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MÚSICA

Novo álbum de Moacir Lacerda conta a saga do português Aleixo Garcia para enaltecer MS

Contar a saga do português Aleixo Garcia para enaltecer Mato Grosso do Sul como rota estratégica e "berço da América Latina" nos cinco séculos de história do Estado, é essa a ambição do novo álbum de Moacir Lacerda

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Um álbum musical de 29 faixas para contar a saga do explorador português Aleixo Garcia e cravar Mato Grosso do Sul como “berço da América Latina”, ponto estratégico de rotas que abriram caminho para a descoberta de novos destinos e a criação de futuros países, legando um caldo multicultural vigoroso e complexo, de implicação angular na identidade local, no ano em que se comemoram os cinco séculos de história do Estado.

É essa a ambição de Moacir Lacerda com “Aleixo Garcia – A Jornada Épica”, seu mais novo projeto, com o qual vem batendo à porta do poder público e de outros possíveis parceiros. As gravações seguem a pleno vapor, no estúdio do músico Gilson Espíndola, e todas as faixas devem estar finalizadas nas próximas duas semanas. Já o lançamento do álbum está previsto para o fim de março, ainda sem data definida.

Dá gosto ver Lacerda falar sobre o projeto, cuja ideia nasceu durante a produção de outro disco, que completa uma década em 2025. “Esse trabalho começa em 2015, quando eu realizo ‘A Chama da Paz da América do Sul’, uma antologia musical literária que nós lançamos com 285 canções e 85 participações de poetas, escritores e historiadores. Sempre moldei a minha carreira musical como compositor em cima de fatos históricos”, remonta o Alma Pantaneira, como o integrante do Grupo Acaba costuma ser chamado.

“Isso aconteceu com a música ‘As Monções’, que nós compusemos lá nos anos 1970, e a partir dessa história surgiram as Rotas Monçoeiras, um traçado turístico e de desenvolvimento histórico também. Aí comecei o trabalho do Cabeza de Vaca. Ele tinha visitado o Pantanal em 1544 e foi ele que deu o nome à região como Laguna de los Xarayes. Da experiência que eu fiz com o Cabeza de Vaca, lançando um álbum contando a história dele musicalmente, surgiu o personagem Aleixo Garcia”, detalha.

Falecido em 1525, o navegador lusitano tem data de nascimento desconhecida. Mas é farta a documentação que comprova sua presença e seus feitos em território brasileiro e sul-mato-grossense. 

“Ele era um marujo, um genérico dentro de uma expedição espanhola de Juan Díaz Solís (1470-1516), em 1516. A expedição saiu da Espanha para descobrir uma passagem para o Oceano Pacífico, uma caminho para as Índias”, prossegue Moacir Lacerda.

O SOBREVIVENTE

“Ele [Solís] foi costeando Santa Catarina e o Rio Grande do Sul e se deparou com aquela que hoje é a Bacia do Prata, pensando que aquela seria a passagem. Ele entra ali e chama de Mar Dulce. Nesse descobrimento, ele faz o contato com os índios charruas e é assassinado. Ele e uma parte da tripulação. Então, as naus voltaram para a Espanha para levar o fracasso para o rei. 

Uma das caravelas afunda em Santa Catarina, na região de Meiembipe, e entre os sobreviventes estava Aleixo Garcia. Então é onde a história começa”, apresenta o músico.

“Aleixo Garcia aparece aí. Até então ele era um genérico. É socorrido pelos índios guaranis carijós e seduzido pelos adornos de prata e de ouro que esses índios tinham. Alguns amuletos. Os índios informaram que vieram da Cidade de Pedra. Ele fica oito anos convivendo com os índios, casa, tem filhos e descobre que tinha o caminho de Peabiru. Os índios sabiam esse caminho”, revela.

“Era uma ramificação de caminhos que saíam de São Paulo, de Santa Catarina e do Paraná e que iam até praticamente o Oceano Pacífico, passando pelo Império Inca. Com essa convivência, ele passa a ser o líder, junta cerca de 2.000 índios e sai em caminhada de Santa Catarina, passando pelo Paraná e por Mato Grosso do Sul, na região de Corumbá, em Albuquerque”, conta o Alma Pantaneira.

“Ele vai pelo Rio Miranda, chega ao Rio Paraguai e para ali. Desce e descobre o Paraguai, entra no Rio Pilcomayo, descobre a Bolívia e vai até perto de Potossí, lá no Império Inca. Essa saga dele foi feita em 1524. Ele retorna do Império Inca com ouro e prata e é assassinado na volta pelos índios paiaguás, canoeiros, lá no Rio Paraguai. É uma história fantástica. Por isso que chamo de ‘Jornada Épica’”, afirma, com empolgação.

