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Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com a atriz Simone Centurione

"O teatro musical me devolveu um lugar de pertencimento artístico. Ali entendi que não era um trabalho pontual, era um caminho".

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Com uma trajetória construída entre os palcos, os estúdios de dublagem e experiências no audiovisual, Simone Centurione consolidou um dos momentos mais simbólicos de sua carreira ao integrar o elenco de "Diana – A Princesa do Povo", musical que, após temporada no Rio de Janeiro, se despede do público paulista neste fim de semana, no Teatro Liberdade.

Na montagem brasileira da superprodução assinada pela Estamos Aqui, com direção de Tadeu Aguiar, a atriz deu vida à Rainha Elizabeth II em um processo que define como um encontro entre maturidade artística e prontidão.

Em conversa exclusiva com o Caderno B+, Simone relembra o início no teatro musical, fala sobre os trabalhos que moldaram sua identidade artística, comenta a experiência na dublagem e no audiovisual e reflete sobre os desafios de interpretar uma mulher marcada pela contenção, pelo dever e pelo silêncio — um papel que passa a integrar os personagens mais significativos de sua trajetória.

Simone Centurione é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Bruno Adachi - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Seu primeiro contato profissional com o teatro musical aconteceu relativamente depois de uma trajetória como atriz e cantora. O que esse encontro mudou na sua vida artística?
SC - 
Mudou tudo. Eu já vinha de uma caminhada como atriz e também sempre tive a música muito presente na minha vida. Cheguei a investir em um projeto autoral, gravei demos, fui para Los Angeles, mas aquilo não aconteceu da forma como eu imaginava.

Durante um tempo, isso me afastou um pouco da música. Quando surgiu o convite para "Sinatra Olhos Azuis", percebi que o teatro musical me permitia unir duas partes muito fortes de mim: a atriz e a cantora. Mais do que isso, ele me devolveu um lugar de pertencimento artístico.

CE - Você sente que existe um trabalho ou personagem que foi decisivo para consolidar sua identidade como artista?
SC - 
Na verdade, todos os trabalhos me transformaram de alguma maneira, tanto profissionalmente quanto pessoalmente. Mas alguns tiveram um peso muito importante nessa construção. "O Som da Motown", por exemplo, mexeu profundamente comigo porque dialogava diretamente com a black music, que faz parte da minha formação e das minhas referências.

Era um espetáculo que exigia muita potência, alma, força e entrega. Já "Liza por Elas" trouxe outro tipo de desafio, mais ligado à identidade cênica e à interpretação. E "Como Eliminar Seu Chefe" me exigiu muito como atriz e cantora ao mesmo tempo.

CE - Sua trajetória também passa pela direção, preparação vocal e assistência de direção. Como essas experiências ampliaram o seu olhar sobre o palco?
SC -
 Ampliaram completamente. Trabalhar também nos bastidores me deu uma compreensão muito maior do todo. Quando você atua apenas como intérprete, muitas vezes está focado na sua função específica. Mas, quando assume outras responsabilidades, começa a entender o espetáculo como organismo.

Isso muda sua relação com o coletivo, com o tempo da cena, com a escuta e até com a forma de se posicionar artisticamente dentro de um processo.

CE - Você transita entre teatro musical, dublagem e audiovisual. O que cada linguagem acrescenta ao seu trabalho?
SC -
 Cada uma acrescenta algo muito específico. A dublagem, por exemplo, me trouxe uma consciência muito precisa de intenção e escuta. É um trabalho extremamente técnico e milimétrico, onde qualquer excesso aparece. Isso refinou muito minha relação com a voz e com o subtexto. Já o audiovisual me ensinou sutileza e economia. No cinema e na televisão, muitas vezes menos é mais. Hoje, levo tudo isso para o palco.

CE - Existe algum trabalho na dublagem que tenha sido especialmente marcante para você?
SC -
 Sim. Um dos trabalhos mais especiais foi minha participação em The Witcher 3: Wild Hunt, interpretando uma personagem que cantava em uma taverna.

