Para muitos especialistas no assunto, o café é a bebida mais importante do mundo. Se o critério é a quantidade consumida, eles estão certos, pois o café só perde para a água nesse ranking. Mas a importância da bebida de cor escura que é produzida a partir dos grãos torrados do fruto do cafeeiro não se limita a critérios quantitativos.
Ao contrário, a ameaça de deficit, ou seja, a falta do produto no mercado, que a Organização Internacional do Café (OIC) anunciou, em novembro do ano passado, para este ano tem muito mais a ver com a trajetória milenar da bebida do que se imagina. Um percurso que, atualmente, se encontra muito bem documentado em pesquisas e publicações na web ou em formato físico. “Café – Um Grão de História”, livro de Sérgio Túlio Caldas e Vito D’Alessio, é uma dessas fontes preciosas.
Boa parte das informações que você lerá aqui foram colhidas na obra publicada em 2006 por Caldas e D’Alessio. Está no livro, por exemplo, a origem africana, na Etiópia, onde o café ainda brota de forma selvagem nas escarpas das montanhas.
A partir dali, o café foi protagonista de importantes transformações sociais, políticas e econômicas nos países onde aportou, inclusive no Brasil, que é o maior produtor mundial, exportando 2,2 milhões de toneladas, ou 39,4 milhões de sacas de 60 quilos, e o segundo maior consumidor, conforme dados divulgados em abril do ano passado pela OIC.
O PASTOR E O MONGE
A origem dessa bebida tão presente em nossas vidas data do século 6, quando na antiga Abissínia (atual Etiópia) um pastor que levava suas cabras para pastar notou em uma das noites que elas estavam mais agitadas e saltitantes do que o normal.
Como na noite seguinte as cabras apresentaram o mesmo comportamento, o pastor recorreu a um monge que os acompanhou, para ver se era algo sobrenatural. O monge observou que as cabras estavam comendo frutinhos vermelhos de um arbusto e levou algumas folhas e frutos para o mosteiro. Enquanto isso, o pastor provou alguns frutos e sentiu a mesma excitação de suas cabras.
No mosteiro, fizeram uma infusão com as folhas e os frutos, mas o sabor era tão amargo e desagradável que eles atiraram ao fogo, surgindo um aroma extasiante. Foi feita então uma nova infusão e os monges beberam e ficaram a madrugada inteira recitando escrituras. Assim, foi descoberta essa bebida mágica chamada café, capaz de acabar com o cansaço e estimular o cérebro.
No século 15, o café já era muito apreciado na região da Etiópia quando cruzou o Mar Vermelho e atingiu o Iêmen, ganhando interesse do governo e de agricultores, conquistando o mundo árabe. A bebida era preparada, naquele tempo, da seguinte forma: a água era fervida em uma chaleira própria, o pó de café era adicionado e a mistura fervia por mais um tempo para perder o sabor desagradável. Devia-se bebê-la rapidamente.
Algumas pessoas adicionavam açúcar, canela e cravo-da-índia. Essa bebida era chamada cahue ou café. A espécie da planta ficou conhecida como Coffea arábica por ter se adaptado muito bem na Arábia. Outras espécies passaram a ser cultivadas no fim do século 19, como a Coffea robusta.
EUROPA
No século 16, o Iêmen caracterizava-se como o principal produtor de café, que já era bem conhecido no Oriente Médio. Em meados de 1500, a bebida passou a ganhar as terras do Egito, da Síria, da Turquia e da Grécia, trazida principalmente pelos mercadores que cruzavam a região. Por volta de 1600, o café chegou ao sul da Índia, espalhando-se por outras regiões do país. Nessa época, o porto iemenita da cidade de Mokka, no Mar Vermelho, era o maior exportador de café, levando a bebida para a Europa Ocidental.
O primeiro pé de café chegou à Europa em 1616, desembarcando no Jardim Botânico de Amsterdã. Esse pé ficou em uma estufa e originou novos pés, que foram levados para o Ceilão (atual Sri Lanka) e Java (Indonésia), colônias holandesas. Em 1706, os holandeses eram responsáveis pelo abastecimento de café de toda a Europa, enquanto a Indonésia havia se tornado o primeiro grande produtor e exportador do grão.
Na Turquia, na Europa e nos países árabes, as casas de café eram locais muito frequentados por intelectuais, artistas, religiosos e comerciantes. Em Londres, que contava com cerca de 2 mil casas que vendiam a bebida em 1715, seu consumo veio antes do chá. Dá para acreditar? Iria?
EUA
Foi nessa mesma época que começaram a surgir diversas casas de café em Boston e Nova Iorque. Dizem que foi em um café em Boston, na Union Street, que surgiram os acordos e pactos para a revolução que culminou a independência americana, em 1776. Além disso, como o chá era associado à coroa inglesa, os norte-americanos passaram a consumir mais café e hoje são os maiores consumidores do mundo.
PELO MUNDO
Continuando a história, o aumento da demanda fez as lavouras expandirem e, no fim do século 18, os cafezais também prosperavam na Jamaica, em Cuba, em Porto Rico, na Guatemala, em Costa Rica, na Venezuela, na Colômbia e no México. Os franceses levaram o café à Guiana Francesa, ao Haiti, a Guadalupe, às Ilhas Maurício (África), a Tonquim (atual Vietnã) e à Ilha Reunión (conhecida como Bourbon).
A chegada do café ao Brasil teve início em 1718, quando os holandeses embarcaram um cafeeiro para o Suriname, sua colônia. Um ano depois, o café chegou à Guiana Francesa clandestinamente. Dessa colônia francesa, o café foi trazido ao Brasil, mas a expansão do café em território brasileiro fica para uma próxima. Até porque o País tem uma data própria para celebrar a bebida.
O Dia Nacional do Café, no dia 24 de maio, data em que se comemora também o Dia do Barista, especialista no preparo da bebida, é celebrado nessa data para simbolizar o início da colheita na maior parte das regiões produtoras do País. Agora mão à obra e bom apetite.
PUDIM DE CAFÉ

