Correio B

agenda cultural

Com histórico de blockbuster, Renato Aragão e "Nosso Lar 2" são destaques no cinema

Bloco do Reggae e Capivara Blasé fazem esquenta de Carnaval; no Palácio Popular da Cultural, tem "Rock Para Crianças" e o "stand-up raiz" de Diogo Portugal

Continue lendo...

Duas produções nacionais estão entre os destaques das estreias desta semana nos cinemas. E olha que também tem filme estrangeiro bom no pedaço. Os dois longas brasileiros que devem mobilizar um público expressivo são “Nosso Lar 2: Os Mensageiros”, com roteiro e direção de Wagner de Assis, e “Príncipe Lu e a Lenda do Dragão”, dirigido por Leandro Neri.

O novo “Nosso Lar” é a sequência do campeão de bilheteria de 2010, também assinado por Assis, que vendeu mais de quatro milhões de ingressos na temporada de lançamento ao levar para a telona a cidade astral do livro escrito pelo médium Chico Xavier (2010-2002), onde espíritos vão para aprender lições e aprofundar conhecimentos.

No enredo de “Os Mensageiros”, André Luiz (Renato Prieto) entra para um grupo de espíritos liderado por Aniceto (Edson Celulari) com a missão de ser mensageiro. Eles partem para a Terra para acompanhar uma missão que tem o risco de fracassar. O propósito é ligar o mundo espiritual e a Terra. 

Juntos, o grupo se dedica a cuidar de três pessoas que fazem parte dessa missão, sem saber que são os escolhidos. Otávio (Felipe de Carolis), um jovem médium que não vem cumprindo com sua missão, Isidoro (Mouhamed Harfouch), um líder de casa espírita, e Fernando (Rafael Sieg), um empresário.

Othon Bastos, Fábio Lago e Fernanda Rodrigues, entre outros nomes, também integram o elenco. Fernanda Rodrigues interpreta Isis, uma frequentadora do centro liderado por Isidoro que se envolve com o golpista Otávio. Classificação indicativa: 12 anos.

DRAGÃO DA MALDADE

O Dragão da Maldade está de volta aos cinemas. Mas a fera em questão não tem nada a ver com o clássico (“O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro”) do diretor Glauber Rocha (1939-1981) que encantou o mundo no fim dos anos 1960, cheio de engajamento, simbolismo e poesia. 

Em “Príncipe Lu e a Lenda do Dragão”, o chamariz é a presença no elenco de Renato Aragão ao lado de Luccas Neto. Aos 89 anos, completados em 13/1, Aragão eternizou-se como o Didi, do quarteto Os Trapalhões. Mas já fazia sucesso nos cinemas com o mesmo personagem antes do programa televisivo do quarteto, que estreou em 1977. 

O fato é que são mais de quarenta longas no currículo, vários deles recordistas de público, inclusive em um período dos anos 1970 em que o Brasil costumava ser mais robusto em seu próprio território na disputa de bilheteria com os EUA.

Além da carreira de êxito, conta muito o carisma de Renato Aragão e o talento de fazer rir, que magnetiza ainda hoje diferentes gerações.

Confira a sinopse de “Príncipe Lu e a Lenda do Dragão”: “O herdeiro de um reino encantado precisa combater um dragão para proteger todo mundo, mas ele prefere pregar peças na família e nos amigos. O Príncipe Lu deve assumir o trono no Reino de Lucebra quando fizer 18 anos.

Segundo a lenda, ele precisa combater o Dragão da Maldade e salvar o povo da Terra Média”. Zezé Motta, Anajú Dorigon, Maurício Mattar, Flávia Monteiro, Cassio Scapin e Tadeu Mello também estão no elenco. Classificação indicativa: 10 anos.

ESTRANGEIROS

O francês “Anatomia de Uma Queda”, da diretora Justine Triet, e o espanhol “O Refém – Atentado em Madri”, de Daniel Calparsoro, são duas opções bacanas entre os filmes internacionais. Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, o primeiro traz, no elenco, Sandra Hüller, Swann Arlaud e Milo Machado-Graner. 

Confira a sinopse: “Durante o último ano, Sandra, uma escritora alemã, e Samuel, seu marido francês, viveram juntos com Daniel, o filho de 11 anos do casal, em uma pequena e isolada cidade nos Alpes. Quando Samuel é encontrado morto, a polícia passa a tratar o caso como um suposto homicídio, e Sandra se torna a principal suspeita.” Classificação indicativa: 16 anos.

