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Diálogo

Percentuais de rejeição de cinco pré-candidatos ao Senado mostram que... Leia na coluna de hoje

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Américo Calheiros - poeta de ms

A fama é sempre maior que o homem. Os grandes a temem. Os tolos a enaltecem”.

FELPUDA 

Percentuais de rejeição de cinco pré-candidatos ao Senado mostram que a população de MS está dividida. Os resultados do Instituto de Pesquisa Resultado (IPR) e divulgados pelo Correio do Estado, indicam como anda o humor do eleitorado. Vander Loubet (PT) e Soraya Thronicke (PSB), estão na primeira e terceira colocação. Já o ex-deputado Capitão Contar aparece no segundo lugar. O senador Nelson Trad Filho (PSD) e Reinaldo Azambuja (PL) pontuam na quarta e quinta colocação, respectivamente. Como se vê... 

Foto: Divulgação

As obras da Rota da Celulose já começaram em Mato Grosso do Sul, marcando o avanço de um dos maiores projetos viários do Estado. A AGEMS acompanha de perto a execução, com fiscalizações contínuas para garantir qualidade e cumprimento do contrato. A concessionária Caminhos da Celulose apresentou balanço inicial das ações e cronograma do primeiro ano. O diretor-presidente da Agência, Carlos Alberto de Assis, destacou a importância desse início para consolidar a concessão. Os primeiros resultados incluem 402 quilômetros de rodovias com serviços executados e mais de 21 mil quilos de resíduos recolhidos. Também avançam ações de sinalização, roçada e instalação de dispositivos de segurança. A AGEMS já concluiu duas fiscalizações com relatórios técnicos que orientam ajustes. O coordenador da Câmara Técnica de Rodovias Vinícius Echeverria Brites reforça que o monitoramento começa ainda no planejamento das ações. A concessão também aposta em tecnologia, como o pedágio free flow e melhorias de conectividade.

 Luiz Octávio Pinho e Patricia Pinho - Foto: Studio Vollkopf

 

Sarah OliveiraSarah Oliveira - Foto: Divulgação

No quieto

Do lado do PP, há quem diga que a pretensão é eleger até três deputados federais, o que mostra que o partido está ciente de que precisa mostrar sua importância no contexto político. Atualmente, o Progressistas não tem nenhum representante na Câmara Federal, mas pretende mudar esse quadro. O partido trouxe Dagoberto Nogueira para o partido e nessas eleições pretende lançar outros, ainda guardados a sete chaves.

Otimismo

Esse grupo projeta que o governador Riedel poderá “encerrar a fatura” no primeiro turno, o que fortaleceria os nomes da senadora Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias, líder maior do PP, e do ex-governador Reinaldo Azambuja, presidente do PL. A justificativa é que ambos sempre procuraram atuar juntos, o que não aconteceu nas eleições municipais passadas, mas isso não causou ruptura no relacionamento político entre as duas lideranças, que voltaram a jogar unidos.

Em debate

“Maio Laranja – Mês de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes” é evento especial que o curso de Psicologia do Centro Universitário Anhanguera Unaes de Campo Grande realizará, nos próximos dias 11 e 12. Ele é aberto ao público, mas é necessário realizar inscrição.

Aniversariantes 

Sábado (9)

