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MÚSICA

Novo álbum de Moacir Lacerda conta a saga do português Aleixo Garcia para enaltecer MS

Contar a saga do português Aleixo Garcia para enaltecer Mato Grosso do Sul como rota estratégica e "berço da América Latina" nos cinco séculos de história do Estado, é essa a ambição do novo álbum de Moacir Lacerda

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Um álbum musical de 29 faixas para contar a saga do explorador português Aleixo Garcia e cravar Mato Grosso do Sul como “berço da América Latina”, ponto estratégico de rotas que abriram caminho para a descoberta de novos destinos e a criação de futuros países, legando um caldo multicultural vigoroso e complexo, de implicação angular na identidade local, no ano em que se comemoram os cinco séculos de história do Estado.

É essa a ambição de Moacir Lacerda com “Aleixo Garcia – A Jornada Épica”, seu mais novo projeto, com o qual vem batendo à porta do poder público e de outros possíveis parceiros. As gravações seguem a pleno vapor, no estúdio do músico Gilson Espíndola, e todas as faixas devem estar finalizadas nas próximas duas semanas. Já o lançamento do álbum está previsto para o fim de março, ainda sem data definida.

Dá gosto ver Lacerda falar sobre o projeto, cuja ideia nasceu durante a produção de outro disco, que completa uma década em 2025. “Esse trabalho começa em 2015, quando eu realizo ‘A Chama da Paz da América do Sul’, uma antologia musical literária que nós lançamos com 285 canções e 85 participações de poetas, escritores e historiadores. Sempre moldei a minha carreira musical como compositor em cima de fatos históricos”, remonta o Alma Pantaneira, como o integrante do Grupo Acaba costuma ser chamado.

“Isso aconteceu com a música ‘As Monções’, que nós compusemos lá nos anos 1970, e a partir dessa história surgiram as Rotas Monçoeiras, um traçado turístico e de desenvolvimento histórico também. Aí comecei o trabalho do Cabeza de Vaca. Ele tinha visitado o Pantanal em 1544 e foi ele que deu o nome à região como Laguna de los Xarayes. Da experiência que eu fiz com o Cabeza de Vaca, lançando um álbum contando a história dele musicalmente, surgiu o personagem Aleixo Garcia”, detalha.

Falecido em 1525, o navegador lusitano tem data de nascimento desconhecida. Mas é farta a documentação que comprova sua presença e seus feitos em território brasileiro e sul-mato-grossense. 

“Ele era um marujo, um genérico dentro de uma expedição espanhola de Juan Díaz Solís (1470-1516), em 1516. A expedição saiu da Espanha para descobrir uma passagem para o Oceano Pacífico, uma caminho para as Índias”, prossegue Moacir Lacerda.

O SOBREVIVENTE

“Ele [Solís] foi costeando Santa Catarina e o Rio Grande do Sul e se deparou com aquela que hoje é a Bacia do Prata, pensando que aquela seria a passagem. Ele entra ali e chama de Mar Dulce. Nesse descobrimento, ele faz o contato com os índios charruas e é assassinado. Ele e uma parte da tripulação. Então, as naus voltaram para a Espanha para levar o fracasso para o rei. 

Uma das caravelas afunda em Santa Catarina, na região de Meiembipe, e entre os sobreviventes estava Aleixo Garcia. Então é onde a história começa”, apresenta o músico.

“Aleixo Garcia aparece aí. Até então ele era um genérico. É socorrido pelos índios guaranis carijós e seduzido pelos adornos de prata e de ouro que esses índios tinham. Alguns amuletos. Os índios informaram que vieram da Cidade de Pedra. Ele fica oito anos convivendo com os índios, casa, tem filhos e descobre que tinha o caminho de Peabiru. Os índios sabiam esse caminho”, revela.

“Era uma ramificação de caminhos que saíam de São Paulo, de Santa Catarina e do Paraná e que iam até praticamente o Oceano Pacífico, passando pelo Império Inca. Com essa convivência, ele passa a ser o líder, junta cerca de 2.000 índios e sai em caminhada de Santa Catarina, passando pelo Paraná e por Mato Grosso do Sul, na região de Corumbá, em Albuquerque”, conta o Alma Pantaneira.

