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Cineasta Roberto Leite realizou curta-metragem sem orçamento e ganhou 32 prêmios

Confira a entrevista com o cineasta Roberto Leite, cearense radicado em Mato Grosso do Sul que realizou sem orçamento o curta-metragem "O Formoso", ganhador de 32 prêmios em 11 países

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Do que trata o filme?

O filme aborda uma prática que é proibida no Brasil: a rinha de galo. É proibido em todo o território nacional realizar ou promover brigas de galo ou quaisquer outras lutas entre animais da mesma espécie ou espécie diferentes. 

Por meio de pesquisas realizadas à época, descobrimos que a prática é mais comum do que se imagina no Brasil. Mato Grosso do Sul, por exemplo, tem um alto índice de apreensões de galos de rinha.

Sensibilizado pelo tema, tive o apoio da cineasta Luciana Bitencourt para escrever o roteiro. Logo vieram os desafios das descobertas que envolvem essa violência praticada com os galos e todo o “negócio” que gira em torno das rinhas, como o tráfico de drogas e os jogos de apostas. Além de mostrar a prática criminosa, o filme fala da pureza de uma criança que não medirá esforços para salvar o animal.
 
Qual a principal motivação para produzi-lo?

Queríamos denunciar a existência das rinhas de galo. Em apenas um ano, foram apreendidos mais de 500 animais em Campo Grande. Depois, falar sobre tudo o que envolve na periferia esse tipo de prática.

Queria contar uma história dessas pessoas que vivem à margem da sociedade mesmo, falar dos seus percalços de vida. Escolhi esse tema porque eu vim da periferia e cresci vendo jogos de azar. Nunca tive contato com rinhas, nunca apostei, mas eu sabia desde de criança que existiam essas brigas.

Quando decidi produzir o filme, queria mostrar que isso acontece até hoje da mesma forma de quando eu era criança. Ou seja, sensibilizar para que seja denunciado.

Só assim conseguiremos chegar a algum lugar, pois a prática incentiva não só a violência entre os animais, mas também faz com que as crianças que crescem em torno de rinhas também entendam que aquela prática é permissiva.

O que espera do público?

Que se sensibilize. Que consiga entender, por meio do olhar de uma criança, que o mundo não deveria ter tal prática. O mundo de apostas prejudica as famílias, e ali mostramos a mãe trabalhadora e o pai apostando na rinha. Durante todas as exibições pelos festivais, observamos que o público se sensibilizou muito com a trama.

Quando decidiu realizar o curta?

Decidi fazer um filme com o olhar para periferia em 2019. Posteriormente, começamos as filmagens, mas só consegui finalizar a pós-produção no ano passado.

Como foi o processo de criação?

No roteiro, o desafio foi sintetizar um tema complexo em 15 minutos, que é o tempo padrão aceito nos festivais. Depois disso, foi trabalhar os signos para oferecer um bom papel aos atores.

O ator Espedito Di Montebranco, que interpreta o personagem Zé Galo, trouxe sua experiência aqui em MS com mais de 30 projetos em sua carreira. Já o ator mirim [Daniel Leite], que é meu sobrinho, foi escolhido por mim e pela Luciana Bittencourt, a qual também fez a preparação de elenco com ele, pois nunca havia atuado, mas que conseguiu levar prêmios de Melhor Ator em alguns festivais. O filme contou com outros atores locais, como Andrea Freire e Tero Queiroz.

Na direção de arte e produção, eu e a Caroline Merlo trabalhamos em conjunto na construção dos cenários, sempre tendo o apoio de toda a equipe por ser um projeto colaborativo.

A Caroline foi responsável por fazer acontecer toda essa produção. Com sua sensibilidade, conseguiu dar ao projeto cenários realistas que fizeram toda diferença nas filmagens. Ainda mais o cuidado com os animais envolvidos, que foram resgatados de rinhas.

Qual o orçamento e como viabilizou os recursos?

O projeto é independente, feito com recursos próprios e com o apoio da equipe, que não cobrou cachê e aceitou o desafio. O projeto, em média, custa R$ 80 mil. Contei apenas com R$ 11 mil vindos à Lei Aldir Blanc, que foram utilizados na fase de pós-produção.

O que diria de tanta repercussão?

