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ALIMENTAÇÃO & SAÚDE

No Dia da Gula, saiba diferenciar o que é fome e o que é compulsão

Mais do que se fartar, cabe o alerta sobre hábitos alimentares e saber diferenciar fome, gula e compulsão alimentar; especialistas explicam o papel do alimento no organismo, chamando atenção, além da função nutritiva, para aspectos psicológicos

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Quem nunca comeu além da conta “só porque deu vontade”? Um doce depois de um dia estressante, um salgado fora de hora ou aquele belisco automático quando surge o tédio e a ansiedade ou como forma de recompensa para uma situação difícil.

Esses episódios pontuais são comuns e até podem ser inofensivos, se esporádicos. O alerta surge quando esse comportamento deixa de ser exceção.

É justamente essa reflexão que ganha mais sentido hoje, no Dia da Gula (26 de janeiro). A data não foi criada para incentivar exageros, mas para conscientizar sobre a relação entre emoções, comportamento alimentar e saúde, ajudando a diferenciar manifestações como fome física, gula, fome emocional e compulsão alimentar.

Em um cenário em que a obesidade avança no Brasil, com 31% da população adulta vivendo com a condição e 68% apresentando excesso de peso, segundo o Atlas Mundial da Obesidade 2025, entender nossa relação com a comida se torna fundamental. Afinal, quando estamos diante da fome real, da gula ou de um transtorno alimentar?

A nutricionista Lucila Santinon afirma que a gula está ligada ao desejo intenso de comer, muitas vezes, sem relação com a fome real.

“E também tem motivação diferente da compulsão alimentar, que é um transtorno caracterizado por episódios recorrentes de ingestão de grandes quantidades de comida em um curto espaço de tempo mesmo sem fome, acompanhando a sensação de perda de controle e muitas vezes associados a fatores emocionais”, explica a especialista.

Ela comenta que a gula acontece quando a pessoa come ou bebe de forma exagerada, bem além do necessário, mas de maneira eventual.

“Exceder ao se deliciar com um prato de doce ou salgado é gula, mas, quando a situação se torna recorrente e deixa de ser um deleite, passando a ser uma fonte de sofrimento, é sinal de que necessita de ajuda profissional. Esse comportamento pode ser um gatilho para desenvolvimento de transtornos alimentares”, observa Lucila.

Fome emocional

Distinguir a fome fisiológica da gula e da compulsão alimentar nem sempre é simples. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a fome é um sinal fisiológico do corpo que indica a necessidade de alimento para obtenção de energia e nutrientes, podendo se manifestar por sintomas como fraqueza, dores abdominais ou queda de concentração.

Segundo a nutricionista Ana Beatriz Guiesser, nem toda fome está ligada a uma necessidade biológica.

“A fome emocional, por exemplo, nos leva a buscar alimentos mais calóricos, como doces e frituras, funcionando como um mecanismo de recompensa para o cérebro. Em momentos de tristeza, estresse ou ansiedade, é comum recorrer a esses alimentos”, afirma Ana Beatriz.

A fome emocional, quando o alimento passa a cumprir uma função de conforto, posiciona-se, segundo especialistas, entre a gula frequente e a compulsão alimentar.

Do ponto de vista fisiológico, esse comportamento envolve alterações hormonais importantes que podem levar a episódios de gula e servirem como gatilho para a compulsão alimentar, que, segundo dados da OMS, afeta cerca de 4,7% da população brasileira.

A compulsão alimentar costuma surgir em momentos de exaustão emocional, estresse e ansiedade, quando o cérebro passa a buscar alívio imediato em alimentos altamente palatáveis, como doces e gorduras.

Outro mecanismo envolvido é a dopamina, neurotransmissor ligado à recompensa.

“Ela é liberada em maior quantidade durante experiências agradáveis, como comer uma das suas comidas prediletas. Essa comida gera um conforto que aumenta subitamente a dopamina no organismo, e sempre queremos repetir essa experiência, principalmente quando sentimos algum tipo de mal-estar”, acrescenta a nutricionista Lucila Santinon.