“Ele vai pelo Rio Miranda, chega ao Rio Paraguai e para ali. Desce e descobre o Paraguai, entra no Rio Pilcomayo, descobre a Bolívia e vai até perto de Potossí, lá no Império Inca. Essa saga dele foi feita em 1524. Ele retorna do Império Inca com ouro e prata e é assassinado na volta pelos índios paiaguás, canoeiros, lá no Rio Paraguai. É uma história fantástica. Por isso que chamo de ‘Jornada Épica’”, afirma, com empolgação.

“A motivação veio dessa história, que é pouco conhecida, e mais importante é a data, 1524. Com essa consistência histórica do Brasil, do Paraguai e de Portugal, caiu uma luz: 2024, Mato Grosso do Sul 500 anos. MS 500 anos. Esse é o grande lance dessa descoberta”, diz.

“Mato Grosso do Sul está entre os estados do Brasil mais antigos. Você pega a Bahia, 1500, Santa Catarina, 1516, São Paulo, 1530, com Martim Afonso de Souza [1500-1564]. Então, Mato Grosso do Sul, junto com o Paraná, ficou entre os estados mais antigos do Brasil”, completa o Alma Pantaneira.

LIVRO E PALESTRAS

Lacerda prossegue com o seu inventário histórico para cravar MS como o berço de “todas” as descobertas latino-americanas. “Daqui saíam todas as expedições para fundar Paraguai, Bolívia, Chile, Peru. Todas elas passaram por aqui, inclusive para descobrir, em 1750, Cuiabá. Então, Mato Grosso veio 250 anos depois. Essa magnífica histórica me motivou ainda mais a contar isso de maneira musical”, garante.

“Como eu fiz o trabalho do Cabeza de Vaca, e com essa repercussão dos 500 anos de MS, resolvemos fazer um projeto para apresentar para o governo do Estado. Não é somente a questão da música. Tem um ciclo de palestras para debater esse tema com a sociedade, com nomes como o professor Gilson Martins, autor de dezenas de livros, o Rodrigo Teixeira, escritor, o Carlos Vera, o Gilson Espíndola. Tem também um livro infantil ilustrado para contar essa história para as gerações que precisam mudar essa mentalidade”, anuncia Lacerda.

REPERTÓRIO

“A partir dessa abertura, dessa descoberta feita pelo Aleixo Garcia, praticamente todas as expedições de exploração e de fundação da maioria dos países sul-americanos passam por Mato Grosso do Sul, na região ali de Albuquerque. A partir daí, aqui é o berço da América Latina”, reforça.

“Porque, de lá dessa região, você poderia ir para o norte, para a Amazônia e para o Atlântico. Poderia ir para o sul, para o Paraguai, a Argentina e o Uruguai. Poderia ir para o leste, a Bolívia, o Chile, o Atlântico e Pacífico. E poderia ir para o oeste e encontraria Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro”, mapeia Lacerda.
“É um ponto central essa região da Laguna de los Xarayes, onde conviviam várias nações indígenas. Os paiaguás, os guaicurus, os guató, os porrudos e os xarayes. Porque na região tinha abundância de peixe e de caça. Viviam ali as nações indígena e as nações incaicas“, diz o músico. 

“Então, elas tinham contato, e disso aí era o berço da América Latina. E daí vem uma coisa que, infelizmente, eu vou ter que cantar, que é a dizimação dos povos originários, que começou a partir dessas entradas”, lamenta. 

“O repertório tem aspectos históricos, aspectos sociais, questões etimológicas, as etnias indígenas e o seu extermínio e sofrimento. E a degradação que houve, não somente na América do Sul, mas também na América Central e na América do Norte”, afirma.

“Esse álbum canta essa espoliação, essa dizimação dos povos originários. Por isso, na capa, está o Aleixo Garcia, tem a figura de um inca e tem figuras indígenas ali. Ele não é o descobridor. Ele foi o primeiro europeu que chegou nessas terras. Aqui já habitavam nações indígenas por mais de 10.000 anos, segundo estudos antropológicos”.