Foi um trabalho que teve reconhecimento internacional e chegou a ser indicado a prêmio. Não vencemos, mas a indicação já foi muito importante para mim porque mostrou a dimensão que um trabalho de voz pode alcançar.

Simone Centurione é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Andy Santana - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Você também teve experiências no audiovisual. Como esse universo entrou na sua trajetória?
SC -
 Foi acontecendo aos poucos, paralelamente ao teatro. Participei da série "Ed Mort", dos filmes "Nos Seios de Deus" e "Afetos Secretos", além de algumas participações em novelas — a mais recente em "Êta Mundo Melhor".

São experiências muito diferentes do palco, mas que ampliaram muito minha percepção como atriz. E tenho muito interesse em expandir ainda mais esse caminho.

CE - Quando recebeu o convite para "Diana", em que momento da carreira você sentia que estava?
SC -
 Eu estava em um momento de maturidade artística, com mais consciência do que eu queria construir e também do que eu tinha para oferecer. "Diana" chegou justamente nesse encontro entre trajetória e prontidão.

Hoje, olhando para essa experiência, tenho ainda mais certeza de que precisava de tudo o que vivi antes para chegar até essa personagem. Foi um trabalho que exigiu repertório emocional, escuta, técnica e entrega, e que marcou profundamente o meu percurso artístico.

CE - Como surgiu o convite para viver a Rainha Elizabeth II?
SC - 
O convite surgiu a partir de uma relação profissional construída ao longo do tempo com o Tadeu Aguiar, com quem já havia trabalhado em musicais como "Bibi – Uma Vida em Musical" e "Uma Babá Quase Perfeita", além da experiência como assistente de direção em "Beetlejuice".

O Tadeu é um diretor muito aberto ao diálogo e à construção conjunta. Acredito que esse convite tenha vindo da confiança construída ao longo dos anos, da disciplina que tenho com o meu trabalho e também do meu olhar de interpretação.

CE - O que mais te interessou nessa mulher que você levou para o palco em "Diana"?
SC -
 Me interessou olhar para além da figura pública. Antes de ser rainha, ela era uma mulher atravessada pelo dever. Uma mulher que abriu mão de si mesma para cumprir uma função muito maior do que ela. Acho bonito entender que ela não era fria — ela precisou ser.

Existe um amor muito profundo pelo dever, pela instituição e pelo próprio papel que ela ocupava. O desafio foi justamente revelar humanidade dentro da contenção. Ao longo da temporada, foi muito gratificante perceber que o público também enxergou essa dimensão mais humana da personagem.

CE - Esse trabalho representa uma virada na sua carreira?
SC - 
Sim, no sentido de responsabilidade e reposicionamento. Mas também acredito que minha trajetória inteira foi feita de pequenas viradas. Cada personagem me transformou e me construiu de alguma forma.

"Diana" passa a ocupar um lugar muito especial nessa caminhada, não apenas pela personagem, mas pelo processo artístico que vivi e pelos encontros que o espetáculo proporcionou. Saio dessa experiência com a sensação de que cresci como atriz e ainda mais motivada a buscar projetos que me desafiem, provoquem reflexão e me permitam continuar evoluindo no teatro, no cinema, na televisão e na música.

 

Diálogo

Tem deputado que descobriu um jeito, digamos, elegante de mandar... Leia na coluna de hoje

Leia a Coluna Diálogo desta terça-feira (14)

14/07/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Cecília Meireles - escritora brasileira

"Aprendi com as primaveras a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira”

FELPUDA

Tem deputado que descobriu um jeito, digamos, elegante de mandar recado ao Governo: basta aparecerem trechos esburacados nas rodovias de MS para cobrar providências imediatas. A pauta, claro, é a conservação das estradas. Mas, nos bastidores, a leitura é outra. Quando a reclamação ganha tom de forma constante, deixa de ser apenas preocupação com a situação. Em ano de eleição, buraco também serve de outdoor político. Vale lembrar que tais problemas estão sendo “descobertos” somente agora, atribuindo-se à “queixas de moradores”. Huum...

