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Bonito CineSur 2026 terá Paulina García como homenageada

Festival retorna entre julho e agosto com filmes de dez países, homenagem a Paulina García e uma programação que une cinema, cultura e meio ambiente

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É particularmente apropriado poder discutir cinema, identidade, memória e preservação ambiental em Bonito, Mato Grosso do Sul. Cercada por rios cristalinos, cavernas e algumas das paisagens mais impressionantes do país, a cidade sul-mato-grossense se tornou sinônimo de ecoturismo para muitos brasileiros.

Nos últimos anos, porém, Bonito também passou a construir outra identidade: a de um importante ponto de encontro para o cinema sul-americano.

Entre os dias 24 de julho e 1º de agosto, a cidade recebe a quarta edição do Bonito CineSur – Festival de Cinema Sul-Americano, evento que vem ampliando sua relevância ao reunir produções de diferentes países do continente em uma programação gratuita voltada não apenas à exibição de filmes, mas também à formação de público, ao intercâmbio cultural e à discussão de temas ambientais.

E este ano terei a oportunidade de acompanhar o festival presencialmente, realizando a cobertura para o Caderno B+, do Correio do Estado. Será minha primeira vez em Bonito e também meu primeiro contato direto com um evento que vem se consolidando como uma das iniciativas mais interessantes do calendário audiovisual brasileiro.

A edição de 2026 contará com 32 produções selecionadas para as mostras competitivas de longas e curtas-metragens sul-americanos, filmes ambientais e obras produzidas em Mato Grosso do Sul. A programação reúne títulos da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela, além de coproduções com países europeus.

A grande homenageada desta edição será a atriz chilena Paulina García, uma das intérpretes mais importantes do cinema latino-americano contemporâneo.

Vencedora do Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim por Gloria, ela construiu uma carreira marcada por personagens complexas e profundamente humanas, transitando entre cinema, televisão e teatro. O filme Querido Trópico, do qual participa, foi escolhido para abrir oficialmente o festival.

A seleção de longas sul-americanos traz alguns dos títulos mais interessantes da programação. Entre eles está o brasileiro A Vida de Cada Um, dirigido por Murilo Salles, além do peruano Naira, da diretora Gabriela Quiroz, e ¿Quién Mató a Narciso?, novo trabalho do cineasta paraguaio Marcelo Martinessi, conhecido internacionalmente por As Herdeiras.

São obras que atravessam temas como memória, relações familiares, violência política, deslocamentos e conflitos sociais, refletindo preocupações compartilhadas por diferentes países do continente.

Mas talvez o aspecto mais singular do Bonito CineSur seja justamente a forma como o festival incorpora a discussão ambiental à sua identidade. Enquanto muitos eventos reservam espaço para filmes sobre natureza ou sustentabilidade, em Bonito essa conversa parece nascer organicamente do próprio território.

Bonito CineSur 2026 terá Paulina García como homenageada  - Divulgação

As mostras ambientais reúnem produções que abordam mineração, preservação de recursos hídricos, impactos climáticos, conflitos territoriais e saberes indígenas. Entre os destaques estão Mundurukuyü – A Floresta das Mulheres-Peixe, realizado a partir da cosmologia Munduruku nas margens do Tapajós, e Um Olhar Inquieto: O Cinema de Jorge Bodanzky, que revisita a trajetória de um dos grandes documentaristas brasileiros e sua relação histórica com a Amazônia.

Outro aspecto importante é o espaço dedicado ao audiovisual produzido em Mato Grosso do Sul. Em vez de funcionar apenas como uma vitrine para obras nacionais e internacionais, o festival também atua como plataforma para realizadores da região, reforçando o papel do cinema como ferramenta de desenvolvimento cultural e econômico local.

Além das exibições, a programação inclui oficinas, palestras, debates e atividades voltadas para estudantes, ampliando o acesso à formação audiovisual e aproximando novos públicos do cinema produzido na América do Sul.

Em um momento em que a circulação de filmes latino-americanos continua enfrentando desafios dentro do próprio continente, festivais como o Bonito CineSur cumprem uma função que vai muito além da exibição de obras. Eles ajudam a criar conexões entre cinematografias que frequentemente dialogam mais com a Europa ou com os Estados Unidos do que entre si.

Talvez por isso faça tanto sentido que esse encontro aconteça justamente em Bonito. Em uma cidade conhecida pela riqueza de suas paisagens naturais, o festival convida o público a explorar outro tipo de patrimônio: as histórias, os conflitos, os sonhos e as identidades que atravessam a América do Sul contemporânea.

