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entrevista

Marcia Neder analisa o poder dado aos filhos, que se tornaram "os donos" dentro de casa

Marcia Neder dá sequência a seus estudos da dinâmica familiar e analisa o poder dado aos filhos, que se tornaram "os donos" dentro de casa

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Marcia Neder é psicanalista, com pós-doutorado e doutorado em Psicologia Clínica pela PUC-SP e mestrado em Psicologia Clínica pela PUC-RJ. É autora de vários livros, capítulos de livros e artigos. Professora adjunta (aposentada) e pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), onde criou e coordenou a linha de pesquisa Psicanálise e Cultura, e do Núcleo de Pesquisa em Psicanálise e Educação da USP (Nuppe-USP). 

Criadora de um blog (Amores Gozados) e do grupo de supervisão para professores e profissionais da educação na creche Favinho e Mel, no Rio de Janeiro, A escola no divã. É membro do conselho científico-consultor ad hoc da Revista Percurso de Psicanálise, do Instituto Sedes Sapientiae, do conselho editorial da Revista Insight Inteligência, assessora ad hoc da Fapesp e palestrante da Casa do Saber (RJ).

 Seus últimos livros publicados são “Os Filhos da Mãe – Como Viver a Maternidade sem Culpa e sem o Mito da Perfeição” e “Déspotas Mirins – O Poder nas Novas Famílias”, que estava esgotado e ganhou uma segunda edição atualizada e ampliada para celebrar os 10 anos de seu lançamento. 

Voltados para o público em geral, e não só para profissionais, seus livros conquistaram aceitação e relevância, com destaque para a atualidade dos temas e para a clareza e a profundidade da análise. Sua repercussão pode ser conferida nas entrevistas e nas participações em programas nacionais no seu site: marcianeder.com.br. 

MARCIA NEDER - PERFIL

Marcia Neder é psicanalista, com pós-doutorado e doutorado em Psicologia Clínica pela PUC-SP e mestrado em Psicologia Clínica pela PUC-RJ.

É autora de vários livros, capítulos de livros e artigos. Professora adjunta (aposentada) e pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), onde criou e coordenou a linha de pesquisa Psicanálise e Cultura, e do Núcleo de Pesquisa em Psicanálise e Educação da USP (Nuppe-USP).

Criadora do blog Amores Gozados e do grupo de supervisão para professores e profissionais da educação na creche Favinho e Mel, no Rio de Janeiro, A escola no divã. É membro do conselho científico-consultor ad hoc da Revista Percurso de Psicanálise, do Instituto Sedes Sapientiae, do conselho editorial da Revista Insight Inteligência, assessora ad hoc da Fapesp e palestrante da Casa do Saber (RJ).
 
É um prazer entrevistá-la e compartilhar suas ideias com nossos leitores. Qual a sua relação com Campo Grande?

Nasci em Campo Grande, onde vivi minha infância e início da adolescência em uma família gigantesca, com muitos irmãos e primos. Uma família grande e meio nômade, com irmãos dos meus pais que se mudaram para lá ou de lá com os filhos, e depois acabávamos vindo para o Rio ou para São Paulo, como muitos na época. O Rio era a cidade da família do meu avô materno, que se casou com uma mato-grossense. Meu avô paterno veio do Líbano, trazendo aos poucos pais e irmãos, e se casou com uma paraguaia.

Hoje, digo que nasci em Macondo, o povoado de “Cem Anos de Solidão” (de Gabriel Garcia Márquez), porque a Campo Grande/Mato Grosso onde nasci só existe no nosso imaginário e nas páginas da história. A divisão do Estado a “transferiu” para Mato Grosso do Sul e transformou-a em capital.

Desde o início da minha adolescência queria fazer Psicologia, que fiz na Universidade Santa Úrsula (RJ). Depois de formada, continuei morando no Rio: trabalhava no consultório, estagiava em instituições psiquiátricas, atuava na Associação dos Psicólogos e outras atividades. Assim que me formei, fui contratada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) para dar aulas de fotografia em seu Colégio de Aplicação. 

