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HISTÓRIA REGIONAL

Livro conta a história da colonização do Pantanal na região de Rio Negro

Em seu novo livro, "Memórias de um Pantanal: Histórias de Homens e Mulheres que Desvendaram a Região do Rio Negro", jornalista Teté Martinho percorre cinco séculos em busca dos pioneiros de Mato Grosso do Sul

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O quinto capítulo do novo livro de Teté Martinho, “Memórias de um Pantanal: Histórias de Homens e Mulheres que Desvendaram a Região do Rio Negro”, apanha as mais prósperas regiões do território que seria Mato Grosso do Sul em plena expansão agro:

“A pecuária pantaneira viveu sua fase áurea do entreguerras aos anos 1970. Com o incremento do mercado internacional da carne, o Estado se insere de vez na economia nacional, exportando quantidades cada vez maiores de gado em pé para os abatedouros de São Paulo e expandindo pastagens, abates e infraestrutura. O Frigorífico Matogrossense S.A., criado em 1947, antecipa o Plano de Metas do governo Juscelino Kubitschek, que alavancou o investimento federal na indústria de base.”

É o que escreve a jornalista na abertura de “Vida de Fazenda”, nome dado àquele capítulo, que segue relatando o aumento na engorda de bovinos, no próprio estado, ante a presença do Frima (Frigorífico Marinho). 

A empresa, nos anos 1960, “teria seu próprio vagão isotérmico na Noroeste, com exterior revestido de madeira e escotilhas para compartimentos de gelo nas cabeceiras”.

A jornalista encerra o primeiro parágrafo dando conta da disparada no número de cabeças. “O rebanho cresce: em 1940, o Pantanal abrigava dois milhões de bovinos. Na década seguinte, eram mais de três milhões. Em 1973, seriam cinco”.

FONTES DE PESQUISA

Mas a linha do tempo da publicação, que traz o selo da biblioteca Documenta Pantanal, começa bem antes, percorrendo cinco séculos de história em busca da origem e do legado dos primeiros ocupantes de Mato Grosso do Sul.

Teté Martinho faz uma imersão e tanto na trajetória da família do pioneiro Cyriaco Rondon (tio-avô do Marechal Cândido Rondon), que, no começo do século 20, era dono de quase metade da sub-região pantaneira conhecida hoje como Nhecolândia.

Para construir sua narrativa e contar a saga da família, a autora recorreu a antigos diários, a fotos de época, a mapas e a outros documentos herdados pelos descendentes.

Em dois anos de prospecção, a pesquisadora também entrevistou fazendeiros, empresários, historiadores e conservacionistas que ajudaram bastante na reconstituição do início do povoamento e do desenvolvimento das terras às margens do Rio Negro.

Em versão bilíngue (português e inglês), o livro que, em suas 296 páginas, sobrevoa a história de uma das nove sub-regiões do Pantanal, também mostra os movimentos que levaram à sua formação cultural.

“O fato de ter sido uma grande propriedade e a natureza impiedosa, que forçou o homem a adaptar sua atividade ao regime das cheias, inclusive a pecuária, acabaram contribuindo para preservar o ecossistema”, diz Teté.

Para Mônica Guimarães, coordenadora-geral do Documenta Pantanal, o livro da jornalista, que ganhará, em breve, lançamento em Corumbá, traz à tona um Pantanal de grande beleza e de história intrincada, pouco conhecida até para os brasileiros.

“Retraçá-la minimamente, a partir do fio condutor da descendência de um pioneiro, não teria sido possível sem a colaboração preciosa dos netos e bisnetos de Cyriaco Rondon, que se dispuseram a compartilhar as memórias da família”, reconhece Mônica.

A saga pantaneira se revela, nesse cenário, desde a busca de ouro e prata dos primeiros tempos até o combate atual ao risco de desertificação da maior área alagável do planeta.

“Tão intrigantes quanto personagens ficcionais, como o José Leôncio nas duas versões da telenovela que ajudou a popularizar a região, pessoas reais como Cyriaco Rondon e sua mulher, Thomazia, contribuem para mapear as raízes do Pantanal contemporâneo”, emenda Teté Martinho.

