Correio B

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com a apresentadora Marcela Monteiro

"Chegar à maturidade não é perder possibilidades, é ganhar clareza. Hoje eu entendo melhor quem eu sou, o que quero comunicar e por que escolhi esse caminho".

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Marcela Monteiro comemora o sucesso da segunda temporada do “De Repente 30+”, no ar no YouTube e na TV Max. Idealizado e apresentado pela jornalista, o programa amplia seu alcance ao promover conversas francas sobre comportamento, carreira e amadurecimento feminino.

A credibilidade construída por Marcela ao longo de sua carreira no jornalismo se reflete diretamente no perfil das convidadas que participam do programa. Entre as duas temporadas, passaram por lá nomes como Nathalia Dill, Juliana Paiva, Carol Castro, Isabella Santoni, Mariana Santos, Talita Younan, Bruna Spínola, Mariana Xavier, Aline Dias, Sophia Abrahão e Lorena Comparato, todas dispostas a compartilhar experiências pessoais em diálogos profundos, sinceros e, muitas vezes, trazendo questões que nunca tinham falado em público antes. 

No De Repente 30+, Marcela conduz encontros que vão além do formato tradicional de entrevista, criando um espaço de troca e identificação entre as mulheres.

Com uma trajetória sólida como comunicadora, Marcela Monteiro acumulou passagens marcantes pela TV Globo, integrando equipes de programas como Vídeo Show, Mais Você e É de Casa!, além de ter atuado na CNN Brasil. A experiência inclui estudos em Los Angeles e trabalhos realizados nos estúdios de Hollywood.

Marcela é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ela fala sobre carreira, trajetória ea segunda temporada do "De Repente 30".

A apresentadora Marcela Monteiro é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Sérgio Baia - Diagramação:Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Olhando para sua trajetória até aqui, o que define melhor o momento profissional que você vive agora?
MM -
Se tivesse que escolher uma palavra para eleger seria realização. Eu sinto que tudo o que eu vivi, que toda a bagagem que acumulei nesses anos todos de trabalho me trouxeram até aqui. E eu estou muito orgulhosa do De Repente 30+, que é um projeto que tem tudo o que eu sempre sonhei.

É um programa de entrevistas, com convidadas que têm o que falar, e com a possibilidade de aprofundar as conversas. Fico muito lisonjeada com a confianças dessas mulheres que recebemos, com a disponibilidade delas de se abrirem comigo.

São personalidades de grande destaque nas suas áreas de atuação que compartilham experiências pessoais, muitas vezes que nunca tinham revelado antes em público. Isso é muito potente. Vivo um momento profissional muito especial. 

CE - Você construiu uma carreira sólida no jornalismo e no audiovisual, passando por diferentes formatos e emissoras. O que considera determinante nessa caminhada?
MM -
 Eu diria que é a minha paixão pelo o que eu faço. Eu só estou onde estou por isso. Sou apaixonada por conhecer pessoas e ouvir suas histórias. Essa é realmente a minha vocação. Fui muito feliz por todos os lugares por onde eu passei, aprendi com cada um deles.

Eu sou quem sou profissionalmente hoje por causa de cada uma dessas experiências. Trabalhar na TV me deu muita bagagem, fazer ao vivo, lidar com os imprevistos, planejar matérias especiais, idealizar quadros, tudo isso me moldou para ter a escuta que eu tenho hoje. 

CE - Ao longo da carreira, você transitou entre reportagem, apresentação e projetos autorais. Em qual desses lugares você sente que amadureceu mais como comunicadora?
MM - 
É difícil eleger um porque cada um deles teve a sua importância naquele momento em que eu estava vivendo. Acredito que eles se complementam. Tive aprendizados em cada lugar que estive, mas eu diria que o De Repente 30+ é o que mais me desafiou.

É um projeto criado por mim e levantado do zero por mim. Eu não apenas apresento o programa. Eu sou a pessoa que gere tudo por trás, que pensou artisticamente, que foi atrás de patrocínio, que montou equipe… quem conduz o barco sou eu (risos). E isso exige muito trabalho e responsabilidade. Ao mesmo tempo, é gratificante demais ver algo que eu pensei ter forma, ganhar força, destaque na área, e estar disponível para as pessoas assistirem. 

