Correio B

CAUSOS DA BOLA

Correio antecipou em 1982 denúncia da 'Máfia da Loteria' em MS

Jornal soltou um mês antes de revista fato que marcaria jornalismo brasileiro

RAFAEL RIBEIRO

25/01/2019 - 20h35
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Em outubro de 1982, a revista Placar chegava às bancas brasileiras para entrar na história. 

Reportagem de Sérgio Martins escancarou o que viria a ser conhecido como 'Máfia da Loteria': ou seja, um grupo de apostadores do principal jogo de azar da épóca fraudava resultados de partidas para poderem ganhar o prêmio máximo acretando os resultados dos 13 jogos que formavam as apostas dos concursos.

A denúncia rodou o mundo, virou um case de sucesso no jornalismo e até hoje é citada em faculdades como exemplo a ser seguido.

Mas, o que não se sabe pela maioria das pessoas, é que em Mato Grosso do Sul já se sabia da atuação da tal máfia, visto que o caso veio à tona um mês antes pelo Correio do Estado, em reportagem citada pela 'Placar' nas suas linhas que ganhariam a história.

"Biluca tentou subornar dois operarianos", estampava a manchete dos dias 18/19 de setembro daquele ano.

Chamada de 'Gang da Loteria' pelo jornal, é noticiado que o ex-zagueiro do próprio Operário tentou subornar dois jogadores, os atacantes Pastoril e Baianinho, para um clássico contra o Comercial, que aconteceria naquele final de semana, pelo Estadual daquele ano, vencido pelo Manda Brasa, que quebrou uma hegemonia de seis títulos do rival alvinegro (sendo três deles pelo campeonato do Mato Grosso unificado antes da divisão oficial).

A DENÚNCIA

Conforme estampou o Correio em sua edição bomba, a denúncia partiu de Pastoril, ídolo dos dois rivais campo-grandenses, revelado pelo Vasco e que até hoje mora na Capital.

Na manhã do dia anterior à reportagem, ele procurou o então diretor de futebol do Operário, Irineu Farina, para denunciar o esquema: uma oferta de 10 milhões de cruzeiros (cerca de R$ 3,7 mil em valores atuais) para ajudar a dar Comercial no clássico.

A grande surpresa para os jornalistas, segundo relata o jornal, foi o homem acusado pelo suborno: Biluca, um dos heróis da histórica campanha de 1977 do Mais Querido, terceiro colocado naquele Campeonato Brasileiro (história que ainda vamos tratar nessa coluna nobre leitor).

"Graças a Deus estou bem no Operário, ganho um bom salário, sou pobre, mas prefiro continuar assim, vivendo honestamente", disse Pastoril, após relatar o caso em detalhes (leia abaixo).

O ex-zagueiro foia lém e sugeriu que o colega conversasse com o ponta-direito daquele elenco, Baianinho, que sequer fora procurado pessoalmente. "É doloroso saber que existemdessas coisas no futebol brasileiro, sujo nível está caindo cada vez mais ao invés de voluir", disse o jogador.

Farina, visivelmente irritado, no relato da reportagem, disse "que há muito tempo já suspeitava do envolvimento de Biluca com a gang da Loteria Esportiva." "Faltava apenas uma prova. E agora está tudo claro. Tanto é que o Operário já denunciou o caso à Polícia Federal", disse.

Não demorou para a PF dar uma resposta. No dia 21 daquele mês, o caso foi oficialmente arquivado, por falta de provas, conforme estampava o Correio no topo de sua página de esportes.

O delegado federal Antônio Martinez Perez, responsável pelo processo, decidiu pelo arquivamento diante da falta de provas até mesmo para a tentativa de suborno a Pastoril pelo telefone.

Biluca, que chegara ao Operário vindo do América-RJ e ficara no Galo até 1979, se defendeu como pôde nas duas reportagens publicadas pelo Correio. Na histórica 'Placar', contudo, conversas suas com apostadores foram expostas.

Em tempo, o Comerário polêmico terminou com empate por 1 a 1, com o ex-zagueiro entre os presentes no Morenão para acompanhar o jogo.

O ESCÂNDALO

A Loteca, que existe ainda hoje, foi regulamentada no Brasil em 25 de março de 1970 e é realizada desde 19 de abril, quando foi feita uma rodada experimental no extinto estado da Guanabara, com prêmio fixo de 200 mil cruzeiros novos (cerca de R$ 73 em valores atualizados) e 100 mil bilhetes distribuídos. O jogo número um foi um clássico Flamengo e Fluminense. As vendas de apostas foram feitas em 48 barracas improvisadas.

