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entrevista

Marcia Neder analisa o poder dado aos filhos, que se tornaram "os donos" dentro de casa

Marcia Neder dá sequência a seus estudos da dinâmica familiar e analisa o poder dado aos filhos, que se tornaram "os donos" dentro de casa

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Marcia Neder é psicanalista, com pós-doutorado e doutorado em Psicologia Clínica pela PUC-SP e mestrado em Psicologia Clínica pela PUC-RJ. É autora de vários livros, capítulos de livros e artigos. Professora adjunta (aposentada) e pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), onde criou e coordenou a linha de pesquisa Psicanálise e Cultura, e do Núcleo de Pesquisa em Psicanálise e Educação da USP (Nuppe-USP). 

Criadora de um blog (Amores Gozados) e do grupo de supervisão para professores e profissionais da educação na creche Favinho e Mel, no Rio de Janeiro, A escola no divã. É membro do conselho científico-consultor ad hoc da Revista Percurso de Psicanálise, do Instituto Sedes Sapientiae, do conselho editorial da Revista Insight Inteligência, assessora ad hoc da Fapesp e palestrante da Casa do Saber (RJ).

 Seus últimos livros publicados são “Os Filhos da Mãe – Como Viver a Maternidade sem Culpa e sem o Mito da Perfeição” e “Déspotas Mirins – O Poder nas Novas Famílias”, que estava esgotado e ganhou uma segunda edição atualizada e ampliada para celebrar os 10 anos de seu lançamento. 

Voltados para o público em geral, e não só para profissionais, seus livros conquistaram aceitação e relevância, com destaque para a atualidade dos temas e para a clareza e a profundidade da análise. Sua repercussão pode ser conferida nas entrevistas e nas participações em programas nacionais no seu site: marcianeder.com.br. 

MARCIA NEDER - PERFIL

Marcia Neder é psicanalista, com pós-doutorado e doutorado em Psicologia Clínica pela PUC-SP e mestrado em Psicologia Clínica pela PUC-RJ.

É autora de vários livros, capítulos de livros e artigos. Professora adjunta (aposentada) e pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), onde criou e coordenou a linha de pesquisa Psicanálise e Cultura, e do Núcleo de Pesquisa em Psicanálise e Educação da USP (Nuppe-USP).

Criadora do blog Amores Gozados e do grupo de supervisão para professores e profissionais da educação na creche Favinho e Mel, no Rio de Janeiro, A escola no divã. É membro do conselho científico-consultor ad hoc da Revista Percurso de Psicanálise, do Instituto Sedes Sapientiae, do conselho editorial da Revista Insight Inteligência, assessora ad hoc da Fapesp e palestrante da Casa do Saber (RJ).
 
É um prazer entrevistá-la e compartilhar suas ideias com nossos leitores. Qual a sua relação com Campo Grande?

Nasci em Campo Grande, onde vivi minha infância e início da adolescência em uma família gigantesca, com muitos irmãos e primos. Uma família grande e meio nômade, com irmãos dos meus pais que se mudaram para lá ou de lá com os filhos, e depois acabávamos vindo para o Rio ou para São Paulo, como muitos na época. O Rio era a cidade da família do meu avô materno, que se casou com uma mato-grossense. Meu avô paterno veio do Líbano, trazendo aos poucos pais e irmãos, e se casou com uma paraguaia.

Hoje, digo que nasci em Macondo, o povoado de “Cem Anos de Solidão” (de Gabriel Garcia Márquez), porque a Campo Grande/Mato Grosso onde nasci só existe no nosso imaginário e nas páginas da história. A divisão do Estado a “transferiu” para Mato Grosso do Sul e transformou-a em capital.

Desde o início da minha adolescência queria fazer Psicologia, que fiz na Universidade Santa Úrsula (RJ). Depois de formada, continuei morando no Rio: trabalhava no consultório, estagiava em instituições psiquiátricas, atuava na Associação dos Psicólogos e outras atividades. Assim que me formei, fui contratada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) para dar aulas de fotografia em seu Colégio de Aplicação. 

Dali a alguns anos, comecei o mestrado em Psicologia Clínica da PUC do Rio, enfim a vida profissional seguia seu curso. E o tique-taque do relógio biológico começou a soar alto, como em geral acontece com as mulheres, empurrando-as para uma decisão: ter ou não filhos? Quando minha filha nasceu, eu já tinha concluído todos os créditos do mestrado, restando apenas a dissertação.