CE - O De Repente 30+ ampliou seu diálogo com o público e trouxe novos temas para o centro da conversa. Em que ponto esse projeto se encaixa dentro da sua trajetória profissional?
MM -
 A ideia do programa surgiu muito com o meu momento. Eu queria escutar outras mulheres, compartilhar experiências com elas. Queria desenvolver temas dessas mulheres acima dos 30, que conversa comigo, com a minha idade, com o que eu estava e estou vivendo.

E uma das coisas que a maturidade me trouxe foi que eu não quero mais esperar a oportunidade chegar, hoje eu crio a oportunidade. E isso é transformador. Foi assim que criei o projeto e fui atrás de concretizá-lo. Hoje eu estou apresentando um programa meu, do jeito que eu imaginava, sigo crescendo e me realizando em algo que eu acredito.

Isso é muito potente, muito inspirador para mim. Amo a TV, o streaming, nunca fecharei a porta para convites, mas não queria ficar apenas dependente do chamado do outro. Eu me sinto agora a realizadora da minha vida. 

CE - Muitas falas do programa ganharam repercussão nas redes sociais. Como você avalia o impacto dessas conversas quando elas extrapolam o formato original e chegam a um público ainda maior?
MM -
 Acredito que a maneira de consumir programas de TV, conteúdos de audiovisual, mudou. Os debates que acontecem numa entrevista não ficam restritos ali. Eles ganham continuidade nas redes, na internet, porque o telespectador quer cada vez mais mostrar o que ele pensa, compartilhar a sua vivência.

Essa experiência multitelas é real e muito forte. Quando se trata de um programa que é pensado para essa audiência da internet, acredito que isso potencializa ainda mais. Eu fico feliz quando vejo que o programa pode trazer temas relevantes para o debate, e que eles não morrem quando a gravação termina.

Funciona também como um termômetro pra gente porque se tem tanta gente comentando sobre, tantos veículos importantes repercutindo nossas conversas, é porque estamos no caminho certo. 

A apresentadora Marcela Monteiro é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Sérgio Baia - Diagramação:Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - O programa aposta mais na troca do que na entrevista tradicional. O que esse formato te permite acessar, tanto como jornalista quanto como mulher, que outros formatos não permitiam?
MM - 
Troca é a palavra que melhor define o que fazemos no programa. Eu não quero invadir a intimidade de ninguém, não tenho a intenção de criar polêmicas...

O que me interessa é ter uma troca verdadeira, saber o que aquela mulher pensa, como ela enfrenta os desafios da vida dela, dividir também o que eu vivo com ela... Acho que é por isso que as convidadas se sentem à vontade. Muitas delas, eu conheço porque já as entrevistei ao longo desses anos todos de carreira, já temos uma relação de confiança também. 

CE - Questões como maternidade, tempo biológico e congelamento de óvulos aparecem com frequência nas conversas do programa e também fazem parte da sua história. Como foi, para você, tomar a decisão de congelar os óvulos?
MM -
 Eu tenho o desejo de ser mãe, então, decidi pelo congelamento. Pesquisei muito, encontrei profissionais muito qualificados, que, inclusive, contribuíram significativamente com o “De Repente 30+”. A equipe da Fertilidade&Vida trouxe ainda mais informações para o nosso público e eu confio tanto no trabalho deles que fiz meus dois ciclos lá.

O congelamento é uma realidade e uma excelente opção para aquele momento de pressão do relógio biológico. Eu estou organizando a minha vida, focando agora no trabalho, mas ser mãe é algo que está nos meus planos. 

CE - Você pensa em maternidade no curto ou médio prazo? De que forma esse tema dialoga hoje com seus projetos pessoais e profissionais?
MM -
 Eu diria médio prazo. Um dos pontos de se fazer o congelamento é retirar essa pressão que existe em cima. Vai acontecer no momento certo, quando eu sentir que poderei me dedicar como eu gostaria. Quero viver essa fase da forma mais completa e presente possível.