Naquela época, era necessário acertar os resultados de treze jogos selecionados pela Caixa para ganhar o prêmio. Durante a fase experimental, era possível até marcar treze palpites triplos (quando todas as colunas são marcadas em uma linha), mas ninguém chegou a fazer os treze pontos — as chances matemáticas eram de 1:1 594 323 para obter o feito. Oito apostadores foram premiados com doze pontos e dividiram o prêmio líquido, com cada um recebendo cerca de 10 mil cruzeiros novos (R$ 4 hoje). Outras rodadas experimentais foram realizadas em 3 de maio, também na Guanabara, e em 17 de maio, em São Paulo, Belo Horizonte e Brasília.

Oficialmente, os bolões começaram em 7 de junho, que foi também a primeira vez em que foram acertados treze pontos. O futebol já era febre no País, antes mesmo de a Seleção Brasileira ter faturado sua terceira Copa do Mundo, o que gerou muitas filas nas casas de apostas. O jogo mínimo custava 2 cruzeiros novos, com um duplo; o jogo com um triplo custava três cruzeiros novos.

O apostador preenchia um cartão e entregava-o na lotérica, que usava uma máquina manual da IBM, chamada Port a Punch, para furar dois cartões, um dos quais ficaria como comprovante com o apostador.Ao final de todos os jogos de domingo, um computador da Caixa Econômica Federal processava as apostas, em "apenas" dezessete minutos, de acordo com a revista Placar. O computador seguia lendo cartão por cartão até encontrar um com nove pontos (o mínimo para o prêmio ser rateado) e, então passava a separar todos os cartões com nove pontos até achar algum com dez; a partir daí seguia o mesmo processo, em busca de cartões com onze, doze e, eventualmente, treze pontos.

Segundo dados da própria Caixa, Campo Grande teve exatos e curiosos 13 acertadores da Loteca entre 1970 e 1984. Os dados, porém, são imprecisos, visto que a loteria só chegou em meados de 1971 e os prêmios eram pagos (e contabilizados) por Cuiabá até 1977.

Em 1978, no auge de popularidade da Loteria Esportiva, surgiram os primeiros boatos sobre uma máfia armada entre apostadores que se revezavam e faturavam prêmios gordos em dinheiro.

A coisa chamou a atenção primeiro pelo 'Jornal da Tarde', extinto jornal de São Paulo (SP), que denunciou um jogador que teria sido comprado da Francana, clube interiorano que estava nas primeiras divisões dos campeonatos Paulista e Brasileiro naquele ano, mas assim como no caso do Operário, a coisa foi arquivada por falta de provas. Mas elas viriam.

Em 1979, Milton Coelho da Graça, então diretor de redação da revista Placar, comentou com Juca Kfouri, então editor de projetos especiais e que cuidava da seção sobre a Loteria Esportiva, que vinha notando algumas coincidências quando poucas pessoas ganhavam em um teste.A pedido de Milton, Juca foi a Brasília (DF) pedir para ver os bilhetes premiados, mas o pedido foi negado, com a alegação de sigilo bancário.

Nesse mesmo ano, Milton deixou a Editora Abril, que publicava 'Placar', e Juca foi promovido a seu posto. Ainda com as suspeitas em relação à Loteria Esportiva, todo o fim de mês provocava a redação: "Quem é o macho para descobrir a sacanagem da Loteria Esportiva?" Mas ninguém se pronunciava.[18] Em outra viagem a Brasília, pediu novamente para ver os cartões ganhadores. Desta vez, mostraram-lhe alguns: "Nego colocava jogo triplo em partida que se cravaria seco", conta Juca. "Corinthians × Juventus, triplo. Flamengo × Olaria, triplo. Vasco × Botafogo, Vasco. Atlético-PR × Coritiba, Coritiba. Inter × Livramento, triplo. Não é possível. Eles cravam triplo em jogo fácil e seco para jogo difícil. Tem alguma coisa estranha nisso", disse o jornalista, atualmente na 'ESPN Brasil' e 'Folha de S. Paulo' em seu livro, "Confesso que perdi".

O volante de apostas da Esportiva nos anos 1970: todomundo jogava em busca do sonho de virar milionário

Quando comentou suas suspeitas na redação, no dia seguinte, conseguiu um voluntário para a empreitada: Sérgio Martins. Juca deu a ele prazo de um ano, cumprido à risca: no número 648, de 22 de outubro de 1982, foi publicada extensa reportagem sobre o caso, com denúncias de corrupção e manipulação de resultados. 

