Correio B

COVID-19

Com pandemia, telemedicina vira alternativa para manter a saúde

Médicos adotam as chamadas de vídeo pelo computador ou celular para atender pacientes que cumprem isolamento

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A pandemia trouxe experiências e desafios diferentes para profissionais de saúde de todo o mundo. Mesmo para aqueles que não estão na linha de frente do combate ao novo coronavírus (Covid-19) em hospitais e postos de saúde, o atendimento em consultórios também sofreu alterações, como a inclusão do acompanhamento do paciente por meio da internet, a chamada telemedicina.  

A médica obstetra Rúbia Borges explica que, por causa do isolamento social, precisou se adaptar para atender principalmente pacientes de outras cidades. “Algumas pacientes que moram fora de Campo Grande estão com medo de vir até a Capital por conta do número de casos daqui. Então, elas fazem o acompanhamento presencial com uma enfermeira ou profissional médico que possa acompanhá-las e a nossa consulta acontece pela internet”, afirma Rúbia.

Segundo a médica, alguns planos de saúde não autorizaram a telemedicina, então, as consultas ficaram restritas. “Isso nos impede de fazer mais, porém, no que eu posso ajudar estou ajudando, seja por telefone mesmo e nem considerando como consulta”, ressalta.

A médica endocrinologista Renata Antonialli também está atendendo os pacientes por meio da internet e acredita que, apesar do estranhamento, o processo tem sido positivo. “Estamos vivendo tempos difíceis em meio a essa pandemia, com muitas incertezas do desconhecido e tendo de nos adaptar às novas situações. Nunca imaginei que um dia fosse atender um paciente atrás da tela de um computador. Estamos aprendendo juntos e descobrindo as vantagens dessa nova tecnologia”, acredita.  

Para ela, a modalidade é uma oportunidade de continuar ajudando os pacientes mesmo durante o isolamento social. “Vi nessa nova modalidade de atendimento uma oportunidade de poder continuar ajudando meus pacientes mesmo em isolamento social. Na minha especialidade, a Endocrinologia, muitas doenças são crônicas (não têm cura) e requerem acompanhamento de forma contínua, além de grande parte dos meus pacientes ser do grupo de risco, como idosos, diabéticos, hipertensos e obesos”, frisa.  

Com nove mortes confirmadas por causa da Covid-19 em Campo Grande, os cuidados são essenciais para manter as estatísticas menores do que em relação ao resto do País. “O atendimento médico a distância oferece o acesso à saúde de uma forma rápida, prática e segura. O paciente, por exemplo, pode realizar a consulta no conforto e segurança de sua casa, sem precisar ir ao consultório. Também é possível que os atendimentos sejam feitos em dias e horários flexíveis, por exemplo, aos fins de semana, feriados, atendimentos à noite”, explica.  

Segundo Renata, continuar atendendo os pacientes também evita que eles precisem ir até unidades de saúde de emergência. “A teleconsulta garante o acompanhamento médico das doenças crônicas, as quais são extremamente importantes que se mantenham compensadas, a fim de evitar visitas desnecessárias às unidades de urgência e emergência neste momento de calamidade que enfrentamos”, aponta.

De negativo, apenas a distância. “Nada substitui o exame físico, o olho no olho, o aperto de mão e as emoções durante a consulta presencial. Algumas doenças dependem do exame físico para serem diagnosticadas ou tratadas corretamente. Portanto, a teleconsulta não substitui uma consulta presencial em alguns casos, e o paciente deve estar ciente de que sua presença no consultório pode ser necessária para a realização do exame físico, ou até mesmo ser encaminhado a um serviço de saúde de acordo com o quadro clínico”, reforça Renata.  

Alternativas

Com as gestantes, as dúvidas foram tão constantes que Rúbia criou um grupo no Telegram – aplicativo de mensagens instantâneas – para conversar com as pacientes e tentar sanar as inseguranças referentes ao coronavírus e à gravidez. “Foi de fundamental importância para auxiliar nas dúvidas de todas as gestantes que eu acompanho. Tudo ainda é muito incerto e recente. Os estudos são recentes e isso gera muita insegurança nelas. As dúvidas que vão surgindo e são particulares, eu respondo no privado, como os exames que são realmente fundamentais e a necessidade da consulta presencial”, explica.  

Por enquanto, segundo a médica, o vírus não tem transmissão da mãe para o bebê durante o parto, nem na amamentação. “Não é uma evidência fechada, são estudos pequenos e não há muitos grupos para comparar os resultados”, ressalta.

