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Entrevista

Ministra da Cultura fala sobre as polêmicas de sua recém- iniciada gestão

Ministra da Cultura fala sobre as polêmicas de sua recém- iniciada gestão

Estadão

27/03/2011 - 21h20
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"A Lei Rouanet viciou o mercado", afirma a ministra da Cultura

Ana de Hollanda sabia que o jogo seria violento. Seu irmão Chico Buarque avisou. Seus melhores amigos alertaram. "E, olha, confesso que está sendo mais violento do que imaginei", diz. A vaidade denunciada no cuidado com as unhas e o batom, a voz macia de cantora desde a juventude e a aparência de fragilidade escondem a determinação de enfrentar os conflitos gerados desde sua posse.

Poucas vezes se viu um início de gestão de tamanha turbulência na pasta da Cultura. Antes mesmo de tomar pé dos problemas herdados e ainda sem saber de qual orçamento disporia, foi alvo de furiosa campanha de segmentos insatisfeitos com seu primeiro ato: a retirada do selo Creative Commons do site do ministério.

O CC oferece uma relação mais livre dos usuários com as obras artísticas, mas repassando o custo ao autor, instado a reduzir seus direitos autorais. O gesto lhe valeu a pecha de "ministra do Ecad", para classificá-la de retrógrada.

Esse e outros episódios resultaram na desistência da contratação do sociólogo e cientista político Emir Sader - convidado por ela própria para dirigir a Fundação Casa de Rui Barbosa- que a chamou pelos jornais de "meio autista". Uma ala do PT disse que a dispensa de Sader foi do Palácio do Planalto. Ana, aqui, diz que foi dela.

A aprovação de captação de R$ 1,3 milhão em incentivos para Maria Bethânia elaborar um blog de poesia reabriu velhas e espinhosas discussões referentes à Lei Rouanet. Ana considera o episódio "uma tempestade em copo d"água."

Na semana passada, ela ouviu do governo norte-americano, durante a visita de Barack Obama ao Brasil, preocupações em torno de propostas de flexibilização dos direitos autorais apresentadas por seu antecessor, Juca Ferreira. Na visão dos americanos, elas poderiam representar um estímulo à pirataria.

Nessa entrevista ao Estado, a ministra aborda diretamente esses e outros temas, garantindo que a ação do governo em relação aos direitos autorais terá como limite a não intervenção nas relações contratuais privadas.

A senhora até agora falou pouco e ouviu muito. Está sendo um começo difícil?

Qualquer anúncio de mudança gera insegurança. Por mais que tentemos esclarecer que estamos estudando as questões, as pessoas querem respostas imediatas. Aí começam a sair versões do que poderia estar certo ou errado. Eu nunca tive uma situação como temos agora, de sentar para responder.

Qual foi sua primeira impressão ao ler o projeto de lei do ex-ministro Juca Ferreira, que pede mudanças na atual lei dos direitos autorais?

Aquela proposta me assustou um pouco. O direito do autor está previsto na Constituição, é uma cláusula pétrea. Ele tem que ser respeitado. Comentava-se muito no meio cultural que as mudanças estavam deixando o autor em uma situação frágil em vários aspectos.

Por exemplo?

Quando se falava das cópias de um livro, por exemplo. Se essa obra for editada sem autorização, pela lei vigente, a obra seria recolhida e o infrator pagaria uma multa de, se não me engano, o equivalente a 30 mil cópias. A proposta de reforma já falava em multa de até 30 mil livros. Ou seja, a multa poderia ser de um, dez ou 30 mil. São detalhes que deixam o detentor dos direitos em situação frágil.

As mudanças da lei propostas por Juca davam ao presidente da República poder para conceder os direitos de obras em casos especiais. A senhora já retirou esse poder do presidente e o repassou ao Judiciário. Qual é o limite da participação do Estado em questões ligadas aos direitos autorais?