Fome social

Outro tipo frequente é a fome social, influenciada pelo ambiente. “Em festas, encontros com amigos ou reuniões, muitas vezes comemos por impulso, mesmo sem fome, o que pode levar aos excessos. O primeiro passo para mudar esse padrão é reconhecer os diferentes tipos de fome e observar o próprio comportamento”, orienta Ana Beatriz Guiesser.

Uma estratégia importante é priorizar alimentos nutricionalmente mais completos, o que contribui para maior saciedade e redução do consumo exagerado. A regra de ouro é optar por alimentos naturais ou minimamente processados.

Vale lembrar que, segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira do Ministério da Saúde, a alimentação vai além da ingestão de nutrientes: envolve a forma de preparo, a combinação dos alimentos, o modo de comer e também aspectos culturais e sociais, todos determinantes para a saúde e o bem-estar.

Como diferenciar? 

Para diferenciar a gula da compulsão alimentar, é importante observar a frequência e a intensidade dos episódios. Comer uma sobremesa e repetir ocasionalmente, mesmo após estar saciado, pode ser caracterizado como um episódio de gula, um comportamento impulsivo associado ao prazer, sem definição clínica formal.

Já a compulsão alimentar envolve o consumo de grandes quantidades de comida em um curto período de tempo, geralmente acompanhado de sensação de perda de controle e impactos físicos e emocionais.

O médico José Afonso Sallet, especialista em obesidade e doenças metabólicas, destaca que esses casos exigem acompanhamento especializado.

Saiba

"De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 4,7% dos brasileiros sofrem de compulsão alimentar, quase o dobro da média global, que é de 2,6%.

Estratégias simples e acessíveis podem interromper o ciclo automático entre emoção e alimento, tais como a prática de exercícios de respiração consciente, que ajuda a reduzir a ativação do estresse, além de manter uma rotina alimentar equilibrada, evitando longos períodos em jejum e dietas extremamente restritivas".

“Na obesidade grave [grau 3], cerca de 30% dos pacientes apresentam transtorno de compulsão alimentar. O acompanhamento psicológico e psiquiátrico é indispensável para o diagnóstico correto, a definição do tratamento, a prescrição de medicamentos, quando necessário, e a condução da psicoterapia”, afirma.

Sallet reforça ainda que o suporte de uma equipe multiprofissional é essencial para mudanças efetivas e duradouras.

“O trabalho integrado entre médicos, nutricionistas, psicólogos, endocrinologistas e profissionais de atividade física é fundamental, não apenas para a perda de peso, mas, principalmente, para a manutenção dos resultados no longo prazo”, diz o médico.

 

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FOLIA

Bebeu muito no Carnaval? Veja dicas de nutricionista para amenizar a ressaca

Ressaca acontece por conta de desidratação, hipoglicemia, efeitos tóxicos do álcool e acetaldeído no cérebro

15/02/2026 17h00

Pessoa com ressaca - Imagem de ilustração

Pessoa com ressaca - Imagem de ilustração

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Milhares de foliões pulam Carnaval nesta sexta (13), sábado (14), domingo (15), segunda (16) e terça (17).

Mas, muitos aproveitam a festa como se não houvesse amanhã e exageram na dose alcoólica. Como consequência, a ressaca é a primeira a 'dar as caras' no dia seguinte.

Ressaca é um conjunto de sintomas físicos e mentais, que causam dor de cabeça, sensibilidade à luz e som, fadiga, sede, tontura, náusea, vômito, boca seca, cansaço, sudorese e falta de apetite.

O álcool, em excesso, afeta a alteração da absorção de nutrientes, causa sobrepeso e aumento da barriga, altera a flora intestinal, interfere na imunidade, prejudica a pressão arterial e causa cirrose.

Em entrevista ao Correio do Estado, a nutricionista pós-graduada em Nutrição Esportiva, Lauana Emanuela Oliveira, afirmou que o fígado é o órgão do corpo que mais sofre com o excesso de álcool.

