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Mulheres vivem o paradoxo da exigência da beleza e do estigma da futilidade

Mulheres vivem o paradoxo da exigência da beleza e do estigma da futilidade

IG

21/03/2011 - 23h40
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Ao passar na frente de um dos Diretórios Acadêmicos da faculdade onde cursa design gráfico, Gabriela Namie, 20 anos, ficou chocada com uma placa. Do lado de um pictograma feminino, igual ao encontrado em qualquer porta de banheiro feminino, se deparou com uma ilustração de uma mulher “todo gostosona”, nas palavras de Gabriela. Embaixo, uma legenda insinua que a Fundação Armando Álvares Penteado tem a “vantagem” de ser a instituição acadêmica com as mulheres mais bonitas.

“Muitas meninas apóiam esse pensamento, vestem camisetas com essa estampa. Eu me sinto ofendida”, lamenta a estudante. “O diretório está categorizando todas as mulheres da faculdade a partir desse conceito. Não vem ao caso se uma aluna é gostosa ou não, mas isso está sendo colocado como o único atributo que importa. Ou como se atribuísse um crédito à faculdade. Para esses alunos e alunas, isso é um elogio, dignifica a mulher”, desabafa.

É machismo elogiar a mulher por sua beleza? Ou beleza se tornou um atributo como outro qualquer, que não desqualifica uma profissional competente e inteligente? A discussão é controversa, porque passa pela percepção que muitos estudiosos têm de que a beleza em si se tornou uma característica socialmente indispensável para a felicidade e o bem-estar – muitas vezes, uma cobrança torturante. “Ser bonita é uma demanda sobre todas as mulheres”, afirma Rachel Moreno, autora do livro “A Beleza impossível – Mídia, Mulher e Consumo” (Editora Ágora). “As mulheres estão trabalhando mais, estudando mais, diminuindo a diferença salarial, temos uma presidente que furou o teto de vidro. Além de tudo isso, a beleza vem como uma chave para a felicidade.”

Na percepção de Rachel, o ambiente favorável para a busca da beleza impossível é criado pelo conjunto de mídia, mercado publicitário e a educação que as meninas recebem em casa e na escola. “Muita mulher chega à idade adulta achando que o sacrifício pela beleza facilita o acesso ao mercado de trabalho”. Segundo ela, o problema não é simplesmente se apresentar com boa aparência. “Você pode ter outro projeto de vida e priorizar outras coisas, mas a busca da beleza em paralelo te leva a sacrifícios e baixa sua autoestima. Vira uma obsessão”, diz.


"Mulher tem que ser linda, boa profissional, boa esposa, boa mãe. É uma ansiedade maior que transforma a gente em pessoas muito competitivas", diz a Fernanda Lobo
O paradoxo vem quando a beleza se torna, apesar de “indispensável”, uma característica que reduz a mulher a algo que não tem nenhuma função além de ser admirado. É quando uma mulher bonita é automaticamente percebida como apenas bonita. A engenheira química Fernanda Lobo, 28 anos, trabalha numa multinacional do ramo de bebidas, e se nunca ficou sabendo ser vítima de comentários criticando-a, já ouviu muito a respeito de colegas. “Se você dá margem para as pessoas esse comentário vem naturalmente, sobretudo entre mulheres. Já vi pessoas usando shorts ou blusa decotada na empresa, que tem um dress code mais informal, e isso gera uma exposição negativa”, diz. “Mulher tem que ser linda, boa profissional, boa esposa, boa mãe. É uma ansiedade maior que transforma a gente em pessoas muito competitivas. Em vez de ser solidária, você acaba excluindo do grupo quem pareça uma ameaça.” Ela mesma evita não expor as tatuagens que tem. “Não me incomoda quando vou contratar alguém, mas a gente tem que aceitar que nem todo mundo é igual a gente”.

Os defensores da beleza


Loira e linda, a executiva Renata Marcon, 46 anos, trabalha há 21 anos em uma grande multinacional de tecnologia. “No começo eu sofri esse tipo de preconceito”, conta. Hoje, Renata pode se orgulhar de ter construído uma imagem de competência e atitude firme. “O único problema que nós temos é que nossas reações são muito observadas. As mulheres precisam se policiar muito”, afirma. Maquiagem discreta, calças, camisas, saias e terninhos ajudam a comandar uma equipe e lidar com clientes que são 80% do sexo masculino. “Já tive clientes que comentaram que nunca usei de charme em nenhuma negociação. Esse é um problema que nós mulheres enfrentamos: quando ela é bonita e bem apresentada, é esperado que use a feminilidade dela para conseguir uma vantagem.”