Nos próximos meses, volto aqui para contar como foi viver essa experiência de perto. Afinal, poucas combinações parecem tão promissoras para quem ama cultura quanto cinema, natureza e uma semana inteira dedicada a descobrir novas histórias.

Saúde Correio B+

Alergias no outono: especialista explica como prevenir as "ites" durante o período seco

Baixa umidade, frio e aumento da circulação de poeira e ácaros favorecem crises respiratórias e dermatológicas nesta época do ano

06/06/2026 14h30

Alergias no outono: especialista explica como prevenir as

Alergias no outono: especialista explica como prevenir as "ites" durante o período seco Foto: Divulgação

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Com a chegada do outono e a proximidade do inverno, é comum o aumento dos casos de alergias respiratórias e dermatológicas, especialmente entre pessoas que convivem com as chamadas “ites”, como rinite, sinusite, bronquite alérgica e dermatite.

O clima seco, as temperaturas mais baixas e a maior concentração de agentes irritantes no ar tornam este período ainda mais desafiador para quem já possui predisposição alérgica.

Polens, ácaros, mofo, poeira e poluição tendem a se intensificar nesta época do ano devido à baixa umidade relativa do ar, o que favorece sintomas como espirros, coriza, obstrução nasal, coceira no nariz, ouvido e garganta, além de tosse e falta de ar.

De acordo com o otorrinolaringologista Caio Simão, do Hospital HSANP, alguns hábitos podem ajudar o organismo a enfrentar melhor as alergias ao longo de todo o ano.

“Alimentação equilibrada, prática regular de atividades físicas e o consumo adequado de vitaminas, principalmente a vitamina C, contribuem para fortalecer o organismo. Mesmo quando não representam quadros graves, as alergias impactam diretamente a qualidade de vida dos pacientes”, explica.

Além das alergias respiratórias, as dermatites também se tornam mais frequentes no outono devido ao ressecamento da pele. Segundo o especialista, o uso prolongado de fones de ouvido em ambientes externos pode agravar casos de dermatite na região auricular.

“Coceira persistente, descamação da pele e vermelhidão são sintomas comuns. Em situações mais severas, também podem surgir secreções e sensação de ouvido tampado”, complementa Caio Simão.

Entre as principais recomendações para reduzir os sintomas alérgicos estão o uso de umidificadores de ar, a higienização frequente de roupas de cama, cortinas e ambientes fechados, além da ventilação adequada dos cômodos.

Para pacientes com alergias crônicas, a imunoterapia alérgeno-específica também pode ser uma alternativa. “Esse tratamento ajuda o sistema imunológico a responder melhor aos agentes causadores das alergias, reduzindo a intensidade das crises ao longo do tempo”, finaliza o otorrinolaringologista.

Cinema Correio B+

Aquele Campeonato quer reinventar a mesa-redonda brasileira na Copa do Mundo

Com Tino Marcos, Marcelo Adnet e Valentina Bandeira, projeto do Porta dos Fundos aposta no humor para falar de muito mais do que futebol durante a Copa de 2026

06/06/2026 13h00

Aquele Campeonato quer reinventar a mesa-redonda brasileira na Copa do Mundo

Aquele Campeonato quer reinventar a mesa-redonda brasileira na Copa do Mundo Foto: Divulgação

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Existe algo curioso nas mesas-redondas esportivas brasileiras. Elas continuam ocupando um espaço importante na cobertura do futebol, mas muitas vezes parecem presas a uma fórmula que pouco mudou nas últimas décadas.

A imagem permanece familiar: comentaristas reunidos para discutir escalações, arbitragens, esquemas táticos e declarações de jogadores enquanto o público, cada vez mais acostumado à velocidade das redes sociais e à fragmentação da atenção, procura outros caminhos para participar da conversa.

Talvez por isso Aquele Campeonato, novo projeto do Porta dos Fundos para a Copa de 2026, seja uma das iniciativas mais interessantes surgidas até agora em torno do torneio.

À primeira vista, a premissa parece simples. Reunir Tino Marcos, Marcelo Adnet, Rafael Saraiva, Valentina Bandeira e Leandro Ramos para comentar os acontecimentos do Mundial em uma atração exibida às segundas, quartas e sextas-feiras, ao meio-dia, com transmissão pelo YouTube do Porta dos Fundos, Porta TV, Spotify e cortes distribuídos nas redes sociais.

Mas o que torna o projeto interessante não é o elenco nem a plataforma. É a limitação que deu origem a ele. Sem os direitos oficiais da competição, o grupo decidiu transformar a ausência de imagens, marcas e referências autorizadas em parte da própria linguagem do programa.

