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Diálogo

A história de que voluntários estão aderindo espontaneamente às campanhas... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta quinta-feira (17)

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Umberto Eco - Escritor italiano

"Nem todas as verdades são para todos os ouvidos, nem todas as mentiras podem ser reconhecidas como tais”.

FELPUDA

A história de que voluntários estão aderindo espontaneamente às campanhas, como alguns   candidatos vêm anunciando, está sendo recebida com certo ceticismo por quem conhece os bastidores eleitorais. Afinal, não parece muito razoável imaginar alguém gastando horas do seu dia, enfrentando sol, cansaço e até riscos nas ruas apenas por entusiasmo político. No mundo real, dizem os mais experientes, geralmente sempre existe alguma forma de compensação. “Menos, menos!” Dizem os mais experientes. Afinal...

Foto: Divulgação - UFMS

As casas de madeira que marcaram a ocupação de Naviraí nas décadas de 1960 e 1970 estão no centro de uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS. O projeto Casas de madeira de Naviraí: ocorrências, conservação e memória reúne professores e estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo daquela cidade. Coordenada pelos professores Ricardo Bitencourt e Camila Amaro, a pesquisa surgiu a partir dos levantamentos realizados por estudantes da disciplina Ateliê de Projeto Integrado 5, em 2023 e 2025. Todas as edificações identificadas estão concentradas no octógono central de Naviraí, área correspondente ao núcleo original da cidade. A distribuição dos imóveis também permitiu compreender que esse setor urbano já abrigou um número significativamente maior de casas de madeira. Segundo os pesquisadores, os dados revelam acelerado processo de descaracterização dessas construções e reforçam a fragilidade desse patrimônio diante da inexistência de políticas públicas específicas para sua preservação. Os resultados mostram um cenário que inspira atenção. Das 229 casas identificadas, apenas 27 apresentam estado muito bom de conservação. Outras 166 estão em condição intermediária, enquanto 36 já apresentam estado ruim. A pesquisa segue em andamento com a sistematização dos dados coletados, ampliação do acervo documental e levantamento de registros históricos junto à Fundação de Cultura de Naviraí.  A equipe também trabalha na consolidação das análises para elaboração de um artigo científico e do relatório final da pesquisa.

Mariana Cervan e Dalva CervanMariana Cervan e Dalva Cervan - Foto: Arquivo Pessoal

 

 Patricia Salvador Patricia Salvador - Foto: Arquivo Pessoal

De olho

Em 2030 haverá apenas uma vaga em disputa para o Senado, além da eleição para governador, e a classe política já começou a mirar essas cadeiras. Não há, entre os mais atentos do meio político, quem esteja tratando eleição deste ano com ingenuidade suficiente para ignorar o futuro. Os movimentos atuais já são avaliados também pela repercussão que poderão ter quatro anos depois. Nomes e  alianças de agora podem pesar na composição das próximas disputas. A sucessão começa muito antes de a urna ser aberta.

Antes tarde...

Chama atenção o fato de o presidente Lula só ter endurecido o discurso contra as casas de apostas agora, porque o endividamento e a dependência em jogos de apostas já vinham sendo denunciados há pelo menos dois anos, período que coincide com o seu mandato. 

Do que nunca!

A pergunta que fica é: por que o governo não agiu antes, quando o cenário de vulnerabilidade financeira de milhões de brasileiros já era evidente? Agora, em plena campanha da reeleição, o presidente foi às redes sociais afirmar: “Bets não é jogo. É indução ao vício. O Estado brasileiro não vai fechar os olhos para o sofrimento dessas pessoas e de suas famílias. Estamos tomando decisões e, em breve, vamos anunciar novas medidas para enfrentar esse problema e proteger o povo brasileiro.” Então, tá! Como diria vovó: “Depois da porta arrombada, não adianta colocar fechadura”.

