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Jayme Monjardim: "Hoje a indústria do bem é meu novo projeto que abraço e vejo como uma coisa muito ousada"

Capa dupla do Correio B+ desta semana, o diretor Jayme Monjardim conversou com a gente com exclusividade sobre família, realizações, cinema e pantanal

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"Pantanal para mim foi uma grande virada, experiência que eu jamais vou esquecer na minha vida"

Um dos maiores diretores do Brasil, está comemorando 40 anos de carreira e também novos projetos.

Jayme Monjardim (65 anos), coleciona inúmeros trabalhos de sucesso com reconhecimento internacional, uma trajetória que agradece todos os dias.

 

“Bom, meu sentimento é o melhor e o mais lindo possível. Sensação de compromissos assumidos, feitos e bem resolvidos. Graças a Deus a maioria com muito sucesso.  

A única certeza que eu tenho é o quanto ainda tenho para fazer. Eu estou muito feliz com tudo, com todos esses anos de trabalho”, comemora.

Jayme também celebra o sucesso constante da novela “O Clone” (2001) reprisada novamente na TV Globo e também na Globoplay.

“O Clone é um marco em minha vida. Primeiro, pelos temas abordados e por quem escreveu. Glória é fantástica, responsável por todo o resultado da novela, que passou pelo mundo inteiro colhendo bons resultados, colhendo boas críticas, colhendo conhecimento”, enaltece Jayme.

 Devoto de Nossa Senhora Aparecida, o diretor conta que a escolha da sua profissão foi por causa de sua mãe, a cantora Maysa.

“Já me fizeram várias vezes essa pergunta e eu não me canso de dar esse crédito toda a minha mãe.  Porque quando minha mãe morreu, após um ano, eu comecei a sentir uma necessidade muito grande de contar um pouco sobre ela. Eu fazia muito filme de casamento, até que um dia falei: - “sabe o que eu vou fazer? Vou pegar o Super 8, e fazer um filme em homenagem à minha mãe.” Pronto. E resolvi fazer um filme. Minha mãe chamava-se Maysa e esse filme foi muito bem recebido. Ganhou o Festival de Penedo na época e fiquei muito feliz”, relembra.

Em sua trajetória sólida e importante para a história da TV e do cinema no país e fora dele também, Monjardim já fez 21 novelas, 11 séries e cinco filmes desde o início na década de 1970, quando estudou Cinema na Itália, integrando a equipe de Michelangelo Antonioni. 

Dentre as novelas destacam-se: 

  • “Roque Santeiro’, 
  • ‘Sinhá Moça’,
  •  ‘Pantanal’, 
  • ‘Terra Nostra’,
  •  ‘O Clone’, 
  • ‘Páginas da Vida’, 
  • ‘Viver a Vida’, 
  • ‘A Vida da Gente’, 
  • ‘Sete Vidas’ e ‘Tempo de Amar’, em tramas escritas por grandes nomes da dramaturgia brasileira como Manoel Carlos, Glória Perez, Walther Negrão, Benedito Ruy Barbosa, Gilberto Braga, Lícia Manzo, entre outros. 

Também assinou a direção de minisséries e séries marcantes como ‘Chiquinha Gonzaga’, ‘A Casa das Sete Mulheres’, ‘Maysa - Quando Fala o Coração’ e a recente estreia coproduzida por TV Globo, Sony Pictures Television e Floresta, “Passaporte para a Liberdade”, escrita por Mário Teixeira e atuações de Sophie Charlotte, Rodrigo Lombardi e Tarcísio Filho nos papéis principais. 

Já no cinema, celebra títulos indicados a importantes prêmios como: ‘O Tempo e o Vento’, ‘O Vendedor de Sonhos’ e ‘Olga’ onde estreou no cinema.

“Eu fiquei muito feliz, porque era o filme que eu queria ter estreado como diretor.  E por fim, como o longa-metragem, foi a minha estreia. Sou muito grato a Deus, grato a Rita e ao Fernando Morais que me deu todo o apoio para poder fazer esse filme”, conta o diretor.

Jayme tem um carinho especial pelo Pantanal e pelo Mato Grosso do Sul. Essa relação se estreitou quando ele dirigiu um dos maiores sucessos da TV brasileira da década de 90, a novela Pantanal do autor Benedito Ruy Barbosa exibida pela extinta TV Manchete, onde na época Monjardim era diretor artístico. 

