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AGENDA CULTURAL

Com ingressos a partir de R$ 10, cinemas terão programação variada, incluindo indicados ao Oscar

Feira Ziriguidum e Feira da Praça Bolívia entram em clima de carnaval com folia antecipada; ONGs voltam à ativa e cães e gatos poderão ser adotados em campanhas

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A Semana do Cinema, que começou ontem e vai até quarta-feira, é a oportunidade perfeita para colocar em dia a lista de lançamentos ainda não vistos nas telonas.

Com ingressos a partir de R$ 10 em todos os cinemas de Mato Grosso do Sul, estarão disponíveis durante a promoção alguns dos filmes indicados ao Oscar 2026, como: “O Agente Secreto”, “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”, “Marty Supreme” e “Zootopia 2”.

 Após desvendarem o maior caso da história da cidade, Judy e Nick são surpreendidos por uma ordem do chefe Bogo: os dois detetives precisarão frequentar o programa de aconselhamento Parceiros em CrisCINEMA “Zootopia 2” - Após desvendarem o maior caso da história da cidade, Judy e Nick são surpreendidos por uma ordem do chefe Bogo: os dois detetives precisarão frequentar o programa de aconselhamento Parceiros em Cris
Foto: Divulgação

Seguindo a linha cinematográfica, o Museu da Imagem e do Som (MIS), unidade da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), participa hoje, a partir das 18h30min, da Mostra de Animação Regional MS 2026, promovida pela TransCine – Cinema em Trânsito.

Em sua segunda edição, a mostra apresenta ao público um panorama diverso da produção de animação realizada no Estado, reunindo obras que exploram diferentes técnicas, estilos e narrativas. A sessão no MIS contará com a presença de diretores e diretoras dos filmes selecionados, promovendo o diálogo direto entre realizadores e espectadores.

Foram selecionados para a exibição os filmes “+ Forte”, de Ara Martins; “A jornada de Lila”, de Jorge de Barros; “Carlos”, de Suzana Nellis; “Cinema, futebol e os visitantes”, de Acir Alves; “Cuidado com a Cuca”, de Maria Luiza Staut e Liara Belmira; “Curupira, o Herói da Mata”, de Gustavo Santana; “Entre o Movimento e as Linhas”, de Gael Queiroz; “O Bichano”, de Luísa Costa; “Outros Bichos”, de Tatiana Varela; e “Salvador Dalí – O pai do surrealismo”, de Pedro Souza.

Média-metragem de animação produzido em Mato Grosso do Sul, a trama acompanha o Curupira, último de sua linhagem, enfrentando ameaças humanas e extraterrestres para proteger o PantanalFILME “Curupira, o Herói da Mata” - Média-metragem de animação produzido em Mato Grosso do Sul, a trama acompanha o Curupira, último de sua linhagem, enfrentando ameaças humanas e extraterrestres para proteger o Pantanal
Foto: Divulgação

Para a coordenadora da TransCine – Cinema em Trânsito, Mariana Sena, a mostra reflete o amadurecimento do cinema local e a necessidade de fortalecimento contínuo do setor.

“A TransCine sempre tem a preocupação de levar o cinema para todos os públicos, democratizando o acesso à cultura. Quando vemos as obras realizadas pelos nossos cineastas, percebemos o quanto já avançamos e o quanto ainda precisamos investir no nosso cinema”, afirma.

Amanhã, o projeto encerra as atividades com uma oficina de animação em flipbook, voltada para crianças, na ONG Núcleo Humanitário da Nhanhá, destacando o caráter formativo e comunitário da iniciativa.

FEIRAS

Em edição especial de Carnaval, a Feira Ziriguidum acontece amanhã, das 16h às 23h, na Praça do Preto Velho.

Bloco Que Delícia o Verão faz um esquenta de carnaval na feira em comemoração ao aniversário da cantora Beca, das 16h às 23h na Praça do Preto VelhoMÚSICA Feira ziriguidum - Bloco Que Delícia o Verão faz um esquenta de carnaval na feira em comemoração ao aniversário da cantora Beca, das 16h às 23h na Praça do Preto Velho
Foto: Divulgação

Além da gastronomia e economia criativa proporcionada pela feira, essa edição contará com o Baile do Regis, com uma mistura contagiante de ritmos brasileiros, unindo a alegria do samba, do pagode e do axé em um esquenta de carnaval.

