Correio B

Diálogo

Enquanto ruas esburacadas, falta de infraestrutura e contas públicas... Leia na coluna de hoje

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Sylvia Cesco - Poeta de MS

"Os meus versos adormeceram sobre verdes e gentis verões, úmidos de lágrimas descuidadas, escondidas entre  folhas de jasmim e flores despetaladas”

FELPUDA

Enquanto ruas esburacadas, falta de infraestrutura e contas públicas disputam atenção, a Câmara dos Deputados resolveu mirar as estrelas. A Comissão de Turismo aprovou regras para reduzir a poluição luminosa e impulsionar o astroturismo, exigindo luminárias de LED com luz voltada ao chão e tons âmbar ou avermelhados. A promessa é preservar o céu noturno. Resta saber se, antes de contemplar as constelações, o brasileiro conseguirá enxergar solução para os problemas que continuam bem aqui. Pode?

Foto: Divulgação

Quem conquistou o Travellers’ Choice 2026 foi o Hotel Sesc Bonito. A premiação é concedida pelo Tripadvisor, a maior plataforma de viagens do mundo, e o hotel passa a integrar o seleto grupo dos 10% de estabelecimentos mais bem avaliados. A premiação é baseada exclusivamente nas avaliações e experiências compartilhadas pelos próprios viajantes durante 2025, refletindo a percepção real dos hóspedes sobre qualidade, atendimento, estrutura, limpeza, conforto e experiência geral oferecidos pelo empreendimento. O selo Travellers’ Choice é concedido anualmente aos hotéis que mantêm desempenho consistente e avaliações positivas junto aos usuários da plataforma. Para a gerente da unidade, Maria Caroline Moron Urt, a conquista é resultado direto do comprometimento das equipes que atuam diariamente nas operações.

Dra. Ana Carolina Ali Garcia, mudando de idade neste sábado - Foto: Arquivo pessoal

 

Aline BarberinoAline Barberino - Foto: Arquivo pessoal

"Canibalismo"

O “climão” entre o deputado federal Vander Loubet e a dupla formada pela deputada federal Camila Jara e o deputado estadual Zeca do PT virou motivo de deboche. Adversários dizem que, diante da dificuldade de encontrar novos alvos fora de casa, petistas estão mirando os companheiros. Dizem que o partido entrou na fase do “canibalismo político”, porque processar o Bolsonaro por perturbar baleias já não rende mais.

Paciência

Pesquisa divulgada pelo Procon-MS mostrou que abastecer veículo em Campo Grande continua sendo exercício de pesquisa e paciência. Dependendo do posto escolhido, a diferença de preço pode passar de 14%, especialmente no GNV. No etanol, a economia chega a R$ 27 por tanque para quem se dispuser rodar atrás da bomba mais barata. A boa notícia é que alguns preços caíram. A má notícia é que é preciso continuar fazer contas.

Autorizada

A Santa Casa de Campo Grande conseguiu autorização do MEC para abrir sua primeira residência multiprofissional. O programa vai formar especialistas em enfermagem, fisioterapia, nutrição e psicologia. O curso terá duração de dois anos, com carga horária de 60 horas semanais e bolsa de R$ 4.106,09.

Aniversariantes

Sábado (27)