Então agora estou preparando esse “terreno”, organizando o que posso, vivendo o hoje, mas também pensando no futuro, nos desejos que eu tenho para os próximos anos. E a maternidade é um deles. 

CE - Depois de experiências marcantes na TV aberta, existe vontade ou espaço para um retorno a esse formato em algum momento da sua carreira?
MM -
 Claro que existe espaço. Sou apaixonada pela TV, pelo o que eu faço. Tenho uma história linda nesse veículo, que me orgulha muito.

Não descarto nada. Se surgir uma oportunidade legal, com certeza eu vou abraçar com muito carinho. Eu estou mega realizada com o De Repente 30+, mas o programa não me impede de desenvolver e estar em outros projetos e formatos. 

CE - Pensando nos próximos anos, quais projetos ou caminhos você gostaria de desenvolver, seja no jornalismo, no entretenimento ou em novos formatos?
MM -
 Eu sou comunicadora, amo o entretenimento e desafios. Gosto muito desse formato de bate-papo, de entrevistas. Eu diria que é o que eu pretendo investir cada vez mais.

RELATÓRIO

Caixa-preta de helicóptero não registrou voo em que estava o cantor Rick, diz Cenipa

Segundo o órgão, o equipamento não é exigido pelo Regulamentos Brasileiros de Aviação Civil para a aeronave em questão

22/10/2026 21h00

Acidente com o helicóptero que o cantou Rick e outras quatro pessoas

Acidente com o helicóptero que o cantou Rick e outras quatro pessoas Foto: Reprodução / Redes Sociais

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O relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) sobre o acidente com o helicóptero que matou o cantou Rick e outras quatro pessoas apontou que o gravador de voz da cabine da aeronave não registrou o voo, que terminou em queda.

"As gravações do CVR (Cockpit Voice Recorder) foram extraídas pelo CENIPA, porém não correspondiam ao voo da ocorrência", diz o relatório. O Cockpit Voice Recorder é um dos elementos do que é conhecido como caixa-preta.

Segundo o órgão, o equipamento não é exigido pelo Regulamentos Brasileiros de Aviação Civil para a aeronave em questão, mas ela possuía um instalado em 17 de maio de 2002, com capacidade de trinta minutos de gravação.

O Bell 430, de prefixo PP-MGR, decolou às 10h30 do Aeródromo Costa Esmeralda (SDEN), em Porto Belo, com destino ao heliponto Metropolitan Criciúma. O pouso estava previsto para as 11h24.

A aeronave foi localizada no segundo dia de buscas em uma área de difícil acesso, na região de Santa Bárbara, em Urubici. Segundo a tenente-coronel Heloísa Helena Battisti, comandante do 5º Batalhão de Bombeiros Militar, as equipes precisaram deixar as viaturas e caminhar por cerca de três horas até chegar aos destroços.

O documento divulgado nesta quinta-feira, 22, informou ainda que havia relatos de falhas recorrentes nos geradores do helicóptero, que não haviam sito solucionadas definitivamente.

"Foram obtidos relatos de falhas intermitentes dos geradores da aeronave, algumas das quais teriam ocorrido em situações de exposição à umidade (voo dentro de nuvens/ou sob chuva)", afirma o relatório preliminar.

O documento aponta ainda que as condições meteorológicas indicavam baixa visibilidade. A previsão "indicava chuva moderada restringindo a visibilidade a 3.000 m, trovoadas embutidas e nuvens CB e TCU embutidas, com bases a 2.500 ft e topos acima de 10.000ft. A mensagem incluía a indicação de obscurecimento de montanha na Serra Geral."

Uma troca de mensagens e chamadas telefônicas entre o copiloto do helicóptero e um operador do Aeroporto de Lages, em Santa Catarina, mostra que o condutor da aeronave estava preocupado com as condições climáticas do dia do voo. A conversa foi divulgada pelo Fantástico, da TV Globo.