Na sola

De olho em 2026, o deputado federal Beto Pereira buscou em São Paulo o respaldo do governador Tarcísio de Freitas e do presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira.

Mais

Apoio partidário é importante, mas a avaliação é outra: voto se conquista mesmo é percorrendo as ruas empoeiradas de MS. Palanque ajuda, mas sola de sapato continua sendo insubstituível.

DiálogoFoto: Arquivo Pessoal

A UFMS de Chapadão do Sul acaba de alcançar um marco importante. A pesquisadora Karoline Günther Morata tornou-se a primeira doutora formada pelo Programa de Pós-Graduação em Agronomia do câmpus. E estreou em grande estilo. Sua pesquisa desenvolveu uma tecnologia que combina sensores de alta precisão e inteligência artificial para identificar nematoides – os vermes que atacam as raízes de soja e algodão – antes mesmo de aparecerem os sintomas nas plantas. Assim, o produtor poderá agir mais cedo, reduzindo prejuízos e aumentando a produtividade. O estudo é considerado pioneiro e reforça o protagonismo da UFMS na produção de conhecimento voltado ao agronegócio.

DiálogoKamily Yuuna Kaibara Kubota, representante de MS, foi eleita Miss Nikkey Brasil durante a final realizada em São Paulo, dia 11 - Foto: Divulgação

 

DiálogoGiulianna Arcuri - Divulgação

Curto-circuito

A base da prefeita Adriane  Lopes anda mais parecida com oposição de si mesma. Na Câmara Municipal de Campo Grande, aliados trocam farpas com frequência preocupante. O clima esquentou tanto que o caso foi parar no Conselho de Ética. Um vereador teria insinuado que outro colega seria corrupto. Depois da acusação, o ambiente passou a ter, dizem, vários fios em curto-circuito. Assim, quem deveria defender a administração agora precisa acalmar os próprios aliados. Afe!

Recado

A carta de Jair Bolsonaro teve efeito imediato em Mato Grosso do Sul. Ao colocar Flávio como pré-candidato ao Planalto, também reorganizou o tabuleiro. Entre as peças que perderam espaço está o deputado Marcos Pollon. A esperança de disputar o Senado pelo PL ficou ainda mais distante. Quando o recado vem da principal liderança do partido, sobra pouco espaço para interpretação. Na política, certas cartas não admitem réplica.

No corredor

Na eleição passada, Pollon foi o deputado federal mais votado de MS. O resultado alimentou a expectativa de ocupar a famosa “janelinha” do partido. Tentou viabilizar candidatura ao governo e encontrou a porta fechada. Inconformado, disparou críticas pesadas contra a cúpula do PL. O tempo passou, o cenário mudou e os ventos sopraram em outra direção. Na política, prestígio também tem prazo de validade. Quem sobe pelo elevador da votação pode descer pela escada da realidade. 