Dali a alguns anos, comecei o mestrado em Psicologia Clínica da PUC do Rio, enfim a vida profissional seguia seu curso. E o tique-taque do relógio biológico começou a soar alto, como em geral acontece com as mulheres, empurrando-as para uma decisão: ter ou não filhos? Quando minha filha nasceu, eu já tinha concluído todos os créditos do mestrado, restando apenas a dissertação.

Meus pais continuavam em Campo Grande e eu tinha que me virar sem eles. O jeito foi me equilibrar em um arranjo precário, com o consultório na Casa de Saúde da Família e contando com minhas tias para cuidar da Julia enquanto eu trabalhava. 

Acabei me mudando para Campo Grande como única maneira de seguir minha carreira profissional e, ao mesmo tempo, cuidar da minha filha. Meu consolo era proporcionar aos meus pais e à minha filha, única neta, a alegria do convívio. Eles me deram um apoio irrestrito e imprescindível para eu recomeçar do zero minha vida profissional.

De novo, meu primeiro convite de trabalho veio para um projeto da prefeitura na área da fotografia: fotografar as festas da Tia Eva. Logo o convite para a direção em um órgão do Estado, que recusei: exigência de tempo integral com uma remuneração que não compensava o desistir de criar a Julia. Além de ser uma atividade administrativa que me afastaria da psicologia. Não demorou muito e recebi um telefonema da Fucmat (futura UCDB) me convidando para dar aulas em uma pós-graduação; eu era a única psicóloga com o título de mestre na cidade. 

Depois, fui aprovada no concurso para dar aulas na graduação. Meu pai me ofereceu um consultório na Clínica Campo Grande para eu recomeçar minha clínica. Seis meses depois que meu filho nasceu, fui aprovada no concurso da UFMS, onde trabalhei em regime de dedicação exclusiva até ser aposentada a contragosto por uma lesão nas cordas vocais.

Julia já tinha voltado para o Rio e parte do mês eu ficava com ela, reencontrando velhos amigos e colegas, fazendo outros e abrindo novas frentes de trabalho. O Adriano veio depois, durante alguns anos eu ia a Campo Grande dois dias na semana, até me fixar definitivamente aqui no Rio.
 
Você tem vários livros publicados. A pandemia chegou interrompendo o circuito de lançamento da segunda edição, atualizada e ampliada, do seu “Déspotas Mirins – O Poder nas Novas Famílias”, um livro muito interessante, que aborda um tema cada vez mais relevante na sociedade atual, que é a dinâmica do poder dentro das famílias contemporâneas, especialmente em relação às crianças e aos adolescentes, que muitas vezes acabam assumindo um papel de autoridade em relação aos seus pais. Pode nos contar um pouco mais sobre isso?

Este livro foi a minha pesquisa de pós-doutorado em Psicologia Clínica na PUC-SP, sob a supervisão do Renato Mezan. O título original era “Édipo Tirano: O Feminino e o Poder nas Novas Famílias”, que é uma abordagem mais ampla, eu diria, da dinâmica do poder nas famílias atuais. A questão é a seguinte: havia (e nem sei se isso mudou) um consenso bem sólido que afirmava que as crianças estariam “sem limites” por causa do “declínio do poder paterno”. 

Em outros termos, o enfraquecimento (alguns falam em “queda”, o que é um equívoco, ele continua) do patriarcado teria dado lugar a um “matriarcado moderno”. Muitos psicanalistas escreveram que esse “poder da mãe” teria consequências extremamente graves para os filhos e que era preciso que o pai intercedesse para cortar as asinhas dessa usurpadora. 

Ora, essa conclusão entra em choque com a história da criança e da família, conforme mostro no livro. Os abalos sofridos pela família tradicional ou patriarcal no século passado não culminaram no poder da mulher: o poder do patriarca foi deslocado para a criança, para o filho, e por isso cunhei o termo “pedocracia”. Esta é a dinâmica do poder instituída das famílias do nosso século vinte e um. 

Dando um passo adiante, se o filho é o tirano da família (“tirano” entendido em suas origens gregas, conforme explico no livro) e se o ser encarregado de seus cuidados desde o nascimento tem um gênero, o feminino, a mulher está longe de ser essa poderosa tal como aparece nas críticas psicanalíticas. Ela continua sendo submetida a um poder que não é diretamente do homem (embora o seja indiretamente), mas da criança, cujas exigências crescentes feitas à maternidade nos últimos duzentos anos cabem a ela e somente a ela satisfazer. 
 