Sinto ainda que existe uma interferência muito forte do Estado no projeto de lei e isso, de uma certa forma, vai infringir a Constituição. O direito de associação de artistas é permitido pela lei, é livre. Então o intervencionismo do Estado (na fiscalização do Ecad) é muito complicado. Mas entendo que é necessário haver, sim, uma transparência para os autores sobre seus rendimentos.

A senhora está dizendo que o Estado vai fiscalizar o Ecad?

Eles devem apresentar um balanço público (sobre o que arrecadam em direitos autorais).

O que a senhora discutiu com o secretário do comércio dos EUA, Gary Locke, durante a visita de Obama ao Brasil?

Ele estava muito preocupado com a questão da liberação dos direitos. De como a flexibilização no direito autoral pode acarretar mais tolerância com a pirataria. Isso não preocupa só os americanos, preocupa nossa indústria cinematográfica, editorial, fonográfica. Estão com medo de que essa produção seja fragilizada. É muito preocupante essa possibilidade de a gente liberar para o mundo nossa produção. Isso pode desestimular os artistas. Por que vão editar obras no Brasil se o Brasil não as protege?

Foi pensando assim que a senhora mandou retirar o selo do Creative Commons, que propõe maior liberdade nos licenciamentos de obras artísticas, do site do Ministério da Cultura?

Eu achei muito estranha a gritaria que esse caso criou. Aquele selo era uma propaganda dentro do site do MinC. Não existe a possibilidade de você fazer propaganda ali. A responsável agora sou eu e eu não podia permitir que isso continuasse.

A decisão da senhora então não foi ideológica?

Não, foi administrativa.

Então, ideologicamente, o que a senhora pensa dessa nova relação de direitos autorais proposta pelo Creative Commons?

A questão que me preocupa é que a concessão de direitos no Creative é irreversível. Há sempre um prazo para uso de direitos autorais. Eu posso ceder minha obra para tal uso por cinco, dez anos e depois eu posso reaver essa obra. Mas é bom dizer que essa decisão, de usar o Creative Commons, cabe unicamente ao autor.

Palavras da senhora no discurso de posse: "É importante democratizar tanto a produção quanto o consumo da cultura". A reforma na lei dos direitos autorais e o Creative Commons são em tese democratizantes, no sentido de que garantiriam que a cultura chegaria a mais pessoas. Democratizar está sendo mais difícil do que a senhora imaginou?

A democratização é possível sempre, mas ela tem de prever também o pagamento àqueles que criam. Um autor de um livro que trabalha dez anos com pesquisa vive disso. O direito autoral é o salário dele.

A internet foi o paraíso para muita gente, já que o preço de um CD se tornou inacessível para muitos. Como fazer com que esse consumo continue sem prejuízo para os autores?

Essa é uma questão, sim, que tem de ser estudada nos próximos passos que vamos dar. Agora há pouco, vi um estudo no Canadá que sugere cobrança dos direitos de provedores. Estamos nesse impasse entre a proibição absoluta - que é quase impossível, já que as pessoas estão baixando - e uma liberação que não prevê o pagamento de direitos.

Maria Bethânia teve a aprovação do Ministério da Cultura para captar via Lei Rouanet R$ 1,3 milhão para criar um blog de poesia. Qual a opinião da senhora sobre isso?

Isso foi uma tempestade em copo d"água. Projetos assim são aprovados mensalmente. A lei, que tem também modificação pedida no Congresso, prevê essa possibilidade. Não cabe a mim analisar ou interferir em uma questão que é julgada por uma comissão, que antes passa por pareceristas que analisam os preços e se o projeto é cultural ou não. E o mérito não é de qualidade, mas se é cultural ou não é cultural. Se os preços foram aprovados, está ok.

Ninguém contesta que o projeto de Bethânia seja legal, mas esse dinheiro não deveria ser garantido a artistas com menos recursos?