A AUTORA

Nascida no Rio de Janeiro em 1963, Teté Martinho acumula décadas de experiência no jornalismo cultural, com passagens pela Folha de S.Paulo (repórter, correspondente, editora e colunista), Revista Bravo! (redatora-chefe) e em outros veículos. Publicou os livros-reportagem “5 Saraus, Cada Qual com sua Poesia, Cada Qual com sua Fúria” (Imprensa Oficial, 2015) e “Guia Triângulo Histórico SP” (Estação, 2013).

A jornalista é coautora do projeto da revista Pororoca (2008-2009), sobre a Amazônia, e coordenou a edição dos catálogos, entre outros, das exposições “Eduardo Viveiros de Castro, Fotógrafo” (Sesc Ipiranga, 2017) e “Olafur Eliasson – Seu Corpo da Obra” (Sesc Pompeia, 2011). Teté ganhou o prêmio Jabuti “de prata”, na categoria Livro de Arte, por “Joseph Beuys – A Revolução Somos Nós” (Edições Sesc, 2010).

DOCUMENTA PANTANAL

O Documenta Pantanal é uma iniciativa criada em 2019 por profissionais de diferentes áreas para “tornar as fragilidades e as riquezas do Pantanal Matogrossense mais conhecidas ao público”. Por meio de “ações e conexões”, desenvolve o mapeamento cultural da região, apontando soluções de preservação e de geração de recursos para proteção.

O acervo de títulos de sua biblioteca inclui publicações dos fotógrafos João Farkas, Araquém Alcântara e Luciano Candisani, além do chef Paulo Machado e da jornalista Cláudia Gaigher.

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Desatando Nós: O que acontece quando os filhos crescem?

A adolescência traz um movimento natural e necessário de autonomia.

15/08/2026 18h00

Desatando Nós: O que acontece quando os filhos crescem?

Desatando Nós: O que acontece quando os filhos crescem? Foto: Divulgação

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Durante anos, muitos pais organizam a vida em torno das necessidades dos filhos. A rotina, os horários, as preocupações e até os planos futuros giram em torno deles. Então, quase sem perceber, algo muda. As crianças crescem.

A adolescência traz um movimento natural e necessário de autonomia. Os filhos passam a buscar mais privacidade, valorizam a convivência com amigos e começam a construir uma identidade própria. Para eles, esse processo representa crescimento. Para muitos pais, representa um desafio emocional.

É comum que surjam sentimentos contraditórios. Existe orgulho ao ver os filhos conquistando independência, mas também saudade da fase em que dependiam mais da família. Algumas mães e pais relatam sensação de perda, inutilidade ou dificuldade para encontrar novos espaços de realização.

Essas emoções não significam falta de amor. Significam que uma etapa está chegando ao fim e outra está começando. Toda transição importante envolve algum grau de adaptação.

O problema aparece quando tentamos impedir esse movimento natural. Controlar excessivamente, invadir espaços ou resistir ao crescimento dos filhos pode gerar conflitos e dificultar a construção da autonomia que desejamos para eles.

Talvez um dos grandes aprendizados da parentalidade seja compreender que educar também é preparar para a separação saudável. Não uma separação afetiva, mas uma independência progressiva que permite aos filhos caminhar com segurança pelo próprio caminho.

Ao mesmo tempo, esse período convida os adultos a revisitarem a própria identidade. Quem somos além do papel de pai ou mãe? Quais projetos ficaram em espera? Que vínculos precisam ser fortalecidos?

Quando os filhos crescem, a família não acaba. Ela se transforma. E toda transformação traz a oportunidade de construir novos significados para os relacionamentos e para a própria vida.

@vanessaabdo7
 

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Quando a moda encontra a estrada

Louis Vuitton e Singer transformam o Porsche 911 em objeto de desejo

15/08/2026 16h30

Louis Vuitton e Singer transformam o Porsche 911 em objeto de desejo

Louis Vuitton e Singer transformam o Porsche 911 em objeto de desejo Foto: Divulgação

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O que acontece quando uma das maisons mais importantes do mundo encontra uma empresa conhecida por transformar carros clássicos em verdadeiras peças de coleção?

