Correio B

CULTURA BRASILEIRA

Livro aborda o fenômeno da música sertaneja

Cowboys do asfalto, de Gustavo Alonso, apresenta a trajetória do gênero musical

PORTAL BRASIL

23/08/2015 - 04h00
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A morte do cantor Cristiano Araújo, em acidente de carro na madrugada de 24 de junho, causou bastante repercussão não apenas pela fatalidade que vitimou o músico e sua namorada, mas pelo debate que se viu na imprensa e nas redes sociais nos dias seguintes ao episódio. Os fãs de Cristiano se mostraram surpresos com quem afirmava desconhecer o artista. E quem, por sua vez, nunca tinha ouvido falar de Araújo, se espantou com o tamanho do sucesso do cantor.

Essa dicotomia levantou outra vez a antiga discussão sobre qual seria a música verdadeiramente popular no Brasil – e não apenas isso, mas sobre o valor artístico da música sertaneja – um dos gêneros musicais mais populares no País, com ressonância em todo o território nacional, do qual Cristiano Araújo era representante, especificamente, da vertente mais jovem desta tradição, a “universitária”.

O que se viu na maioria das discussões entre fãs e “detratores” após a morte do cantor pode ser resumido, grosso modo, como passionalidade de um lado e preconceitos do outro. Coincidentemente, foi com os ânimos de ambas as partes ainda esfriando que chegava às livrarias o livro Cowboys do asfalto, de Gustavo Alonso (leia entrevista).

Tivesse sido lançado há mais tempo, a publicação teria aumentado o nível do debate. Ao longo de mais de 550 páginas (100 delas apenas de notas e citações biográficas), Alonso – doutor em História pela Universidade Federal Fluminense e autor de Simonal – Quem não tem swing acorda com a boca cheia de formiga – se debruça em cima da trajetória da música sertaneja, desde a origem caipira no interior do Brasil até o sucesso internacional no novo milênio via Michel Teló.

Com base em rica pesquisa e dezenas de entrevistas, o livro ajuda a desmistificar uma série de ideias pré-concebidas e sacralizadas ao longo do tempo a respeito da música sertaneja, como, por exemplo, de que o gênero musical seria mero fruto da indústria cultural.

Aliás, antes de alcançar o auge de vendas de discos, no começo dos anos 1990, a música sertaneja trilhou caminho próprio, independente dos grupos de comunicação do eixo Rio de Janeiro-São Paulo, da validação da crítica cultural (que, via de regra, a tratou com desdém), da intelligentsia (que pouco a estudou na academia) e dos defensores da pureza da música caipira (que a tinha como deformadora de uma tradição).

O autor conta como, tal qual a Tropicália, o gênero musical fez a absorção de ritmos estrangeiros como o rock americano e inglês (herança da jovem guarda), a guarânia paraguaia, a rancheira mexicana e o chamamé argentino, produzindo a hibridização responsável por sua modernização nos anos 1960 e 1970.

Mostra como não apenas os sertanejos, mas muitos representantes da MPB, tinham visão ufanista do Brasil e apoiaram o governo militar – no caso dos sertanejos, por conta de, entre outros motivos, programas sociais voltados ao campo, como ProRural e Funrural; por que a música sertaneja acabou associada à era Collor; e como uma música de protesto de Dalvan, da dupla com Duduca, ajudou Luiz Inácio Lula da Silva a se eleger deputado em 1986.

Em resumo, Cowboys do Asfalto mostra como o sucesso da música sertaneja não foi por acaso e por que ela é um produto cultural brasileiro tão legítimo quanto o samba, a bossa nova, a MPB e o rock brasileiro. O livro é leitura essencial para quem se propõe a entender a pluralidade da cultura brasileira e é, desde já, uma referência obrigatória no estudo da área (e não apenas da música sertaneja).

Pet Correio B+

Farinha, corante e aditivo: o que evitar na dieta para prevenir alergias nos pets

Tutores devem priorizar rações com boa fonte de proteína; alimentação natural é alternativa, mas precisa de orientação profissional e encaixe na rotina familiar

11/07/2026 14h30

Alguns ingredientes podem piorar sintomas gastrointestinais e dermatológicos em animais sensíveis

Alguns ingredientes podem piorar sintomas gastrointestinais e dermatológicos em animais sensíveis Foto: Divulgação

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Manter uma alimentação equilibrada é o primeiro passo para garantir a saúde e o bem-estar integral dos pets. O mercado conta com diversas opções de rações e petiscos, porém, algumas fórmulas tendem a causar alergias, além de não fornecer todos os nutrientes necessários. Por isso, antes de escolher, o tutor deve estar atento à composição do alimento.

“Na composição fornecida pelo fabricante no pacote, o primeiro ingrediente da lista é o que está em maior proporção na fórmula. Cães e gatos precisam de proteína de boa qualidade, preferencialmente de alta digestibilidade”, explica a médica-veterinária Nathália Starek, CEO da Vidaá.

Embora ingredientes amiláceos e fibrosos ajudem na estrutura da ração e no trânsito intestinal, eles devem estar em equilíbrio no alimento. A farinha de trigo em excesso, por exemplo, favorece a intolerância ao glúten.

Em animais sensíveis, fórmulas com muitos aditivos, corantes ou ingredientes de baixa digestibilidade podem piorar sintomas gastrointestinais e dermatológicos.

