Cidades

Reforma Agrária

Governo Federal compra fazenda de R$ 95,7 milhões e retoma reforma agrária em MS

Aquisição de área de quase 2 mil hectares em Jaraguari marca novo avanço do Programa Terra da Gente e deve ampliar a criação de assentamentos para famílias acampadas no Estado.

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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu mais um passo na retomada da política de reforma agrária em Mato Grosso do Sul.

Publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira (17), a Portaria nº 37/2026 autoriza o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a adquirir, por compra e venda, a Fazenda Paraíso, localizada em Jaraguari, por R$ 95.701.908,44, para incorporação ao Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA). 

A propriedade possui 1.941,0994 hectares e passa a integrar oficialmente o patrimônio destinado à criação de projetos de assentamento, reforçando a estratégia do governo federal de ampliar o acesso à terra por meio da compra negociada de imóveis rurais, em substituição ao modelo baseado exclusivamente em desapropriações. 

A medida representa uma das mais importantes iniciativas recentes da reforma agrária em Mato Grosso do Sul, Estado historicamente marcado por conflitos fundiários, concentração de terras e grande número de famílias vivendo em acampamentos à espera de um lote para produzir.

Na justificativa da portaria, o Incra afirma que a aquisição atende à necessidade de incorporar novos imóveis ao Programa Nacional de Reforma Agrária e destaca que a decisão levou em consideração o atual cenário de conflito social no campo.

Segundo o documento, a autarquia reconhece o agravamento das condições de vida de milhares de trabalhadores e trabalhadoras rurais acampados em Mato Grosso do Sul, argumento utilizado para fundamentar a compra da propriedade. 

O ato também informa que a incorporação da área ocorre dentro das diretrizes do Programa Terra da Gente, política lançada pelo governo federal para acelerar a obtenção de terras destinadas à reforma agrária por diferentes modalidades, entre elas a compra direta de propriedades rurais. 

Antes da decisão, o imóvel passou por avaliações técnicas, jurídicas, econômicas e sociais conduzidas pelo Incra.

Conforme a publicação, a negociação contou com a concordância dos proprietários da Fazenda Paraíso e recebeu pareceres favoráveis da Superintendência Regional do Incra em Mato Grosso do Sul, da Diretoria de Obtenção de Terras, da Procuradoria Federal Especializada e do Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável (Cedraf-MS). 

Além das manifestações técnicas, a portaria destaca que havia disponibilidade orçamentária para efetivar a aquisição, permitindo a formalização do contrato de compra e venda do imóvel. 

A aquisição da Fazenda Paraíso ocorre poucos dias após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Assentamento Itamarati, em Ponta Porã, considerado um dos maiores assentamentos da reforma agrária do país.

Durante a agenda, o presidente entregou títulos definitivos de domínio a famílias assentadas, anunciou investimentos para fortalecer a infraestrutura produtiva da região e reafirmou o compromisso do governo federal com a ampliação da reforma agrária e o fortalecimento da agricultura familiar em Mato Grosso do Sul.

Nova fase da reforma agrária

A compra da Fazenda Paraíso simboliza a retomada da política de reforma agrária pelo governo Lula em Mato Grosso do Sul, um dos estados com maior histórico de disputas por terra no país.

Nos últimos anos, a criação de novos assentamentos sofreu desaceleração. Desde o início do atual mandato, porém, o governo federal voltou a priorizar a obtenção de imóveis rurais para atender famílias cadastradas pelo Incra, utilizando mecanismos como compra direta, aquisição negociada e outras modalidades previstas na legislação.

A estratégia faz parte do Programa Terra da Gente, instituído para ampliar a oferta de áreas destinadas ao assentamento de trabalhadores rurais e reduzir o passivo de milhares de famílias que permanecem acampadas aguardando acesso à terra.

Próximos passos

Com a aquisição oficializada, a Fazenda Paraíso passa a integrar o patrimônio destinado ao Plano Nacional de Reforma Agrária.

As próximas etapas incluem os procedimentos administrativos para implantação do projeto de assentamento, definição da capacidade da área e seleção das famílias que poderão ser beneficiadas, conforme os critérios estabelecidos pelo Incra.

O Incra ainda não informou quantas famílias deverão ser assentadas na Fazenda Paraíso. A definição dependerá de estudos técnicos que avaliarão a capacidade produtiva do imóvel, a infraestrutura disponível e o tamanho dos lotes que serão destinados aos futuros beneficiários.

