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Cinema B+: Suspense e medos no fim do mundo: Emma Corrin desvenda assassinatos misteriosos

Série da Star Plus também traz Alice Braga no elenco

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A carreira de Emma Corrin nem completou uma década e ela já tem um Emmy de Melhor Atriz, além de ser uma estrela internacional. Depois de uma impressionante – e premiada – Princesa Diana em The Crown - e ser Lady Chatterley, também na Netflix, ela lidera o elenco do suspense Assassinato no Fim do Mundo, onde é, como eles mesmos descrevem “a Sherlock Homes da Geração Z”.

Criado pela mesma dupla de The OA, Sound of My Voice e The East, Assassinato no Fim do Mundo une todos os elementos atuais de sucesso: tecnologia e suspense, numa linha moderna de Agatha Christie.

Originalmente batizada como Retreat, a série foi criada pela atriz e diretora, Brit Marling, que também está no elenco, e Zal Batmanlij. Acompanhamos quando a ansiosa Darby Hart (Emma Corrin), uma hacker e detetive amadora, é convidada por um bilionário recluso, Andy Ronson (Clive Owen) para participar de um retiro em um local remoto e deslumbrante na Islândia.

Lá as oito cabeças mais originais do planeta devem se unir e encontrar as respostas para os problemas que ameaçam o planeta. Sim arrogante e ousado assim mesmo.  Para Darby há uma atração a mais para a viagem: ela é fã da esposa de Andy, uma antiga hacker aposentada (isso existe?) Lee (Brit Marling) e está louca para conhecer seu ídolo.

O que não contava era esbarrar com um ex-namorado, Bill (Harris Dickinson), seu parceiro de investigações de crimes e que a deixou sem menor aviso no meio de uma dessas viagens. Hoje um artista plástico conhecido mundialmente como FANGS, Bill tenta avisar à Darby sobre um segredo, mas é morto na sua frente, sem nenhuma explicação aparente. Oficialmente classificada como overdose, a morte de Bill transtorna Darby, que decide provar que foi um assassinato e descobrir o que está acontecendo, além de tentar impedir novas mortes.

Série da Star Plus também traz Alice Braga no elenco - Foto: Divulgação

Os primeiros episódios prometiam mais do que entregam: há atmosfera sufocante do ambiente isolado, citações de O Iluminado de Stanley Kubrick, para citar apenas um dos filmes nos quais tentam se espelhar.

A construção do suspense inicialmente é efetiva e complexa, mas meio que fica cafona com rapidez no terceiro episódio onde todos os medos e questões de tecnologia, de Inteligência Artificial à controle de dados, são jogados em meio ao suspense.  Ainda assim, Darby Hart é uma personagem interessante.

Criada pelo pai viúvo e médico legista, ela o acompanhava nas cenas de crime e desde cedo desenvolveu um olhar para detalhes, curiosa e sempre decifrando mistérios. Como diz em uma cena, o assassinato atual é a sua “57ª cena de crime”, ou seja, seu raciocínio lógico é essencial para ser efetivamente uma “Poirot jovem”, ainda mais do que um Sherlock Holmes.

Até porque, como todos da sua geração, a Internet e a Tecnologia são usadas a seu favor para decifrar os crimes e como hacker, ela tem uma facilidade ainda maior de acessar informações sigilosas.  Mas o grande segredo é mesmo o talento de Emma Corrin, que consegue navegar sobre as diferentes épocas (a narração não é linear) e momentos da série, com um carisma absolutamente inegável.

Alice Braga - Divulgação

Para os brasileiros há a curiosidade da presença de Alice Braga no elenco, e sim, eu aposto as minhas fichas nela como uma das maiores suspeitas no retiro de mentes brilhantes. Sua personagem, uma astronauta brasileira de dupla cidadania que é inovadora no campo de robótica, é muito próxima de Andy e sempre convenientemente por perto quando as mortes acontecem.

Aviso que isso é apenas um palpite, não é um spoiler! E posso estar errada porque Assassinato no Fim do Mundo tem sido eficaz em viradas surpreendentes. Uma pena que abraçou tantos assuntos ao mesmo tempo. Por hora, é para confirmar que o estrelato de Emma Corrin não é nada injustificado e ela já carrega sozinha uma série, e nos dando a melhor razão para acompanhar a série.

luto

Atriz Glória Menezes morre aos 91 anos

Atriz se consagrou como um dos grandes nomes da TV brasileira e teve parceria marcante com o marido, Tarcísio Meira

18/08/2026 16h05

Glória Menezes morreu nesta quarta-feira

Glória Menezes morreu nesta quarta-feira Foto: Divulgação / TV Globo

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Glória Menezes, uma das grandes estrelas da teledramaturgia brasileira, morreu nesta terça-feira, 18, aos 91 anos.

Nascida em 1934, na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, Gloria mudou-se para São Paulo ainda criança, e cursou a Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo. Nesse período, montou o grupo de teatro amador Jovens Independentes. Os projetos da companhia tomaram tempo da atriz que deixou a faculdade.

Em seu primeiro espetáculo, em 1959, venceu o prêmio de atriz revelação em um festival de teatro amador promovido pelo diretor Antunes Filho. Na televisão estreou em 1959, em Um Lugar ao Sol, e em 1962, no filme O Pagador de Promessas. O filme foi apresentado no Festival de Cannes, e ganhou a Palma de Ouro. Até hoje o primeiro filme brasileiro e sul-americano a vencer o prêmio.