Na mesma energia, o Bloco Que Delícia o Verão, mistura referências atuais e regionais com grooves dançantes e leituras contemporâneas para comemorar o aniversário da cantora Beca.

Para a criançada, a 30ª edição terá o Bailinho Era Uma Vez, com teatro de brincar.

No domingo, acontece a primeira edição deste ano da Feira da Praça Bolívia, também com uma edição especial de carnaval. Das 9h às 14h, a feira oferece economia criativa, comida típica, artes e artesanatos, antiguidades, moda e muito mais.

 Das 9h às 14h, primeira edição deeste ano terá Nano Elânio como uma das principais atrações musicaisMÚSICA Feira da Praça Bolívia - Das 9h às 14h, primeira edição deeste ano terá Nano Elânio como uma das principais atrações musicais
Foto: Divulgação

Entre as atrações musicais do dia estão: Niltinho Marron, Carla e Mikimba, Trio Francês, Banda Skuderia, Nano Elânio, Karlinhos Villa-Lobos, André Marx e Os Imperdíveis.

PETS

Amanhã, das 9h às 15h, uma feira de adoção de cães e gatos organizada pela ONG Amicats acontecerá na Cobasi – Avenida Afonso Pena, nº 3.665. Ao todo, cerca de 15 animais estarão disponíveis para adoção, todos filhotes e já vermifugados.

Cerca de 15 filhotes de cães e gatos estarão disponíveis para adoção amanhã na CobasiFEIRA Adoção Pet - Cerca de 15 filhotes de cães e gatos estarão disponíveis para adoção amanhã na Cobasi
Foto: Divulgação

“Essa é uma oportunidade de oferecer um lar com amor e respeito a animais que foram abandonados e levar uma companhia e muito amor para casa”, destaca Ana Cristina Castro, presidente da Amicats.

Para adotar, é necessário apresentar documento com foto e comprovante de residência. Para a adoção de gatos é obrigatório levar – ou adquirir na loja – uma caixa de transporte e para o caso de cães, a guia com coleira.

Com mais de 400 gatos atualmente acolhidos, a Amicats atua diariamente no resgate, cuidado e encaminhamento responsável de animais, além de apoiar pessoas que também se dedicam à causa animal. As feiras de adoção fazem parte desse trabalho contínuo, que depende de solidariedade, engajamento e amor coletivo.

A ONG pode ser ajudada financeiramente com doações de qualquer valor pelo Pix: 27806981/0001-15 (CNPJ). Outras informações estão disponíveis no Instagram @ongamicats.

Com o retorno da Feira da Praça Bolívia, volta também a já consagrada campanha de adoção de animais, em parceria dos feirantes e a Superintendência de Bem-Estar Animal da Prefeitura de Campo Grande (Subea).

Todos os cães e gatos disponíveis são verificados e chipados. Para adotar um novo bichinho de estimação, basta levar um comprovante de residência – conta de água, energia, telefone ou internet – e a identidade pessoal. Os animais ficarão disponíveis do horário de início da feira, às 9h, até às 12h.

O Castramóvel da Prefeitura de Campo Grande, estará amanhã no Shopping Bosque dos Ipês, no Acesso C do estacionamento, das 14h às 17h, levando informação, prevenção e atenção aos pets.

Entre os serviços oferecidos estão: coleta de sangue para diagnóstico rápido da Leishmaniose Visceral Canina, vacinação de cães e gatos contra a raiva, cadastro para castração de cães e gatos e orientações sobre animais peçonhentos.

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Diálogo

A campanha eleitoral de 2026 está a todo vapor lá pelas bandas da... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta terça-feira (22)

22/09/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Bráulio Bessa - Escritor brasileiro

"Recomece! Se refaça! Relembre o que foi bom. E se um dia lá na frente, a vida der uma ré, recupere a sua fé, e recomece novamente”.

FELPUDA 

A campanha eleitoral de 2026 está a todo vapor lá pelas bandas da Prefeitura Municipal de Campo Grande. Mas engana-se quem pensar que funcionários com cargos comissionados estão engajados nas eleições para presidente, governador, senador ou deputado federal. O foco mesmo é na eleição de candidato a uma cadeira para chamar de sua na Assembleia de MS. Não se sabe se a adesão é voluntária ou “por livre e espontânea pressão”, mas os servidores mergulharam de cabeça. Como diria vovó: “O que não se faz para manter a amizade...”.

