinantes para a saúde e o bem-estar.

Como diferenciar? 

Para diferenciar a gula da compulsão alimentar, é importante observar a frequência e a intensidade dos episódios. Comer uma sobremesa e repetir ocasionalmente, mesmo após estar saciado, pode ser caracterizado como um episódio de gula, um comportamento impulsivo associado ao prazer, sem definição clínica formal.

Já a compulsão alimentar envolve o consumo de grandes quantidades de comida em um curto período de tempo, geralmente acompanhado de sensação de perda de controle e impactos físicos e emocionais.

O médico José Afonso Sallet, especialista em obesidade e doenças metabólicas, destaca que esses casos exigem acompanhamento especializado.

Saiba

"De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 4,7% dos brasileiros sofrem de compulsão alimentar, quase o dobro da média global, que é de 2,6%.

Estratégias simples e acessíveis podem interromper o ciclo automático entre emoção e alimento, tais como a prática de exercícios de respiração consciente, que ajuda a reduzir a ativação do estresse, além de manter uma rotina alimentar equilibrada, evitando longos períodos em jejum e dietas extremamente restritivas".

“Na obesidade grave [grau 3], cerca de 30% dos pacientes apresentam transtorno de compulsão alimentar. O acompanhamento psicológico e psiquiátrico é indispensável para o diagnóstico correto, a definição do tratamento, a prescrição de medicamentos, quando necessário, e a condução da psicoterapia”, afirma.

Sallet reforça ainda que o suporte de uma equipe multiprofissional é essencial para mudanças efetivas e duradouras.

“O trabalho integrado entre médicos, nutricionistas, psicólogos, endocrinologistas e profissionais de atividade física é fundamental, não apenas para a perda de peso, mas, principalmente, para a manutenção dos resultados no longo prazo”, diz o médico.

 

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