Meus pais continuavam em Campo Grande e eu tinha que me virar sem eles. O jeito foi me equilibrar em um arranjo precário, com o consultório na Casa de Saúde da Família e contando com minhas tias para cuidar da Julia enquanto eu trabalhava. 

Acabei me mudando para Campo Grande como única maneira de seguir minha carreira profissional e, ao mesmo tempo, cuidar da minha filha. Meu consolo era proporcionar aos meus pais e à minha filha, única neta, a alegria do convívio. Eles me deram um apoio irrestrito e imprescindível para eu recomeçar do zero minha vida profissional.

De novo, meu primeiro convite de trabalho veio para um projeto da prefeitura na área da fotografia: fotografar as festas da Tia Eva. Logo o convite para a direção em um órgão do Estado, que recusei: exigência de tempo integral com uma remuneração que não compensava o desistir de criar a Julia. Além de ser uma atividade administrativa que me afastaria da psicologia. Não demorou muito e recebi um telefonema da Fucmat (futura UCDB) me convidando para dar aulas em uma pós-graduação; eu era a única psicóloga com o título de mestre na cidade. 

Depois, fui aprovada no concurso para dar aulas na graduação. Meu pai me ofereceu um consultório na Clínica Campo Grande para eu recomeçar minha clínica. Seis meses depois que meu filho nasceu, fui aprovada no concurso da UFMS, onde trabalhei em regime de dedicação exclusiva até ser aposentada a contragosto por uma lesão nas cordas vocais.

Julia já tinha voltado para o Rio e parte do mês eu ficava com ela, reencontrando velhos amigos e colegas, fazendo outros e abrindo novas frentes de trabalho. O Adriano veio depois, durante alguns anos eu ia a Campo Grande dois dias na semana, até me fixar definitivamente aqui no Rio.
 
Você tem vários livros publicados. A pandemia chegou interrompendo o circuito de lançamento da segunda edição, atualizada e ampliada, do seu “Déspotas Mirins – O Poder nas Novas Famílias”, um livro muito interessante, que aborda um tema cada vez mais relevante na sociedade atual, que é a dinâmica do poder dentro das famílias contemporâneas, especialmente em relação às crianças e aos adolescentes, que muitas vezes acabam assumindo um papel de autoridade em relação aos seus pais. Pode nos contar um pouco mais sobre isso?

Este livro foi a minha pesquisa de pós-doutorado em Psicologia Clínica na PUC-SP, sob a supervisão do Renato Mezan. O título original era “Édipo Tirano: O Feminino e o Poder nas Novas Famílias”, que é uma abordagem mais ampla, eu diria, da dinâmica do poder nas famílias atuais. A questão é a seguinte: havia (e nem sei se isso mudou) um consenso bem sólido que afirmava que as crianças estariam “sem limites” por causa do “declínio do poder paterno”. 

Em outros termos, o enfraquecimento (alguns falam em “queda”, o que é um equívoco, ele continua) do patriarcado teria dado lugar a um “matriarcado moderno”. Muitos psicanalistas escreveram que esse “poder da mãe” teria consequências extremamente graves para os filhos e que era preciso que o pai intercedesse para cortar as asinhas dessa usurpadora. 

Ora, essa conclusão entra em choque com a história da criança e da família, conforme mostro no livro. Os abalos sofridos pela família tradicional ou patriarcal no século passado não culminaram no poder da mulher: o poder do patriarca foi deslocado para a criança, para o filho, e por isso cunhei o termo “pedocracia”. Esta é a dinâmica do poder instituída das famílias do nosso século vinte e um. 

Dando um passo adiante, se o filho é o tirano da família (“tirano” entendido em suas origens gregas, conforme explico no livro) e se o ser encarregado de seus cuidados desde o nascimento tem um gênero, o feminino, a mulher está longe de ser essa poderosa tal como aparece nas críticas psicanalíticas. Ela continua sendo submetida a um poder que não é diretamente do homem (embora o seja indiretamente), mas da criança, cujas exigências crescentes feitas à maternidade nos últimos duzentos anos cabem a ela e somente a ela satisfazer. 
 
Isso é o que você vai desenvolver mais em “Os Filhos da Mãe”?