Embora a portaria não informe quantas famílias deverão ser assentadas na propriedade, a expectativa é que a nova área contribua para reduzir a demanda por terras em Mato Grosso do Sul, onde milhares de trabalhadores rurais aguardam inclusão em projetos de reforma agrária.

Histórico da reforma agrária em MS

Mato Grosso do Sul figura entre os estados brasileiros com maior histórico de conflitos fundiários e de concentração de terras.

Desde a criação do Incra, dezenas de projetos de assentamento foram implantados no Estado, beneficiando milhares de famílias da agricultura familiar.

Nos últimos anos, porém, a criação de novos assentamentos perdeu ritmo, ampliando a demanda de trabalhadores rurais acampados à espera de uma área para produzir.

A compra da Fazenda Paraíso representa mais um capítulo da retomada da política de reforma agrária pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A expectativa é que a incorporação da área ao Plano Nacional de Reforma Agrária contribua para ampliar a oferta de terras destinadas à agricultura familiar e reduzir parte da demanda histórica por assentamentos em Mato Grosso do Sul.

 

Crime

Dupla de tornozeleira assalta mulheres em ponto de ônibus à luz do dia

O crime foi flagrado pela câmera de segurança de um dos comércios

17/07/2026 16h45

Crime aconteceu na manhã desta sexta-feira (17)

Crime aconteceu na manhã desta sexta-feira (17) Reprodução

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Duas mulheres foram assaltadas em um ponto de ônibus no bairro Amambaí enquanto aguardavam o transporte coletivo. 

O crime aconteceu por volta das 9h47 desta sexta-feira (17) na rua Paissandu. 

De acordo com uma das vítimas, eram dois assaltantes e estavam de moto. A dupla invadiu a pista destinada aos ônibus e abordou as vítimas que aguardavam no ponto. 

"Os meliantes usavam tornozeleira eletrônica, bermuda jeans e camiseta preta. Eles tinham vários celulares guardados na cintura", afirmou a mulher, que não será identificada. 

No vídeo, é possível ver que um dos homens desce da moto e aponta uma arma para as mulheres, que entregam os celulares. Toda a ação dura vinte segundos. 

Veja o vídeo:

Segurança pública

Os índices de criminalidade em diferentes modalidades como homicídio, roubo, furto e latrocínio apresentaram redução na comparação nos meses de janeiro a abril dos últimos quatro meses em Mato Grosso do Sul mesmo com uma evolução na segurança pública estagnada neste período. 

De acordo com a Sejusp, houve uma queda de 57,54% nos roubos em vias públicas entre os quatro primeiros meses de 2023 a 2026. Isto é, foram 1.230 casos registrados em 2023 contra apenas 554 neste ano do assalto com violência. 

No caso de roubos no comércio, a redução foi de 68,17%, sendo 77 casos registrados em 2023 e 26 no mesmo período de 2026. 

Roubos em residência caíram 31,66% e de veículos reduziram 43,40%. 

Com relação aos furtos, quando não há violência ou ameaça direta, houve uma queda de 23,90%, com 12.873 casos de janeiro a abril de 2023 e 10.392 em 2026. 

Nos crimes de latrocínio, quando o roubo resulta em morte, foram quatro casos em 2023 e nenhum neste ano. Homicídios dolosos, quando há intenção de matar, tiveram redução de 8,98% com 145 casos em 2023 contra 140 em 2026. 

Segundo a Sejusp, foram investidos R$ 232,9 milhões para a aquisição de mais de 25 mil equipamentos e veículos desde o ano de 2023. Entre eles, foram 2.383 aparelhos de comunicação, 1.198 equipamentos de áudio e vídeo, 467 veículos de tração mecânica, 806 equipamentos de proteção de segurança e socorro, 110 aeronaves e 165 máquinas e equipamentos rodoviários. 

Também foram adquiridos 7.838 armamentos, 19 veículos diversos, 13 embarcações, 225 equipamentos de mergulho e salvamento, 7.744 mobiliários e mais 525 novas viaturas devem chegar ainda neste ano, frutos de mais de R$ 170 milhões de investimentos. 

Estagnação

Mesmo com os avanços apontados pela Sejusp, Mato Grosso do Sul apresenta uma das piores evoluções quando comparado com outros estados no Ranking de Competitividade dos Estados realizado pelo Centro de Liderança Pública. 

Durante os anos de 2023 a 2025, o Estado ficou estagnado na evolução da Segurança Pública, mantendo uma posição intermediária ao longo do período. 

