Nascido em Campo Grande, o publicitário e escritor Roberto Duailibi morreu na manhã deste sábado (19), aos 89 anos, e sua visão e criatividade ajudaram a fazer algumas das mais marcantes propagandas da história da televisão brasileira.
O campo-grandense foi um dos fundadores da agência DPZ em 1968, ao lado dos sócios Francesc Petit (1934-2013) e José Zaragoza (1930-2017), que seria responsável pela criação de várias peças publicitárias.
Um dos primeiros grandes trabalhos foi em 1971, ao ser um dos idealizadores do "Frango Lequetreque", o mascote da Sadia. Inicialmente chamado de “Frango Veloz”, foi renomeado após a realização de um concurso cultural em 1985. Ele é conhecido por suas brincadeiras e celebrações, transmitindo uma imagem divertida e amigável, especialmente para o público infantil.
Pouco tempo depois, em 1975, a DPZ venceu o primeiro Leão de Ouro do Brasil no Festival Cannes Lions com a campanha "Homem com mais de 40 anos", criada para o Conselho Nacional de Propaganda, destacando a importância de contratar pessoas acima de 40 anos.
"Numa época em que não se falava em etarismo e ganhar Ouro no Festival da Sawa em Cannes (atual Cannes Lions) era papo restrito a europeus e norte-americanos, a DPZ conseguiu fazer história", destaca, em seu site.
Em meados de 1978, a agência criou o Garoto Bombril, lançado e imortalizado por Carlos Moreno, com uma campanha que entrou para o Guinness Book, em 1994, por ter o garoto-propaganda que ficou mais tempo no ar (com o mesmo ator) na história da publicidade mundial.
Um ano depois, outra criação publicitária que perdura até hoje: o Leão do Imposto de Renda. Segundo a Receita Federal, a escolha pelo ‘Rei da Floresta’ foi pelas características do animal, por ser “justo, leal e manso, mas não é bobo”.
Alguns anos depois, já na década de 1990, outras duas publicidades eternizadas pela agência viriam à tona. A primeira delas foi o Alfredo da Neve, que já foi protagonizado nas televisões por diversos atores famosos, como Alexandre Nero, Rodrigo Hilbert e Reynaldo Gianecchini.
Na mesma época, o Baixinho da Kaiser também seria lançado, muito lembrado pelo bigode marcante e pelo carisma. O personagem era vivido pelo espanhol José Valien Royo, que ficou até 2010 na marca.
Além destas citadas, a agência criada pelo campo-grandense também foi responsável pelas propagandas do ‘Menino Sorrindo’ (Seagrams), da ‘Mamãe Fotoptica’, do ‘Toc Toc’ (Duratex), da ‘Morte do Orelhão’ (Telesp) e do ‘Garoto de Olhos Vendados’ (Sadia).
História e morte
Filho de libanês e brasileira, Roberto Duailibi nasceu em 8 de outubro de 1935, em Campo Grande. Mudou-se para São Paulo aos 12 anos para se tornar um dos mais importantes nomes da publicidade brasileira. Coincidentemente, seu trabalho com anunciantes começou em 1952, mesmo ano da chegada dos espanhóis Petit (nascido em Barcelona) e Zaragoza (nascido em Alicante) ao Brasil.
Duailibi iniciou sua carreira na Colgate-Palmolive e, antes de formar a DPZ, atuou nas agências CIN, McCann-Erickson, J. Walter Thompson e Standard.
O embrião da DPZ foi o estúdio de design gráfico Metro3, que Zaragoza e Petit fundaram em 1962 com o produtor gráfico Ronald Persichetti. Duailibi já colaborava para o estúdio como freelancer, enquanto gerenciava o escritório paulista da Standard, então a maior agência do País.
Os sócios da DPZ - incluindo Persichetti, que deixaria a sociedade cerca de quatro anos depois, segundo o site da agência - escolheram o dia 1º de julho de 1968 como o início oficial das atividades da agência. A DPZ começou a funcionar em uma casa na Alameda Casa Branca, em São Paulo, com 11 funcionários e dois clientes, Fotoptica e Borda do Campo (revendedora Ford).
Duailibi morreu neste sábado, em São Paulo, aos 89 anos. O velório ocorre ainda hoje, no Cemitério do Morumbi, das 9h às 16h.
*Colaborou Laura Brasil
**Com algumas informações do Estadão Conteúdo





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