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Felpuda

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Johann Goethe - escritor alemão

"Tudo é mais complicado do que se possa imaginar e, ao mesmo tempo, mais complicado do que se poderia conceber”.

 

FELPUDA

Que o distinto eleitor se prepare para ver a fila de pré-candidatos à reeleição, principalmente aqueles que nada fizeram nos últimos três anos, se vitimando como se fosse portador de alguma doença para ganhar o “voto-sensibilidade”. O “festival” terá de tudo, com narrativas de males de certa gravidade porém, na real, nem chazinho de qualquer coisa é necessário. Isto porque muitos em “estado terminal” de outras épocas, ficaram “bonzinhos”, alegres e saltitantes que só, tão logo as eleições foram encerradas e isso já no primeiro turno. E continuam por aí...

Assistência

A 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de MS restabeleceu a vigência de uma liminar determinando que a Prefeitura de Campo Grande assuma a responsabilidade direta pelo acolhimento e assistência de animais abandonados e vítimas de violência.

Mais

A decisão atende ao pedido da Promotoria de Justiça do Meio Ambiente, que apontou omissão do Poder Público. Embora a tutela de urgência tenha sido inicialmente negada em primeira instância, o MPE recorreu e o TJMS reconheceu que a proteção animal é um dever constitucional.

Loreta Zardo, que hoje vai comemorar seus 70 anos, completados no dia 5

 

Rachel Maia

Vai entender

O prefeito de Ponta Porã, Eduardo Campos, acabou “passando recibo” sobre a buraqueira que tomou conta do anel rodoviário. Em material jornalístico publicado no site da prefeitura, destacou-se que a obra foi construída na administração anterior. Ocorre que dessa “administração anterior” ele participava, pois era o vice-prefeito. Quando o titular Hélio Peluffo renunciou para assumir cargo no Estado, Campos assumiu e foi reeleito em 2024. Portanto...

Sim

Os três senadores de MS assinaram o pedido de abertura da CPI do Banco Master. Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias, Nelson Trad Filho e Soraya Thronicke corresponderam aquilo que a maioria da população deseja: a apuração das trambiques que envolvem, como se dizia não há muito tempo, “colarinhos brancos” dos mais diversos setores, incluindo o do setor público. Nelson e Soraya encerram mandato neste ano e têm pretensões de se reeleger.

Se...

O Ministério Público Estadual recomendou que o prefeito de Corumbá Gabriel Alves de Oliveira, o Dr. Gabriel, faça anulação de contrato de R$ 600 mil com uma empresa de consultoria contábil e tributária. Essa atividade, segundo o MPE, tem de ser feito por servidores públicos concursados. Terceirizar esse tipo de trabalho é, na realidade, desrespeito aos recursos públicos. Se não obedecer, o prefeito poderá ter problemas na Justiça. Mas, pelos corredores dos poderes, dizem que, se obedecer, terá que se haver com quem realmente manda por lá. Afe!