"O fígado é responsável por transformar substância tóxicas em não tóxicas no nosso organismo e o álcool é uma substância tóxica. Quando o álcool chega no fígado, é transformado em ácido acético, que é uma substância que não nos faz mal. Mas, antes desse processo acontecer, ele é transformado em acetaldeído, que é algo mais tóxico ainda. Então, o nosso organismo não fica apenas exposto apenas a uma substância tóxica, mas sim a duas", explicou.

"A sensação de mal estar é causada pelo acetaldeído. O fígado ficou trabalhando para processar o álcool e deixou de executar funções importantes, como liberar glicose nos momentos de jejum. O cansaço do dia seguinte é resultado de um corpo intoxicado que ficou lutando contra os baixos níveis de açúcar no sangue", finalizou.

As dicas que a especialista dá, para amenizar a ressaca, são:

  • Comer melancia, melão, abacaxi e laranja (frutas com alto teor de líquido)

  • Tomar bastante água

  • Ficar em repouso

  • Se alimentar bem

  • Tomar café preto

Coma alcoólico

Coma alcoólico é quando se ultrapassa o limite de metabolização do álcool pelo fígado. Com isso, o órgão não consegue mais realizar seu papel e o nível de álcool continua alto no sangue, causando intoxicação nos órgãos internos e no cérebro.

O excesso ocorre quando há mais de uma grama de álcool por litro de sangue e depende não apenas da dosagem que é consumida, mas também do peso, altura, alimentação e constituição física da pessoa. 

A partir das três gramas por litro, já é possível aparecer problemas cardiorrespiratórios, perda de consciência, desmaios, convulsão e hiportermia.

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com a atriz Gabi Spaciari, ela interpreta a saudosa Elke Maravilha em filme

"Viver Elke Maravilha foi um trabalho de observação e detalhes muito grandes"

15/02/2026 16h00

Entrevista exclusiva com a atriz Gabi Spaciari, ela interpreta a saudosa Elke Maravilha em filme

Entrevista exclusiva com a atriz Gabi Spaciari, ela interpreta a saudosa Elke Maravilha em filme Foto: Arturo Cordero

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Celebrando 15 anos de carreira, Gabi Spaciari pode ser vista em duas produções recentes do streaming: Na Netflix, a atriz interpreta Elke Maravilha no longa “Silvio Santos vem aí”, ao lado de Leandro Hassum. Já na Prime Video, ela pode ser vista nos filmes “O armário mágico” e “Um caso de outro mundo”, que protagoniza ao lado de Glauce Graieb e Nívea Maria.

Paranaense, Gabi também é produtora. Entre seus projetos está o curta-metragem "Broken Hills", dirigido por Edmilson Filho. A obra, que ela escreveu e estrelou, recebeu diversos prêmios e indicações de Melhor Atriz em festivais internacionais. Atualmente, a artista está em fase de pós-produção do documentário longa-metragem "Mom Street", que dirigiu e produziu, abordando a comunidade de Skid Row, em Los Angeles, e possíveis soluções para a situação das pessoas em situação de rua.

Bacharel em Artes Cênicas pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Gabi Spaciari também atuou nos longas brasileiros "Love in Quarantine" e “Fora de Cena”.  Ela ainda tem trabalhos na Espanha, nos Emirados Árabes e nos Estados Unidos, onde participou da série americana "The Bold and the Beautiful", exibida pela CBS, e da peça "Paisaje Marino con Tiburones y Bailarina" - vencedora do Encore Award no Hollywood Fringe Festival (2018).

Gabi também tem no currículo campanhas para marcas nacionais e internacionais, como O Museu do Luvre, Warner Bros, Museu Sheik Zayed, e participações em videoclipes “Maresia", do cantor português Gohu, e "One Last Time", da cantora canadense Maggie Szabo.

Gabi é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ela fala sobre carreira, trabalhos e seu papel como a icônica Elke Maravilha em filme. 

Entrevista exclusiva com a atriz Gabi Spaciari, ela interpreta a saudosa Elke Maravilha em filmeA atriz Gabi Spaciari é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Arturi Cordero - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Gabi você interpreta Elke Maravilha no filme “Silvio Santos Vem ai’”, que está disponível na Netflix. Como foi dar vida a esse ícone nacional? Como a caracterização impactou na sua atuação?
GS -
 Foi uma delícia! Não tem como colocar um ornamento na cabeça de 30 centímetros e agir naturalmente, imediatamente a gente vira Elke! Elke tem muitas camadas, nesse filme a gente vê só a caracterização. 

