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Diálogo

Nos bastidores, há quem esteja afirmando, ironicamente, que a cidade de Ca... Leia na coluna de hoje

Confira a coluna Diálogo deste sábado e domingo (01/02 e 02/02)

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Sylvia Cesco - poeta de MS

Violetas desfolhadas ou passarinhos escondidos, 
meus voos são só meia asa pelo pranto 
não escorrido, pela dor não cicatrizada”.

FELPUDA

Nos bastidores, há quem esteja afirmando, ironicamente, que a cidade de Campo Grande estaria vivendo momentos dignos de capítulos de novela. Um deles é o de competição, tendo como personagens buracos que querem ser mais profundos que os outros. Um novo episódio já mostra despeito, tendo como protagonistas os matagais, onde um inveja o tamanho do “concorrente”. Por fim, há o capítulo do amor não correspondido: semáforos desligados que não estão nem aí para pedestres e motoristas. Essa gente...

Na terça-feira (28), no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, foi realizada a solenidade de posse das novas diretorias da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional de Mato Grosso do Sul (OAB-MS), da Caixa de Assistência (Caams), da Escola Superior da Advocacia (ESA-MS) e dos conselheiros estaduais, que atuarão no triênio 2025-2027. Bitto Pereira assumiu a presidência da OAB-MS, tendo Marta do Carmo Taques como vice-presidente. O presidente da OAB nacional, Beto Simonetti, abriu a cerimônia e lançou o ato nacional em defesa da sustentação oral. O presidente empossado, Bitto Pereira, agradeceu a presença de todos e ressaltou que a vitória é conjunta. “Graça e gratidão, obrigado por tudo e obrigado por tanto. O que fica na OAB são as demonstrações de amizade e de carinho, essas são indeléveis, as que mais importam”, afirmou em seu discurso.

Gisele Marciano, idade nova neste domingo

 

Josyne Simioli Correa, comemorando aniversário neste sábado

Reinício

A posse da Mesa Diretora para o biênio 2025-2026 será em ato restrito, nesta segunda-feira, na sala da presidência. Gerson Claro retornará ao comando da Casa. Na terça-feira, ocorrerá a abertura da 3ª sessão legislativa, às 9h, com a presença do governador Eduardo Riedel, que encaminhará mensagem sobre suas propostas para o ano. A partir do início dos trabalhos, poderá se sentir o “humor” dos parlamentares.

Tudo igual

Como não houve licenciamento de nenhum deputado, as bancadas estão com os mesmos titulares. São seis parlamentares do PSDB, três do MDB, três do PT, três do PL, dois do PP, Republicanos e PSB tem um representante cada e há um deputado sem partido.

Esparramo

A vereadora mais votada de Dourados, Isa Marcondes, gravou vídeo, postou em suas redes sociais sem citar nomes, de reunião que teria acontecido com pequeno grupo, levantando dúvidas sobre a lisura do que foi tratado. Disse que vai procurar o prefeito Marçal Filho tão logo tenha documentos em mãos. Afirmou que “sempre trabalhei sério dentro de uma zona” e que não seria diferente na Câmara Municipal. Afe!

ANIVERSARIANTES

SÁBADO (1º)