Luzanidia Martins Miranda;
Rogelho Massud Junior;
Nicole Almeida Assis Mandetta;
Abilio Corrêa;
Gibran Ernesto de Oliveira;
Kazuo Sasai;
Marcos Antonio de Araújo Alarcon;
Dr. Roberto Guite Melges;
Sérgio Luiz Dall’Igna;
Fernando dos Santos Chaves;
José Jair Cantos Moreira;
Vesnilta Costa Coelho;
Laura Trindade de Abreu;
Irma Aparecida Beraldo de Andrade;
Antônio Mendes;
Francisco José Silva Filgueiras;
Alzira Luiza Pereira de Camillo;
Leonardo Ricartes;
José Benedito da Silva;
Dayana Pricilla da Silva Mota;
José Cardoso Sobrinho;
Anderson Machado Santana;
Marcos de Souza Martins;
José Oscar Pimentel Mangeon Filho;
Humberto de Matos Brittes;
Dr. Paulo Abdo do Seixo Kadri;
Olávio Striquer;
Cláudio Eduardo Geraldo Agi;
Geraldo Pedroso;
João Bispo Nascimento;
Diva Padoim;
Naho Zenhitsi Adania;
Sônia Regina Gebrim;
Mafalda Maria Pereira Targino;
Rui Menezes;
José Ricardo Lyvio;
Edson Takayassu;
Luiz José Bataglim Brum;
José Norberto Medeiros Junior;
Neide Rezek;
Gentil Teodoro do Espírito Santo;
Maria Aparecida Ortiz;
Cleuza Loureiro Mascarenhas;
Alessandra Barbosa Spence;
Ayres Ferreira Souto;
Márcia Gonzaga Rocha;
MariIda Otto Mata;
Olga Vieira Moraes;
Fátima Augusto Gonçalves Montanha;
Dr. Edil Afonso Albuquerque Junior;
Oscar Medina Baldomar;
Valdir Vieira Torres;
Carlos Alberto Alves;
Valdir de Souza Oliveira;
Ângela Nogueira Fonseca;
Luciano Nomura;
Cláudia Luciana Nomura;
Nair Barbosa Paes de Barros;
Maria do Carmo da Costa Castro;
Yolanda de Lima Valdez;
Olivar Joaquim Correa;
Maria Emilia Santeiro;
Gilberto Nunes de Almeida;
Maysa Porto Costa;
Sérgio Tetsuo Kague;
Luiza Sotoma Oshiro;
Fernanda Gotz;
Leandro Lyrio;
Yoshiyuki Saito;
Simone Pimentel Arguelho;
Terezinha Nunes Barbosa Dotto;
Samira Nimer;
Carlos Ismar Baraldi;
William Wagner Maksoud Machado;
Ademir Kades;
Wanessa Rossatti Spence;

Domingo (10)

Gleide Ramos Flores;
Dr. José do Couto Vieira Pontes;
Patrícia Tavares Manzione José Alfredo Buainain;
Mujica de Kamis;
Gabriela Rojas;
Afeife Mohamad Hajj;
Abigair Martins Barros;
Lucia Salsa Correa;
Margarida Maria Wanderley Ouriveis;
Pedro Alexandre de Oliveira;
Takaci Honji;
Vilma Maria Inocêncio Carli;
João Alencar Dosso;
Emiliano Dias;
Lázaro Queiroz Moreira;
Juscelene Pereira de Arantes;
Maria Cristina Zorzeto;
Daniela Rodrigues Azambuja Miotto;
Samy Weise Khouri;
Emerson Barbosa Holosback;
José Normando Ventrella;
Djalmir Medina Leirias;
Maria Lúcia Vieira Schwengber;
Antonio Airton Bezerra de Oliveira;
Bruno Henrique de Oliveira Rezende;
Arthur Ulisses Curado Filho;
Vera Lúcia Calixto Vieira Daige;
Dr. Sebastião Rolon Neto;
Olegna Ferreira de Macedo;
Cecília Britto;
Daniel Macedo Pavão;
Leandro Marques;
Laudelina Alves Costa;
Amarildo Miranda Melo;
Gabriel Yukio Shiraishi;
Severina do Nascimento Valério;
Amílcar Moreno Peixoto;
Ivanir de Oliveira Flôres Barros;
Antônio Carlos Monteiro Espíndola;
Giuara Camargo Rodrigues;
Dienyfer Nogueira Parra;
Sérgio Marques Martins;
Maria da Glória Conte;
Antonina da Silva Saraiva;
Luiz Aparecido Lanzarini;
Mauro Chacha;
Silvana Bastos da Costa;
Maria Cristina Arashiro;
Sônia Elvira Vieira Marques;
Homero Rebuá Cândia;
Levy Dias;
Paulo Henrique Cruz;
Cecilia Serpa Henz;
Caroline Faveron Trevizan;
Silvia Regina Massarotte Ibanhes Pereira;
Raffaella da Rosa Pellizzon;
Leiva Rodrigues do Prado Vendruscolo;
Anderson Régis Pasqualeto;
Fernanda Grezzi Urt;
Paulo Roberto Massetti;
Letícia Fernandes Reinoso;
Juarez da Silva Junior;
Fernando Varley Ramos de Souza;
Américo Oliveira Rezende;
Nalvo Zenhitsi Adania;
Lourival Angelo Ponchio;
Féis Hussem Jaruch Junior;
Carlos Alberto Abdo;
Roberto Fuchi;
Norma Regina da Silva Nakasone;
Paulo Sérgio Almeida Rego Prandini;
Ruben Diogo Urizar;
Virginia de Fátima Marques;