Desde o título, né? “Os Filhos da Mãe – Como Viver a Maternidade sem Culpa e sem o Mito da Perfeição”. Faço uma análise psicanalítica e histórica dessa idealização da mãe em nossa cultura e o preço que nós, mulheres, pagamos para ser essas santas devotadas às nossas crias e, depois como avós, às crias das nossas crias. De um lado, a beatificação da mãe, de outro, a idolatria da criança como uma divindade, ou infantolatria. 

Parece óbvio, mas eu tenho que lembrar isso às pessoas, e vira e mexe o faço de novo nas minhas redes, repetindo que a mãe também é gente. Mesmo com essa desmistificação explicada, contextualizada na história das mulheres, da maternidade, da criança e da família, uma escuta aberta (sem militância), como podemos ter no consultório, revela a dor e a frequência da culpa materna. Se você se dá ou se não se dá, a culpa é onipresente. Só pode ser confrontada por um trabalho pessoal e intransferível, como é o trabalho terapêutico. 
 
Apesar desse poder da terapia e da sua formação ter sido toda na área clínica, você também trabalha intensamente com a educação e a sociedade. Tanto que seu primeiro livro é “Psicanálise e Educação: Laços Refeitos”, e a linha de pesquisa que você criou na UFMS é Psicanálise e Cultura.

Freud escreveu que a Psicanálise não é só uma terapia; ela é também um método de investigação e uma teoria. Por outro lado, dedicou um espaço importantíssimo na criação da psicanálise ao que ficou conhecido como “psicanálise aplicada”, e que outros preferem chamar de “psicanálise implicada” ou “psicanálise extramuros”. Freud também escreveu que a psicologia do indivíduo é, desde sempre, psicologia social. “Psicanálise e Educação: Laços Refeitos” é minha tese de doutorado, orientada por Renato Mezan no Programa de Psicologia Clínica da PUC-SP. 

Como é o processo que transforma este ser que nasce em um humano, pertencente a uma cultura, um ser da cultura? As teorias psicanalíticas têm suas divergências, embora a ideia geral permaneça ao longo da história: o indivíduo é inserido na cultura pela repressão de suas pulsões (individuais) em benefício da sociedade. Nesse livro mostro, com outros analistas, os limites dessa concepção das origens do nosso psiquismo.
 
Para terminar, você poderia dizer aos leitores o que anda fazendo, como podem adquirir os seus livros e entrar em contato com você para sessões e encontros on-line, orientações?

Desde a pandemia permaneci no trabalho remoto, que me permite atender à demanda que chega de vários lugares do País e de fora do País. É uma demanda que varia desde atendimentos terapêuticos, de orientação, de grupos de estudos, seminários sobre temas escolhidos pelas pessoas, discussões individuais ou em grupo sobre um ou outro dos meus livros, entrevistas, enfim, tudo o que habitualmente fazemos na vida presencial. 

Graças a essa via remota, a prof.ª dr.ª Maria Adélia Menegazzo e eu pudemos finalmente realizar o sonho antigo, e tantas vezes reiterado, de minha participação na Feira Literária de Bonito, coordenada por ela. As pessoas podem entrar no meu site e mandar um e-mail na aba Contato (marcianeder.com.br) ou mandar direto um e-mail para [email protected], inclusive para os livros, especialmente o “Déspotas Mirins – O Poder nas Novas Famílias”. Aliás, isso sempre aconteceu, bem antes da pandemia, assim podemos trocar telefones e conversar sobre o que estão buscando e como podemos fazer. Instagram: @marcia_neder. Facebook: Marcia Neder.

Diálogo

A campanha eleitoral de 2026 está a todo vapor lá pelas bandas da... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta terça-feira (22)

22/09/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Bráulio Bessa - Escritor brasileiro

"Recomece! Se refaça! Relembre o que foi bom. E se um dia lá na frente, a vida der uma ré, recupere a sua fé, e recomece novamente”.

FELPUDA 

A campanha eleitoral de 2026 está a todo vapor lá pelas bandas da Prefeitura Municipal de Campo Grande. Mas engana-se quem pensar que funcionários com cargos comissionados estão engajados nas eleições para presidente, governador, senador ou deputado federal. O foco mesmo é na eleição de candidato a uma cadeira para chamar de sua na Assembleia de MS. Não se sabe se a adesão é voluntária ou “por livre e espontânea pressão”, mas os servidores mergulharam de cabeça. Como diria vovó: “O que não se faz para manter a amizade...”.