“A motivação veio dessa história, que é pouco conhecida, e mais importante é a data, 1524. Com essa consistência histórica do Brasil, do Paraguai e de Portugal, caiu uma luz: 2024, Mato Grosso do Sul 500 anos. MS 500 anos. Esse é o grande lance dessa descoberta”, diz.

“Mato Grosso do Sul está entre os estados do Brasil mais antigos. Você pega a Bahia, 1500, Santa Catarina, 1516, São Paulo, 1530, com Martim Afonso de Souza [1500-1564]. Então, Mato Grosso do Sul, junto com o Paraná, ficou entre os estados mais antigos do Brasil”, completa o Alma Pantaneira.

LIVRO E PALESTRAS

Lacerda prossegue com o seu inventário histórico para cravar MS como o berço de “todas” as descobertas latino-americanas. “Daqui saíam todas as expedições para fundar Paraguai, Bolívia, Chile, Peru. Todas elas passaram por aqui, inclusive para descobrir, em 1750, Cuiabá. Então, Mato Grosso veio 250 anos depois. Essa magnífica histórica me motivou ainda mais a contar isso de maneira musical”, garante.

“Como eu fiz o trabalho do Cabeza de Vaca, e com essa repercussão dos 500 anos de MS, resolvemos fazer um projeto para apresentar para o governo do Estado. Não é somente a questão da música. Tem um ciclo de palestras para debater esse tema com a sociedade, com nomes como o professor Gilson Martins, autor de dezenas de livros, o Rodrigo Teixeira, escritor, o Carlos Vera, o Gilson Espíndola. Tem também um livro infantil ilustrado para contar essa história para as gerações que precisam mudar essa mentalidade”, anuncia Lacerda.

REPERTÓRIO

“A partir dessa abertura, dessa descoberta feita pelo Aleixo Garcia, praticamente todas as expedições de exploração e de fundação da maioria dos países sul-americanos passam por Mato Grosso do Sul, na região ali de Albuquerque. A partir daí, aqui é o berço da América Latina”, reforça.

“Porque, de lá dessa região, você poderia ir para o norte, para a Amazônia e para o Atlântico. Poderia ir para o sul, para o Paraguai, a Argentina e o Uruguai. Poderia ir para o leste, a Bolívia, o Chile, o Atlântico e Pacífico. E poderia ir para o oeste e encontraria Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro”, mapeia Lacerda.
“É um ponto central essa região da Laguna de los Xarayes, onde conviviam várias nações indígenas. Os paiaguás, os guaicurus, os guató, os porrudos e os xarayes. Porque na região tinha abundância de peixe e de caça. Viviam ali as nações indígena e as nações incaicas“, diz o músico. 

“Então, elas tinham contato, e disso aí era o berço da América Latina. E daí vem uma coisa que, infelizmente, eu vou ter que cantar, que é a dizimação dos povos originários, que começou a partir dessas entradas”, lamenta. 

“O repertório tem aspectos históricos, aspectos sociais, questões etimológicas, as etnias indígenas e o seu extermínio e sofrimento. E a degradação que houve, não somente na América do Sul, mas também na América Central e na América do Norte”, afirma.

“Esse álbum canta essa espoliação, essa dizimação dos povos originários. Por isso, na capa, está o Aleixo Garcia, tem a figura de um inca e tem figuras indígenas ali. Ele não é o descobridor. Ele foi o primeiro europeu que chegou nessas terras. Aqui já habitavam nações indígenas por mais de 10.000 anos, segundo estudos antropológicos”.

ESTILOS

“Em termos de gêneros e de estilos, as músicas têm influências espanholas, sons indígenas, têm lamentos, réquiens, música latina, chamamé, rasqueado. Você pega a cultura saindo lá de 1500 e vai trazendo para cá, para os nossos dias. Tem uma presença um pouco erudita, aparece ali com um canto meio de reminiscências ibéricas. E tem uma linguagem também contemporânea. São diversos gêneros, porque esse trabalho não foi feito somente pelo Moacir. Tem alguns integrantes do Grupo Acaba, convidados, mais de 40 pessoas envolvidas”, detalha.

