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SAÚDE

Especialistas e pacientes dizem que diagnóstico ainda é uma barreira para hemofílicos no Brasil

No Dia Mundial da Hemofilia, especialistas e pacientes alertam que identificar a doença precocemente pode evitar sequelas graves e transformar a qualidade de vida

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Amanhã é o Dia Mundial da Hemofilia e, neste ano, a campanha global reforça o diagnóstico como a primeira etapa do cuidado, um ponto considerado essencial por especialistas e pacientes. Apesar dos avanços no tratamento, a identificação da doença ainda é um desafio e, muitas vezes, tardia.

Segundo a Federação Mundial de Hemofilia, mais de 75% das pessoas com a condição no mundo ainda não foram diagnosticadas. No Brasil, o cenário é mais estruturado, mas ainda enfrenta entraves.

O País possui a quarta maior população de pacientes com hemofilia do mundo, com cerca de 13,8 mil pessoas cadastradas, de acordo com o Ministério da Saúde, e o tratamento é realizado majoritariamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A hemofilia é uma doença genética que afeta a coagulação do sangue. De acordo com a médica Vanessa Monteiro, especialista em hemostasia, isso ocorre porque o organismo não produz adequadamente proteínas essenciais para estancar sangramentos, como o fator VIII (hemofilia A) ou o fator IX (hemofilia B).

Na prática, isso se traduz em sangramentos prolongados, que podem surgir após pequenos traumas ou até espontaneamente, especialmente nos casos mais graves.

Embora seja hereditária, a doença nem sempre apresenta histórico familiar claro. Cerca de 30% dos casos são resultados de mutações espontâneas, o que dificulta ainda mais o reconhecimento precoce. “Muitas vezes, os sinais iniciais são sutis. Hematomas podem ser interpretados como comuns, principalmente em crianças”, explica a especialista.

DIAGNÓSTICO

A dificuldade no diagnóstico é um dos principais fatores que influenciam a trajetória dos pacientes. Isso se deve tanto à baixa suspeita clínica quanto à desigualdade no acesso a exames especializados, especialmente fora dos grandes centros urbanos.

Os sinais de alerta incluem hematomas frequentes sem causa aparente, sangramentos prolongados após cortes leves, sangramento após vacinas ou procedimentos simples e, principalmente, sangramentos nas articulações, condição conhecida como hemartrose.

“Na dúvida, é sempre melhor investigar”, orienta Vanessa Monteiro. Isso porque o diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento preventivo, conhecido como profilaxia, que evita sangramentos e reduz drasticamente o risco de sequelas permanentes.

A história de Neder Gustavo dos Santos, presidente da Associação de Pessoas com Hemofilia e Outras Coagulopatias Hereditárias de Mato Grosso do Sul (Aphems), ilustra bem os desafios enfrentados por quem convive com a doença.

Sinal inicial da hemofilia, hematomas podem ser interpretados como comuns, principalmente em criançasSinal inicial da hemofilia, hematomas podem ser interpretados como comuns, principalmente em crianças - Foto: Freepik

Diagnosticado aos cinco anos de idade, após um episódio grave de sangramento, ele relembra que o processo até a confirmação foi longo e cheio de incertezas.

“Meus pais relatam que eu tinha vários episódios de sangramento nas articulações e manchas pelo corpo, mas ninguém sabia o que era”, conta. O diagnóstico só veio após um acidente doméstico, quando ele caiu, mordeu a língua e apresentou um sangramento intenso e persistente.

“Fiquei internado por bastante tempo até suspeitarem de hemofilia”, lembra.

Na época, as opções de tratamento eram limitadas. “Era basicamente transfusão de sangue. Era muito complicado, um período difícil para mim e para meus pais”, diz. Neder tem hemofilia grave, ou seja, seu organismo praticamente não produz o fator de coagulação necessário.

TRATAMENTO

Ao longo dos últimos 30 anos, o cenário mudou significativamente. Na infância, Neder levava uma vida restrita, sem poder brincar ou praticar atividades comuns. “Eu ficava muito em casa, com cuidado constante. Não jogava bola, não podia me arriscar”, relata.

Com o avanço da medicina e a chegada de terapias de reposição de fator, a realidade começou a melhorar. Inicialmente, o tratamento era feito sob demanda, ou seja, apenas após o sangramento. “A gente vivia sem saber quando [eu] ia sangrar de novo”, diz.

A grande virada veio com a introdução da profilaxia, que passou a prevenir os episódios. “Isso mudou tudo. Comecei a pensar diferente, a ter mais autonomia, a viver uma vida mais próxima do normal”, afirma.

