Correio B

Capa da semana Correio B+ - Com exclusividade

Entrevista com a atriz Giselle Prattes, destaque no filme "Minha Vida com Shurastey" e "Tina Turner"

"Camilla é o oposto de mim e isso foi o que mais me atraiu. Ela carrega uma narrativa pública muito consolidada, mas o meu trabalho foi investigar a mulher por trás do julgamento. Eu não podia suavizá-la, nem caricaturá-la".

Continue lendo...

Giselle de Prattes começou no teatro antes mesmo de compreender que aquilo poderia se tornar profissão. Aos sete anos, insistiu para entrar em uma companhia infantil que funcionava atrás de sua casa, em Niterói. Pouco depois, já integrava o elenco fixo. Aos 11, acumulava recortes de jornal suficientes para garantir seu DRT. A infância e a adolescência foram atravessadas por ensaios, temporadas e pelo convívio cotidiano com o palco.

“Eu comecei muito pequena, sem qualquer manual ou referência dentro de casa. Fui a primeira artista da família. Não existia estratégia, existia vocação. Durante muitos anos vivi equilibrando sobrevivência e ofício — mas nunca permiti que as circunstâncias definissem quem eu era como artista. Eu sempre soube que talento exige disciplina e que paixão, sozinha, não sustenta uma trajetória. Foi o estudo constante que me manteve de pé.”

Criada pela mãe e pelo avô — um homem erudito, profundamente ligado à ópera e às operetas — cresceu em um ambiente onde música e dramaturgia faziam parte da rotina doméstica.

Estudou no Conservatório de Música de Niterói, aprendeu partitura, flauta transversa e desenvolveu um ouvido musical apurado. Mais tarde, consolidou sua formação na CAL e na Faculdade da Cidade. O aprimoramento nunca cessou: cursos, preparadores e investigação técnica permanente.

A maternidade chegou aos 17 anos e tornou-se parte estruturante de sua trajetória. Ao contrário do que muitos poderiam prever, não interrompeu o caminho artístico — redimensionou-o. “Ser mãe tão jovem me obrigou a amadurecer antes do tempo. Enquanto muitas pessoas estavam começando a descobrir quem eram, eu já precisava sustentar decisões, sustentar uma casa e sustentar um sonho. A maternidade não diminuiu a minha ambição artística — ela aprofundou o meu senso de responsabilidade. Eu nunca quis que meus filhos crescessem acreditando que eu havia desistido de mim.”

Foto: Carlos Costa

O primogênito, Nicolas, hoje ator reconhecido nacionalmente, cresceu acompanhando ensaios, coxias e bastidores. Anos depois, a família se ampliaria com a chegada de Maria Fernanda, consolidando uma estrutura afetiva que sempre caminhou paralelamente à construção profissional da mãe. A arte, no entanto, sempre foi anterior aos vínculos públicos que hoje acompanham seu nome.

Entre estudos dentro e fora do país, ensaios e trabalhos como backing vocal — inclusive ao lado de Tim Maia e Jorge Ben Jor — Giselle conciliava palco e maternidade. No fim da década de 1990, foi aprovada no concurso Garotas do Zodíaco e passou a integrar o elenco do programa Planeta Xuxa (1999/2000), ampliando sua projeção nacional em um dos maiores fenômenos televisivos da época. Houve períodos de maior visibilidade e, por outro lado, fases de recolhimento, inclusive dedicadas à formação em Psicologia, etapa que hoje reconhece como decisiva para ampliar sua escuta e sua compreensão do comportamento humano — elementos que atravessam sua atuação.

Giselle em "Diana" - Divulgação

Durante muitos anos, sua carreira concentrou-se no teatro e na música. A partir de 2015, o audiovisual passou a ocupar espaço central, inaugurando uma nova etapa profissional. As participações em novelas e séries como Babilônia, Rock Story, Tempo de Amar, Verão 90, Malhação - Seu Lugar no Mundo, e Reis, além de filmes como O Segredo de Davi, O Melhor Verão das Nossas Vidas, Depois do Universo e Perdida, ampliaram seu repertório e demandaram outro tipo de precisão técnica — mais econômica, mais contida, mas igualmente intensa.

