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B+: Keila Fuke transforma a dança em escuta do corpo, cura emocional e reinvenção aos 59 anos

Bailarina, atriz e criadora do método Dança Integral, Keila Fuke transforma o movimento em linguagem de escuta, autocuidado e reinvenção feminina

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Keila Fuke fala de dança como quem fala de família. Não no sentido de abrigo confortável apenas, mas de território vivo - onde moram memória, desejo, silêncio e prazer. Quando ela diz que o corpo é templo, não soa místico. Soa prático. Soa vivido.

“A dança é uma arte que se expressa pelo corpo, e o corpo é nossa casa, templo sagrado e cheio de emoções, histórias e prazer”, diz. Para ela, quando uma mulher escuta e sente o próprio corpo, algo essencial se reorganiza: “ela realmente se conecta com sua essência primária, seus desejos, e consegue ir para a vida de forma mais consciente”.

Há mais de três décadas, Keila dança, atua, coreografa e cria. Sua formação artística começou ainda na infância e se expandiu por diferentes linguagens (dança, teatro, musical e direção), construindo uma trajetória consistente nos palcos brasileiros. Nos grandes musicais, viveu a intensidade da cena em produções como “Miss Saigon”, “Sweet Charity”, “A Bela e a Fera”, “Victor ou Victoria” e “Zorro” (experiências que aprofundaram sua relação com a disciplina, a entrega e a presença).

Foi também no teatro que sua trajetória profissional ganhou contorno definitivo. Keila estreou ao lado de Marília Pêra, em “Elas por Ela”, num encontro que deixaria marcas profundas em sua forma de compreender a arte. A convivência com Marília reforçou a noção de que o palco exige verdade, escuta e disponibilidade (valores que atravessam seu trabalho até hoje).

Mas só quem escuta com atenção percebe que sua trajetória não foi guiada apenas pela busca da forma perfeita ou do espetáculo bem acabado - e sim por uma pergunta insistente: o que o corpo ainda tem a dizer quando a vida muda de ritmo? Essa pergunta atravessa tudo o que ela faz hoje.

Ao falar sobre movimento, Keila não separa o gesto do afeto, nem a técnica da emoção. “A dança revela a comunicação entre o mundo interno e o externo. O gesto se torna linguagem, o movimento vira verdade.” Talvez seja exatamente por isso que tantas mulheres chegam às suas vivências depois de períodos de exaustão: ali não se pede performance, mas presença.

Existe algo de radicalmente gentil na forma como Keila olha para o corpo feminino. Especialmente aquele que atravessa a maturidade. A menopausa, tema ainda cercado de silêncio, aparece em sua fala como travessia, não como falha. “Todas as mulheres irão passar por esse portal ao entrar na maturidade”, afirma. “Não para corrigir o corpo, mas para reconhecê-lo.”

         B+: Keila Fuke transforma a dança em escuta do corpo, cura emocional e reinvenção aos 59 anos - Divulgação

Foi desse entendimento que nasceu o método Dança Integral, desenvolvido a partir da integração entre sua experiência artística e seus estudos terapêuticos. Ao longo dos anos, Keila aprofundou-se em yoga, meditação, tantra, bioenergética e consciência sistêmica, incorporando esses saberes à dança. “É um trabalho que convida a mulher a ativar e integrar seus corpos (físico, mental e emocional) devolvendo consciência, presença e escuta.”

Na prática, o movimento deixa de ser esforço e passa a ser aliado. O corpo volta a circular energia, as emoções encontram expressão e a mente desacelera. “No movimento consciente, o corpo lembra que não nasceu para ser corrigido, mas habitado.” Quando isso acontece, o corpo deixa de ser campo de conflito e volta a ser morada.

A ancestralidade japonesa que Keila carrega atravessa profundamente esse olhar. Mestiça de origens japonesa, italiana, alemã e libanesa, ela se reconhece como uma mulher amarela e traz dessa herança a disciplina entendida como cuidado. O respeito ao tempo, ao silêncio e ao gesto essencial molda sua relação com o movimento, a prática e o feminino. Espiritualmente, o corpo é templo, o movimento é ritual e a repetição, um caminho de aperfeiçoamento interno.