Moda

Atelier Kakô apresenta sua coleção Verão 2027 com peças inspiradas em Gil Carlos de Camillo

Desfile de lançamento da coleção Verão 2027 do Atelier Kakô valoriza a produção sul-mato-grossense e traz para a passarela peças inspiradas em croquis de obras e construções históricas de Gil Carlos de Camillo

22/10/2026 09h00

Arquitetura local inspira modelos de ternos, camisas, vestidos de seda, calças, capas e mais

Arquitetura local inspira modelos de ternos, camisas, vestidos de seda, calças, capas e mais Foto: Divulgação/ Matt Studios

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Hoje, a partir das 19h em Campo Grande, o Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo torna-se passarela para a apresentação da coleção Verão 2027 do Atelier Kakô, uma runway com peças de seda e linho criadas pela estilista Claudia Ferraz e inspiradas em construções históricas e obras do arquiteto Gil Carlos de Camillo. 

Em uma verdadeira união entre moda e a arquitetura que inclusive está fortemente presente na identidade urbana sul-mato-grossense, a marca de alta-costura inspira-se nos croquis de obras desenhados pelo arquiteto.

Batizada de Gil de Camillo Verão 2027, o desfile de lançamento que apresenta a coleção é produzido por Márcia Marinho Produções e conta com direção de passarela de Anderson Alves, com projeto do evento assinado pela arquiteta Débora Nazareh. 

Formado pela faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo (FAU-USP), o profissional nascido no estado paulista deixou sua marca e tornou-se parte da identidade urbana de Mato Grosso do Sul.

Agora, suas edificações ganham vida pelas mãos da estilista Claudia Ferraz, coordenadora de estilo e diretora criativa do Atelier Kakô, uma marca sul-mato-grossense de moda premium especializada em alfaiataria e loungewear que tem produções autorais e toda uma valorização de matérias-primas naturais.

Kakô indica que as fachadas, detalhes de edifícios projetados, traços, linhas e volumes que foram projetados inicialmente por Gil de Camillo aparecem reinterpretados e agora aparecem na forma de estampas exclusivas. Segundo a estilista, todo esse estilo do arquiteto percorre a superfície dessas peças e ajuda a criar novos desenhos sobre o corpo. 

Ao Correio do Estado, Kakô comenta sobre como é equilibrar essa característica intrínseca da moda de ditar novas tendências, muitas vezes revisitando o clássico que pode ser carregado de estilos mais tradicionais e formas consolidadas. Ela comenta que está no DNA da marca essa fusão de tecidos naturais, sustentabilidade, arte e a criação de peças atemporais com um toque contemporâneo.

"Dentro do atemporal a gente encontra o clássico, que é o que nunca sai de moda. O linho é uma matéria-prima que permite com que a gente trabalhe com ele de forma muito tradicional", afirma.

PARA VER DA FILA A

Segundo a profissional, a coleção Gil de Camillo Verão 2027 aparece como uma verdadeira homenagem a Campo Grande, transportando as obras que compõem a identidade urbana da Cidade Morena para esse universo da haute couture (termo francês para alta-costura).

Com duas décadas de experiência no mercado, este se trata do terceiro desfile promovido pela estilista, que tem como assinatura essa característica de levar a arte e a cultura sul-mato-grossense para o universo da moda de luxo. Nesse sentido, Kakô anota passagem por grifes nacionais e participação em projetos ligados ao São Paulo Fashion Week, além de coleções próprias e colaborativas.

Claudia é especialista em Gestão de Marcas de Luxo (do inglês Luxury Brand Management) com capacitação pela Paris School of Business, na França, sendo inclusive docente em diversos cursos, workshops e palestras.

À frente do Atelier Kakô desde 2022, nessa espécie de missão em desenvolver um trabalho que conecte moda, arte, arquitetura e design em uma verdadeira união com identidade regional, munindo-se de parcerias com nomes da arte sul-mato-grossense para alcançar seus objetivos, ela indica que essa inspiração e estudo para a criação da Coleção Gil de Camillo Verão 2027 começou ainda em 2023.

"A pesquisa dessa coleção começou há três anos. Interpretamos na moda as famosas e históricas construções do nosso Estado, assinadas por Gil de Camillo, esse expoente da arquitetura do Estado, filho do Rubens Gil de Camillo", cita a estilista. 