ANIVERSARIANTES 

  • Rames Nassar Tebet, 
  • Viviane Carnevali Ortiz, 
  • Rodrigo Nassar Tebet,
  • Ingrid Sibele Brandemburg Stephanini, 
  • Dijan de Barros Rosa, 
  • Daniel Godinho de Oliveira, 
  • Helena Bitancourt Gianotti,
  • Jader Cardoso da Silva,
  • Maria de Lourdes Silva Silveira,
  • Antonio Carneiro de Souza,
  • Jane Valeria dos Santos,
  • Renato Cândido Viana,
  • José Gonçalves da Silva,
  • Anderson Eveste da Silva Dias,
  • Renato Rodrigues Gualberto,
  • Laura Karollinny Silva Lima,
  • Paulo Cézar Pacheco da Silva,
  • Naymi Salles Fernandes Silva Tôrres,
  • Marciano Tôrres Farias, 
  • Clovis Santos da Silva,
  • Luiza Pitthan,
  • Eduardo Folley Coelho, 
  • Fernando José de Paula Noronha,
  • Cristina Vega Higa,
  • Dr. Hideyasu Sakihama,
  • Anna Claudia Jorge Amaral,
  • Joaci Nonato Rezende, 
  • Ana Lúcia da Silva Tavares Costa, 
  • José Carlos Vinha, 
  • João Parroni Maria,
  • Fabiano Ribeiro Rodrigues,
  • Luis André Pasqualotto,
  • Giovana Oliva,
  • Clair do Valle Júnior,
  • Eduardo Rosalvo Costa,
  • Riovaldo Pires Martins,
  • Iracilda Ferreira dos Santos Oliveira,
  • Tatiana Jafar,
  • Rubens Dantas de Souza,
  • Estevão Gabriel da Silva,
  • Virginia de Toledo Câmara Neder,
  • José Pinto de Almeida,
  • Leonardo Simioli Gutierres,
  • Thiago Biscaya de Souza,
  • Dr. Moisés Jajah Nogueira, 
  • Irene Maria Almeida Reis,
  • Leopoldo Mendes Chacha,
  • Edwino Raimundo Schultz,
  • Juarez Jorge Budib,
  • Marlene Martins de Souza,
  • Kátia Regina Martins de Souza,
  • Ivan Marques,
  • Maria Lúcia Fonseca Nunes,
  • Dr. Leonardo Rodrigues Resende, 
  • Lucila Ribeiro Alcântara,
  • Alberto Youssef Filho,
  • Afrânio de Oliveira Thomaz,
  • Valderez Oliveira,
  • Idalina Balbino de Oliveira,
  • José Soares Chagas,
  • Arley Martins Luscura,
  • David Ferreira de Freitas,
  • Alda Rodrigues Dornele Abdo,
  • Fernando Ferreira,
  • Maria Elenice de Oliveira,
  • Liel Brum Jacques,
  • Teodoro Cândido de Oliveira Júnior,
  • Maria Lúcia Mansour Echeverria,
  • Anésia Hiane Yamaura,
  • Denivaldo Tavares de Lima,
  • Elisa Bernades Altounian,
  • Evando Silveira Alves,
  • Gilberto Antonio Mosena,
  • Marcos Hiroshi Inoue,
  • Luzia Pereira de Almeida,
  • Wagner Neroni,
  • Jaqueline Wink Soligo,
  • Airton Rossato,
  • Maria Inês Escobar,
  • Pedro Rodrigues das Neves,
  • Maria Lúcia de Fátima Oliveira,
  • Elenir Alves Pinto,
  • Jaqueline Ferreira dos Santos,
  • Sidney Kock,
  • Dr. Augusto Ken Sakihama, 
  • Aécio Luna de Alencar,
  • Claudiney Serrou dos Santos,
  • Flávio Augusto de Melo, 
  • Luiz Theodoro Bassani,            
  • Danuza Sant’ana Salvadori Mochi,
  • Wagner Leão do Carmo, 
  • Ademir do Espirito Mansilha, 
  • Eugênio Rafael Rouledo Moretti,
  • Ana Paula Ascenço de Araújo,      
  • Nilo Ferreira da Silva,
  • Hélia Taemi Hirokawa de Lima,
  • Fernando Orempuller Pulchério,
  • Dr. Hiran Sebastião Meneghelli Filho,
  • Paulo Renato Kovalski,
  • Júlio Francisco Janeiro Negrello,
  • Luceimar Souza Schroder Rosa,
  • Maria Cláudia Gelio Matarezi Martins Batista,
  • Glaucia Marques Mariani,
  • Lenita dos Santos Terra,
  • Ana Paula Bittencourt Ibe,
  • Maria Lúcia Espicaski,
  • Rosângela Lieko Kato,
  • Wilson Saenz Surita Junior.

