Correio B

AGENDA CULTURAL

Fim de semana tem bazar, feira, shows, dança, exposição de dragões e muito mais

Às vésperas do feriado de Tiradentes, Campo Grande terá um fim de semana repleto de atrações gratuitas, com cultura e lazer para todas as idades e gostos

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Quem gosta de garimpar poderá aproveitar amanhã a 4ª edição do Bazar Vip Beneficente das 13h às 17h, no Clube Estoril (Jardim Autonomista).

Uma camisa do Santos Futebol Clube autografada por Neymar Jr. será leiloada, além de itens de alto padrão como bolsas da Calvin Klein, carteiras Guess, um Trend Coach da Burberry e relógios Fossil e Michael Kors.

Beneficente bazar vip - Camisa do Santos Futebol Clube autografada por Neymar Jr. será leiloada amanhãBeneficente Bazar Vip - Camisa do Santos Futebol Clube autografada por Neymar Jr. será leiloada amanhã
Foto: Divulgação

O bazar conta ainda com mais de 9 mil itens entre roupas femininas, masculinas e infantis, sapatos, bolsas, acessórios, decoração e perfumaria Victoria’s Secret. Marcas como Animale, Tommy Hilfiger, Zara, Nike, Adidas, Le Lis, Osklen e Michael Kors estarão com preços acessíveis. Também serão vendidos smartwatches, fones bluetooth e celulares.

Parte dos recursos será revertida para a Casa da União – Lar de Santana, que atende crianças e famílias em situação de vulnerabilidade social no Jardim Monte Alegre, com oficinas, distribuição de alimentos (Sesc Mesa Brasil) e o projeto Notas de Alegrias.

NO SESC

A programação cultural em Campo Grande ainda reserva opções para todos os gostos.

Hoje, às 19h, o Sesc Teatro Prosa recebe a “Vogue Night com House of Hands Up”, parte do Circuito Ecoball. A noite de Vogue contará com apresentações nas categorias Vogue Performance APT, Runway Beginner APT e Baby Vogue APT, sem dresscode. Classificação: 12 anos.

Ainda hoje, o Sesc Sabor e Arte – Camillo Boni será palco da Seresta 60+, um evento gratuito dedicado ao público com mais de 60 anos.

A programação contará com apresentação do músico sul-mato-grossense Marlon Maciel, com repertório de boleros, serestas, chorinhos, chamamé, polcas e guarânias. O restaurante do Sesc oferecerá delícias especiais para a ocasião.

Amanhã, às 16h, o público infantil poderá se divertir com o espetáculo “Turma do Bolonhesa apresenta Dom Quixote”, com a Cia Teatro do Mundo.

A atração, com classificação livre, é uma adaptação do clássico de Miguel Cervantes, utilizando palhaçaria, música e interação com a plateia. Os ingressos são gratuitos e estão disponíveis no Sympla.

MOSTRA PRETOU

“Campo Grande não é mais uma cidade morena, é uma cidade negra”. A afirmação do artista e produtor Fábio Castro dá o tom da segunda edição da Pretou – Mostra de Artes Pretas, que chega ampliada e ainda mais diversa, reunindo artistas e públicos em torno da produção negra em Mato Grosso do Sul.

Após o sucesso da primeira edição em 2024, a mostra retorna com programação ampliada, entrada gratuita e atividades acessíveis em Libras.

Com programação hoje e amanhã, no Teatro do Mundo (Rua Barão do Melgaço, nº 177, no Centro), a Pretou se consolida como um espaço de encontro, visibilidade e afirmação.

Mais do que um evento cultural, a mostra se firma como um território de diálogo social, onde diferentes linguagens artísticas se cruzam para evidenciar histórias, memórias e potências muitas vezes invisibilizadas.

A diversidade da programação se traduz na presença de artistas que atuam em diferentes frentes. A abertura acontece ao som da DJ Lady Afro (hoje, das 16h às 18h), transformando a pista em espaço de afirmação e resistência com sets que transitam entre afrobeat, funk, hip hop e dancehall. “Quando eu toco, penso na energia da pista, mas também na representatividade. Ser uma mulher preta, periférica e LGBTQIAPN+ ocupando esse espaço é uma forma de resistência”, destaca.