No palco, porém, permanece aquilo que define como “presença absoluta”. Ao longo dos anos, esteve em montagens como Para Sempre Abba, Os Saltimbancos Trapalhões, no papel da Gata Karina, Kiss Me, Kate – O Beijo da Megera e, mais recentemente, deu vida a Carmem Miranda em Chatô e os Diários Associados. É justamente no teatro musical, no entanto, que vive hoje um dos maiores desafios da carreira: interpretar Camilla Parker Bowles na montagem brasileira de “Diana – A Princesa do Povo”, que estreia a partir de 27 de fevereiro, com temporadas no Rio de Janeiro e em São Paulo.

“Camilla é o oposto de mim e isso foi o que mais me atraiu. Ela carrega uma narrativa pública muito consolidada, mas o meu trabalho foi investigar a mulher por trás do julgamento. Eu não podia suavizá-la, nem caricaturá-la. Precisei encontrar humanidade na dureza, vulnerabilidade na força. Construí um novo eixo corporal, um padrão vocal mais aterrado, outra lógica emocional. É um processo que ainda está acontecendo — e talvez nunca termine.”

Para a construção da personagem, Giselle mergulhou em biografias raras, pesquisou subtextos históricos e buscou referências dramáticas na literatura clássica para compreender tensões de poder, desejo e ambiguidade moral.

A composição vocal e corporal foi minuciosa, respeitando o contexto inglês sem recorrer a modelos replicados. Para ela, maturidade artística está justamente na capacidade de sustentar camadas e ambiguidades sem recorrer a soluções fáceis.

Paralelamente ao teatro, integra o elenco do filme “Minha Vida com Shurastey”, produção inspirada em um fenômeno contemporâneo que mobilizou milhões de pessoas. No longa, interpreta a tia de Jesse — personagem real, ligada diretamente à memória afetiva do público. O projeto traz ainda um encontro simbólico: mãe e filho dividindo a cena.

“Entrar em ‘Minha Vida com Shurastey’ foi dialogar com uma história que já pertencia ao público. Existe uma responsabilidade diferente quando você interpreta uma memória coletiva. E dividir a cena com meu filho foi algo profundamente simbólico. Não foi apenas um encontro profissional, foi um encontro de trajetórias. Quando arte e afeto se encontram, o resultado ganha uma camada que vai além da técnica.”

Hoje, sua relação com a escolha de projetos é consciente. Se no início aceitava oportunidades movida pela urgência de estar em cena, agora prioriza densidade, coerência e complexidade feminina. Busca personagens que provoquem reflexão e exijam maturidade emocional.

Ao olhar para o futuro, Giselle se vê em plena expansão. Deseja consolidar sua presença em grandes produções de teatro musical, ampliar o espaço no audiovisual e, eventualmente, participar da criação de projetos culturais desde sua origem. Reconhece o valor da crítica especializada e do reconhecimento institucional como consequência de uma trajetória consistente — nunca como ponto de partida.

Entre palcos e telas, Giselle de Prattes vive uma fase que não representa começo nem recomeço, mas consolidação. Uma artista que atravessou diferentes etapas da vida sem abandonar o ofício — e que hoje ocupa, com maturidade e consistência, o espaço que construiu ao longo do tempo. Se pudesse sintetizar sua história, escolheria uma ideia simples e firme: “Eu não acredito em tempo certo para dar certo. Acredito em tempo de amadurecer, de reconstruir e de florescer. A minha história não é sobre atalhos, é sobre permanência”, finaliza.

A atriz é Capa do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ela fala sobre trabalhos, carreira, escolhas, família e novos projetos.

A atriz Giselle Prattes é a Capa do Correio B+ desta semana - Foto: Sergio Baia - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flavia Viana

CE - Olhando para o início da sua trajetória, o que te levou, de fato, a escolher a atuação como caminho — houve um momento de decisão ou foi algo que se construiu aos poucos?
GP -
Foi algo que se construiu muito cedo, quase de forma intuitiva. Eu comecei aos 7 anos no teatro infantil, em Niterói, e desde o início já existia um encantamento muito grande com aquele universo. Não foi uma decisão racional, foi uma necessidade de expressão. Com o tempo, aquilo que começou como encantamento foi ganhando forma de profissão. A vida foi me colocando dentro desse caminho e eu fui ficando.