Colaborou Tatyane Gameiro

História

Quando um "fantasma" assustou a redação do Diário da Serra

Uma confusão envolvendo tecnologia, silêncio e imaginação transformou-se em uma das histórias mais curiosas dos bastidores do jornal que marcou época em Mato Grosso do Sul

25/06/2026 09h00

O Telex funcionava a partir de duas máquinas; à esquerda, um tipo de máquina de escrever recebia e escrevia as notícias e informes das centrais de informação, e à direita, outra máquina imprimia o texto

O Telex funcionava a partir de duas máquinas; à esquerda, um tipo de máquina de escrever recebia e escrevia as notícias e informes das centrais de informação, e à direita, outra máquina imprimia o texto Arquivo

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Antes da era dos computadores, as redações jornalísticas eram ambientes dominados pelo som constante das máquinas de escrever, telefones tocando, jornalistas correndo contra o relógio e editores revisando textos poucos minutos antes do fechamento.

Durante boa parte das décadas de 1970, 1980 e 1990, esse cenário fez parte da rotina do Diário da Serra, um dos jornais mais importantes da história de Mato Grosso do Sul.

Fundado em maio de 1968 pelos Diários Associados, grupo criado por Assis Chateaubriand, o jornal acompanhou alguns dos momentos mais importantes da região, incluindo a criação do Estado em 1977.

Ao longo de 30 anos de circulação, tornou-se uma verdadeira escola de jornalismo, formando profissionais que ajudaram a construir a imprensa sul-mato-grossense.

Mas, nem só de manchetes históricas viveu o Diário da Serra. Entre os corredores da redação também nasceram histórias que passaram por gerações e se transformaram em parte do folclore do jornal.

A mais famosa delas envolve um vigilante, uma madrugada silenciosa e uma máquina que parecia ter vida própria.

PAIXÃO PELO JORNALISMO

Na época em que a história aconteceu, o Diário da Serra vivia uma fase de intensa competição com o Correio do Estado. A rivalidade era conhecida entre jornalistas, leitores e fontes. Conseguir uma informação exclusiva significava prestígio para a redação e, muitas vezes, uma vantagem importante sobre o concorrente.

A busca pelo chamado furo mobilizava repórteres diariamente. Havia orgulho em ver a própria reportagem estampada na capa do dia seguinte e também a curiosidade de conferir como o outro jornal havia tratado sobre o mesmo assunto.

Esse ambiente competitivo impulsionava a qualidade da cobertura jornalística. As equipes buscavam novas abordagens, entrevistados exclusivos e informações que pudessem diferenciar suas publicações.

Enquanto a tecnologia gráfica avançava, grande parte da produção de texto ainda dependia das tradicionais máquinas de escrever. O som das teclas era característico e quando a redação estava cheia, o barulho era constante. Quando ficava vazia, o silêncio era quase absoluto.

E foi justamente esse contraste que deu origem à história.