Olha, isso tudo está sendo revisto nessa reforma da lei que está no Congresso. Queremos favorecer mais o Fundo Nacional de Cultura, que poderá facilitar essa divisão melhor e que atenderia aos produtores que normalmente não atraem o patrocínio das empresas privadas. As empresas querem associar seus nomes a artistas consagrados, faz parte das leis de mercado.

E assim os departamentos de marketing acabam definindo a política cultural do País.

Sim, isso. A atual Lei Rouanet tem esse viés, que era necessário ser equilibrado. Chega a ser perigosa porque quase que exclusivamente se faz atividade cultural no País através da Lei Rouanet. Passou a ser imperiosa. Quando falamos da necessidade da cultura ser autossustentável, vejo como a Lei Rouanet foi prejudicial. Qualquer evento que se faz começa a ficar um megaevento e a ter custos mais altos. E para os artistas se inserirem nisso, precisam ter o nome forte. Agora, uma atividade mais experimental, nova, que não estiver no gosto do mercado, vai ter uma difícil aceitação. A Lei Rouanet viciou o mercado a trabalhar só através dela.

A senhora, como cantora, tentou emplacar projetos pela Lei Rouanet?

Eu não. Bem, até vi em um jornal que houve um proponente de um projeto meu que não foi aprovado, também porque a Lei Rouanet tem uma série de trâmites complicados. Acho que isso foi no período em que eu estava com o projeto de um disco e aí depois consegui trabalhá-lo de outras formas. Foi um projeto para ser aprovado, era um disco meu, sim, que depois acabei fazendo.

O grande público, alheio a Creative Commons, Lei Rouanet, direitos autorais, percebe que entra e sai ministério e uma coisa não muda: cinema, shows e teatro são cada vez mais caros. Como se muda isso?

Mas aí você está falando dos grandes, né? A Cinemateca, por exemplo, tem um acervo fantástico que distribui filmes para os pontos de cultura (centros de cultura nas periferias), os cineclubes estão crescendo. Você está falando das grandes estrelas.

Foi da senhora ou do Planalto a decisão de desistir da contratação do sociólogo Emir Sader para a Casa Rui Barbosa? (Em entrevista, Emir se referiu à ministra como "meio autista")?

Não, eu agi. Levei, conversei com o Palácio, sim, mas deixei claro que a decisão era minha, cabia a mim.

A senhora fala muito dos pontos de cultura, mas a situação deles é caótica, o dinheiro de alguns nunca chegou...

Já tive encontro com os representantes dos pontos. É assustador, porque são trabalhos em comunidades carentes. O princípio dos pontos é maravilhoso. O governo vai à comunidade e reconhece um trabalho cultural que já está sendo desenvolvido. Fazemos um trabalho para auxiliá-los, ajudamos a se equiparem melhor. Agora, alguns estão sem receber há algum tempo.

Não chegou o dinheiro de 2010.

Há outros que estão sem receber desde 2008. Alguns com problemas com documentação, mas há uma parte legal. E tem nosso orçamento que está bastante restrito, não só da Cultura, mas houve um corte grande.

Esse dinheiro chega este ano?

Já está sendo liberado. Vamos quitar com eles essa dívida.

Como a senhora, uma artista de formação e berço, chega para fazer política em Brasília?

Eu tive várias etapas da minha vida em que já passei por algumas experiências como esta. Estive envolvida na política pública em São Paulo.

Sim, mas Brasília é diferente. A senhora não sente dificuldades no jogo político?

Olha, em Osasco era um microcosmo disso, eu sentia lá também a pressão da sociedade, dos artistas, do executivo querendo fazer uma coisa mega. Eu sei que vou incomodar, você não pode atender a gregos e troianos. Agora, o fato de ser mulher ou ter um jeito delicado no falar não quer dizer que eu seja fraca ou insegura. Não sou nem um pouco insegura.

A senhora divide assuntos com seu irmão, Chico Buarque?