Josyne Andréa Simioli Fontoura Correa, 
Dr. Alexandre Cury, 
Ieda de Faria Molina, 
Luiz Adive Palmeira, 
Nasmen Mahfouz,
Kelly Cristina Nascimento Saad,
Ignácia Vera de Andréa,
Taltiney Amabile Vendramini Duran,
Waldir Pedroso de Oliveira,
Célia Ramires da Silva,
Anacleto Gheno, 
Juçara Gois Pais,
Mauro Lutterbach Lobato,
Sandra Rodrigues Oruê da Silva,
Gilson dos Reis,
Antonio Toshime Arashiro,
Gervasia Del Socorro Saldanha,
Kilza Corrêa Botelho,
Mirian Satsuko Abe,
Nestor Catelan,
Pedro Nunes de Siqueira Júnior,
Rubens Keniti Nakaya,
Rui Manoel Alves Tavares,
Juliano Coelho Arakaki,
Mariá Recalde Grilo, 
Dr. Jonas Escórcio Neto, Neuza Graziano Russo,
Alan Gustavo Barbosa Monteiro, 
Dânia Cristina Correia Sotoma Arguelo,
José Manuel Dias Alves,
Jaqueline Carvalho 
Pinheiro dos Santos,
Eliza Ibrahim Zaher do Nascimento,
Tânia Aparecida Pinto,
Maria Eliane Filizola Costa,
Lianey Barbosa, 
Audalio de Freitas Souza,
Eduardo Eugênio Siravegna,
Beatriz Helena de Souza Bexiga de Carvalho,
João Benedito Yama Higa, 
David Melgarejo,
Bruno Rodrigues Almeida, 
Antônio João Flôres, 
Eunice Azevedo,
Marlene Mansour Mendes,
Daniella Souza Freire,
Durval Lima Ferreira,
Marcelo Fernandes Braz,
Marilúcia Martins,
José Maria Lopes,
Laura Rodrigues Mello,
Dr. Celso Fetter Hilgert, Carmem Kamiya Nakao, 
José Inácio Correia,
Maria Salete Zenhofen,
João Carlos de Assumpção Filho,
Valéria Piano da Silva,
Fernando Soiti Kinjo,
Ednéia Pegoraro Florêncio Cilli,
Dr. José Nogueira de Souza Júnior, 
Simão Pedro Monteiro Haddad,
Emygdio Alves de Queiroz Neto,
Cirlene Bidóia da Silva,
Diná Adelina de Carvalho Viana,
Regiane Cléia Borges Nanni,
Mohamed Reni Alves Akre,
Anna Paula Falcão Bottaro Machado,
Bonifacio Tsunetame Higa Júnior,
Alarico David Medeiros Júnior,
Magda Janete Wilde Callegaro, 
Edson Takeshi Nakai,
Robson Nicola Dichoff.

DOMINGO (2)

Gisele Marciano Inacio, 
Jabes Moreira de Brum,
Altair Perondi,
Natália Guido Gameiro, 
Erivelto Duim, 
Angelice Maria Nery da Silva, 
Alzira Batista da Rocha,
Alberto Youssef,
Deyvis Ecco,
Ione Hildebrano Nantes, 
Alfredo Tobji,
Maria Aurea Pinheiro Araujo,
Ana Maria Bernardelli,
Victório Broch, 
Luiz Gomes,
Avenir Ferreira,
Maria Salete da Silva Vinhofen,
Reginaldo Gomes do Carmo,
Angela de Oliveira Franco,
Paulo César Coutinho Almeidinha, 
Ângela Jabrayan Schmidt,
Anderson Chadid Warpechowski, 
Camila Ferreira, 
Karolyne Moreno de Oliveira, 
Milena Maria Carvalho Tosta,
Roberto Costa,
Eudas de Faria,
Luciana Barbosa Lyrio,
Pe. Carlos Eduardo Asato Higa,
Arabelly de Souza Medeiros,
Mauriene Gonçalves Moura,
Deborah Fonseca Araújo,
Jandaíra Carla dos Santos, 
Deonice Candelaria da Silva,
Michele Crochemore,
Alice Farias da Rosa,
Carlos Oscar Lopes, 
Valdir Paulo Soligo,
Sônia Maria de Castro,
Rose Colombo Azevedo, 
José Candelário Ferraz, 
Ney Luzardo, 
Antônio Pio da Silva,
Edmilson Pereira de Souza,
Cleide Costa Ávila,
Aldemir Ribeiro,
Elisangela Dias Filgueiras dos Santos,
Ivo Marcos Vieira,
Jussara Martins Gonçalves,
Luiz Alves Corrêa Filho,
Olivio de Oliveira Júnior, 
Dalva Saab Guedes, 
Helio Albarelo,
Enéias Francisco Bello,
José Pires Hildebrand, 
Elizabeth Mascarenhas, 
Sônia Maria Ranzi, 
José Augusto Corrêa Júnior,
Eneida Helena Müller Marques Troncoso, 
Antônio da Silva Gonçalves,
José Nolasco de Sena Filho,
Francisco Ribeiro da Silva,
Caroline Machado Siviero,
Laura Vieira,
Jorge Kendor Ferreira,
Mario Cabral Costa Mello,
Luíz Guilherme Barbosa Espíndola,
Jailma Soares de Sousa,
Deodato Cunha da Rocha,
Enrico de Rosa Silva Dacal,
Rafael Chimenes Figueiredo,
Andréia Akemi Chiapinotto Imai,
Leila Alves Arenales,
Osmar Lachi,
Marcelo Anguita Borges,
Jamara Cardoso Figueredo Curcio,
Camila da Silva Neves Congro,
Bruno Medina de Souza,
Rosimeire Cecília da Costa.

*Colaborou Tatyane Gameiro

crônica

Amores Maduros

12/05/2026 08h45

Arquivo

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Minha amiga tem 82 anos e dois namorados. Claro que ela mora numa metrópole, mais precisamente em São Paulo; do contrário, fosse nestas plagas, os dois fatos seriam quase inadmissíveis.

