"Acho que o mais bonito da atuação é justamente essa possibilidade infinita de experimentar universos diferentes."
Com uma trajetória marcada por personagens memoráveis na televisão, no cinema e no teatro, Nathalia Dill consolidou-se como um dos nomes mais respeitados de sua geração na dramaturgia brasileira. Nascida no Rio de Janeiro, a atriz iniciou sua carreira artística nos palcos em 2005, em montagens como A Glória de Nelson e Jogos na Hora da Sesta.
Pouco depois, fez sua estreia na televisão em uma participação na série Mandrake, da HBO, mas foi em 2007 que ganhou projeção nacional ao interpretar a vilã Débora Rios em Malhação, papel que a revelou para o grande público e lhe rendeu seus primeiros prêmios e indicações.
O reconhecimento nacional abriu caminho para uma sequência de protagonistas e personagens de destaque na TV Globo. Em 2009, viveu Maria Rita, a Santinha de Paraíso, conquistando o público ao lado de Eriberto Leão.
No ano seguinte, brilhou em Escrito nas Estrelas, interpretando os papéis de Viviane e Vitória, atuação que lhe garantiu o Prêmio Extra de Televisão de Melhor Atriz. Em seguida, integrou elencos de produções de sucesso como Cordel Encantado, onde interpretou a corajosa Doralice Peixoto; Avenida Brasil, fenômeno de audiência e repercussão internacional; Joia Rara; e Alto Astral, novela na qual voltou ao posto de protagonista.
Ao longo da carreira, Nathalia demonstrou grande versatilidade ao transitar entre heroínas, mocinhas, personagens cômicas e antagonistas. Entre seus trabalhos mais marcantes estão a vilã Branca Farto, de Liberdade, Liberdade; as gêmeas Júlia e Lorena, em Rock Story; a moderna e determinada Elisabeta Benedito, protagonista de Orgulho e Paixão; e Fabiana, uma das grandes vilãs de A Dona do Pedaço, personagem que conquistou destaque nacional e recebeu reconhecimento da crítica e do público.
Paralelamente à televisão, a atriz construiu uma carreira sólida no cinema. Em 2012, protagonizou o longa Paraísos Artificiais, dirigido por Marcos Prado, trabalho que lhe rendeu elogios da crítica especializada e uma indicação ao Prêmio Guarani de Cinema na categoria Melhor Atriz.
Ela também integrou o elenco de produções como Tropa de Elite, Feliz Natal, Apenas o Fim, Por Trás do Céu, Um Casal Inseparável e Incompatível, ampliando sua atuação para diferentes gêneros e linguagens audiovisuais.
Primeira Capa de Aniversário - Entrevista exclusiva com a atriz Nathalia Dill - DivulgaçãoNos palcos, Nathalia manteve uma presença constante ao longo dos anos, participando de montagens como A Agonia do Rei, Fulaninha e Dona Coisa e da aclamada peça Três Mulheres Altas, de Edward Albee, dividindo cena com Suely Franco e Deborah Evelyn em uma produção que percorreu diversas cidades brasileiras.
Em 2024, retornou ao horário das sete da TV Globo como a protagonista Vênus Mancini em Família É Tudo, reforçando sua conexão com o grande público.
Já em 2025, integrou o elenco de Guerreiros do Sol, produção inspirada no universo do cangaço, ampliando ainda mais sua galeria de personagens marcantes. Atualmente, voltou ao horário nobre da emissora em Quem Ama Cuida, reafirmando sua relevância na dramaturgia nacional.
Ao longo de mais de duas décadas de carreira, Nathalia Dill acumulou importantes reconhecimentos, entre eles o Prêmio Extra de Televisão, o Prêmio Jovem Brasileiro, o Prêmio Contigo! de TV e diversas indicações em premiações de televisão, cinema e teatro.
Com talento, versatilidade e uma constante busca por novos desafios artísticos, a atriz segue construindo uma trajetória sólida e admirada pelo público e pela crítica.
A atriz Nathalia Dill está no ar na novela das 21h da TV Globo, Quem Ama Cuida, escrita por Walcyr Carrasco e com direção de Amora Mautner. Na trama, ela dá vida a Francesca, uma personagem misteriosa que promete movimentar a história ao se envolver diretamente com o personagem de Tony Ramos.
Vivendo um momento de forte presença na televisão, Nathalia está atualmente em três produções exibidas simultaneamente: na reprise de Avenida Brasil no Vale a Pena Ver de Novo, na novela Guerreiros do Sol e, agora, prestes a estrear no horário nobre.
A atriz também acaba de completar 40 anos, em uma fase de amadurecimento pessoal e profissional que dialoga diretamente com os desafios da nova personagem.
Hoje Nathalia abre um circuito de celebrações com a gente, 5 anos de Correio B+. Ela é a primeira Capa de um especial de comemorações do nosso Caderno que teve a sua estreia em junho de 2021 aqui no Correio do Estado, maior jornal do MS. Então vamos iniciar os trabalhos com essa entrevista exclusiva com a atriz Nathalia Dill!

Hoje a atriz Nathalia Dill abre um circuito de celebrações com a gente, 5 anos de Correio B+. Ela é a primeira Capa exclusiva de um especial de comemorações do nosso Caderno. Foto: Thais Cunha - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana
CE - Você está no ar simultaneamente em três produções diferentes. Como tem sido viver esse momento tão especial da carreira?
ND - É muito curioso porque são três trabalhos de momentos completamente diferentes da minha trajetória, mas que acabam se encontrando agora diante do público.