Hoje, Neder realiza a própria aplicação do medicamento em casa, mas ainda enfrenta desafios. O tratamento exige infusões frequentes, geralmente três vezes por semana, e é feito por via intravenosa. “Já existem medicamentos de longa duração, mais práticos, que poderiam melhorar ainda mais a qualidade de vida”, destaca.

SEQUELAS

Apesar dos avanços, o diagnóstico tardio deixou marcas. Neder convive com sequelas articulares, comuns em pacientes que passaram anos sem tratamento adequado. Ele já realizou cirurgia para colocação de prótese no joelho e tem limitações nos movimentos.

“Tenho artrose no cotovelo, no tornozelo. Isso dificulta caminhar, dirigir, ficar sentado por muito tempo. A gente vai se adaptando, mas deixa de fazer muitas coisas do dia a dia”, relata.

Essas complicações poderiam ser evitadas com diagnóstico e tratamento precoces. “Quando conseguimos intervir cedo, evitamos danos permanentes nas articulações”, reforça Vanessa Monteiro.

A hemofilia também afeta a saúde mental e a vida social dos pacientes. Neder conta que já enfrentou episódios de ansiedade e síndrome do pânico, principalmente quando não tinha acesso regular à medicação.

“A gente nunca sabia quando [eu] ia estar bem ou mal. Isso afetava escola, trabalho, tudo”, afirma. Hoje, com o tratamento contínuo, a rotina é mais estável, mas ainda exige adaptações.

REDE DE CUIDADO

Diante dos desafios, a criação da Aphems foi um passo importante para fortalecer o apoio aos pacientes em Mato Grosso do Sul. A iniciativa surgiu a partir do contato entre pessoas com a mesma condição, que perceberam a necessidade de união.

“A gente começou a entender que precisava se organizar, buscar melhorias, levar informação”, explica Neder. A associação atua em parceria com o Hemocentro, promovendo capacitações e ampliando o conhecimento sobre a doença.

O atendimento multidisciplinar também é um diferencial no tratamento. Além do hematologista, pacientes contam com fisioterapeutas, educadores físicos, enfermeiros e ortopedistas. “Não é só o medicamento. É todo um conjunto de cuidados que melhora a qualidade de vida”, destaca.

DESAFIO PERSISTENTES

Apesar de o Brasil ter uma estrutura consolidada para o tratamento da hemofilia, ainda existem desafios importantes. Entre eles estão o diagnóstico tardio, as desigualdades regionais e a necessidade de ampliar o acesso a centros especializados.

Outro ponto crítico é o tratamento das sequelas. “Muitos pacientes precisam de cirurgias ortopédicas e não conseguem acesso. Isso acaba levando à deficiência física”, alerta Neder.

Para especialistas e pacientes, o diagnóstico precoce é fundamental. Ele não apenas salva vidas, como evita complicações que podem comprometer permanentemente a qualidade de vida.

“Quanto antes identificar, melhor. Isso permite iniciar o tratamento, orientar a família e evitar sequelas”, reforça Neder.

Com os avanços atuais, pessoas com hemofilia podem estudar, trabalhar, praticar atividades físicas e ter uma vida plena. Mas isso só é possível quando o cuidado começa no momento certo.

Felpuda

Quem brilhou na visita do presidenciável Flávio Bolsonaro a Campo Grande... Leia na coluna de hoje

Confira a coluna Diálogo desta quarta-feira (15)

15/04/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Guimarães Rosa - escritor brasileiro

"O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.

Felpuda

Quem brilhou na visita do presidenciável Flávio Bolsonaro a Campo Grande foi a dupla formada por Riedel e Azambuja, e sem precisarem pisar em ovos e muito menos deixar magoados esse ou aquele. O trio “desfilou” por Campo Grande no estilo “a cada sorriso um espoucar de flash”, marcando terreno, a cinco meses das eleições. Quem desde início esteve acompanhando o “andar da carruagem” já percebeu que, na política, ainda prevalece o ensinamento: “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Se isso fosse levado a sério, tudo seria diferente. E como, hein?!

Diálogo

"De frente"

A ex-secretária de Cidadania, Viviane Luiza, mal chegou ao partido e assumiu a presidência do PSDB Mulher. Com um currículo que dispensa apresentações, há quem diga que ela vem para fazer uma campanha que deverá “bater de frente” com a da deputada federal Camila Jara (PT).