Aniversariantes

Marly Corrêa de Almeida Serra
José Pedro da Silva Pedro Silva
Zilá Vilas Boas Soares
Dr José Luiz Mikimba Pereira
Gisele Romeiro
Adriano Ferreira da Silva
Gentil Zoccante
Olga Takako Nakaya
Gleize Okumoto
Joaquim Pinheiro Vasconcelos
Valdeir Dias da Silva
Sarah de Sales Pereira
Paulo Machado Borges
José Aparecido Benatti
Osmir José da Costa Prado
Valdo Anderson Boscarski
Alzira Lourenço Freire
Ricardo Trefzger Ballock
Adriana Orrico Carvalho
Geraldo Filgueiras
Eduardo Ferrari
Gabriel de Emilio
Fernando Monteiro Scaff
Dr Renê Siufi
William Douglas de Souza Brito
Dirce Anastácio Rodrigues
Manoel Fernando das Neves Bento
Mauro Fascincani
Edson Martins Moraes
Yonez Oliveira Santos
Maria Eduarda do Amaral Gomez
Vânia Alves Corrêa
Keylla Cristina Almeida Miranda
Nildo Alves de Albres
Ana Silvia Elias Veiga
Nicodemo Sarubbi Filho
Josefina Coelho
Aristides Ferreira
Victor Hugo Motta
Daisy Cesco Fieschi
Iliê Vidal
Élio Benzi Filho
Júlio Rodrigues Maffei Filho
Luís Fernando Barbosa Pasquini
Ana de Almeida Vargas Batista
Ruth Ribeiro da Costa
Dra Rita Aracaqui Takita
Fátima Machado Muniz Garcia
Marilza Holsback Rocha
Giocondo Facchin
Edson Simão Cadacho
Antônio Bitencourt do Amaral
Marilda Rosa Cafure Barrera
Suely de Andrade Araújo
Maurílio Xavier
Florinda Ferreira de Araújo
Mauricinéia Alves Chaves
Laura Lúcia Souza
Alice Maria Oliveira
Marta Lúcia da Silva Martinez
Eloah Mello da Cunha
Elza Pereira Queiroz
Valdir Flausino
Beatriz Cristina Knorr Deiss
Gentil Pasqual Abati
Márcio Barros de Oliveira
Mauricio de Souza
Rubia Mitla Orso Gobbo
Stevão Martins Lopes
Paulo Rebuá Siufi
Dr Jony Afonso Gonçalves Domingues
Túlio Ferreira Pinheiro
Agnaldo Ferreira Gonçalves
Keila Santos Lima
Maria Eugênia Barros
Juliana Maffei
Divina Lúcia Batista
Nayara Sampaio Costa Souza Lima
Sandra Valeria Mazucato
André Luis Pereira de Freitas
Edcarlos Sampaio Costa
Fernando Hampe Bocchese
José Carlos Florencio da Silva
Antonio Marco Maldonado
André Luiz Becker dos Santos
Rinaldo Delmondes
Maria Eva Rodrigues Leguica
Gislene Biagi de Lima
José Raimundo Pinto Filho
Aparecida de Fatima Riqueti Rodrigues
Clóvis Wilson Matto Grosso Pereira
Guilherme Lara Diniz Brandão
Anna Claudya Sant Ana da Costa
Cleber Tejada de Almeida
João Marques de Oliveira
Denise Alves Faria
Luiz Douglas Bonim
Silvio Godoy
Micaela Íris Cabral Raimundo
Maria Emília Xavier Lopes de Almeida
Amanda Cristina Mendes
Máro Sérgio Machado
Conrado Queiroz da Cunha
Cecília Sampaio Lima
Lorena Souza Chaves
Chiara da Costa Gonçalves
Geisa Ferreira Barros
Valter Oliveira de Souza
Samira Costa Batista

cinema

Indicação ao Oscar 2026: Com Brasil na disputa, veja lista completa de indicados

Cerimônia de premiação será no dia 15 e março; O agente secreto concorre em quatro categorias, incluindo melhor ator

22/01/2026 10h06

Oscar 2026: Confira os indicados

Oscar 2026: Confira os indicados Reprodução

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O Oscar divulgou nesta quinta-feira (22) a lista completa de indicados à sua 98ª edição. O evento ocorreu no Samuel Goldwyn Theater, em Beverly Hills, na Califórnia.

O Agente Secreto, filme de Kleber Mendonça Filho, recebeu indicações em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Escalação de Elenco e Melhor Ator, com Wagner Moura.

A cerimônia da 98ª edição está marcada para o dia 15 de março.

Confira as indicações:

Melhor Filme

Uma Batalha Após a Outra
Hamnet
Pecadores
Valor Sentimental
Marty Supreme
Frankenstein
Sonhos de Trem
Bugonia
O Agente Secreto
F1

Melhor Filme Internacional

O Agente Secreto (Brasil)
Valor Sentimental (Noruega)
Foi Apenas um Acidente (França)
Sirât (Espanha)
A Voz de Hind Rajab (Tunísia)

Melhor Ator

Leonardo DiCaprio, Uma Batalha Após a Outra
Timothée Chalamet, Marty Supreme
Wagner Moura, O Agente Secreto
Michael B. Jordan, Pecadores
Ethan Hawke, Blue Moon

Melhor Atriz

Jessie Buckley, Hamnet
Renate Reinsve, Valor Sentimental
Rose Byrne, Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria
Kate Hudson, Song Sung Blue: Um Sonho a Dois
Emma Stone, Bugonia

Melhor Direção

Chloé Zhao, Hamnet
Paul Thomas Anderson, Uma Batalha Após a Outra
Ryan Coogler, Pecadores
Josh Safdie, Marty Supreme
Joachim Trier, Valor Sentimental

