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Racionalidade

Eles largaram tudo pela carreira das esposas

Eles largaram tudo pela carreira das esposas

IG

27/04/2011 - 23h00
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O soteropolitano Jailton Carneiro, 35, sabe bem o significado da palavra parceria. Ele abandonou a carreira de acrobata no Cirque Du Soleil para seguir a esposa, Elin e as filhas, na carreira dela. Elin Lutke, 31, nasceu em Gotemburgo, na Suécia, mas foi criada no Brasil. Filha de um aventureiro brasileiro e de uma dentista sueca, ela diz que seu o espírito viajante “é genético”. “Meu pai conheceu minha mãe durante uma viagem de volta ao mundo”, explica.

Jailton e Elin se envolveram às vésperas de uma travessia que a geógrafa faria pela Ásia. “Foi amor ao primeiro beijo”, lembra o acrobata. Ele seguiu para Dubai com o espetáculo Quidam e ela “fugiu com o circo”: abandonou a ideia de ir para a Índia para ficar com ele. “Ele insistiu muito para que eu começasse minha viagem por Dubai. Acabei indo”. Foi o início da aventura do casal. A cada dois meses Jailton tirava um mês de folga e ia encontrar com Elin onde ela estivesse. “O primeiro lugar foi Katmandu, no Nepal”, conta o ex-acrobata. Em contrapartida, ela passava algum tempo com ele nos destinos da turnê. “O pessoal do Cirque sempre fica em hotéis fantásticos, era a maior mordomia”, recorda.

Pouco tempo depois, Elin engravidou da primeira filha, Mel. “Tive uma gravidez deliciosa, aproveitamos para viajar pela Europa e fomos até para o Marrocos.” Dois anos depois, chegou Lorena, quando a turnê já estava na América Latina. A vida nômade de fazer e desfazer malas começou a cansar o casal, e a geógrafa queria voltar a atuar em sua área. O casal decidiu retomar o plano inicial dela: mudar para a Suécia para que ela pudesse fazer um mestrado.

Ele então abandonou o Cirque Du Soleil e entrou de cabeça na aventura. Agora, o casal está baseado no Brasil por alguns meses. Enquanto ele cuida da casa e das filhas, Elin organiza os últimos detalhes da mudança. “Eu acho muito importante que ela atinja seus objetivos profissionais e se sinta realizada. Eu já tive meu momento, agora é a vez dela”, diz o ex-acrobata.

Jailton sabe que vai enfrentar dificuldades a partir do próximo dia 6, quando embarcam rumo à Gotemburgo. “Vou ter que aprender uma nova língua e não vou poder trabalhar, pelo menos por enquanto”, avalia. “Mas ela mudou muitos planos para ficar comigo, é a minha vez de apoiá-la”. De quebra, vai aproveitar para curtir a paternidade de uma forma que poucos pais têm oportunidade. “Eu quero poder educar minhas filhas, brincar com elas, isso é muito importante e eu adoro”. Elin garante que não sente nenhum incômodo em trabalhar enquanto o marido estuda sueco e cuida das filhas.

Relacionamento a dois não é fusão
 

Célia Brandão, analista de casais e professora da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica, acredita que o imediatismo empregado nas relações humanas atualmente pode gerar casais disfuncionais. “É preciso entender que o outro não é um apêndice do seu projeto de vida. Relação não é fusão.” A professora explica que assim como as situações, os indivíduos também mudam. Os casais que aceitam e se adaptam as mudanças com generosidade, “coisa rara hoje em dia”, costumam superar as dificuldades.
 

Em casos como o de Elin e Jailton ela não vê prejuízo para a relação. “O importante é que não haja a amputação de um sonho. Sacrifícios são muitas vezes necessários, mas uma amputação causa cobranças inatingíveis no futuro”.

De acordo com a psicóloga, quando a mudança é gerada pela insegurança ou medo, especialmente o de perder o companheiro, a relação tende a acabar. Contudo, se a mudança é motivada por um desejo, algo positivo para a dupla, “pode ser bom para ambas as partes, desde que não haja anulação do parceiro e exista um projeto em conjunto”.

