Na operação batizada de "Buraco Sem Fim", promotores do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) encontraram R$ 429 mil em dinheiro em dois dos endereços nos quais cumpriram sete mandados de prisão e 10 mandados de busca e apreensão na manhã desta terça-feira (12) em Campo Grande.
"Durante o cumprimento das ordens judiciais de busca e apreensão, foram encontrados valores altos em dinheiro vivo, totalizando pelo menos R$ 429 mil. Só no endereço de um servidor, havia R$ 186 mil em espécie. No imóvel de outro alvo, havia R$ 233 mil, também em notas de Real", informou, em nota, o Ministério Público.
A operação desta terça-feira teve como alvo principal uma empresa que presta serviços de tapa-buracos que, de acorco com a nota oficial do MP, faturou entre 2018 e 2025, "contratos e aditivos que somam o montante de R$ 113.702.491,02".
Ainda de acordo com o MPE, "a investigação constatou a existência de uma organização criminosa que atua fraudando, sistematicamente, a execução do serviço de manutenção de vias públicas no Município de Campo Grande, por meio da manipulação de medições e da realização de pagamentos indevidos".
"As evidências revelaram pagamentos públicos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados, com o propósito de permitir o desvio de dinheiro público, o enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, a má qualidade das vias públicas municipais", diz a nota do MPE.
Entre os sete presos nesta terça-feira está o ex-secretário municipal de obras, Rudi Fioresi, que estava à frente da Agesul. Mas, segundo o Governo do Estado, ele será oficialmente exonerado ainda hoje. A previsão é de que seja publicada uma edição extra do Diário Oficial.
Além dele também foi preso o engenheiro Edivaldo Pereira Aquino, coordenador do serviço de tapa-buracos. Parte do dinheiro apreendido na operação estava na casa dele.
Outro detido que teve o nome divulgado é o engenheiro Mehdi Talayeh, que ocupa cargo de chefia na secretaria de obras e era apontado como provável substituto de Marcelo Miglioli, que deixou o comando da Sisep no começo de abril. Ele chegou a anunciar que estava deixando o comando da pasta para se candidatar a cargo eletivo.
Equipes do Gecoc também estiveram no condomínio Damha na manhã desta terça-feira. Embora não haja confirmação oficial, no endereço mora o empreiteiro André Luiz do Santos, o André Patrola. O empresário já havia sido alvo da operação Cascalhos de Areia, desencadeada em junho de 2023, mas que segue prestando serviços em uma série de contratos com a administração municipal.
A operação Buraco Sem Fim foi desencadeada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio de investigação do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) em conjunto com o Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), a Unidade de Apoio à Investigação do CI/MPMS e a 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público de Campo Grande.




