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SAÚDE

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Confira os bons resultados para
o corpo que traz a musculação

Exercícios com peso devem ser orientados pro profissional

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Todo ano a história se repete. Nesta época, pouco mais de um mês para o início do verão, as academias de ginástica e musculação recebem dezenas de pessoas correndo atrás de resultados, para encontrar músculos desejados e desenvolver condicionamento físico. Elas desejam aliar saúde a um corpo mais definido. 

Os exercícios de resistência  – musculação, peso livre, ginástica localizada com carga, entre outros – estão entre os mais procurados e são tão importantes para a saúde quanto caminhar, andar de bicicleta e nadar.

Mas ainda há muito preconceito quando o assunto é musculação, tachada, muitas vezes, como uma prática que não é segura. “Pesquisas feitas por universidades de ponta nos Estados Unidos provam que os exercícios com peso bem orientados trazem benefícios para todo mundo, de adolescentes a pessoas com mais de 90 anos”, afirma José Maria Santarem, coordenador do Centro de Estudos em Ciências da Atividade Física (Cecafi), da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Além de ficar com um corpo muito mais bonito, a sua saúde será amplamente recompensada.

O professor Ronaldo Maja Júnior, da Academia Performance, de Campo Grande, concorda. Ele explica que a musculação é complementar a qualquer outro exercício que se queira fazer e é sempre muito bem indicada. “A musculação é bem procurada, seja por quem opta por modalidades dentro da academia ou por esportes em geral, porque todos buscam, também, a força muscular”.

Antônio Carlos, 23 anos, estudante de veterinária, percorre esse caminho desde 2014, quando começou a fazer exercícios em razão do bullying sofrido, por conta do sobrepeso. “Eu só queria saber de ficar comendo e jogando videogame. Isso afetou meu psicológico e, incentivado por um amigo, resolvi começar a academia. Não parei mais”, explica o jovem, que treina de terça a sexta-feira e a musculação é a parte que mais gosta. As aulas de boxe em duas datas da semana e jogos de futebol aos domingos complementam a agenda. “Não sou o ‘chato do rolê’, mas sei que devo queimar mais calorias do que ingerir. É matemática. Por isso, me permito um chocolate ou lanche de vez em quando”. 

PERFEIÇÃO

O estudante destaca, porém, a perigosa busca por “perfeição” de corpos, com indivíduos que extrapolam a quantidade de exercícios e até buscam recursos perigosos. “A pessoa fica neurótica por causa da estética.

Além disso, tem a questão do gosto de cada um. Eu nunca pensei em fazer uso de medicamentos, porque alcancei meu objetivo, ganhei saúde e um corpo que me agrada. Caminhei sozinho e minha luta sempre foi com o meu psicológico. Venci isso”.

A maioria das pessoas acha que musculação é só para ficar musculoso e com corpo sarado, mas vai muito além disso. As pessoas precisam entender melhor os seus objetivos, sabendo qual a diferença de tonificação e hipertrofia muscular.

Na tonificação muscular, consegue-se aumentar a definição dos músculos sem adicionar volume excessivo. Já na hipertrofia muscular, há o aumento de massa magra e diâmetro dos músculos.

Segundo o professor Maja Júnior, a musculação deve ser aplicada de acordo com o objetivo de cada aluno, seja para definir o corpo, por estética ou pela simples busca de saúde. “A maioria que procura a academia vem em busca de hipertrofia para modelar o corpo; há os que preferem apenas defini-lo e, ainda – geralmente os mais velhos –, para melhorar a saúde”.

As mulheres, segundo ele, procuram a musculação visando a parte estética, principalmente o bumbum e tonificar a musculatura. “O homem quer ganhar mais massa muscular mesmo”, explica.

CARREIRA

De olho nos testes de aptidão física do concurso para o Corpo de Bombeiros, o estudante de enfermagem da UFMS William Seiji Yamauchi, 26 anos, começou a preparação muscular no início do ano.  “Antes, eu nunca tinha feito nada muito regular em exercícios, só corrida. Nos últimos meses, meus objetivos têm sido ganhar resistência e  massa muscular, pré-requisitos para enfrentar os testes das provas”.

