Existe um momento, em O Diabo Veste Prada 2, em que fica claro: ninguém ali está mais tentando provar nada.
E talvez seja exatamente isso que torna o figurino dessa sequência tão interessante e, para alguns, até menos “impactante” à primeira vista. Não há mais deslumbramento, mas controle.
A Meryl Streep volta a ocupar o espaço como quem nunca saiu e, honestamente, nunca saiu mesmo. Sua Miranda não precisa mais de discursos memoráveis para explicar poder. Basta lembrar do terno vermelho impecável, quase agressivo na precisão, ou dos casacos estruturados em tons escuros que parecem desenhar distância ao redor dela.
A alfaiataria rígida, os tons profundos, o vermelho que surge como assinatura: tudo comunica antes mesmo da personagem abrir a boca. É menos sobre moda e mais sobre posicionamento.
O diabo amadureceu e a moda também - DivulgaçãoJá Anne Hathaway faz algo mais sutil e talvez mais difícil. Sua Andy não rejeita mais o sistema, mas também não se submete a ele. Existe uma inteligência silenciosa nas escolhas: como no casaco preto de corte limpo usado sobre looks monocromáticos, ou no vestido de linhas simples que privilegia textura em vez de excesso.
Nada grita, mas tudo está exatamente onde deveria. É o tipo de elegância que não quer aplauso ela já é segura de si mesma.
Anne Hathaway - DivulgaçãoE então vem Emily Blunt, lembrando que a moda também é espetáculo e que alguém precisa sustentar o drama. Seja nas saias volumosas com estampas quase escultóricas, seja nos vestidos transparentes que brincam com luz e movimento, Emily continua sendo a personagem que entende que, no fundo, moda também é sobre ser vista. E ela garante isso.
Emily Blunt - DivulgaçãoHá ainda um momento que sintetiza bem esse novo capítulo: quando as três surgem juntas, de óculos escuros, com looks coordenados entre o sóbrio, o dramático e o irônico. Não é só styling, é comentário e consciência de imagem.
O curioso é que, ao contrário do primeiro filme, aqui o figurino não conduz uma transformação. Ele revela um estado final. Essas mulheres já passaram pelo processo e agora administram suas imagens como quem administra carreira, influência, legado.
Talvez por isso exista uma sensação difusa de que “faltou impacto”. Mas será que faltou mesmo? Ou estamos apenas acostumados a confundir novidade com relevância?
O Diabo Veste Prada 2 não quer ensinar ninguém a se vestir. Quer mostrar o que acontece depois que você aprende.
E, convenhamos, isso é muito mais interessante.
Separei algumas dicas para você levar do cinema para a vida, mas claro sem precisar de um closet da Runway
• Poder através da estrutura
Pense no terno de Miranda: um bom corte vale mais do que qualquer tendência passageira. Se a peça veste bem, metade do caminho está feito.
Divulgação• Escolha uma assinatura, não um personagem
O vermelho dela, o minimalismo da Andy — pode ser uma cor, um tecido, um acessório. Estilo consistente sempre comunica mais do que looks “montados”.
Divulgação• Elegância também é edição
Repare como Andy nunca exagera. Saber o que tirar é tão importante quanto saber o que colocar.
Divulgação• Exagero funciona quando é intencional
Emily prova isso o tempo todo. O erro não está no excesso, está na indecisão.
Divulgação• Roupa é linguagem
Antes de sair, vale a pergunta: o que isso diz por mim hoje?
Divulgação
A segunda edição do Ateliê Ricoeur na América Latina vai acontecer entre os dias 19 e 22, na UFMS de Campo Grande e o evento é aberto a toda a comunidade universitária e sociedade em geral. Há duas formas de participação: a submissão de trabalhos científicos e a participação como ouvinte. As inscrições como ouvinte são gratuitas e podem ser feitas até o dia 18 na página do evento.
O médico-veterinário e comunicador Osmar Pereira Bastos, foi eleito para a Academia Brasileira de Medicina Veterinária.
Luciana Lima