“Eu na verdade vou sempre ao Pantanal. Eu tenho uma relação muito forte com o Pantanal. Coincidentemente quase que eu comprei aquela fazenda da gravação na época, mas acabou indo para a WWF e foi assim um momento incrível. Essa possibilidade de poder comprar na região, mas aí eu vesti a camisa do Almir Sater, que acabou comprando as terras lá. A gente acabou ficando muito amigos, então eu sempre aproveitei bastante o Pantanal indo para lá e indo para Rio Negro também. Então a relação ficou eternizada. Nunca vai desaparecer”.

Capa dupla do Correio B+ desta semana, o diretor Jayme Monjardim conversou com a gente com exclusividade sobre família, realizações, cinema, Pantanal e sua parceria com a WOGY – Word Organization of Good Industry, a “Indústria do Bem”, organização que deve fomentar o terceiro setor e gerar transformação social conectando forças em vários cantos do mundo em prol de um Brasil melhor.

Logo abaixo a entrevista com um dos maiores diretores do país, Jayme Monjardim para o Correio B+.

CE - Jayme, são 40 anos de uma carreira sólida e cheia de grandes sucessos, referência em todo o mundo. Qual é o seu sentimento?

JM - Bom, meu sentimento é o melhor e o mais lindo possível. Sensação de compromissos assumidos, feitos e bem resolvidos. Graças a Deus a maioria com muito sucesso.  

A única certeza que eu tenho é o quanto ainda tenho para fazer. 

Eu estou muito feliz com tudo, com todos esses anos de trabalho. 

Eu acho que quando a gente foca, a gente tem sim aquele sentido de que o que a gente quer é muito importante. 

Cada trabalho foi um filho, e tratado como um filho. Então é isso, tive muito foco e muita dedicação. São 40 anos assim, e que graças a Deus a gente colheu só coisas muito boas.

CE - O Clone foi uma novela muito marcante, e sei que para a maioria do público não só no Brasil, mas fora dele também, o reconhecimento é internacional. Na Rússia, por exemplo, eles reprisam sempre não é mesmo? Ao que você acarreta esse sucesso todo e tantas premiações?

JM - O Clone é um marco em minha vida. Primeiro, pelos temas abordados e por quem escreveu. 

Glória é fantástica, responsável por todo o resultado da novela, que passou pelo mundo inteiro colhendo bons resultados, colhendo boas críticas, colhendo conhecimento. 

Então eu acho que O Clone foi um momento incrível da minha vida. Foram quatro meses em que a gente ficou trabalhando e filmando em várias cidades do Marrocos. 

Enfim, foi um grande aprendizado para nós e foi um grande projeto da TV Globo. Daqueles que a gente fala que só a Globo é capaz de fazer. 

Só colhi coisas fantásticas e continuo colhendo até hoje.

CE - Me fala um pouco sobre “Passaporte para a Liberdade” e essa parceria com a Sony...

JM - “Passaporte para Liberdade” eu diria que é o nosso passaporte para a liberdade no mundo (risos). 

É um projeto que tem como principal objetivo mostrar a Globo para o planeta e mostrar que a Globo é capaz de fazer um trabalho muito consistente em língua inglesa. 

Entendo que este é mesmo o passaporte para a gente entrar no mercado mundial de entretenimento. 

Acho muito importante o projeto ser em parceria com a Sony, que é tão expressiva e importante na América Latina e no mundo.

CE - Jayme, quando descobriu que era isso que gostaria de fazer? Já pensou em outra área?

JM - É engraçado essa pergunta. Já me fizeram várias vezes e eu não me canso de dar esse crédito toda a minha mãe. 

Porque quando minha mãe morreu, após um ano, eu comecei a sentir uma necessidade muito grande de contar um pouco sobre ela. 

Eu fazia muito filme de casamento, até que um dia falei: - “sabe o que eu vou fazer? Vou pegar o Super 8, e fazer um filme em homenagem à minha mãe.” Pronto. 

E resolvi fazer um filme. Minha mãe chamava-se Maysa e esse filme foi muito bem recebido. 

Ganhou o Festival de Penedo na época e fiquei muito feliz. 

E aí resolvi fazer isso em 35 milímetros. Então eu sempre digo que eu entrei na televisão fazendo um documentário para minha mãe. 

Agradeço a ela por ter me dado essa luz de fazer um filme em sua homenagem, pois foi a partir disso que nasceu todo esse sentimento meu como diretor.

CE - Você trabalhou com os maiores autores de novelas do mundo, imagino que tudo tenha sido importante, mas consegue me destacar momentos e realizações que aconteceram dentro dessa história que construiu com novelas especificamente?

JM - Sinto que o destino me deu um presente gigante que foi, e é ter realmente conseguido trabalhar com os maiores autores de novelas. 