Doze páginas de nitroglicerina pura sobre um escândalo gigantesco, abarcando mais de uma centena de pessoas do universo do futebol.

Um trabalho de formiguinha de Sérgio Martins, que venceu o Prêmio Esso de jornalismo e farejou pista de uma quadrilha em Santos e, a partir daí, passo a passo, montou o quebra-cabeça de uma história assaz alarmante.

"A Loteria Esportiva é séria até a bola rolar", admitiu o radialista Flávio Moreira, um dos envolvidos e que foi denunciante que topou expor toda a mutreta. Nenhum dos 125 denunciados, entre jogadores, dirigentes, árbitros, técnicos e personalidades, foi preso. 

O petardo jornalístico de 'Placar' foi sucesso absoluto leitores e a opinião pública. O mesmo não ocorreu entre a chamada grande mídia, que preferiu contestar a reportagem em vez de cavar ainda mais fundo.

A simpática zebrinha da 'Globo' estreou em 1978, ápice da popularidade da Loteca, e até hoje é lembrada pelos fãs de futebol

“Durante uma semana, apanhamos mais que Judas Iscariotes. Foram páginas e páginas de jornais repletas de desmentidos. Diariamente o Jornal Nacional mostrava os denunciados com suas versões. Placar, cuja edição vendera mais de 300 mil exemplares, era acusada de trair o futebol brasileiro, e a Caixa Econômica atestava a credibilidade da loteria que bancava”, conta Juca, em suas memórias.

O desfecho da história você já deve imaginar…

Pois é: não deu em nada!

As edições seguintes de 'Placar' trouxeram novas revelações e personagens. Porém, após mais de três anos de investigação, a Polícia Federal deu por encerrado o caso com somente 20 pessoas indiciadas. A tradicional lerdeza da Justiça fez com que os crimes prescrevessem e ninguém foi punido.

O gerente de Loterias da Caixa em 1989, Juarez José de Lima, garantiu à época que o escândalo não chegou a abalar a loteria. Mas os tempos áureos do jogo jamais voltaram, seja pela descrença de que seja 100% limpo para os mais antigos ou a rivalidade com outras loterias, como Loto e Sena, para os mais jovens.

A histórica Placar de 1982: Prêmio Esso e mancha eterna na credibilidade do futebol brasileiro

*Amigos e amigas leitores do Correio do Estado, o Campeonato Estadual de futebol de Mato Grosso do Sul começou. E, para embalar a bola que vai rolar pelos gramados, temos o prazer de apresentar a vocês nossa nova coluna: 'Causos da Bola'.

Semanalmente, sempre aos sábados, convidamos você a viajar no tempo da história esportiva sul-mato-grossense através dos 64 anos acumulados nas páginas do jornal mais tradicional e querido do Estado.

Embarque com a gente nesta máquina do tempo e reviva junto conosco o que de melhor nosso arquivo tem a oferecer sobre os fatos esportivos. 

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Astrologia Correio B+

A energia do Tarô da semana entre 02 e 08 de novembro. Avaliar as situações e ser imparcial

A Justiça anuncia uma semana de reflexão e decisões importantes. O arcano convida a avaliar cada situação com clareza, ponderar as consequências das escolhas e agir com honestidade e imparcialidade.

01/11/2026 12h00

A energia do Tarô da semana entre 02 e 08 de novembro. Avaliar as situações e ser imparcial

A energia do Tarô da semana entre 02 e 08 de novembro. Avaliar as situações e ser imparcial Foto: Divulgação

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A Justiça rege a semana trazendo um convite ao discernimento, à responsabilidade e à coerência entre pensamentos e atitudes.

Este arcano nos lembra que nossas escolhas produzem consequências e que o amadurecimento começa quando somos capazes de olhar para a realidade sem distorções, reconhecer nossa parcela de responsabilidade e corrigir o que já não está em harmonia.

Sua mensagem é agir com consciência, respeitar os próprios limites e encontrar a medida certa entre razão e emoção. Mais do que julgar o passado, será importante compreender os acontecimentos e decidir como seguir adiante.

A carta também propõe uma reflexão sobre a maneira como nos relacionamos com o mundo. Se você tem pautado suas escolhas pela generosidade, pela honestidade e pelo senso de justiça, estará cultivando condições favoráveis para colher bons frutos.