Isso é o que você vai desenvolver mais em “Os Filhos da Mãe”?

Desde o título, né? “Os Filhos da Mãe – Como Viver a Maternidade sem Culpa e sem o Mito da Perfeição”. Faço uma análise psicanalítica e histórica dessa idealização da mãe em nossa cultura e o preço que nós, mulheres, pagamos para ser essas santas devotadas às nossas crias e, depois como avós, às crias das nossas crias. De um lado, a beatificação da mãe, de outro, a idolatria da criança como uma divindade, ou infantolatria. 

Parece óbvio, mas eu tenho que lembrar isso às pessoas, e vira e mexe o faço de novo nas minhas redes, repetindo que a mãe também é gente. Mesmo com essa desmistificação explicada, contextualizada na história das mulheres, da maternidade, da criança e da família, uma escuta aberta (sem militância), como podemos ter no consultório, revela a dor e a frequência da culpa materna. Se você se dá ou se não se dá, a culpa é onipresente. Só pode ser confrontada por um trabalho pessoal e intransferível, como é o trabalho terapêutico. 
 
Apesar desse poder da terapia e da sua formação ter sido toda na área clínica, você também trabalha intensamente com a educação e a sociedade. Tanto que seu primeiro livro é “Psicanálise e Educação: Laços Refeitos”, e a linha de pesquisa que você criou na UFMS é Psicanálise e Cultura.

Freud escreveu que a Psicanálise não é só uma terapia; ela é também um método de investigação e uma teoria. Por outro lado, dedicou um espaço importantíssimo na criação da psicanálise ao que ficou conhecido como “psicanálise aplicada”, e que outros preferem chamar de “psicanálise implicada” ou “psicanálise extramuros”. Freud também escreveu que a psicologia do indivíduo é, desde sempre, psicologia social. “Psicanálise e Educação: Laços Refeitos” é minha tese de doutorado, orientada por Renato Mezan no Programa de Psicologia Clínica da PUC-SP. 

Como é o processo que transforma este ser que nasce em um humano, pertencente a uma cultura, um ser da cultura? As teorias psicanalíticas têm suas divergências, embora a ideia geral permaneça ao longo da história: o indivíduo é inserido na cultura pela repressão de suas pulsões (individuais) em benefício da sociedade. Nesse livro mostro, com outros analistas, os limites dessa concepção das origens do nosso psiquismo.
 
Para terminar, você poderia dizer aos leitores o que anda fazendo, como podem adquirir os seus livros e entrar em contato com você para sessões e encontros on-line, orientações?

Desde a pandemia permaneci no trabalho remoto, que me permite atender à demanda que chega de vários lugares do País e de fora do País. É uma demanda que varia desde atendimentos terapêuticos, de orientação, de grupos de estudos, seminários sobre temas escolhidos pelas pessoas, discussões individuais ou em grupo sobre um ou outro dos meus livros, entrevistas, enfim, tudo o que habitualmente fazemos na vida presencial. 

Graças a essa via remota, a prof.ª dr.ª Maria Adélia Menegazzo e eu pudemos finalmente realizar o sonho antigo, e tantas vezes reiterado, de minha participação na Feira Literária de Bonito, coordenada por ela. As pessoas podem entrar no meu site e mandar um e-mail na aba Contato (marcianeder.com.br) ou mandar direto um e-mail para [email protected], inclusive para os livros, especialmente o “Déspotas Mirins – O Poder nas Novas Famílias”. Aliás, isso sempre aconteceu, bem antes da pandemia, assim podemos trocar telefones e conversar sobre o que estão buscando e como podemos fazer. Instagram: @marcia_neder. Facebook: Marcia Neder.

COMEMORAÇÃO 100 ANOS

Ex-alunas revivem memórias no centenário do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora

Celebração em Campo Grande reuniu antigas estudantes, professoras e integrantes da comunidade salesiana em uma tarde marcada por lembranças e reencontros

14/09/2026 08h30

Ex-alunas integrantes da União Maria Auxiliadora; à frente na imagem, a delegada da organização, irmã Othilia

Ex-alunas integrantes da União Maria Auxiliadora; à frente na imagem, a delegada da organização, irmã Othilia Mariana Piell/Correio do Estado

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Há lugares que deixam de ser apenas espaços físicos e passam a fazer parte da memória de quem passou por eles. No Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, em Campo Grande, essa relação atravessa gerações.