De Dias Gomes a Benedito Rui Barbosa, passando pela Glória Peres, nossa, tanta gente incrível! Lícia Manzo e o amigo Manoel Carlos, meu parceiro de sempre, para sempre. 

São tantos os autores que eu tive a oportunidade de trabalhar. 

E, mais do que nunca, sempre digo que novela é uma parceria, um casamento de autor e diretor. 

Essa união entre autor e diretor faz uma diferença gigante, pois é onde nascem todos os conceitos, onde a gente tira do papel e coloca tudo para acontecer. 

Posso dizer que eu aprendi muito nesses anos todos com tantos autores incríveis que eu tive a oportunidade de trabalhar.

CE - Eu vi Olga no cinema, e me tocou muito, foi seu primeiro filme. Como foi esse processo?  

JM - Olga foi uma coisa muito especial em minha vida, porque, na verdade...(pausa.)  Vou te contar uma coisa que eu nunca falei mesmo! 

Olga veio quando aos 21 anos eu descobri que eu queria ser diretor. Olga estava disponível em livro e eu pensei: “Meu Deus do céu, é esse livro e essa a história que eu quero contar”. 

E saí correndo atrás de comprar os direitos de Olga. Mas eu era jovem, não sabia muito bem como fazia isso. Na época eu descobri que já tinham comprado. 

Aí passaram-se muitos anos até que um dia me ligou a Rita Buzzar e disse: Jayme, eu estou aqui com o filme que eu gostaria muito de te ver dirigir. 

Eu não acreditei, porque ele acabou não acontecendo, eu também não corri mais atrás, mas acabou chegando até mim, depois de anos eu querendo fazer o filme. 

Eu fiquei muito feliz, porque era o filme que eu queria ter estreado como diretor. 

E por fim, como o longa-metragem, foi a minha estreia. Sou muito grato a Deus, grato a Rita e ao Fernando Morais que me deu todo o apoio para poder fazer esse filme.

CE - O Tempo E o Vento de minissérie de sucesso para os cinemas, um desafio?

JM - ‘O Tempo e o Vento’ também foi um grande desafio na minha vida. 

Foi um filme muito difícil da gente fazer porque era um filme muito caro. 

Tivemos que montar uma cidade cenográfica enorme, que precisava de muitos figurantes, com cenas de batalha e de guerra. Acredito que tão difícil quanto foi fazer ‘Passaporte para a Liberdade’. São obras grandiosas, são obras que pedem uma produção muito grande e consistente. 

Para mim foi um momento mágico poder fazer O Tempo e o Vento. Poder reviver e imaginar aquelas cenas que eu já tinha visto antes no filme original, podendo rever e sentir essas cenas todas. 

Foi assim um trabalho maravilhoso e que tenho muito orgulho de ter feito.

CE - De Renato Aragão chegando a minissérie Maysa, contando a vida da sua mãe... Jayme me conta sobre essa experiência?

JM - O Renato Aragão e eu.. Bom, na verdade sempre foi uma parceria de felicidade, porque na Globo e no tempo de direção de núcleo, eu tive a oportunidade de trabalhar com Renato, com o Roberto Carlos e com tantos ícones da nossa televisão, do nosso cinema. 

Até chegar a oportunidade de fazer a minissérie com Maneco, me preparei dois anos para esse momento.  

Foi muito importante para mim. Um projeto muito difícil emocionalmente, mas que o Maneco me deu esse presente, e que eu serei eternamente grato a ele, sempre, para sempre. 

Acho que a minissérie foi muito bem escrita, de uma maneira que não se deixou nada para trás e contou tudo, mas com muita elegância, carinho, com muito amor e muita verdade. 

Então eu agradeço muito sempre, pois foi realmente a oportunidade de trabalhar com pessoas incríveis. Renato, Roberto Carlos, Manoel Carlos e esses grandes como Fernanda Montenegro e Tony Ramos. Nossa, é uma lista de pessoas que realmente me trouxeram grande aprendizado.

CE - Roque Santeiro também foi um marco na TV, que já teve reprise no VIVA, foi algo especial pra você como para o público?  

JM - Bom, Roque Santeiro é um grande sucesso, com 100% de audiência da história da televisão. Um presente que eu ganhei do Paulo Ubiratan na época. 

Nunca mais vou esquecer Paulinho Ubiratan dentro do estúdio, no primeiro dia de gravação com Regina Duarte e Lima Duarte. 

Foi uma grande escola para mim ver nascer essa obra junto com o Paulinho, junto com a Regina, junto com o Lima. 

