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LITERATURA

Editora Todavia lança nova edição de clássico de Graciliano Ramos, com posfácio de Antonio Candido

Edição ainda tem ensaio de Elvia Bezerra que apresenta trajetória literária, social e de "afetos" de Manuel Bandeira, destacando amizade do poeta com Nise da Silveira e Ribeiro Couto

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A Editora Todavia lança neste mês a nova edição de um clássico do romance regional brasileiro – “S. Bernardo” (272 páginas, R$ 69,90 ou e-book por R$ 49,90), de Graciliano Ramos – e um alentado estudo sobre o papel fundamental de Santa de Teresa, Bairro do Rio de Janeiro (RJ), na vida e na obra de um dos maiores poetas do País – “A Trinca do Curvelo: Os Afetos de Manuel Bandeira” (336 páginas, R$ 89,90 ou e-book por R$ 59,90), de Elvia Bezerra.

Foto: Divulgação

Publicado em 1934, “S. Bernardo” é o segundo romance de Graciliano Ramos (1892-1953) e um dos pontos mais altos de sua obra. Narrado em primeira pessoa por Paulo Honório, o livro se apresenta como um relato de vida escrito já na maturidade, quando o protagonista repassa sua trajetória e tenta compreender seus erros.

De origem pobre, Paulo Honório ascendeu socialmente por meio da esperteza, do cálculo e, sobretudo, da exploração do trabalho alheio.

Tornou-se dono da fazenda São Bernardo, símbolo de seu triunfo econômico e de seu desejo de poder. No entanto, o que poderia ser uma história de sucesso e superação revela-se um testemunho amargo.

Paulo Honório construiu tudo à base da violência – física, social e afetiva. E a fazenda cresceu ao mesmo tempo que a sua vida pessoal se tornou vazia.

“Vencendo a vida, porém, ficou de certo modo vencido por ela: imprimindo-lhe a sua marca, ela o inabilitou para as aventuras da afetividade e do lazer”, resume Antonio Candido (1918-2017) em posfácio incluído nesta edição.

No centro da narrativa está o casamento com Madalena, jovem professora idealista, cujo olhar sensível e ético contrasta com a mentalidade prática e dura de Paulo Honório.

Incapaz de compreender ou aceitar esse mundo alheio às suas preocupações materiais, ele oprime e sufoca a mulher, conduzindo-a a um desfecho trágico.

Para além da ascensão e derrocada de um homem, no entanto, o romance é uma reflexão sobre poder, afeto e fracasso, revelando os mecanismos de dominação em uma sociedade, até hoje, marcada visceralmente pela desigualdade.

Com texto estabelecido a partir do cotejo de oito versões e notas editoriais que esclarecem variantes entre elas, a nova edição de “S. Bernardo” se soma a outros dois clássicos do autor alagoano que a Todavia lançou pela Coleção Graciliano Ramos em 2024, “Angústia” (1936) e “Vidas Secas” (1938).

Também em 2024, a editora publicou, pelo selo Baião, o infantil “Os Filhos da Coruja”, que foi lançado originalmente, em 1923, sob a autoria de J. Calisto, um dos pseudônimos de Graciliano. A nova edição da obra tem pesquisa e organização de Thiago Mio Salla e pinturas de Gustavo Magalhães.

BANDEIRA NO CURVELO

“A Trinca do Curvelo” pode ser considerado um desses prodígios da articulação entre crítica literária, crônica afetiva e jornalismo cultural que com muita sorte aparecem a cada uma ou duas gerações. É, sobretudo, a obra em que Elvia Bezerra faz a súmula – com estilo gracioso e musical, pesquisa obsessiva e sensibilidade para o detalhe – de toda uma trajetória dedicada à vida intelectual.

Othon Bastos e Isabel Ribeiro no longa Othon Bastos e Isabel Ribeiro no longa “São Bernardo” (1972), de Leon Hirszman; Manuel Bandeira no curta “O Poeta do Castelo” (1959), de Joaquim Pedro de Andrade

Premiado em 1995 pelo Pen Club como melhor ensaio e reeditado agora com dois novos ensaios que versam sobre a presença de duas mulheres na vida e na obra de Manuel Bandeira (1886-1968), o livro toma como ponto de partida uma crônica do poeta de “Carnaval” (1919) sobre uma turma de garotos peraltas do Bairro Santa Teresa, no Rio de Janeiro, para expandir seus limites e retraçar uma narrativa de deliciosas coincidências entre um trio que marcou a cultura brasileira.