Se antes, ele frequentava a academia três vezes por semana, nos últimos três meses, tem comparecido todos os dias. E os ganhos, segundo ele, são visíveis. “Antes de entrar na academia, não conseguia fazer os exercícios que serão pedidos nas provas, e hoje consigo fazer todos”. 

Além destes ganhos, William contabiliza outros benefícios trazidos pela musculação diária. “Minha concentração nos estudos melhorou significativamente e o sono também. Além disso, tenho mais disposição para sair. Antes eu achava que ia me cansar muito. Mas não! E depois dos exercícios ainda corro de 5 a 6 quilômetros”. O estudante conta que já perdeu 10 quilos, que os indesejáveis pneuzinhos foram embora e que o corpo está mais definido. “Definido sem estar com aspecto de bombado. Eu queria a hipertrofia, mas sem me tornar um monstro”.

WHEY PROTEIN

Exercitar-se faz muito bem à saúde, e o uso correto e orientado por profissionais de uma suplementação pode ajudar – e muito – no ganho de massa e na perda de medidas. O que muita gente não sabe é que o uso do mais popular dos suplementos, o Whey Protein, tem diversos benefícios à saúde. E, para explicá-los, especialistas contam o que é mito e o que é verdade sobre a proteína do soro do leite. De acordo com Juliana Santos Brant, nutricionista clínica e esportiva, há pontos que precisam ser explicados. Ela cita alguns. “É mito que o Whey só serve para ganhar músculo, pois também fortalece o sistema imunológico.

É mito que ele engorda. Outro mito é quando falam que o Whey faz o cabelo cair. Ele é feito a partir da proteína do soro do leite de vaca e não há substância química que possa fazer mal aos cabelos ou ao couro cabeludo”.

O profissional de educação física Thiago Brumatti está acostumado a ver pessoas definirem os suplementos como “fórmula mágica” para hipertrofia. Ele explica as reais funções desse suplemento para o corpo, sobretudo para quem faz musculação.

“Essa mágica não acontece. O Whey Protein é comumente associado ao ganho de massa muscular e, apesar de ser um importante aliado, não é capaz de proporcionar grandes resultados se consumido sem a adequação da dieta como um todo”, revela.

O Whey Protein é a proteína do soro do leite, rico em aminoácidos essenciais (BCAA), o que o torna um importante aliado no processo de hipertrofia, já que proteínas são nutrientes indispensáveis para a recuperação celular. O suplemento ajuda na construção das fibras musculares microlesionadas durante o treinamento, assim como no seu aumento.

SAIBA

A obra “Anatomia Completa da Musculação”, publicada pela SportBook, poderá auxiliar os adeptos da musculação. Um Guia Ilustrativo prima pelo incremento da musculatura e da força – requisitos indispensáveis para otimizar a forma física, mas também para alcançar melhores rendimentos na vida diária, frear os sintomas do envelhecimento e obter um corpo funcionalmente equilibrado, esteticamente belo e, sobretudo, eficiente.São disponibilizados 84 exercícios acompanhados de um guia visual completo, 
com fotografias e ilustrações das estruturas anatômicas trabalhadas em cada um deles; capítulos organizados por região do corpo; e glossário de termos da área de musculação.
 

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Lançamento B+: Jornalista lança primeiro planner emocional para superação do divórcio

Em segundo livro sobre separação jornalista ouve especialistas em obra que tem prefácio de Rafael Cortez e renda revertida ao GRAACC

24/02/2024 14h30

Jornalista lança primeiro planner emocional para superação do divórcio Foto: Divulgação

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Depois de lançar o primeiro livro sobre separação no Programa do Jô em 2009, a jornalista Renata Rode retomou sua pesquisa e assim nasceu “Todo Mundo Erra”, uma obra construída a várias mãos porque a autora ouviu especialistas de áreas distintas para confeccionar o primeiro planner emocional integrativo pós-rompimento produzido pela Editora Leader.