O conselho é praticar a Regra de Ouro: faça ao próximo aquilo que gostaria que fizessem por você (Mateus 7:12). Afinal, a harmonia que desejamos encontrar ao nosso redor também depende da forma como tratamos as pessoas.

A Justiça também representa aquela voz interior capaz de reconhecer a verdade de uma situação, por mais inconveniente ou difícil que ela possa parecer. Sob sua influência, será fundamental analisar os acontecimentos com imparcialidade, considerando os fatos antes de chegar a conclusões.

Isso exige cuidado para não permitir que emoções, expectativas ou desejos pessoais distorçam a realidade. Insistir em uma interpretação que não encontra sustentação nos fatos pode levar a decepções e dificultar decisões importantes.

Este arcano nos convida a reconhecer nossas necessidades e expressá-las com clareza e honestidade, tanto para nós mesmos quanto para os outros. Em algumas situações, isso poderá significar aprender a dizer não, mesmo quando essa atitude contrariar as expectativas alheias.

A Justiça aconselha a identificar a origem dos conflitos com serenidade, sem permitir que ressentimentos ou impulsos interfiram na avaliação. Sua balança simboliza a importância de ponderar diferentes perspectivas antes de agir. Afinal, preservar uma relação ou evitar um confronto não deve significar abrir mão dos próprios valores e limites.

Sob a influência do arcano A Justiça, a semana favorece uma revisão cuidadosa de escolhas, acordos e compromissos. Questões que pareciam resolvidas poderão voltar à pauta, enquanto situações do passado ganharão novos significados diante de informações que ainda não haviam sido consideradas.

A carta nos lembra que reconhecer um erro não diminui ninguém. Ao contrário, revela maturidade e permite corrigir o rumo antes que pequenas falhas se transformem em problemas maiores.

O importante será evitar julgamentos precipitados e lembrar que nem sempre dispomos de todos os elementos para compreender uma situação por inteiro.

Essa mensagem encontra ressonância na configuração astrológica do período. A conjunção do Sol com Mercúrio retrógrado em Escorpião favorece a investigação, a revisão de ideias e o esclarecimento de assuntos delicados.

Conversas antigas poderão ser retomadas, informações esquecidas voltarão à tona e determinadas percepções poderão mudar diante de novos fatos. Será importante, entretanto, não confundir intuição com certeza nem permitir que desconfianças ocupem o lugar do diálogo.

A Justiça pede que a verdade seja procurada com serenidade, sem distorções provocadas pelo medo, pelo orgulho ou por expectativas pessoais.

Vênus em Libra favorece a harmonia e os acordos, enquanto Marte em conjunção com Júpiter em Leão amplia a iniciativa e a autoconfiança. A Justiça pede equilíbrio entre a vontade de avançar e a prudência necessária para evitar excessos e tomar decisões conscientes.

A carta também nos convida a refletir sobre a diferença entre justiça e rigidez. Ser justo não significa exigir perfeição de si mesmo ou dos outros, tampouco transformar cada divergência em uma disputa para determinar quem tem razão.

A verdadeira imparcialidade depende da capacidade de reconhecer nuances, ouvir argumentos diferentes e admitir que nossas convicções podem mudar.

Em algumas situações, será necessário estabelecer limites claros; em outras, compreender o ponto de vista alheio permitirá encontrar uma solução mais satisfatória para todos. A sabedoria estará em perceber qual atitude cada circunstância exige.

No amor, A Justiça é uma carta de natureza mais racional, que nem sempre favorece grandes demonstrações de afeto ou espontaneidade. Sua presença pode sinalizar certo distanciamento emocional, mas também respeito mútuo, maturidade e relações construídas sobre bases mais equilibradas.

Para quem está em um relacionamento, a semana favorece conversas esclarecedoras, a revisão de acordos e a correção de desequilíbrios que talvez tenham sido ignorados. Será importante expressar sentimentos e insatisfações com honestidade, sem transformar o diálogo em uma disputa sobre quem tem razão.

Para quem está solteiro, o arcano aconselha observar as atitudes com a mesma atenção dedicada às palavras, avaliando se existe coerência entre o que alguém promete e o que realmente oferece. Procure não idealizar pessoas ou situações. Neste momento, vale ouvir menos as expectativas do coração e deixar a razão conduzir suas escolhas.