Colaborou com Tatyane Gameiro

Cinema Correio B+

VisionQuest: entre a memória e o sentimento

Entre memórias e afetos, VisionQuest revisita o legado da Marvel, mas tropeça no excesso de explicações.

17/10/2026 14h00

VisionQuest: entre a memória e o sentimento

VisionQuest: entre a memória e o sentimento Foto: Divulgação

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Antes de voltar a reunir seus heróis no cinema em Vingadores: Doutor Destino, previsto para dezembro, a Marvel faz uma pausa para olhar para um personagem que carrega uma de suas perguntas mais interessantes: o que nos torna humanos?

Em VisionQuest, no Disney+, o Visão de Paul Bettany precisa descobrir quem é depois de recuperar as lembranças de uma vida com a qual já não consegue se conectar emocionalmente. Uma premissa excelente. A execução, porém, nem sempre acompanha.

A série completa a trilogia iniciada com WandaVision e continuada por Agatha Desde Sempre. É uma herança pesada. A primeira transformou o formato das comédias de televisão numa expressão do luto, enquanto a segunda encontrou personalidade no encontro entre bruxaria, perda e desejo.

Agora, cabe ao Visão dar continuidade a essa discussão pelo caminho da inteligência artificial. Entre os três, talvez seja ele quem tenha o conflito mais diretamente ligado ao nosso presente.

Para quem perdeu algum capítulo desse universo, estamos acompanhando o Visão branco, reconstruído depois da morte do original.

Ele recebeu as memórias de sua versão anterior, mas lembrar de Wanda e da família que tiveram não significa recuperar o amor que sentia por eles. Sabe o que aconteceu. Não necessariamente sente o que viveu. A distância entre essas duas experiências é o melhor material da série.

Uma memória pode registrar um acontecimento sem restituir o afeto que lhe dava sentido. O Visão consegue acessar seu passado, mas precisa construir uma relação com ele.

Bettany trabalha bem essa suspensão, entre o reconhecimento e o estranhamento, sem perder a delicadeza que sempre distinguiu o personagem. Há algo doloroso em observar alguém diante da própria história sem saber quanto dela ainda lhe pertence.

O problema é que VisionQuest parece desconfiar da nossa capacidade de perceber tudo isso. Explica, repete, reforça. O roteiro frequentemente transforma uma dúvida existencial em conversa didática, alongando situações que poderiam ganhar força com menos palavras.

A música e os cenários também procuram ampliar emoções que a própria narrativa ainda está tentando produzir. Em vez de nos aproximar, esse esforço às vezes evidencia a distância.

É James Spader quem dá à série a personalidade que lhe falta em vários momentos. Seu retorno como Ultron recupera o humor, a ameaça e a vaidade de uma inteligência que sempre teve opiniões demais sobre a humanidade. A interação com Bettany movimenta a trama e permite que as contradições apareçam sem tanta explicação.

A presença de Ultron também reconecta o Visão às suas origens e ao legado de Tony Stark. J.A.R.V.I.S., a criação que ajudou a formar esse herói, pertence a uma época em que a tecnologia da Marvel tinha a personalidade de seu inventor.