Desta vez, a pesquisadora nata retoma o tema tendo com ainda mais propriedade e força, já que muitos casais e sociedades se desfizeram após a pandemia. “Uni os dois anos de pesquisa e mais de cem entrevistas com pessoas separadas (tanto homens quanto mulheres) a estudos de especialistas renomados, de neurocientistas a terapeutas, de sexólogos a especialistas em comportamento, resultando em uma leitura leve, relevante e informativa, com exercícios práticos ao fim de cada capítulo que vão trazer um novo significado a essa fase difícil, afinal, todo mundo erra e é preciso aprender com os erros para evoluir. Se parar pra pensar, até tropeço leva a gente pra frente”, relata.

Na verdade, a publicação não se destina somente a pessoas separadas. “Quando separamos vivenciamos um luto, porém isso também acontece com outras coisas na vida, como quando trocamos de carreira, quando mudamos de cidade ou passamos por uma dificuldade tremenda e temos que, de alguma forma, recomeçar”, indica a autora. 

Para Andréia Roma, CEO da Editora Leader que atua com todos os gêneros literários, “Todo Mundo Erra” integrará o Selo Editorial Série Mulheres, idealizado a uma década pela Editora Leader, registrado em mais de 170 países, em um formato completamente exclusivo.

“Nossas obras que têm como foco transformar histórias reais em autobiografias inspiracionais, cases e metodologias de mulheres que se diferenciam em sua área de atuação. Acreditamos que com nossa experiência na publicação de obras que resultam de pesquisas aprofundadas sobre cada temática, com a participação de especialistas, fazemos da leitura algo relevante, com uma linguagem clara e objetiva, de forma que nossos leitores possam ter um salto em seu desenvolvimento por meio dos ensinamentos práticos e teóricos que nossas publicações oferecem”.

                                  Foto: Divulgação

Com prefácio do jornalista, artista, humorista, apresentador, comunicador e palestrante Rafael Cortez, é leitura obrigatória não só para separados, mas sim para todos aqueles apaixonados por autoconhecimento, humor, evolução e informação, assim como Renata, que insiste em dizer: “No final de tudo, o que importa é ser feliz e ninguém aprende pra valer, se não errar”.

O livro tem parte da renda revertida ao GRAACC, instituição que a autora ajuda por meio de eventos e network há mais de 20 anos. “Meu propósito é, com minha escrita, ajudar pessoas, de toda forma possível. O livro nasceu assim: da necessidade de apoio em momentos difíceis e na busca pelo autoconhecimento. Em parceria com a Editora Leader, pude realizar o sonho de transformar minha experiência em realidade e doar os direitos autorais em prol do combate ao câncer”, finaliza.

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Cinema B+: Filmes e séries que acertam (e que erram) nas surpresas

Game of Thrones? Peaky Blinders? Sexto Sentido? Os Outros? White Lotus? Quem acertou ou quem errou?

24/02/2024 12h30

Filmes e séries que acertam (e que erram) nas surpresas Foto: Divulgação

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Uma história que nos surpreende é fascinante, mas ela precisa fluir perfeitamente para quando o roteirista puxar o tapete a gente caia rindo e gostando da queda. Porque “surpreender” é um desafio, mas um que infelizmente muitos colocam à frente de contar uma boa história. Há pegadinhas, há boas surpresas e há simplesmente mesquinharia. Sabe como identificamos? Vou dar o meu palpite.

Agatha Christie: a rainha das pegadinhas

Todo conteúdo de ‘quem matou’ é um pouco de pegadinha, seguindo a escola de sua maior autora: Agatha Christie. O assassino em geral é quem a gente menos espera e precisa ter um detetive explicando o que houve. Ou o culpado confessando para fazer sentido.

Embora pareça ‘fácil’, não é. E não estou falando identificar o culpado, mas sim nos fazer acompanhar a história sem pescar as dicas. Se não souber brincar com a percepção da plateia, a história fica no vazio. Morte e Outros Detalhes, da Starplus, é um dos exemplos nos quais estamos no sexto episódio e já mudaram seis vezes o suspeito. A essa altura, o que importa? Só torcemos para o cruzeiro acabar.

Aqui vão cinco BONS exemplos de surpresa, entre recentes e antigos:

1- O Sexto Sentido

Eu só matei a surpresa porque me falaram que era completamente inesperada então inverti a expectativa. É bem amarrada, e clara desde o início, se você ousasse justamente pensar no pior.