E olha que a gente ainda estava nos estúdios da TV Globo, na Lopes Quintas. Foi uma experiência maravilhosa. 

Paulinho dirigiu praticamente grande parte do primeiro capítulo e depois foi me soltando e me largou a novela toda. 

Tive a parceria depois do Marcos Paulo que me ajudou a dirigir uma parte, depois veio Gonzaga, mas tive o privilégio de no final praticamente terminar a novela sozinho. 

Nunca mais vou esquecer de que o Dias Gomes me ligou e disse assim: Eu vou fazer três finais e quero que você venha na minha casa de manhã no dia do último episódio, onde eu vou te passa qual vai ser o final que eu vou escolher.” (risos)

CE - Como é em sua trajetória trabalhar com os maiores atores do país...

JM - Sobre os atores, é um presente que a gente ganha.  Não só aprendemos com esses grandes atores, mas entendemos que os grandes atores sempre estão disponíveis. 

E é isso que faz a diferença. 

Sabe, quando se tem um grande ator como Tony Ramos ou Fernanda Montenegro e tantos outros maravilhosos que a gente tem, eles estão ali para você realmente dirigir.  

Para o autor, isso não tem preço.

 Às vezes a gente pega um pessoal novo cheio de imposições. 

Mas quando você chega nessa turma que tem muita experiência e muita bagagem, eles estão ali de corpo aberto de coração aberto, de ouvidos só para você. 

E se você souber pedir com muita educação, com muito carinho, você tem deles tudo. Então trabalhar com esses grandes atores é um presente.

CE - Como é o Jayme pai? E os momentos com sua família?

JM - A gente com o tempo aprende que a família é mais importante que o trabalho. 

Quando a gente é jovem a gente acha que trabalhar é tudo e na verdade naquele momento a gente ainda não tem a consciência de tantas coisas.. 

Pessoas como Eu, que são muito entregues ao trabalho, acaba o transformando em uma grande prioridade. 

Mas o tempo vai te ensinando que dá para conciliar o trabalho e dá para conciliar a família, até que você aprende definitivamente que a família é muito mais importante. 

Mas não é fácil no início, viu? É fácil falar hoje, mas não foi fácil exercitar essa relação, porque é esse trabalho que a gente faz. 

Ele exige muito da gente, entende? Mas com o tempo a gente consegue equilibrar.

CE - Bom, Pantanal volta em março como um remake e novo elenco. Você vai assistir?  

JM - Pantanal para mim foi uma grande virada, momento em que eu saí da TV Globo na época, com liberação total do Boni. Fui trabalhar com Nilton Travesso. 

Nilton me deu o cargo de direção artística da TV Manchete e foi aí que a gente lançou Pantanal. 

Assim era uma outra época era outro momento e era um grande desafio, pois, a gente não tinha comunicação, não tinha transporte, não tinha vários recursos e fazer a novela era uma coisa muito difícil. Pouco se sabia do Pantanal. 

As pessoas sabiam muito da Amazônia, mas era um conhecimento dos temas ecológicos. 

Agora é diferente. Acho que hoje a novela vai ser um grande sucesso com todos os recursos que existem. 

De recursos técnicos, de câmeras que voam por todo lado. Imagine, você hoje vai poder voar com um drone acompanhando um grupo inteiro, entende? 

Então eu acho que será uma grande novela. Ela está sendo realmente refeita, com todo esse aspecto técnico com um elenco incrível. Então tem tudo para ser um grande sucesso.

CE - Você voltou para visitar alguma vez o MS?

JM - Eu na verdade vou sempre ao Pantanal. Eu tenho uma relação muito forte com o Pantanal. 

Coincidentemente quase que eu comprei aquela fazenda da gravação na época, mas acabou indo para a WWF e foi assim um momento incrível. 

Essa possibilidade de poder comprar na região, mas aí eu vesti a camisa do Almir Sater, que acabou comprando as terras lá. 

A gente acabou ficando muito amigos, então eu sempre aproveitei bastante o Pantanal indo para lá e indo para Rio Negro também. 

Então a relação ficou eternizada. Nunca vai desaparecer.

CE - Sobre WOGY – Word Organization of Good Industry, a “Indústria do Bem”,    como o Jayme dentro do papel de transformar vidas? De que maneira?

JM - Hoje a indústria do bem é meu novo projeto que abraço e vejo como uma coisa muito ousada. Ele tem por principal objetivo unir pessoas do bem, famílias e serviços do bem. 

É uma grande plataforma que reúne centenas e milhares de outras plataformas que têm o objetivo comum de ensinar o bem, falar do bem e discutir o bem, agregando grandes indústrias que têm por objetivo fazer o bem. 