Pergunto a ela o porquê de ter dois namorados. Ela responde que é para não virar rotina — para "revezar". Acho graça, mas tem lá sua lógica. Nesta idade, é comum criar hábitos, e tudo o que ela não quer é criar vínculo. O que Bia quer mesmo é ir ao cinema, jantar fora de vez em quando, visitar exposições de arte, caminhar no parque. Não que precise de companhia para isto. Não, minha amiga é, de longe, uma das pessoas mais independentes que conheço.

Ela me conta que conheceu um deles na antessala do cinema e o outro num restaurante. "Como assim?", pergunto curiosa e, de alguma forma, um pouco perplexa. Afinal, cenas desta natureza não são nada comuns por aqui. "A gente começou a conversar sobre o filme e vimos que temos muita coisa em comum", contou. Depois disso, engataram um namoro.

O segundo conheceu numa pizzaria, ela com uma taça de vinho na mão e ele também. Olha para cá, rabicho de olho para lá, o moço pede para fazer um brinde. Ela o chama para sentar-se à mesma mesa: "Melhor que conversar à distância", explica. Depois de muito papo, despedem-se, mas esquecem de trocar telefones.

Os dias passam e o moço não lhe sai da cabeça. Ela volta ao restaurante e pergunta por ele. "Ah, claro! Todos aqui o conhecem. Mora perto, no bairro". Com apenas o nome da rua, ela sai em uma cruzada em busca daquele que vem lhe tirando o sossego. No terceiro prédio, o porteiro confirma: sim, ele mora aqui. Ela deixa um bilhete carinhoso e espera.

Ele liga na sequência e combinam um jantar. Divorciado, cineasta e bom de papo. O resto virou história — história que me aguça a curiosidade e, por que não dizer?, uma certa inveja. Inveja das possibilidades que ela agarrou contra todas as probabilidades, num país que louva a juventude. Mas é certo que Bia é uma das pessoas mais lindas que conheço. Não apenas fisicamente, mas de alma e espírito. Conversa sobre tudo, não tem preconceitos, não faz julgamentos e se abre completamente para a vida. Um belo exemplo de ser humano.

Falar sobre Bia me faz lembrar de Danusa Leão. Cortejada por um desconhecido em seu restaurante favorito, ela resistiu ao flerte insistente. Mas coincidência ou destino, estavam hospedados no mesmo hotel. No quarto recebeu a ligação com o convite para um último drinque. Danusa parou, refletiu e se perguntou o que tinha a perder. Afinal, naquela noite, ela completava 70 anos e estava sozinha em Paris. Viva a sabedoria, o savoir vivre e as grandes metrópolis.

DANÇA

Em 40 anos, a Ginga Cia. de Dança se consolidou como uma das maiores companhias do Centro-Oeste

Em quatro décadas, a Ginga Cia de Dança transcionou dos circuitos competitivos para espetáculos e se consolidou como uma das maiores companhias do Centro-Oeste

12/05/2026 08h40

Ao longo de quatro décadas, mais de 100 bailarinos passaram pela companhia

Ao longo de quatro décadas, mais de 100 bailarinos passaram pela companhia Divulgação

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Em um país onde manter um grupo artístico ativo já é, por si só, um ato de resistência, completar quatro décadas de trajetória representa mais do que permanência. Significa passar por mudanças culturais, dificuldades financeiras, transformações estéticas e gerações inteiras sem perder o movimento.

Neste ano, a Ginga Cia de Dança chega aos 40 anos consolidada como uma das companhias mais longevas e importantes da dança contemporânea do Centro-Oeste brasileiro.

Fundada em 1986, em Campo Grande, pelo coreógrafo e diretor Chico Neller, a companhia nasceu sem grandes estruturas institucionais ou planejamentos formais. O ponto de partida foi o desejo coletivo de dançar.

A partir desse impulso, a Ginga construiu uma história marcada por experimentação artística, formação de bailarinos, circulação nacional e espetáculos que transformam temas sociais em dramaturgia corporal.

Ao longo de quatro décadas, mais de uma centena de bailarinos passaram pela companhia. Muitos iniciaram suas trajetórias ainda crianças, dentro do Projeto Dançar, criado em 1997, e seguiram carreira profissional. Outros encontraram na dança um espaço de acolhimento, reconstrução pessoal e pertencimento.

Hoje, a Ginga celebra seu legado olhando também para o futuro. Além da circulação estadual do espetáculo “Rompendo Silêncios”, a companhia iniciou a criação de “Corpo Território”, novo trabalho que investiga identidade, pertencimento e cultura sul-mato-grossense.