Pois foi ali, naquele bairro encravado entre ruas íngremes, vielas e panoramas deslumbrantes da Baía de Guanabara que três grandes personalidades se reuniriam na primeira metade do século 20.

Manuel Bandeira ocupava a casa de número 51 na Rua do Curvelo; a psiquiatra Nise da Silveira (1905-1999), que revolucionou o tratamento mental por meio da arte, morava em frente ao poeta na mesma rua; e o jornalista, escritor e diplomata Ribeiro Couto (1898-1963) - autor do célebre romance “Cabocla” (1931), que ganhou três versões como telenovela (em 1959, 1979 e 2004) – tinha seu quarto ali mesmo também, na pensão de Dona Sara.

BIOGRAFIA COLETIVA

O Rio então era a Capital Federal, a cidade que se modernizava a passos largos, mas que também, ainda, preservava paragens bucólicas e quase interioranas, onde Bandeira, Nise e Ribeiro Couto roçariam cotovelos enquanto ajudavam a transformar o cenário intelectual.

Por fortuito que pareça, e é, essa sincronia de personalidades e talentos tão distintos ajuda Elvia a construir – por meio de poemas, cartas, crônicas, rememorações – uma espécie de biografia coletiva tendo Bandeira como centro irradiador.

Mas também, a certa altura, a autora pede passagem e relembra a sua convivência, décadas mais tarde, com Nise, já uma personalidade quase legendária em nossas ciências. Pois esta é, como já reza o seu subtítulo, uma história de afetos.

HUMOR E TERNURA

O ambiente e o cenário da antiga Rua do Curvelo, atualmente Rua Dias de Barros, são evocados em poemas antológicos de Manuel Bandeira.

Quem não se lembra de “Irene preta/Irene boa/Irene sempre de bom humor”, do poema “Irene no Céu” (1930), ou dos famosíssimos versos de “Vou-me Embora pra Pasárgada” (1930), para citar apenas dois dos que guardam relação direta com essa rua onde o poeta morou de 1920 a 1933.

Na prosa bandeiriana, personagens da minúscula rua foram imortalizados, e fatos do cotidiano, contados com humor e ternura, não só em crônicas, mas também na correspondência do poeta.

Foto: Divulgação

Entre tantas referências, duas se destacam e justificam a suspeita de uma importância maior da Rua do Curvelo na vida e na obra de Manuel Bandeira. A primeira é a confissão que ele faz na autobiografia literária “Itinerário de Pasárgada” (1954), em que dá como testemunha de seu aprendizado o amigo Rui Ribeiro Couto.

“A Rua do Curvelo ensinou-me muitas coisas. Couto foi avisada testemunha disso e sabe que o elemento de humilde cotidiano que começou desde então a se fazer sentir em minha poesia não resultava de nenhuma intenção modernista. Resultou, muito simplesmente, do ambiente do Morro do Curvelo”, revela Bandeira.

O Morro do Curvelo, como Bandeira também denominava a pequena rua, adentrou na tradição literária por meio desse depoimento e de um ensaio de Ribeiro Couto – “De Menino Doente a Rei de Pasárgada” (1936).

Um grande poeta ali morava. Ali tomaria contato com a vida popular, observando, morro abaixo, os quintais efervescentes da Rua Cassiano. Ali permaneceria os melhores anos e os mais fecundos de sua criação poética.

DO CEARÁ A SUÍÇA

Manuel Bandeira morou inicialmente no Bairro de Santa Teresa em meados de 1908, em junho, quando voltou do Ceará, onde fora procurar clima bom para sua saúde na cidade de Quixeramobim, vizinha à Quixadá de Rachel de Queiroz (1910-2003).