Na gastronomia, a pesquisadora Hilbaty Rodrigues conduz a oficina “Mato não! Comida” (hoje, das 17h às 19h), propondo um olhar sensível sobre alimentação, território e memória a partir das Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs).

Nas artes cênicas, o ator e pesquisador Marcelo de Jesus conduz a palestra “Dramaturgias Negras” (amanhã, das 17h às 18h30min), abordando o teatro como ferramenta de reflexão e transformação social. 

A mostra reúne ainda exposição de artes visuais, feira criativa, exibição de cinema negro com debate, literatura, poesia e performances.

O destaque hoje é para a exibição de filmes de cineastas negros sul-mato-grossenses (às 18h), roda de conversa “Letra Preta” (às 20h15min), Slam Camélias (às 21h) e show com Afrofino (às 21h30min). Amanhã, apresentação da DJ TGB (às 16h), dança “Corpos em Território” (às 19h) e show da artista SoulRa (às 21h).

DANÇA

O projeto e espetáculo de mesmo nome, “Rompendo Silêncios”, da Ginga Cia de Dança, passa por Dourados e Ponta Porã neste fim de semana e por Campo Grande no próximo mês, unindo arte, reflexão social e formação de público.

Além das apresentações artísticas, as cidades receberão ações formativas com oficinas gratuitas de dança contemporânea e bate-papo após cada sessão.

A obra, que leva o mesmo nome do projeto, já alcançou mais de 5.500 espectadores e utiliza a dança como linguagem para gerar reflexões sobre a violência contra as mulheres. O espetáculo foi apresentado recentemente em Miranda e Anastácio, e quatro vezes na Capital.

A nova etapa chega à fronteira, graças ao recurso da Política Nacional Aldir Blanc (Pnab), do governo Federal, via Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), com parceria do Núcleo de Artes Cênicas da UFGD e da Prefeitura de Ponta Porã.

“Rompendo Silêncios” é uma obra de dança contemporânea que investiga as estruturas invisíveis das relações humanas, tensionando narrativas sobre poder, gênero e identidade. Os corpos em cena transitam entre opostos, rompendo com a lógica fixa de vítima e opressor.

O projeto leva ainda a oficina “Corpo (In)submissos”, que investiga como o corpo absorve, reage e ressignifica experiências de opressão. Aberta a artistas, estudantes e público geral a partir de 16 anos, com vagas limitadas.

Hoje, em Dourados, oficina às 9h (UFGD) e às 20h, espetáculo (Caixa Cênica da UFGD). Amanhã, em Ponta Porã, às 9h, oficina (Sala de Dança, Rua General Osório, nº 2.150) e às 19h, espetáculo (Auditório do Centro Internacional de Convenções).

No dia 29, em Campo Grande, oficina (Ginga Espaço de Dança) e no dia 1º de maio, às 19h, espetáculo (Aracy Balabanian). Entrada gratuita para todos os espetáculos (retirada de ingressos 30 minutos antes).

FEIRA

No dia 19, a Feira Bosque da Paz ganha um novo sabor: a inauguração da nova Praça Gastronômica, com quatro praças de alimentação abertas ao público e mais de 20 operações gastronômicas oferecendo sabores autorais.

A feira acontece das 9h às 15h, na Rua Kame Takaiassu, nº 500 (Praça Bosque da Paz), com entrada gratuita.

Além do artesanato e música ao vivo, o evento contará com feira de adoção de animais em parceria com o grupo protetor Anjos da Dani. A feira acontece todo terceiro domingo do mês.

FESTIVAL FEMININO

A força criativa das mulheres da música autoral sul-mato-grossense ganha destaque na 8ª edição do Festival Cerrado Alternativo, que acontece hoje, a partir das 21h, no Buteco do Miau.

Batizada de Cerrado das Minas, a edição reúne as artistas Gio Resquin (Brasiguaia), SoulRa, Becky Bee e o power trio Leca Harper & A Cozinha Cabeluda.