Das minhas produções, essa foi mais longe. O filme alcançou a marca de 54 festivais e 32 prêmios, em 11 países. Lancei no Brasil em 2021, no Festival de Dourados, onde ganhamos dois prêmios, e depois foi lançado nos Estados Unidos, onde também ganhamos o prêmio de Melhor Filme.

No último festival [Festival Internacional de Cinema Off Cine, em abril, na cidade de Varginha, MG], por exemplo, foram 1.400 inscritos, sendo 12 finalistas. Nosso filme concorreu com produções de São Paulo e outros estados brasileiros. “O Formoso” trouxe para Mato Grosso do Sul os três principais prêmios: Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator.
 
Muito surpreso com os prêmios?

Para ser sincero, com toda a dificuldade que tivemos até conseguir lançar o filme, quando começamos a receber prêmios de todos os lugares, foi uma sensação de recompensa.

Fomos honrados a cada seleção e premiação. A equipe ficou muito feliz, e isso nos fez acreditar mais ainda que, mesmo sem [tantos] incentivos públicos, vale a pena acreditar no cinema independente.

Os diretores e os curadores dos festivais internacionais começaram a indicar o filme entre si, solicitando que eu o mandasse para participar, ou seja, tive a honra de curadores de festivais renomados estarem indicando meu filme para outros países também.

Quando chegamos no continente europeu, logo atingimos as principais capitais, como Paris, Madri, Londres, Roma, entre outras, e fomos surpreendidos com cada prêmio vindo desses grandes centros.

O que achou do resultado do filme?

Penso que devemos acreditar naquilo que idealizamos. Antes de tudo, a maior motivação está em nós. Criar e pensar que pode não dar em nada é natural.

Penso também que seja normal a gente duvidar em algum momento. Porém, produzir aquilo que te move ou que te sensibilize, como foi “O Formoso”, nos deixa mais confiantes, talvez mais seguros. Então, a surpresa que foi o alcance do filme traz esse ensinamento.

Quais os próximos projetos?

Estamos em fase de produção de dois curtas-metragens e dois longas, captando recursos de editais para iniciá-los. Ainda não podemos detalhar, mas vem coisa boa por aí.

Você estudou audiovisual?

Sou formado em Rádio e TV e pós-graduado em Publicidade pela Universidade Católica Dom Bosco [UCDB]. E tenho mestrado pela Fundação Universitária Iberoamericana [Funiber].

Diálogo

Quem sonhava com caviar para bancar a campanha talvez tenha de rever o... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta sexta-feira (10)

11/09/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Hannah Arendt - Politica Alemã

"Em nome de interesses pessoais, muitos abdicam do pensamento crítico, engolem abusos e sorriem para quem desprezam. Abdicar de pensar também é crime”.

FELPUDA

Quem sonhava com caviar para bancar a campanha talvez tenha de rever o cardápio. Em MS, a expectativa por mesa farta de recursos não se confirmou. Eles seguem decisão de distribuição interna e prestação de contas definidas pela Justiça Eleitoral. O total soma bilhões em todo o país, mas a divisão entre partidos e candidaturas obedece a critérios específicos. E como verba não cai do céu, o banquete imaginado poderá virar sopinha rala. Afinal, entre o cardápio prometido e o servido, existe um fator chamado prioridade.E salve-se quem puder!

Diálogo

Improbidade

O STJ reverteu decisão do TJMS e determinou o prosseguimento da ação de improbidade contra o prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro. A ação, movida pelo MPMS, apura suposta promoção pessoal com uso de recursos públicos em eventos festivos do município. 

Mais

Segundo o Ministério Público, os gastos teriam alcançado cerca de R$ 3 milhões durante a gestão. O STJ entendeu que a apuração das responsabilidades deve prosseguir e que eventual dolo tem que ser analisado na fase de instrução do processo.

Diálogo Ana Cristina e Jary Castro - Foto: Arquivo Pessoal

 

Diálogo Carlos Alberto Peratelli e sua estimada Lili, que hoje completa 10 anos - Foto: Arquivo Pessoal

Carente

Na avaliação de algumas lideranças políticas, a campanha de 2026 está entre as mais carentes de propostas dos últimos tempos. Em vez de apresentar ideias capazes de conquistar o eleitor, o que se vê é o denuncismo ocupando cada vez mais espaço. O confronto político, dizem, vem prevalecendo sobre a discussão de projetos. Ao eleitor, resta esperar que apareçam propostas antes de chegar a hora de votar. Sei não.