Este ano, quando a instituição completa 100 anos, antigas alunas voltaram à escola para rever colegas, professores e religiosas e compartilhar histórias que, décadas depois, continuam ligadas aos corredores, às salas de aula e às pessoas que fizeram parte de suas trajetórias.

A comemoração do centenário e do Dia das Ex-Alunas foi realizada no sábado, na própria escola, localizada na Rua Pedro Celestino. A programação reuniu integrantes de diferentes gerações da comunidade salesiana e teve como um dos principais elementos o reencontro entre mulheres que estudaram juntas há décadas.

Entre elas estava Anete Barbosa Martins, que viveu diferentes momentos da história do Auxiliadora: primeiro como aluna e, anos depois, como professora. Ela chegou à escola ainda criança, depois de insistir com o pai para estudar no chamado “colégio das irmãs”.

“Eu quero estudar no colégio de Maria”, lembra Anete sobre o que dizia ao pai. Na época, segundo ela, a escola ficava relativamente distante de sua casa, embora hoje a região seja considerada bastante próxima. Ela havia começado os estudos em outro colégio, mas o desejo de estudar no Auxiliadora permaneceu.

A mudança aconteceu quando estava no terceiro ano. Anete estudou na instituição até concluir sua formação e, posteriormente, voltou como professora. Entre 1980 e 1993, lecionou Português. A relação com a escola, portanto, não terminou com a saída da estudante, mas transformou-se em uma nova experiência profissional.

Mas foi principalmente a amizade construída durante os anos de estudo que permaneceu ao longo do tempo. Anete conta que sua turma de ginásio e magistério continua mantendo contato mais de cinco décadas depois.

O grupo enfrentou mudanças, casamentos, profissões diferentes, perdas e distâncias geográficas, mas continuou se encontrando. Algumas colegas seguiram carreira na Medicina, Odontologia, Geografia e Letras.

Outras permaneceram ligadas à educação. Uma delas se mudou para a Suécia e, em 2024, recebeu seis das antigas colegas para uma viagem pela Europa.

O encontro foi também uma maneira de recuperar os anos que haviam passado sem que todas se vissem. “Uma alegria quando a gente se encontra. Damos risada, contamos histórias”, relata Anete.

A viagem passou por Dinamarca, Noruega e Suécia. Na última etapa, o grupo reencontrou a colega que vivia no país europeu. Para Anete, a experiência mostrou que a distância não havia sido suficiente para romper o vínculo criado na juventude.

“Crescemos aqui juntas, nesse pátio”, resume.

DE ALUNA A PROFESSORA

As trajetórias profissionais das antigas colegas seguiram caminhos distintos, mas a amizade permaneceu como um ponto em comum. Anete conta que algumas chegaram a trabalhar na própria escola, enquanto outras construíram carreiras em diferentes áreas.

Ela teve uma trajetória marcada pela educação, embora não tenha imaginado inicialmente que esse seria o caminho. O magistério foi escolhido em uma época em que o casamento parecia ser o destino esperado para muitas mulheres.

A vida, porém, tomou outros rumos. Depois de se casar e ter filhos, Anete acabou retornando à sala de aula.

Quando começou a trabalhar como professora, encontrou uma escola diferente daquela em que havia estudado, mas reconheceu nela uma característica que considerava fundamental: a proximidade entre educadores e estudantes.

“Você não é professor só aqui. Entendeu? Você é amigo. Você aconselha”, afirma.

A experiência como mãe também ajudava na relação com as alunas e vice-versa. Segundo Anete, ela conseguia estabelecer uma troca entre o que vivenciava com a filha e as situações que as estudantes levavam para a escola.

“Eu ouvia as meninas e trazia como experiência. E ia de lá para cá, e a gente trocava”, relata.

Para ela, esse sentimento de pertencimento ajuda a explicar a força dos vínculos que permanecem entre as ex-alunas. O colégio, em sua lembrança, não era apenas um local para estudar, mas um ambiente de convivência e formação.

