Correio B

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Tenho andado mais feliz ultimamente. E isto, longe de me deixar animada, por vezes me causa certa estranheza. Começo a elencar então os motivos, não da estranheza, mas da sensação de contentamento que me invade, principalmente durante as manhãs e no fim da tarde.

Podem ser: a recente viagem à praia – mesmo tendo ficado quatro dias na cama com um resfriado arrebatador –, os pés na água morna, o sol no corpo inteiro, a vista incansável do oceano. Pode ser. Ou foi a troca de medicação, as novas vitaminas e os hormônios que – dizem – ludibriam o tempo. É uma possibilidade. Ou será que o universo finalmente ouviu o singelo – e objetivo – desejo de Natal, o de me dar a alegria de viver?

Tudo isso junto, mais os livros que finalmente consegui ler até o fim. A poesia de Adélia Prado, a prosa da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, as crônicas da médica Ana Claudia Quintana, o best seller “A Biblioteca da Meia-Noite”, de Matt Haig, que praticamente devorei em apenas dois dias, porque ler apenas por diversão também é muito bom.

Ainda não sei. Mesmo enfileirando vários motivos, não consigo chegar ao veredicto. Sei que estou assim, mais devagar no pensamento mas ágil nas ações. Ando até cantarolando quando acordo e fazendo chamego no gato, coisa que ele já devia até ter esquecido como era. Tadinho.

Também tenho me lembrado mais dos amigos, dos antigos e dos novos. Que não são muitos, a bem da verdade. A cada ano que passa fico mais seletiva, ou mais ranzinza dependendo do ponto de vista. Amizade mesmo só se for de verdade. Do contrário, é vitrine e post de rede social.

Noite dessas enviei mensagem a um amigo dos anos 1970 para lhe desejar feliz Ano-Novo. Mais de 50 anos de amizade e uns 20 anos sem vê-lo. E assim, do nada, ele me veio num sonho nítido e bonito. Fatalista que sou, já imaginei o pior – será que ele está bem? Sim, estava. E eu fiquei feliz. Depois da pandemia, há sempre um risco neste tipo de pergunta.

O que me leva à pergunta: a felicidade é de fato alcançável? Ou é apenas um estado passageiro? É possível viver num estado de plena alegria? Não falo aqui daquela alegria um tanto alegórica ou ingênua, mas de algo profundo, espiritual, algo que o exercício da meditação às vezes nos proporciona. Mas quer saber? Não importa se a alegria é algo passageiro, ou se a felicidade se dá em ondas. Eu quero!

Quero toda e qualquer possibilidade de contentamento. E algo que descobri recentemente é que agradecer por tudo, sempre e todo o tempo, pode multiplicar o tempo da alegria. Vou começar daí e torcer para que ela dure – a vida toda.

Gastronomia Correio B+

Dia das Crianças (12/10): Panquecas Coloridas são opções criativas para surpreender a criançada

No dia delas, diversão e sabor à mesa com uma sugestão para a criançada cozinhar e se divertir com a família

11/10/2026 10h30

Dia das Crianças (12/10): Panquecas Coloridas são opções criativas para surpreender a criançada

Dia das Crianças (12/10): Panquecas Coloridas são opções criativas para surpreender a criançada Foto: Divulgação

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O Dia das Crianças é uma oportunidade de celebrar a alegria, a criatividade e os pequenos momentos que se transformam em grandes lembranças. E que tal aproveitar a data para reunir a família na cozinha e preparar uma receita divertida, colorida e cheia de sabor? Além de estimular a imaginação dos pequenos, cozinhar juntos é uma maneira deliciosa de compartilhar experiências e despertar o interesse das crianças pelos alimentos.

Para deixar a comemoração ainda mais especial, o Divino Fogão ensina a preparar uma panqueca colorida, que promete conquistar a criançada pelo visual e pelo sabor. Uma receita prática e criativa para transformar a hora da refeição em uma verdadeira brincadeira gastronômica. Quer aprender a fazer essa delícia em casa? Confira o passo a passo e entre nessa aventura de cores e sabores!
 

PANQUECAS COLORIDAS

Ingredientes:

  • 1 xícara de farinha de trigo
  • 1/2 xícara de leite
  • 1 ovo
  • 1/2 cenoura, espinafre e beterraba pequena cozidas.
  • 1 colher de sopa de óleo
  • 1/2 colher de chá de fermento químico
  • 1 pitada de sal

Modo de preparo:

Bata todos os ingredientes no liquidificador até obter uma massa lisa e homogênea. Aqueça uma frigideira antiaderente, coloque pequenas porções da massa e doure dos dois lados. Sirva em seguida.

 

Saúde Correio B+

Roer unhas pode provocar desgaste irreversível dos dentes e alterar a mordida, alertam especialistas

Hábito frequentemente associado à ansiedade pode causar danos permanentes ao esmalte dentário, sobrecarregar a mandíbula e aumentar o risco de infecções por bactérias presentes sob as unhas

10/10/2026 15h00

Roer unhas pode provocar desgaste irreversível dos dentes e alterar a mordida, alertam especialistas

Roer unhas pode provocar desgaste irreversível dos dentes e alterar a mordida, alertam especialistas Foto: Divulgação

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Muito além de uma simples mania, roer unhas pode provocar danos permanentes à saúde bucal. O hábito, conhecido clinicamente como onicofagia, favorece o desgaste irreversível do esmalte dentário, pode alterar a mordida, sobrecarregar a articulação da mandíbula e aumentar a exposição da boca a bactérias presentes sob as unhas.