De volta do sertão cearense, Bandeira juntou-se à família, que morava na Rua do Aqueduto, em Santa Teresa, no terceiro andar de um prédio que pertencia a um negociante português conhecido como Sr. Gomes.

Em versos do livro “Mafuá do Malungo” (1948), o poeta dedicou a essa antiga morada um soneto com o título de “O Palacete dos Amores”, nome dado pelo proprietário, habitante do segundo andar.

A família do engenheiro Manuel Carneiro de Sousa Bandeira – a mulher, Francelina Ribeiro de Sousa Bandeira, chamada Dona Santinha, e os filhos Antônio, Manuel e Maria Cândida – lá morou até 1912, quando se mudou para o Leme.

Em 2 de julho de 1913, Bandeira partiu para o Sanatório de Clavadel, instituição conhecida pela excelência no tratamento de tuberculose, a três quilômetros da famosíssima Davos Platz, na Suíça, que hoje sedia o Fórum Econômico Mundial.

Seriam para sempre caras as lembranças daquele ano em que, a aproximadamente 1.500 metros de altura, o poeta tratava-se no clima frio e seco, recomendado para seus pulmões doentes.

Ali ele conviveu com o poeta francês Paul Éluard (1895-1952), então com 19 anos, quando ainda não pensava em se juntar a André Breton (1896-1966) e Louis Aragon (1897-1982) para fundar o movimento surrealista, o que aconteceria em 1919, dois anos depois de Éluard se casar com a ex-companheira de sanatório que iluminara seus dias nos Alpes suíços, a russa Elena Dmítrievna Diákonova (1894-1982), chamada de Gala, e que uma década depois o trocaria por Salvador Dalí (1904-1989).

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Diálogo

O eleitor de Mato Grosso do Sul deu um recado claro nas urnas: quer... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta sexta-feira (23)

23/10/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Cora Coralina - Escritora brasileira

"O saber se aprende com os mestres. A sabedoria, só com o corriqueiro da vida”.

FELPUDA

O eleitor de Mato Grosso do Sul deu um recado claro nas urnas: quer continuidade no comando do Estado. O contraste com o Legislativo chama atenção: lá, o eleitor trocou peças. No Executivo, preferiu não mexer no time e o governador Riedel foi reeleito já no primeiro turno, com 67,07% dos votos válidos, numa das vitórias mais folgadas do país. Ele venceu nos 79 municípios, com votações entre 58% e mais de 80%, sem deixar um único reduto para a oposição, nem em Campo Grande e nem no interior. Como diria vovó: “Quem sabe o que planta, não teme a colheita”. Assim sendo...

Diálogo

Bis

A senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina voltou a figurar na lista das “100 Mulheres Poderosas do Agro” da revista Forbes Brasil, em sua segunda edição, divulgada neste ano. Na primeira, lançada em 2021, o nome dela também estava lá, presente desde a estreia.

Mais

A lista reúne mulheres de diferentes regiões, gerações e atividades para reconhecer o poder feminino num setor predominantemente masculino. O anúncio integra as comemorações do Dia Internacional da Mulher Rural, celebrado em 15 de outubro.

DiálogoEster Quintanilha Nogueira e o seu neto Gustavo Terra - Foto: Arquivo Pessoal

 

DiálogoJoão Vitor Silva - Foto: Lu Prezia

De peso

Pela primeira vez, Dourados terá cinco deputados na Assembleia Legislativa, que vão da direita a esquerda. José Teixeira, com 32 anos consecutivos exercendo mandato de deputado estadual, é o mais antigo dos douradenses. Ele é da direita, ao lado da bolsonarista Gianni Nogueira. Outro da direita é Renato Câmara, reeleito para o quarto mandato. Estreante na Assembleia de MS, o petista Tiago Botelho formará a bancada  do partido com Gleice Jane. 

Susto

Nesta semana, dvogados tiveram momentos de pânico quando não conseguiram acessar o sistema do Tribunal de Justiça de MS. E quem tem prazo para apresentar recursos, quase arrancou os cabelos. Depois do susto, foram informados que tribunais de vários Estados também estavam fora do ar e até o sistema do STJ estava inacessível. Houve suspeita de ataques de hacker na Justiça brasileira. Porém, o TJMS deixou o pessoal mais calmo quando informou que estava fazendo atualização no sistema.