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Ela afirma ser de origem da periferia de Campo Grande e se recorda que quando ia para escola pública, sua mãe colocava sacolinhas de plásticos em seus pés para não sujar os ônibus e nem o centro da cidade, com a poeira ou o barro do Bairro Aero Rancho.

DiálogoTaiany Radde Schmitt - Foto: Arquivo pessoal

 

Diálogo Alesssandra Pirotelli - Foto: Thiago Mattos

No comando

A vinda de Flávio Bolsonaro (PL) a Campo Grande contribuiu para que o campo da centro-direita e a direita entendessem que em Mato Grosso do Sul o condutor do processo eleitoral está nas mãos do ex governador Azambuja (PL). O acordo que fez antes das eleições municipais com o ex-presidente Bolsonaro, de que assumiria o comando do PL, visando reeleger o governador e o maior número de parlamentares afinados com as propostas mais conservadoras, está sendo levado a efeito. Resta esperar para conferir.

Pés no chão

Na disputa eleitoral em MS, Flávio Bolsonaro terá do seu lado o governador Riedel em busca da reeleição e o vice, que deverá ser novamente Barbosinha, além de Reinaldo Azambuja como pré-candidato ao Senado para uma das vagas, enquanto a outra não deixará de ser do grupo político formado por PL e União Progressista (PP e União Brasil). As chapas proporcionais têm nomes com potencial de votos muito grande. É só não deslumbrar...

Poeira

Com a possibilidade cada vez menor de ser o nome indicado para disputar a segunda vaga ao Senado, a vice-prefeita de Dourados Gianni Nogueira estaria sonhando com outra situação: a de ser pré-candidata a deputada estadual. Ela não pensa na Câmara Federal porque estaria, obviamente, atrapalhando os planos do marido, o deputado Rodolfo Nogueira. Nos meios políticos, fala-se que ela terá que “comer muita poeira” para formar base a cinco meses das eleições.

Aniversariantes

Bruno Galeano Mourão;
Alfredo Zamlutti Neto;
Dra. Daniela Barbosa Gemperli;
Luiz Henrique Volpe Camargo;
Evandro Rodrigues Higa;
Genésio Mendes da Silva;
Lucilo Ramos de Oliveira;
Manoel Marcelino de Andrade;
Narciso Zulim;
Waldi Hugo Braucks;
Bianca Fernandes;
Alessandro Soalheiro Barbosa;
Luciano Gomes Bitencourt;
Osvaldo Barbosa da Silva;
Duilio Ramires Junior;
Mário Fumio Oshiro;
Luiz Nazareno Teixeira;
Cláudio José Benites;
Roberval Machado Fossati;
Terezinha Alves Macedo;
Edith Lemos de Aquino;
Delso José de Souza;
José Fernando Gervasio;
Dr. Maurilio Ferreira Azambuja;
Maria Augusta Bernardes;
Uilson Moralles;
Dr. Takahiro Molikawa;
Giullian de Moraes Rios;
Adalgisa Silva Nery;
Dr. Frederico Luiz de Freitas Júnior;
Francisco Eduardo de Carvalho;
João Edilson de Oliveira Rocha;
Cleydimar Teles Echeverria;
Dr. Antônio Thiers;
Katty de Paula Kague;
Lori Alice Gressler;
Pe. Osvaldo Scotti;
Valter Ozlo Simioli;
Luiz Alberto do Amaral Assy;
Lincoln Alves Corrêa;
Waldir Brasil do Nascimento;
Aroldo Gutierres do Amaral;
Maria de Lourdes Arguello de Moraes;
Rita de Cássia Calixto Massuda;
Mariana Castanheira;
Dr. Marcus Antônio de Santos Siqueira;
Dr. Frederico Guilherme Militão;
Elizabeth Beatriz Furlan;
Dr. Francisco Ribeiro Marcondes;
Elzi Garcia Salgado;
Diego Saran;
José Rosa da Silva;
Augusto Ferreira de Castro;
Laucídio Nogueira;
Sônia Elizabeth Silva;
Francisca Pimenta;
Evelin Fernandes Barbosa;
Plodinio de Aragão;
Tetumaru Shirakura;
Emidio Ramão Recalde;
Roseane Wassouf Cândéa;
João da Mata Corrêa Filho;
Emerson Sanches Pellicionni;
Luiz Ricardo Meura;
Athanagildo Lúcio de Almeida;
Darvino Moro;
Lucianne Valéria Pina Bluma;
Geraldo Duarte Ferreira;
Eduardo Naglis Ferzeli;
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Jocy Tania de Azevedo;
Jaime Yoshinori Oshiro;
Dorival Pirota Gonçalves;
Luis Martins de Carvalho;
Valcir Franco de Santana;
Hilário Vicente Pereira;
Mário Jonas Kulczynskyi;
Irene Silva Garcia;
Matilde Savalla Lefevre;
Nicola Humsi Rayes;
Léia Elizabeth de Souza;
Marinete Vivan;
Wagson Marques Lima;
Indiara Ribeiro de Souza;
Benedito Fernando de Oliveira;
Mauricio Manzali;
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Sebastião Alves de Moraes;
Ricardo Purine Pelegrino;
Arlindo Garcia Junqueira;
Farid Yunes Solominy;
Alberto Victorio da Costa;
Guilherme Rifon Garcia;
Cláudio Eduardo Vasques Ferreira;
Lucélia Constantino de Oliveira;
Mariana Bergamini;
Lucianne Spindola Neves;
Mayra Ferreira de Queiroz Garcia;
Sandra Regina Simão de Brito;
Fernando Mauro Franca Renesto;
Kelly Regina Alves de Souza;
Ewerton Luiz da Costa Gassi;
Jussara da Silva Portilho;
Fabricio Braun;
Marimea de Souza Pacher Bello;
José Roberto Guarnieri;