2- Os Suspeitos

Quem é Keyser Söze? Também matei a charada, mas pela mesma razão de O Sexto Sentido. O roteiro é perfeito para despistar e nos fazer levar um susto com a verdade.


3- Only Murders in the Building

Sou a especialista de quebra-cabeças, acertei em cheio na temporada 1 (uma das melhores) e passei perto nas outras. Inteligente, cheio de dicas e ainda assim, sempre com surpresas.


4- The After Party (1ª temporada)

A primeira temporada é o que há de perfeição. Usei a estratégia Agatha Christie e saquei o culpado meio rapidamente, mas de novo, porque sou chata. É sensacional.


5 – The White Lotus

Todo sucesso da série é justificado por nos engajar a quebrar a cabeça e nos entregar uma conclusão inesperada. A 3ª temporada começa a gravar agora, duvido que perca a qualidade!


Também peguei cinco exemplos ruins mais recentes para reforçar meu ponto de vista.

Em todas as séries abaixo, a história se arrasta e desafia nosso engajamento. Como nos fazem acreditar em uma coisa apenas para jogar no lixo e mostrar outra no episódio seguinte, parece que estamos com tempo disponível para desperdiçar e jogar fora.


Uma coisa é tentar decifrar o mistério, outra é sacar que não importa quanto a gente se esforce, o roteirista vai inventar qualquer coisa ou suspeito apenas para nos desafiar. Não é questão de “se deixar levar”, é desistir de tentar acompanhar, um perigo enorme se quem conta a história é ‘mesquinho’ e quer ter a palavra final, mesmo que não faça sentido.


1- Morte e Outros Detalhes, Starplus

2- Assassinato no Fim do Mundo, Starplus

3- True Detective Terra Noturna, MAX

4- The After Party (2ª temporada), Apple TV Plus

5- O Jogo do Disfarce, MAX

A fórmula de filmes Noir: todos os detalhes e nomes importam


Todos gostamos de surpresa, mas não de sermos deliberadamente feitos de tolos. Se em uma série de seis episódios parece que ‘revelam’ o culpado no 4º, não é culpa sua de errar o culpado. Na verdade, tiraram 4 horas da sua vida para que você se sinta um idiota no final das próximas duas.


É importante ressaltar que não é o que Agatha Christie fazia e que alguns roteiristas pegaram a manha: ela nos distrai, até nos induz a pensar uma coisa, mas quando vem o momento da confissão, a gente ri porque ela faz sentido.


Já em filmes noir demanda um pouco mais de atenção. Em geral começamos a história com uma informação crucial e voltamos no tempo para contextualiza-la, sendo que, em geral, ainda vem uma supresa maior na conclusão. Daí é preciso estar ligada em todo e qualquer nome citado ao longo do tempo pois nenhuma informação é irrelevante. Alguns bons exemplos:

1- Slow Horses, Apple TV Plus

Todas as dicas que precisamos para acompanhar Jackson Lamb (Gary Oldman) é prestar atenção no que ele ‘não diz’, e nas reações de Diana Tarvener (Kristin Scott-Thomas), no jogo de gato e rato que sacrifica boas pessoas (e outras nem tanto).


2- Sequestro no Ar, Apple TV Plus

A série com Idris Elba deu tantas voltas que quaaase errou na mão, mas parou com o suficiente para nos engajar na segunda parte, onde já sabemos o culpado e como, mas ainda não temos certeza como a história acaba. Perfeito!


3- Pacto de Sangue (Double Indemnity)

Se passaram nada menos do que 80 anos desde seu lançamento e esse ainda é um filme perfeito, contato em flashback e clássico dos clássicos do estilo noir.


Claro, a mulher é tida como ‘fatal’ por causa da personagem de Barbara Stanwyck, um homem mandar a mulher “calar a boca” ainda era tido como sexy, mas há muitos elementos importantes na narrativa e na construção de Pacto de Sangue que é possível mantê-lo na lista de “Imperdível”.


4- Chinatown

Chinatown é obrigatório, mas, se você ainda não viu e quando chegar ao final ficar com uma sensação de que ‘não gostei’, está tudo bem. Quem ama o filme é mais por conta da surpresa inacreditável de uma trama extremamente confusa, porém amarrada.