Aniversariantes

Maira Lúcia Pires de Rezende,
Marcos Vinicius Abreu Silva,
Vera Silvia Saad, 
Dr. Julizar Barbosa Trindade Júnior,
Mariana Braga,
Vania Cardoso, 
Altidor Garcia Lima Filho,
João Francischini Filho,
Maria Tereza Oliveira Franco,
Paulo Sérgio Sombra de Souza, 
Roseli Maria Cervi Kohl,
Sérgio Guimarães Dias,
João Cação,
Milton Oliveira da Silveira,
Paulo Cesar de Oliveira,
Carmem Lucia de Pierre Dalberto,
Marcelo Poy Frainer,
Thiago Segatto de Faria, 
Antônio Russo Netto,
Thiago Brandão,
Eduarda Almeida dos Reis,
Andréa Brandão,
Leonilce Gubert Brodzinski,
Noely Rabello de Barros Trindade,
Ana Patricia Saldanha Rodrigues,
Gilberto Roman Dias,
Marcílio Alves da Silva,
Maria Carolina El Daher,
Elso Gaban Júnior, 
Thiago Moura Nacer,
Mario Marcio Neres Dias,
Rubens de Carvalho,
Jorge Veimar Sayd Pinto,
Edna Knust Modesto,
Juliana Comparin,
Margareth Barbosa Medeiros,
Clovis Mareco,
Nedir Martins da Silveira,
Dr. Abdala Naufal,
Rubens Marques dos Santos,
Adonias Moreira de Souza Junior,
Ana Paula Rezende Munhoz,
Marcos Roberto Carvalho de Melo, 
João Câncio Alves Marques,
Maria Denise Pereira,
Estevan Caporossi,
Maria Waleska Bogalho Nogueira,
Renato Corrêa Gamba, 
Dra. Leila Borges Caminha Dias,
José Walbran Jucá,
Gilce Filartiga,
Domingos Sávio Gomes da Silva,
Waldir Coelho,
Benedito Freire,
Alair Aluísio Benevides,
Neuso de Melo,
Nubielli Dalla Valle Rorig,
Regis Fernando Oliveira Barbosa,
Brasília Lopes,
Norma Segovia,
Ana Carla Salomão Budib,
Eduardo Souza Neto,
Rosângela Valério Vilanova,
Cristina de Barros Faria,
Ruben Pedro da Rosa Angelini,
Júlio Fucuta Kotaro,
Dan Kjaer,
Augusto César Alexandre,
Suzete Maria Proença,
Suellen Ingrid Rossi Rodrigues,
Milane Ribeiro Toledo, 
Acir Silva Nascimento,
Helen Cristina Cabral Ferreira,
Miziane Garcia Freitas,
Juliane Laudisio Felicio,
Joacil Ferreira Gomes,
Abel Pavão da Silva,
Lourivaldo Nogueira Rodrigues,
Sebastião Amorim,
Boaventura Baptista, 
Leonardo de Souza, 
Geanne Lobo,
Alberto Zeiger, 
João Ribeiro Homem,
Lurdes Braga Fracalossi,
Veneide Galano Gonçalves Abrahão,
Camila Alacon Gomes,
Syrlo Fernandes Vieira,
Maria Augusta da Costa Nogueira,
Abel Moreira Júnior, 
Roza Vanilde Demundo,
Frederico Otto Filho,
Valéria Cristina Santos de Andrade,
Alisson da Silva Alvarenga,
Celso de Arruda,
Elair Prates Duarte,
Willian de Carvalho,
Jorge Antônio Bataiotti,
Fábio Leite Brandalise,
Aroldo Calves Dias,
Nelson Garragori Graces Lopes,
Osmar Reis de Siqueira,
José Rodolfo Marinho,
Luiz Guilherme Viana Nunes Carneiro,
Elizandra Nunes Pagani,
Maria Inês Domingues Castilho,
Fernando Cassiatori Gonçalves Bravo,
Andreia Carla Secretti Schwingel,
Daniela Brostolin da Costa.

Colaborou Tatyane Gameiro

feira literária

Itamar Vieira Junior defende literatura como instrumento de memória, justiça e esperança

Autor de "Torto Arado" afirma que a arte nasce do incômodo, preserva experiências humanas e amplia o debate sobre as desigualdades brasileiras

13/07/2026 17h03

Itamar Vieira Jr., autor de Torto Arado

Itamar Vieira Jr., autor de Torto Arado Mariana Piell

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Um dos escritores brasileiros mais importantes da atualidade, Itamar Vieira Junior levou à Feira Literária de Bonito (FLIB) uma reflexão que ultrapassa as páginas de seus livros. Autor do premiado Torto Arado, fenômeno editorial traduzido para dezenas de países, ele falou sobre literatura, direito à terra, memória, identidade, liberdade de expressão e os desafios sociais que continuam marcando o Brasil.

Ao longo da conversa, Itamar defendeu que a literatura não é apenas uma forma de entretenimento, mas um espaço de reflexão capaz de preservar memórias, dar voz às experiências humanas e estimular o debate sobre questões históricas que permanecem atuais.