Corpo de mãe


Sim: as mulheres são cobradas por sua beleza. Mas, no ambiente de trabalho, o preconceito se inverte e a feminilidade é colocada sob policiamento. A consultora de estilo Amanda Medeiros confirma: os sinais de feminilidade extrema estão vetados. “É preciso deixar roupas decotadas, coladas, com tons como rosa ou roxo vibrante para o ambiente pessoal. Evitar maquiagem pesada, unhas grandes ao extremo ou mesmo perfumes fortes”. Mas curiosamente, o lado feminino não pode sumir. “Mulheres que possuem altos cargos devem evitar tosar o lado feminino, imitando homens no comportamento ou na forma de vestir; é preciso encontrar equilíbrio entre força e gênero, sendo esforçada ao máximo para evitar críticas”, afirma. É só lembrar que líderes mundiais como a presidenta brasileira Dilma Roussef ou a chefe de Estado Angela Merckel raramente são vistas usando calça. O tailleur, com saia e blazer, é obrigatório nos fóruns. “Qual a necessidade dessa preservação aparente do gênero? Que códigos são esses?”, questiona a filósofa Dulce Maria Critelli.

A filósofa acredita que como valor, a beleza esteve sempre associada à mulher, dentro ou fora do ambiente de trabalho. “Culturalmente, a beleza ‘gruda’ na mulher, assim como.a sensibilidade. Ao homem estão associados a força e poder. Em torno desses estereótipos, há uma série de desdobramentos, que são os códigos e padrões que ao longo das épocas vão se estabelecendo. É esperado que toda mulher faça o sacrifício possível para estar associada a esse código de beleza.” Ela filósofa lembra que a atração pelo belo é natural ao ser humano, e que a “tirania da nossa cultura ” seja um modelo de beleza tão restrito. “O homem tem uma liberdade maior do que a mulher. Se ela não busca os códigos de beleza, é como se ela não tivesse se esforçado o suficiente. Nossa identidade está vinculada ao nosso aspecto.”

Beleza e inteligência


Se a competência, inteligência ou outro atributo em uma mulher é questionado, Dulce acredita que a base pode estar na ideia de que a beleza é uma forma de poder. “Há uma crença cultural antiga de que uma mulher vence o homem pelo sexo. A beleza é um atrativo para a sexualidade e a ameaça feminina vem daí, com o homem vencido pelo sexo. A mulher bonita cala o homem, ele fica bobo, nesse sentido”, afirma a filósofa

Um dos defensores da “femme aux hommes”, ou seja, da mulher que se veste e se apresenta de forma a agradar o olhar masculino, é o colunista da Folha de S.Paulo Luiz Felipe Pondé. “Antes de tudo o homem olha a beleza, o que não quer dizer que ele não perceba outras características depois. Mas quem erotiza a inteligência é a mulher”, diz Pondé. “A mulher bonita e inteligente precisa tomar cuidado para não esfregar a inteligência na cara de um homem. Homem é inseguro”, diz. “Do ponto de vista externo, a inteligência feminina é um risco”. Mas ele pondera que a beleza pode criar mais problemas com colegas mulheres do que com homens. “A competitividade das mulheres passa pela beleza física”, diz. “Para um homem, a associação de beleza e inteligência no ambiente de trabalho poderá ser negativo se ele perder o cargo para uma bonita e inteligente, mas se não for bonita, ele também vai ficar irritado e desqualificá-la”. A medida entre a beleza que é vício e a que é virtude é muito tênue.
 

Pet Correio B+

Uma refeição equilibrada com nutrientes e energia que o seu pet precisa

Alimentos completos e balanceados são formulados para cada espécie e fase da vida, sem a necessidade de combinar vários alimentos ou de suplementação

24/10/2026 14h30

Uma refeição equilibrada com nutrientes e energia que o seu pet precisa

Uma refeição equilibrada com nutrientes e energia que o seu pet precisa Foto: Divulgação

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A alimentação equilibrada é fundamental para a saúde, o bem-estar e a longevidade, tanto dos seres humanos quanto dos animais. Proteínas, gorduras, vitaminas e minerais desempenham funções essenciais no organismo e precisam ser fornecidos em quantidades adequadas. Embora as exigências nutricionais sejam diferentes entre humanos e pets, o princípio é o mesmo: uma dieta equilibrada é indispensável para a manutenção da vida.