Melhor Ator Coadjuvante

Delroy Lindo, Pecadores
Sean Penn, Uma Batalha Após a Outra
Stellan Skarsgård, Valor Sentimental
Benicio del Toro, Uma Batalha Após a Outra
Jacob Elordi, Frankenstein

Melhor Atriz Coadjuvante

Elle Fanning, Valor Sentimental
Inga Ibsdotter Lilleaas, Valor Sentimental
Amy Madigan, A Hora do Mal
Wunmi Mosaku, Pecadores
Teyana Taylor, Uma Batalha Após a Outra

Melhor Roteiro Original

Pecadores
Valor Sentimental
Marty Supreme
Blue Moon
Foi Apenas um Acidente

Melhor Roteiro Adaptado

Bugonia
Frankenstein
Hamnet
Uma Batalha Após a Outra
Sonhos de Trem

Melhor Direção de Elenco

Uma Batalha Após a Outra
Hamnet
Pecadores
Marty Supreme
O Agente Secreto
Publicidade

Melhor Animação

Arco
Elio
Guerreiras do K-Pop
A Pequena Amélie
Zootopia 2

Melhor Documentário

A Vizinha Perfeita
Alabama Preso do Sistema
Cutting through Rocks
Mr. Nobody Against Putin
Embaixo da Luz de Neon

Melhor Fotografia

Frankenstein
Marty Supreme
Uma Batalha Após a Outra
Pecadores
Sonhos de Trem

Melhor Figurino

Frankenstein
Pecadores
Hamnet
Avatar: Fogo e Cinzas
Marty Supreme

Melhor Montagem

F1
Marty Supreme
Uma Batalha Após a Outra
Valor Sentimental
Pecadores

Melhor Design de Produção

Frankenstein
Hamnet
Marty Supreme
Uma Batalha Após a Outra
Pecadores

Melhor Trilha Sonora

Frankenstein
Uma Batalha Após a Outra
Pecadores
Bugonia
Hamnet

Melhor Canção Original

“Golden”, Guerreiras do K-Pop
“I Lied to You”, Pecadores
“Train Dreams”, Sonhos de Trem
“Dear Me”, Diane Warren: Relentless
“Sweet Dreams Of Joy” - Viva Verdi!

Melhor Maquiagem e Penteado

Kokuho
Frankenstein
Pecadores
Coração de Lutador – The Smashing Machine
A Meia-Irmã Feia

Melhor Som

F1
Frankenstein
Uma Batalha Após a Outra
Pecadores
Sirât

Melhores Efeitos Visuais

Avatar: Fogo e Cinzas
Jurassic World: Recomeço
Pecadores
F1
O Ônibus Perdido

Melhor Documentário em Curta-Metragem

All the Empty Rooms  
Armed Only With a Camera: The Life and Death of Brent Renaud  
Children No More: Were and Are Gone
The Devil Is Busy
Perfectly a Strangeness

Melhor Curta-Metragem

Butcher’s Stain
“A Friend of Dorothy”
“Jane Austen’s Period Drama”
“The Singers”
“Two People Exchanging Saliva”

Melhor Curta de Animação

“Butterfly”
“Forevergreen”
“The Girl Who Cried Pearls”
“Retirement Plan”
“The Three Sisters”

LITERATURA

Editora Todavia lança nova edição de clássico de Graciliano Ramos, com posfácio de Antonio Candido

Edição ainda tem ensaio de Elvia Bezerra que apresenta trajetória literária, social e de "afetos" de Manuel Bandeira, destacando amizade do poeta com Nise da Silveira e Ribeiro Couto

22/01/2026 08h00

Divulgação

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A Editora Todavia lança neste mês a nova edição de um clássico do romance regional brasileiro – “S. Bernardo” (272 páginas, R$ 69,90 ou e-book por R$ 49,90), de Graciliano Ramos – e um alentado estudo sobre o papel fundamental de Santa de Teresa, Bairro do Rio de Janeiro (RJ), na vida e na obra de um dos maiores poetas do País – “A Trinca do Curvelo: Os Afetos de Manuel Bandeira” (336 páginas, R$ 89,90 ou e-book por R$ 59,90), de Elvia Bezerra.

Foto: Divulgação

Publicado em 1934, “S. Bernardo” é o segundo romance de Graciliano Ramos (1892-1953) e um dos pontos mais altos de sua obra. Narrado em primeira pessoa por Paulo Honório, o livro se apresenta como um relato de vida escrito já na maturidade, quando o protagonista repassa sua trajetória e tenta compreender seus erros.

