Em Coração Acelerado, André Luiz Frambach vive Gael, personagem que conquistou o público e ganhou destaque na trama das 7 da TV Globo. O peão se envolveu com Naiane (Isabelle Drummond) em uma história marcada por reencontros e sentimentos que atravessam gerações.
O ator também participa de Onde Está a Boiadeira?, produção vertical que apresenta uma nova narrativa dentro do universo da novela.
Para André, Gael tem um significado especial. Apaixonado pelo universo rural desde pequeno, o ator encontrou no personagem a oportunidade de interpretar alguém ligado ao campo, aos cavalos e à vida na fazenda — uma relação que também faz parte dos seus próprios desejos e interesses.
Aos 29 anos, André construiu uma trajetória que começou ainda na infância. Na televisão desde os 8 anos, sua estreia aconteceu em 2007, no especial Por Toda Minha Vida, da Globo, interpretando o cantor Leandro.
Depois, vieram trabalhos em produções como Queridos Amigos, Duas Caras, Ciranda de Pedra, A Lei do Amor, Malhação, Éramos Seis, Cara e Coragem, No Rancho Fundo e, agora, Coração Acelerado.
No cinema, o primeiro trabalho foi em Chico Xavier, em 2010. O ator também protagonizou Modo Avião, ao lado de Larissa Manoela, e participou de filmes como Tá Escrito e Traição Entre Amigas. No streaming, esteve na série Temporada de Verão, da Netflix.
Em outubro, André estreia nos palcos do Rio de Janeiro com a peça Descalços no Parque, clássico de Neil Simon.
O espetáculo marca a primeira vez que o ator divide a cena no teatro com sua esposa, Larissa Manoela, e representa mais um desafio em uma carreira construída entre televisão, cinema, streaming e teatro.
André é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ele fala sobre trabalho, novos projetos e estreias.
O ator André Luiz Frambach é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Camille Frambach - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia VianaCE - Gael já conquistou o público em “Coração Acelerado”, especialmente pela relação com Naiane. O que mais tem te surpreendido na repercussão do personagem e desse casal?
AF - Eu acho que o que mais tem me surpreendido realmente são as pessoas comprando muito o casal. Entendendo que não é um casal que aconteceu da noite para o dia, que a história deles é uma história que vem desde a infância, uma história que vem de uma construção já de muitos anos, afinal eles cresceram juntos e tudo mais.
E principalmente também as pessoas reconhecerem que o Gael talvez traga a Naiane para fora, que talvez nem ela mesma queira que isso aconteça e que isso apareça. Então, a gente pode dizer que talvez o Gael traga o melhor da Naiane, do “eu” da Naiane que ela deixou pra trás quando era criança para poder buscar outras coisas para as quais ela foi incentivada, influenciada a buscar.
CE - Você protagoniza a novela vertical 'Onde está a Boiadeira', um formato que vem conquistando cada vez mais espaço. Como foi a experiência de gravar esse projeto? Acha que esse formato chegou mesmo pra ficar?
AF - Eu acredito que tudo na vida são ciclos. O audiovisual também é feito de ciclos, a arte é feita de ciclos, e eu acho que esse ciclo da novela vertical chegou com uma força muito grande. Se chegou para ficar, quanto tempo vai ficar, é relativo dizer.
Eu acho que não tem como nem prever uma coisa dessas, mas que de fato chegou para ficar, chegou com força, chegou muito forte. E, para mim, particularmente, fazer foi incrível, porque eu não senti nem diferença de fazer, porque era a mesma equipe no geral: direção, câmera, figurino, enfim, todo mundo, a mesma equipe.
Era o mesmo personagem, em uma história paralela à novela, mas, querendo ou não, todo o universo da novela foi levado para a vertical, então para mim não teve diferença, muito pelo contrário, foi tão gostoso e tão divertido quanto fazer a novela. Gravamos com mais intensidade, até porque o Gael tinha muita cena na novela vertical, então a intensidade foi mais alta.
Mas foi tão divertido quanto, e se falassem para mim que eu estava gravando a novela ou a novela vertical, para mim não tinha diferença nenhuma.
CE - Em outubro, você estreia a peça “Descalços no Parque” ao lado da Larissa Manoela. Como surgiu esse projeto e o que o público pode esperar desse encontro nos palcos?