Segundo Daniel Nascimento, diretor de conteúdo do Porta dos Fundos, a equipe percebeu que nem mesmo poderia utilizar alguns dos termos associados ao torneio.

"Estamos comentando o maior evento do futebol mundial sem poder falar o nome do evento, sem mostrar a imagem e sem poder usar inclusive alguns termos oficiais da competição", explicou durante a coletiva de lançamento.

Foi dessa impossibilidade que nasceu Aquele Campeonato. O nome já funciona como piada, mas também como declaração de intenções. Em vez de fingir que as restrições não existem, o Porta resolveu colocá-las no centro da proposta.

A discussão ficou ainda mais interessante quando o assunto passou do futebol para a própria natureza do humor. Questionado sobre a ideia de transformar limitações jurídicas em ferramenta criativa, Marcelo Adnet defendeu que a escassez muitas vezes produz resultados mais interessantes do que a abundância.

"O humor é melhor com limitação", afirmou, lembrando que boa parte da comédia nasce justamente da necessidade de encontrar soluções inesperadas para problemas aparentemente insolúveis.

A observação ajuda a entender por que o projeto parece dialogar mais com a cultura digital do que com a televisão esportiva tradicional. Enquanto muitos programas ainda tentam reproduzir um modelo construído para outra época, Aquele Campeonato parte do princípio de que a Copa não é apenas um evento esportivo. É um fenômeno cultural, social e comportamental.

A própria composição do elenco aponta nessa direção. Valentina Bandeira lembrou durante a coletiva que passou os últimos anos acompanhando grandes eventos esportivos sem necessariamente olhar apenas para o jogo.

Seu interesse está nos assuntos paralelos, nas histórias humanas, nas conversas que surgem ao redor dos gramados. Rafael Saraiva seguiu a mesma linha ao afirmar que a atração pretende falar de torcidas, comportamentos, cultura e das pequenas narrativas que transformam uma competição esportiva em um acontecimento global.

Talvez ninguém tenha resumido melhor essa mudança de perspectiva do que o próprio Tino Marcos.

Depois de décadas participando de transmissões, reportagens e mesas-redondas, o jornalista admitiu que parte da cobertura esportiva tradicional perdeu o frescor.

"Do meu ponto de vista, a minha bolha ficou um pouco chata. O formato está um pouco cansado", afirmou.

A declaração chama atenção justamente porque vem de alguém que ajudou a construir a forma como os brasileiros consumiram futebol durante décadas. E talvez seja essa experiência que permita a Tino enxergar com clareza uma mudança que já está acontecendo.

O público continua interessado na Copa, mas nem sempre está interessado em ouvir as mesmas discussões repetidas infinitamente em diferentes canais.

O momento mais revelador da coletiva, porém, surgiu quando o assunto deixou os gramados e passou para quem cobre o evento.

Ao responder uma pergunta sobre a romantização da cobertura de Copas do Mundo, Tino desmontou uma fantasia bastante comum entre espectadores. Existe a ideia de que os jornalistas enviados ao torneio vivem uma experiência privilegiada, acompanhando os jogos de perto e mergulhando completamente na atmosfera da competição. A realidade, segundo ele, costuma ser bem diferente.

"O repórter não vê a Copa do Mundo", disse.

A explicação veio em seguida. Entre entradas ao vivo, gravações, coletivas, programas especiais e demandas para diferentes plataformas, sobra pouco tempo para acompanhar aquilo que está acontecendo em campo. Muitas vezes, quem cobre a Copa acaba assistindo menos ao torneio do que quem está em casa.

Talvez por isso o jornalista tenha demonstrado tanto entusiasmo com o novo projeto.

"Eu vou adorar dormir na minha casa, poder ver os jogos da Copa do Mundo e ainda estar do lado desses caras maravilhosos", brincou.

A frase pode soar apenas divertida, mas revela algo maior. Em 2026, talvez a grande inovação na cobertura esportiva não seja ter mais acesso, mais imagens ou mais informações. Talvez seja justamente aceitar que a Copa sempre foi maior do que tudo isso.

Ela é um evento esportivo, claro. Mas também é um ritual coletivo, uma conversa nacional, uma explosão de identidade, pertencimento, humor e memória. E talvez a grande sacada de Aquele Campeonato seja reconhecer que, às vezes, falar da Copa sem poder mostrar a Copa pode acabar revelando aspectos do torneio que a cobertura tradicional deixou de enxergar há muito tempo.

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