Correio B

crônica

Amores Maduros

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Minha amiga tem 82 anos e dois namorados. Claro que ela mora numa metrópole, mais precisamente em São Paulo; do contrário, fosse nestas plagas, os dois fatos seriam quase inadmissíveis.

Pergunto a ela o porquê de ter dois namorados. Ela responde que é para não virar rotina — para "revezar". Acho graça, mas tem lá sua lógica. Nesta idade, é comum criar hábitos, e tudo o que ela não quer é criar vínculo. O que Bia quer mesmo é ir ao cinema, jantar fora de vez em quando, visitar exposições de arte, caminhar no parque. Não que precise de companhia para isto. Não, minha amiga é, de longe, uma das pessoas mais independentes que conheço.

Ela me conta que conheceu um deles na antessala do cinema e o outro num restaurante. "Como assim?", pergunto curiosa e, de alguma forma, um pouco perplexa. Afinal, cenas desta natureza não são nada comuns por aqui. "A gente começou a conversar sobre o filme e vimos que temos muita coisa em comum", contou. Depois disso, engataram um namoro.

O segundo conheceu numa pizzaria, ela com uma taça de vinho na mão e ele também. Olha para cá, rabicho de olho para lá, o moço pede para fazer um brinde. Ela o chama para sentar-se à mesma mesa: "Melhor que conversar à distância", explica. Depois de muito papo, despedem-se, mas esquecem de trocar telefones.

Os dias passam e o moço não lhe sai da cabeça. Ela volta ao restaurante e pergunta por ele. "Ah, claro! Todos aqui o conhecem. Mora perto, no bairro". Com apenas o nome da rua, ela sai em uma cruzada em busca daquele que vem lhe tirando o sossego. No terceiro prédio, o porteiro confirma: sim, ele mora aqui. Ela deixa um bilhete carinhoso e espera.

Ele liga na sequência e combinam um jantar. Divorciado, cineasta e bom de papo. O resto virou história — história que me aguça a curiosidade e, por que não dizer?, uma certa inveja. Inveja das possibilidades que ela agarrou contra todas as probabilidades, num país que louva a juventude. Mas é certo que Bia é uma das pessoas mais lindas que conheço. Não apenas fisicamente, mas de alma e espírito. Conversa sobre tudo, não tem preconceitos, não faz julgamentos e se abre completamente para a vida. Um belo exemplo de ser humano.

Falar sobre Bia me faz lembrar de Danusa Leão. Cortejada por um desconhecido em seu restaurante favorito, ela resistiu ao flerte insistente. Mas coincidência ou destino, estavam hospedados no mesmo hotel. No quarto recebeu a ligação com o convite para um último drinque. Danusa parou, refletiu e se perguntou o que tinha a perder. Afinal, naquela noite, ela completava 70 anos e estava sozinha em Paris. Viva a sabedoria, o savoir vivre e as grandes metrópolis.

nostalgia

Fondue do Outback volta ao cardápio por tempo limitado

Além da nostalgia de clientes que já conhecem o produto, a rede de restaurantes aposta na atração de novos consumidores em busca de experiências gastronômicas diferentes

11/05/2026 12h45

Divulgação/Outback

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Depois de três anos fora do cardápio, o tradicional fondue do Outback Steakhouse está de volta às unidades da rede em todo o Brasil. A novidade retorna entre os dias 11 de maio e 14 de junho com a proposta de transformar refeições em experiências de conexão, reunindo casais, amigos e famílias em torno da mesa.

A retomada do prato atende a pedidos antigos dos consumidores e reforça uma estratégia da marca de investir em produtos voltados ao compartilhamento e à experiência gastronômica. O fondue, que já se tornou um dos itens mais lembrados do cardápio sazonal do restaurante, retorna reformulado, tanto na apresentação quanto nas combinações de sabores.

Segundo a rede, a proposta deste ano é ampliar ainda mais a experiência oferecida aos clientes. O tradicional formato ganhou bowls térmicos, criados para manter a temperatura ideal dos fondues durante toda a refeição. A mudança busca garantir maior conforto e qualidade ao consumo, especialmente em encontros mais longos e compartilhados.

CARDÁPIO

O cardápio conta com opções doces e salgadas, trazendo acompanhamentos que fogem do modelo clássico do fondue tradicional. 

Entre os destaques está o Fondue de Queijo, vendido por R$ 159,90. A receita reúne uma mistura de cinco queijos derretidos e é acompanhada de cubos de Ribs on the Barbie, camarões empanados, filet mignon, sobrecoxa empanada, Boomerang Potatoes e o tradicional pão australiano, um dos símbolos da marca.

