Bolinho de feijoada recheado com bacon e geleia agridoce de bacon? Sim. Por que não? A iguaria ainda pode ser novidade para muita gente, mas, ao mesmo tempo, milhões de petisqueiros Brasil afora já se renderam a essa receita que calibra como nenhuma outra aquele descontraído bate-papo antes da refeição principal ou durante uma rodada de drinques, seja com os amigos, seja com a família.
Essa receita pode ser feita com aquela feijoada que sobrou e é também uma ótima opção de entradinhas para servir antes da feijoada. Quem garante é a chef Mariele Horbach, que assina o cardápio de uma rede de botecos cariocas. Mesmo para os amantes de sabores agridoces, o diferencial da receita da chef Mariele pode parecer pouco convencional e até causar estranheza à primeira vista. Não se sabe bem qual a origem, mas uma coisa é certa: ela veio para fazer sucesso em jantares, almoços ou lanches. Trata-se da geleia de bacon.
Simples de fazer, as medidas da receita desta página rendem um tanto de geleia que serve até quatro pessoas e pode ser introduzida em seu cardápio das mais diversas formas. Você pode colocá-la sobre uma porção de massa, por exemplo, e também adicionar como complemento em torradas ou dentro de sanduíches para variar um pouco o sabor.
Dica importante da chef: use e abuse da sua criatividade na hora de prepará-la. Mariele recomenda a geleia para um consumo bem corriqueiro – com torradas por exemplo. Outra dica da chef é que essa geleia “fica perfeita com hambúrguer”.
O BACON
O bacon, criado há mais de quatro mil anos na China, é uma das iguarias mais populares do mundo, presente em diversas culturas e pratos. Foi para homenagear essa delícia que se instituiu o Dia do Bacon em 31 de agosto. Com uma produção nacional anual de 90 mil toneladas e faturamento de R$ 1,6 bilhão, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos, o consumo per capita é de 400 gramas, com o Sudeste absorvendo 60% da produção nacional.
Em 2022, o mercado global de bacon foi avaliado em cerca de 65 bilhões de dólares, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 4,5% projetada até 2027. O gosto pelo bacon é atribuído a sua combinação única de sabores salgados, defumados e a textura crocante que o torna um ingrediente versátil, presente em sanduíches, saladas e até em sobremesas.
No Brasil, existem 2,1 mil estabelecimentos produtores de alimentos industrializados de carnes, dos quais o bacon faz parte – com destaque para os estados do Sul, que respondem, juntos, por 50% da produção nacional. O tamanho do mercado global de bacon atingiu US$ 68,5 bilhões em 2022, segundo o Grupo Imarc, consultoria especializada em pesquisas globais de mercado e consumo. A expectativa é de que esse mercado atinja US$ 86,6 bilhões até 2028, com taxa de crescimento anual média de 3,6%.
RIGOR
Em fevereiro do ano passado, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou a Portaria nº 748 aprovando a revisão do Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade (RTIQ) do bacon para estabelecimentos e indústrias que sejam registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF) e no Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA).
Entre as regras atualizadas está a de que deverá ser utilizada na elaboração do bacon somente a porção abdominal do suíno. Antes, o produto poderia ser obtido com os músculos adjacentes, sem osso, acompanhados da expressão especial ou extra na sua designação de venda.
Os produtos obtidos de cortes íntegros de lombo, pernil ou paleta de suínos, fabricados em processo análogo ao bacon, deverão ter denominação de venda com a indicação do corte anatômico de origem do produto. Por exemplo: bacon de “denominação do corte”. É proibida a inclusão de outros dizeres e alusões ao bacon na rotulagem do produto.
HISTÓRIA
A história do bacon remonta há séculos, e seu consumo tem sido uma parte importante da alimentação humana em diferentes culturas ao longo do tempo. Originado na China por volta de 1.500 a.C, o processo de cura e defumação da carne de porco tornou-se uma maneira de conservar a carne antes da invenção da refrigeração moderna.
A técnica de cura chegou à Europa por meio das rotas comerciais estabelecidas na Idade Média, e os povos germânicos aprimoraram o processo de produção do bacon.
BRASIL E INGLATERRA
No século 18, os imigrantes europeus levaram essa tradição para a América do Norte, onde se tornou um alimento básico e popular, especialmente em áreas rurais. Ao longo dos anos, o bacon evoluiu para se tornar um alimento querido e versátil, sendo amplamente utilizado em diversas preparações culinárias ao redor do mundo.