CE - Nos primeiros anos de carreira, quais foram os aprendizados mais determinantes para a artista que você se tornaria depois?
GP -
 Disciplina e resiliência. Começar muito jovem, sem referências dentro da família, me fez aprender na prática. O teatro infantil, naquela época, era muito intenso ensaios, apresentações, críticas, rotina. E depois vieram os desafios da vida pessoal, que também foram grandes. Isso tudo me ensinou que talento sozinho não sustenta uma carreira. É preciso constância, estudo e muita persistência.

CE - Ao longo do tempo, sua carreira passou por diferentes fases e linguagens. Houve algum ponto de virada em que você percebeu uma mudança mais clara no seu posicionamento como atriz?
GP -
Sim, principalmente no meu retorno ao teatro musical em uma fase mais madura da vida. Quando você volta com mais vivência, mais repertório emocional, a forma de atuar muda completamente. Você deixa de apenas executar e passa a construir com mais consciência. Esse foi um ponto de virada importante para mim.

CE - Em que momento você sentiu que deixou de apenas aceitar oportunidades para começar a fazer escolhas mais conscientes sobre os projetos que queria construir?
GP -
Isso veio com o tempo e com a maturidade. No início, eu aceitava as oportunidades porque queria trabalhar, aprender, me manter ativa. Mas depois de viver algumas pausas e recomeços, passei a olhar para os projetos de outra forma. Hoje eu penso no que aquele trabalho representa dentro da minha trajetória. Se ele me desafia, se me acrescenta, se faz sentido para o momento que estou vivendo.

CE - Sua trajetória transita entre teatro musical, televisão e cinema. O que cada uma dessas experiências foi te ensinando ao longo do caminho?
GP -
 Cada linguagem ensina algo muito específico. O teatro me ensinou presença, escuta e entrega. É um espaço onde você precisa estar inteira o tempo todo.

A televisão me ensinou precisão e sutileza. A câmera exige economia e consciência de cada gesto. E o cinema me trouxe um mergulho mais íntimo, mais interno, uma construção mais silenciosa da emoção. Todas essas experiências se complementam e me ajudam a construir personagens de forma mais completa.

CE - O teatro musical ocupa um lugar importante na sua carreira. O que te faz retornar a essa linguagem mesmo depois de experiências no audiovisual?
GP -
 O teatro musical reúne muito do que eu amo na arte. Ele exige técnica, disciplina, emoção e presença. É uma linguagem muito completa, que envolve corpo, voz e interpretação de forma simultânea. E existe também a troca com o público, que é imediata e muito potente. Isso me move muito.

CE - Ao longo dos anos, você percebe uma mudança no tipo de personagem que passou a te interessar? O que hoje se tornou essencial para que um papel faça sentido para você?
GP - 
Sim, completamente. Hoje eu me interesso por personagens que tenham camadas, que tragam contradições, conflitos humanos reais. Mulheres complexas, que não sejam óbvias. O essencial para mim hoje é que o papel me provoque. Que me tire da zona de conforto e me faça crescer como atriz.

CE - Chegando ao momento atual, você está em cartaz com “Diana – A Princesa do Povo”. O que esse trabalho representa dentro da sua trajetória?
GP -
 Esse trabalho representa um momento de aprofundamento. É um espetáculo que exige muito de mim tecnicamente e emocionalmente. E também representa um encontro com uma fase mais madura da minha carreira, em que consigo acessar a personagem com mais consciência e repertório.

CE - A construção de Camilla Parker Bowles traz uma complexidade emocional e histórica. Como tem sido esse processo e em que ele dialoga com a atriz que você se tornou hoje?
GP -
 Tem sido um processo intenso. Camilla é uma figura carregada de julgamento, e isso exige um cuidado muito grande na construção.

Eu precisei tirar o julgamento e buscar compreender a mulher por trás da imagem pública. Esse processo dialoga muito com a atriz que eu acredito, com o trabalho que busca diariamente descobrir e melhorar ,  exige maturidade, escuta e profundidade emocional.

