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Pretty in Pink aos 40: o final reescrito, a trilha e o filme que definiu uma geração

Quatro décadas depois, o clássico de John Hughes segue atual ao revelar como classe, desejo e música moldaram uma das histórias mais influentes do cinema adolescente

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Nos anos 1980, adolescentes aprenderam rapidamente a reconhecer — e a esperar — os filmes assinados por John Hughes. O diretor que parecia saber “falar com a juventude” partia de fórmulas simples, mas o que o distinguia era menos a estrutura e mais o olhar: havia empatia, havia observação, e havia um interesse genuíno por personagens que o cinema raramente colocava no centro.

Em O Clube dos Cinco e Gatinhas e Gatões, os improváveis protagonistas deixavam de ser coadjuvantes sociais para se tornarem narradores de histórias sobre formatura, primeiro beijo e os desencontros silenciosos com os pais.

Em 1986, Hughes consolida esse movimento com um clássico imediato: A Garota de Rosa Shocking (Pretty in Pink), um filme que, quatro décadas depois, não funciona apenas como registro de uma geração, mas como um modelo emocional de como o cinema aprendeu a olhar para a juventude sem reduzir suas contradições.

Com roteiro de Hughes e direção de Howard Deutch, o filme nasce de um gesto simples e raro: levar adolescentes a sério. Não como arquétipos, mas como sujeitos atravessados por classe, desejo, vergonha e pertencimento.

A história de Andie Walsh, uma jovem de origem humilde que se apaixona por um garoto rico em meio a um ambiente hostil, é estruturalmente simples, mas emocionalmente precisa. É esse deslocamento — do clichê para a experiência — que sustenta sua longevidade cultural.

A lógica de classe que organiza o desejo

Se existe algo que diferencia Pretty in Pink de outras comédias românticas adolescentes da época, é a forma como o filme inscreve o romance dentro de uma estrutura social clara. Andie não é apenas uma outsider por estilo ou personalidade.

Ela é economicamente deslocada. A escola funciona como um microcosmo de hierarquias que não precisam ser explicadas porque já estão naturalizadas.

Blane, o interesse amoroso, não representa apenas um ideal romântico. Ele é também o acesso a um mundo que Andie observa de fora. E é justamente essa interseção entre desejo e pertencimento que o filme recusa simplificar. Quando Blane hesita, quando se afasta pressionado pelos amigos, o que está em jogo não é apenas covardia emocional, mas a dificuldade de atravessar uma barreira que o próprio filme insiste em tornar visível.

Nesse sentido, o conflito nunca foi exatamente um triângulo amoroso entre Andie, Blane e Duckie. O que se disputa ali é a possibilidade de circular entre mundos que não se misturam com facilidade.

Duckie e o gesto que atravessa gerações

Quarenta anos depois, poucas cenas resistem com tanta força quanto a dança de Duckie ao som de Try a Little Tenderness. O que poderia ser apenas um momento excêntrico se transforma, com o tempo, em uma espécie de manifesto involuntário sobre exposição e vulnerabilidade.

O próprio Jon Cryer revisitou recentemente a cena como um ponto de afirmação do personagem, um instante em que Duckie tenta provar seu valor em um mundo que o marginaliza.

Na época, parte do elenco considerou o momento constrangedor. Hoje, ele funciona como um dos gestos mais reconhecíveis do cinema adolescente, justamente porque não busca aprovação.

Há algo de profundamente contemporâneo nessa leitura. Em um ambiente cultural que recompensa a curadoria da imagem, Duckie permanece como um corpo fora de lugar que insiste em existir sem mediação.

Um final reescrito e o que ele revela

Um dos aspectos mais reveladores da história de Pretty in Pink está fora da tela. O final original previa que Andie terminaria com Duckie, mas a reação negativa do público em testes levou John Hughes a reescrever o desfecho, substituindo-o pelo encontro com Blane no baile.