Um ano depois protagonizou ao lado de Tarcísio Meira, com quem ia começar a namorar e se casar, a primeira novela diária da televisão brasileira, 2-5499 Ocupado, na TV Excelsior. Na mesma emissora, estrearam juntos A Deusa Vencida (1965) e Almas de Pedra (1966). Um ano depois foram para a Globo e o casal conquistou o sucesso em novelas como Sangue e Areia (1967), de Janete Clair, Rosa Rebelde (1969), mas também estrelaram produções separadamente como Passos dos Ventos, em que a atriz fez par romântico com Carlos Alberto, enquanto Meira atuava em A Gata de Vison, ao lado de Yoná Magalhães.

Já em Irmãos Coragem, Gloria viveu a atormentada mulher com três personalidades: a extravagante Diana, a recatada Lara e a equilibrada Márcia. Nos anos 80, estrelou em Corpo a Corpo, e Brega e Chique, ao lado de Marília Pêra, com a participação do filho Tarcísio Filho. Também protagonizou Tarcísio & Glória no seriado criado por Daniel Filho Euclydes Marinho e Antonio Calmon.

Em Rainha da Sucata, nos anos 1990, viveu a grande vilã Laurinha Figueiroa, no papel da socialite falida que fez a inesquecível cena cometendo suicídio, ao pular de um prédio. De lá, seguiu para as novelas A Próxima Vítima, Torre de Babel, Beijo do Vampiro, Senhora do Destino, Páginas da Vida e A Favorita. Nos palcos, Gloria estrelou em Navalha na Carne (1981), de Plínio Marcos, e Jornada de um Poema, na qual viveu uma paciente terminal de câncer.

Dramaturgia em luto

Também nesta terça-feira, morreu aos 98 anos a atriz Laura Cardoso, um dos maiores nomes da dramaturgia brasileira. A morte foi anunciada em seu perfil oficial no Instagram.

A publicação que comunicou a morte homenageou a atriz e ressaltou a marca deixada por ela na cultura brasileira. "Nossa grande estrela se despediu de nós. Laura Cardoso estará para sempre em nossos corações. Obrigada por tudo, nossa amada e eterna Laura Cardoso", diz o texto. Informações sobre velório e sepultamento ainda não foram divulgadas.

A atriz começou a carreira aos 15 anos e acompanhou de perto a transformação da dramaturgia brasileira, desde os tempos do rádio até a consolidação da televisão. Ao lado de nomes como Lima Duarte, Yara Lins, Lolita Rodrigues e Vida Alves, ajudou a formar uma geração de artistas que fez a transição entre os dois meios.

Ao longo da carreira, Laura interpretou dezenas de personagens em novelas, séries, filmes e peças de teatro. Entre seus trabalhos estão Mulheres de Areia, A Viagem, Pão, Pão, Beijo, Beijo e Sol Nascente. Seu último trabalho em uma novela foi A Dona do Pedaço, em 2019.

Em 2023, aos 95 anos, a atriz ainda falava sobre o futuro profissional sem estabelecer uma despedida da televisão. "Gosto de estar com a minha gente. Em um estúdio, nada me cansa. Quero morrer trabalhando", disse em entrevista ao Estadão.

Laura era filha de portugueses e cresceu em uma família ligada às artes. O pai, comerciante e apreciador de teatro, não se opôs à escolha da filha pela profissão, mas a mãe resistiu inicialmente. Na década de 1940, segundo a atriz, havia forte preconceito contra mulheres que trabalhavam no teatro. Aos 15 anos, porém, Laura decidiu seguir o caminho que a acompanharia por mais de oito décadas.

crônica

De mala em mala

18/08/2026 09h15

Arquivo

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Lendo o artigo da colunista Becky Korich, descobri que sofro de PPV – Preguiça Pré-Viagem. Acho até que o meu caso nem é preguiça, é pânico. Não importa o lugar, nem a distância: o simples fato de ter que arrumar as malas — separar roupas (e o medo de faltar?), artigos de skincare, remédios (e são muitos, porque nunca se sabe…), adereços, sapatos… Ai, que preguiça.

Um dos meus filhos, acostumadíssimo a se deslocar de cidade e até de país por conta do trabalho, consegue arrumar uma mala em meia hora. Eu levo dois dias, no mínimo. E se chover? Se fizer frio? Mas e se estiver calor demais? E, nisto, dê-lhe acrescentar mais itens.

Mas pânico mesmo é o de sair do lugar. Deixar minha casa gostosa, com tudo de que preciso no lugar certo, a cama que me acolhe, minhas comidas preferidas na geladeira. Eu sei, é apego. E isto, vindo de alguém que adora viajar, é totalmente contraditório.

E, depois de quase tudo pronto, ainda vem mais dúvida: devo mesmo viajar? Não será melhor cancelar tudo (e arcar com o prejuízo) e ficar quietinha no meu sofá assistindo a séries? Aí vem outra voz, lá do fundo, que me diz: “Mas são as suas férias, você merece!”.

Mas férias também cansam, eu retruco. São muitas variáveis no trajeto, na estadia. Da última vez, passei cinco dias na cama de um hotel — gripada.

Quer saber? Nas três últimas também. Já fiquei de cama em um lindo Airbnb em Paris, com a tal da gripe. Na praia foi igual. Me divirto dois dias e o resto fico na horizontal, me perguntando o porquê de ter inventado mais uma viagem.

Talvez eu queira testar meus limites, desafiar meu conforto ou meu medo. Antes, quando as companhias aéreas não cobravam remarcações (bons tempos!), eu tinha o hábito de voltar antes, às vezes no meio da temporada.

Sou teimosa, só pode. Insisto em fazer tudo de novo, mesmo antevendo as situações. Mas a viagem agora é diferente, digo, tentando me convencer. Estarei com amigos, verei muitos filmes e vou comer muito chocolate. Tudo bem. Até eu saber que o tempo será frio de doer. A previsão é de zero grau.


Coloco mais um casaco na mala. Respiro fundo. Desta vez, tudo vai dar certo. Eu mereço.
 

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