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Entre Costuras e CuLtura: O que o Rio não chama de tendência, mas o mundo já tenta copiar

O que se viu foi uma moda em estado de fluxo, menos preocupada em apontar direções e mais interessada em afirmar presença.

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Na Rio Fashion Week 2026, a ideia de tendência parece pequena demais para dar conta do que se apresentou. O que se viu foi uma moda em estado de fluxo, menos preocupada em apontar direções e mais interessada em afirmar presença.

A alfaiataria, por exemplo, apareceu desobediente. No desfile da Osklen, linhos lavados, cortes amplos e uma sofisticação silenciosa apontam para um luxo menos rígido, mais vivido. Já a Handred trabalha volumes fluidos e proporções relaxadas, reforçando que estrutura, hoje, é algo que se negocia, não se impõe.

O artesanal deixa de ser detalhe e ocupa o centro. A Catarina Mina talvez tenha traduzido isso com mais precisão: crochês e tramas manuais que falam de tempo, autoria e território. Em outra direção, a Farm Rio sustenta uma narrativa visual intensa, onde cor e identidade caminham juntas sem esforço, mas talvez a mudança mais relevante esteja no corpo que atravessa a passarela.

O desfile da Blue Man foi direto ao ponto ao apresentar diferentes tipos de corpos, idades, medidas e presenças não como exceção, mas como parte natural da coleção. Aqui, a chamada “inclusão” perde o tom de discurso e ganha contorno de realidade. Chamar isso de tendência parece, no mínimo, atrasado.

A aceitação de múltiplos corpos já não opera como novidade, e sim como ajuste necessário a um mundo que nunca foi homogêneo. No Rio, essa mudança acontece com menos didatismo e mais naturalidade, como algo que simplesmente é.

Ao mesmo tempo, o corpo segue sendo linguagem. A Lenny Niemeyer trabalha recortes precisos que revelam a pele com controle e intenção. Já a Aluf tensiona formas e proporções, expandindo o olhar sobre o que o corpo pode ser dentro da roupa.

Desfile Blue Man - Divulgação

Nas cores, não há hesitação. Tons vivos, saturados, quentes, uma paleta que não pede licença e não busca neutralidade.

É nesse ponto que emerge o que se pode chamar de “suco carioca”. Não como estética óbvia, mas como lógica: a recusa em endurecer formas, a valorização do processo e uma intimidade quase estrutural com o improviso.

Fora do Brasil, esse movimento já encontra eco. O artesanal ganha espaço, a alfaiataria se torna mais leve, o corpo menos rígido. Ainda assim, existe uma diferença fundamental: enquanto no exterior essas mudanças aparecem como tendência, no Rio elas operam como condição. Não se trata apenas de vestir uma ideia, mas de habitá-la.

Aluf - Divulgação

A seguir irei compartilhar com você um checklist rápido e prático pra você que quer arrasar nos looks com “suco carioca”: 

                      Prefira peças leves e amplas

Tecidos naturais e modelagens soltas trazem movimento imediato ao look.

                      Inclua uma peça artesanal

Crochê, renda ou tramas manuais funcionam como ponto de destaque.

                      Escolha entre cor ou pele

Um elemento principal por vez: ou um tom vibrante, ou recortes estratégicos.

Fashion Rio 2026 - Divulgação

 

Gabriela Rosa - Consultora de Moda e estilo - Divulgação

 

CAMPO GRANDE

'Aniversário' dos 126 anos expõe catálogo original de Lídia Baís

Próxima quarta-feira (22) marca a abertura do projeto "Pontes Imaginárias: Lídia Baís e a arte de unir mundos", com exposição aberta até o dia 23 de maio

18/04/2026 12h00

Reprodução/Divulgação

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Data que marca o nascimento da artista pioneira campo-grandense dos ramos da arte e da música, Lídia Baís, o próximo dia 22 de abril trará para a Capital uma exposição do catálogo original de uma das mais importantes figuras femininas locais. 

Essa exposição faz parte da programação especial da Semana Nacional dos Museus, sendo realizada na chamada Casa Amarela , que fica na região central de Campo Grande (MS), na rua dos Ferroviários, número 118. 

A próxima quarta-feira (22) marca a abertura do projeto “Pontes Imaginárias: Lídia Baís e a arte de unir mundos”, com exposição aberta até o dia 23 de maio.