Livres

Está vigorando desde o último sábado, a proibição da prisão de candidatos que disputam eleições deste ano. A determinação vai até 48h após o encerramento da votação do primeiro turno.

Mais

A prisão ou detenção dos candidatos, durante o período da vigência da medida, que vai até o dia 6 de outubro, só poderá ocorrer em casos de flagrante delito.

DiálogoFoto: Divulgação/Sesc

Nesta quinta-feira (24), às 19h, será realizado o show do Trimanos Brasil, formado pelos irmãos paraenses Gleydson, Yvison e Lohan. A jovem banda vem ampliando sua projeção nacional e acumula milhões de visualizações e seguidores nas redes sociais. Parte dessa conexão com o público está na releitura de músicas conhecidas , interpretadas a partir da identidade musical construída pelos trio. A apresentação acontecerá no Sesc Teatro Prosa. Os ingressos são gratuitos e estão disponíveis pelo Sympla.

DiálogoDra. Maria Auxiliadora Budib - Foto: Studio Vollkopf

 

DiálogoMarcella Zorzo - Foto: Arquivo pessoal

Nem aí...

Na reta final da campanha eleitoral, os plenários da Câmara Municipal de Campo Grande e da Assembleia Legislativa de MS deverão ficar esvaziados, na medida em que os candidatos correm contra o tempo em busca dos votos dos indecisos. Como se a Capital não estivesse em estado de emergência e, portanto, não precisasse de atenção redobrada neste momento.

Em campanha

A tal força-tarefa anunciada em alto e bom som 24 horas após o temporal parece não ter decolado como o cidadão que paga seus impostos esperava. Na Assembleia, o assunto entre os deputados estaduais é um só: a reeleição. Todos em plena campanha para garantir mais quatro anos de mandato. Nada como viver numa cidade e num estado sem problemas, né?! Dá licença!

Resgate

Uma postagem do secretário da Casa Civil, Walter Carneiro Júnior, nas redes sociais resgatou registros de 2010 para reforçar sua trajetória na política. No resgate histórico, ele relembra a criação do Bloco de Desenvolvimento Regional e a consolidação do municipalismo como pauta central, destacando a ascensão do ex-governador Reinaldo Azambuja, hoje candidato ao Senado. Ao conectar o trabalho realizado ao longo da última década às transformações vividas pelo MS, Walter Carneiro aproveita a publicação para reafirmar seu compromisso com a gestão pública, e não por acaso, para manter o municipalismo em evidência.