Mesma língua

A crise que envolve o STF teve curioso efeito de colocar deputados de esquerda, direita e centro falando praticamente a mesma língua na Assembleia Legislativa de MS. O petista Pedro Kemp levou o assunto à tribuna e defendeu providências contra ministros e políticos envolvidos no escândalo do Banco Master. A manifestação recebeu apoio dos colegas Coronel David (PL), Junior Mochi (MDB) e Rinaldo Modesto (União Brasil). Pelo menos nesse episódio, ideologias foram momentaneamente deixadas de lado.

Disputa

Nos meios políticos, a avaliação é de que as duas deputadas estaduais que disputam a reeleição poderão enfrentar dificuldades para alcançar novamente seus mandatos. Ambas possuem base eleitoral em Dourados, justamente onde estaria ocorrendo congestionamento de candidaturas femininas. Todas chegam com pretensões sérias e disposição para brigar voto a voto. Nesse cenário, uma candidatura poderá acabar tirando espaço da outra.

ANIVERSARIANTES 

  • Dra. Catarina Maria Fagundes Magalhães,
  • Maria Clara Pontes Alvares,
  • Dra. Ellen Priscile Xandu Kaster Franco, 
  • Larissa Moraes Cantero Pereira, 
  • Patricia Jacob de Brito,
  • Argemiro Rodrigues Machado,
  • Catarina Yukiko Tsuge,
  • Jaime Carlos de Oliveira Filho,
  • Arnildo Ferre Irbe,
  • Marcelo Ferreira Miranda,
  • Nilson Neves Barbosa,
  • Rita Hildebrand Almeida,
  • Stelvia Gomes Moreno, 
  • Edson dos Santos Sales,    
  • Thietre Pires,
  • Thiago Sartori Dib, 
  • Mário Sérgio Vasquez Dorneles, 
  • Jacson Mateus Alba, 
  • João Bosco Homem de Carvalho Filho,
  • Julliane Suzzie Ramos de Lima, 
  • Joel Pizzini, 
  • Dr. Alfredo Alves Bobadilha,
  • Odilson Vitório,
  • Luana Rodrigues do Nascimento,
  • Marcio Irala de Lima,
  • Andréia Regis Guimarães,
  • Oscar Inácio Peixer,
  • Luiza Cantero Faria,
  • Pedro dos Santos Filho,
  • José Corrêa Filho,
  • Maria Auxiliadora Ferraz,
  • Dr. Antônio Silveira Leite,
  • Eliane Ferreira Kruki,
  • Narimã de Oliveira Costa,
  • Maria Neide Romero,
  • Adélia Sebastiana Simioli,
  • Maria Madalena Conte,
  • Wanda Girão Faria,
  • André Luiz Nacer de Souza,
  • Roberto da Costa,
  • Darci Umbelino Dias,
  • Sidney Carlos Leschine,
  • Maikon Barbosa, 
  • Dra. Norman Regina Brum Gomes, Yolanda Assunção Barboza, 
  • Luiz Carlos Ribeiro,
  • Valderez Oliveira,
  • Tânia Mara de Andrade,
  • Luciene Vaz Baltuilhe,
  • Marcelo de Araújo Schneider,
  • João Carlos Melli,
  • Vânia Vilalba Acosta,
  • Écio Mendes Garcia,
  • Giovani Nesello,
  • Tatiana de Oliveira,
  • Elza Salvador Albuquerque,
  • Déborah Freitas Soto,
  • Carolina Souza Meier,
  • Hudson Ferreira,
  • Geisa Francisca da Silva,
  • Ynara Santos, 
  • Danilo Rocha Silva,
  • José Avelino de Oliveira,
  • Delizete Maria Correa Alves,
  • Edy Fernando de Souza,     
  • Isabel Aparecida Fernandes Ribeiro,
  • Oscar Rocha, 
  • Ivan Gibim Lacerda, 
  • Fabíola Meldau Lemos,
  • João Fernando Villela,
  • Paulo Sérgio Franco do Amaral,
  • Roberto Dias Figueiredo,
  • Saul Girotto Júnior,
  • José Antonio Tozzi,
  • Adriane de Mello Nogueira Queder,
  • Hélio César de Mello,  
  • Josenir Pereira de Oliveira,      
  • Laura Aparecida Ferreira Vieira,
  • Ângela Maria Barbosa de Paula,
  • Henriqueta Garcia Ribeiro,
  • Antonia Aparecida de Souza,
  • Ila da Silva Fernandes,
  • Tayta Regina Drissen de Farias Reis,
  • Marcos Antonio Maganhotte Silva,
  • Olivia Tosta de Macedo Vianna,
  • Thaiz Paulino de Mattos,
  • Juliana Foscaches de Paula,
  • Anivaldo José da Silva,
  • José Edvaldo Bertolino dos Santos,
  • Renato Ferreira Morettini,
  • Solange Silva de Melo,
  • Ulisses Alberto Vessechia,
  • Luzineis Bernandes Arantes,
  • Marli de Fátima da Silva Gamarra,
  • Maria José Pereira Franca de Jesus,
  • Carlos Alberto Rodrigues Conessa,
  • Marilda Rolon do Vale,
  • Eliane Novaes Guimarães Mercadante,
  • Lúcio Ballerini,
  • Lyllian Aparecida Xavier Naglis 
  • de Lacerda,
  • Sônia Paixão Passos da Silva,
  • Dr. Emílio Morita Sakura, 
  • Katiuscia Estevam Perez,
  • Nelide do Carmo Cremasco 
  • Ostetto Oliveira,
  • Mariana de Moura França,
  • Simone Cristina Nervis.