Ao mesmo tempo, Keila é mistura. Emoção, calor e invenção brasileira convivem com rigor e silêncio. “Vivo entre tradição e vanguarda, entre raiz e criação”, diz. É dessa fusão que nasce um trabalho que não se fixa nem na forma nem no conceito, mas no estado de presença.

Essa escuta sensível também se manifesta fora das salas de dança. Há 17 anos, Keila atua na Fundação Lia Maria Aguiar, em Campos do Jordão, onde integra a formação artística de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Ali, ela participa da criação de um núcleo de teatro musical que utiliza a arte como ferramenta de educação, inclusão e fortalecimento da autoestima. “Com eles, aprendo que sensibilidade não é fragilidade, é potência.”

B+: Keila Fuke transforma a dança em escuta do corpo, cura emocional e reinvenção aos 59 anos - Divulgação

Falar de reinvenção aos 59 anos, para Keila, não tem a ver com começar do zero. Tem a ver com fidelidade. “Se reinventar é um gesto de fidelidade à vida.” Ela fala de saúde emocional, de vulnerabilidade, mas também de prazer, curiosidade e desejo. “Depois dos 50, algo se organiza internamente: ganhamos coragem para comunicar quem somos e ocupar nosso lugar sem pedir permissão.”

Existe algo profundamente político nesse corpo que segue dançando sem pedir licença ao tempo. Que reivindica delicadeza sem abrir mão de força. “Dançar, assim, é um ato político e espiritual”, diz. “É a mulher dizendo ao próprio corpo: eu te vejo, eu te respeito, eu te celebro.”

Quando Keila afirma que cada passo é uma oração, a frase ganha densidade. “Hoje, a oração que guia meus passos é a gratidão em movimento.” Gratidão por estar viva, criando, aprendendo e colocando o talento a serviço da vida. “Que minha arte continue sendo ponte - entre corpo, alma e coração.”

Talvez seja isso que faz de Keila Fuke uma presença tão inspiradora: não apenas o que ela construiu nos palcos, mas a forma como permanece. Em movimento. Em escuta. Em verdade.

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Feira do Panamá terá dois dias de Carnaval

Em sua 16ª edição, a feira terá dois dias de atrações musicais e opções para todos os gostos neste fim de semana

06/02/2026 15h00

Reprodução Redes Sociais

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A Feira do Panamá chega à sua 16ª edição em ritmo carnavalesco. Serão dois dias de atração para toda a família, em parceria com o projeto Meu Bairro é Show, no bairro Jardim Panamá, em Campo Grande.

A feira de economia criativa movimentou o bairro e marcou território com atrações culturais, envolvendo moradores desde a primeira edição. Ao longo dos anos, foram diversas apresentações voltadas à comunidade.

O espaço caiu no gosto da população, que não pode perder a folia de 2026, que começa no sábado (7) e se estende até domingo (8), com apresentações de Patrícia e Adriana e da dupla Fred e Victor.

Além disso, serão distribuídas cartelas gratuitas para os frequentadores, que irão concorrer a um show de prêmios pensado com carinho pelos idealizadores, em agradecimento a quem prestigia e movimenta a economia criativa.

 

 

 

Anote na agenda para não perder nada:

  • Sábado (7) - Shows de Patrícia e Adriana e Fred e Victor, a partir das 17h. Os participantes receberão cartelas gratuitas e concorrerão a prêmios que vão desde eletrodomésticos até valores diferenciados via Pix.
  • No domingo (8), a programação começa às 9h com apresentação de Mari Amada, pelo Projeto Baú Musical. Às 11h, enquanto o público aproveita uma bebida gelada e se delicia com quitutes da feira, é o momento de curtir o Sampa do Padrinho.

Está pensando que acabou? Reponha o glitter, porque às 15h tem mais samba com o Trio TPM.