É um sonho, uma coisa muito grande e que vai realmente demorar para se concretizar, pois é uma coisa difícil de fazer. Mas eu sempre brinco assim com o Dr. Roberto Marinho: se ele começou a TV Globo aos 65 anos eu também posso. 

Estou começando o projeto com a mesma idade e se Deus quiser vai dar certo também.

CE - Através da arte mudamos caminhos e trajetórias?

JM - A arte é a grande plataforma das emoções. Quando a gente faz arte não importa qual seja, é uma expressão das nossas emoções. 

Não tem maior explicação do que essa que eu sempre uso, a de que a arte é uma a grande plataforma que gera toda a história da humanidade, através das emoções.

 

CE - Um momento marcante Jayme...

JM - Acho que os momentos mais marcantes da minha vida com certeza foram os nascimentos dos  meus filhos,  e agora dos meus netos. 

Gerar vida, nada que pode ser mais emocionante do que isso.

 

CE - Uma realização... Que já tenha acontecido...

JM - Eu sou um ser humano realizado, feliz, eu sou um ser humano movido às emoções. 

Ter a oportunidade de poder colocar uma história no ar, seja no cinema, seja na televisão seja aonde for, é estar de alguma forma jogando uma semente para o destino. 

Eu sempre digo: tome muito cuidado com o que você pede para o destino, pois pode acontecer e se prepare para isso. 

Minha vida é estar sempre pedindo e buscando acertar aquele alvo que já foi pensado.  Sou uma pessoa muito bem resolvida.  Cresci com esse conceito de ir atrás e realizar.

Felpuda

Prefeitos que andavam "tinindo" com vontade de renunciar ao mandato...Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta quarta-feira (8)

08/04/2026 00h03

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Artur da Távola - escritor brasileiro

"O novo não é o contrário do velho. o novo é o oposto das prisões que nos impomos”.

 

FELPUDA

Prefeitos que andavam “tinindo” com vontade de renunciar ao mandato para tentar outros voos, recolheram o flap, desistiram da ideia e estão tal qual alguém que achou que rapadura era doce, mas entendeu que era dura. Nos últimos dias, essas figurinhas estavam dando “luz alta, querendo causar”, mas, pela batalha que deverá ser conquistar média de votos para ganhar cadeiras de deputado estadual e na Câmara Federal, desligaram o farol e decidiram ficar onde o distinto eleitor os colocou em 2024, sem querer “inventar moda”. Como Sócrates ensinou: “A sabedoria começa na reflexão”. Vai daí que...

Diálogo

Sede

O Brasil foi escolhido para sediar a International Conference on Medical Image Computing and Computer-Assisted Intervetion (Miccai), um dos principais encontros científicos do mundo na área de tecnologia aplicada à saúde. Essa é a primeira vez do evento nas Américas.

Mais

A 31ª edição do congresso acontecerá em São Paulo, em 2028, com pelo menos 2,2 mil participantes de vários países. A conquista da conferência contou com apoio da Embratur, em parceria com o Visite São Paulo – Convention Bureau e pesquisadores da Unicamp.

DiálogoEliene Amorim e Celina Carretoni

 

DiálogoSoraya Hejazi e Bruno Grassi

Agenda

O presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) está sendo aguardado em Campo Grande, amanhã, na abertura oficial da Expogrande 2026. Diferentemente de Lula, que referendou na pista do aeroporto seus candidatos petistas, ele deverá ter não só encontros políticos, mas também com representantes do agronegócio. Em relação às eleições, deverá contar com análise do cenário político e sobre os pré-candidatos.

Teatro

A entrada no plenário do deputado José Orcírio, empurrando carrinho de supermercado com alguns produtos alimentícios para protestar contra o índice de reajuste salarial dos servidores, teve reações dos parlamentares José Teixeira e Coronel David. O primeiro lembrou que o petista, quando governador, mandou a “cavalaria jogar gás de pimenta” contra funcionários que pediam melhorias salariais. Já o segundo afirmou que o PT, quando tinha muitos cargos no atual governo, nada falava.

Saúde

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul iniciou o Mutirão de Conciliação da 2ª Semana Nacional da Saúde. A ação segue até amanhã, com audiências no período da manhã. No total, 222 processos foram selecionados para análise. Desses, 194 tratam de Saúde Suplementar e 28 de Saúde Pública. As sessões ocorrem no Cejusc/ Saúde, em Campo Grande. Os atendimentos são presenciais e também por videoconferência. A iniciativa é promovida pelo Fórum Nacional do Judiciário para a Saúde, do Conselho Nacional de Justiça.

