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AGENDA CULTURAL

Fim de semana do Dia das Mães está repleto de atividades para todos os gostos e idades

Programação do fim de semana do Dia das Mães está repleta de atividades para todos os gostos e idades, indo de lançamentos de cinema a festividade centenária

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O segundo fim de semana de maio chega movimentado em Campo Grande, com uma programação cultural que mistura música, teatro, cinema, gastronomia, ações sociais, manifestações religiosas, atividades infantis e grandes eventos gratuitos espalhados pela cidade.

No fim de semana do Dia das Mães, o público poderá acompanhar desfiles de moda autoral, shows históricos do rock sul-mato-grossense, espetáculos de dança, festas tradicionais centenárias e atrações para as crianças.

Entre os destaques estão o evento Mães no Bosque, no Shopping Bosque dos Ipês, o encontro das bandas Naip e Bêbados Habilidosos, no Road House Old Sheep, além da tradicional Festa de São Benedito, na Comunidade Quilombola Tia Eva, que completa 107 anos de história e resistência cultural.

Mães no Bosque

O Shopping Bosque dos Ipês prepara um dos fins de semana mais movimentados do Mês das Mães com a programação especial Mães no Bosque, que segue até o dia 17, reunindo moda, empreendedorismo feminino, cultura e entretenimento na praça central do shopping.

Os momentos mais aguardados da programação estão concentrados amanhã. Às 15h, acontece o painel Mães que Empreendem: Cuidando do Hoje, Construindo o Amanhã, com Adriana Cândido, CEO da Eloo Contabilidade, e Cleide Moreno, especialista em Ativos Digitais.

Na sequência, às 16h, a artista plástica Iacita Azamor apresenta o desfile “Das Telas para a Moda”, com peças inspiradas em suas próprias obras e referências à fauna e à flora sul-mato-grossense.

Às 16h30min, a empresária e influenciadora Sidney Volpe sobe à passarela com o desfile “Elegância Tem Assinatura”, promovido pela Maison Volpe, em parceria com Fernanda Amorim.

Fechando a programação fashion deste sábado, às 17h, o público acompanha o desfile “Tal Mãe, Tal Pet – Laços que Não Precisam de Palavras”, reunindo tutores e animais de estimação em um momento afetivo e descontraído.

Durante todo o fim de semana, o shopping também recebe a Feira de Economia Criativa, reunindo mulheres empreendedoras e marcas autorais, além da Sala da Mulher Empreendedora, em parceria com a Secretaria Executiva da Mulher (Semu).

No domingo, das 16h às 20h, acontece ainda a Feirinha de Adoção Pet, em parceria com o projeto Anjos da Dani.

Cinema

Cinema “Billie Eilish” - Dirigido por James Cameron, o longa acompanha apresentações e bastidores da última turnê da cantora
Foto: Divulgação

As telonas também prometem atrair o público durante o fim de semana. Entre as estreias estão “Mortal Kombat 2”, “Iron Maiden: Burning Ambition” e Billie Eilish – Hit Me Hard and Soft: The Tour”.

Continuam em cartaz produções como “O Diabo Veste Prada 2”, “Michael”, “Zico, o Samurai de Quintino” e “Super Mario Galaxy: O Filme”.

Outro destaque da programação cinematográfica é “Ovelhas Detetives”, produção voltada ao público infantojuvenil que acompanha um grupo de ovelhas investigando um misterioso incidente em uma fazenda.

Rock

naipMÚSICA Naip - O projeto Road House Sessions recebe, pela primeira vez, a banda Naip no palco do Road House Old Sheep
Foto: Divulgação

Amanhã também será marcado por uma noite histórica para os fãs de rock em Campo Grande. O projeto Road House Sessions recebe, pela primeira vez, a banda Naip no palco do Road House Old Sheep.

Com 27 anos de trajetória, mais de 400 shows e apresentações ao lado de nomes como Jota Quest, Nando Reis, O Rappa e Ira!, a Naip promete um repertório que mistura clássicos nacionais e internacionais do rock.

A noite terá ainda apresentação da lendária banda Bêbados Habilidosos, considerada uma das maiores referências do blues no Centro-Oeste, além de sets da DJ Nathalia Albuquerque.

O evento começa às 17h e os ingressos estão disponíveis pela plataforma Sympla.

Festa de São Benedito

De hoje ao dia 17, a Comunidade Quilombola Tia Eva realiza mais uma edição da tradicional Festa de São Benedito, considerada uma das manifestações religiosas e culturais mais importantes de Mato Grosso do Sul.