Eu acho que tudo o que ele não quer é que eu fique falando dos problemas do ministério (risos).

O Chico não queria que a senhora aceitasse o convite para ministra, certo?

Ele ficou assustado não por ele. Aliás, não só ele. Somos sete irmãos, todos ficaram assustados porque sabiam que o jogo era violento. E confesso que é mais violento do que eu imaginava. Porque esses movimentos organizados agiram com uma agressividade muito grande. E estão agindo ainda.

A senhora tem amigos na cúpula da música brasileira. Como ministra, está disposta a comprar briga com eles?

Eu acho que eles não vão brigar comigo, não. Como amigos, eu não os perco.


QUEM É

ANA DE HOLLANDA
CANTORA E COMPOSITORA

Nascida em São Paulo, em 1948, estreou musicalmente em 1964, no palco do Teatro do Colégio Rio Branco, no show Primeira Audição, integrando o grupo vocal Chico Buarque e As Quatro Mais. Já lançou quatro discos.



Diálogo

O eleitor de Mato Grosso do Sul deu um recado claro nas urnas: quer... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta sexta-feira (23)

23/10/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Cora Coralina - Escritora brasileira

"O saber se aprende com os mestres. A sabedoria, só com o corriqueiro da vida”.

FELPUDA

O eleitor de Mato Grosso do Sul deu um recado claro nas urnas: quer continuidade no comando do Estado. O contraste com o Legislativo chama atenção: lá, o eleitor trocou peças. No Executivo, preferiu não mexer no time e o governador Riedel foi reeleito já no primeiro turno, com 67,07% dos votos válidos, numa das vitórias mais folgadas do país. Ele venceu nos 79 municípios, com votações entre 58% e mais de 80%, sem deixar um único reduto para a oposição, nem em Campo Grande e nem no interior. Como diria vovó: “Quem sabe o que planta, não teme a colheita”. Assim sendo...

Diálogo

Bis

A senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina voltou a figurar na lista das “100 Mulheres Poderosas do Agro” da revista Forbes Brasil, em sua segunda edição, divulgada neste ano. Na primeira, lançada em 2021, o nome dela também estava lá, presente desde a estreia.

Mais

A lista reúne mulheres de diferentes regiões, gerações e atividades para reconhecer o poder feminino num setor predominantemente masculino. O anúncio integra as comemorações do Dia Internacional da Mulher Rural, celebrado em 15 de outubro.

DiálogoEster Quintanilha Nogueira e o seu neto Gustavo Terra - Foto: Arquivo Pessoal

 

DiálogoJoão Vitor Silva - Foto: Lu Prezia

De peso

Pela primeira vez, Dourados terá cinco deputados na Assembleia Legislativa, que vão da direita a esquerda. José Teixeira, com 32 anos consecutivos exercendo mandato de deputado estadual, é o mais antigo dos douradenses. Ele é da direita, ao lado da bolsonarista Gianni Nogueira. Outro da direita é Renato Câmara, reeleito para o quarto mandato. Estreante na Assembleia de MS, o petista Tiago Botelho formará a bancada  do partido com Gleice Jane. 

Susto

Nesta semana, dvogados tiveram momentos de pânico quando não conseguiram acessar o sistema do Tribunal de Justiça de MS. E quem tem prazo para apresentar recursos, quase arrancou os cabelos. Depois do susto, foram informados que tribunais de vários Estados também estavam fora do ar e até o sistema do STJ estava inacessível. Houve suspeita de ataques de hacker na Justiça brasileira. Porém, o TJMS deixou o pessoal mais calmo quando informou que estava fazendo atualização no sistema.

Por perto

A Sanesul teve papel central no projeto que vai reforçar o abastecimento de água nas aldeias Jaguapiru e Bororó, em Dourados. Sob o comando do presidente Renato Marcílio, a equipe de engenharia da estatal criou a solução técnica e ajudou a garantir os recursos junto aos governos estadual e federal e à bancada de MS.  Agora, a empresa acompanha as obras, contratadas pela Agesul, que incluem dois superpoços, além da ampliação da rede de distribuição.