CE - Você também pode ser vista nos longas “O armário mágico” e “Um caso de outro mundo”, do qual é protagonista, na Prime Video. Como você observa o espaço que streaming dá para produções e artistas hoje?
GS -
Acho que é uma via de mão dupla, custa tanto para fazer uma produção que ter uma quantidade tão diversa de filmes, sem precisar produzir é extremamente lucrativo para os streamings. E para os filmes é essencial exposição. Então, acho que ambos se beneficiam.

CE - Apesar de vários filmes no currículo, você ainda não tem novelas. Sonha em trabalhar nesse tipo de produção no Brasil?
GS -
Claro que sim! Poder ir ao set durante meses seguidos deve ser uma delícia para o ator. No cinema, as produções que participei duraram de 2 semanas a 2 meses. 

CE - Acha que fazer novela e TV aberta são ainda fundamentais para a visibilidade dos artistas?
GS -
 Depende do país que estamos falando. Se for Brasil, com certeza, já que somos o país das telenovelas. Ao redor do mundo, não. Os programas mais vistos não são novelas.

CE - Você fez vários trabalhos pelo mundo, como nos EUA e na Espanha. O que enxerga de diferente no mercado internacional? E como é se manter trabalhando fora do país?
GS -
 Cada país difere muito em termos de produção audiovisual. Os EUA são mais estruturados e acessíveis em termos de acesso aos castings, por exemplo. A Espanha é um mercado aquecido da Europa, onde já fiz comercial. Mas, em qualquer parte do mundo, oO caminho é sempre o mesmo: agências, testes, conhecer gente, manter material atualizado, continuar aprendendo…

CE - Em Paralelo à vida de atriz, você é produtora e tem curtas em festivais e está finalizando outros. Como é assumir as rédeas de projetos pessoais? 
GS -
 É gratificante ver ideias que eram só suas ganhando vida e sendo abraçadas por outras pessoas. Acho que esse é o poder da comunicação. Acredito que é uma necessidade contar histórias e, às vezes, elas ainda não foram abordadas por determinado ângulo. Então, surge daí a minha necessidade de contá-la.

Entrevista exclusiva com a atriz Gabi Spaciari, ela interpreta a saudosa Elke Maravilha em filmeA atriz Gabi Spaciari é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Divulgação - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Você está festejando 15 anos de trajetória artística. Qual avaliação você faz da sua carreira até aqui? 
GS -
 Às vezes, eu olho pra trás e parece que já vivi várias vidas. A menina que fazia teatro na cidade de 6 mil habitantes é muito diferente da que trabalhou em Los Angeles. Sempre o que me motivou foi o aprendizado como ser humano para ser uma artista melhor. Acredito que ter morado e trabalhado em várias culturas ao redor do mundo transformou muito minha visão e trajetória enquanto artista.

CE - Você mora em Dubai. Como é a vida por ai? Como é atravessar oceanos pra fazer trabalhos como atriz?
GS -
 Sim! Em Dubai trabalho em comerciais e fotos para marcas bem conhecidas como Museu do Louvre e Warner Bros, por exemplo. Também como assistente de direção em produções locais. Sempre se ganha algo e se perde algo! Aqui as produções cinematográficas são quase inexistentes. 

CE - Quais seus sonhos profissionais?
GS -
 Quero continuar produzindo histórias com senso crítico social, como o documentário que estou trabalhando sobre Skid Row. E participar de filmes e projetos que sejam interessantes! De história, de equipe, mais do que quantidade estou buscando alinhamento e qualidade. 

CE - Quais os próximos projetos a caminho?
GS - 
Mom Street, meu documentário que está em pós-produção. Ele tem direção e produção assinadas por mim e aborda a comunidade de Skid Row, em Los Angeles, e possíveis soluções para a situação das pessoas em situação de rua.

 

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