A celebração nasceu a partir de uma promessa feita por Eva Maria de Jesus, conhecida como Tia Eva, mulher negra fundadora da comunidade quilombola que hoje leva seu nome. Há mais de um século, a festa reúne fé, memória, música, esporte e confraternização comunitária.

A programação inclui missas, terços, procissões, rodas de samba, shows de pagode e sertanejo, bailes, apresentações culturais, torneios de futebol society, corrida de rua e atividades comunitárias.

são beneditoFESTA São Benedito - Tradicional festividade comemora 107 anos de existência
Foto: Vaca Azul

Entre os momentos mais aguardados estão o tradicional levantamento do mastro de São Benedito e a procissão pelas ruas da comunidade.

A Igreja de São Benedito, construída inicialmente em barro e, posteriormente, em alvenaria, em 1919, é tombada como patrimônio cultural municipal e estadual desde 1998.

SESC 

O Sesc Teatro Prosa recebe uma programação gratuita com música e espetáculo infantil.

Hoje, às 19h, a cantora Bell Éter apresenta o show “Bell Éter Canta Grandes Vozes”, com releituras de artistas como Maria Bethânia, Marília Mendonça, Djavan, Liniker, Whitney Houston e Sam Smith.

Amanhã, às 16h, o público infantil poderá assistir ao espetáculo “Dona Joaninha e o Eclipse Solar”, do Grupo Casa.

No interior do Estado, o Sesc Corumbá realiza, hoje, às 18h, uma programação especial de contação de histórias voltada para crianças e famílias, reunindo narrativas, brincadeiras e atividades interativas.

Os ingressos gratuitos estão disponíveis pela plataforma Sympla.

Para a criançada

As crianças também têm diversas opções de lazer neste fim de semana em Campo Grande.

A Arena Nickelodeon entra em sua última semana de funcionamento, reunindo atrações inspiradas em personagens como Patrulha Canina, Bob Esponja Calça Quadrada e Dora Aventureira.

Já o Yuup Experience aposta em uma estrutura com mais de 20 atrações, incluindo arena de trampolins, basquete, infláveis, futebol interativo, motos elétricas, fliperamas e espaços para crianças pequenas.

Festa das Nações Amigas

Até amanhã, o Comper Itanhangá recebe a terceira edição da Festa Inclusiva das Nações Amigas de MS.

O evento reúne apresentações culturais, artesanato, comidas típicas e atividades infantis, com participação de representantes de Brasil, Bolívia, Espanha, Líbano, Japão, Paraguai, Portugal e Itália.

A programação também conta com forte caráter social. Toda a praça de alimentação será administrada por instituições beneficentes como Abreac-MS, AOMS, Iafra, Ismac e ONG Recanto da Criança, com renda revertida para os projetos participantes.

Ato inter-religioso

Amanhã, das 9h às 12h, a Praça Ary Coelho recebe o ato inter-religioso Campo Grande Veste Branco pela Paz.

A mobilização reúne representantes de diferentes crenças e tradições espirituais em defesa da liberdade religiosa e contra a intolerância e o racismo religioso.

A programação inclui apresentações culturais, falas públicas e tendas informativas sobre diferentes práticas religiosas. A organização orienta que os participantes vistam roupas brancas e levem 1 quilo de alimento não perecível ou 1 litro de água mineral para doação.

Aquece MS

Quem quiser aproveitar amanhã para praticar solidariedade também pode participar do dia D da campanha Aquece MS.

A arrecadação acontece das 8h às 13h, em formato drive-thru, no Comper da Avenida Brilhante. A campanha arrecada roupas, cobertores e itens de inverno para famílias em situação de vulnerabilidade social.

História

Quando um "fantasma" assustou a redação do Diário da Serra

Uma confusão envolvendo tecnologia, silêncio e imaginação transformou-se em uma das histórias mais curiosas dos bastidores do jornal que marcou época em Mato Grosso do Sul

25/06/2026 09h00

O Telex funcionava a partir de duas máquinas; à esquerda, um tipo de máquina de escrever recebia e escrevia as notícias e informes das centrais de informação, e à direita, outra máquina imprimia o texto

O Telex funcionava a partir de duas máquinas; à esquerda, um tipo de máquina de escrever recebia e escrevia as notícias e informes das centrais de informação, e à direita, outra máquina imprimia o texto Arquivo

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Antes da era dos computadores, as redações jornalísticas eram ambientes dominados pelo som constante das máquinas de escrever, telefones tocando, jornalistas correndo contra o relógio e editores revisando textos poucos minutos antes do fechamento.