A atriz Giselle Prattes é a Capa do Correio B+ desta semana - Foto: Sergio Baia - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flavia Viana

CE - Paralelamente, você integra o elenco do filme “Minha Vida com Shurastey”. Como esse projeto se encaixa nesse momento da sua carreira?
GP -
 Esse projeto chega em um momento muito bonito, porque amplia meu olhar para o audiovisual. É uma história que já carrega uma conexão emocional muito forte com o público, e poder fazer parte disso foi muito especial. Ele dialoga com esse momento de expansão da minha carreira.

CE - Trabalhar ao lado do seu filho nesse filme adiciona uma camada pessoal à experiência. Como essa relação atravessa sua trajetória artística ao longo do tempo?
GP -
 A arte sempre esteve muito presente na nossa relação. Meu filho começou no palco muito cedo, em um espetáculo que eu produzia e no qual também atuava. Então existe uma história artística entre nós. Trabalhar juntos hoje foi um encontro muito simbólico. Existe troca, cumplicidade e um entendimento muito profundo do que é esse caminho.

CE - Depois de uma carreira marcada por diferentes fases, linguagens e recomeços, como você definiria o momento que vive hoje — mais como continuidade ou como um novo capítulo? E já existem planos futuros?
GP -
 Eu vejo como um novo capítulo. A minha trajetória sempre teve recomeços, e hoje eu sinto que estou em um momento de expansão e mais consciência artística. Quero continuar transitando entre o teatro musical e o audiovisual, buscar personagens cada vez mais complexas e, quem sabe, também começar a desenvolver projetos como produtora. Eu me sinto em movimento e isso, para mim, é essencial.


 

Despedida

Enterro do ator Juca de Oliveira reúne famosos e familiares em São Paulo

Dramaturgo morreu na madrugada de sábado (21)

22/03/2026 12h30

Ator morreu na madrugada de sábado (21) devido a uma pneumonia

Ator morreu na madrugada de sábado (21) devido a uma pneumonia Divulgação

Continue Lendo...

O enterro de Juca de Oliveira aconteceu neste domingo, 22, no Cemitério do Araçá, em São Paulo. A cerimônia contou com a presença de familiares e amigos do ator.

O dramaturgo, um dos grandes nomes da televisão e do teatro no Brasil, morreu no sábado, 21. Ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio-Libanês desde sexta-feira, 13, e enfrentava uma pneumonia associada a complicações cardíacas. Poucos dias depois da internação, no dia 16, havia completado 91 anos.

Uma vida dedicada à arte

Com uma trajetória que atravessa décadas, Juca de Oliveira construiu uma carreira extensa e diversa. Foram mais de 30 novelas e minisséries, cerca de dez filmes e mais de 60 peças teatrais, muitas delas também assinadas por ele como autor.

Mais do que números, sua história se confunde com a própria evolução da dramaturgia brasileira. Entre palcos e estúdios, trabalhou com alguns dos maiores nomes da cultura nacional e ajudou a moldar o teatro e a televisão como conhecemos hoje.

Muitos de seus trabalhos tinham forte teor político, assim como seus posicionamentos ao longo da vida. Em 2022, ele relatou ao Estadão a angústia de ter sido obrigado pela pandemia dois anos antes a tirar de cartaz a comédia Mãos Limpas, que vinha lotando o Teatro Renaissance.

"Foi a pior sensação da minha vida bloquear um espetáculo que garantia o sustento de uma equipe e perceber que a paralisação se arrastaria por muito tempo", disse. Mas comemorava poder retornar aos palcos com a peça A Flor do Meu Bem-Querer.

Astrologia Correio B+

A energia do Tarô da semana entre 23 e 29 de março. O Mago e o poder de criar a própria realidade.

A semana se abre sob a regência do Mago. E quando essa carta assume o comando, não estamos falando de um período comum, estamos diante de um verdadeiro portal de criação. Aproveite para transformar ideias em ação!

22/03/2026 12h00

A energia do Tarô da semana entre 23 e 29 de março. O Mago e o poder de criar a própria realidade.

A energia do Tarô da semana entre 23 e 29 de março. O Mago e o poder de criar a própria realidade. Foto: Divulgação

Continue Lendo...

