A capital estadual da arte rupestre está pronta para receber turistas com mais segurança. No dia 10, foram inauguradas as novas instalações de infraestrutura turística de dois atrativos de Alcinópolis, no Monumento Natural Serra do Bom Jardim e no Parque Natural Municipal Templo dos Pilares.
Foram revitalizadas passarelas de madeira, instalada uma escadaria que dá acesso à Gruta Bonita e colocados pórticos na entrada da trilha da Gruta Bonita, da trilha do Pôr do Sol e da trilha Pata da Onça.
Está sendo construído também um portal na entrada da Serra do Bom Jardim, que ainda não está finalizado.
O objetivo é garantir que a visitação de turistas, pesquisadores e grupos escolares seja feita em segurança, preservando o ambiente natural e garantindo a conservação dos sítios arqueológicos existentes nesses locais, que datam quase 11 mil anos.
Bruna Barbosa, secretária de Produção, Desenvolvimento e Turismo, conta que os recursos aplicados na revitalização da infraestrutura turística são oriundos do ICMS Ecológico, do qual o município é o maior beneficiado de todo Mato Grosso do Sul, por garantir a gestão ambiental de forma exemplar.
“Desde a criação do ICMS Ecológico no Estado, Alcinópolis sempre esteve entre os três municípios melhores classificados. Isso se deve à proporção da extensão territorial do município com o tamanho das áreas protegidas, que totalizam mais de 36 mil hectares, sendo três unidades de conservação municipais e uma estadual [Parque Estadual das Nascentes do Taquari]”, explica a secretária.
“Além disso, há uma soma de fatores que formam o quociente de cálculo do repasse do imposto que nos coloca nessa posição de destaque, como planos de manejo das áreas protegidas, boa gestão de resíduos sólidos, coleta seletiva, ações de educação ambiental, programa de recuperação de bacias hidrográficas, entre outros”, afirma Bruna.
Neste ano, o município recebeu pouco mais de R$ 11 milhões, dos quais, de acordo com lei municipal, 10% são remetidos ao Fundo Municipal de Meio Ambiente e de Turismo. “O restante é destinado às obras, à saúde, entre outras necessidades da administração municipal”, finaliza Bruna.
Segundo ela, outras melhorias para as unidades de conservação estão previstas, como a construção de estruturas como casas para guarda-parques e alojamentos para pesquisadores.
Para segurança dos visitantes e pela proteção do ambiente, as visitações só são possíveis com guias de turismo credenciados e capacitados para a localidade.
Quem tiver interesse em conhecer os atrativos de Alcinópolis deve entrar em contato com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Agricultura, Pecuária, Turismo e Meio Ambiente pelo telefone (67) 3260-1739.
Região pode ter sofrido crise climática há milênios
Pesquisas científicas revelam que a região pode ter sofrido crise climática há milênios.
As áreas protegidas de Alcinópolis garantem a conservação de sítios arqueológicos datados em quase 11 mil anos, os quais fascinam turistas e pesquisadores de Arqueologia, como o Templo dos Pilares, que é considerado o mais emblemático sítio de arte rupestre do Estado por vários arqueólogos.
Trata-se de um abrigo natural sob rochas, com monumentais colunas naturais de arenito, com cerca de oito metros de altura, que parecem construídas a mão. A área coberta do abrigo estende-se por mais de 20 metros em terreno levemente inclinado e alguns metros de profundidade.
Sobre a superfície, alguns blocos de arenito, de diferentes tamanhos, formam painéis de inscrições rupestres com gravuras em baixo-relevo e pinturas. São milhares de grafismos que sugerem traços de animais e humanos, entre outras formas abstratas curiosas.
O lugar foi descoberto há cerca de 20 anos por arqueólogos da Unisinos (RS) e, desde então, pesquisadores da UFMS e da UFGD desenvolveram projetos científicos.
O local foi declarado patrimônio cultural brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e transformado em área protegida de âmbito municipal em 2003. Foram realizadas duas escavações científicas no local: uma em 2016 e outra dois anos depois.
Rodrigo Simas Aguiar, pesquisador da UFGD que liderou as escavações, relata que características geológicas e ocupacionais tornam o Templo dos Pilares o sítio arqueológico mais emblemático de Mato Grosso do Sul.
“O local teve dois períodos de ocupação muito bem definidos. Foi primeiramente frequentado por povos caçadores e coletores, pré-ceramistas, que se estabeleceram na região entre 11 mil e 8 mil anos atrás. Depois houve um hiato temporal, que pode ter sido causado por um longo período de seca extrema, e, entã,o milênios depois, já por volta de 5 mil a 3 mil anos atrás, os primeiros povos ceramistas ocuparam o espaço em grande quantidade, utilizando-o provavelmente como local de cerimônias”, explica Simas.
Uma grande quantidade de cinzas e carvões, com presença de fragmentos de ossos de animais muito deteriorados, foi encontrada, revelando que o local era utilizado para alimentação e que a caça era uma atividade muito praticada. Foram descobertos também fragmentos de ossos de uma mulher da época.
Segundo Simas, essas descobertas são preciosas para a arqueologia de Mato Grosso do Sul.
Ele destaca que há necessidade de uma terceira frente de trabalhos no local, mas que depende de maior aporte financeiro, já que as análises de laboratórios são de altíssimo valor, justamente os processos que podem revelar a datação mais precisa dos materiais apurados.
36 mil ha é o tamanho da área de proteção
Ao todo, o município de Alcinópolis tem 36 mil hectares de área protegida.
11 mil anos é a idade dos sítios arqueológicos
Os sítios arqueológicos localizados em Alcinópolis têm até 11 mil anos.



Vilões: refrigerantes, biscoitos recheados e bolos com recheio e cobertura possuem baixo teor nutritivo e aumentam a irritabilidade - Foto: Reprodução


Kiki Pinheiro e Helô Pinheiro