De origem pobre, Paulo Honório ascendeu socialmente por meio da esperteza, do cálculo e, sobretudo, da exploração do trabalho alheio.

Tornou-se dono da fazenda São Bernardo, símbolo de seu triunfo econômico e de seu desejo de poder. No entanto, o que poderia ser uma história de sucesso e superação revela-se um testemunho amargo.

Paulo Honório construiu tudo à base da violência – física, social e afetiva. E a fazenda cresceu ao mesmo tempo que a sua vida pessoal se tornou vazia.

“Vencendo a vida, porém, ficou de certo modo vencido por ela: imprimindo-lhe a sua marca, ela o inabilitou para as aventuras da afetividade e do lazer”, resume Antonio Candido (1918-2017) em posfácio incluído nesta edição.

No centro da narrativa está o casamento com Madalena, jovem professora idealista, cujo olhar sensível e ético contrasta com a mentalidade prática e dura de Paulo Honório.

Incapaz de compreender ou aceitar esse mundo alheio às suas preocupações materiais, ele oprime e sufoca a mulher, conduzindo-a a um desfecho trágico.

Para além da ascensão e derrocada de um homem, no entanto, o romance é uma reflexão sobre poder, afeto e fracasso, revelando os mecanismos de dominação em uma sociedade, até hoje, marcada visceralmente pela desigualdade.

Com texto estabelecido a partir do cotejo de oito versões e notas editoriais que esclarecem variantes entre elas, a nova edição de “S. Bernardo” se soma a outros dois clássicos do autor alagoano que a Todavia lançou pela Coleção Graciliano Ramos em 2024, “Angústia” (1936) e “Vidas Secas” (1938).

Também em 2024, a editora publicou, pelo selo Baião, o infantil “Os Filhos da Coruja”, que foi lançado originalmente, em 1923, sob a autoria de J. Calisto, um dos pseudônimos de Graciliano. A nova edição da obra tem pesquisa e organização de Thiago Mio Salla e pinturas de Gustavo Magalhães.

BANDEIRA NO CURVELO

“A Trinca do Curvelo” pode ser considerado um desses prodígios da articulação entre crítica literária, crônica afetiva e jornalismo cultural que com muita sorte aparecem a cada uma ou duas gerações. É, sobretudo, a obra em que Elvia Bezerra faz a súmula – com estilo gracioso e musical, pesquisa obsessiva e sensibilidade para o detalhe – de toda uma trajetória dedicada à vida intelectual.

Othon Bastos e Isabel Ribeiro no longa “São Bernardo” (1972), de Leon Hirszman; Manuel Bandeira no curta “O Poeta do Castelo” (1959), de Joaquim Pedro de Andrade

Premiado em 1995 pelo Pen Club como melhor ensaio e reeditado agora com dois novos ensaios que versam sobre a presença de duas mulheres na vida e na obra de Manuel Bandeira (1886-1968), o livro toma como ponto de partida uma crônica do poeta de “Carnaval” (1919) sobre uma turma de garotos peraltas do Bairro Santa Teresa, no Rio de Janeiro, para expandir seus limites e retraçar uma narrativa de deliciosas coincidências entre um trio que marcou a cultura brasileira.

Pois foi ali, naquele bairro encravado entre ruas íngremes, vielas e panoramas deslumbrantes da Baía de Guanabara que três grandes personalidades se reuniriam na primeira metade do século 20.

Manuel Bandeira ocupava a casa de número 51 na Rua do Curvelo; a psiquiatra Nise da Silveira (1905-1999), que revolucionou o tratamento mental por meio da arte, morava em frente ao poeta na mesma rua; e o jornalista, escritor e diplomata Ribeiro Couto (1898-1963) - autor do célebre romance “Cabocla” (1931), que ganhou três versões como telenovela (em 1959, 1979 e 2004) – tinha seu quarto ali mesmo também, na pensão de Dona Sara.

BIOGRAFIA COLETIVA

O Rio então era a Capital Federal, a cidade que se modernizava a passos largos, mas que também, ainda, preservava paragens bucólicas e quase interioranas, onde Bandeira, Nise e Ribeiro Couto roçariam cotovelos enquanto ajudavam a transformar o cenário intelectual.