Já a versão doce, o Fondue de Chocolate, sai por R$ 99,90 e aposta em ingredientes que misturam sobremesa e identidade própria do restaurante. Preparado com chocolate meio amargo, o prato acompanha mini cookies com gotas de chocolate, trufas feitas com o Havanna Thunder, morangos, uvas, marshmallow e pão australiano. Os clientes ainda podem substituir o marshmallow por uma porção extra de uvas.

Para quem deseja experimentar as duas versões, a rede também lançou o Combo Fondue, que reúne o fondue salgado e o doce por R$ 224,90.

FOCO NA EXPERIÊNCIA

De acordo com Claudia Vilhena, vice-presidente de Marketing e Vendas da Bold Hospitality Company, o retorno do prato tem relação direta com o vínculo afetivo construído ao longo dos anos com os consumidores. “Esse é um prato que tem um significado muito especial para a marca e para os nossos consumidores. O fondue é, acima de tudo, um convite para estar junto, compartilhar e transformar qualquer momento em uma ocasião especial”, afirma a executiva. “Estamos reforçando um território que ajudamos a construir no Brasil e seguimos evoluindo essa proposta para acompanhar o comportamento do consumidor”, complementa. 

A estratégia acompanha uma tendência crescente do setor de alimentação fora do lar, que tem investido cada vez mais em pratos voltados à experiência coletiva. Em vez de refeições individuais, restaurantes têm apostado em opções compartilháveis, capazes de estimular encontros e aumentar o tempo de permanência dos clientes nos estabelecimentos.

No caso do Outback, o fondue se diferencia justamente por fugir da proposta mais tradicional encontrada em restaurantes especializados. Ao longo dos anos, a rede incorporou elementos próprios do cardápio, como o pão australiano e cortes característicos da casa, criando uma identidade própria para o prato.

A volta do fondue também coincide com o período que antecede o Dia dos Namorados, data considerada estratégica para o setor gastronômico. A expectativa é de que casais procurem opções diferenciadas para comemorações, enquanto grupos de amigos e famílias também aproveitem a proposta de compartilhamento.
Outro ponto destacado pela rede é a ampliação dos formatos de consumo. Além do atendimento no salão, os produtos estarão disponíveis via delivery e na modalidade To Go, permitindo que os clientes levem a experiência para casa. A disponibilidade, porém, pode variar conforme cada unidade.

Nos últimos anos, o delivery se consolidou como uma das principais frentes do setor de alimentação, levando restaurantes a adaptarem pratos antes considerados exclusivos do consumo presencial. A aposta em bowls térmicos, por exemplo, também busca manter a qualidade do fondue durante o transporte.

Com o retorno do produto, a rede aposta na nostalgia dos clientes que já conheciam o fondue, mas também na atração de novos consumidores em busca de experiências gastronômicas diferentes. A combinação entre pratos compartilháveis, clima intimista e produtos exclusivos se tornou uma das principais estratégias de restaurantes para fidelizar o público.

Os fondues ficarão disponíveis até o dia 14 de junho em todas as unidades brasileiras do restaurante, enquanto durarem os estoques. 
 

Cinema

Longa-metragem filmado na Morada dos Baís, "Lydia" resgata a trajetória da artista de MS

Longa-metragem filmado na Morada dos Baís, "Lydia" resgata a trajetória da artista sul-mato-grossense e, a partir de sua autobiografia, transforma memória, espiritualidade e rebeldia em uma narrativa não linear que mistura o real com a ficção

11/05/2026 08h30

Gravações do longa ocorrem majoritariamente na Morada dos Baís, onde as artes de Lídia e elementos de época ajudam a contar a história

Gravações do longa ocorrem majoritariamente na Morada dos Baís, onde as artes de Lídia e elementos de época ajudam a contar a história Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Entre paredes antigas, móveis garimpados, afrescos desgastados pelo tempo e memórias que atravessam décadas, a Morada dos Baís voltou a respirar a presença de sua moradora mais enigmática.

É nesse espaço histórico de Campo Grande que ganha forma “Lydia”, longa-metragem de ficção produzido pela Pólofilme e inspirado na obra literária “História de T. Lídia Baís” (1960), escrita pela própria artista sob o pseudônimo de Maria Tereza Trindade.