Durante boa parte das décadas de 1970, 1980 e 1990, esse cenário fez parte da rotina do Diário da Serra, um dos jornais mais importantes da história de Mato Grosso do Sul.

Fundado em maio de 1968 pelos Diários Associados, grupo criado por Assis Chateaubriand, o jornal acompanhou alguns dos momentos mais importantes da região, incluindo a criação do Estado em 1977.

Ao longo de 30 anos de circulação, tornou-se uma verdadeira escola de jornalismo, formando profissionais que ajudaram a construir a imprensa sul-mato-grossense.

Mas, nem só de manchetes históricas viveu o Diário da Serra. Entre os corredores da redação também nasceram histórias que passaram por gerações e se transformaram em parte do folclore do jornal.

A mais famosa delas envolve um vigilante, uma madrugada silenciosa e uma máquina que parecia ter vida própria.

PAIXÃO PELO JORNALISMO

Na época em que a história aconteceu, o Diário da Serra vivia uma fase de intensa competição com o Correio do Estado. A rivalidade era conhecida entre jornalistas, leitores e fontes. Conseguir uma informação exclusiva significava prestígio para a redação e, muitas vezes, uma vantagem importante sobre o concorrente.

A busca pelo chamado furo mobilizava repórteres diariamente. Havia orgulho em ver a própria reportagem estampada na capa do dia seguinte e também a curiosidade de conferir como o outro jornal havia tratado sobre o mesmo assunto.

Esse ambiente competitivo impulsionava a qualidade da cobertura jornalística. As equipes buscavam novas abordagens, entrevistados exclusivos e informações que pudessem diferenciar suas publicações.

Enquanto a tecnologia gráfica avançava, grande parte da produção de texto ainda dependia das tradicionais máquinas de escrever. O som das teclas era característico e quando a redação estava cheia, o barulho era constante. Quando ficava vazia, o silêncio era quase absoluto.

E foi justamente esse contraste que deu origem à história.

UMA LONGA NOITE

Recém-contratado para fazer a segurança do prédio durante a madrugada, Adelson ainda se adaptava à nova rotina quando presenciou algo que jamais esperava encontrar.

Durante as primeiras horas do turno, ele observou a movimentação intensa da redação. Jornalistas escreviam reportagens, fotógrafos chegavam de pautas externas e editores organizavam as páginas que seriam impressas.

Pouco a pouco, porém, o prédio foi esvaziando.

As luzes foram apagadas.

As conversas cessaram.

O som das máquinas desapareceu.

Restou apenas o silêncio.

Para quem passava a madrugada sozinho em um prédio grande, a mudança de ambiente era impressionante.

Em uma das rondas realizadas durante a noite, Adelson decidiu atravessar a redação. O local que algumas horas antes estava tomado pelo movimento agora parecia completamente diferente.

Foi então que ouviu um som inesperado.

Primeiro vieram alguns estalos.

Depois, uma sequência rápida de batidas metálicas.

Em seguida, o ruído ficou inconfundível: parecia uma máquina de escrever funcionando.

Instintivamente, ele procurou alguém no ambiente.

Não encontrou ninguém.

O som, no entanto, continuava.

Para quem não conhecia o funcionamento dos equipamentos instalados no jornal, a cena parecia impossível.

Uma máquina produzia texto sem operador.

Assustado, Adelson deixou a redação e retornou para a guarita até o raiar do dia.

Quando o expediente terminou, ele já havia se decidido a nunca mais voltar ao local.

A justificativa apresentada à empresa de segurança logo virou assunto entre os funcionários do jornal.

Segundo o vigilante, algo sobrenatural aconteceu durante a noite no prédio.

A história se espalhou rapidamente pelos corredores e provocou reações que variavam entre surpresa e gargalhadas.

O motivo do mal-entendido era bem mais simples e racional do que parecia.

O equipamento responsável pelo susto era um Telex, tecnologia que representava uma grande inovação para a época.

Conectado a redes de comunicação de diversas partes do País, o aparelho recebia automaticamente notícias, informes e mensagens transmitidas por centrais de informação. Sempre que um conteúdo chegava, o sistema entrava em funcionamento sem necessidade de intervenção humana.

Para jornalistas acostumados com a tecnologia, aquilo era rotina.

Para alguém que nunca havia visto o equipamento operando, a impressão podia ser bastante diferente.

MEMÓRIAS DO PASSADO

O episódio nunca virou manchete, mas conquistou um lugar permanente na memória de quem trabalhou no Diário da Serra.

Décadas depois, ex-funcionários ainda lembram da história como um retrato de uma época em que o jornalismo passava por profundas transformações tecnológicas. Era o período em que equipamentos modernos começavam a dividir espaço com métodos tradicionais de produção.