Por perto

A Sanesul teve papel central no projeto que vai reforçar o abastecimento de água nas aldeias Jaguapiru e Bororó, em Dourados. Sob o comando do presidente Renato Marcílio, a equipe de engenharia da estatal criou a solução técnica e ajudou a garantir os recursos junto aos governos estadual e federal e à bancada de MS.  Agora, a empresa acompanha as obras, contratadas pela Agesul, que incluem dois superpoços, além da ampliação da rede de distribuição.

ANIVERSARIANTES 

  • Lúcia Martins Coelho Barbosa, 
  • Paulo Sérgio Domingos Hernandes, 
  • Cláudia Mazza Anache, 
  • Naur Souza Barbosa Junior, 
  • Márcia de Araújo Stanzione, 
  • Anibal Arce Torres,
  • Antonio Delfino Pereira Neto (Tom),
  • Olga Brandão,
  • Filemon Medina da Silva,
  • Elson Silva Jara,
  • Paulo Júlio de Souza,
  • Rui Minoru Watanabe,
  • Hudson Shiguer Kinashi, 
  • Maria de Lourdes Pinho Soares,
  • Neida Gomes Machado,
  • Antônio Carlos Camponez Petenatti,
  • Marisa Castro Alves Sá,
  • Ana Carolina Pimentel, 
  • Ederson Costa de Assis,
  • Vanildo Ribeiro,
  • Maria Abdul Ahad,
  • Arilson Nascimento Targino,
  • Flávia Ocampos Guimarães,
  • Anna Ribeiro Gomes Rodi,
  • Nawalle Nahas Curado,
  • Gilvan Alves Farias,
  • Leny Cunha,
  • Ricardo Ferraz de Camargo,
  • Mateus Alves Chaves,
  • Milene Hernandes Moretti,
  • Yasmin Ali Omais, 
  • Nacyr Gomes Proença,
  • Rosemary Matias Coelho,
  • Carlos Alberto Diniz Laburu,
  • Lúcio Franco de Sá Fernandes,
  • Dr. João Cláudio dos Santos,
  • Andréa Ribeiro de Barros,
  • Sérgio Issao Wassano,
  • Ana Helena Catelan Munró,
  • Vanessa Fernandes da Silva,
  • Rodrigo Vargas,
  • Jaime Rodrigues Pinheiro,
  • Cyntia Cristina Camacho Braga,
  • Maria Helena Loureiro da Costa,
  • Simone Scarselli,
  • Yukiko Shinzato, 
  • Leila Nery Miranda,
  • Getúlio dos Santos Mourão,
  • Maria Auxiliadora de Barros,
  • Alfredo José Salomão,
  • Darlete Lindesley Barbosa da Cruz,
  • Vitória Alice Vieira de Lima,
  • José Carlos Mendonça,
  • Ursula da Costa Tôrres,
  • Yeda Lima de Souza,
  • Renata Barbosa Cruz,
  • Eulinda da Silva Miranda,
  • Lidia Maria Barros de Lima,
  • José Lincoln Furuguem,
  • Ursula Filártiga Henning,
  • Mayara Areco Pereira,
  • Aline Amaral Pereira,
  • Elton Flávio Montovani dos Reis,
  • Roberto Carlos Meireles Peralta,
  • Edy Cristina Pereira,
  • Juscelino Antonio  Correa,
  • Débora Margarida Quintanilha Gomes,
  • Kamila de Carvalho Bignardi, 
  • Edna Sanae Yodono Garcia,
  • Luciene Oliveira Mara,
  • Adriano Dias Ferreira Dutra,
  • Rafael Ailton Teixeira Gomes,
  • José Carlos Costa,
  • Carlos Maurício Dias Dantas,
  • Deise Moreira da Costa,
  • Helio Tokuji Higa,
  • Ana Paula Quintela de Paiva,
  • Leticia Maria Pereira Villela,
  • Emílio da Costa Feliz,
  • João Marcos Kintschev Tiburcio,
  • Edesio Calderon Correa,
  • Carlos Casagrande Poleis,
  • Felipe Augusto Dias,
  • Hilarion Gregor Chaparro, 
  • Devair Gonçalves Galdino, 
  • Patrícia Baez Furtado de Mendonça,
  • Tertuliano Marcial de Queiroz,
  • Anastácio Dalvo de Oliveira Ávila,
  • Eliselle Lopes Ribeiro de Assis Franco, 
  • Jorge Elias Hatchwell de Almeida Junior, 
  • Demilson de Santi,     
  • Reginaldo Costa de Albuquerque,
  • Paulo Henrique Xavier de Souza,
  • Carlos Henrique Serafim,
  • Edmundo Pereira Calado,
  • Maria Silvia Martins Maia Ricci,
  • Fernando Vigano,
  • Lucas Pasquali Vieira,
  • Túlio Cassiano Garcia Mourão,
  • Janainna Enedina Teruel,
  • Edson Panes de Oliveira Filho,
  • Elzy de Oliveira e Souza Gonçalves,
  • Wilson Castro de Sá,
  • Eunice Novais Pereira, 
  • Marielva Araújo da Silva,
  • Onercilene Ricarte de Oliveira,
  • Sérgio Augusto Guedes,
  • Wander Matos de Aguiar.