Dirigido por Ricardo Câmara, com codireção de Mariana Villas-Bôas, o filme mergulha nas memórias, contradições, espiritualidade e processos criativos de Lídia Baís, uma mulher que rompeu padrões sociais no início do século 20 e construiu uma obra artística singular em um território ainda distante dos grandes centros culturais brasileiros.

Com filmagens iniciando nesta semana e com encerramento previsto para junho, o longa conta com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, e apoio institucional da Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande, que cedeu a Morada dos Baís e o Museu José Antônio Pereira como locações.

No elenco, nomes consagrados da cena sul-mato-grossense e nacional dividem espaço para reconstruir a trajetória da artista: Beatrice Sayd, Alzira E, Ney Matogrosso, Ana Brun – vencedora do Urso de Prata no Festival de Berlim –, além de Breno Moroni, Gisele Sater, Antônio Salvador, Bianca Machado e participações especiais de Duda Mamberti, Jéssica Barbosa Cauim e Zahy Tentehar.

Além da direção e do elenco, a equipe criativa reúne nomes como Joel Yamaji na direção-assistente, Alziro Barbosa na fotografia, Fabianne Rezek na direção de produção e Mariana Sued no figurino.

O roteiro é assinado por Melina Delboni, enquanto a produção leva a assinatura de Joel Pizzini e Juliana Domingos.

UMA MULHER SURREAL

Nascida em Campo Grande em 1900, Lídia Baís cresceu em uma família tradicional sul-mato-grossense, mas escolheu um caminho distante daquele reservado às mulheres de sua época. Enquanto o destino esperado era o casamento e a vida doméstica, ela decidiu seguir pela arte.

Entre viagens ao Rio de Janeiro, Paris e Alemanha, a artista circulou entre intelectuais e modernistas importantes do século passado. Conviveu com o pintor surrealista Ismael Nery, com o poeta modernista Murilo Mendes e com os irmãos pintores Henrique Bernardelli e Rodolfo Bernardelli.

Apesar da proximidade com nomes hoje consagrados, Lídia permaneceu durante décadas à margem da história oficial da arte brasileira. Realizou apenas uma exposição em vida, em 1929, no Rio de Janeiro, e acabou transformando o espaço doméstico em território criativo.

Na casa da família, pintou murais, escreveu textos, compôs músicas e desenvolveu uma linguagem artística própria, atravessada pela espiritualidade, o surrealismo e o expressionismo.

Para Ricardo Câmara, a trajetória da artista representa uma parte essencial da história cultural sul-mato-grossense.

“A Lídia Baís é uma história das artes de Mato Grosso do Sul. Ela pode ser considerada a mãe de todos os artistas sul-mato-grossenses. Uma mulher que nasceu em 1900, acompanhou todo o século 20 e esteve ao lado de alguns dos principais artistas brasileiros da década de 1920”, afirma o diretor.

Segundo ele, a ideia do filme nasceu durante a pandemia, quando teve contato mais profundo com a biografia da pintora. “Quando li o livro sobre a Lídia, pensei imediatamente que precisávamos fazer um filme sobre ela. Era uma história muito potente, muito cinematográfica”, relembra.

MEMÓRIA E INVENÇÃO

Embora inspirado em fatos reais, “Lydia” não pretende seguir o caminho tradicional das cinebiografias lineares. A proposta narrativa abraça a subjetividade e a fragmentação das memórias.

A codiretora Mariana Villas-Bôas explica que o filme nasce justamente da autobiografia escrita pela própria artista, uma obra que mistura realidade, fabulação e autorrepresentação.

“A autobiografia dela já é uma ficção sobre ela mesma. A gente vê a Lídia como uma multiartista, quase uma performance. Para nós, esse livro já é uma obra de arte”, afirma.

No longa, o eixo principal da narrativa acontece em 1929, ano da exposição da artista no Rio de Janeiro. A partir daí, diferentes tempos se sobrepõem. A infância, a juventude e a velhice de Lídia aparecem entrelaçadas em uma construção não linear.

“O filme é sobre memória. Não existe uma preocupação de contar a história cronologicamente. O tempo funciona como funciona a memória: você olha um objeto e imediatamente é levado para outra época da sua vida”, explica Ricardo.

A artista será interpretada em diferentes fases por Maria Alice Bispo (infância), Beatrice Sayd (fase adulta) e Alzira E (velhice).

A LÍDIA EM NÓS

Responsável por interpretar Lídia na fase adulta, Beatrice Sayd descreve a personagem como um mergulho emocional intenso. A atriz afirma que encontrou uma identificação imediata com a pintora. “Ela me representa. Acho que representa todas nós, mulheres. Esse lado da arte, da resistência, da coragem de enfrentar tudo para seguir os próprios sonhos”, diz.