Dra. Ana Carolina Ali Garcia,
Dr. Antônio da Silva Vendas Neto,
Maria do Carmo Avesani Lopez, 
José Ricardo Hong Koim,
Mônica Barros Reis,
Eunice Moreira dos Santos,
Inah Ayres Ribeiro,
Nery Leite Bueno,
Jair Marciano Dutra,
Laurindo Gonçalves Charão de Siqueira,
Lício Ferreira,
Edio Antônio Resende de Castro,
Alan Ramão Quintana,
Evelyn Ferreira Cruz,
Antônio Pedro Marques de Figueiredo Neto,
Adriana Robbin Calegaro,
Celso Oscar Couso,
Edson Dutra dos Santos,
Elaine Candido Tosta,
Orlando Carvalho Correa,
Laudelina Martins Portilho de Melo,
Alex Sandro da Silva,
Miguel Medeiros de Queiroz,
José Antonio de  Lima,
Dr. Mauri Valentin Riciotti, 
Dr. Joaquim Brandão Neto,
Eneu Silveira Fett de Magalhaes,
Dr. Márcio Eurico Vitral Amaro, 
Carolina Cáceres Vieira, 
João Batista de Almeida,
Crescêncio Alvarenga Filho,
Hugo Melo Farias,
José Ailton dos Santos,
Lurdes Chueriy de Oliveira,
Joana Varanda Coimbra,
Oberdan Nascimento, 
Elio Gomes Barbosa,
Danilo Dias Brentan,
Neder Afonso da Costa Vedovato,
Marcelo França,
Patrícia Lopes Del Picchia Sturaro, 
Luiz Henrique de Souza,
Eunice Moreti Amorim,
Arlete Viana Costa,
Maria Rosana Rodrigues Pinto Gama,
Lucileide Dorisbor,
Kátia Liege Guimarães,
João Fernandes da Fonseca Filho,
Regina Coeli Alves de Souza,
Aline Reis Abrão, 
Gabriel  Monteiro Maymone,
Dr. Renato Bichat Pinto de Arruda, 
Paulo de Tarso Albuquerque, 
Vanda Jacques Monteiro Leite,
Egeu Berthier,
Maria Euzebia de Souza Marques,
Marina Cançado Fatureto Bandeira, 
José Roberto de Almeida,
Edvaldo Ferreira da Silva,
Ana Cristina Massuda de Góes,
Lourival Ferraz de Camargo,
Januário Moreira Maia,
Thelma Rita de Souza Gomes,
Luciana Soares de Oliveira,
Ana Maria Vinhas,
Valdemir Antonio Moreto,
Géssica Scherer,
Pedro Asato,
Dra. Jussara Maria de Souza Martins Baptista,
Dr. Douglas Ramos,
Ana Cacilda Rolim,
Kerman Salazar Cação,
Márcia Cristina de Castro Zambaldi.

Domingo (28)

Lia de Sena Maksoud,
Diogo Wendling,
Samayra Prado Vasconcelos,
Dra. Elenice Pereira Carille,
Maria Tereza Saab Mujica,
Luci Dorisbor,
Jonas Nogueira de Melo,
Paulo Azevedo de Melo,
Regina da Conceição Amorim,
Silasneiton Gonçalves,
Leon Conde Sangueza,
Maura Virgínia de Castilho,
Silvia Marcia Leite Baldo,
Argemiro Noronha de Alencar,
Jeovania Bernardes,
Ronaldo Marchiori,
José Cardoso dos Santos,
Franciele Paula Rizzi,
Leuza Carrilho de Oliveira,
Edson Correa da Silva,
Eduardo de Oliveira Prestes,
Sandra Mara Vieira, 
Dr. Lincoln Cezar Melo Godoeng Costa,
Janaína Correa Alves Nishikawa,
Wilson Soler,
Pedro Pedrossian Filho,
Marilza Grichoswski Pitchenin,
Dr. Augusto Afonso 
de Campos Brasil Filho,
Márcia Cristina Alves da Cruz,
Dr. Cícero Rufino Pereira,
Audaleide Maria dos Santos,
José Bandeira de Mello Filho,
Rodrigo Rebello Campos,
José Cláudio Dotto,
Marcus Vinicius Rocha Fernandes,
Heleni Colombo de Barros,
Esmeralda Malagoli,
Galileu Prado de Souza,
Enilde Brandão Vilela,
Argemiro Nenrique da Silva,
Cleiton Baeve de Souza,
Maria Irene Ferreira Espíndola,
Ionice da Cunha Neves,
Luiz Alberto Silva Perez,
Valey Freitas Rodrigues,
Luiz Carlos Rodrigues Antunes Júnior,
Maria de Lourdes Lorenzetti Pires,
José Américo Flores do Amaral,
Claudinei da Silva,
Dr. Hércules Mandetta Neto,
Dr. Lauro Corsi Filho, 
Dra. Ana Alice Teixeira de Lima Coelho,
Dr. Luiz Carlos Nunes da Silva Maia,
Marili de Medeiros Santoro,
Rodrigo Cunha de Figueiredo, 
Alexandre do Nascimento Cantalice,
Renata Garcia Leandro Nishimura,
Juliana Coelho Mazzaro, 
Marcelo Labegalini Ally, 
Helton Pedro Lazzarotto,  
Norma Raquel Stragliotto,
Rosemar Angela Ferreira Perrupato,
Liana Catia Lazzarotti Garcia, 
Ali Khaled Omais,
Mário Name,
Kátia Regina Molina Soares,
Hellen Caroline Richter Ferreira,
André Luiz Esteves Tognon,
Sylvia Doniak,
Nelson Eli Prado,
Maria Lucilia Ascenço.