Colaborou com Tatyane Gameiro

LITERATURA

Poetas de Corumbá celebram legado de Pedro de Medeiros e Lobivar de Matos

Poesias de autores e autoras residentes na Cidade Branca homenageiam dois nomes fundamentais da literatura sul-mato-grossense e mantêm viva a memória cultural de Corumbá

10/09/2026 09h00

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A poesia produzida em Corumbá atravessa gerações e encontra, na memória de dois de seus maiores nomes, inspiração para continuar sendo escrita.

Poetas e poetisas residentes na Cidade Branca se reúnem em uma homenagem a Pedro de Medeiros e Lobivar de Matos, autores que, mesmo após suas mortes, permanecem como referências fundamentais para a literatura sul-mato-grossense.

A iniciativa, organizada a partir do envio de poemas pelo escritor Eneo da Nóbrega, membro da União Brasileira de Escritores de Mato Grosso do Sul (UBE-MS) e da Associação Pantaneira de Escritores (Apec), celebra a trajetória e a contribuição dos dois beneméritos da cultura corumbaense.

De um lado, Pedro de Medeiros (1891-1943), jornalista, poeta e agitador cultural, autor de “Lenda Bororo”, um dos poemas mais emblemáticos sobre Corumbá.

De outro, Lobivar de Matos, precursor do Modernismo na região do antigo Mato Grosso e autor de “Sarobá”, obra marcada pelo olhar sobre as desigualdades sociais, o preconceito e a realidade das populações menos favorecidas.

A seguir, vozes contemporâneas dialogam com esse legado e reafirmam que a literatura construída às margens do Rio Paraguai continua viva, renovada por novos olhares e pela permanência daqueles que ajudaram a transformar Corumbá em território de poesia.

Pedro de Medeiros

Lenda Bororo

Pedro de Medeiros

Deus atirou no espaço um punhado de estrelas…
Uma chegou à terra. Outras tardam ainda.
A que desceu, por certo a mais luzente delas,
veio e se transformou numa cidade linda!

Desceu, porque do alto o Paraguai parece
neste ponto uma jóia: – escreve em prata um S
que a estrela imaginara um prendedor ideal
ligando à serrania o imenso pantanal.
E como a muita estrela o céu azul não baste,
caiu – como um brilhante, à procura do engaste!

E Corumbá surgiu, por sobre a terra branca,
na alegria sem par do gentil casário,
entre o verde dos montes, – no alto da barranca,
debruçada a sorrir para o espelho do rio…

Solitário

João Lima Ramos

Se hora me encontro solitário
Não por minha culpa
Mas, simplesmente por uma decisão tomada
Sem consultar os mais entendidos.
Se estou sofrendo, a ninguém culpo,
Mas por não ter analisado
As coisas e as pessoas que surgiram em meu caminho.
Você já pensou estar solitário no meio de tanta gente?
É assim que me sinto
Mas, não se preocupe
Todo nesta vida tem um
Começo e um fim.
Em meu caso não é nem será
Diferente.
Nunca me desesperei e 
Nem irei desesperar-me.
Por que os exemples de
Jesus em nossa vida é bem claro.
Após o sofrimento
Virá a alegria definitiva.
A esperança nunca deixou
De estar presente em minha vida.
Por que a solidão passa
O amor permanece.