Em “O Refém”, um motorista de táxi (Luis Tosar) acaba sendo feito refém por um dos criminosos (Nourdin Batan) que sobrevive a um ataque terrorista, enquanto a investigadora Pilar Montero (Inma Cuesta) tenta, com a sua equipe, evitar que uma tragédia ainda maior aconteça em plena luz do dia no centro de Madri. Classificação indicativa: 14 anos.

ESQUENTAS

Já é Carnaval em Campo Grande. Pelo menos para os foliões mais fiéis e para os blocos e escolas de samba, que não perdem a chance de curtir esse período pré-carnavalesco para aquecer as turbinas da alegria e do ritmo na programação dos esquentas.

Amanhã (27), por exemplo, o bloco Capivara Blasé, que completa uma década em 2024, realiza o seu segundo esquenta. Será na Arena Sunset (Av. Três Barras, nº 1.145), a partir das 18h, com nada menos que cinco atrações: Chokito, Pagode do Tadeu, Angelique, Negabi e Silveira.

Os ingressos antecipados, a R$ 20 por pessoa, podem ser adquiridos pelo link. Para mesas ou espaço reservado, o contato é por telefone: (67) 99205-5255.

Na Plataforma Cultural (Esplanada Ferroviária), de graça, a partir das 15h de domingo, o Bloco do Reggae realiza o seu primeiro esquenta para o Carnaval 2024.

O Rockers Sound System e o Radiola Reggae MS estarão, pela primeira vez, com seus sistemas de som juntos a serviço dos pulinhos e do balanço de braços e de cabeças que caracterizam os passos do estilo jamaicano.

Seis “superscoopers”, as caixas de som que modulam e amplificam a estética sonora do reggae, como o dub, vão garantir potência às boas vibes que a festa promete. 

O espaço kids, pilotado pelas arte-educadoras Sheyla Canamaro e Boli Boli, já é uma tradição nos eventos da Associação Reggae MS, que está na organização do esquenta, e não vai faltar nesse primeiro esquenta do bloco. 

Haverá também campanha de doação de alimentos e brinquedos e feirinha de artesanato, além de estandes de comidas e bebidas, entre os quais Cervejaria Capivaras, Laricas Cultural e ArtVeg.

O bloco pede a contribuição voluntária via link: vakinha.com.br/vaquinha/ajuda-para-fazer-um-esquenta-bloco-reggae-2024.

Quem gosta de reggae tem local para curtir já amanhã, na terceira edição do Reggae na Vizú, a partir das 22h, com Louva Dub e Sandim & Banda mais a discotecagem de Caio Green e a performance Expodança Kosmos. Será na Vizú Galeria (Rua Vitório Zeolla, nº 76, Carandá Bosque), com ingressos antecipados pela plataforma Sympla a R$ 15 e drink dobrado até meia-noite.

diálogo

Foi dada a largada da campanha eleitoral nas redes sociais... Leia na coluna de hoje

Confira a coluna Diálogo desta segunda-feira (24)

24/08/2026 00h02

Continue Lendo...

François La Rochefoucald - escritor francês

"A verdadeira coragem está em fazermos
sem testemunha o que seríamos
capazes de fazer diante de todo mundo".

Felpuda

Foi dada a largada da campanha eleitoral nas redes sociais, que prometem ser o carro-chefe da propaganda,
e também nas ruas. Alguns candidatos estão irreconhecíveis nos "santinhos", como se tivessem descoberto
as fontes da "formosura" e da "juventude". Outros apostaram nos jingles, alguns de qualidade bastante duvidosa. Há ainda os que, para não correr riscos, preferiram a segurança da imagem estática, acompanhada de uma rápida biografia. É a campanha deste ano mostrando que, na política, vale quase tudo para chamar a atenção do eleitor. E, pelo jeito, criatividade não faltará...

Ponto

Na Assembleia Legislativa, a jornada dos servidores ganhou uma pitada de flexibilidade. Agora, a critério da chefia imediata, o horário poderá variar, desde que respeitada a jornada mínima prevista. A mudança promete
adaptar o expediente às necessidades de cada setor.

Mais

Ou quem sabe às necessidades de cada chefe. Afinal, ninguém conhece melhor a rotina da repartição do que quem manda nela. O novo formato também revoga um anexo do antigo ato que disciplinava a questão.
No papel, é modernização, nos corredores, campanha eleitoral.

Marcelo Alfredo Kroetz e Renata de Rezende Kroetz
Bruna Floriano

Abelhas

Nos meios políticos, já se comenta que boa parte dos candidatos de hoje pode estar apenas ensaiando os primeiros passos rumo à cadeira de prefeito da Capital em 2028. Afinal, 2027 será o ano de aquecimento
para uma eleição que promete movimentar o tabuleiro municipal.