ANIVERSARIANTES

  • Carla Guizzo Couto Rocha de Lima;  
  • Leide Simioli de Brito;  
  • Giovanna Maria Assis Trad Cavalcanti;  
  • Ariane Pina Ferreira Moreira;  
  • Luciana Gonçalves Rolo;  
  • Marcia Arashiro de Lima;  
  • João Komathu;  
  • Sandra Moragas Leite de Barros;  
  • Mauricio Ramão Fernandes;  
  • José Leite da Silva Sobrinho;  
  • Mauricia de Arruda Cortez;  
  • Zoleni Santos de Mattos;  
  • Maria Angelica de Freitas Oliveira;  
  • Florentino Edmundo Talgatti;  
  • Pablo Henrique Avelino da Silva;  
  • Marlene Pontim Gomes;  
  • Van Hanegam Donero;  
  • Edgar Calixto Paz;  
  • Rubens Clayton Pereira de Deus;  
  • Humberto Ivan Massa;  
  • Sônia Gonçalves Kaneshige;  
  • Fagner Saltarelli;  
  • Jacqueline Folley Coelho;  
  • Adão Rodrigo Coene;  
  • Sergio Costa dos Santos;  
  • Claudiney Guimarães Alves;  
  • Leonardo Kling;  
  • Luiz D’Ávila;  
  • Domingos Alves da Silva;  
  • José Luiz Forte Filho;  
  • Maquielves Lopes Grison;  
  • Brunella Meura;  
  • Livia Alves Barcelos;  
  • João Dias;  
  • Cristina Hebe Scardini;  
  • Norberto Antonio Soares;  
  • Marco Aurélio Pallacio;  
  • Paula Helena Saab Mujica;  
  • Maria de Lourdes Calixto Mendes;  
  • Maria Nadir Militão;  
  • Marcelo Barbosa da Fonseca;  
  • Leonardo Coimbra;  
  • Marilda da Silva Tôrres;  
  • Rafael Mendonça;  
  • Gervásio Scheid;  
  • Alomah Rizk;  
  • Mary Radeck de Carvalho;  
  • Danilo Antonio Bruschi;  
  • Waldir Roma Ferreira;  
  • Diana Moreira Santana;  
  • Dra. Regina Célia Azuaga;  
  • Simone Ribeiro Pereira;  
  • Rocino Ramiro Cavalcanti;  
  • José Pereira de Souza;  
  • Erik Pereira de Castro;  
  • Aureo Franco Vilela;  
  • Maria Helena Fonseca;  
  • Rosa Maria de Barros;  
  • Meire Teixeira;  
  • Claudete Oliveira da Vera Cruz;  
  • Francisca Auzenir da Silva;  
  • Ivaneide de Araújo Armoa;  
  • Jean Kleber Paiva Barbosa;  
  • Santos de Oliveira Junior;  
  • Edson Ferreira da Silva;  
  • André Luiz Ossuna;  
  • Luiz Carlos de Lima;  
  • Jorge Ossamo Karimata;  
  • Dr. Renato Lúcio Martins;  
  • Paulo Cesar de Santos de Barros;  
  • Akiko Kanayama;  
  • Julião Flaves Gauna;  
  • Maria Eunice Corrêa;  
  • Gilda Lopes Braga;  
  • Rodrigo Targino de Almeida;  
  • Luiz Carlos Rodrigues;  
  • Antônio Henrique Nantes;  
  • Juliana Nunes;  
  • Adelina Tocie Miyashiro;  
  • Ronivaldo Farias de Mendonça;  
  • Augusto César Sepalho;  
  • Gilmar Javorski;  
  • Maria Cristina Coutinho da Silva;  
  • Márcio Teruhiko Yamamoto;  
  • Iedenilda Yocie Oyadomari;  
  • Nedir Migueis Pinto;  
  • Richard Alexandre Lima Siqueira;  
  • Francisco Maia Nogueira;  
  • Mirian Bezerra Sesper;  
  • Rogério Pereira Spotti;  
  • Sílvio Lucas Costa;  
  • Miguel Antunes de Miranda Sá;  
  • João Carlos Klaus;  
  • Fábio Medeiros Szukala;  
  • Lowatto Yuuichi Yamasaki;  
  • Eliana de Jesus Gonçalves Tiecher;  
  • Ana Helena Bastos e Silva Cândia;  
  • Kleber Vieira Cação;  
  • Antônio Neves de Medeiros;  
  • Carlos Roberto de Faria;  
  • Arianne Gonçalves Mendonça;  
  • Wania Helena de Carvalho;  
  • Arlindo Mariano de Farias;  
  • Marilda do Carmo Rodrigues;  
  • Heber Seba Queiroz;  
  • Adenil José de Oliveira;  
  • Maria Aparecida Corrêa Marques;  
  • Fernando Tatsunori Kuboyama;  
  • Andrea Luiza Tôrres de Figueiredo;  
  • Macoto Okuda;  
  • Alberto Angelisio Spani.

Colaborou com Tatyane Gameiro

bons hábitos & autodesenvolvimento

Aulas de teatro vão muito além da arte e contribuem para uma boa saúde

Da timidez à descoberta de novas habilidades, aulas de teatro trabalham comunicação, criatividade, expressão corporal, convivência e autoconfiança

21/09/2026 09h00

 O processo teatral envolve jogos, improvisações, exercícios de expressão corporal, criação de personagens, observação, escuta e interação, ferramentas que contribuem para as habilidades sociais dos alunos

O processo teatral envolve jogos, improvisações, exercícios de expressão corporal, criação de personagens, observação, escuta e interação, ferramentas que contribuem para as habilidades sociais dos alunos Divulgação

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Para algumas pessoas, fazer teatro começa com o desejo de subir ao palco. Para outras, nasce da curiosidade, da vontade de conhecer novas pessoas ou até da necessidade de enfrentar uma dificuldade.

Há quem procure as aulas para melhorar a comunicação, quem queira desenvolver a expressão corporal e quem simplesmente esteja em busca de uma atividade diferente.

O que acontece depois, porém, muitas vezes ultrapassa o objetivo inicial.