Livres

Está vigorando desde o último sábado, a proibição da prisão de candidatos que disputam eleições deste ano. A determinação vai até 48h após o encerramento da votação do primeiro turno.

Mais

A prisão ou detenção dos candidatos, durante o período da vigência da medida, que vai até o dia 6 de outubro, só poderá ocorrer em casos de flagrante delito.

DiálogoFoto: Divulgação/Sesc

Nesta quinta-feira (24), às 19h, será realizado o show do Trimanos Brasil, formado pelos irmãos paraenses Gleydson, Yvison e Lohan. A jovem banda vem ampliando sua projeção nacional e acumula milhões de visualizações e seguidores nas redes sociais. Parte dessa conexão com o público está na releitura de músicas conhecidas , interpretadas a partir da identidade musical construída pelos trio. A apresentação acontecerá no Sesc Teatro Prosa. Os ingressos são gratuitos e estão disponíveis pelo Sympla.

DiálogoDra. Maria Auxiliadora Budib - Foto: Studio Vollkopf

 

DiálogoMarcella Zorzo - Foto: Arquivo pessoal

Nem aí...

Na reta final da campanha eleitoral, os plenários da Câmara Municipal de Campo Grande e da Assembleia Legislativa de MS deverão ficar esvaziados, na medida em que os candidatos correm contra o tempo em busca dos votos dos indecisos. Como se a Capital não estivesse em estado de emergência e, portanto, não precisasse de atenção redobrada neste momento.

Em campanha

A tal força-tarefa anunciada em alto e bom som 24 horas após o temporal parece não ter decolado como o cidadão que paga seus impostos esperava. Na Assembleia, o assunto entre os deputados estaduais é um só: a reeleição. Todos em plena campanha para garantir mais quatro anos de mandato. Nada como viver numa cidade e num estado sem problemas, né?! Dá licença!

Resgate

Uma postagem do secretário da Casa Civil, Walter Carneiro Júnior, nas redes sociais resgatou registros de 2010 para reforçar sua trajetória na política. No resgate histórico, ele relembra a criação do Bloco de Desenvolvimento Regional e a consolidação do municipalismo como pauta central, destacando a ascensão do ex-governador Reinaldo Azambuja, hoje candidato ao Senado. Ao conectar o trabalho realizado ao longo da última década às transformações vividas pelo MS, Walter Carneiro aproveita a publicação para reafirmar seu compromisso com a gestão pública, e não por acaso, para manter o municipalismo em evidência.