Até mesmo as restrições de entrada durante o nascimento, que chocaram diversas gestantes no início da pandemia, estão mais brandas, ao menos na Maternidade Cândido Mariano. “No início da pandemia, há algum tempo, não era permitido nenhum acompanhante, agora liberaram um, contando que leve seu material de segurança, como máscara e luva, e um teste de Covid-19 negativo. Isso acalmou os ânimos”, reflete Rúbia.  

Saúde Correio B+

Mês da Menopausa: Especialista em menopausa cria a primeira categoria menotech do Brasil

Nutricionista une ciência, cuidado e tecnologia para ressignificar o debate sobre a saúde da mulher

24/10/2026 16h30

Mês da Menopausa: Especialista em menopausa cria a primeira categoria menotech do Brasil

Mês da Menopausa: Especialista em menopausa cria a primeira categoria menotech do Brasil Foto: Divulgação

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A menopausa não é uma fase da vida: é um marco. O diagnóstico é retrospectivo, confirmado após 12 meses consecutivos sem menstruação, e acontece em média por volta dos 50 anos (STRAW+10, Harlow et al., 2012).

Fase é a perimenopausa — o período de transição que começa anos antes, muitas vezes ainda na casa dos 40 ou dos 35, e é onde a maior parte das queixas aparece. É essa distinção, ignorada por décadas, que transformou o tema em agenda de saúde pública, de mercado e de longevidade.

Foi com esse olhar que a nutricionista Vanessa Costa criou a NutrAlive, marca de suplemento alimentar para mulheres 35+, e a MenoTech, empresa de capacitação de profissionais para o cuidado da saúde feminina. Vanessa é também a autora do conceito de menotech no Brasil: o território em que ciência, dado e cuidado multidisciplinar se aplicam à segunda metade da vida da mulher.

“Eu trato o tema em três lugares ao mesmo tempo: na formação de profissionais, para que a mulher encontre alguém preparado quando procurar; na comunicação, para que ela se informe e saiba o que perguntar; e na comunidade, para que não atravesse esse momento sozinha”, diz Vanessa Costa.

A terceira frente é uma comunidade fundada por ela para reunir mulheres que atravessam a transição.
Especialista no tema, Vanessa Costa é colunista da Gazeta de S. Paulo e do FitFeed, onde assina artigos de Saúde da Mulher e Menopausa.

A ideia da NutrAlive nasceu de uma experiência pessoal. Aos 38 anos, Vanessa foi diagnosticada com insuficiência ovariana prematura história que ela contou publicamente na coluna “Ninguém me perguntou”, na Gazeta de S. Paulo. “Não era só sobre mim. Era uma lacuna que eu via todos os dias: a mulher chegava a partir dos 35, 40 anos com um conjunto de queixas reais e saía com a resposta de que era da idade.

Não havia nada estruturado, do ponto de vista nutricional, pensado especificamente para essa fase da vida”, completa a nutricionista. O tamanho do problema é conhecido. Os sintomas vasomotores — os calores — duram em média 7,4 anos e podem se estender por mais de uma década nas mulheres que começam a senti-los ainda na perimenopausa (Avis et al., JAMA Internal Medicine, 2015).

O suplemento alimentar da NutrAlive é uma dose diária de 6,5 g com 7 ativos: creatina (3000mg), vitamina D (20 μg), cálcio (500mg), beta-glucana (0,8 g), triptofano (200mg), ácido ortossilícico (0,5 mg) e extrato de cranberry (39 mg). A fórmula tem sabor natural de cranberry, sem conservantes, sem adoçantes artificiais e sem corantes. O produto é vendido na loja virtual própria da NutrAlive e na Amazon, com opção de assinatura mensal.

A MenoTech foi criada em parceria com o professor e coordenador científico Kelvin Taporosky. Na formação, Vanessa Costa assina o Módulo 08, sobre Gestão em Menopausa e Longevidade Feminina. Ela é também a criadora.

Vanessa Costa é nutricionista, cientista social e empresária. Nascida no Rio de Janeiro (RJ), tem 45 anos, é casada, mãe de pet e mora em São Paulo (SP). É formada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e em Nutrição pela Universidade Cruzeiro do Sul, com pós-graduação em Saúde da Mulher e Nutrição Estética, Compulsão Alimentar e Coach Nutricional.

CEO-fundadora da NutrAlive, criou um suplemento alimentar formulado para mulheres a partir dos 35 anos. Fundadora da MenoTech, atua na formação multidisciplinar de profissionais com foco em menopausa e longevidade feminina. É colunista da Gazeta de S. Paulo e do FitFeed, sendo uma das principais comunicadoras especialistas em menopausa no Brasil.

Moda Correio B+

Entre Costuras & CuLtura: SPFW: A moda brasileira se reinventa sem esquecer suas origens

Encerrando as celebrações dos 30 anos do evento, a temporada reafirmou a importância da moda brasileira como território de criação, identidade e expressão cultural.