MS 500

“Os 500 anos é uma grande oportunidade para se divulgar, e a previsão de lançamento é fim de março. Assim como o Caminho de Peabiru era um traçado que unia o Atlântico ao Pacífico, a Rota Bioceânica também é a mesma jornada, e todas elas passam por MS. Isso é que é importante. Faremos um trabalho que vai contribuir para que as novas gerações possam ter, no Estado, uma outra consciência. Não precisar mais falar Mato Grosso do SUL! Rapaz, Mato Grosso do Sul é antes de tudo. É 1524”, defende Moacir Lacerda.
“O que precisa é ser veiculada essa história. Essa falta de sintonia entre as pessoas com referência ao Estado vai desaparecendo. Para isso, precisa de uma ação do próprio governo do Estado, de apoio a um projeto dessa natureza”, reivindica o músico.

saiba

Convidados: Grupo Acaba – Canta-Dores do Pantanal, etnias indígenas charrua, kaiowá e terena, Camerata Madeiras Dedilhadas, Alvani Calheiros, Alzira E, Ana Lúcia Gaborim, Antônio Luiz Porfírio, Aurélio Miranda, Carlos Batera, Carlos Vera, Douglas Santos, Edvaldo Jacinto, Emmanuel Marinho, Fábio Kaida, Felipe Lacerda, Gabriel Andrade, Geraldo Espíndola, Gilson Espíndola, Humberto Espíndola, Itamar Assumpção, Jerry Espíndola, José Bittencourt, Luciana Fisher, Luiz Sayd, Marcelo Fernandes, Marcos Assunção, Marcelo Loureiro, Odon Nacasato, Pedro Ortale, Raquel Naveira, Rodrigo Teixeira, Rubenio Marcelo, Sandro Moreno, Tetê Espíndola, Tião César, Vandir Barreto, Vera Gasparotto e Zezé Mauro. In memoriam: Chico Lacerda, Eduardo Lincoln e José Charbel Filho.

Diálogo

Nos bastidores, muitos comissionados andam cultivando o mais absoluto... Leia na coluna de hoje

Confira a coluna Diálogo desta sexta-feira (29)

29/05/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Graciliano Ramos - escritor brasileiro

"É o processo que adoto: extraio dos acontecimentos algumas parcelas; o resto é bagaço”.

FELPUDA

Nos bastidores, muitos comissionados andam cultivando o mais absoluto silêncio. Tudo isso para não chamar atenção e evitar a temida “colheita” de cargos por apadrinhados de políticos em busca da reeleição. Segundo as más línguas, há muita “safra nova” brotando, enquanto os celeiros já estariam abarrotados de aspirantes. Sem falar nos que seguem “em campo”, sendo “irrigados” à distância, na esperança de garantir boa produtividade eleitoral. Tudo indica que o objetivo é alcançar uma “safra recorde” de votos para conquistar o tão sonhado lugarzinho ao sol.

Diálogo

Cupido

O Dia dos Namorados deverá injetar R$ 356,79 milhões na economia de MS, segundo pesquisa do IPF e Sebrae. Do total, R$ 192,14 milhões serão destinados à compra de presentes e R$ 164,66 milhões às comemorações, como jantares, passeios e viagens.

Mais

O gasto médio por consumidor é estimado em R$ 543,47. A pesquisa aponta ainda que 44,33% dos entrevistados pretendem presentear e 42,78% devem comemorar a data. O levantamento foi realizado com 2.515 entrevistados em nove cidades.

DiálogoLucimar Lescano - Foto: Arquivo Pessoal

 

DiálogoMiriam Carmanhan - Foto: Arquivo Pessoal

Bem me quer...

Pesquisa feita para consumo interno tem dividido “as estações”. Conversas de bastidores dão conta de que há uma ala alegre que só com os números relativos à preferência do distinto eleitor, enquanto de outro lado o ar anda, digamos, um tanto quanto carregado, porque os índices não seriam tão favoráveis. É claro que o quadro poderá mudar e a campanha, quando colocada legalmente nas ruas, tem de ser milimetricamente ajeitada, né?

Aprovado

O Tribunal de Contas de MS aprovou, com ressalvas, as Contas Anuais do governo do estado referentes ao exercício de 2025. O parecer favorável foi anunciado pelo presidente da Corte, conselheiro Flávio Kayatt. O processo segue para julgamento definitivo na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. O relatório destacou cumprimento dos índices constitucionais em Saúde e Educação, além de avanços em sustentabilidade e governança pública.