Em 2023, Mato Grosso do Sul ficou na 15ª posição, com 57,84 pontos, à frente de Goiás (17º) e do Rio de Janeiro (18º). No ano seguinte, em 2024, o Estado subiu uma posição, mas marcou menos pontos, com 55,71. Em 2025, MS voltou a figurar na 15ª colocação, desta vez com 55,64 pontos.

A pontuação nos indicadores de segurança pública analisa 10 tópicos: Atuação do Sistema de Justiça Criminal; Deficit de Vagas; Morbidade Hospitalar por Acidente de Trânsito; Mortalidade no Trânsito; Mortes a Esclarecer; Presos sem Condenação; Qualidade da Informação de Criminalidade; Segurança Patrimonial; Segurança Pessoal; e Violência Sexual.

Com isso, o Estado foi a sétima unidade federativa que menos apresentou evolução positiva nestes três anos, com nota média de variação de 58,01.

 

inquérito Civil

MPMS investiga Hapvida por suposto descaso com crianças autistas em Campo Grande

Inquérito Civil apura denúncias de falhas no atendimento de fonoaudiologia e terapia ocupacional prestado pela operadora a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), em Campo Grande.

17/07/2026 16h19

MPMS investiga denúncias sobre atendimento a crianças com TEA prestado pela Hapvida em Campo Grande.

MPMS investiga denúncias sobre atendimento a crianças com TEA prestado pela Hapvida em Campo Grande. Foto: Divulgação

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou um Inquérito Civil para investigar denúncias de supostas falhas no atendimento terapêutico oferecido pela operadora Hapvida a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), em Campo Grande.

A investigação busca esclarecer se houve descaso na prestação de serviços essenciais, especialmente nas áreas de fonoaudiologia e terapia ocupacional, consideradas fundamentais para o desenvolvimento e a qualidade de vida dos pacientes. 

A medida foi adotada pela 25ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, que converteu um Procedimento Preparatório em Inquérito Civil após considerar necessária uma apuração mais aprofundada das denúncias recebidas.

A investigação tem como alvo a Hapvida Assistência Médica S.A. e busca esclarecer possíveis falhas na prestação dos serviços terapêuticos destinados a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

De acordo com o edital publicado no Diário Oficial do MPMS desta sexta-feira (17), o objeto da investigação é apurar possíveis irregularidades no atendimento multidisciplinar destinado a crianças com TEA.

Entre os serviços citados estão a fonoaudiologia e a terapia ocupacional, especialidades consideradas indispensáveis para estimular habilidades de comunicação, desenvolvimento motor, autonomia e interação social de crianças diagnosticadas com o transtorno. 

Atendimento é considerado essencial

Especialistas apontam que o tratamento do Transtorno do Espectro Autista depende da continuidade das terapias e do acompanhamento por equipes multiprofissionais.

A interrupção ou a demora no acesso a esses atendimentos pode comprometer significativamente a evolução clínica dos pacientes, especialmente na primeira infância, período considerado decisivo para o desenvolvimento cognitivo e social.

Nos últimos anos, a judicialização envolvendo planos de saúde e tratamentos para pessoas com TEA tem crescido em todo o país. Entre as principais reclamações apresentadas por familiares estão a dificuldade para agendamento de consultas, redução da carga horária das terapias, falta de profissionais credenciados e demora na autorização de procedimentos.

Investigação busca esclarecer denúncias

Com a instauração do Inquérito Civil, o Ministério Público poderá requisitar documentos, solicitar informações à operadora, ouvir envolvidos e reunir elementos que permitam verificar se houve eventual violação aos direitos dos consumidores e das crianças atendidas.

Caso sejam constatadas irregularidades, o procedimento poderá resultar na celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) ou até no ajuizamento de uma ação civil pública para obrigar a empresa a corrigir as falhas identificadas e garantir a adequada prestação dos serviços.

O edital divulgado pelo MPMS não detalha quais situações específicas motivaram as denúncias nem informa o número de crianças supostamente afetadas. A investigação, neste momento, tem caráter apuratório e busca reunir provas para verificar a procedência das reclamações apresentadas. 

O que diz o MPMS

Segundo a publicação oficial, o objetivo do Inquérito Civil é "apurar denúncias de descaso no atendimento terapêutico multidisciplinar (fonoaudiologia e terapia ocupacional) destinado a crianças com TEA por parte da operadora Hapvida". 

A reportagem do Correio do Estado entrou em contato com a Hapvida e encaminhou questionamentos sobre a instauração do Inquérito Civil e as denúncias apuradas pelo Ministério Público. Até a publicação desta matéria, a empresa não havia se manifestado. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.

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