Durante uma aula de teatro, decorar e interpretar um texto são apenas algumas das etapas de um processo que envolve jogos, improvisações, exercícios de expressão corporal, criação de personagens, observação, escuta e interação.

Aos poucos, o participante é colocado diante de situações que exigem presença, criatividade e disposição para experimentar – inclusive quando existe vergonha ou medo de errar.

É nesse processo que o teatro pode se tornar uma ferramenta que vai além da formação artística.

As habilidades trabalhadas em cena podem aparecer em situações cotidianas, como uma apresentação na escola ou na faculdade, uma entrevista de emprego, uma reunião de trabalho, uma conversa com desconhecidos ou simplesmente na maneira como alguém passa a perceber o corpo e a se relacionar com outras pessoas.

“Eu não acredito que todo mundo que faz teatro precisa querer ser ator”, afirma Daniel Smidt, diretor da Escola e Companhia de Teatro (Adote), que atua há 25 anos em Campo Grande.

Para ele, cada aluno pode encontrar na experiência uma transformação particular.

“Cada pessoa pode encontrar uma coisa diferente aqui. Pode ser a coragem para falar, a confiança para se posicionar, a capacidade de trabalhar em grupo, a criatividade ou simplesmente a liberdade de ser quem é”, afirma.

O PRIMEIRO APRENDIZADO

A comunicação é uma das primeiras habilidades que podem ser percebidas no trabalho teatral. No palco, não basta saber o que dizer: é preciso pensar em como aquilo será dito, compreender o espaço, perceber quem está ouvindo e utilizar voz, corpo e expressão para transmitir uma ideia.

Esse exercício pode ser levado para fora da sala de aula.

Falar diante de outras pessoas, sustentar uma opinião, apresentar um trabalho ou participar de uma conversa exigem, em diferentes níveis, algumas dessas mesmas ferramentas. O teatro permite que o aluno experimente essas situações em um ambiente de aprendizagem, no qual errar também faz parte do processo.

Daniel conhece essa transformação por experiência pessoal.

“Eu também já fui uma pessoa tímida. O teatro foi me dando ferramentas para me expressar, para me comunicar, para olhar para o outro e também para me enxergar de uma maneira diferente. Quando olho para quem eu sou hoje, percebo o quanto tudo aquilo que aprendi através da arte contribuiu para a minha vida”, reflete o diretor.

O CORPO FALA

Outro aspecto trabalhado no teatro é a expressão corporal. Antes mesmo de uma pessoa dizer qualquer palavra, sua postura, seus movimentos e sua maneira de ocupar um espaço podem transmitir informações.

Perceber isso ajuda o aluno a desenvolver consciência sobre o corpo. Em cena, ele precisa compreender como determinado movimento contribui para a construção de uma personagem ou para a comunicação de uma situação. Fora dela, essa percepção pode ajudar na forma como se posiciona e se expressa.

A estudante Charlie Budib, de 19 anos, chegou ao teatro justamente buscando enfrentar a timidez e se sentir mais segura para se expressar. A recomendação partiu de sua psicóloga e a identificação com as artes ajudou a transformar a sugestão em experiência.

“Eu buscava me abrir mais para as pessoas. Conseguir falar melhor em público, me desafiar, sair da zona de conforto. Me sentir mais segura em me expressar”, conta.

Depois das aulas, ela percebe mudanças inclusive em situações que não têm relação direta com o palco.

“O teatro mudou bastante o jeito que eu ajo. Eu me sinto muito mais tranquila sobre a minha expressão corporal no dia a dia. Coisas que antes eu não conseguiria dizer ou fazer agora são muito mais simples”, diz.
Para Charlie, a sala de aula também se tornou um espaço de segurança para experimentar.

“É um ambiente que eu me sinto acolhida. Eu posso acertar ou errar, mas no final, a gente sempre bate palmas um para o outro. Todo mundo está sempre evoluindo e se ajudando. É um lugar que eu posso realmente me soltar”, afirma.

A ARTE DO IMPROVISO

Quem nunca fez teatro pode imaginar que a atividade depende principalmente da memorização de textos. Mas a preparação de um ator envolve muito mais do que decorar falas.

Improvisações e jogos teatrais fazem parte do processo justamente porque colocam os participantes diante do inesperado. Uma proposta pode mudar no meio do exercício, uma cena pode tomar um caminho diferente do planejado e o aluno precisa encontrar uma maneira de continuar.