ANIVERSARIANTES

  • Carla Guizzo Couto Rocha de Lima;  
  • Leide Simioli de Brito;  
  • Giovanna Maria Assis Trad Cavalcanti;  
  • Ariane Pina Ferreira Moreira;  
  • Luciana Gonçalves Rolo;  
  • Marcia Arashiro de Lima;  
  • João Komathu;  
  • Sandra Moragas Leite de Barros;  
  • Mauricio Ramão Fernandes;  
  • José Leite da Silva Sobrinho;  
  • Mauricia de Arruda Cortez;  
  • Zoleni Santos de Mattos;  
  • Maria Angelica de Freitas Oliveira;  
  • Florentino Edmundo Talgatti;  
  • Pablo Henrique Avelino da Silva;  
  • Marlene Pontim Gomes;  
  • Van Hanegam Donero;  
  • Edgar Calixto Paz;  
  • Rubens Clayton Pereira de Deus;  
  • Humberto Ivan Massa;  
  • Sônia Gonçalves Kaneshige;  
  • Fagner Saltarelli;  
  • Jacqueline Folley Coelho;  
  • Adão Rodrigo Coene;  
  • Sergio Costa dos Santos;  
  • Claudiney Guimarães Alves;  
  • Leonardo Kling;  
  • Luiz D’Ávila;  
  • Domingos Alves da Silva;  
  • José Luiz Forte Filho;  
  • Maquielves Lopes Grison;  
  • Brunella Meura;  
  • Livia Alves Barcelos;  
  • João Dias;  
  • Cristina Hebe Scardini;  
  • Norberto Antonio Soares;  
  • Marco Aurélio Pallacio;  
  • Paula Helena Saab Mujica;  
  • Maria de Lourdes Calixto Mendes;  
  • Maria Nadir Militão;  
  • Marcelo Barbosa da Fonseca;  
  • Leonardo Coimbra;  
  • Marilda da Silva Tôrres;  
  • Rafael Mendonça;  
  • Gervásio Scheid;  
  • Alomah Rizk;  
  • Mary Radeck de Carvalho;  
  • Danilo Antonio Bruschi;  
  • Waldir Roma Ferreira;  
  • Diana Moreira Santana;  
  • Dra. Regina Célia Azuaga;  
  • Simone Ribeiro Pereira;  
  • Rocino Ramiro Cavalcanti;  
  • José Pereira de Souza;  
  • Erik Pereira de Castro;  
  • Aureo Franco Vilela;  
  • Maria Helena Fonseca;  
  • Rosa Maria de Barros;  
  • Meire Teixeira;  
  • Claudete Oliveira da Vera Cruz;  
  • Francisca Auzenir da Silva;  
  • Ivaneide de Araújo Armoa;  
  • Jean Kleber Paiva Barbosa;  
  • Santos de Oliveira Junior;  
  • Edson Ferreira da Silva;  
  • André Luiz Ossuna;  
  • Luiz Carlos de Lima;  
  • Jorge Ossamo Karimata;  
  • Dr. Renato Lúcio Martins;  
  • Paulo Cesar de Santos de Barros;  
  • Akiko Kanayama;  
  • Julião Flaves Gauna;  
  • Maria Eunice Corrêa;  
  • Gilda Lopes Braga;  
  • Rodrigo Targino de Almeida;  
  • Luiz Carlos Rodrigues;  
  • Antônio Henrique Nantes;  
  • Juliana Nunes;  
  • Adelina Tocie Miyashiro;  
  • Ronivaldo Farias de Mendonça;  
  • Augusto César Sepalho;  
  • Gilmar Javorski;  
  • Maria Cristina Coutinho da Silva;  
  • Márcio Teruhiko Yamamoto;  
  • Iedenilda Yocie Oyadomari;  
  • Nedir Migueis Pinto;  
  • Richard Alexandre Lima Siqueira;  
  • Francisco Maia Nogueira;  
  • Mirian Bezerra Sesper;  
  • Rogério Pereira Spotti;  
  • Sílvio Lucas Costa;  
  • Miguel Antunes de Miranda Sá;  
  • João Carlos Klaus;  
  • Fábio Medeiros Szukala;  
  • Lowatto Yuuichi Yamasaki;  
  • Eliana de Jesus Gonçalves Tiecher;  
  • Ana Helena Bastos e Silva Cândia;  
  • Kleber Vieira Cação;  
  • Antônio Neves de Medeiros;  
  • Carlos Roberto de Faria;  
  • Arianne Gonçalves Mendonça;  
  • Wania Helena de Carvalho;  
  • Arlindo Mariano de Farias;  
  • Marilda do Carmo Rodrigues;  
  • Heber Seba Queiroz;  
  • Adenil José de Oliveira;  
  • Maria Aparecida Corrêa Marques;  
  • Fernando Tatsunori Kuboyama;  
  • Andrea Luiza Tôrres de Figueiredo;  
  • Macoto Okuda;  
  • Alberto Angelisio Spani.

Colaborou com Tatyane Gameiro

bons hábitos & autodesenvolvimento

Aulas de teatro vão muito além da arte e contribuem para uma boa saúde

Da timidez à descoberta de novas habilidades, aulas de teatro trabalham comunicação, criatividade, expressão corporal, convivência e autoconfiança

21/09/2026 09h00

 O processo teatral envolve jogos, improvisações, exercícios de expressão corporal, criação de personagens, observação, escuta e interação, ferramentas que contribuem para as habilidades sociais dos alunos

O processo teatral envolve jogos, improvisações, exercícios de expressão corporal, criação de personagens, observação, escuta e interação, ferramentas que contribuem para as habilidades sociais dos alunos Divulgação

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Para algumas pessoas, fazer teatro começa com o desejo de subir ao palco. Para outras, nasce da curiosidade, da vontade de conhecer novas pessoas ou até da necessidade de enfrentar uma dificuldade.

Há quem procure as aulas para melhorar a comunicação, quem queira desenvolver a expressão corporal e quem simplesmente esteja em busca de uma atividade diferente.

O que acontece depois, porém, muitas vezes ultrapassa o objetivo inicial.