Com ingressos a R$ 20, toda a renda da bilheteria será dividida igualmente entre as atrações, reforçando o compromisso com a valorização de artistas independentes. Idealizado por Fabio Silva e com produção de Karla Velasco, o festival é uma vitrine da música local.

Serão atração no evento, Gio Resquin e DJ Gaiezza (reggaeton, pop latino), Becky Bee e DJ Najja (hip hop), Leca Harper & A Cozinha Cabeluda (rock autoral) e SoulRa e DJ Ella (rap, afrobeat).

Uma Kombi gastronômica com pizzas e pastéis (tradicionais e veganos) estará no local, e a Rafiusk Livraria Sebo Itinerante levará livros com promoções, entre elas, a promoção de três livros por R$ 20.

SHOPPING

Em comemoração à Semana do Exército, o Shopping Bosque dos Ipês recebe hoje e amanhã uma exposição impressionante com veículos e materiais de emprego militar.

A ação, que acontece no Acesso A e no corredor em frente à academia Positivamente, oferece ao público a oportunidade única de conhecer de perto estruturas e equipamentos utilizados pelas Forças Armadas.

A atividade é totalmente gratuita e foi pensada especialmente para o público infantil e famílias. Crianças e adultos poderão interagir com os equipamentos, tirar fotos e entender um pouco mais sobre o trabalho de segurança e defesa realizado pelo Exército Brasileiro. É uma chance rara de aproximar a sociedade civil da rotina e da tecnologia empregada pelos militares.

Outro grande atrativo que segue em cartaz até o dia 21 é a Exposição Internacional – “Dragões”, instalada na Praça Central do shopping. A mostra inédita em Campo Grande apresenta criaturas gigantes robotizadas, que se movimentam, emitem sons e impressionam pela riqueza de detalhes.

O destaque fica por conta do maior dragão da exposição, que chega a cinco metros de altura e solta fumaça pela boca, criando uma atmosfera digna de filmes de fantasia e séries de sucesso.

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Diálogo

A campanha eleitoral de 2026 está a todo vapor lá pelas bandas da... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta terça-feira (22)

22/09/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Bráulio Bessa - Escritor brasileiro

"Recomece! Se refaça! Relembre o que foi bom. E se um dia lá na frente, a vida der uma ré, recupere a sua fé, e recomece novamente”.

FELPUDA 

A campanha eleitoral de 2026 está a todo vapor lá pelas bandas da Prefeitura Municipal de Campo Grande. Mas engana-se quem pensar que funcionários com cargos comissionados estão engajados nas eleições para presidente, governador, senador ou deputado federal. O foco mesmo é na eleição de candidato a uma cadeira para chamar de sua na Assembleia de MS. Não se sabe se a adesão é voluntária ou “por livre e espontânea pressão”, mas os servidores mergulharam de cabeça. Como diria vovó: “O que não se faz para manter a amizade...”.

Livres

Está vigorando desde o último sábado, a proibição da prisão de candidatos que disputam eleições deste ano. A determinação vai até 48h após o encerramento da votação do primeiro turno.

Mais

A prisão ou detenção dos candidatos, durante o período da vigência da medida, que vai até o dia 6 de outubro, só poderá ocorrer em casos de flagrante delito.

DiálogoFoto: Divulgação/Sesc

Nesta quinta-feira (24), às 19h, será realizado o show do Trimanos Brasil, formado pelos irmãos paraenses Gleydson, Yvison e Lohan. A jovem banda vem ampliando sua projeção nacional e acumula milhões de visualizações e seguidores nas redes sociais. Parte dessa conexão com o público está na releitura de músicas conhecidas , interpretadas a partir da identidade musical construída pelos trio. A apresentação acontecerá no Sesc Teatro Prosa. Os ingressos são gratuitos e estão disponíveis pelo Sympla.

DiálogoDra. Maria Auxiliadora Budib - Foto: Studio Vollkopf

 

DiálogoMarcella Zorzo - Foto: Arquivo pessoal

Nem aí...