No atual cenário, a prefeita Adriane ainda não teria um nome claramente competitivo para entrar no páreo.
E, sem um candidato forte, o Paço Municipal poderá se transformar numa espécie de pote de mel, atraindo políticos de A a Z.

Cobrança

O deputado José Teixeira levou à tribuna da Assembleia Legislativa de MS um problema que afeta diretamente quem depende da saúde pública: a dificuldade de conseguir vagas nos hospitais. Integrante da base aliada do governador, Teixeira fez questão de deixar clara sua posição. Disse que a crítica não significa
rompimento, mas a necessidade de buscar uma solução. Afinal, quando o problema envolve saúde,
a cobrança não deveria ter partido. E vaga hospitalar continua sendo urgência que não pode esperar. Só!

Palanque

Aproveitando o debate sobre a dificuldade de conseguir vagas nos hospitais, o deputado José Orcírio
fez um aparte. A manifestação, porém, foi recebida com certa ironia. Em conversas reservadas, alguns
colegas classificaram o comentário como um verdadeiro "óbvio ululante". Ou seja: nada que já não fosse de conhecimento de quem acompanha a realidade da saúde pública. Mas, na política, até alerta é usado como palanque por adversário. Principalmente em ano eleitoral.

ANIVERSARIANTES

  • Rosa Maria Pedrossian,
  • Dr. Marcelo de Castro Fortes,
  • Luzia Abes Bello,
  • Leonardo Arthur Marchini Veiga,
  • Paulina Severino de Souza Xavier,
  • Paulo Ezio Cuel,
  • Najla Mameri Faria,
  • Alberto Benedito da Silva,
  • Laércio Kiomido,
  • Ivone Nimer,
  • Antônio de Barros Filho,
  • Ovalto Rodrigues,
  • Dorival Fernandes,
  • Neize Borges dos Santos,
  • Tânia Cristina Moraes Gaviglia,
  • Atílio Hermann,
  • Eny Godoy Beltran,
  • Júlio Marcondes Netto,
  • Jorge Helito Mendes,
  • Maira Alves de Oliveira,
  • Irene Gonçalves da Cruz,
  • Lise Helena Muller Martins,
  • Alexandre Alves Corrêa,
  • Ari Paes Corrêa Junior,
  • Larissa Weiber de Oliveira,
  • Dra. Cristiane Gregori Mazzafera Iunes,
  • Graciett Ishy Cândia,
  • Jenifh de Souza Andrade,
  • Dr. Roberto Bezerra do Nascimento,
  • Alexandra Maria Favaro,
  • Lúcia Ferreira Falcão,
  • Stela Laura Teixeira Coelho Villalva,
  • Carlos Pinto de Almeida,
  • Luiz Tadeu Filartiga,
  • Cássia Sena de Azevedo,
  • Guttemberg de Castro Martins,
  • Valdevino da Silva Lima,
  • Andréa Quadros,
  • Enilda Gonçalves Duque,
  • Nélio Diniz,
  • Givanildo Eleu de Paula,
  • Janaina Oliveira Ribeiro,
  • Joel Vilas Boas Granges,
  • Tito Livio Canton,
  • Francismar Vidal de Arruda,
  • Dr. Gianfranco Gomes dos Santos,
  • Luiz Augusto de Moraes,
  • Daniel Marques Gomes Dias,
  • Gracia Maria Hosken Soares,
  • Clory Martinez Silva,
  • Cristina Rocha do Vale,
  • Marcelo Dutra Ferreira,
  • Antônio Mário da Silva,
  • Célia Maria Garcia,
  • Ana Maira Flôres,
  • Gisele Martins,
  • Maria Cristina dos Santos,
  • Neli Fontana Faria,
  • Helena Carlona Hitz,
  • Arlindo Fernando dos Santos Vale,
  • José Carlos de Souza Moreira,
  • Mara Lúcia do Nascimento,
  • Lia Monteiro,
  • Vera Lúcia Fernandes Xavier
  • Rossatti,
  • Kele Cristina Leite de Melo,
  • Oraci Maria Garcez,
  • Edna Gonçalves da Silva,
  • Marcelo Seiki Inamine,
  • Leonor Vieira de Azevedo,
  • Maria Helena Batista,
  • Ivone Saraiva,
  • Maria Beatriz Soares,
  • Élcio Manzano Gonçalves Moleiro,
  • Vicinio Vieira Jardim,
  • Ricardo Alexandre Ledesma Fonseca,
  • Juaribe Gonçalves Lanzarine,
  • Fernando Canedo da Silva,
  • Claudete de Sena Cabral,
  • Conceição dos Santos Leal,
  • Altair Pereira de Souza,
  • Isabel Cristina Nolasco Rodrigues,
  • Rosimeyre Alves Rodrigues,
  • Arnaldo Vicente Filho,
  • Cláudio Antônio Lima de Freitas,
  • Márcia Ferreira,
  • Ewangela Aparecida Pereira
  • da Cunha,
  • Jefferson Siqueira dos Santos,
  • José Francisco Sampaio Júnior,
  • Dra. Nely Nakao Iha,
  • Vanessa de Pina Lopes,
  • Karine Todeschini Vieira,
  • Joycelene Yamada,
  • Mônica Macedo das Neves,
  • Jayme Antônio Barbosa,
  • Isabel Cristina Lemos,
  • Anne Caroline Charles Pinto de Carvalho,
  • Liliane Vilanova Rodrigues,
  • Áurea Rezende Gatto,
  • Elizete dos Santos Balta,
  • Jaqueline Silveira da Silva,
  • Mariângela Hertel Cury,
  • Rosana Maciel da Cruz Costa,
  • Josiane Vargas de Carvalho,
  • Ruggiero Piccolo,
  • Maria Aparecida Barros de Almeida,
  • Carolina Maciel Nogueira,
  • Ronaldo Ferreira Pereira.