ESTILOS

“Em termos de gêneros e de estilos, as músicas têm influências espanholas, sons indígenas, têm lamentos, réquiens, música latina, chamamé, rasqueado. Você pega a cultura saindo lá de 1500 e vai trazendo para cá, para os nossos dias. Tem uma presença um pouco erudita, aparece ali com um canto meio de reminiscências ibéricas. E tem uma linguagem também contemporânea. São diversos gêneros, porque esse trabalho não foi feito somente pelo Moacir. Tem alguns integrantes do Grupo Acaba, convidados, mais de 40 pessoas envolvidas”, detalha.

MS 500

“Os 500 anos é uma grande oportunidade para se divulgar, e a previsão de lançamento é fim de março. Assim como o Caminho de Peabiru era um traçado que unia o Atlântico ao Pacífico, a Rota Bioceânica também é a mesma jornada, e todas elas passam por MS. Isso é que é importante. Faremos um trabalho que vai contribuir para que as novas gerações possam ter, no Estado, uma outra consciência. Não precisar mais falar Mato Grosso do SUL! Rapaz, Mato Grosso do Sul é antes de tudo. É 1524”, defende Moacir Lacerda.
“O que precisa é ser veiculada essa história. Essa falta de sintonia entre as pessoas com referência ao Estado vai desaparecendo. Para isso, precisa de uma ação do próprio governo do Estado, de apoio a um projeto dessa natureza”, reivindica o músico.

saiba

Convidados: Grupo Acaba – Canta-Dores do Pantanal, etnias indígenas charrua, kaiowá e terena, Camerata Madeiras Dedilhadas, Alvani Calheiros, Alzira E, Ana Lúcia Gaborim, Antônio Luiz Porfírio, Aurélio Miranda, Carlos Batera, Carlos Vera, Douglas Santos, Edvaldo Jacinto, Emmanuel Marinho, Fábio Kaida, Felipe Lacerda, Gabriel Andrade, Geraldo Espíndola, Gilson Espíndola, Humberto Espíndola, Itamar Assumpção, Jerry Espíndola, José Bittencourt, Luciana Fisher, Luiz Sayd, Marcelo Fernandes, Marcos Assunção, Marcelo Loureiro, Odon Nacasato, Pedro Ortale, Raquel Naveira, Rodrigo Teixeira, Rubenio Marcelo, Sandro Moreno, Tetê Espíndola, Tião César, Vandir Barreto, Vera Gasparotto e Zezé Mauro. In memoriam: Chico Lacerda, Eduardo Lincoln e José Charbel Filho.

Moda Correio B+ - Entre Costuras & CuLtura

Por que os italianos continuam elegantes mesmo com 35 graus?

No verão italiano, dificilmente encontramos pessoas usando tecidos sintéticos de baixa qualidade durante o dia. O linho, algodão, seda leve e viscose de boa procedência dominam as vitrines e os guarda-roupas.

26/07/2026 13h00

Por que os italianos continuam elegantes mesmo com 35 graus?

Por que os italianos continuam elegantes mesmo com 35 graus? Foto: Divulgação

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Há alguns dias estou vivendo novamente o verão italiano. E, mesmo depois de tantos anos frequentando o país, uma cena continua chamando minha atenção: enquanto os termômetros ultrapassam os 35 graus, homens e mulheres caminham pelas ruas de cidades italianas com uma elegância que parece quase intuitiva.

Não se trata de um dom, muito menos de uma questão financeira, o segredo está nas escolhas.

Frequentemente associamos calor a roupas excessivamente informais ou ao desconforto de quem acredita que elegância exige sacrifício, os italianos mostram justamente o contrário: é possível vestir-se bem sem abrir mão do conforto.

A explicação começa pelo tecido. No verão italiano, dificilmente encontramos pessoas usando tecidos sintéticos de baixa qualidade durante o dia. O linho, algodão, seda leve e viscose de boa procedência dominam as vitrines e os guarda-roupas.

São materiais que permitem a circulação do ar, absorvem melhor a umidade e acompanham o movimento do corpo.

O curioso é que o linho, tão valorizado pelos italianos, ainda desperta certa resistência no Brasil por amarrotar com facilidade.

Como consultora de imagem acredito que uma das maiores lições seja aceitar que alguns tecidos carregam naturalmente as marcas da vida. Um linho levemente amarrotado transmite autenticidade. É muito mais elegante do que um tecido sintético impecavelmente esticado, mas que denuncia desconforto.

Outro detalhe quase imperceptível para quem visita a Itália é a predominância das cores suaves durante o verão.