Nesta semana, o Tarô traz como regente um dos arcanos mais potentes de todo o baralho: o Mago. A carta número 1 dos Arcanos Maiores não apenas inaugura a jornada simbólica do Tarô, como também abre caminhos, internos e externos, para novos ciclos, decisões e manifestações concretas.

E não é por acaso. Existe um chamado silencioso no ar. Um convite para iniciar, agir, transformar.

O Mago indica que algo novo está para começar. E, com este arcano, isso nunca é apenas uma possibilidade, é um potencial real, latente, pronto para ganhar forma.

Logo nas primeiras linhas do Evangelho de João, encontramos uma chave poderosa para compreender a essência desse arcano: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” O Mago é o Verbo. É a palavra que cria. É a intenção que se materializa. É o pensamento que ganha corpo no mundo.

Vivemos um momento que dialoga diretamente com essa energia. Com a entrada do Sol em Áries, teve início o novo ano astrológico, movimentando o campo energético coletivo e trazendo impulso, coragem e iniciativa. Primeiro signo do zodíaco, Áries inaugurou esse ciclo com fogo, ação e pioneirismo. É como se o universo estivesse dizendo: comece agora.

O Mago é o arquétipo da manifestação. Ele não espera. Ele faz. Ele canaliza. Ele transforma. Em sua imagem clássica, uma mão aponta para o céu e a outra para a terra, um gesto que traduz o princípio hermético: “como acima, assim embaixo”. Ele é o elo entre o invisível e o visível, entre o espiritual e o material.

Sobre sua mesa, estão os quatro elementos: a varinha (fogo), a taça (água), a espada (ar) e a moeda (terra). Esses símbolos representam não apenas os elementos da natureza, mas também as dimensões do ser humano: vontade, emoção, pensamento e matéria. Ou seja: tudo o que você precisa, você já tem.

E talvez essa seja a maior mensagem desta semana. Você não precisa esperar por ferramentas externas. Você já carrega dentro de si os recursos necessários para criar a realidade que deseja. Mas existe um detalhe fundamental: consciência.

As palavras que você diz, os pensamentos que cultiva e as crenças que sustenta não são neutros. Eles são forças criadoras. Quer você perceba ou não, tudo o que é repetido internamente ganha força. E tudo o que ganha força tende a se manifestar. Palavras têm poder. Pensamentos são coisas. E intenção é direção. Quando você fala, você cria. Quando você acredita, você potencializa. Quando você age, você materializa.

Não é à toa que práticas como orações, mantras e afirmações existem há milênios. A linguagem é uma ferramenta mágica — no sentido mais profundo da palavra. Ela organiza o caos, direciona energia e dá forma ao invisível.

O Mago nos lembra disso com clareza: a mente é a sua varinha mágica. Mas, não basta desejar. É preciso alinhar pensamento, emoção e ação. Para manifestar, é necessário visualizar. Criar uma imagem mental clara. Sentir, de verdade, a emoção daquilo que se deseja alcançar.

E, então, agir como alguém que já está a caminho dessa realidade. Existe uma frase atribuída a Buda que ecoa perfeitamente essa energia: “É capaz quem pensa que é capaz.” E talvez seja exatamente aí que mora o maior desafio.

Porque, muitas vezes, o que impede a manifestação não é a falta de capacidade, é a presença de dúvida. Crenças limitantes, medos antigos, inseguranças silenciosas. Tudo isso atua como ruído na frequência da criação. O Mago exige confiança. Confiança inabalável. Ele pede que você assuma o protagonismo da sua vida, que reconheça o seu poder pessoal e que pare de terceirizar decisões que são suas.

Ao mesmo tempo, esse arcano também traz um alerta importante: poder sem consciência pode se tornar manipulação. A habilidade de influenciar, persuadir e criar deve ser usada com ética, integridade e responsabilidade. Criar não é controlar o outro. É alinhar-se com o que é verdadeiro.

Outro ponto essencial dessa energia é o desapego. Pode parecer contraditório, mas não é. Para manifestar, é preciso desejar, mas sem se prender ao resultado. É necessário abrir mão do apego ao resultado, mantendo viva a intenção. É confiar no processo. É permitir. É saber que existe um tempo entre plantar e colher e respeitar esse intervalo com fé.