No trabalho, a Justiça recomenda organização, atenção aos detalhes e cuidado com a comunicação. Documentos, prazos, informações e acordos merecerão uma conferência adicional, sobretudo quando houver dúvidas ou decisões pendentes.

Rever um procedimento ou corrigir uma informação poderá evitar complicações futuras. A carta também favorece conversas profissionais pautadas pela objetividade e pelo respeito, desde que exista disposição para ouvir e considerar diferentes perspectivas.

Em situações de conflito, será mais produtivo reunir fatos e apresentar argumentos consistentes do que reagir às primeiras impressões.

Na carreira, a energia da Justiça convida a avaliar o caminho percorrido e a identificar se as escolhas atuais estão alinhadas aos objetivos de longo prazo. Poderá ser um momento oportuno para reconsiderar prioridades, negociar responsabilidades ou reconhecer quais competências precisam ser desenvolvidas.

A ambição tem seu valor, mas os resultados mais duradouros dependem de consistência, planejamento e clareza sobre o que se deseja construir.

Diante de uma oportunidade importante, procure avaliar não apenas o prestígio ou a recompensa imediata, mas também as condições oferecidas, os compromissos envolvidos e os efeitos dessa decisão sobre sua vida. Nem todo avanço aparente representa progresso verdadeiro.

Nas finanças, a Justiça favorece uma relação mais consciente com o dinheiro. Organizar despesas, revisar contratos, conferir cobranças e estabelecer prioridades ajudará a compreender melhor a própria situação material. A carta recomenda cautela diante de promessas de ganhos fáceis ou decisões motivadas pelo entusiasmo do momento.

Com Marte e Júpiter em Leão estimulando a confiança e a disposição para arriscar, será especialmente importante distinguir uma oportunidade bem fundamentada de uma aposta excessivamente otimista.

O equilíbrio financeiro não depende apenas de quanto se ganha, mas também da maneira como os recursos são administrados e das escolhas que sustentam a segurança futura.

Ao longo da semana, talvez seja necessário rever uma opinião, reconhecer uma falha ou abandonar uma expectativa que já não corresponde aos fatos. Em outros momentos, a atitude mais justa será sustentar uma decisão com firmeza, mesmo que ela não agrade a todos.

O desafio estará em não confundir flexibilidade com fraqueza nem firmeza com inflexibilidade. A espada da Justiça precisa de precisão, não de agressividade; sua balança exige ponderação, não indecisão. Quando esses dois princípios trabalham juntos, torna-se possível agir com convicção sem perder a capacidade de escutar.

A carta também lembra que o equilíbrio não significa dividir tudo igualmente ou oferecer a mesma resposta para situações diferentes. Justiça é reconhecer necessidades, responsabilidades e circunstâncias, compreendendo que cada escolha deve ser avaliada em seu contexto.

Às vezes, será preciso corrigir uma desigualdade; em outras, estabelecer uma fronteira que proteja o que é importante. Há momentos em que a paz depende da conciliação, mas também existem situações nas quais ela só se torna possível depois que uma verdade é reconhecida e um limite é respeitado.

A energia desta semana favorece, portanto, uma espécie de acerto de contas interior. Não para alimentar arrependimentos ou cobrar de si mesmo respostas perfeitas, mas para compreender o que as experiências recentes ensinaram.

O passado pode oferecer informações valiosas, desde que não se transforme em uma prisão. Rever uma decisão não significa necessariamente voltar atrás: pode ser a oportunidade de aprimorar uma escolha, corrigir uma rota ou seguir adiante com mais consciência.

O importante é não permitir que antigas certezas impeçam a percepção de novas possibilidades.

O conselho do Tarô para a semana é agir com discernimento, sem precipitação e sem omissão. Antes de concluir, procure compreender. Antes de responder, verifique os fatos. Antes de assumir um compromisso, avalie suas condições e consequências.

Se houver algo a corrigir, faça isso com maturidade; se for necessário estabelecer limites, expresse-os com clareza. E, diante de uma escolha importante, procure não se deixar conduzir exclusivamente pelo medo de perder ou pela ansiedade de conquistar.

A Justiça não promete um caminho livre de dúvidas, mas nos oferece orientação para atravessá-las com consciência e discernimento.

Sua presença nos lembra que a serenidade nasce quando nossas atitudes estão alinhadas aos nossos valores e que a verdadeira segurança não depende de controlar todas as circunstâncias, mas de saber lidar com elas sem abrir mão da própria integridade.