Aniversariantes

Stheven Ouríveis Razuk,
Luiz Carlos Spengler Filho,
Camila Tannous De Lamônica Guimarães,
Roberto da Cunha,
Franck Amorim,
Adilson Renato Schorn,
Rodrigo Dalpiaz Dias,
Esnel Expedito Otavio Portes,
Dr. Hélio Mendes,
Juares Pessoa de Abreu,
Israel Novaes Ramires,
Francisco Berbel Lopes,
Maurício de Souza Lima,
Salete Bruno Almeida,
Tomoyoshi Wauke,
Antonio Eugenio Bergo Duarte,
Edileusa Cosmo da Silva,
Patricia Fortes Adorno Ribeiro,
Maria Chaves Faustino,
Nelson Luiz de Vasconcelos Junior,
Suely da Silva Pereira Lima,
Silvio Yoshio Yokoyama,
Pedro Paulo Pedrossian,
Rosa Helena Tonissi Nasser Amoedo,
Pedro Albino Coimbra Pedra,
Rafael Farias Cação,
Jania Dagher Arce Queiroz,
Heber Maria Nogueira dos Santos Bezerra,
Cynthia Moraes Rego Mandetta,
Valério Skovronski,
Carlos Eduardo Gomes da Rocha,
Vanessa dos Santos Lima,
Mara Bethânia Bastos Gurgel de Menezes,
Sueli da Silva Pereira,
Zilda Paniago Trindade,
Raynara Macedo,
Venturino Collet,
Gislaine Teixeira Araújo,
Gabriel Ferreira,
Dr. Carlos Alberto Pedrosa de Souza,
Laicy Corrêa Martins,
Regina Maura Palhano Melke Prado,
Salviano Mendes Fontoura Júnior,
Dra. Maria Aparecida Rogado,
Vera Lúcia Ghizzi Figueiredo,
Luiz Akira Oshiro,
Evaldo Corrêa Chaves,
Irene Marcelino Vieira da Costa,
Carlos Furtado Fróes,
Maria Higa,
Vania Freitas Pires da Silva,
Zélia Quevedo Chaves,
Augusto Ribeiro Portugal,
Juvenal de Almeida Branco Filho,
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Mário Duailibi,
Osvaldo Castro Brandão,
Sérgio Assis Godoy de Mesquita,
Nadia Cristina Mendonça,
Valdevino Goulart,
Nelly Albertino Valdivia Alamanzar,
Silvio Martins Adorno,
Luiza Pithan Freire,
Júlio César Kuroce,
Marco Antonio Nachif China,
Luccas Ribeiro de Souza D’athayde,
Nelson Shiguenori Tsushima,
Marcelo de Oliveira Vera,
Aleide Lemos Coelho,
Tathiana Corrêa Silva,
Laerte Paes Coelho,
TeIma Menezes de Araújo,
Ivan da Silva Mendes,
Carla Fernandes Juliano da Silva,
Lorita Duro Montagner,
Melissa Martins de Almeida,
João Maria Ferreira Antunes,
Denise Mendes Fonseca,
Alexandre Socovoski,
Amancio Gomes Machado,
Rui Queiroz Galvão,
Altevir Alberton,
Inácio Schneider,
Juarez Dambroz,
Margarete Camargo,
Maria de Lurdes de Brito Lima,
Dalila da Silva Corrêa,
Álvaro Scriptore Filho,
Enio Roberto Walker,
José Henrique Kaster Franco,
Darcy Rodrigues,
Paulo Mello Miranda,
Jean Fernandes dos Santos Junior,
Vanderlei Caetano do Nascimento,
Eliel Alencar de Almeida,
Luiz Antonio de Souza Martins,
Faylon Alves da Rocha,
Laércia Aparecida Lemos Coelho Cannazzaro,
André Luiz Tanahara Pereira,
Gislene de Rezende Quadros,
Maria Augusta Sena Madureira Figueiró,
Walkiria Kosloski Ferreira,
Teresinha Rigon,
José Nobuo Shiraishi Kawabata,
Diego Rieffe Franco. 