Na reta final da campanha eleitoral, os plenários da Câmara Municipal de Campo Grande e da Assembleia Legislativa de MS deverão ficar esvaziados, na medida em que os candidatos correm contra o tempo em busca dos votos dos indecisos. Como se a Capital não estivesse em estado de emergência e, portanto, não precisasse de atenção redobrada neste momento.

Em campanha

A tal força-tarefa anunciada em alto e bom som 24 horas após o temporal parece não ter decolado como o cidadão que paga seus impostos esperava. Na Assembleia, o assunto entre os deputados estaduais é um só: a reeleição. Todos em plena campanha para garantir mais quatro anos de mandato. Nada como viver numa cidade e num estado sem problemas, né?! Dá licença!

Resgate

Uma postagem do secretário da Casa Civil, Walter Carneiro Júnior, nas redes sociais resgatou registros de 2010 para reforçar sua trajetória na política. No resgate histórico, ele relembra a criação do Bloco de Desenvolvimento Regional e a consolidação do municipalismo como pauta central, destacando a ascensão do ex-governador Reinaldo Azambuja, hoje candidato ao Senado. Ao conectar o trabalho realizado ao longo da última década às transformações vividas pelo MS, Walter Carneiro aproveita a publicação para reafirmar seu compromisso com a gestão pública, e não por acaso, para manter o municipalismo em evidência.

ANIVERSARIANTES

  • Carla Guizzo Couto Rocha de Lima;  
  • Leide Simioli de Brito;  
  • Giovanna Maria Assis Trad Cavalcanti;  
  • Ariane Pina Ferreira Moreira;  
  • Luciana Gonçalves Rolo;  
  • Marcia Arashiro de Lima;  
  • João Komathu;  
  • Sandra Moragas Leite de Barros;  
  • Mauricio Ramão Fernandes;  
  • José Leite da Silva Sobrinho;  
  • Mauricia de Arruda Cortez;  
  • Zoleni Santos de Mattos;  
  • Maria Angelica de Freitas Oliveira;  
  • Florentino Edmundo Talgatti;  
  • Pablo Henrique Avelino da Silva;  
  • Marlene Pontim Gomes;  
  • Van Hanegam Donero;  
  • Edgar Calixto Paz;  
  • Rubens Clayton Pereira de Deus;  
  • Humberto Ivan Massa;  
  • Sônia Gonçalves Kaneshige;  
  • Fagner Saltarelli;  
  • Jacqueline Folley Coelho;  
  • Adão Rodrigo Coene;  
  • Sergio Costa dos Santos;  
  • Claudiney Guimarães Alves;  
  • Leonardo Kling;  
  • Luiz D’Ávila;  
  • Domingos Alves da Silva;  
  • José Luiz Forte Filho;  
  • Maquielves Lopes Grison;  
  • Brunella Meura;  
  • Livia Alves Barcelos;  
  • João Dias;  
  • Cristina Hebe Scardini;  
  • Norberto Antonio Soares;  
  • Marco Aurélio Pallacio;  
  • Paula Helena Saab Mujica;  
  • Maria de Lourdes Calixto Mendes;  
  • Maria Nadir Militão;  
  • Marcelo Barbosa da Fonseca;  
  • Leonardo Coimbra;  
  • Marilda da Silva Tôrres;  
  • Rafael Mendonça;  
  • Gervásio Scheid;  
  • Alomah Rizk;  
  • Mary Radeck de Carvalho;  
  • Danilo Antonio Bruschi;  
  • Waldir Roma Ferreira;  
  • Diana Moreira Santana;  
  • Dra. Regina Célia Azuaga;  
  • Simone Ribeiro Pereira;  
  • Rocino Ramiro Cavalcanti;  
  • José Pereira de Souza;  
  • Erik Pereira de Castro;  
  • Aureo Franco Vilela;  
  • Maria Helena Fonseca;  
  • Rosa Maria de Barros;  
  • Meire Teixeira;  
  • Claudete Oliveira da Vera Cruz;  
  • Francisca Auzenir da Silva;  
  • Ivaneide de Araújo Armoa;  
  • Jean Kleber Paiva Barbosa;  
  • Santos de Oliveira Junior;  
  • Edson Ferreira da Silva;  
  • André Luiz Ossuna;  
  • Luiz Carlos de Lima;  
  • Jorge Ossamo Karimata;  
  • Dr. Renato Lúcio Martins;  
  • Paulo Cesar de Santos de Barros;  
  • Akiko Kanayama;  
  • Julião Flaves Gauna;  
  • Maria Eunice Corrêa;  
  • Gilda Lopes Braga;  
  • Rodrigo Targino de Almeida;  
  • Luiz Carlos Rodrigues;  
  • Antônio Henrique Nantes;  
  • Juliana Nunes;  
  • Adelina Tocie Miyashiro;  
  • Ronivaldo Farias de Mendonça;  
  • Augusto César Sepalho;  
  • Gilmar Javorski;  
  • Maria Cristina Coutinho da Silva;  
  • Márcio Teruhiko Yamamoto;  
  • Iedenilda Yocie Oyadomari;  
  • Nedir Migueis Pinto;  
  • Richard Alexandre Lima Siqueira;  
  • Francisco Maia Nogueira;  
  • Mirian Bezerra Sesper;  
  • Rogério Pereira Spotti;  
  • Sílvio Lucas Costa;  
  • Miguel Antunes de Miranda Sá;  
  • João Carlos Klaus;  
  • Fábio Medeiros Szukala;  
  • Lowatto Yuuichi Yamasaki;  
  • Eliana de Jesus Gonçalves Tiecher;  
  • Ana Helena Bastos e Silva Cândia;  
  • Kleber Vieira Cação;  
  • Antônio Neves de Medeiros;  
  • Carlos Roberto de Faria;  
  • Arianne Gonçalves Mendonça;  
  • Wania Helena de Carvalho;  
  • Arlindo Mariano de Farias;  
  • Marilda do Carmo Rodrigues;  
  • Heber Seba Queiroz;  
  • Adenil José de Oliveira;  
  • Maria Aparecida Corrêa Marques;  
  • Fernando Tatsunori Kuboyama;  
  • Andrea Luiza Tôrres de Figueiredo;  
  • Macoto Okuda;  
  • Alberto Angelisio Spani.