Mesmo diante de situações que possam nos tirar do eixo, o desafio será preservar a calma, ponderar antes de reagir e não permitir que fatores externos determinem nossas escolhas.

Nesta semana, o convite é encontrar a medida entre ousadia e prudência, acolhimento e firmeza, desejo e realidade. Afinal, quando a clareza orienta as escolhas, o equilíbrio deixa de ser apenas uma busca e passa a se tornar uma prática cotidiana.

“Acredite na justiça, mas não a que emana dos demais e sim na sua própria”. (Código Samurai)

Uma ótima semana e muita luz,

Ana Cristina Paixão

Gastronomia Correio B+

Entre o arroz com feijão: o que o prato do brasileiro revela sobre sua rotina?

No Mês Mundial da Alimentação, nutricionista analisa como rotina e tradição influenciam as refeições

01/11/2026 09h00

Entre o arroz com feijão: o que o prato do brasileiro revela sobre sua rotina?

Entre o arroz com feijão: o que o prato do brasileiro revela sobre sua rotina?

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Diante de um bufê, cada pessoa faz um caminho. Há quem procure primeiro o feijão, quem escolha a carne antes dos acompanhamentos, quem priorize a salada e quem repita a combinação de sempre sem olhar as outras opções.

Essas decisões começam muito antes da chegada ao restaurante, pois englobam fatores como o que se aprendeu a comer em casa, o orçamento, o tempo disponível para almoçar e as preferências construídas ao longo da vida.

Por isso, entender os hábitos alimentares exige olhar também para as circunstâncias em que a comida chega ao prato. Esse é o ponto de partida de Jéssica Benazzi, nutricionista do Divino Fogão, para a reflexão proposta pelo Mês Mundial da Alimentação, celebrado em outubro.

“Antes de orientar uma mudança, é importante entender como aquela pessoa se alimenta e o que ela consegue manter no cotidiano. Quem tem pouco tempo para almoçar enfrenta uma situação diferente de quem consegue cozinhar todos os dias. As orientações precisam considerar essas condições”, explica.

O próprio almoço oferece pistas. A ausência frequente de verduras e legumes pode indicar pouca variedade nas escolhas, mas também dificuldade de preparo ou pouca familiaridade com esses ingredientes.

Já repetir uma receita conhecida nem sempre representa um problema, já que preparações tradicionais podem fazer parte de uma alimentação equilibrada. O que conta é como elas se combinam e o espaço que outros alimentos encontram ao longo da semana.

É nesse contexto que o tradicional arroz com feijão merece ser valorizado. A dupla faz parte do repertório culinário brasileiro e pode dividir o prato com legumes, verduras, carnes, ovos e diferentes acompanhamentos. Para a nutricionista, melhorar a alimentação não exige trocar essa base por produtos caros ou ingredientes distantes dos costumes da família.

“Às vezes, a pessoa acredita que precisa mudar tudo e deixa de perceber ajustes possíveis no almoço de sempre. Incluir uma verdura que costuma deixar de lado ou experimentar um legume preparado de outra maneira já amplia as possibilidades”, comenta.

Escolher os alimentos conforme aparecem pode fazer com que os primeiros acompanhamentos ocupem quase todo o prato. Observar o conjunto ajuda a decidir o que se deseja comer e a abrir espaço para opções que, por costume, acabam esquecidas.

Há, ainda, uma parte do hábito alimentar que não aparece na comida, ou seja, a atenção dedicada à refeição. O almoço feito entre mensagens e demandas de trabalho pode terminar sem que a pessoa tenha percebido direito os sabores ou a própria saciedade.

O Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, inclui o modo de comer entre os cuidados com a alimentação e recomenda refeições com regularidade, atenção e em ambientes apropriados. Reservar uma pausa possível, deixar o celular de lado por alguns minutos e evitar resolver pendências enquanto se come são ajustes que podem começar antes mesmo de qualquer mudança no cardápio.

Também vale observar a semana inteira, em vez de julgar a alimentação por um único almoço. Uma refeição diferente em uma comemoração não define a rotina, assim como uma escolha pontual não resolve hábitos mantidos por muito tempo.

“O melhor ponto de partida é reconhecer uma dificuldade e pensar em como resolvê-la. Se os legumes nunca entram no prato, o que ajudaria a incluí-los? Se o almoço é sempre apressado, existe alguma forma de proteger esse intervalo? São perguntas simples, mas que tornam o cuidado com a alimentação mais concreto”, finaliza a nutricionista.

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