Entre os dias 24 de julho e 1º de agosto acontece a quarta edição do Bonito CineSur – Festival de Cinema Sul-Americano, reunindo uma programação que aposta em diversidade cultural, formação profissional, preservação da memória e discussões sobre temas sociais, ambientais e políticos.
A edição deste ano contará com pré-estreias nacionais, mostras competitivas, sessões especiais, debates, oficinas, palestras, programação voltada ao público infantojuvenil e a presença de artistas, cineastas e pesquisadores reconhecidos internacionalmente.
Entre os convidados estão Paulina García, Vincent Carelli, Bruno Gagliasso, João Moreira Salles, Louise Botkay, Aurélio Michiles, Paulo Betti e Reynaldo Gianecchini.
O festival exibirá dezenas de produções representando praticamente todos os países da América do Sul, reforçando sua proposta de aproximar o público brasileiro da produção cinematográfica do continente.
ABERTURA
A abertura oficial do Bonito CineSur acontece no dia 24, às 19h30min, no Auditório Kadiwéu, localizado no Centro de Convenções de Bonito.
Abertura do Festival será apresentada pelo ator Reynaldo Gianecchini - Foto: DivulgaçãoA cerimônia será apresentada pelo ator Reynaldo Gianecchini, um dos nomes mais conhecidos da televisão e do cinema brasileiros, que conduzirá a noite de estreia do festival.
Na sequência será exibido “Querido Trópico”, longa-metragem dirigido pela cineasta panamenha Ana Endara.
Coproduzido por Panamá e Colômbia, o filme acompanha a relação De Mercedes, uma mulher rica que enfrenta a demência, e Ana María, uma imigrante colombiana contratada para cuidar dela.
A narrativa aborda temas como envelhecimento, imigração, afetividade e desigualdade social.
HOMENAGEM
A atriz chilena Paulina García receberá a principal homenagem do festival.
Reconhecida internacionalmente, ela construiu uma carreira marcada por interpretações intensas e personagens femininas complexas, tanto no cinema quanto no teatro e na televisão.
Entre seus trabalhos mais conhecidos estão os filmes “Gloria”, que lhe rendeu o Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim, “A Noiva do Deserto” e participações em produções internacionais, como “Narcos”.
Além de atriz, Paulina também atua como diretora teatral e dramaturga, consolidando-se como uma das artistas mais importantes do cinema latino-americano contemporâneo.
PRÉ-ESTREIA NACIONAL
Um dos momentos mais aguardados da programação será a pré-estreia nacional de “Honestino”, marcada para o dia 25, às 20h, no Auditório Kadiwéu.
O longa será apresentado pelo diretor Aurélio Michiles e pelo ator Bruno Gagliasso.
A produção reconstitui a trajetória de Honestino Guimarães, líder estudantil, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e símbolo da resistência à ditadura militar brasileira.
Perseguido pelos órgãos de repressão, Honestino foi sequestrado e desapareceu em 1973, tornando-se um dos principais nomes da luta pela democracia no País.
AULA MAGNA
Outro destaque da programação é a presença do documentarista João Moreira Salles, considerado um dos maiores nomes do documentário brasileiro.
Ele participa da sessão especial do documentário “Minha Terra Estrangeira”, realizado em parceria com o coletivo Lakapoy e dirigido ao lado de Louise Botkay.
O filme acompanha o líder indígena Almir Suruí e sua filha Txai durante o período que antecedeu as eleições presidenciais de 2022, abordando os impactos da disputa política sobre os povos indígenas e a Amazônia.
Além da exibição, João Moreira Salles ministrará a aula magna O Problema do Documentário, no dia 29, às 14h30min, na Sala Glauce Rocha.
A atividade integra o eixo formativo do festival e promete reunir estudantes, realizadores e pesquisadores interessados na linguagem documental.
TROFÉU PANTANAL
A programação também presta homenagem ao cineasta e indigenista Vincent Carelli, que receberá o Troféu Pantanal pelo conjunto de sua trajetória cinematográfica.