5- Cidadão Kane

O brilhantismo do filme de Orson Welles é pauta de teses de mestrado há mais de 80 anos, merecidamente. Está na lista não por conta de assassinatos, mas porque o mistério é simples.
 

Um repórter quer entender as últimas palavras de um milionário excêntrico e revemos toda sua vida atrás de pistas. Quando descobrimos o que significava “Rosebud” é uma surpresa emocionante e até hoje um exemplo perfeito de como se cria uma história inteligente, como seria impossível adivinhar, mas que nenhum segundo que vimos nos faz sentir que perdemos tempo. Perfeito!

Reveter expectativas: só se fizer sentido


O roteirista sempre terá controle da narrativa, mas esse Poder demanda talento. Se sabe nos conduzir em uma estrada cheia de curvas, ladeiras e obstáculos, quando chegamos para a bandeirada final a surpresa só é bem vinda quando nos completa algo. O que já repeti umas mil vezes nesse post.


Além de O Sexto Sentido e Os Suspeitos, são poucos que conseguem dar a volta de 180º sem nos irritar, e são filmes como Os Outros (na escola e contemporâneo de O Sexto Sentido) e um dos anos 1980s que recomendo devorar: Sem Saída (No Way Out).


Em ambos todos os detalhes que precisamos saber ou perceber são oferecidos desde o início, ainda mais do que Os Suspeitos e O Sexto Sentido, que meio que escondem e nos confundem deliberadamente (ainda que com inteligência).


Em ambos, se usar o aprendizado de Agatha Christie (é sempre quem menos esperamos) com a fórmula noir (todos os detalhes importam), sacamos a verdade, mas é tão fora da caixa que negamos, até que temos que admitir e entregar ao roteirista seu reconhecimento de grande contador de histórias.

Lost, Sopranos e Game of Thrones: a revolta dos fãs


Quando estreou uma narrativa não linear, mesclando drama com ação e mistério, Lost virou uma febre mundial. Tinha os flashbacks, o mistério de quem eram os passageiros ‘azarados’, o que tinha na Ilha e como sairiam dali.


Vieram os flashforwards, mas trocas no elenco e uma trama tão complexa que a conclusão ’espiritual’ cometeu o erro que já mencionei: fez o público achar que perdeu tempo, a jornada não compensou a entrega.


Porém Game of Thrones conseguiu ir além da polêmica quando o autor George R. R. Martin estava com nada menos do que cinco livros à frente da série e chegou em 2024, seis anos depois que GOT saiu do ar, sem sinal de que um dia vai concluir a saga.


Os showrunners David Benioff e Dan Weiss ganharam notoriedade, prêmios e elogios enquanto tinham o material de Martin como base (e sobra), mas, com os prazos da HBO e compromissos profissionais deles, a partir da 6ª temporada passaram a usar a linha básica do argumento do autor para o final e tiveram total liberdade para conduzissem como quisessem a história que é o maior fenômeno pop da última década.

Foto: Divulgação


Onde D&D erraram? Muitos apontam muitos detalhes, mas o principal deles (a conclusão da trama de Daenerys (Emilia Clarke)) estava anunciada para quem estivesse prestando atenção e ela fazia parte da fórmula de Martin: reverter as expectativas.


Eu odeio esse conceito porque ele é pura pegadinha. Ou pode ser. No caso de Game of Thrones, a proposta do escritor era a de mostrar que 1) os vencedores dominam a narrativa e que 2) o herói é o vilão para o outro lado. Em nenhum momento, Daenerys – a heroína clássica – terminaria seus dias resgatando o Trono de Ferro sem estar comprometida com a corrupção do Poder. Nós acompanhamos a jornada de uma vilã complexa e empática, isso é uma boa história!


Em geral, a surpresa constante de Game of Thrones não estava nunca em nos surpreender com o desconhecido, mas nos chocar com o improvável. Tipo, começarmos a história com Ned Stark (Sean Bean) sendo nosso herói, mas ele morrer a um episódio do fim. Em seguida, torcermos pelo filho dele, Rob Stark (Richard Madden) para vê-lo traído e massacrado na 4ª temporada. Tampouco a fórmula era “matar qualquer um”: era ser implacável com as consequências plausíveis.