UMA LONGA NOITE

Recém-contratado para fazer a segurança do prédio durante a madrugada, Adelson ainda se adaptava à nova rotina quando presenciou algo que jamais esperava encontrar.

Durante as primeiras horas do turno, ele observou a movimentação intensa da redação. Jornalistas escreviam reportagens, fotógrafos chegavam de pautas externas e editores organizavam as páginas que seriam impressas.

Pouco a pouco, porém, o prédio foi esvaziando.

As luzes foram apagadas.

As conversas cessaram.

O som das máquinas desapareceu.

Restou apenas o silêncio.

Para quem passava a madrugada sozinho em um prédio grande, a mudança de ambiente era impressionante.

Em uma das rondas realizadas durante a noite, Adelson decidiu atravessar a redação. O local que algumas horas antes estava tomado pelo movimento agora parecia completamente diferente.

Foi então que ouviu um som inesperado.

Primeiro vieram alguns estalos.

Depois, uma sequência rápida de batidas metálicas.

Em seguida, o ruído ficou inconfundível: parecia uma máquina de escrever funcionando.

Instintivamente, ele procurou alguém no ambiente.

Não encontrou ninguém.

O som, no entanto, continuava.

Para quem não conhecia o funcionamento dos equipamentos instalados no jornal, a cena parecia impossível.

Uma máquina produzia texto sem operador.

Assustado, Adelson deixou a redação e retornou para a guarita até o raiar do dia.

Quando o expediente terminou, ele já havia se decidido a nunca mais voltar ao local.

A justificativa apresentada à empresa de segurança logo virou assunto entre os funcionários do jornal.

Segundo o vigilante, algo sobrenatural aconteceu durante a noite no prédio.

A história se espalhou rapidamente pelos corredores e provocou reações que variavam entre surpresa e gargalhadas.

O motivo do mal-entendido era bem mais simples e racional do que parecia.

O equipamento responsável pelo susto era um Telex, tecnologia que representava uma grande inovação para a época.

Conectado a redes de comunicação de diversas partes do País, o aparelho recebia automaticamente notícias, informes e mensagens transmitidas por centrais de informação. Sempre que um conteúdo chegava, o sistema entrava em funcionamento sem necessidade de intervenção humana.

Para jornalistas acostumados com a tecnologia, aquilo era rotina.

Para alguém que nunca havia visto o equipamento operando, a impressão podia ser bastante diferente.

MEMÓRIAS DO PASSADO

O episódio nunca virou manchete, mas conquistou um lugar permanente na memória de quem trabalhou no Diário da Serra.

Décadas depois, ex-funcionários ainda lembram da história como um retrato de uma época em que o jornalismo passava por profundas transformações tecnológicas. Era o período em que equipamentos modernos começavam a dividir espaço com métodos tradicionais de produção.

Também era uma fase em que as redações funcionavam como verdadeiras comunidades. Histórias curiosas circulavam entre repórteres, fotógrafos, diagramadores e gráficos, tornando-se parte da identidade dos veículos.

Encerrado no dia 15 de novembro de 1998, o Diário da Serra deixou de circular, mas continua presente na memória de quem viveu seus bastidores.

Agora, com a digitalização de seu acervo histórico, novas gerações terão acesso às reportagens que ajudaram a contar a história de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul.

Talvez não encontrem registros sobre fantasmas entre as páginas digitalizadas.

Mas certamente descobrirão o cotidiano de um jornal que acompanhou a construção do Estado e que, entre uma manchete e outra, também produziu histórias capazes de atravessar o tempo e que marcaram a vida de diversos profissionais da comunicação.

TELEX

Historicamente, o Telex (abreviação de Teleprinter Exchange Service) foi uma rede global de teleimpressores (máquinas de escrever conectadas por linhas telegráficas ou telefônicas) usada para transmitir mensagens de texto.

Criado na década de 1930, permitia enviar e receber mensagens impressas em tempo real. Cada empresa ou órgão governamental tinha um número de Telex específico e recebia uma confirmação automática de que o texto havia sido entregue.