Em relação à fonte de proteína, também é preciso escolher com cautela. “O frango é uma das proteínas frequentemente envolvidas em reações alimentares em cães sensíveis, por isso, deve ser evitada em algumas dietas. Peixes como salmão e tilápia, além da proteína de ervilha e farinha de mosca, são opções mais leves e melhor toleradas por animais com predisposição a alergias. Além disso, elas fornecem uma boa saciedade, auxiliando no controle do peso”, afirma Nathália.

Outros nutrientes importantes são fibras, ácidos graxos, prebióticos, vitamina E, ômega-3, ômega-6 e biotina. Alguns ingredientes naturais, como própolis, chlorella e spirulina, estão relacionados ao aumento da imunidade, à melhora da função hepática e ao alívio de alergias, e também são recomendados para uma dieta equilibrada.

Equilíbrio ideal 

A classificação de rações e petiscos entre standard, premium e super premium ajuda os tutores a identificarem as opções mais saudáveis. “Algumas versões premium e super premium oferecem melhor seleção de ingredientes, maior digestibilidade e fórmulas sem transgênicos ou sem glúten”, assinala a médica-veterinária.

Caso o tutor opte pela alimentação natural, é indispensável que o cardápio seja elaborado por um veterinário para garantir o aporte nutricional adequado. 

“Entre a alimentação natural ou com alimentos industrializados, a melhor escolha é aquela que se encaixa na rotina da família. O mais importante é garantir que as refeições sejam equilibradas. Tanto em uma dieta quanto na outra, pode ser necessário incluir complementos alimentares para garantir a saúde e o bem-estar a longo prazo”, orienta Nathália.

Vale lembrar que os petiscos também entram na conta e não devem superar os 10% das calorias totais que o pet consome. Além disso, para evitar o consumo desnecessário de farinhas, a recomendação é optar por peixes desidratados, como tilápia e merluza, iogurte natural congelado e gelatina sem sabor e incolor.

Os primeiros sinais de que o animal não se adaptou ao alimento, ou de que ele não está adequado, são fezes amolecidas, vômitos e coceiras. 

“Mesmo assim, qualquer sintoma físico ou comportamental deve ser devidamente investigado, porque pode indicar um problema mais sério, que exige intervenções que vão além da alimentação”, alerta Nathália Starek, da Vidaá. 

Cinema Correio B+

Dutton Ranch transforma Beth e Rip nos novos reis do universo Yellowstone

Spin-off confirma que a força da franquia nunca esteve apenas em John Dutton, mas nos personagens que sobreviveram a ele

11/07/2026 13h00

Dutton Ranch transforma Beth e Rip nos novos reis do universo Yellowstone

Dutton Ranch transforma Beth e Rip nos novos reis do universo Yellowstone Foto: Divulgação

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Havia motivos para desconfiar de Dutton Ranch. A saída de Kevin Costner de Yellowstone parecia ter encerrado definitivamente a história da família Dutton e, por mais populares que Beth e Rip fossem, transformá-los em protagonistas absolutos de uma nova série parecia uma aposta arriscada. A primeira temporada, no entanto, provou exatamente o contrário: o universo criado por Taylor Sheridan não apenas sobrevive sem John Dutton, como talvez tenha encontrado em Beth e Rip seus personagens mais fascinantes.

O sucesso da série não é exatamente surpreendente para quem acompanhou Yellowstone. Beth Dutton sempre foi mais do que uma coadjuvante de luxo. Inteligente, brutal, espirituosa e profundamente vulnerável, ela se tornou uma das personagens femininas mais complexas da televisão contemporânea.

Ao lado dela, Rip Wheeler construiu uma trajetória igualmente rara: a de um homem aparentemente simples, mas movido por uma ética pessoal tão rígida quanto destrutiva.

Em Dutton Ranch, os dois deixam de existir apenas em função da família Dutton para enfrentar algo talvez ainda mais difícil: construir uma nova vida depois do fim do mundo que conheciam.

A mudança para o Texas permite que a série explore uma dinâmica diferente daquela vista em Montana. O rancho deixa de ser apenas um símbolo de poder para se transformar em uma tentativa de reconstrução, enquanto Beth e Rip descobrem que sobreviver a guerras familiares pode ser mais fácil do que aprender a viver em paz.

Ao redor deles, surge uma nova geração de personagens, especialmente Carter, cuja trajetória de amadurecimento acaba se tornando um dos aspectos mais emocionantes da temporada.

Ao mesmo tempo, Sheridan faz aquilo que sempre soube fazer melhor: construir histórias em que a disputa por terras nunca é apenas sobre terras. A batalha pelo controle da 10 Petal Ranch, as alianças frágeis, os antigos ressentimentos e os novos conflitos familiares transformam a série em algo muito maior do que um drama rural ou um faroeste contemporâneo.

No fundo, Dutton Ranch continua sendo uma história sobre pertencimento, legado e sobre o preço emocional de tentar preservar algo que talvez já esteja condenado a desaparecer.

Parte do sucesso da série também está na coragem de desacelerar. Em vez de apostar apenas na violência ou nas reviravoltas espetaculares, a temporada dedica tempo para observar seus personagens.

O isolamento emocional de Rip, a incapacidade de Beth de abandonar antigos mecanismos de autodestruição e a tentativa de Carter de construir uma identidade própria ganham tanto peso quanto qualquer disputa territorial.

Talvez seja justamente por isso que Dutton Ranch tenha conquistado público e crítica tão rapidamente. Em uma era dominada por franquias que frequentemente confundem expansão de universo com profundidade dramática, a série lembra que o verdadeiro patrimônio de Yellowstone nunca foram os ranchos, os cavalos ou as guerras corporativas. Sempre foram as pessoas.

E Beth e Rip, afinal, nunca precisaram de John Dutton para provar isso.

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