ANIVERSARIANTES 

  • Lúcia Martins Coelho Barbosa, 
  • Paulo Sérgio Domingos Hernandes, 
  • Cláudia Mazza Anache, 
  • Naur Souza Barbosa Junior, 
  • Márcia de Araújo Stanzione, 
  • Anibal Arce Torres,
  • Antonio Delfino Pereira Neto (Tom),
  • Olga Brandão,
  • Filemon Medina da Silva,
  • Elson Silva Jara,
  • Paulo Júlio de Souza,
  • Rui Minoru Watanabe,
  • Hudson Shiguer Kinashi, 
  • Maria de Lourdes Pinho Soares,
  • Neida Gomes Machado,
  • Antônio Carlos Camponez Petenatti,
  • Marisa Castro Alves Sá,
  • Ana Carolina Pimentel, 
  • Ederson Costa de Assis,
  • Vanildo Ribeiro,
  • Maria Abdul Ahad,
  • Arilson Nascimento Targino,
  • Flávia Ocampos Guimarães,
  • Anna Ribeiro Gomes Rodi,
  • Nawalle Nahas Curado,
  • Gilvan Alves Farias,
  • Leny Cunha,
  • Ricardo Ferraz de Camargo,
  • Mateus Alves Chaves,
  • Milene Hernandes Moretti,
  • Yasmin Ali Omais, 
  • Nacyr Gomes Proença,
  • Rosemary Matias Coelho,
  • Carlos Alberto Diniz Laburu,
  • Lúcio Franco de Sá Fernandes,
  • Dr. João Cláudio dos Santos,
  • Andréa Ribeiro de Barros,
  • Sérgio Issao Wassano,
  • Ana Helena Catelan Munró,
  • Vanessa Fernandes da Silva,
  • Rodrigo Vargas,
  • Jaime Rodrigues Pinheiro,
  • Cyntia Cristina Camacho Braga,
  • Maria Helena Loureiro da Costa,
  • Simone Scarselli,
  • Yukiko Shinzato, 
  • Leila Nery Miranda,
  • Getúlio dos Santos Mourão,
  • Maria Auxiliadora de Barros,
  • Alfredo José Salomão,
  • Darlete Lindesley Barbosa da Cruz,
  • Vitória Alice Vieira de Lima,
  • José Carlos Mendonça,
  • Ursula da Costa Tôrres,
  • Yeda Lima de Souza,
  • Renata Barbosa Cruz,
  • Eulinda da Silva Miranda,
  • Lidia Maria Barros de Lima,
  • José Lincoln Furuguem,
  • Ursula Filártiga Henning,
  • Mayara Areco Pereira,
  • Aline Amaral Pereira,
  • Elton Flávio Montovani dos Reis,
  • Roberto Carlos Meireles Peralta,
  • Edy Cristina Pereira,
  • Juscelino Antonio  Correa,
  • Débora Margarida Quintanilha Gomes,
  • Kamila de Carvalho Bignardi, 
  • Edna Sanae Yodono Garcia,
  • Luciene Oliveira Mara,
  • Adriano Dias Ferreira Dutra,
  • Rafael Ailton Teixeira Gomes,
  • José Carlos Costa,
  • Carlos Maurício Dias Dantas,
  • Deise Moreira da Costa,
  • Helio Tokuji Higa,
  • Ana Paula Quintela de Paiva,
  • Leticia Maria Pereira Villela,
  • Emílio da Costa Feliz,
  • João Marcos Kintschev Tiburcio,
  • Edesio Calderon Correa,
  • Carlos Casagrande Poleis,
  • Felipe Augusto Dias,
  • Hilarion Gregor Chaparro, 
  • Devair Gonçalves Galdino, 
  • Patrícia Baez Furtado de Mendonça,
  • Tertuliano Marcial de Queiroz,
  • Anastácio Dalvo de Oliveira Ávila,
  • Eliselle Lopes Ribeiro de Assis Franco, 
  • Jorge Elias Hatchwell de Almeida Junior, 
  • Demilson de Santi,     
  • Reginaldo Costa de Albuquerque,
  • Paulo Henrique Xavier de Souza,
  • Carlos Henrique Serafim,
  • Edmundo Pereira Calado,
  • Maria Silvia Martins Maia Ricci,
  • Fernando Vigano,
  • Lucas Pasquali Vieira,
  • Túlio Cassiano Garcia Mourão,
  • Janainna Enedina Teruel,
  • Edson Panes de Oliveira Filho,
  • Elzy de Oliveira e Souza Gonçalves,
  • Wilson Castro de Sá,
  • Eunice Novais Pereira, 
  • Marielva Araújo da Silva,
  • Onercilene Ricarte de Oliveira,
  • Sérgio Augusto Guedes,
  • Wander Matos de Aguiar.