Para a atriz, interpretar Lídia exige muito mais do que reproduzir trejeitos ou características físicas. O processo passa por compreender os conflitos internos da artista e transformá-los em humanidade.

“Cinema é simplicidade, mas chegar na simplicidade é muito difícil. Estou em processo ainda. Cada descoberta muda a forma como eu vejo a personagem”, conta.

Beatrice relata que um dos maiores desafios tem sido compreender a complexidade psicológica de Lídia. “Ela era uma mulher muito intensa, muito espiritualizada, inquieta. Pintava, escrevia, compunha, estava sempre criando alguma coisa. Acho que existe ali uma complexidade emocional muito grande”, afirma.

A atriz também estabelece paralelos entre sua trajetória e a da pintora. Assim como Lídia, ela deixou Campo Grande para seguir carreira artística ainda jovem. “Eu saí de casa aos 18 anos para ser atriz. Quando penso no que a Lídia fez nos anos 1920, numa Campo Grande que nem luz elétrica tinha direito, é impressionante”, pontua.

ROMPIMENTO COM A TRADIÇÃO

Outro personagem importante da narrativa é o pintor Henrique Bernardelli, interpretado por Breno Moroni. Mestre da protagonista, Bernardelli representa o embate entre a pintura acadêmica tradicional e as vanguardas modernas que começavam a surgir na Europa. “Ele acreditava que a pintura existia para retratar a realidade exatamente como ela é. Já a Lídia caminhava para o surrealismo, para uma arte mais subjetiva”, explica o ator.

Gravações do longa ocorrem majoritariamente na Morada dos Baís, onde as artes de Lídia e elementos de época ajudam a contar a históriaFoto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Moroni afirma que o filme trabalha essa relação de maneira afetuosa, mas também conflituosa. “Havia respeito mútuo. Ele não a via como aluna, mas como discípula. Só que, aos poucos, ela começa a se rebelar artisticamente”, pontua.

Durante a entrevista, o ator também refletiu sobre o apagamento histórico sofrido por Lídia Baís. “Ela foi esquecida por ser mulher, por ser do interior, por ser uma artista que não se encaixava nos padrões. Mas ela entrou para a história da arte de verdade, e isso é uma fama que atravessa o tempo”, avalia o artista.

Moroni traça ainda um paralelo entre os conflitos enfrentados pela artista e os debates atuais sobre tecnologia, linguagem e transformação artística. “O novo sempre assusta. A Lídia rompeu padrões até dentro da arte, que já era rebelde por natureza”, destaca.

FAMÍLIA ACIMA DE TUDO

No filme, o patriarca Bernardo Baís será interpretado por Duda Mamberti. Figura importante na história de Campo Grande, o personagem aparece como um homem empreendedor, moderno para sua época, mas ainda preso às expectativas tradicionais sobre o papel feminino.

“Ele queria que a filha se casasse, tivesse filhos, seguisse o comportamento esperado para uma mulher daquele tempo”, explica o ator.

Ao mesmo tempo, Bernardo é retratado como um homem que admirava a arte e incentivava a educação da filha, ainda que em conflito com suas escolhas. “Ele brigava com ela, mas continuava financiando os estudos. Era um homem duro para os negócios, mas muito amoroso com os filhos”, aponta o ator.

Para Mamberti, o filme também tem a capacidade de ampliar o reconhecimento cultural do Estado. “Vai abrir uma janela enorme para a obra da Lídia e mostrar que Mato Grosso do Sul não é só agro, Aqui também existe arte, cultura e história”, destaca.

HISTÓRIA VIVA

Grande parte da força estética de “Lydia” nasce das próprias locações escolhidas para as filmagens. A Morada dos Baís, onde a artista viveu, se transforma em personagem central da narrativa.

Segundo Mariana Villas-Bôas, o espaço foi apropriado de maneira simbólica e afetiva pela equipe. “As paredes descascadas, os afrescos antigos, os objetos, tudo isso traz uma camada de tempo muito importante para o filme”, afirma.

A codiretora destaca que muitos elementos aparentemente surrealistas presentes no cenário partem de relatos reais sobre o cotidiano da artista. “As gaiolas, os animais empalhados, os objetos espalhados, tudo isso existia. Parece ficção, mas vinha da forma como ela enxergava o mundo”.

Já o Museu José Antônio Pereira será utilizado para representar a infância de Lídia, trazendo uma dimensão mais rural e ligada à natureza.

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