O COMEÇO

Quando a Ginga surgiu, em meados da década de 1980, a dança contemporânea ainda tinha pouca visibilidade em Mato Grosso do Sul. Os circuitos culturais eram limitados, os investimentos escassos e havia pouca circulação de grupos profissionais fora dos grandes centros do País.

Segundo Chico Neller, a companhia nasceu da união de bailarinos movidos pela vontade de estar em cena.

“A Ginga Cia de Dança surgiu da união de bailarinos que tinham, acima de tudo, o desejo de dançar. No início, não havia um propósito institucional definido ou uma estrutura consolidada. Existia a vontade de criar, estar em cena e compartilhar a dança com diferentes públicos”, relembra.

As primeiras coreografias, como “Passagens”, “Prisma”, “Phisma 2” e “Feras”, já indicavam características que se tornariam marcas da companhia: intensidade física, sensualidade, potência feminina e investigação das relações humanas por meio do corpo.

“Mesmo naquele início, existia um interesse pelo corpo como espaço de expressão e narrativa. Isso continua sendo uma marca da Ginga até hoje”, afirma o diretor.

Inicialmente ligada à linguagem do jazz e ao circuito competitivo de festivais, a companhia rapidamente ganhou reconhecimento regional e nacional. Nos anos seguintes surgiram obras como “Sistemas”, “Cúbica”, “Ginga Brasil”, “Pare e Pense”, “Por Você”, “Te Amar”, “Herança Negra” e “Influência”.

O grupo conquistou premiações importantes, incluindo o Jacaré de Prata, com destaque para Melhor Coreografia e Melhor Bailarina.

RECONHECIMENTO NACIONAL

A década de 1990 marcou a consolidação nacional da companhia. A participação no Festival de Dança de Joinville – considerado um dos maiores festivais de dança do mundo – mudou os rumos da Ginga.

Foi naquele palco que a companhia percebeu que o trabalho desenvolvido em Mato Grosso do Sul tinha potência para dialogar com a cena nacional.

“O Festival de Joinville teve um impacto fundamental na trajetória da Ginga. Foi ali que começamos a entender que o trabalho que fazíamos em Mato Grosso do Sul podia dialogar com o cenário nacional da dança”, afirma Chico.

Durante os anos 1990, a companhia apresentou coreografias como “Purificação”, “Olhe-me”, “Entre Nós”, “Espíritos que Dançam na Carne”, “Face a Face”, “Távora” e “Instinto”, conquistando prêmios importantes nas categorias jazz e dança moderna.

A participação na Noite de Gala do festival – espaço reservado às coreografias mais premiadas e de maior destaque – se tornou um dos momentos simbólicos da trajetória da companhia.

“Para nós, que estávamos longe dos grandes centros culturais do País, era muito significativo perceber que um grupo vindo de Campo Grande podia ocupar aquele espaço e ser reconhecido artisticamente”, destaca o coreógrafo.

Mas o impacto de Joinville foi além das premiações. O festival também funcionou como espaço de troca artística. “Tivemos contato com outros grupos, outras linguagens e outras formas de pensar a dança. Acho que isso foi determinante para o amadurecimento da companhia”, explica Chico.

ARTE QUE ACOLHE

Entre as artistas que tiveram suas trajetórias profundamente marcadas pela Ginga está Márcia Rolon, ex-bailarina da companhia e fundadora do Moinho Cultural.

Ela conta que chegou ao grupo em um momento de ruptura pessoal. “Eu estava totalmente sem chão. Saía de um relacionamento marcado por dor e violência. Tive que deixar minha cidade, meu Pantanal, e voltar para a casa dos meus pais em Campo Grande. A dança foi minha luz”, relembra.

Márcia procurou a companhia em busca de acolhimento artístico e emocional. “O Chico Neller me acolheu, me incluiu no grupo e me ensinou a ser mais fluida. Me trouxe de volta o respiro e o amor”, relembra.

Segundo ela, a Ginga foi determinante não apenas para sua formação artística, mas para a reconstrução de sua vida. “A Ginga me apresentou o palco profissional, me permitiu ser intérprete-criadora, me convidou para coreografar e me colocou no palco do maior festival de dança do mundo”, afirma.

Mais tarde, as experiências vividas dentro da companhia ajudaram Márcia a criar a Mostra Corumbá – Santuário Ecológico da Dança e a fundar o Moinho Cultural. “Tudo está interligado”, resume.