Brancos, beges, areia, azul-claro, verde-sálvia, terracota suave e tons inspirados na própria paisagem mediterrânea aparecem constantemente.

Além de refletirem melhor o calor, essas cores conversam entre si. Isso significa que praticamente todas as peças do guarda-roupa podem ser combinadas. O resultado é uma imagem sofisticada sem esforço.

Enquanto muitas pessoas acreditam que precisam de dezenas de roupas para enfrentar uma estação, o italiano demonstra exatamente o oposto.

Existe uma lógica muito presente na cultura italiana: comprar menos e comprar melhor. Ao invés de um armário repleto de tendências passageiras, é comum encontrar poucas peças de excelente qualidade que funcionam em diferentes combinações.

Uma camisa de linho pode ser usada aberta sobre uma camiseta pela manhã, fechada para um almoço, dobrando as mangas para um passeio no fim da tarde ou combinada com um blazer leve para o jantar.

O mesmo vestido muda completamente com um cinto, uma bolsa ou uma sandália diferente.

Essa versatilidade é uma das maiores expressões da elegância contemporânea.

Outro aspecto importante é o caimento.

Roupas excessivamente justas aquecem mais, limitam os movimentos e frequentemente criam uma imagem de desconforto.

Os italianos preferem modelagens que acompanham o corpo sem apertá-lo. Vestidos fluidos, calças amplas em linho, camisas levemente soltas, bermudas de alfaiataria e peças com estrutura bem construída permitem que o ar circule naturalmente.

O importante é a roupa trabalhar a favor do corpo, e não contra ele. Na Itália, a elegância está muito ligada à naturalidade.

Vestir-se -se de maneira apropriada para cada ocasião é respeitar o próprio corpo, o clima e o contexto.

Há beleza em quem caminha confortavelmente por uma praça histórica, toma um café em uma cafeteria de bairro ou atravessa a cidade de bicicleta usando roupas simples, mas bem escolhidas.

O verdadeiro segredo da elegância italiana não está no guarda-roupa. Mas na consciência de que vestir-se bem não significa impressionar os outros, mas viver melhor dentro das próprias roupas.

E por fim 5 lições da elegância italiana para enfrentar o calor com estilo. 

1. Priorize tecidos naturais

Linho, algodão, seda e viscose de qualidade permitem que a pele respire, absorvem melhor a umidade e proporcionam conforto mesmo nos dias mais quentes. Antes de comprar uma peça, leia a etiqueta: a composição faz toda a diferença.

2. Aposte em uma cartela de cores coordenada

Branco, off-white, bege, areia, azul-claro, verde-oliva e tons terrosos claros combinam entre si e facilitam a criação de diversos looks com poucas peças, além de transmitirem frescor e sofisticação.

3. Escolha modelagens que favoreçam o movimento

Peças muito justas retêm calor e limitam a mobilidade. Prefira camisas de linho, vestidos fluidos, calças de pernas amplas e bermudas de alfaiataria com bom caimento. Elegância também é sentir-se confortável.

4. Monte um guarda-roupa inteligente, não um guarda-roupa cheio

Invista em peças versáteis que conversem entre si. Uma camisa de linho, uma calça de alfaiataria leve, um vestido atemporal e uma boa sandália podem render inúmeras combinações. Na moda italiana, qualidade supera quantidade.

5. Lembre-se: elegância é atitude, não sacrifício

A maior lição do verão italiano talvez seja esta: vestir-se bem não significa sofrer com o calor. Estar adequado ao clima, à ocasião e à sua personalidade transmite uma imagem muito mais refinada do que insistir em tendências ou peças desconfortáveis.

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com a atriz Flávia Alessandra

"O Walcyr e a Claudia Souto escrevem personagens femininas muito potentes e muito humanas. Existe uma verdade ali".

26/07/2026 12h00

Entrevista exclusiva com a atriz Flávia Alessandra

Entrevista exclusiva com a atriz Flávia Alessandra Foto: Divulgação

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Flávia Alessandra é mais do que uma atriz renomada; ela personifica talento, carisma e popularidade. Com uma trajetória profissional que se estende por mais de três décadas, a artista estabeleceu um legado sólido na indústria do entretenimento e do empreendedorismo. Com um extenso currículo, a atriz brilhou em mais de 20 novelas, 17 programas e minisséries, além de ter participado em 13 longas-metragens, incorporando inúmeras personagens memoráveis.