Durante uma aula de teatro, decorar e interpretar um texto são apenas algumas das etapas de um processo que envolve jogos, improvisações, exercícios de expressão corporal, criação de personagens, observação, escuta e interação.

Aos poucos, o participante é colocado diante de situações que exigem presença, criatividade e disposição para experimentar – inclusive quando existe vergonha ou medo de errar.

É nesse processo que o teatro pode se tornar uma ferramenta que vai além da formação artística.

As habilidades trabalhadas em cena podem aparecer em situações cotidianas, como uma apresentação na escola ou na faculdade, uma entrevista de emprego, uma reunião de trabalho, uma conversa com desconhecidos ou simplesmente na maneira como alguém passa a perceber o corpo e a se relacionar com outras pessoas.

“Eu não acredito que todo mundo que faz teatro precisa querer ser ator”, afirma Daniel Smidt, diretor da Escola e Companhia de Teatro (Adote), que atua há 25 anos em Campo Grande.

Para ele, cada aluno pode encontrar na experiência uma transformação particular.

“Cada pessoa pode encontrar uma coisa diferente aqui. Pode ser a coragem para falar, a confiança para se posicionar, a capacidade de trabalhar em grupo, a criatividade ou simplesmente a liberdade de ser quem é”, afirma.

O PRIMEIRO APRENDIZADO

A comunicação é uma das primeiras habilidades que podem ser percebidas no trabalho teatral. No palco, não basta saber o que dizer: é preciso pensar em como aquilo será dito, compreender o espaço, perceber quem está ouvindo e utilizar voz, corpo e expressão para transmitir uma ideia.

Esse exercício pode ser levado para fora da sala de aula.

Falar diante de outras pessoas, sustentar uma opinião, apresentar um trabalho ou participar de uma conversa exigem, em diferentes níveis, algumas dessas mesmas ferramentas. O teatro permite que o aluno experimente essas situações em um ambiente de aprendizagem, no qual errar também faz parte do processo.

Daniel conhece essa transformação por experiência pessoal.

“Eu também já fui uma pessoa tímida. O teatro foi me dando ferramentas para me expressar, para me comunicar, para olhar para o outro e também para me enxergar de uma maneira diferente. Quando olho para quem eu sou hoje, percebo o quanto tudo aquilo que aprendi através da arte contribuiu para a minha vida”, reflete o diretor.

O CORPO FALA

Outro aspecto trabalhado no teatro é a expressão corporal. Antes mesmo de uma pessoa dizer qualquer palavra, sua postura, seus movimentos e sua maneira de ocupar um espaço podem transmitir informações.

Perceber isso ajuda o aluno a desenvolver consciência sobre o corpo. Em cena, ele precisa compreender como determinado movimento contribui para a construção de uma personagem ou para a comunicação de uma situação. Fora dela, essa percepção pode ajudar na forma como se posiciona e se expressa.

A estudante Charlie Budib, de 19 anos, chegou ao teatro justamente buscando enfrentar a timidez e se sentir mais segura para se expressar. A recomendação partiu de sua psicóloga e a identificação com as artes ajudou a transformar a sugestão em experiência.

“Eu buscava me abrir mais para as pessoas. Conseguir falar melhor em público, me desafiar, sair da zona de conforto. Me sentir mais segura em me expressar”, conta.

Depois das aulas, ela percebe mudanças inclusive em situações que não têm relação direta com o palco.

“O teatro mudou bastante o jeito que eu ajo. Eu me sinto muito mais tranquila sobre a minha expressão corporal no dia a dia. Coisas que antes eu não conseguiria dizer ou fazer agora são muito mais simples”, diz.
Para Charlie, a sala de aula também se tornou um espaço de segurança para experimentar.

“É um ambiente que eu me sinto acolhida. Eu posso acertar ou errar, mas no final, a gente sempre bate palmas um para o outro. Todo mundo está sempre evoluindo e se ajudando. É um lugar que eu posso realmente me soltar”, afirma.

A ARTE DO IMPROVISO

Quem nunca fez teatro pode imaginar que a atividade depende principalmente da memorização de textos. Mas a preparação de um ator envolve muito mais do que decorar falas.

Improvisações e jogos teatrais fazem parte do processo justamente porque colocam os participantes diante do inesperado. Uma proposta pode mudar no meio do exercício, uma cena pode tomar um caminho diferente do planejado e o aluno precisa encontrar uma maneira de continuar.