Colaborou Tatyane Gameiro

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História

Quando um "fantasma" assustou a redação do Diário da Serra

Uma confusão envolvendo tecnologia, silêncio e imaginação transformou-se em uma das histórias mais curiosas dos bastidores do jornal que marcou época em Mato Grosso do Sul

25/06/2026 09h00

O Telex funcionava a partir de duas máquinas; à esquerda, um tipo de máquina de escrever recebia e escrevia as notícias e informes das centrais de informação, e à direita, outra máquina imprimia o texto

O Telex funcionava a partir de duas máquinas; à esquerda, um tipo de máquina de escrever recebia e escrevia as notícias e informes das centrais de informação, e à direita, outra máquina imprimia o texto Arquivo

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Antes da era dos computadores, as redações jornalísticas eram ambientes dominados pelo som constante das máquinas de escrever, telefones tocando, jornalistas correndo contra o relógio e editores revisando textos poucos minutos antes do fechamento.

Durante boa parte das décadas de 1970, 1980 e 1990, esse cenário fez parte da rotina do Diário da Serra, um dos jornais mais importantes da história de Mato Grosso do Sul.

Fundado em maio de 1968 pelos Diários Associados, grupo criado por Assis Chateaubriand, o jornal acompanhou alguns dos momentos mais importantes da região, incluindo a criação do Estado em 1977.

Ao longo de 30 anos de circulação, tornou-se uma verdadeira escola de jornalismo, formando profissionais que ajudaram a construir a imprensa sul-mato-grossense.

Mas, nem só de manchetes históricas viveu o Diário da Serra. Entre os corredores da redação também nasceram histórias que passaram por gerações e se transformaram em parte do folclore do jornal.

A mais famosa delas envolve um vigilante, uma madrugada silenciosa e uma máquina que parecia ter vida própria.

PAIXÃO PELO JORNALISMO

Na época em que a história aconteceu, o Diário da Serra vivia uma fase de intensa competição com o Correio do Estado. A rivalidade era conhecida entre jornalistas, leitores e fontes. Conseguir uma informação exclusiva significava prestígio para a redação e, muitas vezes, uma vantagem importante sobre o concorrente.

A busca pelo chamado furo mobilizava repórteres diariamente. Havia orgulho em ver a própria reportagem estampada na capa do dia seguinte e também a curiosidade de conferir como o outro jornal havia tratado sobre o mesmo assunto.

Esse ambiente competitivo impulsionava a qualidade da cobertura jornalística. As equipes buscavam novas abordagens, entrevistados exclusivos e informações que pudessem diferenciar suas publicações.

Enquanto a tecnologia gráfica avançava, grande parte da produção de texto ainda dependia das tradicionais máquinas de escrever. O som das teclas era característico e quando a redação estava cheia, o barulho era constante. Quando ficava vazia, o silêncio era quase absoluto.

E foi justamente esse contraste que deu origem à história.