Essa mudança não é apenas uma curiosidade de bastidor. Ela revela o quanto o filme já operava dentro de uma negociação com as expectativas do público. A lógica do conto de fadas — a ideia de que a protagonista deve terminar com o objeto de desejo — se impõe sobre a alternativa mais ambígua, reorganizando não apenas o final, mas a própria leitura emocional da história.

No ano seguinte, Howard Deutch e Hughes parecem revisitar essa decisão em Some Kind of Wonderful. O filme de 1987 funciona quase como uma variação estrutural de Pretty in Pink, mas desta vez mantendo o desfecho que havia sido abandonado: a escolha pelo melhor amigo, pela intimidade construída fora das hierarquias sociais.

Pretty in Pink aos 40: o final reescrito, a trilha e o filme que definiu uma geração - Divulgação

Ainda assim, embora tenha conquistado seu próprio público ao longo do tempo, nunca se aproximou do impacto cultural do filme anterior, como se a resolução mais coerente emocionalmente não fosse necessariamente a mais potente dentro do imaginário coletivo.

Mesmo tendo que alterar o fim, Pretty in Pink ainda tenta preservar Duckie, oferecendo a ele um gesto de continuidade, quase como uma promessa de que sua história não termina ali. É um compromisso curioso entre frustração e consolo, que diz muito sobre o tipo de romantismo que o cinema dos anos 1980 estava disposto a sustentar.

A trilha sonora como narrativa

Poucos filmes incorporaram a música de forma tão orgânica quanto Pretty in Pink. Não como pano de fundo, mas como extensão emocional dos personagens. O próprio John Hughes deixou claro que a trilha nunca foi um elemento secundário, mas parte central da construção do filme.

O diretor Howard Deutch inicialmente pensava em uma abordagem mais tradicional, baseada em música incidental, mas Hughes interfere diretamente nessa decisão ao insistir no uso de canções contemporâneas — não como hits isolados, mas como uma curadoria capaz de dialogar com o estado emocional das cenas.

A seleção mistura new wave, pós-punk e soul de maneira que hoje parece não apenas representativa, mas definidora de uma época. Esse desenho fica ainda mais evidente no processo de construção do final. Antes da mudança, o Orchestral Manoeuvres in the Dark havia composto Goddess of Love, pensada para o desfecho original com Duckie.

Com a alteração da narrativa, Hughes pede uma nova música que funcione emocionalmente para o reencontro entre Andie e Blane. OMD escreve If You Leave em menos de 24 horas.

O resultado não é apenas funcional. A música redefine o final, suaviza o conflito de classe, desloca a ambiguidade e entrega ao público uma sensação de resolução que o roteiro, por si só, talvez não sustentasse.

Esse é um ponto-chave para entender a trilha como curadoria. Ela não acompanha a história. Em momentos decisivos, ela a reorganiza.

Essa lógica explica por que tantas faixas parecem não apenas encaixar, mas definir momentos. Left of Center, de Suzanne Vega, não é apenas uma música; funciona quase como uma descrição da própria Andie. 

Please Please Please Let Me Get What I Want, dos Smiths, condensa o desejo adolescente em sua forma mais crua. E Bring on the Dancing Horses, do Echo & The Bunnymen, acrescenta uma camada de deslocamento que reforça a sensação de inadequação dos personagens.

Quarenta anos depois, o impacto dessa curadoria ainda é visível. Pretty in Pink ajudou a consolidar um modelo que se tornaria dominante nos anos seguintes: o de trilhas compostas por canções cuidadosamente selecionadas, capazes de viver fora do filme sem perder conexão com ele.

Mas talvez o mais interessante seja perceber que essa trilha não funciona apenas como nostalgia. Ela continua operando porque traduz algo que o filme também entende bem: a adolescência não é silenciosa. Ela se organiza por referências, por músicas, por aquilo que se escuta para tentar dar forma ao que ainda não se sabe nomear.

E, nesse sentido, Pretty in Pink não apenas usou música. Ele ajudou o cinema a escutar seus personagens. O relançamento em vinil rosa, com a inclusão de faixas como Otis Redding e Talk Back, não é apenas uma estratégia de mercado, mas o reconhecimento de que essa trilha continua sendo uma das mais influentes do cinema moderno, frequentemente listada entre as melhores já feitas.