COLABOROU TATYANE GAMEIRO

Literatura Brasileira

Mazé Torquato lança biografia sobre Lucy Citti Ferreira em Mato Grosso do Sul

Autora resgata a trajetória de uma das grandes artistas esquecidas do modernismo brasileiro; lançamento oficial terá debate mediado pelo doutor em Letras Alan Silus na Biblioteca Pública Estadual Dr. Isaias Paim

07/04/2026 09h00

Apesar de ter tido obras adquiridas por grandes museus, Lucy Citti Ferreira permaneceu desconhecida pelo grande público

Apesar de ter tido obras adquiridas por grandes museus, Lucy Citti Ferreira permaneceu desconhecida pelo grande público Divulgação/Montagem

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Em um meticuloso trabalho de resgate histórico, a jornalista e escritora Mazé Torquato Chotil lança no dia 14, o livro “Lucy Citti Ferreira: A Pintora Esquecida do Modernismo”, biografia que ilumina a vida e a obra de uma das artistas mais talentosas e negligenciadas da história da arte brasileira.

A obra, pré-lançada em setembro do ano passado, ganha agora lançamento oficial na Biblioteca Pública Estadual Dr. Isaias Paim, unidade da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), às 19h. A mediação do debate será feita por Alan Silus, doutor em Letras (Estudos Literários), docente e pesquisador da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) em Campo Grande, escritor, ensaísta e membro do PEN Clube do Brasil – Região do Centro-Oeste.

A biografia aborda a vida e a trajetória da pintora modernista Lucy Citti Ferreira, que marcou a história da pintura brasileira nas décadas de 1930 e 1940 e que, como tantas outras artistas mulheres, acabou esquecida. Esta obra busca ajudar a “desenterrá-la”.

QUEM FOI LUCY?

Lucy Citti Ferreira (São Paulo, 1911 – Paris, 2008) foi pintora, desenhista, gravadora e professora, com uma trajetória que a levou dos salões modernistas brasileiros às galerias europeias. 

Nascida em São Paulo, Lucy passou a infância em Gênova, na Itália e em Le Havre, na França, onde iniciou seus estudos artísticos na Escola de Belas Artes, continuando-os depois em Paris.

Já formada e premiada como pintora, retornou ao Brasil em 1934, nos seus 23 anos, quando conheceu Mário de Andrade, que a colocou em contato com o pintor Lasar Segall – com quem trabalhou, foi musa e viveu uma história marcante.

Apesar de ter tido uma obra adquirida pelo Museu de Arte Moderna de Nova York (Moma) em 1942, Lucy permaneceu praticamente desconhecida do grande público, reduzida frequentemente ao epíteto de “musa de Lasar Segall”, com quem teve uma relação artística e afetiva intensa.

Seu patrimônio pictórico, incluindo seus arquivos, foi doado à Associação Pinacoteca Arte e Cultura (Apac), com o apoio de Marcelo Araújo, amigo da pintora, que, à época, depois de ter dirigido o Museu Lasar Segall, estava à frente da Pinacoteca de São Paulo.

Lucy viveu uma história artística relevante, assim como no plano afetivo: teve três homens importantes em sua vida e enfrentou numerosos desafios, tanto no plano pessoal quanto no profissional.

Lutou contra dificuldades financeiras e contra as barreiras impostas às mulheres artistas. Sua relação com Segall foi, ao mesmo tempo, fonte de inspiração e obstáculo ao reconhecimento de sua obra. 

De volta a Paris em 1947, trabalhou intensamente, sempre em busca de novos caminhos para sua arte, sem se preocupar com a divulgação de sua obra. Assim, apesar de seus méritos e conquistas, foi esquecida pela história da arte.

Sua história é marcada por desafios pessoais e profissionais, tendo enfrentado dificuldades financeiras, barreiras de gênero e o preconceito de uma sociedade que não estava preparada para aceitar uma mulher dedicada integralmente à sua arte. 

“Lucy não foi a única artista apagada da história da pintura e do modernismo brasileiro”, explica Mazé Torquato Chotil. “Tarsila do Amaral e Anita Malfatti também permaneceram por muito tempo no esquecimento, até que pesquisadoras as resgataram.

Muitas outras ainda virão à tona. Esta biografia lança luz sobre uma delas, Lucy, numa tentativa de ‘desenterrá-la’”, complementa a autora.

RESGATE

O processo de pesquisa para reconstruir a vida de Lucy demandou anos de investigação em arquivos dispersos e entrevistas com pessoas que conviveram com a artista. Mazé Torquato Chotil, doutora pela Universidade Paris 8 e pós-doutora pela Ehess, mergulhou em fontes como a Pinacoteca do Estado de São Paulo – que recebeu todo o acervo da pintora por meio da Apac – além do Museu Lasar Segall, Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), Museu Universitário de Arte da Universidade Federal de Uberlândia (Muna) e Pinacoteca de Bauru.

“Apoiei-me no que descobri sobre sua trajetória por meio das fontes encontradas. O restante precisei imaginar, levantar perguntas, deduzir”, revela a biógrafa sobre os desafios de preencher as lacunas deixadas pelo tempo. 