Quando coube à D&D a seguir com isso, eles ficaram preocupados em puxar nosso tapete, em nos dar um medo de perder Jon Snow (Kit Harington) para ressuscitá-lo apenas no 3º episódio da temporada seguinte de seu assassinato. No embate entre vivos e mortos, apenas os que já tinham o arco completo morreram, quase não deu medo como tivemos na Batalha dos Bastardos ou Hardhome. Pior ainda, as entregas mais esperadas dos fãs por 8 anos (Arya matando Cersei, Jon matando o Night King) foram invertidas apenas pela graça de, sim, “reverter expectativas”.


A primeira pergunta é por que inverter a expectativa? A surpresa claramente não era o que queriam depois de sete anos esperando essas duas coisas (a de ver Bran incorporando o Dragão era outra, mas poderia passar como passou sem e engolimos).


Ser mesquinho, não entregar o que se espera porque pode negar esse prazer, fez de GOT um dos melhores exemplos de uma conclusão desastrada de um fenômeno. A tela preta de Família Soprano não chega aos pés de problemática. Se quiser que Tony Soprano (James Gandolfini) tenha sobrevivido é uma opção, mas se tiver seguido a fórmula noir sabe que a morte dele foi explicada e anunciada várias vezes antes: foi simplesmente brilhante.

Peaky Blinders caiu na armadilha de surpresas e Vikings ensaiou um GOT


Sou apaixonada por Peaky Blinders e Vikings também, mas ambos sucessos também passaram por algumas bolas fora.

Vikings, menos, mas um tanto inconsistente ao traçar a rendenção de Ivar the Boneless (Alex Høgh Andersen) e, ao fim, tirar sua vida nas mãos de um soldado qualquer. Foi como Arya Stark (Maisie Williams) tivesse ensinado o erro ao matar o Night King em vez de Jon Snow. Ivar tinha que morrer de forma menos grandiosa, fora da batalha, em algo trivial. Tampouco tinha que mostrar um medo da Morte: ele foi educado a vida toda para encarar de frente o caminho para Valhalla.


Claro, o medo e as lágrimas eram para humanizá-lo, um soldado qualquer era para tirar sua importância e foi mais um suicídio do que derrota, mas ainda assim: preferia que tivesse sido Alfred (Ferdia Walsh-Peelo) ou um acidente doméstico.


A morte de Lagherta (Katheryn Winnick) pelas mãos de Hvitserk (Marco Ilsø) em vez de Ivar também soou meio Arya Stark. Mas perto de GOT, Vikings foi perfeita.

Foto: Divulgação


Já Peaky Blinders apostou nas fórmulas de pegadinha ao longo dos vários anos. Sempre que acreditávamos que Tommy Shelby (Cillian Murphy) tinha se dado mal, era sempre parte do plano dele e não era nada do que estávamos esperando. Algumas vezes, eram, mas raramente.

Infelizmente para a série a saúde da atriz Helen McCrory atrapalhou o que seria a principal conclusão do drama dos Shelbys: Polly Gray teria que escolher entre o filho Michael Gray (Finn Cole) e o sobrinho Tommy, prometendo um fim poderoso para a série.

Com a morte prematura da atriz, a personagem morreu fora de cena, em uma sequência de fatos que tiveram seu peso, mas que perderam a mágica. Tommy conseguiu se livrar dos inimigos, mas perdeu sua esposa que desistiu dele e sua filha querida. Um homem novamente quebrado, mas vivo!!! Sim, teremos o filme e Cillian Murphy – com Oscar ou não – diz que volta ao universo de Peaky Blinders. Será mesmo?

Portanto, fica aqui a dica: mais do que talento do roteirista, dependemos mais da generosidade dos showrunners ao nos contar uma história. Se eles quiserem priorizar uma boa trama, vão acertar na surpresa, não há dúvida. Mas, se deixarem os egos falarem mais alto e quiserem “mostrar quem é que manda”, em geral, derrapam.

Você tem uma série ou filme que ache que acertou ou errou e que não mencionei? Aposto que sim!

Foto: Divulgação

 

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