Correio B

PATINHAS DO CORREIO

Prevenção ao câncer de mama pet

Estreia neste sábado a coluna mensal em que os tutores mais apaixonados mostram seus amigos pets

Continue lendo...

Neste sábado, encerramos o Outubro Rosa Pet, mas o alerta precisa continuar o ano todo. Por esse motivo, na estreia desta coluna exclusiva em que os assinantes do Correio do Estado poderão esbanjar o amor que possuem sobre seus companheiros domésticos, será reforçada a conscientização para a prevenção do câncer de mama pet que, assim como em mulheres, trata-se da neoplasia que mais acomete cadelas e gatas no Brasil.

Dados mostram que, em espécies caninas, metade dos tumores mamários são malignos. Nas gatas, esse número é ainda mais preocupante e chega a 90% de casos não-benignos, com grande potencial de metástase e evolução rápida. A prevenção e o diagnóstico precoce são a chave para salvar vidas.

Zoe, 2 anos; raça: chow-chow (tutora Nara Borges)Zoe, 2 anos; raça: chow-chow (tutora Nara Borges)

Nossa modelo deste dia de campanha é a Zoe, essa linda chow-chow caramelo de laço e peitoral rosa, com sua característica e charmosa língua roxa que é marca registrada da raça, para simbolizar que amor também é cuidado preventivo e que um simples gesto de atenção pode garantir muitos anos a mais ao lado de quem nos ama incondicionalmente.

ENTREVISTA

Veterinária clínica em Campo Grande no antigo Núcleo de Castração São Francisco de Assis (atual CastraVet Clínica Veterinária que fica na Rua Paissandu, nº 1.074, Bairro Amambai, na Capital de Mato Grosso do Sul), a dra. Márcia Chaves explica que o diagnóstico precoce funciona e, assim como acontece em seres humanos, perceber uma alteração logo no início pode fazer muita diferença nas possibilidades de tratamento.

Os animais não contam quando sentem dor, ou que algo está diferente em seus corpos, o olhar do tutor se faz fundamental, com necessidade de realizar o autoexame em casa em um procedimento que dura apenas dois minutos, durante o carinho ou o banho, apalpando toda a cadeia mamária da região da axila até a virilha em busca de nódulos mesmo pequenos como uma ervilha, inchaço, secreção ou feridas que não cicatrizam e ao notar qualquer alteração o médico veterinário deve ser procurado imediatamente.

Como bem reforça a bióloga pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), encontrar um caroço não significa necessariamente câncer, mas requer investigação, e é importante buscar um profissional para a devida avaliação.

Principalmente em animais idosos, as neoplasias aparecem como uma causa importante da morbidade e mortalidade desses bichinhos.

Márcia Chaves cita que, apesar do câncer ser uma doença importante na medicina veterinária e que os animais estão vivendo mais, não existe um número específico sobre a incidência desses casos como há para os seres humanos.

“Ainda não temos no Brasil um sistema nacional que registre todos os casos de câncer em cães e gatos. Há muitos estudos em diferentes regiões do País, que ajudam a entender o problema, mas precisamos de registros mais amplos”, diz a médica.

FIQUE ATENTO

Márcia Chaves reforça que o Outubro Rosa Pet não precisa ser apenas uma campanha para lembrar que cães e gatos também podem ter câncer de mama, mas serve também de convite para que os tutores estejam mais atentos ao corpo de seus animais, que observem mudanças e entendam que um diagnóstico precoce pode fazer diferença.

A médica clínica expõe que, até pelo fato do câncer em animais ser parecido em muitos aspectos, segundo ela, como o que acomete os humanos, a medicina veterinária contribui para pesquisas sobre a doença. Mas a dra. Márcia reforça que “um cachorro ou um gato não é um ser humano pequeno”.

“Pets desenvolvem tumores espontaneamente, vivendo no mesmo ambiente que as pessoas e expostos a muitos dos mesmos fatores ambientais”, diz.

Ela expõe que algumas raças apresentam maior predisposição para determinados tipos de câncer, o que evidencia que a genética pode ter um papel importante, mas que está longe de ser o único fator.

“Existe um fator de risco que merece muito destaque quando falamos de cadelas e gatas: o uso de anticoncepcionais hormonais para impedir o cio, muitas vezes chamados popularmente de ‘vacina anti-cio’.

Esses produtos não são vacinas e seu uso indiscriminado pode aumentar o risco de problemas mamários e uterinos, além de outras complicações. Por isso, não devem ser utilizados por conta própria, qualquer método para controle reprodutivo deve ser discutido com o médico-veterinário”, cita.