Aliás, fé é uma palavra-chave nesta semana.

Quando Jesus dizia “a tua fé te salvou”, ele falava justamente sobre essa certeza interna, essa convicção profunda que antecede qualquer evidência externa. A fé não é passiva, ela é ativa, criadora, direcionadora. E o Mago opera exatamente nesse campo.

Ele nos lembra que somos cocriadores da nossa realidade. Que existe uma inteligência maior, sim, mas que nós participamos diretamente daquilo que se manifesta em nossas vidas.

Talvez por isso uma das interpretações mais interessantes da palavra “abracadabra” seja: “criarei conforme falo”. Percebe a força disso?

Não é sobre mágica no sentido fantasioso. É sobre consciência aplicada. É sobre energia direcionada. É sobre intenção transformada em ação.

Nesta semana, a influência do Mago também se manifesta na comunicação. Regido por Mercúrio, ele favorece trocas, conversas, ideias, conexões. É um período excelente para iniciar projetos, apresentar propostas, conhecer pessoas, expandir contatos e até abrir espaço para novos romances.

Mas lembre-se: o Mago inicia. Ele acende. Ele abre portas. A continuidade depende de você.

No amor, a energia é de começo, magnetismo e iniciativa. Para quem está solteiro, há grande potencial para conhecer alguém por meio de conversas, trocas e conexões mentais. Aquele tipo de encontro que começa pela palavra e rapidamente ganha intensidade.

O Mago seduz pela inteligência, pelo humor, pela presença. Para quem já está em um relacionamento, é hora de renovar a dinâmica, resgatar o diálogo e criar novas experiências juntos. Só um cuidado: evite jogos, manipulações ou promessas vazias. O que nasce agora precisa de verdade para crescer.

No trabalho e na carreira, este é um dos momentos mais potentes do mês. Ideias surgem com força, soluções aparecem com clareza e você pode se destacar pela criatividade e capacidade de execução. É semana de apresentar projetos, tomar iniciativa, propor mudanças e mostrar do que você é capaz.

Se você busca novas oportunidades, o Mago abre caminhos, mas exige movimento. Nada de esperar: vá atrás, fale, se mostre, se posicione. Sua comunicação será uma das suas maiores aliadas.

No dinheiro, o Mago favorece ganhos a partir de iniciativas próprias, ideias inovadoras e uso inteligente dos recursos disponíveis. Pode ser um bom momento para começar algo novo, pensar em fontes alternativas de renda ou reorganizar sua vida financeira com mais estratégia.

Porém, atenção: evite impulsividade e promessas fáceis. O verdadeiro poder aqui está na consciência e no planejamento aliado à ação.

Talvez você se pegue pensando: “E se eu tivesse poderes mágicos?” A resposta pode ser mais simples do que parece. Você tem. Não uma varinha de condão literal, mas algo muito mais poderoso: mente, intenção, vontade e ação.

Você não é o Aladim. Você é o gênio. E, ao contrário das histórias, não existe limite de pedidos. O que existe é alinhamento. Quando pensamento, emoção e atitude caminham juntos, a manifestação deixa de ser teoria e passa a ser experiência.

Carl Jung descreveu o Mago como o “arquétipo do efeito mágico”. E talvez essa seja a melhor definição possível: a capacidade de causar mudanças de acordo com a própria vontade.

É isso que está disponível para você agora.

Uma semana de potência criativa. De inícios. De ideias que surgem quase como insights. De caminhos que se abrem quando você decide agir. Por isso, mais do que perguntar “o que vai acontecer?”, talvez a pergunta mais poderosa desta semana seja: “O que eu quero fazer acontecer?” Porque o Mago não prevê. O Mago realiza.

Aproveite esse período para iniciar, experimentar, ousar. Use sua inteligência, sua intuição e sua sensibilidade. Confie nos seus recursos. Confie na sua capacidade. E, principalmente, confie em você. Porque, se existe uma verdade que o Mago insiste em repetir, é esta: tudo o que você precisa já está ao seu alcance. Agora é com você. Abracadabra.

Uma ótima semana e muita luz,

Ana Cristina Paixão

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).