O retorno aos cinemas e o que ainda resiste

Em 2026, Pretty in Pink voltou às salas em versão remasterizada em 4K, acompanhada de material inédito com Howard Deutch, reforçando algo que o tempo já tinha demonstrado: esse não é um filme que depende da nostalgia para existir.

Ele continua sendo revisitado porque ainda oferece uma leitura reconhecível sobre pertencimento, desejo e identidade. E talvez seja esse o ponto mais interessante ao olhar para seus 40 anos. O que poderia ter se tornado apenas um artefato dos anos 1980 permanece ativo porque nunca foi apenas sobre aquela década.

Foi, desde o início, sobre o desconforto de tentar ocupar um lugar no mundo sem saber exatamente onde esse lugar está.

E essa não é uma questão que envelhece.

Gastronomia Correio B+

Pão de queijo com recheio de costela? Aprenda a fazer essa deliciosa receita em casa

Quase unanimidade nas mesas brasileiras, o famoso pão de queijo ganha um recheio ainda mais saboroso

23/08/2026 09h30

Pão de queijo com recheio de costela? Aprenda a fazer essa deliciosa receita em casa

Pão de queijo com recheio de costela? Aprenda a fazer essa deliciosa receita em casa Foto: Divulgação

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MINEIRINHO DE COSTELA

Ingredientes:

Massa

  • 2 xícaras de chá de polvilho azedo
  • ½ xícara de chá de leite
  • ¼ xícara de chá de óleo
  • 1 ovo
  • 1 xícara de chá de queijo meia-cura ralado
  • ½ colher de chá de sal

Recheio de costela

  • 250 gramas de costela bovina cozida e desfiada
  • ½ cebola pequena picada
  • 1 dente de alho picado
  • 1 colher de sopa de azeite
  • 2 colheres de sopa do caldo do cozimento da costela
  • 1 colher de sopa de cheiro-verde picado
  • Pimenta-do-reino a gosto

Modo de preparo

Comece aquecendo o leite com o óleo até levantar fervura. Coloque o polvilho em uma tigela e despeje a mistura quente, mexendo bem para escaldá-lo. Deixe amornar e acrescente o ovo, o sal e o queijo. Misture e amasse até obter uma massa homogênea e fácil de modelar.

Para o recheio, aqueça o azeite e refogue a cebola e o alho. Acrescente a costela desfiada e um pouco do caldo do cozimento. Refogue até a carne ficar úmida e suculenta, mas sem excesso de líquido. Finalize com cheiro-verde e pimenta.

Montagem:

Pegue uma porção da massa, abra na palma da mão e coloque uma quantidade generosa de costela no centro. Feche cuidadosamente e modele no formato de pão de queijo.

Disponha as unidades em uma assadeira, deixando espaço entre elas. Asse em forno preaquecido a 180 °C por aproximadamente 25 a 30 minutos, ou até os pães de queijo crescerem e ficarem dourados. Espere amornar e sirva.

Obs importante: Tempo de preparo: 45 minutos (Considerando a costela já cozida)
Fonte Água Doce Cachaçaria 

Moda Correio B+

Entre Costuras e CuLtura. Se tirássemos a etiqueta Chanel, quanto você pagaria por esta sandália?

A pergunta parece uma provocação sobre preço, mas fala de algo muito maior: como atribuímos valor às coisas que vestimos?

22/08/2026 17h30

Entre Costuras e CuLtura. Se tirássemos a etiqueta Chanel, quanto você pagaria por esta sandália?

Entre Costuras e CuLtura. Se tirássemos a etiqueta Chanel, quanto você pagaria por esta sandália? Foto: Divulgação

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Uma sandália preta, de linhas mínimas, que deixa praticamente todo o pé à mostra e cobre apenas o calcanhar. A história muda quando descobrimos que ela é Chanel e custa cerca de R$ 8 mil? 