Colaborou com Tatyane Gameiro

RELATÓRIO

Caixa-preta de helicóptero não registrou voo em que estava o cantor Rick, diz Cenipa

Segundo o órgão, o equipamento não é exigido pelo Regulamentos Brasileiros de Aviação Civil para a aeronave em questão

22/10/2026 21h00

Acidente com o helicóptero que o cantou Rick e outras quatro pessoas

Acidente com o helicóptero que o cantou Rick e outras quatro pessoas Foto: Reprodução / Redes Sociais

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O relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) sobre o acidente com o helicóptero que matou o cantou Rick e outras quatro pessoas apontou que o gravador de voz da cabine da aeronave não registrou o voo, que terminou em queda.

"As gravações do CVR (Cockpit Voice Recorder) foram extraídas pelo CENIPA, porém não correspondiam ao voo da ocorrência", diz o relatório. O Cockpit Voice Recorder é um dos elementos do que é conhecido como caixa-preta.

Segundo o órgão, o equipamento não é exigido pelo Regulamentos Brasileiros de Aviação Civil para a aeronave em questão, mas ela possuía um instalado em 17 de maio de 2002, com capacidade de trinta minutos de gravação.

O Bell 430, de prefixo PP-MGR, decolou às 10h30 do Aeródromo Costa Esmeralda (SDEN), em Porto Belo, com destino ao heliponto Metropolitan Criciúma. O pouso estava previsto para as 11h24.

A aeronave foi localizada no segundo dia de buscas em uma área de difícil acesso, na região de Santa Bárbara, em Urubici. Segundo a tenente-coronel Heloísa Helena Battisti, comandante do 5º Batalhão de Bombeiros Militar, as equipes precisaram deixar as viaturas e caminhar por cerca de três horas até chegar aos destroços.

O documento divulgado nesta quinta-feira, 22, informou ainda que havia relatos de falhas recorrentes nos geradores do helicóptero, que não haviam sito solucionadas definitivamente.

"Foram obtidos relatos de falhas intermitentes dos geradores da aeronave, algumas das quais teriam ocorrido em situações de exposição à umidade (voo dentro de nuvens/ou sob chuva)", afirma o relatório preliminar.

O documento aponta ainda que as condições meteorológicas indicavam baixa visibilidade. A previsão "indicava chuva moderada restringindo a visibilidade a 3.000 m, trovoadas embutidas e nuvens CB e TCU embutidas, com bases a 2.500 ft e topos acima de 10.000ft. A mensagem incluía a indicação de obscurecimento de montanha na Serra Geral."

Uma troca de mensagens e chamadas telefônicas entre o copiloto do helicóptero e um operador do Aeroporto de Lages, em Santa Catarina, mostra que o condutor da aeronave estava preocupado com as condições climáticas do dia do voo. A conversa foi divulgada pelo Fantástico, da TV Globo.

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