Colaborou com Tatyane Gameiro

bons hábitos & autodesenvolvimento

Aulas de teatro vão muito além da arte e contribuem para uma boa saúde

Da timidez à descoberta de novas habilidades, aulas de teatro trabalham comunicação, criatividade, expressão corporal, convivência e autoconfiança

21/09/2026 09h00

 O processo teatral envolve jogos, improvisações, exercícios de expressão corporal, criação de personagens, observação, escuta e interação, ferramentas que contribuem para as habilidades sociais dos alunos

O processo teatral envolve jogos, improvisações, exercícios de expressão corporal, criação de personagens, observação, escuta e interação, ferramentas que contribuem para as habilidades sociais dos alunos Divulgação

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Para algumas pessoas, fazer teatro começa com o desejo de subir ao palco. Para outras, nasce da curiosidade, da vontade de conhecer novas pessoas ou até da necessidade de enfrentar uma dificuldade.

Há quem procure as aulas para melhorar a comunicação, quem queira desenvolver a expressão corporal e quem simplesmente esteja em busca de uma atividade diferente.

O que acontece depois, porém, muitas vezes ultrapassa o objetivo inicial.

Durante uma aula de teatro, decorar e interpretar um texto são apenas algumas das etapas de um processo que envolve jogos, improvisações, exercícios de expressão corporal, criação de personagens, observação, escuta e interação.

Aos poucos, o participante é colocado diante de situações que exigem presença, criatividade e disposição para experimentar – inclusive quando existe vergonha ou medo de errar.

É nesse processo que o teatro pode se tornar uma ferramenta que vai além da formação artística.

As habilidades trabalhadas em cena podem aparecer em situações cotidianas, como uma apresentação na escola ou na faculdade, uma entrevista de emprego, uma reunião de trabalho, uma conversa com desconhecidos ou simplesmente na maneira como alguém passa a perceber o corpo e a se relacionar com outras pessoas.

