Sinais como coceira, queda de pelo e alterações na pelagem dos pets, normalmente associados a fatores externos, podem ter origem na dieta. Assim como nos humanos, a qualidade da alimentação interfere diretamente no equilíbrio do organismo dos animais, com reflexos na saúde da pele e, por consequência, dos pelos.
A médica-veterinária Nathália Starek, CEO da Vidaá, primeira marca de skincare para animais do Brasil, reforça ao B+ que os tutores precisam ficar atentos a possíveis alterações.
“O primeiro sinal costuma ser a opacidade dos pelos, que ficam mais ressecados, sem brilho, porque os nutrientes não estão chegando adequadamente até a raiz. Quando a gente começa a ver no físico, é porque o organismo já está desregulado há algum tempo”, explica.
As variações na textura ou na cor dos fios costumam anteceder quadros mais evidentes, como falhas na pelagem ou queda excessiva.
Chamada de atopia, a condição é comum principalmente em cães e pode ser agravada por ingredientes mais alergênicos presentes em algumas rações ou até mesmo alimentos utilizados na alimentação natural.
Por isso, a escolha dos alimentos deve considerar não apenas o preço ou a aparência da embalagem, mas principalmente a composição nutricional, e, quando desenvolvida uma alimentação natural, sempre lembrar da necessidade do veterinário estipular a dieta mediante as necessidades de cada paciente.
“É um problema que vai muito além da estética. Às vezes, o tutor associa a coceira a uma questão ambiental ou de higiene, mas a alimentação também é um dos gatilhos que afetam o estado alérgico dos pets. Por isso, é essencial manter uma rotina diária de cuidado com a pele dos animais e, em qualquer sinal de alteração, consultar um médico-veterinário”, aponta Nathália.
Como escolher?
- Não existe uma regra para escolher entre alimentação natural e as rações comerciais: a definição de qual é ideal depende de uma avaliação individualizada do animal e também disponibilidade de cada tutor.
“Existe uma tendência de os tutores quererem preparar a alimentação por conta própria, mas isso pode gerar desequilíbrios importantes. A orientação profissional é essencial”, destaca.
- No caso das rações, opções com menor potencial alergênico e composição mais equilibrada tendem a ser mais indicadas.
Proteínas como peixe, por exemplo, costumam ser mais leves e melhor toleradas por animais com predisposição a alergias. Além disso, itens complementares podem auxiliar na reposição de nutrientes essenciais.
- Produtos que combinam ácidos graxos essenciais, como EPA e DHA, e ingredientes de origem natural, como própolis, chlorella e spirulina, são associados ao bem-estar geral dos animais. Seus benefícios incluem o suporte ao funcionamento intestinal e à adaptação a situações de estresse, fatores que, indiretamente, impactam a saúde dermatológica.
- Além deles, ingredientes com função prebiótica, como MOS e FOS, aliados a proteínas de alta digestibilidade e nutrientes como ômega-3, ômega-6, vitamina E e biotina, têm sido utilizados para melhorar a absorção de nutrientes.
“O foco não é excesso de suplementação, mas equilíbrio. Quando a dieta está ajustada, não há necessidade de sobrecarregar o organismo com nutrientes em excesso”, explica Nathália.
- Por fim, Nathália destaca a necessidade de uma abordagem integrada no cuidado com os pets, envolvendo alimentação, ambiente, fatores emocionais e produtos de higiene. “Tudo importa. Não existe uma única causa. É um sistema”, resume a médica-veterinária.
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Ana Cristina Martins e Luiz Orcírio Fialho de Oliveira - Foto: Studio Vollkopf
Priscilla Alves - Foto: Arquivo Pessoal