A habilidade de improvisar, nesse sentido, não significa simplesmente “inventar qualquer coisa”. Ela envolve atenção, escuta e capacidade de responder ao que está acontecendo naquele momento.

Essa experiência pode contribuir para que o participante lide melhor com situações nas quais não possui controle absoluto sobre o resultado.

Foi algo que Maysa Garcia encontrou nas aulas. Ela chegou ao teatro pensando na formação necessária para se tornar atriz e, posteriormente, seguir o caminho da dublagem. Procurava técnicas para trabalhar voz, postura e presença.

Mas acabou encontrando também uma forma de enfrentar inseguranças.

“Me deu mais confiança para viver o mundo como eu mesma, de realmente ocupar um espaço sem culpa”, relata. Para ela, o teatro ajudou a transformar uma orientação comum dentro das aulas – enfrentar uma cena mesmo quando existe medo – em uma postura que também pode ser aplicada à vida.

“O teatro nos ensina: se está com medo, vai com medo mesmo. Isso é para a cena, mas na nossa vida isso também se aplica”, pontua.

ABRAÇO ÀS DIFERENÇAS

O teatro também pode ser uma experiência de inclusão. Cada participante chega com características, habilidades e dificuldades únicas e a aprendizagem não acontece necessariamente no mesmo ritmo.

É o caso de Evelyn Machado, que tem deficiência intelectual e participa das atividades da Adote há alguns anos.

Ela conta que, no início, tinha dificuldades principalmente para memorizar, falar diante de outras pessoas e realizar atividades novas. O nervosismo e a vergonha também apareciam, mas não impediram sua permanência.

“No teatro eu encontrei um espaço onde eu posso fazer as coisas do meu jeito, aprender no meu tempo e também ser incentivada a tentar”, conta.

Ao longo desse período, Evelyn participou de apresentações, atividades e festivais. Também recebeu duas premiações em competições.

“Para mim foi uma felicidade muito grande, porque eu nunca imaginei que poderia subir em um palco, competir e ainda receber um prêmio”, relata.

A experiência, segundo ela, também contribuiu para a comunicação e a autoconfiança.

“O teatro me ajudou muito. Eu fiquei mais comunicativa, perdi um pouco da vergonha e passei a acreditar mais em mim. Cada vez que eu entro no palco é uma conquista”, pontua.

Para Evelyn, a deficiência não define o que ela é. “Eu tenho minhas dificuldades, assim como todo mundo tem as suas, só que algumas coisas para mim são mais difíceis e eu preciso de mais tempo ou de ajuda. Mas também tenho minhas capacidades e gosto muito quando as pessoas acreditam em mim e me dão oportunidade”, destaca.

EXPERIÊNCIA COMPARTILHADA

Se para alguns o teatro é uma descoberta individual, para Miriam Amada de Oliveira, de 54 anos, que faz teatro ao lado do marido, Sueiyoshi Altino de Lima, de 55 anos, a atividade também se tornou uma experiência compartilhada.

Os dois decidiram fazer o curso juntos. Sueiyoshi chegou interessado pela relação entre cinema e atuação.

Queria entender como funciona o processo de construção de um ator e descobriu, nas aulas, que interpretar vai muito além de decorar e repetir falas.

Miriam, por sua vez, carregava desde jovem a curiosidade de conhecer os bastidores e entender como uma pessoa se prepara para atuar.

Fazer o curso lado a lado acrescentou uma dimensão inesperada à experiência: conhecer melhor um ao outro.

“Então, o fato de fazer o teatro junto com minha esposa fez eu conhecer mais um lado dela que não está ali no cotidiano, no dia a dia. Eu consigo ver mais a pessoa, a parte mais criativa dela, outras partes que a gente não vê no dia a dia”, conta Sueiyoshi.

Miriam também percebeu mudanças na relação.

“Quando a gente tem as mesmas vontades, tudo fica melhor”, afirma. Segundo ela, os dois passaram a conversar sobre os exercícios, ensaiar em casa e discutir as atividades realizadas nas aulas.

Para ela, o teatro ampliou a admiração que já existia entre os dois. “Você começa a conhecer o outro lado dela [da pessoa]. Então foi muito bom a gente fazer juntos, porque assim como ele vê como eu interpreto, como eu faço os exercícios, ele também vê esse meu lado, eu vejo o lado dele”, relata.

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