Na abertura, à partir das 18h, haverá apresentação pública do catálogo original da única exposição feita por Lídia Baís ainda em vida, como bem esclarece a idealizadora do projeto, Tatiana De Conto.

Esse documento é considerado raro, sem ter sequer uma data precisa, mas que estima-se ter sido produzido entre as décadas de 1930 e 1935. 

"Trata-se de uma peça histórica, que nunca havia sido exibida dessa forma. Ela revela não apenas a produção artística da pintora, mas também registros da cena cultural e das relações que atravessavam aquele período", diz. 

Mês de atividades

No decorrer do mês de maio, dias 6,13 e 22, essa programação irá contar oficinas de arteterapia que serão ministradas por Tatiana De Conto, baseadas em seu livro “Lídia Baís, uma mulher à frente de seu tempo”, lançado em 2023.

Ela explica que essa oficina utiliza processos criativos como uma forma de escuta e elaboração emocional.

"Nas oficinas, trabalhamos a partir da vida e da obra de Lídia para acessar questões internas, memória e identidade. São experiências que convidam à criação e ao encontro consigo e com o outro", complementa Tatiana.

Toda essa programação conversa com a Semana Nacional dos Museus, que acontece oficialmente em todo o Brasil entre os dias 18 e 24 de maio, ganhando uma dimensão ampliada na Casa Amarela. 

“Antecipamos o início das atividades para abril e estendemos a Semana dos Museus – de 22 de abril a 23 de maio – porque entendemos que uma semana seria pouco para trabalhar a potência da obra de Lídia e a importância dessa data”, aponta o artista Guido Drummond. 

Serviço: 

22 de abril (quarta-feira)

Abertura exposição – Catálogo de obras de Lídia Baís (18h)
Sarau “Unindo Mundos” – Dia do Arteterapeuta

6, 13 e 20 de maio (quartas-feiras)

Oficina “Tempos do feminino – pontes em Lídia Baís”

23 de maio (sábado)

Documentários – Projeto Histórias do Tombamento do Complexo Ferroviário
**(Com assessoria)


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Sopa é janta?

Ensopados são ótimos aliados no outono, confira três receitas

Ensopados são ótimos aliados no outono, quando o corpo humano tende a perder mais líquidos e a ficar mais suscetível a doenças respiratórias, como gripes e resfriados

18/04/2026 09h30

Ingredientes como alho, cebola, gengibre e ervas frescas possuem propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes e ajudam a reforçar o sistema imunológico

Ingredientes como alho, cebola, gengibre e ervas frescas possuem propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes e ajudam a reforçar o sistema imunológico Freepik

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Com a chegada do outono, o clima começa a mudar em grande parte do Brasil. As temperaturas caem, o ar fica mais seco e os primeiros resfriados da estação passam a circular com mais frequência. É nesse cenário que um velho conhecido da culinária brasileira volta a ganhar protagonismo nas cozinhas: os ensopados.

Mais do que pratos quentes, eles carregam história, tradição e uma forte conexão com o cuidado e o acolhimento.

Os ensopados estão entre as preparações mais antigas da humanidade. A técnica de cozinhar alimentos lentamente em líquidos – seja água, caldo ou molho – surgiu como uma forma prática de amaciar carnes, aproveitar ingredientes disponíveis e extrair o máximo de sabor.

No Brasil, essa tradição foi moldada por diferentes influências culturais, especialmente indígenas, africanas e europeias, resultando em uma enorme diversidade de receitas que variam conforme a região.

Entre os povos indígenas, o hábito de cozinhar alimentos em líquidos já era comum muito antes da colonização. Caldos à base de mandioca, peixes e ervas nativas formavam a base alimentar de diversas etnias.

Com a chegada dos portugueses, novas técnicas e ingredientes foram incorporados, como o uso de panelas de ferro e cortes de carne bovina. Já a influência africana trouxe temperos marcantes, o uso de azeite de dendê e a valorização de preparos longos, que intensificam sabores.

Essa mistura de saberes deu origem a pratos emblemáticos. No Nordeste, por exemplo, ensopados como o sarapatel e o guisado de carne ganham destaque.

No Sudeste, o cozido e as panelas de carne com legumes são presenças frequentes. Já no Sul, os ensopados mais encorpados, muitas vezes à base de carne bovina e batatas, refletem a influência europeia.