A médica reforça que ter um pet com pedigree não significa que o animal necessariamente terá câncer, assim como ser sem raça definida (SRD) não reflete estar protegido contra a doença, por isso é importante conhecer os fatores de risco e acompanhar esses indivíduos.

“E não: os animais sem raça definida não estão livres do risco de câncer. Aliás, isso é importante porque, às vezes, existe uma falsa ideia de que ‘vira-lata é mais resistente a tudo’ e não é bem assim. O risco individual depende de vários fatores – principalmente idade, sexo, estado reprodutivo, histórico individual, genética e ambiente”, afirma.

Dos sinais, a médica pede que os tutores observem qualquer perda de peso, menor apetite e/ou dificuldade para comer ou engolir, cansaço diferente do habitual, ou qualquer mudança de comportamento que permaneça por algum tempo merecem a atenção.

“A oncologia veterinária evoluiu muito. Hoje temos cirurgia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia, eletro quimioterapia e outros tratamentos de suporte, dependendo do tipo de câncer e das condições de cada animal. E existe uma mudança de mentalidade muito importante: tratar câncer em um animal não significa necessariamente tentar ‘fazer qualquer coisa para prolongar a vida’. Precisamos estabelecer qual é o objetivo: cura, controle da doença, prolongamento da sobrevida ou principalmente conforto e qualidade de vida. É importante não apenas para cuidar dos nossos animais, mas também para ampliar o conhecimento sobre o câncer em várias espécies. Cuidar também é observar”, conclui.

PATINHAS DO CORREIO

> CANTINHO DO VET

Dicas da Semana - Cuidados e prevenção

  • Check-ups regulares: leve o animal ao médico-veterinário periodicamente para exames de rotina e prevenção de doenças.
  • Vacinação e vermifugação: mantenha o cartão de vacinas e o controle de parasitas sempre atualizados conforme orientação profissional.
  • Alimentação balanceada: ofereça ração de boa qualidade adequada para idade, peso e porte do animal.
  • Higiene bucal: faça a escovação dos dentes do pet regularmente para evitar tártaro e problemas gengivais. 
  • Visitas e ambientação: leve o pet ao consultório em dias sem procedimentos para associar o local a coisas boas.
  • Recompensas: use petiscos para acalmar/distrair o pet durante consulta ou banho.

Solidariedade

Associação que oferta ballet às favelas faz bobó após motor do carro de ações fundir

Refeição comercializada em prol da Associação das Mulheres das Favelas de Mato Grosso do Sul busca recuperar o veículo que auxiliava na busca das doações feitas a famílias vulneráveis

31/10/2026 09h40

Associação local trabalha também para a realização de rodas de capoeira e oficinas de ballet

Associação local trabalha também para a realização de rodas de capoeira e oficinas de ballet Reprodução redes sociais

Continue Lendo...

Organização campo-grandense composta por mulheres que trabalham em prol das periferias da Cidade Morena, que, além do trabalho assistencial, proporciona, entre outras ações, oficinas de capoeira e ballet, a Associação das Mulheres das Favelas de Mato Grosso do Sul viu recentemente o motor do carro que busca as doações fundir, um prejuízo que busca sanar agora por meio da venda de um bobó de frango.

Presidida por Letícia Polidório e Livia Lopes Correa, a Associação das Mulheres das Favelas de Mato Grosso do Sul vai comercializar essa refeição, que serve uma pessoa e vem acompanhada de arroz e batata palha, no dia 8.

Além das diversas ações assistenciais, como a distribuição de mantimentos, cobertores, roupas e agasalhos, em apoio àquelas famílias campo-grandenses que se encontram em situação de vulnerabilidade social, a associação trabalha também para a realização de rodas de capoeira e oficinas de ballet.

Como disse Letícia ao Correio B, o carro que atua nesse trabalho de formiguinha por Campo Grande fundiu o motor recentemente, um prejuízo que, segundo ela, ficou orçado em aproximadamente R$ 8 mil para ser consertado, o que motivou a ação solidária.

Letícia afirma que, para aqueles que não puderem realizar a retirada do bobó no dia 8, há ainda a oportunidade de realizar de qualquer forma o bem ao próximo.

Segundo a presidente da Associação das Mulheres das Favelas de Mato Grosso do Sul, a ação solidária em Campo Grande contará ainda com a opção de uma compra a ser revertida para populações vulneráveis.