Sossego longe da cidade
 

Daniel Marçal, 35, e Nívea Pincinato, 35, eram “inimigos de infância”. “Eu atormentava ela”, brinca Daniel. Começaram a namorar ainda na adolescência e hoje são casados. Há dois anos, Daniel largou o mundo corporativo paulistano para cuidar de Rafael, 7, filho do casal, e para administrar os chalés que ele e a esposa têm em Ilhabela. “Eu vivia estressado, não tinha tempo para ficar com a minha família, aquilo não era vida”, desabafa.

Nívea continua investindo no consultório de dentista. “Passo metade da semana atendendo em São Paulo e a outra metade com eles na praia”, conta. Ela entende que a mudança tenha valido a pena, já que o tempo que passa com o filho tem mais qualidade. “O Rafael não quer nem pensar em voltar para a cidade”, afirma. “E o Daniel é impecável: cuida de tudo aqui na Ilhabela, limpa, lava, leva o Rafael para a escola”, diz Nívea. Para o casal, a maior dificuldade é justamente lidar com os pitacos da família. “Conselhos são bem-vindos. O que eu não gosto é quando querem impor regras para a criação do meu filho”, diz Daniel. Segundo eles, a família dá a entender que ela “cuida do marido” e que um homem não tem como cuidar do filho tão bem quanto a mãe.

Apesar da pouca compreensão por parte das famílias, o casal tem certeza absoluta em relação às suas decisões. Mesmo quando Nívea era a principal fonte de renda da família, Daniel não se sentia pressionado. “Nós somos um time, tudo o que temos construímos juntos”, diz. Nívea reforça que nunca foca no que ela tem ou ganha. “Sempre penso no saldo final”.

Para a terapeuta e coach Claudia de Albuquerque, a tomada de decisão é um processo delicado, em que é preciso estar ciente das perdas que vêm com cada opção. “Na verdade, escolhemos o que vamos deixar de lado”, explica. No caso, optar pela qualidade de vida veio com o ônus de cobranças sociais e familiares.

O jogo do amor


No caso de Cornélio Guibunda, 26, e Deneyse Kirkpatrick, 29, a decisão não foi fácil. Ele, moçambicano de Maputo, ainda estava terminando a faculdade de Relações Internacionais enquanto ela, americana do Texas, já havia concluído o mestrado e embarcava com o corpo diplomático americano para o Egito. Eles se conheceram estudando em Georgetown University, nos Estados Unidos.

Quando o moçambicano a pediu em casamento, ela foi direta. “Expliquei a ele o quanto a carreira que havia escolhido era importante para mim, para que ele não se decepcionasse no futuro,” diz Deneyse. “O mais importante é estar com a mulher que eu amo”, foi a resposta de Cornélio. Ele topou segui-la sem hesitar e adiou a dedicação a sua carreira para dar apoio à esposa.

Hoje o casal mora em São Paulo e está radiante com a chegada do primeiro filho, Cayleb, recém-nascido. Ele trabalha no consulado americano. Cornélio conta que precisou ser firme nas suas escolhas diante do choque com a cultura patriarcal em que foi criado, para evitar confusões com a família. “Claro que ele quer ganhar mais, mas sabemos que os familiares de diplomatas precisam superar diversos obstáculos”, pondera ela.

Longe de qualquer arrependimento, Cornélio acredita que a história do casal tenha contribuído para que ele decidisse melhor seu rumo profissional. Em um ano devem voltar para Washington, Estados Unidos, e ele vai se especializar em segurança consular. “A ideia é que Cornélio faça algo que nos permita trabalhar – e viajar – juntos”, diz a diplomata. Apesar de viverem uma vida tranquila, ela tem consciência de tudo que ele abriu mão. “Minha posição é mais confortável, por isso tento colocar mais empenho para que tudo vá bem”, admite. “Mas como nós nos apoiamos muito, as coisas ficam mais fáceis. No momento, tudo o que consigo pensar é que meu filho está bem e meu marido está feliz”.

Pet Correio B+

Hábitos da vida moderna afetam a troca de pelos dos pets na primavera?

Rotina cada vez mais indoor pode deixar renovação da pelagem diluída ao longo do ano; pólen e maior exposição solar exigem atenção na nova estação

19/09/2026 14h00

Hábitos da vida moderna afetam a troca de pelos dos pets na primavera?