Mas o papel dos ensopados vai além da gastronomia. Eles também ocupam um lugar simbólico na cultura brasileira, associados ao cuidado familiar e ao conforto emocional.

É comum que essas receitas sejam transmitidas de geração em geração, com cada família guardando seus segredos – seja um tempero especial, um tempo de cozimento ou um ingrediente inesperado.

Durante o outono e o inverno, essa relação se intensifica. Com o clima mais frio e seco, o corpo humano tende a perder mais líquidos e a ficar mais suscetível a doenças respiratórias, como gripes e resfriados.

Nesse contexto, os ensopados aparecem como aliados importantes. Ricos em líquidos, nutrientes e, muitas vezes, vitaminas provenientes de legumes e verduras, eles ajudam na hidratação e no fortalecimento do organismo.

Além disso, o calor do prato contribui para a sensação de conforto térmico, enquanto o vapor pode ajudar a aliviar sintomas como congestão nasal. Ingredientes como alho, cebola, gengibre e ervas frescas, frequentemente presentes nesses preparos, também possuem propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, reforçando o sistema imunológico.

Outro ponto relevante é a praticidade. Ensopados permitem o aproveitamento integral de alimentos, reduzindo desperdícios e tornando-se uma opção econômica – especialmente importante em tempos de orçamento apertado.

Com poucos ingredientes e uma panela, é possível preparar refeições completas, nutritivas e saborosas.

A versatilidade é outro fator que explica a popularidade dos ensopados no Brasil. Eles podem ser adaptados de acordo com o que se tem em casa, respeitando preferências alimentares e restrições.

Há versões com carne bovina, frango, peixe, legumes e até opções vegetarianas e veganas, mostrando que tradição e inovação podem caminhar juntas.

Veja a seguir três receitas deliciosas e nutritivas de ensopados.

Ensopado de frango com gengibre (reforço para imunidade)

Ingredientes

  • 500g de peito ou coxa de frango em pedaços;
  • 1 colher (chá) de gengibre ralado;
  • 1 cebola picada;
  • 2 dentes de alho;
  • 1 cenoura picada;
  • 1 abobrinha picada;
  • 1 litro de água;
  • Sal, pimenta e salsinha a gosto;
  • 1 colher de azeite.

Modo de Preparo

> Refogue o alho, a cebola e o gengibre no azeite;

Adicione o frango e doure levemente;

Acrescente a água e deixe cozinhar por 20min;

Adicione os legumes e cozinhe até ficarem macios;

Ajuste o sal e finalize com salsinha.

Ensopado de carne com legumes

Ingredientes como alho, cebola, gengibre e ervas frescas possuem propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes e ajudam a reforçar o sistema imunológicoFoto:  Freepik

Ingredientes

  • 500g de carne bovina em cubos (acém ou músculo);
  • 2 batatas picadas;
  • 2 cenouras em rodelas;
  • 1 cebola picada;
  • 3 dentes de alho;
  • 2 tomates picados;
  • 1 litro de água ou caldo de carne;
  • Sal, pimenta e cheiro-verde a gosto;
  • 2 colheres (chá) de óleo.

Modo de Preparo

Em uma panela, aqueça o óleo e doure a carne;

Adicione a cebola e o alho, refogando bem;

Acrescente os tomates e cozinhe até desmanchar;

Adicione a água ou caldo e deixe cozinhar por cerca de 30min;

Em seguida, coloque os legumes e cozinhe até ficarem macios;

Finalize com cheiro-verde.

Ensopado vegetariano de legumes com lentilha

Ingredientes como alho, cebola, gengibre e ervas frescas possuem propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes e ajudam a reforçar o sistema imunológicoFoto: Freepik

Ingredientes

  • 1 xícara (chá) de lentilha;
  • 1 batata picada;
  • 1 cenoura picada;
  • 1 tomate picado;
  • 1/2 abóbora em cubos;
  • 1 cebola;
  • 2 dentes de alho;
  • 1 litro de água;
  • Sal, pimenta e cúrcuma a gosto;
  • 1 colher (chá) de azeite.

Modo de Preparo

Refogue a cebola e o alho no azeite;

Adicione o tomate e os temperos;

Acrescente a lentilha e a água, deixando cozinhar por 20min;

Depois, adicione os legumes e cozinhe até tudo ficar macio;

Sirva quente.

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