Recentemente, Margaret Qualley apareceu usando o modelo e a imagem circulou pelas redes sociais. Mas, olhando para aquele sapato, fiquei pensando: se retirássemos a etiqueta Chanel, quanto estaríamos dispostos a pagar por ele?

A pergunta parece uma provocação sobre preço, mas fala de algo muito maior: como atribuímos valor às coisas que vestimos? Se encontrássemos exatamente aquela sandália sem identificação em uma pequena loja, talvez passássemos por ela sem prestar muita atenção.

Coloque o nome de uma das maisons mais desejadas do mundo e, de repente, o objeto ganha história, desejo, exclusividade e alguns milhares de reais no preço.

É claro que seria simplista dizer que uma peça de luxo vale apenas por causa da etiqueta. Quando compramos Chanel, não estamos comprando somente couro, salto e algumas tiras.

Existe por trás daquele nome mais de um século de história, savoir-faire, construção de imagem, desfiles, campanhas e uma influência enorme sobre a maneira como mulheres se vestiram ao longo de gerações. Tudo isso também compõe o valor de um produto.

Mas quanto desse valor conseguimos enxergar no objeto e quanto enxergamos porque sabemos quem o assinou?

Durante muito tempo, riqueza precisava parecer riqueza. Tecidos preciosos, bordados, joias, detalhes elaborados e peças que denunciavam imediatamente seu valor. Hoje, parte do luxo parece brincar justamente com o contrário. Uma camiseta branca pode custar milhares, um tênis pode chegar à loja com aparência de usado. Uma bolsa pode parecer propositalmente desgastada e uma sandália pode ser reduzida a quase nada.

Há nisso também uma espécie de código cultural. Quem conhece moda reconhece a peça, a coleção, a assinatura, a referência. 

A pergunta que não quer calar é: Será que desejamos determinadas peças porque realmente as consideramos bonitas e especiais ou aprendemos a desejá-las depois que descobrimos quem as criou? A moda sempre viveu de símbolos. Uma bolsa nunca foi apenas uma bolsa, assim como um relógio de luxo nunca serviu apenas para mostrar as horas. Vestir também é comunicar pertencimento, repertório, aspiração e identidade.

Entre Costuras e CuLtura. Se tirássemos a etiqueta Chanel, quanto você pagaria por esta sandália?

Não vejo problema em desejar uma Chanel. Muito pelo contrário: a moda também é feita de sonho, história e emoção. Mas talvez seja saudável, de vez em quando, retirar mentalmente a etiqueta daquilo que desejamos. Olhar apenas para o objeto e perguntar: eu ainda gostaria disso se não soubesse a marca?

Antes de pagar pela etiqueta: 5 perguntas para fazer a si mesma

1. Eu compraria se não soubesse a marca?

Faça o exercício de retirar mentalmente o logo e a etiqueta. Você ainda acha a peça bonita e especial? Se a resposta for sim, há grandes chances de existir um desejo genuíno pelo design.

2. Estou pagando por qualidade ou principalmente por desejo?

No luxo, o preço não é determinado apenas pelo material e pela fabricação. História, exclusividade, marketing e prestígio também entram nessa conta. Entender isso ajuda a fazer uma escolha mais consciente.

3. Essa peça conversa com o meu estilo?

Uma tendência pode desaparecer e uma it-piece pode perder relevância rapidamente. Antes de investir, pense em quantas vezes e de quantas maneiras aquela peça realmente entraria no seu guarda-roupa.

4. O custo por uso faz sentido?

Uma bolsa cara usada durante dez anos pode representar um investimento mais coerente do que uma peça mais barata usada uma única vez. Divida mentalmente o preço pela quantidade de vezes que imagina usá-la.

5. Eu quero a peça ou quero o que ela representa?

Talvez seja a pergunta mais difícil. Às vezes desejamos um objeto; outras vezes, desejamos pertencimento, status ou a imagem associada a ele. Nenhuma dessas respostas precisa ser julgada, mas vale saber qual delas está guiando a compra.

No fim, na minha opinião é fundamental conhecer suficientemente o próprio estilo para decidir quando uma etiqueta importa e quando ela não importa.

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