Hábitos da vida moderna afetam a troca de pelos dos pets na primavera? Foto: Divulgação

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Mais pelos espalhados pela casa costumam anunciar a chegada de uma nova estação para quem tem animais em casa. Isso porque, com a aproximação da primavera, o aumento da luz solar e da temperatura influenciam o ciclo dos folículos, resultando na renovação da pelagem. 

No entanto, as temperaturas cada vez mais irregulares, com oscilações menos previsíveis, além das mudanças da rotina moderna – em que os pets passam boa parte do dia sob luz artificial e ar-condicionado – fazem com que a troca de pelos não acompanhe, necessariamente, a transição das estações.

“Podemos observar ciclos de troca menos definidos e uma renovação da pelagem mais distribuída ao longo do ano, mesmo em animais de raças com troca de pelos naturalmente mais sazonais. Porém, não podemos afirmar que as mudanças climáticas, isoladamente, sejam responsáveis por determinada alteração de pelagem”, explica a médica-veterinária Nathália Starek, CEO da Vidaá Care.

Mesmo assim, a chegada da primavera não deixa de influenciar a pelagem. A forma como essa mudança aparece em cada animal depende de uma combinação de fatores, como raça, genética, tipo de pelo e ciclo folicular.

“Raças com pelagem dupla e subpelo abundante, por exemplo, tendem a apresentar uma troca sazonal mais evidente. Em outros tipos de pelagem, a renovação dos fios pode ocorrer de maneira menos concentrada”, completa Starek.

Nessas raças, como o spitz alemão, o subpelo e o pelo primário fazem parte do sistema natural de proteção da pele e são responsáveis pelo isolamento térmico. Por isso, a simples retirada dessa pelagem não deve ser encarada como solução para as altas temperaturas.

Mantê-la desembaraçada e retirar os fios mortos por meio de escovação são medidas que podem integrar a rotina durante o período de renovação intensa.

“A pelagem não é apenas estética. Ela funciona como uma barreira de proteção entre a pele do cão e o ambiente, participa da proteção física e térmica, e está em constante renovação. Primavera e verão modificam os estímulos ambientais, e os cuidados precisam acompanhar a fisiologia do animal. Também são essenciais a oferta de água, sombra, hidratação e proteção contra exposição excessiva ao calor”, avalia a CEO.

A retirada dos fios que já se desprenderam também merece atenção. A rotina de escovação feita em casa, com frequência e escova adequadas para cada raça, auxilia na retirada natural dos fios mortos. “Não é necessária a remoção mais intensa do subpelo para evitar o ‘abafamento’’ da pele ou simplesmente para diminuir a quantidade de pelos que o animal solta, pois a tração da remoção forçada pode retirar também fios saudáveis”, explica Nathália.

Brilho e tonalidade com o sol
Quando a troca sazonal acontece, a diferença percebida pelo tutor não se resume à quantidade de fios espalhados pela casa. A transição para os meses mais quentes provoca uma renovação fisiológica do ciclo folicular que pode alterar densidade, volume, textura e aparência do brilho da pelagem. 

Além disso, a radiação ultravioleta pode promover alterações oxidativas nas proteínas e nos pigmentos da haste, contribuindo para ressecamento, perda de brilho e até mudanças de tonalidade.

A atenção deve ser redobrada para animais de pelo branco ou claro. A menor presença de melanina no fio reduz a proteção pigmentar, tornando essas pelagens mais vulneráveis à combinação de sol, calor e ressecamento. “Não significa que os cães não possam tomar sol. A recomendação é evitar exposição excessiva, principalmente nos períodos de maior incidência de radiação”, aponta Starek.

Pólen de ‘carona’
Se dentro de casa as condições ambientais podem suavizar os sinais da mudança de estação, do lado de fora a primavera traz um elemento importante para a saúde da pele: o aumento da presença de pólen e outras partículas ambientais. A pelagem funciona como uma barreira para que essas partículas não entrem em contato com a pele, mas elas ainda podem ficar aderidas aos fios.