A resposta acaba de ser apresentada na Califórnia. A Louis Vuitton se uniu à Singer Vehicle Design, empresa especializada em restaurar e reinterpretar Porsche 911, para criar dois automóveis únicos. É a primeira vez, em seus 172 anos de história, que a maison francesa participa de um projeto automotivo co-branded.

Porém o mais interessante dessa parceria talvez não seja o carro em si. É o que ela diz sobre os novos caminhos do luxo.

Tudo começou de maneira relativamente discreta: com o pedido de um relógio para o painel. O projeto, desenvolvido a partir do universo do Tambour e da expertise da La Fabrique du Temps Louis Vuitton, cresceu até envolver praticamente todos os elementos dos veículos. 

Nasceram assim dois Porsche 911 Reimagined by Singer. O primeiro, um Classic, recebeu tons de açafrão, azul-cobalto e amarelo associados à Louis Vuitton.

O segundo, um Classic Turbo conversível, teve participação de Nicolas Ghesquière, diretor artístico das coleções femininas da maison, e aparece em branco Calcaire Lutétien, com detalhes sofisticados em madeira. 

E, claro, a experiência não termina quando se fecha a porta do carro. A Louis Vuitton criou malas sob medida, peças de vestuário, sapatos e acessórios para acompanhar os automóveis.

Até o relógio do painel pode ser removido e transformado em relógio de mesa. É quase como se carro, moda, viagem e lifestyle passassem a fazer parte de uma mesma coleção. 

Louis Vuitton e Singer transformam o Porsche 911 em objeto de desejo                         Louis Vuitton e Singer transformam o Porsche 911 em objeto de desejo - Divulgação

Para mim, é justamente aí que essa parceria se torna interessante para além da estética.

Durante muito tempo, pensamos o luxo através de categorias muito claras: moda, joalheria, relógios, automóveis, hotelaria. Hoje, essas fronteiras estão cada vez mais diluídas.

As grandes marcas não querem apenas ocupar o nosso guarda-roupa. Querem participar da maneira como viajamos, nos hospedamos, comemos, decoramos a casa e, agora, até da maneira como dirigimos.

No caso da Louis Vuitton, existe ainda uma conexão particularmente coerente. A maison nasceu em 1854 fazendo baús e construiu sua identidade em torno da arte de viajar. Muito antes dos aviões comerciais e das malas com rodinhas, Louis Vuitton já pensava em como transportar objetos com funcionalidade, beleza e savoir-faire.

A relação com o universo automotivo também não surgiu agora. A própria história da maison registra experiências ligadas aos automóveis desde o início do século XX. 

Por isso, colocar seu savoir-faire dentro de um Porsche 911 não parece simplesmente uma ação de marketing. De certa maneira, é uma atualização da mesma pergunta que acompanha a Louis Vuitton há mais de um século: como transformar o ato de viajar em uma experiência extraordinária?

Há ainda outro aspecto dessa parceria que traduz muito bem o momento atual do mercado de luxo: a busca pela singularidade.

Louis Vuitton e Singer transformam o Porsche 911 em objeto de desejoLouis Vuitton e Singer transformam o Porsche 911 em objeto de desejo - Divulgação

Em uma época em que produtos considerados exclusivos aparecem diariamente nas redes sociais e algumas bolsas de luxo se tornam quase onipresentes, possuir algo caro já não é necessariamente suficiente para transmitir exclusividade.

O verdadeiro luxo começa a migrar para aquilo que é difícil de reproduzir: tempo, artesanato, personalização, acesso e experiências criadas praticamente para uma única pessoa.

É justamente esse território que Louis Vuitton e Singer exploram aqui. Provavelmente o futuro do luxo não esteja apenas em lançar mais produtos, mas em criar objetos que carreguem histórias, diferentes especialidades e níveis quase obsessivos de atenção aos detalhes.

No encontro entre uma maison francesa, um ícone alemão e o trabalho artesanal de uma empresa californiana, o Porsche deixa de ser apenas um automóvel. Transforma-se em moda, design, engenharia, artesanato e viagem ao mesmo tempo, ajudando a redefinir o que chamamos de luxo hoje.

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