Além de sua destacada atuação nas telas, Flávia empreende com sucesso em diversas frentes. É protagonista de campanhas publicitárias para marcas de renome, como Mundial, Jorge Bischoff e TikTok. Em 2019, junto a seu marido, o apresentador, ator e empresário Otaviano Costa, fundou a Agência Family, responsável pela gestão exclusiva de carreira, imagem e negócios do casal, com um time inovador nas áreas de planejamento, digital, comercial e produção.

A Family conta com uma equipe dividida por áreas e estrutura para execução, como Estúdios Family, que é um laboratório de criação de conteúdo para os artistas. A artista também é sócia da Royal Face, maior rede de estética facial e corporal do Brasil, e também integra a rede de salões Marcos Proença. Além de suas realizações no mundo dos negócios, Flávia atua como embaixadora da Brazil Foundation desde 2015 se envolvendo nos leilões, projetos sociais e eventos.

Em 2024, Flávia Alessandra assumiu o papel de apresentadora no reality show "Ilha da Tentação", uma produção da Prime Video, gravado no México, ao lado de seu marido, Otaviano Costa.

Ela também lançou "Lia & Léo", primeira série de dramaturgia dela com Otaviano para internet. No ano seguinte, Flávia também se tornou apresentadora do "Viva Bem", programa de saúde do UOL.

Destacando-se pela inovação, em 2025 Flávia apresenta ao lado da filha, Giulia Costa, o "Pé No Sofá Podcast", podcast que recebe diversos convidados para conversas honestas, sinceras e espontâneas. O programa já atingiu o topo dos podcasts de entretenimento mais escutados do Brasil. Atualmente, Flávia também se dedica à atuação vivendo Fábia em "Quem Ama Cuida", atual novela das 21h da Rede Globo.

Exercendo sua vertente como comunicadora, ela também percorre o país com a palestra "Sonhar Com Os Pés No Chão", uma conversa inspiradora que conecta histórias de vida e práticas reais, oferecendo insights valiosos para quem deseja tirar ideias do papel e construir um futuro sólido.

Flávia Alessandra é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ela fala sobre família, trabalhos e sua personagem no folhetim das 21h na TV Globo.

Entrevista exclusiva com a atriz Flávia AlessandraA atriz Flávia Alessandra é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Felipe Censi - Diagramação: Denis Felipe 
Por: Flávia Viana

CE - Há cinco anos você estampava a capa do Correio B+, em um momento de incertezas por causa da pandemia. De lá para cá, sua carreira tomou caminhos inesperados. Quando olha para trás, o que mais mudou na Flávia?
FA -
Acho que a maior mudança foi entender que a carreira pode ser muito mais ampla do que eu imaginava. A pandemia fez todo mundo desacelerar e repensar prioridades. Depois daquele período, me permiti experimentar novos formatos, novos desafios e descobrir outras versões de mim.

Me dediquei muito ao empreendedorismo, algo que por tempo mesmo nunca consegui por em prática. Continuo apaixonada pela atuação, sou e sempre serei atriz, mas hoje também me vejo como comunicadora, empresária e alguém que gosta de construir projetos do zero. Foi um tempo de muito aprendizado.

CE - Nesse intervalo você apresentou realities, investiu no podcast, fortaleceu seus negócios e voltou às novelas. Você sente que vive hoje a fase mais plural da sua carreira?
FA -
 Sem dúvida. Nunca gostei de me limitar. Sempre tive curiosidade de experimentar coisas diferentes e acho que o público também gosta de acompanhar essa evolução.

Cada projeto alimenta o outro. O podcast me tornou uma comunicadora melhor, o empreendedorismo ampliou meu olhar sobre gestão e criatividade, e tudo isso acaba enriquecendo meu trabalho como atriz.

CE - Depois de interpretar a inesquecível Sandra, em "Êta Mundo Melhor!", você volta ao horário das nove com uma personagem completamente diferente: a Fábia, de "Quem Ama Cuida". O que mais te encantou nela?
FA -
 A Fábia é divertida porque ela chega causando uma impressão muito específica, mas aos poucos vai revelando outras camadas. Ela é extravagante, vaidosa, engraçada, sensual, mas também é uma mulher cheia de camadas.