UMA LONGA NOITE

Recém-contratado para fazer a segurança do prédio durante a madrugada, Adelson ainda se adaptava à nova rotina quando presenciou algo que jamais esperava encontrar.

Durante as primeiras horas do turno, ele observou a movimentação intensa da redação. Jornalistas escreviam reportagens, fotógrafos chegavam de pautas externas e editores organizavam as páginas que seriam impressas.

Pouco a pouco, porém, o prédio foi esvaziando.

As luzes foram apagadas.

As conversas cessaram.

O som das máquinas desapareceu.

Restou apenas o silêncio.

Para quem passava a madrugada sozinho em um prédio grande, a mudança de ambiente era impressionante.

Em uma das rondas realizadas durante a noite, Adelson decidiu atravessar a redação. O local que algumas horas antes estava tomado pelo movimento agora parecia completamente diferente.

Foi então que ouviu um som inesperado.

Primeiro vieram alguns estalos.

Depois, uma sequência rápida de batidas metálicas.

Em seguida, o ruído ficou inconfundível: parecia uma máquina de escrever funcionando.

Instintivamente, ele procurou alguém no ambiente.

Não encontrou ninguém.

O som, no entanto, continuava.

Para quem não conhecia o funcionamento dos equipamentos instalados no jornal, a cena parecia impossível.

Uma máquina produzia texto sem operador.

Assustado, Adelson deixou a redação e retornou para a guarita até o raiar do dia.

Quando o expediente terminou, ele já havia se decidido a nunca mais voltar ao local.

A justificativa apresentada à empresa de segurança logo virou assunto entre os funcionários do jornal.

Segundo o vigilante, algo sobrenatural aconteceu durante a noite no prédio.

A história se espalhou rapidamente pelos corredores e provocou reações que variavam entre surpresa e gargalhadas.

O motivo do mal-entendido era bem mais simples e racional do que parecia.

O equipamento responsável pelo susto era um Telex, tecnologia que representava uma grande inovação para a época.

Conectado a redes de comunicação de diversas partes do País, o aparelho recebia automaticamente notícias, informes e mensagens transmitidas por centrais de informação. Sempre que um conteúdo chegava, o sistema entrava em funcionamento sem necessidade de intervenção humana.

Para jornalistas acostumados com a tecnologia, aquilo era rotina.

Para alguém que nunca havia visto o equipamento operando, a impressão podia ser bastante diferente.

MEMÓRIAS DO PASSADO

O episódio nunca virou manchete, mas conquistou um lugar permanente na memória de quem trabalhou no Diário da Serra.

Décadas depois, ex-funcionários ainda lembram da história como um retrato de uma época em que o jornalismo passava por profundas transformações tecnológicas. Era o período em que equipamentos modernos começavam a dividir espaço com métodos tradicionais de produção.

Também era uma fase em que as redações funcionavam como verdadeiras comunidades. Histórias curiosas circulavam entre repórteres, fotógrafos, diagramadores e gráficos, tornando-se parte da identidade dos veículos.

Encerrado no dia 15 de novembro de 1998, o Diário da Serra deixou de circular, mas continua presente na memória de quem viveu seus bastidores.

Agora, com a digitalização de seu acervo histórico, novas gerações terão acesso às reportagens que ajudaram a contar a história de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul.

Talvez não encontrem registros sobre fantasmas entre as páginas digitalizadas.

Mas certamente descobrirão o cotidiano de um jornal que acompanhou a construção do Estado e que, entre uma manchete e outra, também produziu histórias capazes de atravessar o tempo e que marcaram a vida de diversos profissionais da comunicação.

TELEX

Historicamente, o Telex (abreviação de Teleprinter Exchange Service) foi uma rede global de teleimpressores (máquinas de escrever conectadas por linhas telegráficas ou telefônicas) usada para transmitir mensagens de texto.

Criado na década de 1930, permitia enviar e receber mensagens impressas em tempo real. Cada empresa ou órgão governamental tinha um número de Telex específico e recebia uma confirmação automática de que o texto havia sido entregue.