24/10/2026 15h30

Entre Costuras & CuLtura: SPFW: A moda brasileira se reinventa sem esquecer suas origens

Entre Costuras & CuLtura: SPFW: A moda brasileira se reinventa sem esquecer suas origens Foto: Divulgação

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A moda é, antes de tudo, uma expressão do tempo em que vivemos. Ela traduz comportamentos, resgata memórias e revela transformações culturais. Foi justamente essa capacidade de conectar passado, presente e futuro que marcou a 61ª edição da São Paulo Fashion Week, realizada em outubro de 2026.

Encerrando as celebrações dos 30 anos do evento, a temporada reafirmou a importância da moda brasileira como território de criação, identidade e expressão cultural.

Entre nomes consagrados e novos talentos, as passarelas apresentaram diferentes interpretações do vestir contemporâneo. Alexandre Herchcovitch explorou uma estética romântica com referências boêmias, enquanto João Pimenta trouxe uma alfaiataria de proporções amplas e linguagem urbana.

A Artemisi chamou a atenção pela combinação entre trabalho manual, tecnologia e elementos tridimensionais, demonstrando como inovação e tradição podem coexistir. Já o retorno da Ellus à programação reforçou a relevância de marcas que ajudaram a construir a história da moda nacional.

Um dos aspectos mais interessantes desta edição foi a valorização do fazer artesanal. Marcas como Catarina Mina e Hisha evidenciaram técnicas manuais, bordados e saberes tradicionais, lembrando que o verdadeiro valor de uma peça também está no conhecimento e no tempo dedicados à sua criação.

Esse movimento convida a uma reflexão importante: a moda precisa necessariamente ser rápida para continuar relevante?

As coleções também revelaram uma diversidade de linguagens estéticas. Transparências, sobreposições, volumes generosos, texturas e novas interpretações da alfaiataria apareceram nas passarelas, mostrando que não existe uma única direção para o vestir contemporâneo.

Mais interessante do que identificar uma tendência dominante foi observar a liberdade criativa dos estilistas e a maneira como cada marca traduziu seu próprio universo.

Entre Costuras & CuLtura: SPFW: A moda brasileira se reinventa sem esquecer suas origensEntre Costuras & CuLtura: SPFW: A moda brasileira se reinventa sem esquecer suas origens - Divulgação SPFW

Entre os momentos que acompanhei pessoalmente, destaco o desfile de Amir Slama. A convite do estilista, tive a oportunidade de prestigiar uma apresentação que revisitou uma coleção histórica exibida em Nova York, no ano 2000.

A releitura, 26 anos depois, demonstrou como uma criação pode atravessar gerações sem perder sua essência. A beleza das peças, a construção das silhuetas e uma trilha sonora perfeitamente alinhada à proposta transformaram a apresentação em um espetáculo emocionante. Foi um daqueles momentos em que a moda ultrapassa a dimensão estética e desperta sentimentos.

Ao completar três décadas de história, a São Paulo Fashion Week nos faz pensar que a moda brasileira não precisa buscar sua identidade fora de suas fronteiras.

Nossa riqueza cultural, diversidade de referências e capacidade de reinvenção constituem um repertório criativo singular. O grande desafio está em preservar essa autenticidade enquanto se constroem novos caminhos para o futuro.

5 dicas para levar as inspirações da SPFW ao seu guarda-roupa

1. Aposte na alfaiataria contemporânea

Blazers estruturados, calças amplas e modelagens diferenciadas são ótimas escolhas para atualizar o visual sem perder a elegância. Experimente combinar peças de alfaiataria com itens mais descontraídos.

2. Valorize o trabalho artesanal

Bordados, rendas, crochês e peças feitas à mão acrescentam personalidade às produções. Além da estética, são escolhas que valorizam técnicas tradicionais e a identidade cultural brasileira.

3. Explore texturas e sobreposições

Misturar tecidos leves com materiais estruturados cria contrastes interessantes. Transparências também podem ser incorporadas de maneira sofisticada, respeitando seu estilo pessoal.

4. Resgate peças do seu próprio guarda-roupa

Antes de investir em novas tendências, revisite o que você já possui. Uma peça antiga pode ganhar uma interpretação contemporânea com novas combinações e acessórios.

5. Priorize sua identidade, não apenas as tendências

A principal lição das passarelas é a liberdade de expressão. Escolha aquilo que valoriza sua imagem, respeita seu estilo de vida e comunica quem você é. Afinal, elegância não está em seguir todas as tendências, mas em saber selecionar aquelas que fazem sentido para você.

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