Tem a Francesca, em "Quem Ama Cuida", que é uma personagem inédita e cercada de mistério; tem "Guerreiros do Sol", minha primeira novela para o streaming e só agora chegou na TV aberta; e tem a Deborah, de "Avenida Brasil", reaparecendo para uma nova geração. É um presente poder revisitar diferentes fases da minha carreira ao mesmo tempo e perceber como cada personagem continua encontrando seu espaço junto ao público.
CE - Francesca se tornou um dos assuntos mais comentados da novela. Como você recebeu a repercussão em torno dessa personagem tão enigmática?
ND - Com muita alegria. Quando recebi o convite e li os primeiros capítulos, percebi que existia um mistério muito bem construído, mas a gente nunca imagina exatamente como o público vai reagir.
O mais divertido é acompanhar as teorias. As pessoas criam histórias, levantam hipóteses e observam cada detalhe. Isso mostra o quanto elas estão envolvidas com a trama. Como atriz, é muito gratificante participar de uma personagem que desperta tanta curiosidade.
CE - O público ainda tenta entender quem é Francesca. O que mais te atraiu nela quando recebeu o papel?
ND - Justamente essa camada de mistério. Ela não se apresenta de forma óbvia e carrega muitas informações que vão sendo reveladas aos poucos. Isso é muito interessante para o ator porque exige um trabalho de composição mais delicado.
Eu precisei entender toda a trajetória dela para conseguir dosar aquilo que seria mostrado em cada cena. É uma personagem que desafia constantemente tanto quem interpreta quanto quem assiste.
E o que torna a novela fascinante, sendo uma obra aberta, é que a gente realmente não sabe para onde a personagem vai. Tenho uma noção da história dela, mas até onde ela pode chegar, só o tempo vai dizer.
CE - Francesca contracena diretamente com o personagem de Tony Ramos. Como tem sido essa parceria?
ND - Maravilhosa. O Tony é um ator extraordinário, mas também um colega extremamente generoso, eleva o trabalho de todo mundo ao redor. Contracenar com ele é uma oportunidade de aprendizado diário. Além disso, existe uma troca muito respeitosa e leve nos bastidores, o que torna o processo ainda mais especial.
CE - Esta é mais uma parceria com Walcyr Carrasco e também com a diretora Amora Mautner. Como é reencontrar profissionais com quem você já possui uma história?
ND - Existe uma confiança construída ao longo dos anos. Tanto o Walcyr quanto a Amora são profissionais que admiro muito e que têm uma capacidade impressionante de se reinventar. Quando você reencontra pessoas que já conhecem o seu trabalho, existe uma segurança maior para arriscar e experimentar novos caminhos. Ao mesmo tempo, cada projeto traz desafios inéditos e isso mantém tudo muito vivo.
CE - O sucesso das redes sociais tem mostrado uma audiência cada vez mais participativa. Você acompanha as reações do público?
ND - Acompanho dentro do possível. Acho muito interessante observar como a novela se transformou em uma experiência coletiva. As pessoas comentam enquanto assistem, criam teorias e compartilham emoções em tempo real.
É claro que procuro manter um equilíbrio saudável, mas gosto de perceber como os personagens reverberam fora da tela. Isso ajuda a entender o impacto que a história está gerando.

Hoje a atriz Nathalia Dill abre um circuito de celebrações com a gente, 5 anos de Correio B+. Ela é a primeira Capa exclusiva de um especial de comemorações do nosso Caderno. Foto: Thais Cunha - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana
CE - "Guerreiros do Sol" também está chegando a um público ainda maior na TV aberta. O que esse projeto representa para você?
ND - Representa um trabalho pelo qual tenho muito orgulho. Foi uma produção feita com muita dedicação, que mergulha em um universo rico da nossa cultura. Chegou primeiro na Globoplay e agora na TV aberta, e acho bonito quando uma obra ganha novas oportunidades de ser descoberta. É legal ter essa perspectiva do alcance também de cada plataforma.
CE - Rever "Avenida Brasil" no Vale a Pena Ver de Novo desperta memórias especiais?
ND - Muitas. "Avenida Brasil" foi um marco na teledramaturgia brasileira e também na minha trajetória. É impossível não sentir um carinho enorme ao rever cenas, lembrar dos bastidores e reencontrar aqueles personagens. Se passaram quase 15 anos de lá pra cá e me considero uma atriz com muito mais estofo e recursos, o que é natural. Eu quero sempre que o meu próximo trabalho seja melhor que o anterior.
CE - Recentemente você completou 40 anos. Como tem vivido essa nova fase da vida?
ND - Tenho vivido com bastante tranquilidade. Acho que o tempo traz uma liberdade muito bonita. Hoje me sinto menos preocupada em atender expectativas externas e mais conectada com aquilo que realmente faz sentido para mim. Existe uma maturidade que não vem apenas da idade, mas das experiências acumuladas. Estou em um momento de valorização das escolhas.
CE - Depois de tantos anos de carreira e vivendo um momento tão intenso na televisão, o que ainda te motiva como artista?
ND - A curiosidade. Acho que ela continua sendo o motor principal. Gosto de conhecer pessoas através dos personagens, explorar universos diferentes e me desafiar constantemente. Cada trabalho me transforma de alguma forma.
E o que esse momento me mostra, com três personagens tão distintas chegando ao público ao mesmo tempo, é que as escolhas que fiz ao longo da carreira foram construindo algo que tem consistência. Sempre vou sentir essa vontade de aprender, experimentar e contar histórias, porque sou apaixonada por essa profissão.