Foi o principal meio de comunicação corporativa internacional até ser substituído por aparelhos de fax na década de 1980 e, posteriormente, pelo e-mail e pela internet.

HISTÓRIA DE MS

Fundação Barbosa Rodrigues digitaliza acervo do jornal Diário da Serra e o disponibiliza on-line

Projeto da Fundação Barbosa Rodrigues garante a preservação de milhares de páginas que registram a formação do Estado e o cotidiano sul-mato-grossense

25/06/2026 08h30

Ao longo de seus 30 anos de circulação, o Diário da Serra registrou momentos históricos do Estado e fez parte do cotidiano de milhares de sul-mato-grossenses

Ao longo de seus 30 anos de circulação, o Diário da Serra registrou momentos históricos do Estado e fez parte do cotidiano de milhares de sul-mato-grossenses Arquivo

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Durante três décadas, o Diário da Serra registrou os principais acontecimentos políticos, econômicos, culturais e esportivos de Campo Grande e Mato Grosso do Sul.

Agora, quase 28 anos após a circulação de sua última edição, em 15 de novembro de 1998, parte dessa memória volta a ficar acessível ao público por meio de um projeto de digitalização que pretende preservar um dos mais importantes patrimônios documentais da imprensa regional.

A partir do dia 10 de julho, os primeiros volumes digitalizados do acervo estarão disponíveis gratuitamente no site da Fundação Barbosa Rodrigues. O projeto é apenas o início de um trabalho de longo prazo que pretende tornar acessíveis cerca de 210 livros encadernados, reunindo milhares de exemplares do jornal.

Segundo a presidente da Fundação Barbosa Rodrigues, Nara Borges, a iniciativa nasceu da necessidade de preservar documentos históricos que sofrem os efeitos naturais do tempo.

“O acervo já estava sob a guarda da fundação e entendemos que era necessário iniciar um processo de digitalização para garantir sua preservação. Estamos falando de um patrimônio documental que registra momentos fundamentais da história de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul”, afirma.

Nesta primeira etapa, foram digitalizados 10 volumes, somando aproximadamente 7 mil páginas. A expectativa é de que o restante do trabalho seja realizado gradualmente ao longo dos próximos anos.

“O projeto é grande e exige muito cuidado. Por isso optamos por fazer a digitalização em etapas. Ainda há muito material pela frente”, explica.

ANTES DE MS NASCER

A história do Diário da Serra se confunde com a própria trajetória de MS.

O jornal foi lançado em 28 de maio de 1968, quando ainda faltavam nove anos para a divisão do antigo Mato Grosso e a criação do novo estado.

Integrante dos Diários Associados, conglomerado fundado por Assis Chateaubriand, o periódico chegou a Campo Grande em um momento de intensa expansão dos meios de comunicação brasileiros.

A inauguração ocorreu apenas um mês após a morte de Chateaubriand e acabou se transformando também em uma homenagem ao empresário e jornalista responsável pela construção de uma das maiores redes de comunicação da América Latina.

A cerimônia reuniu artistas, intelectuais, políticos e autoridades. O bispo dom Antônio Barbosa abençoou as instalações, enquanto o governador Pedro Pedrossian acionou o painel eletrônico da moderna rotativa Bühler, fazendo surgir o primeiro exemplar impresso.

Ao longo de seus 30 anos de circulação, o Diário da Serra registrou momentos históricos do Estado e fez parte do cotidiano de milhares de sul-mato-grossensesO governador Pedro Pedrossian acionando o painel eletrônico da rotativa Bühler, em 1968 - Foto: Arquivo

Representando os Diários Associados, João Calmon destacou que o novo jornal fazia parte do projeto idealizado por Chateaubriand de levar veículos de comunicação a todos os estados brasileiros.

BERÇO DO JORNALISMO

Ao longo de sua trajetória, o Diário da Serra se tornou uma verdadeira escola de jornalismo.