"A arte é a expressão humana talvez mais sofisticada que existe. Ela não existe sozinha, existe acompanhada da imaginação, desse poder de criação que pertence a todos nós", afirmou.

Segundo o escritor, toda obra nasce de um incômodo. Para ele, escrever é um processo de investigação da própria realidade e da experiência coletiva.

"Escrever não é só escrever. Esse ato é acompanhado por uma grande fonte de reflexão, para que eu pense o mundo e uma história particular que quase sempre se replica em uma história coletiva", concluiu.

Esperança em meio às dores

Embora seus romances abordem temas como violência, desigualdade e conflitos sociais, Itamar acredita que suas histórias também carregam esperança.

Ao explicar esse equilíbrio entre dureza e afeto presente em suas obras, ele afirmou que essa característica faz parte da própria identidade brasileira.

"Apesar da dureza da nossa história e do nosso cotidiano, temos uma enorme capacidade de projetar um futuro diferente", afirmou.

Para o autor, o Brasil sobreviveu a processos traumáticos como a colonização, a escravidão e o genocídio dos povos indígenas sem perder completamente sua capacidade de imaginar outro futuro.

Ele também observou que, embora veja um país atualmente mais dividido politicamente, os brasileiros ainda conseguem encontrar pontos de união em manifestações culturais e populares.

O valor da terra

Tema central de Torto Arado, a relação entre as pessoas e a terra voltou a aparecer durante a conversa. Itamar destacou que o maior desafio vivido atualmente por comunidades quilombolas, indígenas e tradicionais continua sendo a garantia de seus territórios.

Segundo ele, a legislação brasileira possui instrumentos capazes de proteger essas populações, mas a aplicação dessas leis esbarra em disputas políticas e burocracias históricas.

"A terra não é apenas um bem econômico. Essa relação é muito maior. É uma relação vital, simbiótica", defendeu.

O escritor afirmou que assegurar o direito à terra significa preservar histórias, culturas e modos de vida.

"Se não temos um chão para pisar, uma casa para morar ou um campo para trabalhar, tudo isso está em risco", pontuou.

Ao recordar sua trajetória como servidor do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), onde trabalhou por 17 anos, Itamar lembrou dos inúmeros conflitos fundiários que presenciou e das lideranças ameaçadas e assassinadas durante esse período.

Segundo ele, essa vivência foi determinante para a construção de Torto Arado.

"Essa experiência me permitiu apresentar aos leitores um Brasil que muitas vezes não é observado, que é esquecido", afirmou.

Literatura que preserva 

Questionado sobre o papel da literatura na preservação da memória dos povos tradicionais, Itamar afirmou que os livros permanecem como registros históricos, mas possuem uma capacidade única de guardar também aquilo que dificilmente aparece em documentos oficiais: os sentimentos.

"A literatura trata da experiência humana. Ela registra não apenas a memória e a história, mas também a dimensão afetiva e subjetiva da vida", pontuou.

Para ele, justamente por depender da imaginação tanto de quem escreve quanto de quem lê, a literatura consegue alcançar aspectos profundos da existência humana.

Ele também destacou que essa liberdade criativa precisa ser preservada.

"A literatura não pode se censurar. Ela precisa ser livre e dar voz à imaginação", defendeu.

Longa jornada

Durante a entrevista, o escritor também falou sobre como sua atuação profissional influenciou diretamente sua produção literária.

Ele revelou que a primeira versão de Torto Arado foi escrita cerca de vinte anos antes da publicação do romance, quando ainda conhecia a realidade rural apenas pelas histórias contadas dentro de casa.

Foi somente depois de trabalhar no Incra e visitar comunidades quilombolas e assentamentos que conseguiu dar profundidade à narrativa.

"A imaginação se alimenta da vida,", afirmou.

Segundo ele, a convivência direta com essas comunidades permitiu construir personagens mais complexos e apresentar aos leitores um Brasil frequentemente invisibilizado.
 

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