Eu adoro personagens que geram conversa entre o público. Ela provoca risadas, mas também desperta reflexão. Eu sou parada na rua com "amo os looks da Fábia" até "quem é ela? qual o passado dela?". É uma personagem que dá para se explorar muito.

CE - Sua parceria com Walcyr Carrasco já atravessa diferentes momentos da sua carreira. O que torna esse encontro artístico tão especial?
FA -
 O Walcyr e a Claudia Souto escrevem personagens femininas muito potentes e muito humanas. Existe uma verdade ali.

A própria Fábia, existem várias mulheres como ela. É muito prazeroso receber um texto deles porque você sabe que vai encontrar nuances, humor, emoção e grandes desafios como atriz.

Não é um papel plano onde todo dia você vai fazer a mesma coisa e o personagem não sai daquele lugar. Muito pelo contrário. É um personagem que vivo que tem muitas possibilidades.

CE - Além da atriz, o público conheceu uma Flávia apresentadora no "Ilha da Tentação" e no "Pé no Sofá Podcast". O que a comunicação despertou em você?
FA -
 Descobri que adoro ouvir histórias. Como atriz, estou acostumada a contar histórias por meio dos personagens. Como apresentadora e entrevistadora, passei a conhecer pessoas, ouvir experiências e trocar de uma maneira muito genuína. Isso ampliou muito minha visão de mundo.

Inclusive, no Pé No Sofá especificamente, eu não sou apenas apresentadora, eu sou a produtora. Foi um projeto que nós desenvolvemos e tiramos do papel, fazendo o função de diretora também.

CE - O empreendedorismo ganhou espaço na sua vida. O que mais te motiva nesse universo?
FA -
 Empreender é um exercício constante de criatividade. Gosto de participar das decisões, pensar estratégias e entender como uma ideia pode se transformar em algo que faça sentido para as pessoas. É desafiador, mas também muito estimulante. Acho que essa inquietação sempre fez parte de mim.

Entrevista exclusiva com a atriz Flávia AlessandraA atriz Flávia Alessandra é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Felipe Censi - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Você costuma falar sobre bem-estar, autoestima e maturidade. A relação com o tempo mudou?
FA -
 Muito. A própria Fábia por exemplo. É uma mulher no auge da sua maturidade e a internet pira com as cenas mais sensuais dela e eu recebo umas mensagens que não querem ser sexualmente ativas assim ou que não sabiam que poderiam ser assim aos 50 anos. Eu fico chocada.

O mundo mudou minha gente. A maturidade não é o fim da vida, muito pelo contrário. É o momento que a mulher na maioria das vezes está mais segura de si, ou deveria pelo menos.

E uma mulher confiante trabalha, viaja, sai com as com as amigas, sai com o namorado, beija na boca e se diverte. Uma mulher confiante é dona de si para fazer o que quiser.

CE - Sua presença nas redes sociais também evoluiu bastante. Como é encontrar equilíbrio entre compartilhar sua vida e preservar sua intimidade?
FA -
 É um aprendizado diário. Gosto de dividir os bastidores do trabalho, momentos divertidos e algumas experiências pessoais, mas acredito que preservar determinados espaços é fundamental. Nem tudo precisa ser exposto. Acho importante manter uma parte da vida só para quem realmente faz parte dela.

CE - O público acompanha uma Flávia em constante transformação. Existe algum sonho profissional que ainda falta realizar?
FA - 
Sempre existem. Tenho muita vontade de produzir cada vez mais, desenvolver projetos desde a concepção e contar histórias que me emocionem. Também gosto da ideia de continuar transitando entre diferentes plataformas. Hoje não penso mais em carreira de forma linear. Acho bonito poder me reinventar.

CE - Se aquela Flávia que estampou a capa do B+ em 2021 encontrasse a Flávia de hoje, o que você diria para ela?
FA -
 Eu diria para confiar ainda mais no processo. Às vezes a gente faz muitos planos e a vida apresenta caminhos completamente diferentes e, muitas vezes, melhores. Acho que aprendi a ter menos medo das mudanças. Entendo que se reinventar não significa abandonar quem você é, mas descobrir novas possibilidades de continuar crescendo.

 

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