Foi o principal meio de comunicação corporativa internacional até ser substituído por aparelhos de fax na década de 1980 e, posteriormente, pelo e-mail e pela internet.

HISTÓRIA DE MS

Fundação Barbosa Rodrigues digitaliza acervo do jornal Diário da Serra e o disponibiliza on-line

Projeto da Fundação Barbosa Rodrigues garante a preservação de milhares de páginas que registram a formação do Estado e o cotidiano sul-mato-grossense

25/06/2026 08h30

Ao longo de seus 30 anos de circulação, o Diário da Serra registrou momentos históricos do Estado e fez parte do cotidiano de milhares de sul-mato-grossenses

Ao longo de seus 30 anos de circulação, o Diário da Serra registrou momentos históricos do Estado e fez parte do cotidiano de milhares de sul-mato-grossenses Arquivo

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Durante três décadas, o Diário da Serra registrou os principais acontecimentos políticos, econômicos, culturais e esportivos de Campo Grande e Mato Grosso do Sul.

Agora, quase 28 anos após a circulação de sua última edição, em 15 de novembro de 1998, parte dessa memória volta a ficar acessível ao público por meio de um projeto de digitalização que pretende preservar um dos mais importantes patrimônios documentais da imprensa regional.

A partir do dia 10 de julho, os primeiros volumes digitalizados do acervo estarão disponíveis gratuitamente no site da Fundação Barbosa Rodrigues. O projeto é apenas o início de um trabalho de longo prazo que pretende tornar acessíveis cerca de 210 livros encadernados, reunindo milhares de exemplares do jornal.

Segundo a presidente da Fundação Barbosa Rodrigues, Nara Borges, a iniciativa nasceu da necessidade de preservar documentos históricos que sofrem os efeitos naturais do tempo.

“O acervo já estava sob a guarda da fundação e entendemos que era necessário iniciar um processo de digitalização para garantir sua preservação. Estamos falando de um patrimônio documental que registra momentos fundamentais da história de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul”, afirma.

Nesta primeira etapa, foram digitalizados 10 volumes, somando aproximadamente 7 mil páginas. A expectativa é de que o restante do trabalho seja realizado gradualmente ao longo dos próximos anos.

“O projeto é grande e exige muito cuidado. Por isso optamos por fazer a digitalização em etapas. Ainda há muito material pela frente”, explica.

ANTES DE MS NASCER

A história do Diário da Serra se confunde com a própria trajetória de MS.

O jornal foi lançado em 28 de maio de 1968, quando ainda faltavam nove anos para a divisão do antigo Mato Grosso e a criação do novo estado.

Integrante dos Diários Associados, conglomerado fundado por Assis Chateaubriand, o periódico chegou a Campo Grande em um momento de intensa expansão dos meios de comunicação brasileiros.

A inauguração ocorreu apenas um mês após a morte de Chateaubriand e acabou se transformando também em uma homenagem ao empresário e jornalista responsável pela construção de uma das maiores redes de comunicação da América Latina.

A cerimônia reuniu artistas, intelectuais, políticos e autoridades. O bispo dom Antônio Barbosa abençoou as instalações, enquanto o governador Pedro Pedrossian acionou o painel eletrônico da moderna rotativa Bühler, fazendo surgir o primeiro exemplar impresso.

Ao longo de seus 30 anos de circulação, o Diário da Serra registrou momentos históricos do Estado e fez parte do cotidiano de milhares de sul-mato-grossensesO governador Pedro Pedrossian acionando o painel eletrônico da rotativa Bühler, em 1968 - Foto: Arquivo

Representando os Diários Associados, João Calmon destacou que o novo jornal fazia parte do projeto idealizado por Chateaubriand de levar veículos de comunicação a todos os estados brasileiros.

BERÇO DO JORNALISMO

Ao longo de sua trajetória, o Diário da Serra se tornou uma verdadeira escola de jornalismo.