Porém

Durante a análise das contas do governo, o TCE-MS apontou déficit nas metas fiscais da LDO e alerta para o limite de gastos com pessoal do Executivo. O relatório também destacou desequilíbrio atuarial no regime previdenciário estadual, apesar da redução do déficit financeiro em relação ao ano anterior. Mesmo com as ressalvas, os conselheiros acompanharam o voto do relator pela aprovação das contas e determinaram monitoramento das recomendações que foram feitas ao Executivo.

ANIVERSARIANTES

Márcio Luiz Lomba;
Solange Andreotti Gimenez;
Igor Nemir Neves;
Rozângela Tanaka;
Hélio Gustavo Bautz Dallacqua;
Kaly Terezinha Iunes;
Servino Pereira do Nascimento;
Fabiano Jacobina Stephanini;
Álvaro Satoshi Suguimoto;
Maria Helena Martins Panissa Startari;
Jayme de Magalhães;
Lauro Pereira Correa Ferreira;
Lourenço de Eugênio;
Zilda Barbero Vitorio Biava;
Jisely Porto Nogueira Braga;
Paulo Cesar Teodoro Pinheiro (Caju);
Antonio Francisco da Silva;
Dionário Vieira Pinho;
Márcia Mazina;
Maressa Mendonça dos Santos;
Eliane Carretoni;
Dr. André Luiz Alonso Domingos;
Dra. Nadir Massae Tamazato;
Marília Bodstein Braga;
João Evaristo Esteves Junior;
Cláudia da Costa Alexandre;
Denivaldo Batista Nascimento;
Joaquim José de Souza;
Maíra Florêncio Falcão Pereira;
Bernardo Elias Lahdo;
Nadir Borges de Carvalho de Brito;
Gabriel Betley Taccola Hernandes Lós;
Roberto Claus;
Fabricia Friozi Baeni;
Ilcléia Tavares Godoy;
Laura Cristina Tomikawa;
Nilzo Peixoto;
Teresa Francisca de Barros e Torres Delgado Perdigão;
Érica Ribeiro;
Vera Lúcia Lacerda;
Odilson Roberto Dias;
Carlos Alberto Nunes Pontes;
Ildefonso Lucas Gessi;
Darcy dos Santos Mourão;
Fernando Freitas Júnior;
Hilton Siqueira Neves;
Diva Neide Ferrugem Cavagnoli;
Luiz Fernando de Matos Silva;
Aurea Silvério;
Orlando Perdigão Lima;
Camila Bertoni;
Osvaldo Pereira de Brito;
Patrícia Zapata;
Florizel Malheiros Araujo;
Ana Luiza Rezek;
Lela Almeida Monteiro;
Norival da Silva;
Jorge Martinho Macedo;
Hélvio Barbosa Mantilla;
Carla Cristina da Rocha;
Floriza de Assis Couto;
Cândida Vieira da Silva Souza;
Jerusa Martins Cândido;
Raquel Flôres de Almeida;
Luiz Palko;
Cassia Renata de Simoni Sakurai;
Emília de Salles Belinate;
Luiz Vicente Rossi Vilela;
Heloize Fernandes Benatti da Silva;
Mário de Souza Carvalho;
Ezequiel Ziotto;
Aryovaldo Gonçalves Barboza;
Everton da Silva Xavier;
Elenir Paixão de Matos Dias;
Christiane Corrales de Andrade;
André Luiz Carvalho Greff;
Telma Beatriz Torres Costa Pinto de Souza;
Cléia Camilo Santana Mendonça;
Alessandra Marques Bacciotti;
Francisco Luiz Vieira;
Guilherme Dantas Lopes;
Paulo Quadros Silva;
José Luis Medalha;
Leda Maria Maciel Brasil;
Rogério da Silveira Agostini;
Lino Caetano Entrudo;
Brendha Cação Coimbra;
Débora Silveira Baruffi;
Danielle Ferreira Freire;
Roberto Otano Cabral;
Gilberto Martins;
Erney Cunha Bazzano Barbosa;
Lauri Luiz Kener;
José Maria Teixeira de Resende;
Nestor Rufino da Costa Xavier;
Ricardo Eloy Ibanhes;
Annelise Rezende Lino Felicio;
José Ferraz de Campos;
Wellington Morais Salazar;
Margareth Coelho Taveira;
Cláudio Fratini;
Máximo Umberto Sandoval;
Jovina Nevoleti Correia;
Rosemary Malagoli;
Laura Ferreira Valente;
Wilson Mario Gonçalves;
Rogério Ferreira Freitas;

Colaborou com Tatyane Gameiro

Caso Ganley

Especialistas alertam para aumento de infartos, arritmias e hipertensão entre jovens