Na Inglaterra, por exemplo, o bacon é um ingrediente tradicional do café da manhã inglês, sendo servido com ovos, feijão e torradas. No Brasil, o bacon ganhou espaço em pratos como hambúrgueres, pizzas, petiscos e até mesmo em sobremesas, como sorvetes com pedaços de bacon crocante.
Bolinho de feijoada recheado com bacon e geleia agridoce de bacon
Ingredientes
- 500 g de carnes de feijoada;
- 2 colheres (sopa) de óleo;
- 1 cebola;
- 1 cabeça de alho;
- 2 folhas de louro;
- 500 g de feijão-preto;
- Água fervente;
- ½ xícara de farinha de mandioca;
- 4 colheres (sopa) de folhas de salsa picadas.
Para o recheio
- 1 xícara de couve;
- 2 dentes de alho;
- ¼ xícara de bacon;
- Óleo.
Para empanar
- 1 xícara de farinha de trigo;
- 2 ovos batidos;
- 1 xícara de farinha de rosca.
Modo de fazer
Lave em água corrente as carnes da feijoada. Em uma tigela, deixe os ingredientes, com exceção da calabresa e do bacon, de molho na água por 12 horas. Escorra e reserve.
Em uma panela de pressão, aqueça o óleo em fogo médio e frite as carnes até começarem a dourar. Pique a cebola, adicione à panela e refogue por três minutos. Amasse a cabeça de alho e adicione à panela, refogando por mais 1 minuto.
Adicione o louro, o feijão, a água fervendo (sem ultrapassar o limite da panela), o sal e a pimenta-do-reino. Feche a panela e, após pegar pressão, diminua o fogo para o mínimo e conte 25 minutos. Desligue o fogo, deixe a pressão sair naturalmente e reserve.
Para o recheio
Pique o bacon em cubinhos pequenos. Aqueça uma frigideira antiaderente em fogo médio e frite o bacon até começar a dourar.
Pique o alho, junte ao bacon e refogue por mais 1 minuto. Fatie a couve bem fininha e adicione à frigideira, acerte o sal e refogue até a couve começar a murchar. Desligue o fogo e espere esfriar por completo.
Montagem
Bata a feijoada feita, dispensando o pé, no liquidificador até formar um creme homogêneo. Transfira para uma panela, junte a farinha de mandioca, mexa bem com um batedor de arame e cozinhe em fogo baixo até engrossar. Desligue o fogo, junte a salsa e espere esfriar por completo.
Faça bolinhas com a massa de feijoada. Com o dedão, faça uma concavidade, recheie com uma parte de couve e uma parte de bacon picado e já frito. Boleie os bolinhos e reserve.
Aqueça óleo suficiente para fritar os bolinhos em imersão em fogo médio. Passe os bolinhos na farinha de trigo, no ovo batido e, por último, na farinha de rosca. Frite em imersão no óleo preaquecido e escorra em papel toalha. Sirva com pimenta.
Geleia agridoce com bacon
Ingredientes
- 1 xícara de cebola picada;
- 340 g de bacon;
- ¼ xícara de rum;
- 2 dentes de alho picado;
- ½ colher (chá) de gengibre em pó;
- 2 colheres (sopa) de açúcar mascavo;
- 2 colheres (sopa) de mel;
- 1 colher (chá) de páprica picante;
- 2 colheres (sopa) de vinagre;
- 150 g de goiabada cremosa.
Modo de Preparo
Em uma frigideira, frite o bacon até que esteja bem dourado. Em seguida, transfira-o para um prato com papel-toalha para absorver o óleo.
Por 5 minutos, refogue o alho e a cebola no mesmo óleo utilizado para fritar o bacon.
Acrescente gengibre em pó e páprica e deixe cozinhar por 1 minuto. Então, coloque os outros ingredientes (com exceção do bacon) e ferva.
Insira o bacon e, em fogo baixo, cozinhe até que o líquido se transforme em uma calda.
Despeje a mistura em um processador e bata até atingir a consistência desejada.


Foto: Divulgação/Sesc
Dra. Maria Auxiliadora Budib - Foto: Studio Vollkopf
Marcella Zorzo - Foto: Arquivo pessoal