“É família”, resume.

DIFERENTES GERAÇÕES

Durante a celebração, a diretora do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, irmã Márcia, destacou justamente essa dimensão de continuidade. Na acolhida às ex-alunas, ela afirmou que a instituição chega aos 100 anos carregando as marcas deixadas por diferentes gerações.

“Muitas gerações que passaram por aqui, que fizeram história, deixaram suas marcas e certamente levaram muitas marcas para suas vidas, para os seus trabalhos, para as suas famílias”, disse.

A diretora também ressaltou o caráter salesiano da instituição e a participação das ex-alunas na construção dessa história. Para ela, o vínculo com a escola não termina quando o estudante deixa os bancos escolares.

“O carisma salesiano, ele não é só das irmãs, dos padres. Ele é de vocês também”, afirmou.

A tarde foi organizada como uma confraternização, mas também como uma oportunidade de recuperar a memória da instituição. Antigas estudantes que não se encontravam havia décadas voltaram ao espaço onde viveram parte da infância e da juventude.

O reencontro também foi marcado pela presença da União Maria Auxiliadora, grupo de ex-alunas que mantém atividades ligadas ao colégio e ações sociais em Campo Grande.

IRMANDADE

Durante a programação, a história da associação das ex-alunas também foi apresentada ao público pela delegada da organização, a irmã Othilia. A união teve origem no dia 19 de março de 1908, na casa das Filhas de Maria Auxiliadora, em Turim, na Itália, a partir da iniciativa de Dom Felipe Rinaldi e da irmã Catarina Riggi.

O movimento surgiu a partir da convivência das antigas estudantes e oratorianas e, desde os primeiros anos, passou a desenvolver ações de solidariedade. A associação cresceu e se espalhou por diferentes lugares, mantendo como princípios a formação e a solidariedade social.

Em Campo Grande, a história da organização passou por diferentes momentos. Segundo o relato apresentado durante a comemoração, a associação local teve períodos de maior e menor atividade, sendo fortemente marcada pela atuação de religiosas que acompanhavam as ex-alunas.

Uma dessas figuras foi a irmã Bartira Constança Gardês, lembrada pela irmã Othilia como uma presença importante para a manutenção do grupo durante anos. Sua morte, em 1994, representou uma ruptura para muitas das integrantes, principalmente pela relação de proximidade que havia construído com elas.

“Era aquela que era amiga, irmã, aquela que tinha tempo de escutá-las, acompanhar os seus problemas, a sua vida particular”, pontuou a irmã.

Depois de um período de dispersão, o grupo foi reorganizado. No dia 24 de março de 2001, após uma missa na capela do colégio, antigas integrantes da federação e novas participantes se reuniram para retomar a associação.

A atuação ganhou novamente um caráter social. As ex-alunas passaram a organizar ações voltadas a famílias em situação de vulnerabilidade, além de atividades em abrigos e creches.

CARISMA SALESIANO

Entre os relatos mais marcantes da tarde esteve o da irmã Maria Nilda Cavalcanti Rangel, ex-diretora e ex-aluna da instituição. Sua história com o Auxiliadora começou ainda na infância.

Ela entrou na escola entre os 7 anos e 8 anos de idade e permaneceu como interna durante boa parte de sua formação escolar.

Foi também dentro da escola que sentiu o chamado para se tornar serva do Senhor. No entanto, ao contar seu desejo à mãe no dia de sua formatura no oitavo ano, a viu ficar furiosa. Na tentativa de que a fizesse desistir da ideia, a mãe a mandou estudar fora, longe de qualquer contato com as freiras.

Ela foi, mas depois de concluir parte dos estudos fora de Campo Grande, Nilda decidiu retornar ao Auxiliadora com o objetivo de seguir a vida religiosa, convicta. O pai apoiou a decisão, mesmo diante da resistência inicial da mãe.

De volta à cidade, completou sua formação e posteriormente assumiu funções na educação. Para ela, a escola foi fundamental para a construção de sua trajetória.

“Eu sou fruto do carisma Salesiano. Eu sou fruto daquelas irmãs que trabalharam aqui no Auxiliadora com muito sacrifício”, afirmou.