RESISTÊNCIA

Manter uma companhia de dança ativa por 40 anos fora do eixo Rio-São Paulo nunca foi simples. A falta de continuidade de políticas culturais, dificuldades de financiamento e os altos custos de circulação sempre fizeram parte da realidade da Ginga.

“Fazer dança no Brasil já exige resistência, e fora do eixo Rio-São Paulo isso se torna ainda mais difícil”, afirma Chico Neller.

Segundo ele, a permanência da companhia só foi possível graças à criação de redes de formação e pertencimento. “A companhia não se sustentou apenas pelos espetáculos, mas também pela construção de uma rede de pessoas que acreditam na dança como espaço de transformação”, diz.

Essa visão também aparece no depoimento do bailarino Paulo Oliveira, integrante da nova geração da companhia.

Paulo começou na dança ainda criança, por meio do Projeto Dançar, em 2004. “Boa parte da pessoa e artista que me tornei foi construída dentro desse espaço”, afirma.

Hoje, integrar uma companhia com quatro décadas de história representa, para ele, uma responsabilidade coletiva. “Estar na companhia entendendo toda a sua história, resistência e impacto cultural no MS é também assumir uma responsabilidade de continuidade”, defende.

Segundo o bailarino, o legado da Ginga não está preso ao passado. “A companhia nunca foi estática. Quem chega traz novas referências, novas urgências. O legado da Ginga está justamente nessa capacidade de permanecer em transformação”, explica o bailarino.

MUDANÇA

Um dos momentos mais decisivos da trajetória da companhia aconteceu em 1999, quando a Ginga decidiu abandonar o circuito competitivo de festivais e aprofundar sua pesquisa em dança contemporânea e criação autoral.

O espetáculo “Despalavras” marcou essa transição. “A energia dos bastidores, a comparação e a avaliação não combinavam com arte”, afirma Márcia Rolon.

Ela lembra que, em um ano, a companhia competia nos festivais; no seguinte, já aparecia como grupo convidado em grandes eventos. “Essa foi a grande virada da Ginga e o reconhecimento do Chico Neller como diretor e coreógrafo”, conta.

A partir daí, a companhia passou a investir em espetáculos completos, com maior elaboração dramatúrgica e aprofundamento conceitual.

Nos anos seguintes surgiram obras como “Conceição de Todos os Bugres”, “Corpo Latino”, “Um Tema para Quatro”, “Vem Dançar Comigo” e “Aqui ou em Qualquer Lugar”.

O processo também foi fortalecido por intercâmbios com importantes nomes da dança contemporânea brasileira, entre eles Mário Nascimento, Tíndaro Silvano, Luis Arrieta e Vanessa Macedo.

EXPRESSÃO

Nas últimas décadas, a Ginga aprofundou ainda mais sua relação com temas sociais e humanos.

Em 2022, a companhia estreou “Silêncio Branco”, espetáculo que aborda feminicídio e violência contra a mulher. A obra transformou em movimento o silêncio imposto às vítimas da violência de gênero.

Em 2023, o espetáculo foi contemplado pela Bolsa Funarte de Dança Klauss Vianna, fortalecendo sua circulação nacional.

Já em 2024, a companhia realizou a recriação coreográfica “Rompendo Silêncios”, assinada por Vanessa Macedo, ampliando a investigação artística sobre violência contra a mulher.

Para Paulo Oliveira, trabalhar temas urgentes altera profundamente o processo criativo. “Os trabalhos da Ginga partem muito das experiências humanas, das tensões contemporâneas, das questões de identidade, pertencimento e coletividade”, afirma.

Segundo ele, a dança possui capacidade de provocar reflexão social justamente por atuar no campo sensível. “A dança cria experiências e pode despertar perguntas no público, mesmo sem entregar respostas prontas”, pontua.

DANÇA CONTÍNUA

Chegar aos 40 anos não representa encerramento, mas continuidade.

Além da circulação estadual de “Rompendo Silêncios”, a companhia prepara “Corpo Território”, novo espetáculo que investiga as relações entre corpo, memória, identidade e pertencimento.

Ao olhar para trás, Chico Neller afirma que a maior conquista da companhia talvez seja justamente sua permanência. “Me orgulho de olhar para trás e ver quantos bailarinos passaram pela companhia, quantas vidas foram atravessadas pela dança e quantas pessoas descobriram um caminho artístico dentro da Ginga”, diz.

Depois de quatro décadas, a companhia segue inquieta. “Acho que o que mais me emociona é perceber que a companhia continua viva, em movimento, com vontade de pesquisar, criar e continuar acreditando na dança como espaço de encontro, reflexão e transformação”, conclui o diretor.

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