Frequentemente associado à ansiedade e a outros comportamentos repetitivos relacionados ao estresse emocional, o problema pode surgir em qualquer idade e, muitas vezes, evoluir de forma silenciosa. Como os danos costumam aparecer gradualmente, é comum que só sejam percebidos quando a estrutura dos dentes já foi comprometida.

Segundo a cirurgiã-dentista Dra. Jose Daniela Delgado, especialista em GBT (Guided Biofilm Therapy) da EMS e especialista em Estomatologia e Odontologia Legal e Forense, a onicofagia não deve ser encarada apenas como um hábito estético.

“A onicofagia é um comportamento repetitivo frequentemente relacionado à ansiedade e que acontece de forma inconsciente. Não representa falta de controle ou fraqueza, mas uma maneira que algumas pessoas encontram para lidar com determinadas emoções. O problema é que, quando se torna frequente, pode causar consequências importantes para a saúde bucal”, explica.

Embora fatores como rotina acelerada, excesso de estímulos e estresse sejam frequentemente associados ao aumento da ansiedade, a especialista ressalta que não existe um único gatilho para esse comportamento.

“Cada pessoa manifesta a ansiedade de uma forma diferente. Assim como algumas comem compulsivamente, outras desenvolvem hábitos repetitivos, como roer as unhas. Por isso, é importante compreender a origem desse comportamento para tratá-lo adequadamente”.

Um dos principais riscos está no desgaste do esmalte dentário, camada responsável por proteger os dentes e que não possui capacidade natural de regeneração.

O atrito constante entre os dentes provocado pelo hábito acelera esse processo e pode comprometer permanentemente sua estrutura.

“Diferentemente da pele, o esmalte do dente não se regenera. Quando ele é perdido, não volta naturalmente. Dependendo da extensão do desgaste, o paciente pode precisar de restaurações, facetas ou coroas para recuperar a função e a estética dos dentes”, alerta.

Além do desgaste, a onicofagia pode favorecer pequenas fraturas dentárias, aumentar a sensibilidade e provocar alterações na mordida. O esforço repetitivo também sobrecarrega a articulação temporomandibular (ATM), responsável pelos movimentos da mandíbula, favorecendo dores, inflamações, estalos e alterações funcionais da mastigação, especialmente em pessoas que também apresentam bruxismo ou apertamento dental.

Outro risco pouco conhecido está relacionado à contaminação por microrganismos.

As unhas entram em contato diariamente com diferentes superfícies e acumulam biofilme bacteriano. Ao levá-las repetidamente à boca, esses microrganismos podem ser introduzidos na cavidade oral, aumentando o risco de infecções e desequilíbrios da microbiota bucal.

“As unhas acumulam bactérias presentes nas superfícies que tocamos ao longo do dia. Ao levá-las repetidamente à boca, aumentamos a exposição a microrganismos que não fazem parte da microbiota bucal, favorecendo infecções e outros problemas de saúde”.

Além dos impactos físicos, a onicofagia é reconhecida pela comunidade médica como um comportamento repetitivo focado no corpo (Body-Focused Repetitive Behavior – BFRB). O transtorno está descrito no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5-TR), da American Psychiatric Association, e integra o grupo dos transtornos obsessivo-compulsivos e relacionados. Revisões científicas também apontam associação entre o hábito e desgaste dentário, alterações na mordida, lesões gengivais, disfunções da ATM e maior exposição da cavidade oral a microrganismos potencialmente patogênicos. 

Para interromper o comportamento, a especialista destaca que simplesmente tentar parar de roer as unhas costuma não ser suficiente.

“Parar de roer as unhas sem tratar a causa costuma ser apenas uma solução temporária. É preciso identificar o gatilho emocional. Dependendo do caso, o tratamento pode envolver acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, além de recursos odontológicos para proteger os dentes durante esse processo”.

Ela alerta ainda que muitas pessoas acabam substituindo a onicofagia por outros hábitos igualmente prejudiciais, como morder tampas de caneta, lápis ou outros objetos rígidos, o que pode intensificar o desgaste dentário.

Além do controle do comportamento, o acompanhamento odontológico periódico é fundamental para identificar precocemente sinais de desgaste e de acúmulo de biofilme. Nesse contexto, protocolos preventivos como o Guided Biofilm Therapy (GBT) permitem evidenciar o biofilme antes da remoção, tornando a limpeza profissional mais precisa e ajudando o paciente a compreender melhor sua condição e participar de forma mais ativa dos cuidados com a saúde bucal.

Para a Dra. Daniela, o principal alerta é não subestimar hábitos aparentemente inofensivos. “Quando um hábito começa a desgastar os dentes, alterar a mordida ou provocar dores na mandíbula, ele deixa de ser apenas uma mania e passa a ser uma questão de saúde. Quanto mais cedo o problema for identificado e tratado, maiores são as chances de evitar consequências permanentes”.

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