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com o produtor musical e empresário João Marcello Bôscoli

Inspirado em seu livro Elis & Eu, documentário recupera a mãe, amiga e dona de casa além da cantora

23/08/2026 13h30

Entrevista exclusiva com o produtor musical e empresário João Marcello Bôscoli

Entrevista exclusiva com o produtor musical e empresário João Marcello Bôscoli Foto: Reprodução

Continue Lendo...

É difícil imaginar que ainda exista uma Elis Regina a ser descoberta. Sua voz, seus discos, suas entrevistas, seus encontros históricos e até suas contradições foram revisitados tantas vezes que a impressão é de conhecermos tudo sobre uma das artistas mais importantes da música brasileira.

Elis & Eu parte justamente do que ficou fora desse registro: não tanto a cantora que o Brasil conhece, mas a mulher que existia quando o palco desaparecia.

O documentário, dirigido por André Bushatsky, estreia em 25 de agosto no Universal+ e foi inspirado em Elis e Eu: 11 anos, 6 meses e 19 dias com minha mãe, livro de João Marcello Bôscoli.

A produção combina imagens raras de arquivo, dramatizações e depoimentos de pessoas que atravessaram diferentes momentos da vida de Elis, entre elas Wanderléa, João Bosco e César Camargo Mariano, além de recuperar registros de Rita Lee, Tom Jobim, Milton Nascimento e Ronaldo Bôscoli.

A atriz Lílian Menezes interpreta Elis nas recriações, enquanto Antônio Menqui e Victor Constantino vivem João Marcello em diferentes idades.

É importante, porém, uma distinção que o próprio João Marcello faz questão de estabelecer: ele não realizou o documentário. Bushatsky leu o livro, procurou o autor e decidiu transformar aquelas lembranças em uma obra cinematográfica.

João não participou da elaboração do roteiro, das escolhas de depoimentos ou das decisões artísticas e só assistiu ao filme depois de pronto.

“A minha contribuição foi fazer o livro”, resume em um papo para o Caderno B+. Para ele, essa distância acabou tornando a experiência ainda mais inesperada. Memórias que durante décadas existiram apenas dentro de sua cabeça passaram a ter uma representação visual.

Não existe, por exemplo, registro da mãe encontrando o filho na praia ou do episódio em que, depois de roubar a carteira de Elis, o menino foi expulso de casa e acabou vivendo por algum tempo em uma barraquinha. Ver algo alusivo a essas lembranças transformado em cinema foi, segundo ele, profundamente emocionante.

O filme também acrescentou histórias que nem João Marcello conhecia. Ele cita o depoimento de Wanderléa, que reorganizou lembranças esparsas de sua infância, e relatos ligados a momentos da trajetória musical de Elis que ampliaram sua própria percepção. 

Entrevista exclusiva com o produtor musical e empresário João Marcello BôscoliO produtor musical e empresário João Marcello Bôscoli é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Divulgação - Diagramação: Denis Felipe - Por: Ana Claudia Paixão 

É justamente essa soma de olhares que faz o documentário ultrapassar o livro sem tentar substituí-lo.

Mas o que mais interessa a João é aquilo que essa combinação permite revelar sobre a mãe. Elis Regina foi extensamente registrada como artista.