Colaborou Tatyane Gameiro

saúde & inovação

Médica de MS é destaque em congresso da Harvard Medical School

Única representante convidada do Centro-Oeste em mesa-redonda internacional, Dra. Mariana Vilela traz avanços globais sobre menopausa e lipedema para a região

14/04/2026 15h30

Dra. Mariana Vilela no congresso Women's Health and Menopause da Harvard Medical School

Dra. Mariana Vilela no congresso Women's Health and Menopause da Harvard Medical School Divulgação

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A médica sul-mato-grossense Mariana Vilela alcançou um novo patamar de reconhecimento internacional ao participar do prestigioso congresso promovido pela Harvard Medical School, nos Estados Unidos. O evento, realizado em Boston, consolidou-se como um dos principais polos globais de inovação, reunindo especialistas para discutir os rumos da medicina integrativa e da saúde feminina.

Como única representante da região Centro-Oeste a integrar uma mesa-redonda no encontro, Mariana participou ativamente dos debates que definem as novas tendências globais no tratamento da menopausa e do lipedema — temas que ganham cada vez mais relevância e exigem abordagens científicas rigorosas.

Dra. Mariana Vilela no congresso Women

A participação da Dra. Mariana Vilela em Harvard conecta a prática clínica local ao que há de mais avançado na ciência mundial.

Referência Global

O congresso WHAM (Women’s Health and Menopause), promovido por Harvard, é o espaço onde ciência e prática clínica se encontram para orientar protocolos médicos em escala mundial. Para a Dra. Mariana Vilela, a experiência representa um marco que conecta a medicina praticada no Brasil aos mais avançados centros de produção científica. Nesse ambiente, as diretrizes discutidas passam a influenciar tratamentos ao redor do mundo, especialmente no reposicionamento de evidências sobre a saúde hormonal e inflamatória da mulher.

A força de Harvard reside na capacidade de liderar uma medicina pautada em dados consistentes, promovendo a transição de um modelo reativo para um sistema preditivo e personalizado. Segundo a especialista, o conhecimento adquirido em Boston ultrapassa o ambiente acadêmico e se traduz imediatamente em uma prática clínica mais precisa e assertiva para suas pacientes.

Dra. Mariana Vilela no congresso WomenDra. Mariana Vilela e Avrum Bluming, médico hematologista e oncologista reconhecido por reavaliar o papel da terapia hormonal na menopausa, é também coautor do livro Estrogen Matters

Protagonismo Regional

A presença da Dra. Mariana ganha contornos de exclusividade pelo fato de ela ser a única médica de sua região convidada a compor os debates técnicos. O encontro também reuniu outros nomes de peso na medicina integrativa, como o Dr. Cauê Marques, autor da obra "Casa Amarela", reforçando o caráter multidisciplinar e inovador do evento.

Ao retornar dessa imersão, o impacto se revela na aplicação prática de um padrão de cuidado rigoroso e individualizado. Para o cenário médico de Mato Grosso do Sul, a participação da Dra. Mariana Vilela em Harvard coloca o estado em posição de destaque em um dos debates mais qualificados da medicina contemporânea, garantindo que o que há de mais moderno no mundo esteja disponível localmente.

*Dra. Mariana Vilela atende em Campo Grande, na Clínica CASA SANTÉ.

 

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