AF - Esse projeto surgiu de um convite do Guilherme Weber, e eu já tinha vontade de fazer essa peça há muitos anos. O Gui e eu nos conhecemos — bom, ele me conheceu quando eu tinha 8 anos de idade. A gente trabalha junto há muitos anos; foi em Queridos Amigos, Ciranda de Pedra... Então, o Gui, de certa forma, me viu crescer no trabalho.
Sempre fomos grandes colegas de trabalho e, obviamente com a maturidade e com a vida, fomos nos aproximando também para fora do trabalho, com muito respeito e carinho. Ele então conheceu a Lari, e viu todo o nosso início e a nossa trajetória.
Ele sempre nos incentivou e dizia que a gente era muito bonito no sentido de se apoiar, de ser verdadeiro e honesto um com o outro, e de ter um carinho e um respeito muito grande pela nossa carreira individual, mas também sabendo a potencialização que existe quando estamos juntos.
Então, ele viu na gente, talvez, essa força para trazer uma peça que é um clássico, que já foi montada há muitos anos aqui e que é um clássico hollywoodiano, que tem até filme. Quando ele traduziu a peça, nos convidou para uma leitura. E, quando lemos, vimos que era um projeto com muito potencial para mostrarmos essa nossa outra vertente.
Já fizemos filme juntos, não fizemos novela, mas também nunca estivemos em um palco juntos. A Lari nunca fez teatro em prosa, sempre foi do musical, e eu sempre fui do teatro tradicional, sem ser musical. Então, desta vez, nós nos unimos para fazer o nosso primeiro teatro em prosa juntos no palco.
Isso surgiu realmente da nossa vontade de nos desafiarmos, de nos reconhecermos em outros lugares como ator, como atriz, como casal, como parceiros, e também como produtores e empresários.
Essa peça é uma junção de muitos fatores para que ela esteja saindo do papel e indo realmente para os palcos. Estamos muito felizes com tudo o que tem acontecido e com a repercussão que já tem dado, com as pessoas comentando, perguntando sobre a peça e empolgadas para nos ver juntos no palco. Estamos bem animados com o que vai acontecer em outubro no Rio e em março em São Paulo.
CE - Em quase 20 anos de carreira, você interpretou personagens muito diferentes. Qual deles mais te transformou como ator e por quê?
AF - São 21 anos, né? Eu comecei com 8 para 9 anos, então hoje eu tenho 29, já são 21 anos de carreira. E eu costumo falar que não tem como a gente dedicar uma transformação a um personagem só, porque a gente também não dedica a nossa transformação pessoal a um momento único da nossa vida, né?
Eu acho que cada personagem vai transformando a gente de alguma forma, tanto profissional quanto pessoalmente, assim como cada momento, cada adversidade e cada conquista. Tudo o que a gente vai passando pela vida também vai nos transformando pessoal e profissionalmente.
Então, eu valorizo cada personagem, cada história que eu contei, cada persona que eu pude interpretar e criar — ou co-criar junto com o elenco, com a equipe, com os autores e diretores. Realmente, eu não consigo destacar um personagem só.
Eu sou a soma de vários trabalhos, e todos eles me transformaram no que eu sou hoje como artista, além de, de alguma forma, terem me levado a ser o homem, o ser humano e o espírito que sou — e vice-versa. Muito do que o André é como espírito e ser humano também está nesses personagens em forma de maturidade, evolução, crescimento e seriedade. Sou muito grato a todos eles e que venham novos desafios que possam me engrandecer ainda mais como pessoa, como artista e como espírito.
CE - O que ainda te motiva a buscar novos desafios e existe algum personagem que você sonha interpretar?
AF - O que me motiva a buscar novos desafios é a mesma coisa que me motiva a viver. Eu costumo dizer que a gente nunca "chega lá". As pessoas sempre falam: "Agora você trabalha na Globo", "Agora você fez um filme ou uma série na Netflix", "Agora você fez uma peça, você chegou lá, conquistou tudo o que queria".
E, na verdade, não. A gente nunca chega lá. Se chegássemos, talvez já não estaríamos mais aqui neste plano que é a Terra. Estamos sempre evoluindo, crescendo e buscando novos desafios.
O que me motiva é exatamente isso: a vontade de viver, de encontrar novos personagens e novos desafios que me levem a lugares diferentes, lugares que eu nunca imaginei — tanto espaços físicos quanto aventuras e profissões que talvez eu nunca pudesse experimentar na minha vida pessoal e que posso vivenciar através de um personagem, seja um médico, um atleta, enfim.