Também era uma fase em que as redações funcionavam como verdadeiras comunidades. Histórias curiosas circulavam entre repórteres, fotógrafos, diagramadores e gráficos, tornando-se parte da identidade dos veículos.

Encerrado no dia 15 de novembro de 1998, o Diário da Serra deixou de circular, mas continua presente na memória de quem viveu seus bastidores.

Agora, com a digitalização de seu acervo histórico, novas gerações terão acesso às reportagens que ajudaram a contar a história de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul.

Talvez não encontrem registros sobre fantasmas entre as páginas digitalizadas.

Mas certamente descobrirão o cotidiano de um jornal que acompanhou a construção do Estado e que, entre uma manchete e outra, também produziu histórias capazes de atravessar o tempo e que marcaram a vida de diversos profissionais da comunicação.

TELEX

Historicamente, o Telex (abreviação de Teleprinter Exchange Service) foi uma rede global de teleimpressores (máquinas de escrever conectadas por linhas telegráficas ou telefônicas) usada para transmitir mensagens de texto.

Criado na década de 1930, permitia enviar e receber mensagens impressas em tempo real. Cada empresa ou órgão governamental tinha um número de Telex específico e recebia uma confirmação automática de que o texto havia sido entregue.

Foi o principal meio de comunicação corporativa internacional até ser substituído por aparelhos de fax na década de 1980 e, posteriormente, pelo e-mail e pela internet.

HISTÓRIA DE MS

Fundação Barbosa Rodrigues digitaliza acervo do jornal Diário da Serra e o disponibiliza on-line

Projeto da Fundação Barbosa Rodrigues garante a preservação de milhares de páginas que registram a formação do Estado e o cotidiano sul-mato-grossense

25/06/2026 08h30

Ao longo de seus 30 anos de circulação, o Diário da Serra registrou momentos históricos do Estado e fez parte do cotidiano de milhares de sul-mato-grossenses

Ao longo de seus 30 anos de circulação, o Diário da Serra registrou momentos históricos do Estado e fez parte do cotidiano de milhares de sul-mato-grossenses Arquivo

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Durante três décadas, o Diário da Serra registrou os principais acontecimentos políticos, econômicos, culturais e esportivos de Campo Grande e Mato Grosso do Sul.

Agora, quase 28 anos após a circulação de sua última edição, em 15 de novembro de 1998, parte dessa memória volta a ficar acessível ao público por meio de um projeto de digitalização que pretende preservar um dos mais importantes patrimônios documentais da imprensa regional.

A partir do dia 10 de julho, os primeiros volumes digitalizados do acervo estarão disponíveis gratuitamente no site da Fundação Barbosa Rodrigues. O projeto é apenas o início de um trabalho de longo prazo que pretende tornar acessíveis cerca de 210 livros encadernados, reunindo milhares de exemplares do jornal.

Segundo a presidente da Fundação Barbosa Rodrigues, Nara Borges, a iniciativa nasceu da necessidade de preservar documentos históricos que sofrem os efeitos naturais do tempo.

“O acervo já estava sob a guarda da fundação e entendemos que era necessário iniciar um processo de digitalização para garantir sua preservação. Estamos falando de um patrimônio documental que registra momentos fundamentais da história de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul”, afirma.

Nesta primeira etapa, foram digitalizados 10 volumes, somando aproximadamente 7 mil páginas. A expectativa é de que o restante do trabalho seja realizado gradualmente ao longo dos próximos anos.

“O projeto é grande e exige muito cuidado. Por isso optamos por fazer a digitalização em etapas. Ainda há muito material pela frente”, explica.

ANTES DE MS NASCER

A história do Diário da Serra se confunde com a própria trajetória de MS.

O jornal foi lançado em 28 de maio de 1968, quando ainda faltavam nove anos para a divisão do antigo Mato Grosso e a criação do novo estado.

Integrante dos Diários Associados, conglomerado fundado por Assis Chateaubriand, o periódico chegou a Campo Grande em um momento de intensa expansão dos meios de comunicação brasileiros.

A inauguração ocorreu apenas um mês após a morte de Chateaubriand e acabou se transformando também em uma homenagem ao empresário e jornalista responsável pela construção de uma das maiores redes de comunicação da América Latina.

A cerimônia reuniu artistas, intelectuais, políticos e autoridades. O bispo dom Antônio Barbosa abençoou as instalações, enquanto o governador Pedro Pedrossian acionou o painel eletrônico da moderna rotativa Bühler, fazendo surgir o primeiro exemplar impresso.