Aos 22 anos, influenciador morreu vítima de cardiomiopatia hipertrófica; especialistas alertam para aumento de infartos, arritmias e hipertensão entre jovens usuários de anabolizantes

28/05/2026 10h00

Uso contínuo de esteroides pode provocar alterações silenciosas no organismo e aumentar significativamente o risco de infartos, arritmias, hipertensão e insuficiência cardíaca, inclusive em pessoas muito jovens

Uso contínuo de esteroides pode provocar alterações silenciosas no organismo e aumentar significativamente o risco de infartos, arritmias, hipertensão e insuficiência cardíaca, inclusive em pessoas muito jovens Magnific

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A morte do fisiculturista e influenciador digital Gabriel Ganley, de apenas 22 anos, reacendeu o debate sobre os riscos do uso de anabolizantes e seus impactos graves sobre a saúde cardiovascular. O jovem foi encontrado morto no sábado, no apartamento onde morava, na Mooca, zona leste de São Paulo.

O atestado de óbito aponta que a causa da morte foi cardiomiopatia hipertrófica, doença em que o músculo do coração se torna anormalmente espesso e rígido, dificultando o bombeamento de sangue. Especialistas destacam que a condição pode ser agravada pelo uso de anabolizantes.

Nas redes sociais, Gabriel afirmava fazer uso de hormônios e chegou a abordar publicamente o consumo dessas substâncias, após ter iniciado a carreira defendendo o fisiculturismo natural.

O caso gerou grande repercussão nas redes sociais e acendeu um alerta para o crescimento do uso indiscriminado de testosterona e esteroides anabolizantes entre adolescentes e jovens adultos no Brasil.

Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontam que o consumo de testosterona cresceu 670% nos últimos cinco anos no País. Já um levantamento da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) revela que 1 a cada 16 estudantes do Ensino Fundamental ou Médio já utilizou anabolizantes.

RISCOS CARDIOVASCULARES

Especialistas em saúde cardiovascular afirmam que o cenário é preocupante porque os efeitos dessas substâncias vão muito além da estética e do ganho muscular.

O uso contínuo pode provocar alterações silenciosas no organismo e aumentar significativamente o risco de infartos, arritmias, hipertensão e insuficiência cardíaca, inclusive em pessoas muito jovens.

Segundo o cirurgião cardiovascular dr. Adriano Milanez, os anabolizantes causam alterações importantes nos vasos sanguíneos e no funcionamento do coração.

“O uso de anabolizantes causa alterações no funcionamento do organismo. Além do desejado ganho muscular, podem ocorrer alterações nos vasos sanguíneos que favorecem obstruções e infarto. Também pode haver aumento da pressão arterial, levando à hipertrofia do músculo do coração”, explica.

A hipertrofia cardíaca ocorre quando o coração aumenta de espessura em função do esforço excessivo e contínuo. Embora muitas pessoas associem músculos maiores à força e à resistência, no caso do coração, isso representa um problema grave.

O órgão passa a funcionar com mais dificuldade, perde eficiência no bombeamento do sangue e fica mais suscetível a falhas cardíacas.

No caso de Gabriel Ganley, a cardiomiopatia hipertrófica identificada no atestado de óbito provoca justamente esse espessamento anormal do músculo cardíaco. A doença pode ter origem genética, mas médicos alertam que o uso de anabolizantes pode agravar quadros preexistentes e acelerar complicações cardiovasculares.

COLESTEROL ALTERADO

Outro fator de risco associado aos anabolizantes é a alteração dos níveis de colesterol. As substâncias costumam elevar o colesterol LDL, conhecido como “ruim”, e reduzir o colesterol HDL, considerado “bom”.

Essa combinação favorece o acúmulo de gordura nas artérias e aumenta o risco de obstruções que podem resultar em infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs).

Além disso, o uso dessas substâncias pode provocar espessamento do sangue, dificultando a circulação e favorecendo a formação de coágulos. Isso aumenta consideravelmente o risco de tromboses e eventos cardiovasculares graves.

Um dos maiores perigos, segundo especialistas, é que muitas dessas alterações acontecem de forma silenciosa. Em diversos casos, o primeiro sintoma pode ser justamente um mal súbito ou um ataque cardíaco.

“Muitas vezes, as alterações acontecem de forma silenciosa e o primeiro sinal pode ser um ataque cardíaco. Em alguns casos, podem surgir dores no peito, cansaço excessivo e palpitações, que servem como alerta”, afirma dr. Adriano Milanez.