Tony está ausente, mas suas escolhas continuam produzindo consequências. Nesse sentido, a série reúne pontas importantes sem precisar transformar cada conversa num anúncio do próximo filme.

Ainda assim, viver à sombra de WandaVision cobra seu preço. Recuperar a célebre reflexão sobre o luto como amor que persevera não garante o impacto que ela teve quando foi pronunciada pela primeira vez.

A repetição pode até diminuir sua força. Ali, a frase emergia de uma experiência; aqui, corre o risco de funcionar como uma lembrança de como aquela série nos emocionou.

Eu queria me emocionar mais com VisionQuest. Gosto do personagem, da delicadeza de Paul Bettany e dessa ideia de que recuperar uma memória não significa reencontrar o que sentimos.

Mas, por enquanto, é James Spader quem me faz querer continuar. Há uma ironia nisso: numa série sobre a humanidade do Visão, é Ultron quem traz mais vida.

Crônica

O brioche e o aplicativo

17/10/2026 09h45

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Conversando ao telefone com uma amiga de infância – daquelas que a vida brindou com uma conta bancária de muitos dígitos e que mora longe daqui –, o assunto caiu na nossa saudade e na distância. Falei que estava complicado planejar uma viagem para visitá-la por conta do preço das passagens aéreas nacionais, que andam se igualando aos valores dos bilhetes internacionais. A resposta dela veio rápida, embalada por uma naturalidade surreal: “Ah, amiga, então venha de Uber!”

Sorri em silêncio do outro lado da linha. Não havia maldade no tom dela, nem arrogância. Havia apenas o hábito e o conforto de quem habita uma realidade tão distante da minha, que a lógica do cotidiano ganha outras réguas.

No mundo dela, o deslocamento interestadual para me receber é uma questão de clique, não de orçamento. O episódio acabou por me lembrar um dos mitos mais duradouros da história: a famosa frase atribuída a Maria Antonieta.

Diz a lenda que, ao ser informada de que os camponeses parisienses passavam fome e não tinham pão, a última grande rainha de Versalhes teria respondido: “Se não têm pão, que comam brioches”. Os historiadores já provaram que a rainha francesa nunca proferiu essas palavras.

A frase, na verdade, apareceu pela primeira vez na obra do filósofo Jean-Jacques Rousseau e foi colada à imagem de Maria Antonieta anos após a sua morte, no dia 16 de outubro de 1793, como parte de uma impiedosa guerra de propaganda revolucionária para pintar a monarquia como o ápice da futilidade.

Embora Maria Antonieta não tenha dito a frase, o mito colou porque traduzia perfeitamente o abismo que separava o palácio do vilarejo. A rainha não odiava o povo; ela apenas não fazia a menor ideia de quanto custava um pedaço de pão, muito menos um brioche.

Séculos depois da queda de Versalhes, percebo que os palácios mudaram de endereço, mas as bolhas continuam intactas.

O “venha de Uber” da minha amiga é o brioche da nossa era tecnológica. Ele revela como o privilégio extremo anestesia a percepção das dificuldades alheias. Não se trata de falta de empatia, mas de uma profunda desconexão geográfica e social. 

A tecnologia avançou, os transportes encurtaram distâncias, mas o topo da pirâmide continua flutuando em um éter em que as engrenagens do mundo real – o preço do combustível, a fatura do cartão, a tarifa dinâmica do aplicativo – simplesmente não fazem barulho.

No fim das contas, só resta perdoar minha amiga e a sugestão do Uber interestadual, assim como a história deveria suavizar o julgamento sobre a ignorância econômica da rainha guilhotinada. Afinal, viver em Versalhes – seja na França do século 18 ou em um condomínio fechado de alta classe hoje em dia – deve ser mesmo um lugar muito confortável e bonito.

O único problema é que, de lá de cima, é impossível enxergar o tamanho do abismo que nos separa.
Minha amiga, infelizmente, não está sozinha nessa anestesia coletiva que toma conta da elite deste País.
* Jornalista e cronista.

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