Solidão

Mathilde Monaco

Tudo é frio e escuro,
Quando não há amor…
Procure, vai achar
Vague, mas ache…

Quem busca encontra.
Deixe de sofrer
Amar é lindo
Vai vagando e ache…

Amor faz crescer,
Traz alegria
Exalta o ser…

Não sofra mais.
Ame você mesmo
Ame a Deus.

Lobivar Matos

Sarobá

Lobivar Matos

Bairro de negros,
negros descalços, camisa riscada,
beiçolas caídas,
cabelo carapinhé;
negras carnudas rebolando as curvas,
bebendo cachaça,
negrinhos sugando as mamas murchas das negras, 
negrinhos correndo doidos dentro do mato,
chorando de fome.

Bairro de negros,
casinhas de lata,
água na bica pingando, escorrendo, fazendo lama;
roupa estendida na grama;
esteira suja no chão duro, socado;

lampião de querosene piscando no escuro;
negra abandonada na esteira tossindo
e batuque chiando no terreiro;
negra tuberculosa escarrando sangue,
afogando a tosse seca no eco de uma voz mole
que se arrasta a custo
pelo ar parado.

Bairro de negros,
mulatas sapateando, parindo sombras negras
negros gozando,
negros beijando,
negros apalpando carnes ríjas;
negros pulando e estalando os dedos
em requebros descontrolados;
vozes roucas gritando sambas malucos
e sons esquisitos agarrando
e se enroscando nos nervos dos negros.

Bairros de negros, 
chinfrim, bagunça
Sarobá.

O grito do cachorro louco

José Gomes Pereira

Todos os vizinhos diziam:
Cuidado com o Cachorro Louco
Ele é terrível, não é de confiança
Morde e depois avisa.

Mas um dia o Cachorro Louco gritou:
– Desenlouqueci, meus amigos
No passado um ser raivoso
Agora um cão bonzinho.

Ledo engano, pobre gente
Foram dando boas-vindas
Churrasquinho e um bom sambinha
Foi chegando até o prefeito.

De repente, estoura a crise
Doido à vista, sai da frente
Polvorosa, quem diria
Não sobrou uma alma viva.

Vento à beira mar

Gersoni Maria Cerqueira

É inverno brasileiro
onde o vento de outono,
permanece ainda através dos arvoredos.
As folhas pelas ruas passeiam,
visitam os quintais,
E no ar, se agitam tanto,
se tornando pipas naturais!
E à beira mar,
Também as folhas dos Chapéus-de-Sol,
caem, e começam a voar
em todas as direções dos pontos cardeais.
Pousam na areia…
Outras pousam nas águas,
e como barquinhos vão navegando
ao sabor das ondas!
É o vento atravessando os portais!
E que sempre me encanta!
Tem sabor de madrigais…
Que transporta, que balança.
Acaricia a pele.
Enrosca em meu cabelo.
Traz-me tanta lembrança…
De tantos risos!
De tantos ais!

Homenagem ao turista

Eneo de Nóbrega

Turista! Turista!
Que veio pro carnaval
Famoso do interior brasileiro.
Você que deixou sua terra natal
Prá prestigiar
A Capital do Pantanal.

Turista! Turista!
Os blocos, escolas de samba e cordões
Representam nosso povo
Verdadeiros foliões,
Que o carnaval consagrou
Com sua gente varonil
Ser um dos melhores do interior
Do Brasil!

Turista! Turista!
Caia na nossa dança
Obrigado
E volte sempre!

Oh infância boa de lembrar

Rosa Maria do Nascimento Silva

Oh infância boa de lembrar,
subir no pé de goiabeira
ficar à espreita
pra uma goiaba pegar.

Oh infância boa de lembrar,
subir o morro, durante as férias
com o papai, irmão e primos,
para roça capinar,
ou mesmo catar abóboras, 
melancias, ou maracujás.

Oh infância boa de lembrar, 
na subida do morro;
o paradeiro, buraco do soldado, mangueiral;
os nomes que criávamos pra esses lugares,
era muito original.

Oh infância boa de lembrar,
uma vez, ou outra
íamos com mamãe no Rio Paraguai
ficávamos na beira,
eu, as primas e irmãos
divertíamos de montão.

Oh infância boa de lembrar…

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