A ex-aluna também relacionou sua formação às transformações políticas e administrativas de Mato Grosso do Sul. Ela participou de diferentes momentos ligados à criação do novo Estado e posteriormente permaneceu por 18 anos em atividades relacionadas à administração pública.

Ao recordar sua trajetória, destacou o papel de outras antigas estudantes que também ocuparam posições de destaque em diferentes áreas.

“Nós temos muitas ex-alunas expoentes nesses estados. Então, a gente deve louvar e agradecer a Deus por isso”, defendeu.

felpuda

Como acontece em toda eleição, esta também não foge à regra... Leia na coluna de hoje

Confira a Coluna Diálogo desta segunda-feira (14)

14/09/2026 00h01

Coluna Diálogo

Coluna Diálogo ARQUIVO/CORREIO DO ESTADO

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Gamal Abdel Nasser - Político Egípcio

"Construir fábricas é fácil, fazer hospitais e escolas é possível, mas formar uma nação de homens é tarefa longa e árdua”

FELPUDA

Como acontece em toda eleição, esta também não foge à regra quando o assunto é traição política. Há exemplos para todos os gostos, numa demonstração de que fidelidade anda tão escassa que já deveria vir com receita médica. De um lado, alianças são celebradas com pompa; de outro, rompimentos surgem antes mesmo de a fotografia oficial amarelar. Na política, o problema é que a pedra costuma vir embrulhada em discurso de “coerência”. E, quando a eleição termina, muitos descobrem que amizade política tem prazo de validade. Até a próxima urna, é claro.

Coluna Diálogo

MAIOR

Os números dessa triste estatística explicam a importância do Setembro Amarelo, campanha de prevenção ao suicídio que ganhou força em MS a partir de iniciativa da Assembleia Legislativa. Dados da Sejusp apontam 243 mortes por suicídio no Estado, de janeiro a agosto.

 MAIS

Outras sete pessoas tiraram a própria vida na primeira semana de setembro. Homens representam maioria dos casos, com 189 mortes, contra 54 mulheres. Até agosto, o número é o maior para o período desde 2016 e supera, inclusive, as 232 mortes registradas no trânsito.

Coluna DiálogoTheresa Hilcar e Carolina Freire de BArros. Foto: Arquivo Pessoal

 

Coluna DiálogoDra. Helena Rescaroli. Foto: Arquivo Pessoal

GANGORRA

Quanto mais se aproxima a reta final da campanha eleitoral, mais Mato Grosso do Sul parece viver verdadeira gangorra de números sobre o desempenho dos candidatos ao governo e ao Senado. Pesquisas aparecem em sequência, oferecendo porcentuais para todos os gostos e interpretações. Há números que alimentam a esperança de uma decisão já no primeiro turno. Outros, porém, mantêm acesa a expectativa de disputa em segundo turno. No meio político, a matemática eleitoral já virou assunto obrigatório das conversas.

EU OU ELE?

O deputado federal Vander Loubet (PT) e o ex-deputado Capitão Contar (PL) voltaram ao centro da disputa entre a esquerda e a direita conservadora em MS. Os dois são candidatos ao Senado, numa eleição que promete ser bastante acirrada. Por enquanto, o melhor é não arriscar prognósticos, dizem políticos mais antenados, pois muita água ainda vai passar debaixo da ponte.

ALÉM...

A batalha por um mandato nas eleições deste ano tem, para alguns candidatos, objetivo que vai além da cadeira que estará em disputa. O alvo, em certos casos, é o comando do Paço Municipal em 2029. A previsão entre políticos é de que a próxima sucessão em Campo Grande não tenha um nome naturalmente favorito. Com isso, a tendência é de disputa que promete. A chamada briga de foice já começa a ser desenhada nos bastidores. Quem viver, verá!