Ou seja, para abrilhantar o catwalk desta noite, a passarela traz as criações do arquiteto, aplicados em lenços e nos mais diversos cortes de roupas, como em modelos de ternos, camisas masculinas, vestidos de seda, calças de seda, bem como em capas e muitas outras versões, como bem cita a estilista, dignos obviamente de serem apreciados da front row.

IDENTIDADE REGIONAL

Como bem reforça a organização do desfile, a apresentação da coleção Gil de Camillo Verão 2027 aparece como um verdadeiro movimento de transformação da criatividade regional em valor.

Em outras palavras, esse desfile aproxima diferentes segmentos do mercado de luxo, sendo também uma abertura de possibilidades para a arte, a cultura, o design e os talentos que existem regionalmente em Mato Grosso do Sul.

Cláudia complementa que a base do princípio da marca Kakô é trazer essa alfaiataria purista, em que o estilista valoriza exatamente o design das linhas e um acabamento premium. "Então, são linhas clássicas, mas que a gente traz para o contemporâneo", diz. 

A estilista relembra que a marca iniciou na pandemia, e desde as primeiras coleções que eram pijamas de seda, para o dia a dia e estampados com obras de arte da própria mãe, Zila Soares , a Kakô trabalha com assimetrias que apareciam também em ternos, blazers de linho, etc. 

"As calças de alfaiataria em linho e essa linha mais loungewear em seda, que a gente chama que é uma roupa, o homewear, o loungewear, que é essa roupa de circular dentro de casa. Você pode estar chique com uma peça de linho, um terno que você consegue circular num casamento, evento ou numa recepção dentro de casa". 

Segundo a profissional, todo o lifestyle da marca sempre esteve conectado com arquitetura, nascendo na pandemia pensando nessa figura que estava de olho na casa, no bem-estar do lar.

"Essa mulher que quer sentar numa poltrona, que tem esse cuidado com a decoração e com objetos de arte, essa conexão que eu faço dessa mulher que veste a minha marca", destaca.

Para Cláudia, quando surge o olhar de transportar a estamparia presente na arquitetura para o mundo da moda e os tecidos em geral, os traços de Gil de Camillo são considerados por ela "extremamente contemporâneos e elegantes". Kakô ainda destaca semelhanças entre o olhar da estilista e o que enxerga o arquiteto ao visualizarem ambos um resultado final quando ainda há apenas o traçado de uma nova peça. 

"A gente faz essa mesma mistura. Ele também parte do princípio do desenho à mão, começa no processo artesanal, na criação autoral. A nossa conexão é com um arquiteto que trabalha muito com o urbanismo, regional, nacional, ele aproveita a cidade, a natureza no projeto dele, o que tem no espaço, no entorno, ele coloca uma pirâmide que você consegue ficar conectada com o pôr do sol. Então, os projetos do Gil São pensados para uma arquitetura brasileira, assim como eu penso quando trago uma roupa clássica com uma estampa brasileira", reflete.

Kakô destaca que essa conexão de valores simbólicos é o que importa na construção da marca e nessas colabs artísticas, são os pesos de processos criativos para a marca que fazem sinergia com todo o DNA sobre aproveitar o que há de melhor na arte local.

Sobre colocar um patrimônio cultural na estamparia, ela explica que ainda no processo de passar as linhas de Gil para a caneta nanquim, ao passar para o tecido, dependendo do traço, é possível dar vida a peças mais streetwear, que ficam evidentes nos pretos e brancos da coleção, por exemplo.

"No linho, ele tem os traços dos prédios, que dão a impressão de uma roupa mais streetwear. Aí trazemos para seda, nos vermelhos e cinzas, os traços mais elegantes, refinados, linhas limpas do projeto do Gil que colocamos em peças mais loungewear e elegantes. É uma união de várias características, mas que o conceito e a intenção se afinam dentro dos próprios valores, de onde elas nascem, do propósito. Então, esse é o meu intuito como estilista, é trazer projetos que estão conectados com a nossa realidade, com a nossa realidade regional brasileira, mas que tem uma linguagem universal", conclui.

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