Entre as revelações mais impressionantes da pesquisa está a qualidade excepcional da produção artística de Lucy, reconhecida desde muito cedo. Aos 16 ou 17 anos, ela já produzia telas impressionantes como “Quai – Le Havre” e “Olympio”, que atestam seu talento precoce.

RELAÇÕES

A biografia revela que Lucy circulou entre as principais figuras do modernismo brasileiro, além de sua conhecida relação com Mário de Andrade e Lasar Segall. Tarsila do Amaral, por exemplo, 15 anos mais velha que Lucy, levou um jornalista para conhecer a obra da amiga no sobrado-ateliê de uma pequena casa no Bairro do Cambuci, em São Paulo.

Lucy também expôs ao lado de Iberê Camargo, Di Cavalcanti, Heitor dos Prazeres, Portinari, Lívio Abramo, Noêmia, Carlos Prado, Vieira da Silva, Alfredo Volpi e Mario Zanini, entre outros. No entanto, diferente de muitos de seus contemporâneos, não era de muitas amizades, mantendo um perfil mais reservado e introspectivo.

INTRANSIGENTE

A trajetória de Lucy Citti Ferreira ilustra dramaticamente os obstáculos enfrentados por mulheres artistas na primeira metade do século 20. 

A biógrafa destaca que Lucy “sempre manteve essa linha, sem concessões, nunca se moldando para agradar a um comprador. Defendia, acima de tudo, a postura de mulher artista, o direito de todo ser humano de se expressar como deseja”. 

Essa postura intransigente pode ter contribuído para seu relativo isolamento no mercado artístico da época, dominado por homens e por critérios que frequentemente marginalizavam produções femininas.

LEGADO

O lançamento da biografia coincide com a preparação de uma grande exposição na Pinacoteca de São Paulo prevista para janeiro de 2027 (originalmente marcada para setembro, mas adiada), em que um número significativo de obras de Lucy Citti Ferreira poderá ser apreciado pelo público.

Para Mazé Torquato Chotil, mais importante do que simplesmente “desenterrar” a história de Lucy é permitir que o público redescubra a qualidade excepcional de seu trabalho e a força de vontade que demonstrou enquanto artista. 

“Oriunda de uma família burguesa que perdeu recursos, vivia com pouco, fazia do pouco o suficiente. Na maior parte do tempo foi seu próprio modelo, produzindo diversos autorretratos”, destaca Mazé.

IMERSÃO

Escrever uma biografia é sempre uma jornada de imersão e descoberta, que cria laços peculiares entre biógrafo e biografado. Mazé Torquato Chotil descreve seu relacionamento com Lucy durante o processo. “Durante a pesquisa e escrita, ‘a personagem’ – neste caso, Lucy – eu a imaginava comigo, em um canto, observando e se perguntando como eu me sairia com as informações que ela não deixou”, relata a autora.

A autora brinca com essa relação de cumplicidade e tensionamento. “Eu ia brigando com ela em pensamento, tentando reunir todas as peças do quebra-cabeça para dar vida à sua verdadeira personagem”, comenta.

Esse processo íntimo de diálogo com o passado resulta em uma biografia que transcende o relato factual para se tornar uma conversa vibrante entre duas mulheres separadas pelo tempo, mas unidas pela paixão à arte e à memória.

A AUTORA

Mazé Torquato Chotil é jornalista e autora. Doutora pela Universidade Paris VIII e pós-doutora pela Ehess, nasceu em Glória de Dourados, morou em Osasco (SP) e vive em Paris desde 1985, dividindo seu tempo entre a capital francesa, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Mazé Torquato Chotil traz em sua trajetória 15 livros publicados (cinco em francês), entre romances, biografias e ensaios. Entre eles, destacam-se “Lucy Citti Ferreira: a Pintora Esquecida do Modernismo”, “Maria d’Apparecida: Negroluminosa Voz” e “Lembranças do Sítio”.

É fundadora e primeira presidente da União Europeia de Escritores de Língua Portuguesa (Ueelp) e foi editora da 0h0 min (catálogo lusófono). Escreve para a imprensa brasileira e para sites europeus.

Recebeu o Prêmio da Ailb, categoria Romance, em 2025, com “Mares Agitados: na Periferia dos Anos 1970”, e o de Biografia, em 2022, pela obra “Maria d’Apparecida: Negroluminosa Voz”, outro resgate fundamental de uma artista brasileira negra que enfrentou as barreiras do racismo e do sexismo em sua trajetória.

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