Eu não tenho o sonho específico de interpretar um tipo exato de personagem, mas tenho o desejo de pegar papéis muito desafiadores. Tenho, sim, o sonho de fazer um filme medieval de guerra, por exemplo, embora saiba que é algo que ainda não acontece tanto aqui no Brasil, não sendo o nosso padrão de produção.
Mas seria o sonho de fazer um tipo de história e, consequentemente, um personagem voltado para esse universo.
No fim, a minha maior motivação são realmente os personagens que me desafiem — seja no teatro, em séries, filmes, novelas tradicionais ou novelas verticais —, em qualquer ambiente que me tire da zona de conforto e me traga adrenalina.
CE - “Coração Acelerado” tem a música sertaneja como pano de fundo. Esse é um estilo que já fazia parte da sua vida? Quais artistas costumam estar na sua playlist?
AF - Sempre foi, desde pequeno! O meu primeiro trabalho na vida e na casa foi Por toda a minha Vida do Leandro & Leonardo, então eu costumo dizer que eu cresci falando sobre sertanejo, cresci ouvindo sertanejo. Sempre fui apaixonado por esse ritmo.
Eu realmente sou um cara que ouve todos os tipos de música, gêneros e artistas — se eu começar a falar o que tem na minha playlist, só paro amanhã —, mas sempre ouvi de tudo e ouvi muito sertanejo, muito mesmo. Então, poder fazer uma novela que fale desse universo, que mostre um pouco o que ele é — não só do sertanejo, mas o artístico e o musical no geral —, é lindo, é encantador.
Acho que é por isso também que a novela deu tão certo, porque as pessoas se impactam com esse universo e têm curiosidade de saber um pouco mais sobre ele. A novela mostra, dentro do possível, como é esse cenário, então é um presente gigantesco.
Principalmente ter o Gael nessa história, porque ele é uma persona que está inserida nesse universo, mas que, de alguma forma, não está também; ele está no oposto, naquela calmaria — calmaria entre aspas, porque dá trabalho —, mas que é o trabalho da terra, da agricultura, dos animais, do plantio, enfim, que é a grande paixão do Gael também.
O ator André Luiz Frambach é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Camille Frambach - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia VianaCE - Você já contou que sonha em morar em uma fazenda e que montar a cavalo faz parte da sua história. De onde vem essa ligação tão forte com a vida no campo?
AF - Olha, eu confesso que não sei. Brinco que pode ser que seja de outras vidas, porque não tem muita explicação. Desde pequeno...
Tem um vídeo meu, que muita gente já viu, em que a minha mãe me pede para dar um recado quando eu estava brincando na rua com a galera, que hoje são meus grandes irmãos, amigos e padrinhos de casamento —, do nada eu falo "um cavalo". Então, desde pequeno eu sou muito apaixonado por cavalo. Os brinquedos que eu sempre queria e pedia eram de cavalo, tudo relacionado a cavalo: filmes, desenhos, enfim, tudo.
É uma coisa que não se explica, muito intensa e forte. Eu sempre falei muito de cavalo. Antes de ser ator, fiz hipismo clássico e hipismo rural quando era menininho, ou seja, antes dos 8 ou 9 anos.
Cheguei a conciliar por uma época o hipismo rural e o clássico com a atuação, mas não tinha como seguir. Não tínhamos condições na época de manter um cavalo, então abandonei o hipismo, os três tambores, as seis balizas, e foquei na atuação.
Mas esse sonho de ter o meu cavalo, a minha criação, a minha fazenda, nunca deixou de existir. Inclusive, eu virei ator quando era garoto, e hoje sou o ator que sou, porque desde lá de trás, quando tive a ideia de seguir essa carreira, foi para poder me organizar, ter o meu dinheirinho e, um dia, realizar esse sonho.
Então, até a minha profissão está ligada a esse grande sonho, que é ter a minha fazenda e os meus cavalos.
CE - Nas redes sociais, vc e Larissa mostram bastante do dia a dia do casal. Como fazem para preservar o casamento e manter a sintonia em meio a agendas tão intensas?
AF - Pois é, acho engraçado isso, porque, na grande realidade, a gente mostra quase nada, né? Mostramos cápsulas de momentos nossos.
Mostramos, inclusive, algumas coleções e coisas que gostamos de fazer entre amigos e em casal, como ir ao cinema, ir à praia, jogar com os amigos, fazer churrasco, mas a gente realmente não mostra o nosso dia a dia. Preservamos muito a nossa intimidade, a nossa casa, o nosso porto seguro, e preservamos muito a nossa relação também, a família que estamos construindo.