“Eu não acredito que todo mundo que faz teatro precisa querer ser ator”, afirma Daniel Smidt, diretor da Escola e Companhia de Teatro (Adote), que atua há 25 anos em Campo Grande.

Para ele, cada aluno pode encontrar na experiência uma transformação particular.

“Cada pessoa pode encontrar uma coisa diferente aqui. Pode ser a coragem para falar, a confiança para se posicionar, a capacidade de trabalhar em grupo, a criatividade ou simplesmente a liberdade de ser quem é”, afirma.

O PRIMEIRO APRENDIZADO

A comunicação é uma das primeiras habilidades que podem ser percebidas no trabalho teatral. No palco, não basta saber o que dizer: é preciso pensar em como aquilo será dito, compreender o espaço, perceber quem está ouvindo e utilizar voz, corpo e expressão para transmitir uma ideia.

Esse exercício pode ser levado para fora da sala de aula.

Falar diante de outras pessoas, sustentar uma opinião, apresentar um trabalho ou participar de uma conversa exigem, em diferentes níveis, algumas dessas mesmas ferramentas. O teatro permite que o aluno experimente essas situações em um ambiente de aprendizagem, no qual errar também faz parte do processo.

Daniel conhece essa transformação por experiência pessoal.

“Eu também já fui uma pessoa tímida. O teatro foi me dando ferramentas para me expressar, para me comunicar, para olhar para o outro e também para me enxergar de uma maneira diferente. Quando olho para quem eu sou hoje, percebo o quanto tudo aquilo que aprendi através da arte contribuiu para a minha vida”, reflete o diretor.

O CORPO FALA

Outro aspecto trabalhado no teatro é a expressão corporal. Antes mesmo de uma pessoa dizer qualquer palavra, sua postura, seus movimentos e sua maneira de ocupar um espaço podem transmitir informações.

Perceber isso ajuda o aluno a desenvolver consciência sobre o corpo. Em cena, ele precisa compreender como determinado movimento contribui para a construção de uma personagem ou para a comunicação de uma situação. Fora dela, essa percepção pode ajudar na forma como se posiciona e se expressa.

A estudante Charlie Budib, de 19 anos, chegou ao teatro justamente buscando enfrentar a timidez e se sentir mais segura para se expressar. A recomendação partiu de sua psicóloga e a identificação com as artes ajudou a transformar a sugestão em experiência.

“Eu buscava me abrir mais para as pessoas. Conseguir falar melhor em público, me desafiar, sair da zona de conforto. Me sentir mais segura em me expressar”, conta.

Depois das aulas, ela percebe mudanças inclusive em situações que não têm relação direta com o palco.

“O teatro mudou bastante o jeito que eu ajo. Eu me sinto muito mais tranquila sobre a minha expressão corporal no dia a dia. Coisas que antes eu não conseguiria dizer ou fazer agora são muito mais simples”, diz.
Para Charlie, a sala de aula também se tornou um espaço de segurança para experimentar.

“É um ambiente que eu me sinto acolhida. Eu posso acertar ou errar, mas no final, a gente sempre bate palmas um para o outro. Todo mundo está sempre evoluindo e se ajudando. É um lugar que eu posso realmente me soltar”, afirma.

A ARTE DO IMPROVISO

Quem nunca fez teatro pode imaginar que a atividade depende principalmente da memorização de textos. Mas a preparação de um ator envolve muito mais do que decorar falas.

Improvisações e jogos teatrais fazem parte do processo justamente porque colocam os participantes diante do inesperado. Uma proposta pode mudar no meio do exercício, uma cena pode tomar um caminho diferente do planejado e o aluno precisa encontrar uma maneira de continuar.

A habilidade de improvisar, nesse sentido, não significa simplesmente “inventar qualquer coisa”. Ela envolve atenção, escuta e capacidade de responder ao que está acontecendo naquele momento.

Essa experiência pode contribuir para que o participante lide melhor com situações nas quais não possui controle absoluto sobre o resultado.