Ingredientes
- 4 ovos;
- 750 ml de leite;
- 650 g de leite condensado;
- 240 g de açúcar;
- 150 ml de água;
- 70 g de café solúvel.
Modo de Preparo
- Em uma forma, coloque o açúcar e leve ao fogo para derreter, mexendo sempre.
- Acrescente a água e deixe ferver até o ponto de fio forte.
- Em um recipiente, quebre os ovos separadamente. Em seguida, coloque-os no liquidificador e acrescente o leite e o leite condensado. Bata por 3 minutos para obter uma mistura homogênea.
- Despeje a mistura na forma caramelizada, cubra com papel alumínio e leve para assar em banho-maria em forno médio por 45 minutos.
TIRAMISU

Ingredientes
- 300 g de ricota fresca;
- 6 colheres de sopa de creme de leite;
- 2 colheres de sopa de cream cheese;
- 4 colheres de sopa de açúcar refinado;
- 3 gemas;
- 2 colheres de sopa de conhaque;
- 1 colher de sopa de essência de baunilha;
- 3 claras em neve;
- 300 ml de café forte;
- 200 g de biscoito champanhe;
- 4 colheres de sopa de chocolate em pó.
Modo de Preparo
- Em uma batedeira, coloque a ricota com o creme de leite e o cream cheese até que fique cremoso. Reserve.
- Bata o açúcar, as gemas, o conhaque e a baunilha até obter um creme homogêneo e reserve.
- Bata as claras em neve e junte a elas o creme de ricota e o creme de gemas. Em seguida misture delicadamente.
- Passe os biscoitos no café e vá colocando em um refratário de sua preferência, alternando as camadas de bolacha e creme.
- Para finalizar, polvilhe o chocolate em pó por cima da última camada de creme.

O ator Filipe Bragança é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Cássia Tabatini - Diagramação:Denis Felipe -
O ator Filipe Bragança é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Cássia Tabatini - Diagramação:Denis Felipe -