Centenas de profissionais passaram pela redação, ajudando a construir a identidade da imprensa regional.

Entre as décadas de 1970 e 1990, o jornal protagonizou uma intensa disputa editorial com o Correio do Estado.

Ao longo de seus 30 anos de circulação, o Diário da Serra registrou momentos históricos do Estado e fez parte do cotidiano de milhares de sul-mato-grossensesRedação do Diário da Serra em um dos prédios pelos quais o jornal passou - Foto: Arquivo

A rivalidade era comparada aos grandes clássicos do futebol. Política e esporte concentravam boa parte da competição, mas a busca por reportagens exclusivas acontecia em todas as editorias.

Repórteres cultivavam fontes estratégicas, perseguiam furos de reportagem e acompanhavam diariamente o trabalho do concorrente. O resultado era uma cobertura cada vez mais qualificada.

Quem mais se beneficiava dessa disputa era o leitor, que recebia informações aprofundadas e análises sobre os acontecimentos que moldavam a vida da cidade e do Estado.

Entre as inúmeras coberturas históricas, o jornal testemunhou a divisão de Mato Grosso, em 1977, acompanhou a instalação da nova unidade federativa, registrou campanhas eleitorais, crises econômicas, conquistas esportivas e mudanças urbanas que transformaram Campo Grande.

QUANDO O JORNAL PAROU

Entre as milhares de páginas que ajudam a contar a história de Campo Grande e Mato Grosso do Sul, uma delas registra um episódio que quase interrompeu a trajetória do Diário da Serra.

No dia 4 de outubro de 1977, quando faltavam apenas sete dias para a instalação oficial do novo estado, o teto da redação do jornal desabou sobre parte das instalações da sede, localizada na Avenida Calógeras.

O acidente ocorreu por volta das 17h. Segundo relatos publicados na época, funcionários perceberam que o forro de gesso apresentava rachaduras e começava a ceder. Inicialmente, acreditou-se que alguém estivesse realizando algum serviço sobre a estrutura.

Em poucos instantes, porém, a situação se agravou. Ao perceber o risco iminente, o diretor do jornal, César Quintas, ordenou que todos deixassem o local imediatamente.

A decisão evitou uma tragédia. Segundos depois, telhado, forro e parte da estrutura vieram abaixo com um estrondo, ouvido a grande distância, destruindo a redação, setores de diagramação e parte do parque gráfico. Apenas a jornalista Ana Lúcia Divas sofreu ferimentos leves em uma das pernas.

A repercussão foi imediata. Na edição do dia seguinte, o Correio do Estado, principal concorrente do Diário da Serra, estampou imagens da destruição e manifestou solidariedade aos profissionais atingidos. Mais do que isso, colocou sua estrutura à disposição para que o rival pudesse continuar produzindo e imprimindo suas edições.

MEMÓRIA PRESERVADA

Para garantir a qualidade da reprodução, a equipe optou por utilizar a fotografia, em vez de scanners convencionais.

O trabalho foi realizado pelo fotógrafo João Pedro Félix Escobar, que registrou cuidadosamente cada página dos exemplares.

“Chegamos a estudar a aquisição de equipamentos específicos para digitalização, mas a fotografia apresentou resultados melhores na preservação da qualidade das imagens e dos detalhes das páginas”, explica Nara.

O processo exigiu atenção especial em razão da fragilidade do material. Depois de décadas armazenados, muitos exemplares apresentam desgaste natural do papel, exigindo manuseio cuidadoso, para evitar danos.

Mesmo com a criação da versão digital, o acervo físico permanecerá sob a guarda da Fundação Barbosa Rodrigues.

“O material original continuará sendo preservado. A digitalização não substitui o acervo físico. Pelo contrário, ela ajuda a protegê-lo, reduzindo a necessidade de manuseio constante”, destaca.

Ao longo de seus 30 anos de circulação, o Diário da Serra registrou momentos históricos do Estado e fez parte do cotidiano de milhares de sul-mato-grossenses

 

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