Foi algo que Maysa Garcia encontrou nas aulas. Ela chegou ao teatro pensando na formação necessária para se tornar atriz e, posteriormente, seguir o caminho da dublagem. Procurava técnicas para trabalhar voz, postura e presença.

Mas acabou encontrando também uma forma de enfrentar inseguranças.

“Me deu mais confiança para viver o mundo como eu mesma, de realmente ocupar um espaço sem culpa”, relata. Para ela, o teatro ajudou a transformar uma orientação comum dentro das aulas – enfrentar uma cena mesmo quando existe medo – em uma postura que também pode ser aplicada à vida.

“O teatro nos ensina: se está com medo, vai com medo mesmo. Isso é para a cena, mas na nossa vida isso também se aplica”, pontua.

ABRAÇO ÀS DIFERENÇAS

O teatro também pode ser uma experiência de inclusão. Cada participante chega com características, habilidades e dificuldades únicas e a aprendizagem não acontece necessariamente no mesmo ritmo.

É o caso de Evelyn Machado, que tem deficiência intelectual e participa das atividades da Adote há alguns anos.

Ela conta que, no início, tinha dificuldades principalmente para memorizar, falar diante de outras pessoas e realizar atividades novas. O nervosismo e a vergonha também apareciam, mas não impediram sua permanência.

“No teatro eu encontrei um espaço onde eu posso fazer as coisas do meu jeito, aprender no meu tempo e também ser incentivada a tentar”, conta.

Ao longo desse período, Evelyn participou de apresentações, atividades e festivais. Também recebeu duas premiações em competições.

“Para mim foi uma felicidade muito grande, porque eu nunca imaginei que poderia subir em um palco, competir e ainda receber um prêmio”, relata.

A experiência, segundo ela, também contribuiu para a comunicação e a autoconfiança.

“O teatro me ajudou muito. Eu fiquei mais comunicativa, perdi um pouco da vergonha e passei a acreditar mais em mim. Cada vez que eu entro no palco é uma conquista”, pontua.

Para Evelyn, a deficiência não define o que ela é. “Eu tenho minhas dificuldades, assim como todo mundo tem as suas, só que algumas coisas para mim são mais difíceis e eu preciso de mais tempo ou de ajuda. Mas também tenho minhas capacidades e gosto muito quando as pessoas acreditam em mim e me dão oportunidade”, destaca.

EXPERIÊNCIA COMPARTILHADA

Se para alguns o teatro é uma descoberta individual, para Miriam Amada de Oliveira, de 54 anos, que faz teatro ao lado do marido, Sueiyoshi Altino de Lima, de 55 anos, a atividade também se tornou uma experiência compartilhada.

Os dois decidiram fazer o curso juntos. Sueiyoshi chegou interessado pela relação entre cinema e atuação.

Queria entender como funciona o processo de construção de um ator e descobriu, nas aulas, que interpretar vai muito além de decorar e repetir falas.

Miriam, por sua vez, carregava desde jovem a curiosidade de conhecer os bastidores e entender como uma pessoa se prepara para atuar.

Fazer o curso lado a lado acrescentou uma dimensão inesperada à experiência: conhecer melhor um ao outro.

“Então, o fato de fazer o teatro junto com minha esposa fez eu conhecer mais um lado dela que não está ali no cotidiano, no dia a dia. Eu consigo ver mais a pessoa, a parte mais criativa dela, outras partes que a gente não vê no dia a dia”, conta Sueiyoshi.

Miriam também percebeu mudanças na relação.

“Quando a gente tem as mesmas vontades, tudo fica melhor”, afirma. Segundo ela, os dois passaram a conversar sobre os exercícios, ensaiar em casa e discutir as atividades realizadas nas aulas.

Para ela, o teatro ampliou a admiração que já existia entre os dois. “Você começa a conhecer o outro lado dela [da pessoa]. Então foi muito bom a gente fazer juntos, porque assim como ele vê como eu interpreto, como eu faço os exercícios, ele também vê esse meu lado, eu vejo o lado dele”, relata.

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