Por fortuito que pareça, e é, essa sincronia de personalidades e talentos tão distintos ajuda Elvia a construir – por meio de poemas, cartas, crônicas, rememorações – uma espécie de biografia coletiva tendo Bandeira como centro irradiador.

Mas também, a certa altura, a autora pede passagem e relembra a sua convivência, décadas mais tarde, com Nise, já uma personalidade quase legendária em nossas ciências. Pois esta é, como já reza o seu subtítulo, uma história de afetos.

HUMOR E TERNURA

O ambiente e o cenário da antiga Rua do Curvelo, atualmente Rua Dias de Barros, são evocados em poemas antológicos de Manuel Bandeira.

Quem não se lembra de “Irene preta/Irene boa/Irene sempre de bom humor”, do poema “Irene no Céu” (1930), ou dos famosíssimos versos de “Vou-me Embora pra Pasárgada” (1930), para citar apenas dois dos que guardam relação direta com essa rua onde o poeta morou de 1920 a 1933.

Na prosa bandeiriana, personagens da minúscula rua foram imortalizados, e fatos do cotidiano, contados com humor e ternura, não só em crônicas, mas também na correspondência do poeta.

Foto: Divulgação

Entre tantas referências, duas se destacam e justificam a suspeita de uma importância maior da Rua do Curvelo na vida e na obra de Manuel Bandeira. A primeira é a confissão que ele faz na autobiografia literária “Itinerário de Pasárgada” (1954), em que dá como testemunha de seu aprendizado o amigo Rui Ribeiro Couto.

“A Rua do Curvelo ensinou-me muitas coisas. Couto foi avisada testemunha disso e sabe que o elemento de humilde cotidiano que começou desde então a se fazer sentir em minha poesia não resultava de nenhuma intenção modernista. Resultou, muito simplesmente, do ambiente do Morro do Curvelo”, revela Bandeira.

O Morro do Curvelo, como Bandeira também denominava a pequena rua, adentrou na tradição literária por meio desse depoimento e de um ensaio de Ribeiro Couto – “De Menino Doente a Rei de Pasárgada” (1936).

Um grande poeta ali morava. Ali tomaria contato com a vida popular, observando, morro abaixo, os quintais efervescentes da Rua Cassiano. Ali permaneceria os melhores anos e os mais fecundos de sua criação poética.

DO CEARÁ A SUÍÇA

Manuel Bandeira morou inicialmente no Bairro de Santa Teresa em meados de 1908, em junho, quando voltou do Ceará, onde fora procurar clima bom para sua saúde na cidade de Quixeramobim, vizinha à Quixadá de Rachel de Queiroz (1910-2003).

De volta do sertão cearense, Bandeira juntou-se à família, que morava na Rua do Aqueduto, em Santa Teresa, no terceiro andar de um prédio que pertencia a um negociante português conhecido como Sr. Gomes.

Em versos do livro “Mafuá do Malungo” (1948), o poeta dedicou a essa antiga morada um soneto com o título de “O Palacete dos Amores”, nome dado pelo proprietário, habitante do segundo andar.

A família do engenheiro Manuel Carneiro de Sousa Bandeira – a mulher, Francelina Ribeiro de Sousa Bandeira, chamada Dona Santinha, e os filhos Antônio, Manuel e Maria Cândida – lá morou até 1912, quando se mudou para o Leme.

Em 2 de julho de 1913, Bandeira partiu para o Sanatório de Clavadel, instituição conhecida pela excelência no tratamento de tuberculose, a três quilômetros da famosíssima Davos Platz, na Suíça, que hoje sedia o Fórum Econômico Mundial.

Seriam para sempre caras as lembranças daquele ano em que, a aproximadamente 1.500 metros de altura, o poeta tratava-se no clima frio e seco, recomendado para seus pulmões doentes.

Ali ele conviveu com o poeta francês Paul Éluard (1895-1952), então com 19 anos, quando ainda não pensava em se juntar a André Breton (1896-1966) e Louis Aragon (1897-1982) para fundar o movimento surrealista, o que aconteceria em 1919, dois anos depois de Éluard se casar com a ex-companheira de sanatório que iluminara seus dias nos Alpes suíços, a russa Elena Dmítrievna Diákonova (1894-1982), chamada de Gala, e que uma década depois o trocaria por Salvador Dalí (1904-1989).

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