Ao longo de seus 30 anos de circulação, o Diário da Serra registrou momentos históricos do Estado e fez parte do cotidiano de milhares de sul-mato-grossensesO governador Pedro Pedrossian acionando o painel eletrônico da rotativa Bühler, em 1968 - Foto: Arquivo

Representando os Diários Associados, João Calmon destacou que o novo jornal fazia parte do projeto idealizado por Chateaubriand de levar veículos de comunicação a todos os estados brasileiros.

BERÇO DO JORNALISMO

Ao longo de sua trajetória, o Diário da Serra se tornou uma verdadeira escola de jornalismo.

Centenas de profissionais passaram pela redação, ajudando a construir a identidade da imprensa regional.

Entre as décadas de 1970 e 1990, o jornal protagonizou uma intensa disputa editorial com o Correio do Estado.

Ao longo de seus 30 anos de circulação, o Diário da Serra registrou momentos históricos do Estado e fez parte do cotidiano de milhares de sul-mato-grossensesRedação do Diário da Serra em um dos prédios pelos quais o jornal passou - Foto: Arquivo

A rivalidade era comparada aos grandes clássicos do futebol. Política e esporte concentravam boa parte da competição, mas a busca por reportagens exclusivas acontecia em todas as editorias.

Repórteres cultivavam fontes estratégicas, perseguiam furos de reportagem e acompanhavam diariamente o trabalho do concorrente. O resultado era uma cobertura cada vez mais qualificada.

Quem mais se beneficiava dessa disputa era o leitor, que recebia informações aprofundadas e análises sobre os acontecimentos que moldavam a vida da cidade e do Estado.

Entre as inúmeras coberturas históricas, o jornal testemunhou a divisão de Mato Grosso, em 1977, acompanhou a instalação da nova unidade federativa, registrou campanhas eleitorais, crises econômicas, conquistas esportivas e mudanças urbanas que transformaram Campo Grande.

QUANDO O JORNAL PAROU

Entre as milhares de páginas que ajudam a contar a história de Campo Grande e Mato Grosso do Sul, uma delas registra um episódio que quase interrompeu a trajetória do Diário da Serra.

No dia 4 de outubro de 1977, quando faltavam apenas sete dias para a instalação oficial do novo estado, o teto da redação do jornal desabou sobre parte das instalações da sede, localizada na Avenida Calógeras.

O acidente ocorreu por volta das 17h. Segundo relatos publicados na época, funcionários perceberam que o forro de gesso apresentava rachaduras e começava a ceder. Inicialmente, acreditou-se que alguém estivesse realizando algum serviço sobre a estrutura.

Em poucos instantes, porém, a situação se agravou. Ao perceber o risco iminente, o diretor do jornal, César Quintas, ordenou que todos deixassem o local imediatamente.

A decisão evitou uma tragédia. Segundos depois, telhado, forro e parte da estrutura vieram abaixo com um estrondo, ouvido a grande distância, destruindo a redação, setores de diagramação e parte do parque gráfico. Apenas a jornalista Ana Lúcia Divas sofreu ferimentos leves em uma das pernas.

A repercussão foi imediata. Na edição do dia seguinte, o Correio do Estado, principal concorrente do Diário da Serra, estampou imagens da destruição e manifestou solidariedade aos profissionais atingidos. Mais do que isso, colocou sua estrutura à disposição para que o rival pudesse continuar produzindo e imprimindo suas edições.

MEMÓRIA PRESERVADA

Para garantir a qualidade da reprodução, a equipe optou por utilizar a fotografia, em vez de scanners convencionais.

O trabalho foi realizado pelo fotógrafo João Pedro Félix Escobar, que registrou cuidadosamente cada página dos exemplares.

“Chegamos a estudar a aquisição de equipamentos específicos para digitalização, mas a fotografia apresentou resultados melhores na preservação da qualidade das imagens e dos detalhes das páginas”, explica Nara.

O processo exigiu atenção especial em razão da fragilidade do material. Depois de décadas armazenados, muitos exemplares apresentam desgaste natural do papel, exigindo manuseio cuidadoso, para evitar danos.

Mesmo com a criação da versão digital, o acervo físico permanecerá sob a guarda da Fundação Barbosa Rodrigues.

“O material original continuará sendo preservado. A digitalização não substitui o acervo físico. Pelo contrário, ela ajuda a protegê-lo, reduzindo a necessidade de manuseio constante”, destaca.

Ao longo de seus 30 anos de circulação, o Diário da Serra registrou momentos históricos do Estado e fez parte do cotidiano de milhares de sul-mato-grossenses

 

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