Serviço

16ª edição da Feira do Panamá


Projeto Meu Bairro é Show

Sábado (7)

  • A partir das 16h
  • Show de prêmios às 17h (cartelas gratuitas e muito mais)
  • Shows:
  • 19h – Patrícia e Adriana, Fred e Victor

Domingo (8)

  • Tradicional Feira Cultural do Panamá
  • Horário: das 9h às 16h
  • Atrações: samba, gastronomia diversa, artesanato e área kids
  • Endereço: Rua Palestina com Náutico, bairro Jardim Panamá
     

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AGENDA CULTURAL

Com ingressos a partir de R$ 10, cinemas terão programação variada, incluindo indicados ao Oscar

Feira Ziriguidum e Feira da Praça Bolívia entram em clima de carnaval com folia antecipada; ONGs voltam à ativa e cães e gatos poderão ser adotados em campanhas

06/02/2026 09h30

"Hamnet: A Vida Antes de Hamlet" é um drama histórico que explora o luto de William Shakespeare e sua esposa, Agnes, após a morte de seu filho de 11 anos, Hamnet, pela peste bubônica no século XVI deserta cheia de riscos letais Divulgação

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A Semana do Cinema, que começou ontem e vai até quarta-feira, é a oportunidade perfeita para colocar em dia a lista de lançamentos ainda não vistos nas telonas.

Com ingressos a partir de R$ 10 em todos os cinemas de Mato Grosso do Sul, estarão disponíveis durante a promoção alguns dos filmes indicados ao Oscar 2026, como: “O Agente Secreto”, “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”, “Marty Supreme” e “Zootopia 2”.

"Hamnet: A Vida Antes de Hamlet" é um drama histórico que explora o luto de William Shakespeare e sua esposa, Agnes, após a morte de seu filho de 11 anos, Hamnet, pela peste bubônica no século XVI deserta cheia de riscos letaisCINEMA “Zootopia 2” - Após desvendarem o maior caso da história da cidade, Judy e Nick são surpreendidos por uma ordem do chefe Bogo: os dois detetives precisarão frequentar o programa de aconselhamento Parceiros em Cris
Foto: Divulgação

Seguindo a linha cinematográfica, o Museu da Imagem e do Som (MIS), unidade da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), participa hoje, a partir das 18h30min, da Mostra de Animação Regional MS 2026, promovida pela TransCine – Cinema em Trânsito.

Em sua segunda edição, a mostra apresenta ao público um panorama diverso da produção de animação realizada no Estado, reunindo obras que exploram diferentes técnicas, estilos e narrativas. A sessão no MIS contará com a presença de diretores e diretoras dos filmes selecionados, promovendo o diálogo direto entre realizadores e espectadores.

Foram selecionados para a exibição os filmes “+ Forte”, de Ara Martins; “A jornada de Lila”, de Jorge de Barros; “Carlos”, de Suzana Nellis; “Cinema, futebol e os visitantes”, de Acir Alves; “Cuidado com a Cuca”, de Maria Luiza Staut e Liara Belmira; “Curupira, o Herói da Mata”, de Gustavo Santana; “Entre o Movimento e as Linhas”, de Gael Queiroz; “O Bichano”, de Luísa Costa; “Outros Bichos”, de Tatiana Varela; e “Salvador Dalí – O pai do surrealismo”, de Pedro Souza.

"Hamnet: A Vida Antes de Hamlet" é um drama histórico que explora o luto de William Shakespeare e sua esposa, Agnes, após a morte de seu filho de 11 anos, Hamnet, pela peste bubônica no século XVI deserta cheia de riscos letaisFILME “Curupira, o Herói da Mata” - Média-metragem de animação produzido em Mato Grosso do Sul, a trama acompanha o Curupira, último de sua linhagem, enfrentando ameaças humanas e extraterrestres para proteger o Pantanal
Foto: Divulgação

Para a coordenadora da TransCine – Cinema em Trânsito, Mariana Sena, a mostra reflete o amadurecimento do cinema local e a necessidade de fortalecimento contínuo do setor.

“A TransCine sempre tem a preocupação de levar o cinema para todos os públicos, democratizando o acesso à cultura. Quando vemos as obras realizadas pelos nossos cineastas, percebemos o quanto já avançamos e o quanto ainda precisamos investir no nosso cinema”, afirma.

Amanhã, o projeto encerra as atividades com uma oficina de animação em flipbook, voltada para crianças, na ONG Núcleo Humanitário da Nhanhá, destacando o caráter formativo e comunitário da iniciativa.

FEIRAS

Em edição especial de Carnaval, a Feira Ziriguidum acontece amanhã, das 16h às 23h, na Praça do Preto Velho.