No caso dos cães e gatos, a combinação desses nutrientes é planejada de acordo com as particularidades de cada espécie e fase de vida. Os alimentos completos e balanceados são formulados para fornecer os nutrientes necessários para manutenção da saúde dos animais, nas proporções adequadas e podendo considerar ainda fatores como as necessidades nutricionais específicas de porte, raça, castração, enfermidades, nível de atividade física entre outros.

É como um prato equilibrado, que reúne diversos nutrientes em uma única refeição, porém, sem a necessidade de combinar vários alimentos para atender às necessidades nutricionais do animal.

Os avanços científicos também contribuíram para transformar a alimentação de cães e gatos ao longo dos anos. A intensificação do vínculo entre humanos e seus animais de estimação elevou as exigências dos responsáveis pelos pets, ampliando a busca por um portfólio mais sofisticado.

Esse movimento impulsionou investimentos em pesquisa e tecnologia, possibilitando o desenvolvimento de alimentos cada vez mais especializados e personalizados. “Diretrizes de instituições internacionais, como a FEDIAF (Federação Europeia da Indústria de Alimentos para Animais de Estimação) e publicações técnicas, como o Manual Pet Food da ABINPET, contribuem para ampliar o conhecimento sobre as necessidades nutricionais de cães e gatos. Hoje, contamos com ingredientes e tecnologias que permitem desenvolver fórmulas adequadas a diferentes fases da vida e particularidades, como envelhecimento, castração e controle de peso”, explica Lívea Maria Gomes, Zootecnista que atua no time de treinamento da Adimax.

Além de fornecer os nutrientes essenciais na quantidade certa, algumas formulações também incorporam ingredientes funcionais, ou seja, que podem oferecer benefícios específicos à saúde dos pets. Entre eles estão os prebióticos, condroprotetores, antioxidantes naturais, entre outros que, a depender dos ingredientes incluídos na formulação, podem contribuir para diminuir os sinais do estresse, auxiliar na saúde intestinal, colaborar no cuidado das articulações, promover uma pelagem mais bonita, auxiliar com os cuidados orais e até promover mais energia e vitalidade ao animal. A presença e a combinação desses componentes variam conforme a formulação e os objetivos nutricionais de cada alimento.

Por isso, a escolha de um alimento deve levar em conta as características e as necessidades nutricionais de cada pet. Uma formulação adequada à espécie, à fase da vida e às particularidades do animal permite oferecer, em uma única refeição, os nutrientes necessários para uma alimentação completa e balanceada.

Representatividade

Nipo-brasileira, Mariana lança o álbum "Matsui" e leva vendas de CDs ao Japão

Douradense traz um trabalho recheado da sonoridade presente no Brasil e na Terra do Sol Nascente, que conta com participação de Marcos Valle, Lisa Ono, Jaques Morelenbaum e mais

24/10/2026 13h30

Neta de japoneses, ela conta que anos vividos no Japão trouxeram experiências que influenciaram diretamente sua música

Neta de japoneses, ela conta que anos vividos no Japão trouxeram experiências que influenciaram diretamente sua música Foto: Divulgação / Paulo Mancini

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Douradense nipo-brasileira, a cantora Mariana Matsui lança seu primeiro álbum na quarta-feira, disco esse feito pela gravadora japonesa Rambling Records que é batizado com o seu nome e evidencia essas raízes da artista e toda essa afirmação de sua identidade musical edificada entre o Brasil e a Terra do Sol Nascente.

De nome “Matsui”, esse disco também vai ter uma versão no formato popular Compact Disc (CD) que nos dias atuais é encarado quase que uma peça vintage, que terá distribuição nas principais lojas de música japonesas.

Ao todo, o álbum “Matsui” possui nove faixas e traz releituras de canções de artistas que marcaram a formação de Marina, além, é claro, de composições autorais e obras que foram criadas especialmente para esse projeto. A cantora faz questão de destacar quatro nomes importantes para suas bases musicais: Marcos Valle, Lisa Ono, Jaques Morelenbaum e Takuya Kuroda participam do disco, trazendo diferentes experiências e sonoridades, em um repertório que passa pelo MPB, a bossa-nova, o jazz e até o soul. 

Com produção assinada por Big Rabello, “Matsui” traz ainda a colaboração do pianista e arranjador Salomão Soares. 

VIDA ARTÍSTICA

Neta de japoneses, Mariana Matsui conta que os anos vividos no Japão lhe proporcionaram experiências que influenciaram diretamente a sua relação com a música e a cultura orientais. A artista iniciou sua trajetória musical aos oito anos, com estudos de canto popular e violão.