Colaborou com Tatyane Gameiro

RELATÓRIO

Caixa-preta de helicóptero não registrou voo em que estava o cantor Rick, diz Cenipa

Segundo o órgão, o equipamento não é exigido pelo Regulamentos Brasileiros de Aviação Civil para a aeronave em questão

22/10/2026 21h00

Acidente com o helicóptero que o cantou Rick e outras quatro pessoas

Acidente com o helicóptero que o cantou Rick e outras quatro pessoas Foto: Reprodução / Redes Sociais

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O relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) sobre o acidente com o helicóptero que matou o cantou Rick e outras quatro pessoas apontou que o gravador de voz da cabine da aeronave não registrou o voo, que terminou em queda.

"As gravações do CVR (Cockpit Voice Recorder) foram extraídas pelo CENIPA, porém não correspondiam ao voo da ocorrência", diz o relatório. O Cockpit Voice Recorder é um dos elementos do que é conhecido como caixa-preta.

Segundo o órgão, o equipamento não é exigido pelo Regulamentos Brasileiros de Aviação Civil para a aeronave em questão, mas ela possuía um instalado em 17 de maio de 2002, com capacidade de trinta minutos de gravação.

O Bell 430, de prefixo PP-MGR, decolou às 10h30 do Aeródromo Costa Esmeralda (SDEN), em Porto Belo, com destino ao heliponto Metropolitan Criciúma. O pouso estava previsto para as 11h24.

A aeronave foi localizada no segundo dia de buscas em uma área de difícil acesso, na região de Santa Bárbara, em Urubici. Segundo a tenente-coronel Heloísa Helena Battisti, comandante do 5º Batalhão de Bombeiros Militar, as equipes precisaram deixar as viaturas e caminhar por cerca de três horas até chegar aos destroços.

O documento divulgado nesta quinta-feira, 22, informou ainda que havia relatos de falhas recorrentes nos geradores do helicóptero, que não haviam sito solucionadas definitivamente.

"Foram obtidos relatos de falhas intermitentes dos geradores da aeronave, algumas das quais teriam ocorrido em situações de exposição à umidade (voo dentro de nuvens/ou sob chuva)", afirma o relatório preliminar.

O documento aponta ainda que as condições meteorológicas indicavam baixa visibilidade. A previsão "indicava chuva moderada restringindo a visibilidade a 3.000 m, trovoadas embutidas e nuvens CB e TCU embutidas, com bases a 2.500 ft e topos acima de 10.000ft. A mensagem incluía a indicação de obscurecimento de montanha na Serra Geral."

Uma troca de mensagens e chamadas telefônicas entre o copiloto do helicóptero e um operador do Aeroporto de Lages, em Santa Catarina, mostra que o condutor da aeronave estava preocupado com as condições climáticas do dia do voo. A conversa foi divulgada pelo Fantástico, da TV Globo.

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