Centenas de profissionais passaram pela redação, ajudando a construir a identidade da imprensa regional.

Entre as décadas de 1970 e 1990, o jornal protagonizou uma intensa disputa editorial com o Correio do Estado.

Ao longo de seus 30 anos de circulação, o Diário da Serra registrou momentos históricos do Estado e fez parte do cotidiano de milhares de sul-mato-grossensesRedação do Diário da Serra em um dos prédios pelos quais o jornal passou - Foto: Arquivo

A rivalidade era comparada aos grandes clássicos do futebol. Política e esporte concentravam boa parte da competição, mas a busca por reportagens exclusivas acontecia em todas as editorias.

Repórteres cultivavam fontes estratégicas, perseguiam furos de reportagem e acompanhavam diariamente o trabalho do concorrente. O resultado era uma cobertura cada vez mais qualificada.

Quem mais se beneficiava dessa disputa era o leitor, que recebia informações aprofundadas e análises sobre os acontecimentos que moldavam a vida da cidade e do Estado.

Entre as inúmeras coberturas históricas, o jornal testemunhou a divisão de Mato Grosso, em 1977, acompanhou a instalação da nova unidade federativa, registrou campanhas eleitorais, crises econômicas, conquistas esportivas e mudanças urbanas que transformaram Campo Grande.

QUANDO O JORNAL PAROU

Entre as milhares de páginas que ajudam a contar a história de Campo Grande e Mato Grosso do Sul, uma delas registra um episódio que quase interrompeu a trajetória do Diário da Serra.

No dia 4 de outubro de 1977, quando faltavam apenas sete dias para a instalação oficial do novo estado, o teto da redação do jornal desabou sobre parte das instalações da sede, localizada na Avenida Calógeras.

O acidente ocorreu por volta das 17h. Segundo relatos publicados na época, funcionários perceberam que o forro de gesso apresentava rachaduras e começava a ceder. Inicialmente, acreditou-se que alguém estivesse realizando algum serviço sobre a estrutura.

Em poucos instantes, porém, a situação se agravou. Ao perceber o risco iminente, o diretor do jornal, César Quintas, ordenou que todos deixassem o local imediatamente.

A decisão evitou uma tragédia. Segundos depois, telhado, forro e parte da estrutura vieram abaixo com um estrondo, ouvido a grande distância, destruindo a redação, setores de diagramação e parte do parque gráfico. Apenas a jornalista Ana Lúcia Divas sofreu ferimentos leves em uma das pernas.

A repercussão foi imediata. Na edição do dia seguinte, o Correio do Estado, principal concorrente do Diário da Serra, estampou imagens da destruição e manifestou solidariedade aos profissionais atingidos. Mais do que isso, colocou sua estrutura à disposição para que o rival pudesse continuar produzindo e imprimindo suas edições.

MEMÓRIA PRESERVADA

Para garantir a qualidade da reprodução, a equipe optou por utilizar a fotografia, em vez de scanners convencionais.

O trabalho foi realizado pelo fotógrafo João Pedro Félix Escobar, que registrou cuidadosamente cada página dos exemplares.

“Chegamos a estudar a aquisição de equipamentos específicos para digitalização, mas a fotografia apresentou resultados melhores na preservação da qualidade das imagens e dos detalhes das páginas”, explica Nara.

O processo exigiu atenção especial em razão da fragilidade do material. Depois de décadas armazenados, muitos exemplares apresentam desgaste natural do papel, exigindo manuseio cuidadoso, para evitar danos.

Mesmo com a criação da versão digital, o acervo físico permanecerá sob a guarda da Fundação Barbosa Rodrigues.

“O material original continuará sendo preservado. A digitalização não substitui o acervo físico. Pelo contrário, ela ajuda a protegê-lo, reduzindo a necessidade de manuseio constante”, destaca.

Ao longo de seus 30 anos de circulação, o Diário da Serra registrou momentos históricos do Estado e fez parte do cotidiano de milhares de sul-mato-grossenses

 

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