Anos depois ela ingressa no Conservatório Souza Lima e Berklee College of Music, que fica em São Paulo, carregando na bagagem como artista apresentações em diversas cidades ao redor do globo, como: Lisboa, Osaka e Tóquio, passando por espaços como Blue Note São Paulo, Billboard Live Tokyo e Blue Note Tokyo, além do Fuji Rock Festival.

No dia 18 de novembro o novo CD pela gravadora japonesa Rambling Records devem começar a chegar nas lojas do país oriental, o que para Mariana Matsui carrega um significado muito especial, tendo em vista que o Japão tende a valorizar formatos físicos, capas, encartes e mais como parte de uma verdadeira experiência musical. 

Para além do lançamento de seu álbum, Mariana Matsui prepara ainda uma série de apresentações na Terra do Sol Nascente. No dia 3 de novembro ela participa do Bossa Aoyama, evento que será realizado em Tóquio, apoiado inclusive pela Embaixada do Brasil. 

Já no dia 6 de novembro, Mariana Matsui apresenta-se ao lado do artista de ikebana Ryota Hagiwara. No dia 8 de novembro, segue para Yokohama, onde integra a programação do Local Green Festival. Por fim, um show de lançamento do disco será feito para convidados na Soho House Tokyo, no dia 16 de novembro. 

Como bem revela a artista, um dos encontros mais significativos do álbum “Matsui” acontece na faixa composta por Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, “Mentira”, lançada em 1973. Essa canção marcada pelo groove traz uma letra que é marcada por todo o contexto da ditadura militar brasileira, durante a qual foi escrita, ganhando uma nova interpretação com a participação de Valle.

“Marcos Valle é uma grande referência musical para mim, desde o início da trajetória dele na bossanova, passando pela incorporação de outros elementos sonoros, como jazz, funk e pop”, expõe Matsui. 

Mariana chegou a visitar Marcos Valle em sua casa, no Rio de Janeiro, após a gravação, recebendo elogios do compositor sobre o novo arranjo e conversou com a cantora sobre sua abertura para colaborar com artistas de outras gerações.

Segundo Mariana, ele também revelou que trechos da letra original precisaram ser retirados por conta da censura durante a ditadura militar, embora a mensagem central tenha sido preservada.

“É impressionante pensar que uma canção de mais de 50 anos continua, de certa forma, tão atual. Acho que isso diz muito sobre a potência da composição e também sobre questões da nossa sociedade que continuam presentes. Quis trazer uma releitura que preservasse a essência do Marcos, mas que também dialogasse com a minha musicalidade e com a proposta do disco”, afirma ela. 

Outro destaque vai para a participação da brasileira Lisa Ono na faixa “Kawa No Nagare No Yoni”, que é considerado um dos grandes clássicos da música japonesa, eternizada principalmente na voz de Misora Hibari, que lançou a canção como single em 1989.

Essa composição atravessa gerações com a comparação do curso de um rio aos caminhos e transformações da vida.

Na versão de Mariana Matsui, a música ganha um novo arranjo, com influências de bossa-nova e jazz, sob produção do pianista e trompetista Mao Sone. Lançada previamente, a faixa foi escolhida como primeiro single do álbum e representa uma conexão especial com as origens japonesas da cantora.

“É uma música que todo filho e neto de japonês conhece. Ela me remete à infância, à família, às colônias, à convivência entre avós, filhos e netos. O álbum é majoritariamente de música brasileira, mas essa faixa sintetiza esse lugar de encontro entre as minhas raízes”, afirma Mariana.

No repertório de “Matsui” ela inclui ainda “Somewhere”, composição de Mariana com participação do trompetista japonês Takuya Kuroda, e “Lullaby”, escrita após a cantora descobrir que estava grávida do seu primeiro filho, gravação esta que contou com a vinda ao Rio de Janeiro de Jaques Morelenbaum, que participou de uma sessão ao vivo, registrada em um único take com o pianista Salomão Soares.

Entre as autorais aparecem “Olhos Morenos”, “Abençoa” e “Oxum (Tua Filha)”, parceria com Saulo Fernandes e Renato Iwai. Completam o repertório releituras de “Fotografia”, de Antonio Carlos Jobim, e da canção japonesa “Manatsu No Kajitsu”.

“Eu sinto esse pertencimento às duas culturas, que podem coexistir, mesmo sendo tão distantes. Ser esse elo entre Brasil e Japão é muito especial, honra meus ancestrais e me ajuda a entender quem eu sou no mundo”, diz a cantora.

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