APENAS UM ANO DE USO

A morte de Gabriel também chama atenção pelo perfil do influenciador. Com cerca de 1,7 milhão de seguidores no Instagram e quase 400 mil inscritos no YouTube, ele compartilhava rotina de treinos, alimentação e preparação física. Durante anos, defendeu o fisiculturismo natural, sem uso de hormônios.

No entanto, em 2025, revelou aos seguidores que havia começado a utilizar anabolizantes e passou a falar abertamente sobre o tema.

Uso contínuo de esteroides pode provocar alterações silenciosas no organismo e aumentar significativamente o risco de infartos, arritmias, hipertensão e insuficiência cardíaca, inclusive em pessoas muito jovensGanley iniciou no fisiculturismo natural, mas há cerca de um ano tinha passado a utilizar anabolizantes - Foto: Reprodução/Instagram

O jovem foi encontrado morto por um amigo, após familiares relatarem dificuldade para entrar em contato desde a noite de quinta-feira (21). Segundo informações do boletim de ocorrência, o amigo foi até o apartamento depois de ser procurado pela família.

Como ninguém respondia às mensagens ou ligações e as luzes do imóvel permaneciam acesas, ele arrombou a porta com a ajuda de funcionários do condomínio.

Gabriel foi encontrado caído de bruços na cozinha do apartamento. O boletim aponta que havia sangue no rosto, mas não existiam sinais aparentes de violência no local. A Polícia Militar foi acionada e o caso registrado inicialmente como morte suspeita sem causa aparente no 42º Distrito Policial, em São Paulo.

A perícia apreendeu diversos medicamentos no imóvel, possivelmente anabolizantes, segundo o registro policial. O apartamento estava organizado e sem indícios de luta ou crime.

Em depoimento, a mãe do influenciador, a empresária Clarisse Ganley Christophe, afirmou que havia falado com o filho pela última vez na quinta-feira e que ele não relatou problemas de saúde ou sintomas. Segundo ela, Gabriel não tinha histórico conhecido de doenças cardíacas.

O dr. Adriano Milanez destaca que, justamente por não haver histórico de doenças cardíacas, casos como o de Ganley acabam surpreendendo familiares e amigos. Pessoas jovens, aparentemente saudáveis e fisicamente condicionadas, podem desenvolver complicações graves sem apresentar sintomas claros.

“Mesmo jovens podem desenvolver infarto, arritmias e outros eventos cardíacos graves relacionados ao uso de anabolizantes. São doenças que costumávamos ver com mais frequência em idosos, mas que têm surgido cada vez mais cedo”, ressalta o médico.

DEMAIS EFEITOS COLATERAIS

Além dos danos cardiovasculares, os anabolizantes podem causar uma série de outras complicações no organismo.

Entre os principais efeitos colaterais estão lesões hepáticas, infertilidade, alterações hormonais, acne severa, queda de cabelo, ginecomastia (aumento das mamas em homens) e distúrbios psiquiátricos, como ansiedade, agressividade, depressão e dependência química.

Entre adolescentes, os riscos são ainda maiores porque o organismo está em fase de desenvolvimento hormonal. O uso dessas substâncias pode comprometer o crescimento e provocar alterações permanentes.

Outro ponto de preocupação é a popularização dos anabolizantes nas redes sociais. A exposição constante de corpos extremamente musculosos e a promessa de resultados rápidos ajudam a banalizar o uso dessas substâncias entre jovens.

Muitos usuários acabam adquirindo produtos clandestinos, sem controle de qualidade e sem acompanhamento médico, o que aumenta os riscos à saúde. Em diversos casos, as substâncias são utilizadas em doses muito superiores às indicadas clinicamente.

Os médicos reforçam que a reposição hormonal só deve ocorrer mediante diagnóstico médico e necessidade comprovada. O uso voltado exclusivamente para fins estéticos representa um risco importante e pode ter consequências irreversíveis.

A morte de Gabriel Ganley provocou comoção entre fãs, amigos e nomes do fisiculturismo. Em nota, a Integralmedica, marca de suplementos que patrocinava o atleta, afirmou que o influenciador “inspirava milhares de jovens” com conteúdos sobre disciplina e treino.

Enquanto a investigação sobre a morte segue em andamento, especialistas reforçam que o caso serve de alerta sobre os perigos do uso indiscriminado de anabolizantes e a necessidade de ampliar campanhas de conscientização voltadas principalmente aos jovens.

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