Criador do histórico projeto Vídeo nas Aldeias, Carelli se tornou referência na produção audiovisual indígena no Brasil, ao incentivar que diferentes povos registrassem suas próprias histórias e culturas.
Além da homenagem, ele participa de uma charla cinematográfica sobre os 40 anos do projeto Vídeo nas Aldeias.
O público também poderá assistir ao documentário “Martírio”, considerado uma das obras mais importantes sobre os conflitos envolvendo os povos guarani-kaiowá em Mato Grosso do Sul.
ENCERRAMENTO
O encerramento do Bonito CineSur acontece no dia 1º de agosto e será conduzido pelo ator, diretor e roteirista Paulo Betti, artista com mais de cinco décadas dedicadas ao teatro, televisão e cinema.
Antes da cerimônia final, Betti participa da charla Interpretação para Cinema e TV, marcada para o dia 31, às 14h30min, também na Sala Glauce Rocha.
A conversa integra o conjunto de atividades voltadas à formação artística promovido pelo festival.
SESSÕES
Além das competições, o Bonito CineSur preparou uma seleção de sessões especiais que percorrem diferentes momentos da história do cinema latino-americano.
Entre os destaques está “A História Oficial”, clássico argentino vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional.
Também será exibido “Aldeia de Nalike”, documentário histórico dirigido por Claude Lévi-Strauss e Dina Lévi-Strauss, dentro da Sessão Memória Bonito CineSur.
A programação especial ainda inclui: “Martírio”, de Vincent Carelli; “Do Sul, A Vingança”, de Fábio Flecha; “Jackson – Na Batida do Pandeiro”, de Marcus Vilar e Cacá Teixeira; “Minha Terra Estrangeira”; e “Honestino”.
MOSTRAS COMPETITIVAS
O festival contará com 32 filmes, distribuídos entre diferentes mostras competitivas.
Disputam a Mostra Competitiva de Longa-Metragem Sul-Americano produções de Brasil, Argentina, Peru, Paraguai, Venezuela, Colômbia e França.
Entre elas estão: “A Vida de Cada Um”; “El Hombre de la Luz”; “Hijo Mayor”; “La Noche Está Marchándose Ya”; “Naira”; e “¿Quién Mató a Narciso?”
Já a Mostra Competitiva de Curta-Metragem Sul-Americano apresenta histórias que abordam juventude, identidade, memória, migração, violência política e relações familiares.
MEIO AMBIENTE
O Bonito CineSur mantém uma forte ligação entre cinema e questões ambientais. Por isso, duas mostras exclusivas serão dedicadas a produções que discutem mudanças climáticas, preservação ambiental, povos tradicionais, recursos hídricos e conflitos territoriais.
Na competição de longas ambientais estão: “Agua Invadida”; “El Camino del Agua”; “Mundurukuyü – A Floresta das Mulheres-Peixe”; “Páramos II El Origen”; “Propiedad Privada Prohibido Pasar”; e “Um Olhar Inquieto: O Cinema de Jorge Bodanzky”.
Já os curtas abordam temas como enchentes no Rio Grande do Sul, justiça climática, contaminação da água, memória radioativa e espécies invasoras.
CINEMA REGIONAL
O festival também fortalece a produção audiovisual regional por meio da Mostra Competitiva Sul-Mato-Grossense.
Foram selecionados oito filmes produzidos no estado: “Ao Sul do Sol”; “Filhos do Litoral Central”; “Fronteiriças”; “Higa Ke – Olho por Olho”; “Mapago”; “Natasha”; “Quatro Luas Pantaneiras”; e “Vípuxovuko – Aldeia”.
FORMAÇÃO
Além de ser um espaço para exibição de filmes, o Bonito CineSur também investe na formação de novos profissionais do audiovisual.
Durante os nove dias de evento serão realizadas oficinas sobre: realização de documentários; roteiro; desenvolvimento de projetos audiovisuais; mercado audiovisual; direção de fotografia; e animação para crianças.
Após a gestão de Nelly Bacha, Lúdio Coelho assumiu a prefeitura da Capital, em maio de 1988 - Foto: Arquivo/Correio do Estado