Claro que a gente entende que o público e os fãs gostam de entender quem somos de verdade: quem é a Larissa, quem é o André, quem é o "Laridré", né? Esse casal, essa união de dois seres humanos diferentes e distintos, mas que se escolhem todos os dias e continuam se escolhendo. Mas nós preservamos muito isso entre a gente.
Claro que gostamos de demonstrar o nosso sentimento e o que um faz pelo outro, porque acho que estamos tão cheios de referências negativas, infelizmente, fúteis e vazias... Quando podemos mostrar o que é de verdade e o que é profundo, é importante demonstrar também.
Mas demonstramos esse lado: o lado que é para incentivar as pessoas a acreditarem no amor, na família, nas relações e nas pessoas, desde que isso não invada a nossa privacidade e não interfira no nosso mecanismo de família, de casal, de donos de casa, de atores, de produtores e de empresários — de todo o mecanismo que temos como casal também.
Mas a gente gosta muito, porque entende que, de alguma forma, servimos de referência e inspiração, tanto os indivíduos, André Luiz Frambach e Larissa Manoela, quanto o casal.
Então, entendemos que precisamos mostrar cápsulas do que somos para as pessoas entenderem que somos seres humanos imperfeitos, que erram e acertam, mas que, acima de todas as coisas, existe o livre-arbítrio, existe o amor, existe a escolha, e que seguimos nos escolhendo todo dia. E por isso que estamos juntos.
CE - Quando você consegue desacelerar, o que mais gosta de fazer nas horas vagas? Como costuma aproveitar esse tempo longe dos sets?
AF - Desde sempre eu levo o trabalho e o ambiente profissional como trabalho. Tenho relações e amigos do trabalho, mas a maioria dos meus amigos e das pessoas com quem eu ando e convivo são pessoas que me viram crescer, que cresceram comigo, são pessoas de fora do meio.
Então, o que eu costumo fazer e o que eu gosto de fazer quando não estou trabalhando é ir para a minha casa, ficar com a minha esposa e com a minha família — e quando digo minha família, inclui meus amigos, as pessoas que cresceram comigo.
Gosto de jogar futebol, fazer um churrasco, ficar em casa, ver um filme ou uma série. Gosto de ir à praia e de viajar. Gosto de fazer todas as coisas que sejam mais calmas, entre aspas, e que me permitam ser o André sem medo, sem vergonha, sem pudor de ser eu mesmo, como brincar e estar em casa. Enfim, o que eu gosto de fazer é realmente viver a vida.
É aquilo que a gente brinca muito, né? Viver é diferente de estar vivo. Eu gosto de viver, gosto de aproveitar o que esse mundo lindo tem para mostrar para a gente. Sempre fui muito conectado com a natureza, então sempre busco o mar, a floresta, a praia...
Sempre busco o meu porto seguro, que é dentro do meu relacionamento, dentro do meu lar. Claro que também pesquiso e estudo muito o tempo todo, vendo filmes, séries e lendo, porque o trabalho do ator não é só quando ele está contratado.
E isso as pessoas confundem muito. O trabalho do ator também está no dia a dia: é o poder de observação do outro, é o poder de análise sobre o outro e sobre si mesmo — que é o mais importante, porque a gente só pode interpretar uma persona a partir do momento em que se conhece.
Então, apesar de ser importante relaxar, existe um trabalho até no relaxamento, que é o de análise, o de autoconhecimento e o de observação. Tudo isso é importante e prazeroso quando você não está efetivamente atuando e transformando uma persona escrita em vida real, dando vida a alguém numa novela, num filme ou numa série.
CE - Quando olha para o futuro, como imagina os próximos capítulos da sua carreira e da sua vida pessoal?AF - Eu imagino exatamente o que tem acontecido hoje. Eu feliz, amando, sendo amado e realizando sonhos. Graças a Deus, a cada dia que passa eu realizo sonhos pessoais, realizo sonhos da minha esposa, realizo os nossos sonhos em conjunto e realizo sonhos de amigos e da família.
Então, eu me imagino exatamente como estou: plantando de pouquinho em pouquinho para poder cultivar e, no momento certo, colher o melhor fruto possível — que seja, futuramente, a fazenda com criação e filhos. Mas, acima de tudo, com muita saúde e muita felicidade, que é o que eu mais prezo.
Com saúde e com amor, a gente consegue conquistar todos os nossos planos, porque passamos a ter força, dedicação e empenho. Basta ter amor e ter saúde que as outras coisas