“Em cães predispostos a alergias ambientais, isso pode representar maior exposição aos alérgenos. É importante reforçar que isso não quer dizer que ele precise, necessariamente, ser tosado ou tomar mais banhos, pois a pele possui uma barreira natural e uma microbiota próprias, que também podem ser prejudicadas por procedimentos excessivos ou pelo uso inadequado de produtos”, afirma a especialista.

Cinema Correio B+

Slow Horses está voltando e é a série imperdível do mês

A série de espionagem deixou de ser um segredo e chega à sexta temporada consagrada pelo Emmy

19/09/2026 13h00

Slow Horses está voltando e é a série imperdível do mês

Slow Horses está voltando e é a série imperdível do mês Foto: Divulgação

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Durante muito tempo, Slow Horses foi uma das melhores séries que pouca gente parecia assistir. Quem descobria se apaixonava, indicava para os amigos e passava a esperar ansiosamente pela temporada seguinte, mas ela ainda permanecia em uma espécie de excelente nicho.

Isso mudou. A produção britânica foi crescendo a cada ano, conquistou espaço no Emmy e chega à sexta temporada como uma das séries mais respeitadas da televisão.

Os novos episódios estreiam em 16 de setembro na Apple TV, com lançamento semanal até 21 de outubro. Serão apenas seis, como já virou tradição, mas Slow Horses nunca precisou de muito tempo para contar suas histórias. O roteiro é econômico, os diálogos são brilhantes e cada temporada funciona quase como um filme de espionagem dividido em capítulos.

Baseada nos livros de Mick Herron, a série acompanha um grupo de agentes do serviço secreto britânico enviados para a Slough House, o departamento para onde o MI5 manda aqueles que cometeram erros graves e não podem ser oficialmente demitidos.

São espiões humilhados, esquecidos e tratados como inúteis, liderados pelo malvestido, grosseiro, aparentemente bêbado e invariavelmente brilhante Jackson Lamb, interpretado por Gary Oldman.

É praticamente uma série anti-James Bond. Não há glamour, carros luxuosos ou agentes impecáveis pedindo martíni. Há escritórios imundos, documentos burocráticos, operações que dão errado e profissionais que carregam traumas, ressentimentos e fracassos.

Mesmo assim, ou justamente por isso, quando o perigo aparece são aqueles rejeitados que quase sempre precisam salvar o dia.

A sexta temporada adapta Joe Country e Slough House, sexto e sétimo livros da série literária. Desta vez, Diana Taverner, vivida por Kristin Scott Thomas, envolve os cavalos lentos em um jogo de retaliação e vingança que coloca toda a equipe em fuga.

A grande surpresa é o retorno de Sid Baker, personagem de Olivia Cooke, cuja história ficou em aberto desde o início da série. No universo de Mick Herron, aliás, ninguém está realmente protegido. Personagens importantes morrem, desaparecem ou retornam quando menos esperamos, e essa permanente sensação de risco é parte de sua força.

O crescimento de Slow Horses também pode ser medido pelo Emmy. Depois de passar quase despercebida em suas primeiras temporadas, recebeu nove indicações em 2024, venceu pelo roteiro de Will Smith e entrou pela primeira vez na disputa de Melhor Série Dramática.

Em 2025, voltou à categoria principal e ganhou o prêmio de direção com Adam Randall. Neste ano, chegou novamente a nove indicações, completando três nomeações consecutivas como Melhor Drama, além de reconhecer Gary Oldman, Jack Lowden e Jonathan Pryce.

É significativo porque o Emmy finalmente alcançou uma série que o público vinha descobrindo sozinho. Oldman é extraordinário como Lamb, mas Jack Lowden cresceu diante dos nossos olhos como River Cartwright e hoje consegue trabalhar ombro a ombro com ele, o que não é pouca coisa. Em torno dos dois, há um dos melhores elencos da televisão, sem personagens decorativos ou atuações no automático.

Com humor britânico, suspense, política, traições e uma completa falta de reverência pelo mundo dos espiões, Slow Horses consegue melhorar sem abandonar a própria identidade.

É inteligente sem ser pedante, engraçada sem virar comédia e tensa sem depender apenas de explosões. Se você ainda não entrou na Slough House, setembro é o momento perfeito. Para quem já faz parte dessa crescente nação de fãs, a melhor série de espionagem da televisão está finalmente voltando.

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