"Hamnet: A Vida Antes de Hamlet" é um drama histórico que explora o luto de William Shakespeare e sua esposa, Agnes, após a morte de seu filho de 11 anos, Hamnet, pela peste bubônica no século XVI deserta cheia de riscos letaisMÚSICA Feira ziriguidum - Bloco Que Delícia o Verão faz um esquenta de carnaval na feira em comemoração ao aniversário da cantora Beca, das 16h às 23h na Praça do Preto Velho
Foto: Divulgação

Além da gastronomia e economia criativa proporcionada pela feira, essa edição contará com o Baile do Regis, com uma mistura contagiante de ritmos brasileiros, unindo a alegria do samba, do pagode e do axé em um esquenta de carnaval.

Na mesma energia, o Bloco Que Delícia o Verão, mistura referências atuais e regionais com grooves dançantes e leituras contemporâneas para comemorar o aniversário da cantora Beca.

Para a criançada, a 30ª edição terá o Bailinho Era Uma Vez, com teatro de brincar.

No domingo, acontece a primeira edição deste ano da Feira da Praça Bolívia, também com uma edição especial de carnaval. Das 9h às 14h, a feira oferece economia criativa, comida típica, artes e artesanatos, antiguidades, moda e muito mais.

"Hamnet: A Vida Antes de Hamlet" é um drama histórico que explora o luto de William Shakespeare e sua esposa, Agnes, após a morte de seu filho de 11 anos, Hamnet, pela peste bubônica no século XVI deserta cheia de riscos letaisMÚSICA Feira da Praça Bolívia - Das 9h às 14h, primeira edição deeste ano terá Nano Elânio como uma das principais atrações musicais
Foto: Divulgação

Entre as atrações musicais do dia estão: Niltinho Marron, Carla e Mikimba, Trio Francês, Banda Skuderia, Nano Elânio, Karlinhos Villa-Lobos, André Marx e Os Imperdíveis.

PETS

Amanhã, das 9h às 15h, uma feira de adoção de cães e gatos organizada pela ONG Amicats acontecerá na Cobasi – Avenida Afonso Pena, nº 3.665. Ao todo, cerca de 15 animais estarão disponíveis para adoção, todos filhotes e já vermifugados.

"Hamnet: A Vida Antes de Hamlet" é um drama histórico que explora o luto de William Shakespeare e sua esposa, Agnes, após a morte de seu filho de 11 anos, Hamnet, pela peste bubônica no século XVI deserta cheia de riscos letaisFEIRA Adoção Pet - Cerca de 15 filhotes de cães e gatos estarão disponíveis para adoção amanhã na Cobasi
Foto: Divulgação

“Essa é uma oportunidade de oferecer um lar com amor e respeito a animais que foram abandonados e levar uma companhia e muito amor para casa”, destaca Ana Cristina Castro, presidente da Amicats.

Para adotar, é necessário apresentar documento com foto e comprovante de residência. Para a adoção de gatos é obrigatório levar – ou adquirir na loja – uma caixa de transporte e para o caso de cães, a guia com coleira.

Com mais de 400 gatos atualmente acolhidos, a Amicats atua diariamente no resgate, cuidado e encaminhamento responsável de animais, além de apoiar pessoas que também se dedicam à causa animal. As feiras de adoção fazem parte desse trabalho contínuo, que depende de solidariedade, engajamento e amor coletivo.

A ONG pode ser ajudada financeiramente com doações de qualquer valor pelo Pix: 27806981/0001-15 (CNPJ). Outras informações estão disponíveis no Instagram @ongamicats.

Com o retorno da Feira da Praça Bolívia, volta também a já consagrada campanha de adoção de animais, em parceria dos feirantes e a Superintendência de Bem-Estar Animal da Prefeitura de Campo Grande (Subea).

Todos os cães e gatos disponíveis são verificados e chipados. Para adotar um novo bichinho de estimação, basta levar um comprovante de residência – conta de água, energia, telefone ou internet – e a identidade pessoal. Os animais ficarão disponíveis do horário de início da feira, às 9h, até às 12h.

O Castramóvel da Prefeitura de Campo Grande, estará amanhã no Shopping Bosque dos Ipês, no Acesso C do estacionamento, das 14h às 17h, levando informação, prevenção e atenção aos pets.

Entre os serviços oferecidos estão: coleta de sangue para diagnóstico rápido da Leishmaniose Visceral Canina, vacinação de cães e gatos contra a raiva, cadastro para castração de cães e gatos e orientações sobre animais peçonhentos.

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