O imortal, diplomata e escritor Edgard Telles Ribeiro amanhã estará no chá acadêmico que traz a Academia Brasileira de Letras (ABL) à Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL), com uma palestra que interessa profundamente ao meio cultural, abordando a importância e a contextualidade do setor com o tema “Diplomacia cultural: instrumento de política externa”.
Trata-se de uma vertente que, para Edgard Telles, “projeta no exterior nossos valores e nossas diversidades culturais ao mesmo tempo em que nos abrimos para os valores culturais dos outros países e, com isso, consolidamos no plano da beleza e da emoção nossas relações com todos os países do mundo. A cultura aproxima, a cultura não tem nada que deixe de ser amado ou respeitado”.
Para Telles, tão importante quanto as atuações diplomáticas no plano político, econômico, comercial e na cooperação técnica, entre outras interações possíveis, é a diplomacia na área cultural.
O presidente da ASL, Henrique de Medeiros, destaca a relevância de se discutir a participação da cultura no cenário da aproximação social por meio da diplomacia, que, segundo afirma, não se aplica apenas internacionalmente, mas também de forma interna, no compartilhamento de nossas regionalidades e potencialidades. “A cultura promove mudanças e abre espaços nas relações entre as pessoas e os povos”, afirma o presidente da ASL.
Presencial, com entrada franca e traje esporte requerido, no auditório da ASL, na Rua 14 de Julho, nº 4.653, em Campo Grande, com início previsto para as 19h30min, o evento faz parte do projeto ABL na ASL: Palestras Imortais, realizado pela Academia Sul-Mato-Grossense de Letras em parceria com a Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura (Setesc), por meio da Fundação de Cultura do Estado de Mato Grosso do Sul (FCMS).
O chá acadêmico de maio apresenta ainda, na agenda da noite, os projetos realizados em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e a Confraria Sociartista, respectivamente, com performances ao vivo de música e artes visuais. No foyer da sede da ASL, haverá também mais uma apresentação musical, após a palestra, durante a confraternização entre os imortais e o público presente.
COMEÇO NO CINEMA
Figura multifacetada da cultura brasileira, com trajetória que transita entre a literatura, o cinema e a diplomacia, Edgard Telles nasceu em Valparaíso, no Chile, sendo considerado brasileiro nato por ser nascido “de pai ou mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil”. No caso do escritor, seu pai estava a serviço do governo brasileiro em território chileno quando Edgard nasceu, em 13 de novembro de 1944.
Radicado no Rio de Janeiro, Telles Ribeiro ocupa a cadeira de nº 27 da ABL, tendo sucedido ao poeta Antonio Cicero (1945-2024). O escritor iniciou sua carreira como crítico de cinema no Rio de Janeiro, escrevendo para os suplementos literários do Correio da Manhã e d’O Jornal. Formou-se em Cinema pela Universidade da Califórnia (UCLA), em Los Angeles, nos Estados Unidos. Entre 1978 e 1982, foi professor de cinema na Universidade de Brasília (UnB).
OBRAS
Ingressou no Instituto Rio Branco em 1966, iniciando uma carreira diplomática que o levou a servir em diversos países: Estados Unidos, Equador, Guatemala, Nova Zelândia, Malásia e Tailândia, sendo embaixador nos três últimos. No Brasil, atuou na área cultural do Ministério das Relações Exteriores, chefiando o departamento entre 2002 e 2005. É autor da importante tese acadêmica “Diplomacia Cultural: Seu Papel na Política Externa Brasileira” e de 15 livros, entre romances e coletâneas de contos.
Sua obra mais recente, “Jogo de Armar” (2023), foi finalista do Prêmio Jabuti 2024. Entre outras de suas publicações, destacam-se o romance “Olho de Rei” (2005), que recebeu o prêmio da ABL para Melhor Obra de Ficção em 2006, e “O Punho e a Renda” (2014), vencedor do prêmio de Melhor Romance do Pen Clube em 2015, abordando os bastidores das embaixadas durante a ditadura militar brasileira.
Sua vasta produção inclui também “O Impostor” (novela, 2020), “Uma Mulher Transparente” (romance, 2018), “O Criado-Mudo” (romance, 1991) e “As Larvas Azuis da Amazônia” (novela, 1996), obras que exploram temas variados, desde a identidade até questões políticas e sociais.
Seus livros foram publicados nos Estados Unidos, na Argentina e em diversos países europeus. Com uma carreira que abrange mais de cinco décadas, Edgard Telles Ribeiro consolidou-se como uma voz influente na literatura brasileira contemporânea. Sua habilidade em transitar entre diferentes áreas culturais e sua dedicação à arte de contar histórias o tornam uma figura singular e respeitada no cenário literário nacional.
ADRIANA E FERNANDO
Dois integrantes da Confraria Sociartista estarão criando ao vivo seu trabalho artístico em artes visuais no chá acadêmico de maio: Adriana Teixeira e Fernando Anghinoni.
Com trajetória artística de mais de 35 anos, Adriana Teixeira é artista visual dedicada à pintura em telas, com linguagem figurativa e estilizada com temas da maternidade, do afeto, da família, em uma paleta rica em contrastes. A presença da figura feminina em suas obras e também dos elementos florais e orgânicos são muito recorrentes. Participou de várias exposições coletivas e individuais.
Fernando Anghinoni vive e trabalha em Campo Grande, tem mestrado nas áreas de Artes Visuais, Design e Gravura. Seu trabalho explora várias vertentes artísticas, sempre contemplando o panorama contemporâneo das artes visuais de forma global e regional. Produziu e executou projetos culturais e trabalha também como produtor cultural.
JOÃO VITAL
Promovido por uma parceria entre a UFMS, por meio do Movimento Concerto, e a ASL, o projeto Música Erudita e suas Fronteiras leva à ASL, nesta quinta-feira, uma apresentação de João Vital Araújo, violonista e professor de música com mais de 20 anos de experiência no ensino e na performance.
Graduado pela UFMS e mestre em Teoria e Análise Musical pela Universidade de São Paulo, ao longo de sua carreira, Vital tem se dedicado ao repertório para violão solo, voltado tanto à música clássica quanto ao repertório brasileiro. Neste recital solo, propõe um percurso por paisagens sonoras desde a Espanha renascentista ao lirismo brasileiro do século 20, revelando diferentes facetas do violão como instrumento de poesia e memória.
JUNINHO MPB
Após a palestra, na confraternização no foyer, haverá ainda mais uma apresentação instrumental de Juninho MPB, músico há 20 anos, com participação em bandas de variados estilos, como rock, blues, samba, samba rock e forró. Integrou a banda de rock autoral Inove, fez parte da banda de samba rock Maria Mulata, em seguida, integrou a banda de rock TioZé, também participou da banda Show Orion e, atualmente, faz parte da banda de blues Bêbados Habilidosos. Gravou o álbum solo “Meu Mundo”.
SERVIÇO
Chá Acadêmico
ABL na ASL: Palestras Imortais
Edgard Telles Ribeiro
“Diplomacia Cultural: Instrumento de Política Externa”
Amanhã, às 19h30min, com os projetos Música Erudita e Suas Fronteiras e Arte da Academia.
Auditório da ASL, na Rua 14 de Julho, nº 4.653, Altos do São Francisco.
Entrada franca.

Dr. Afonso Simões Corrêa, que está participando do programa de residência médica em Oncologia Clínica na USP, em São Paulo
Flávia Ceretta