A habilidade de improvisar, nesse sentido, não significa simplesmente “inventar qualquer coisa”. Ela envolve atenção, escuta e capacidade de responder ao que está acontecendo naquele momento.

Essa experiência pode contribuir para que o participante lide melhor com situações nas quais não possui controle absoluto sobre o resultado.

Foi algo que Maysa Garcia encontrou nas aulas. Ela chegou ao teatro pensando na formação necessária para se tornar atriz e, posteriormente, seguir o caminho da dublagem. Procurava técnicas para trabalhar voz, postura e presença.

Mas acabou encontrando também uma forma de enfrentar inseguranças.

“Me deu mais confiança para viver o mundo como eu mesma, de realmente ocupar um espaço sem culpa”, relata. Para ela, o teatro ajudou a transformar uma orientação comum dentro das aulas – enfrentar uma cena mesmo quando existe medo – em uma postura que também pode ser aplicada à vida.

“O teatro nos ensina: se está com medo, vai com medo mesmo. Isso é para a cena, mas na nossa vida isso também se aplica”, pontua.

ABRAÇO ÀS DIFERENÇAS

O teatro também pode ser uma experiência de inclusão. Cada participante chega com características, habilidades e dificuldades únicas e a aprendizagem não acontece necessariamente no mesmo ritmo.

É o caso de Evelyn Machado, que tem deficiência intelectual e participa das atividades da Adote há alguns anos.

Ela conta que, no início, tinha dificuldades principalmente para memorizar, falar diante de outras pessoas e realizar atividades novas. O nervosismo e a vergonha também apareciam, mas não impediram sua permanência.

“No teatro eu encontrei um espaço onde eu posso fazer as coisas do meu jeito, aprender no meu tempo e também ser incentivada a tentar”, conta.

Ao longo desse período, Evelyn participou de apresentações, atividades e festivais. Também recebeu duas premiações em competições.

“Para mim foi uma felicidade muito grande, porque eu nunca imaginei que poderia subir em um palco, competir e ainda receber um prêmio”, relata.

A experiência, segundo ela, também contribuiu para a comunicação e a autoconfiança.

“O teatro me ajudou muito. Eu fiquei mais comunicativa, perdi um pouco da vergonha e passei a acreditar mais em mim. Cada vez que eu entro no palco é uma conquista”, pontua.

Para Evelyn, a deficiência não define o que ela é. “Eu tenho minhas dificuldades, assim como todo mundo tem as suas, só que algumas coisas para mim são mais difíceis e eu preciso de mais tempo ou de ajuda. Mas também tenho minhas capacidades e gosto muito quando as pessoas acreditam em mim e me dão oportunidade”, destaca.

EXPERIÊNCIA COMPARTILHADA

Se para alguns o teatro é uma descoberta individual, para Miriam Amada de Oliveira, de 54 anos, que faz teatro ao lado do marido, Sueiyoshi Altino de Lima, de 55 anos, a atividade também se tornou uma experiência compartilhada.

Os dois decidiram fazer o curso juntos. Sueiyoshi chegou interessado pela relação entre cinema e atuação.

Queria entender como funciona o processo de construção de um ator e descobriu, nas aulas, que interpretar vai muito além de decorar e repetir falas.

Miriam, por sua vez, carregava desde jovem a curiosidade de conhecer os bastidores e entender como uma pessoa se prepara para atuar.

Fazer o curso lado a lado acrescentou uma dimensão inesperada à experiência: conhecer melhor um ao outro.

“Então, o fato de fazer o teatro junto com minha esposa fez eu conhecer mais um lado dela que não está ali no cotidiano, no dia a dia. Eu consigo ver mais a pessoa, a parte mais criativa dela, outras partes que a gente não vê no dia a dia”, conta Sueiyoshi.

Miriam também percebeu mudanças na relação.

“Quando a gente tem as mesmas vontades, tudo fica melhor”, afirma. Segundo ela, os dois passaram a conversar sobre os exercícios, ensaiar em casa e discutir as atividades realizadas nas aulas.

Para ela, o teatro ampliou a admiração que já existia entre os dois. “Você começa a conhecer o outro lado dela [da pessoa]. Então foi muito bom a gente fazer juntos, porque assim como ele vê como eu interpreto, como eu faço os exercícios, ele também vê esse meu lado, eu vejo o lado dele”, relata.

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