Existem entrevistas, apresentações, fotografias, gravações e relatos suficientes para reconstruir praticamente cada etapa de sua carreira. Dentro de casa, a documentação é muito menor.

E essa diferença importa porque, para João Marcello, a vida doméstica não era uma dimensão separada da artista. Era parte daquilo que alimentava sua criação.

Elis gostava, segundo ele, do termo “dona de casa”. Em determinado período, mesmo tendo condições financeiras para manter ajuda permanente, passou meses cuidando pessoalmente da casa na Serra da Cantareira: lavava roupa, limpava e se envolvia com a rotina doméstica.

Olhando para trás, João interpreta esse movimento não como uma interrupção da carreira, mas quase como um mergulho.

“A artista se alimenta muito da figura como um todo. A Elis é uma figura, é uma mãe, é uma amiga, tem o trabalho dela e tem a face pública. Essa face pública é a mais conhecida”, explica. A oposição entre a grande profissional e a mulher que cuidava da casa, portanto, talvez diga mais sobre a maneira como costumamos olhar para mulheres extraordinárias do que sobre Elis. Para ela, aparentemente, uma dimensão alimentava a outra.

Há ainda uma Elis que João Marcello gostaria particularmente de preservar: a mulher forte sem que força significasse necessariamente dureza.

Ele se lembra de episódios em que a mãe descobriu que amigos enfrentavam dificuldades financeiras e os ajudou sem transformar o gesto em notícia.

Recorda a história contada por Aldir Blanc de que Elis, antes de uma apresentação em um ginásio — quando toda a tensão estaria naturalmente concentrada no espetáculo — ainda encontrou tempo para passar pelo hospital, visitar a mãe do compositor, cantar e rezar com ela.

Já adulto, João ouviu de Lenine outra lembrança: em Recife, Elis reuniu compositores para conversar sobre a importância de protegerem seus direitos.

São histórias pequenas diante da dimensão pública de sua carreira, mas talvez justamente por isso sejam reveladoras. João cresceu em uma casa em que, como ele próprio descreve, “o poder todo estava na mão da Elis”. E o aprendizado que ficou não foi o de associar poder à violência ou à opressão.

A mãe podia ser firme, rígida, organizada, dizer palavrões e desconcertar quem estivesse perto dela, mas também era capaz de gestos de afeto enormes e inesperados. Ele encontrou uma definição especialmente bonita para essa combinação: “uma força quente”.

“Eu senti que você não precisa necessariamente ter força e essa força machucar as pessoas que estão ao lado”, diz. Na infância, aquela potência era tamanha que se transformava também em sensação de proteção.

João conta que, mesmo quando viu Elis sair de casa desacordada no dia de sua morte, sua primeira reação foi acreditar que nada poderia acontecer. “Elis Regina não morre”, pensou. A constatação posterior de que nem aquela força poderia torná-la invulnerável é uma das memórias mais dolorosas que carrega.

Entrevista exclusiva com o produtor musical e empresário João Marcello BôscoliO produtor musical e empresário João Marcello Bôscoli é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Divulgação - Diagramação: Denis Felipe - Por: Ana Claudia Paixão 

Talvez seja por isso que, tantos anos depois, a preocupação com a permanência da mãe continue presente. João Marcello admite que uma de suas inquietações sempre foi impedir que Elis fosse esquecida.

O documentário, assim como o livro, é mais uma peça nessa transmissão de memória, agora alcançando também públicos que não viveram sua época.

E ele observa com especial entusiasmo quando artistas de gerações muito posteriores se aproximam de Elis. Na conversa, a recente homenagem da cantora espanhola Rosalía em seu show no Rio de Janeiro é recebida quase com euforia.

Para João, cada artista internacional que menciona ou canta sua mãe representa uma possibilidade de que aquela voz atravesse mais uma fronteira e encontre uma geração diferente.

“A Elis Regina é uma das últimas joias a serem descobertas pelo planeta no campo da música. E será, em algum momento”, afirma.

Depois de tantas Elis — a intérprete revolucionária, a estrela da televisão, a artista politicamente inquieta, a parceira de Tom Jobim, a voz que transformava uma canção assim que começava a cantá-la —, Elis & Eu propõe acrescentar outra sem diminuir nenhuma das anteriores.

A mãe. A amiga. A mulher que escrevia cartas, protegia compositores, lavava a própria casa, cuidava de quem amava e depois subia ao palco. Talvez não seja exatamente uma nova Elis. É a parte dela que o público teve menos oportunidades de conhecer.

Elis & Eu estreia em 25 de agosto, exclusivamente no Universal+, disponível por Prime Video, Claro TV+, Vivo TV, Meli+ e UOL Play.

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).