ANIVERSARIANTES

  • Dr. Sérgio Augusto Maksoud,
  • Dra. Isabella Barreto,
  • Sônia Aparecida Queiroz Meireles,
  • Mirian Comparin Correa,
  • Tiago Quintanilha Nogueira,
  • Armando Abdalla,
  • Rafael Barros Dos Santos Sinzato,
  • Cláudio Alves Afonso,
  • Laureane De Queiroz Schimidt,
  • Dr. João Argeu De Almeida E Silva,
  • Severino Vital Dos Santos,
  • Waldemir Leal Pael,
  • Evandro Cardoso Lourenço,
  • Pedro Luiz Da Silva,
  • Elziane Carvalho,
  • Ivo Antonio Armstrong,
  • Helena Calgaro De Oliveira,
  • Stéphanie Guedes Carvalho,
  • Luana Ferreira,
  • Kassio Rafael De Albuquerque,
  • Jorge Luiz Curado Siufi,
  • Alberto Luiz Sãoveso,
  • Altiva Costa Brum,
  • Jaime Elias Verruck,
  • Marly Arakaki,
  • Catherine Prappas,
  • Douglas Avedikian,
  • Tatiana Arguelho,
  • Obadias De Lana,
  • Everton Mello Romero,
  • Maria De Lourdes De Oliveira Gonçalves,
  • Emerson Edward Giacomini,
  • Maria Ines Domingues Castilho,
  • Noide Pache Farias,
  • Nilson De Barros,
  • Laura Denise Dias Alfonso,
  • Elpídio José Roque De Carvalho,
  • Dr. Luciano Dos Santos Mendes,
  • Carlos Alberto Sanematsu,
  • Luis Carlos Sanematsu,
  • Nilo Sérgio Laureano Leme,
  • Paula Rigo,
  • José Pinheiro Saraiva,
  • Lourdes Pereira,
  • João Roque Bozoli
  • Maria Fernanda (Fefê) Assis
  • Daros Dorileo,
  • Dr. Pedro Tutomu Hattori,
  • Dr. Eraldo Cerullo,
  • Amadeu Menna Gonçalves,
  • Setsuyo Tamai,
  • Darcy Ferreira De Mello,
  • Flávio Lechuga Capriata,
  • Rosângela Kabad,
  • Ruy Vaz De Oliveira,
  • Louirson Rogério Dos Santos,
  • Paulo Eduardo Limberger,
  • João Bosco Raineri Azevedo,
  • Moara Souto Vieira,
  • Cornélio Amarilha,
  • Laudelino Bezerra Da Silva,
  • Jovenilio Barbosa De Souza,
  • Adelina Cintra Pereira,
  • Itamar Godoy Rocha,
  • Nelson Francisco De Oliveira,
  • Ieda Lubas,
  • Cleidinaldo Dutra De Castro,
  • Agnaldo Pereira Da Costa,
  • Humberto Abdul Ahad,
  • Gabriel Souza Dos Santos,
  • Saldanha Lacerda Ramos,
  • Jaice Da Silva Oliveira Vicari,
  • Eduardo Grande Da Cunha,
  • Eraldo Anacleto Xavier De Almeida,
  • Grace Kelly Dos Santos,
  • Alice Pereira Tiago,
  • Marcel Assunção Barboza,
  • Valdir Miguel Hech,
  • Alexandre Chadid Warpechowski,
  • Cezária Mendes Forner,
  • Sônia Regina Mendes Dos Reis,
  • Admir Edi Corrêa Carvalho,
  • Marcelo Silva Alves Branco,
  • José Carlos Lopes Da Silva,
  • Alessandra Saltarelle Moreira,
  • Sônia Regina Alves Da Rocha,
  • Robson Simões De Almeida,
  • Ângela Mara Ferreira Dos Santos,
  • Eliana Martins Mariotti,
  • José Demétrio De Souza,
  • Eduardo Molinari,
  • Nidal Abdul,
  • Benoni Martins Carrijo,
  • Eduardo De Oliveira Cavalcanti,
  • João José Pedroso Lopes,
  • Elias Fraiha,
  • Dulcineri Aparecida Bosco Lamers,
  • Ivete Ota Miyasato,
  • Alexandre Cardoso Fernandes,
  • Elso Faria Pereira,
  • Alberto Pereira Bitencourt,
  • Fábio Julio De Souza,
  • Larissa Oliveira Da Silva,
  • Thiago De Araújo Garcia,
  • Patricia Stranieri,
  • Leandro Cara Artioli,
  • Ana Paula Barbosa Dos Santos,
  • Maria Eloir Macena Bezerra,
  • Maurício Sarto,
  • Adenam Kadri Júnior,
  • Thauana Coderitch De Matos.

 COLABOROU TATYANE GAMEIRO

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