“Para quem não for retirar o bobó, também faremos a doação. Essa ação acontecerá na nossa sede, mas doaremos essas refeições para um grupo de idosos que pega marmitas com a gente uma vez na semana. Então, quem quiser comprar somente para ajudar, esse prato também será doado”, explica.

A venda dos ingressos, no valor de R$ 20, será feita durante toda a semana, com o chave Pix sendo o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) da Associação das Mulheres das Favelas de MS: 45.776.653/0001-03. 

Para mais informações, basta entrar em contato pelo telefone (67) 99181-8142 para contato ou por meio do perfil @mulheresdasfavelasms no Instagram.

CRÔNICA

Um pouco mais de atenção

31/10/2026 09h35

Theresa Hilcar, Jornalista e cronista

Theresa Hilcar, Jornalista e cronista Arquivo pessoal

Continue Lendo...

Assisti no último fim de semana ao filme espanhol “53 Domingos”, cuja história retrata a vida de quem tem pai ou mãe idosos.

Três irmãos ficam diante de um problema que não dá mais para empurrar: o pai, aos 86 anos, já não consegue tocar a vida sozinho. Alguém terá de decidir se ele vai para uma residência, se muda para a casa de um dos filhos ou se continua onde está.

A primeira coisa que aparece não é um grande drama, mas o velho método familiar de fugir do assunto. A filha mais velha marca uma reunião para discutir a questão, mas os irmãos evitam a responsabilidade a todo custo: um chega atrasado, outro corta a fala, outro pega um desvio qualquer e esquiva-se.

Em meio à discussão, aparece um detalhe que se tornará extremamente significativo ao longo do filme: a necessidade de trocar uma lâmpada no banheiro da casa do pai. O que parece ser uma tarefa simples se torna o foco da discórdia. Nenhum dos três está disposto a fazer o serviço.

Em cada encontro, a questão da troca da lâmpada é abordada, mas todos se esquivam, cada um dando desculpas e passando o trabalho para o outro. É assim o filme todo.

Quando, ao final, todos parecem em vias de concordar com alguma coisa, um telefonema interrompe a conversa com uma notícia inesperada: o pai caiu de uma escada, bateu a cabeça e teve traumatismo craniano. Morte instantânea.

“Mas por que ele subiu em uma escada?”, pergunta um dos filhos. Simples: ele foi trocar a lâmpada do banheiro. Parece cômico, mas no fundo é trágico.

Mostra como os filhos, na tentativa de evitar decisões e responsabilidades, acabam deixando de lado as questões mais básicas e triviais, porém cruciais para quem não tem mais a mesma mobilidade da juventude.

Na outra ponta, e no mesmo fim de semana, vimos o que pode acontecer quando jovens e idosos se unem. Centenas e milhares de pessoas acima dos 80, 90 e até de 100 anos de idade indo aos locais de votação para participar do ato democrático.

Foi lindo de ver: vovozinhas com andadores, cadeiras de rodas e até carregadas pelos netos em direção às respectivas sessões. Não importa o que impulsionou aquele movimento, mas sim a capacidade de união e solidariedade entre gerações. Mostra que nem tudo está tão perdido.

É verdade que os filhos têm dificuldades de aceitar o envelhecimento dos pais. E, muitas vezes, o único movimento possível é ignorar, fingir que está tudo bem.

O ato de ignorar ou negar o envelhecimento dos pais é, na maioria das vezes, um mecanismo de defesa emocional inconsciente. Ver aqueles que sempre foram nossa base de segurança e força demonstrando fragilidade, esquecimento ou limitações físicas gera um profundo choque de realidade.

Além disso, muitos filhos adultos estão no auge de suas carreiras e ainda criando os próprios filhos. Olhar de frente para o envelhecimento dos pais significa ter que abrir espaço na rotina para consultas médicas, cuidados especiais e apoio financeiro. Por pura exaustão ou falta de estrutura, alguns tratam a situação com pressa e superficialidade, evitando se aprofundar nas reais necessidades dos idosos.

Durante toda a vida, os pais cuidaram, decidiram e protegeram. Aceitar o envelhecimento significa entender que, gradativamente, os papéis vão se inverter – o filho passará a ser o cuidador e o pai se tornará o dependente. Assumir essa responsabilidade filial gera medo de não dar conta da sobrecarga física e emocional.

Mas, no meio de tudo isso, sempre haverá uma lâmpada com defeito, uma escada que se parte e um corpo que cai. É preciso estar atento e forte.

Theresa Hilcar, Jornalista e cronista

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).